Capítulo 107 — Fragmentos de uma Vida Alheia
O local onde entraram, após cruzarem o longo e estreito corredor, era o ponto central da Grande Capela. Uma vasta nave que conectava o altar-mor à "Porta do Perdão", por onde os fiéis entravam e saíam.
Por uma pequena porta lateral, usada por jovens sacerdotes e embaixadores, Cássel entrou inclinando levemente a cabeça. A porta fechou-se às suas costas.
Ele observou a nave por um momento antes de localizar Emiliano. O rapaz retirava lentamente o avental de trabalho e o dobrava, enquanto Cássel admirava a luz colorida que descia dos altos vitrais até o chão, e o teto imenso, que em grande parte ainda exibia esboços ou cores desbotadas.
Cássel logo passou por ele e caminhou em direção ao altar. As estátuas dos Oito Apóstolos, fixadas em cada pilar, olhavam para eles do alto. Uma escultura monumental adornava toda a parede do altar, com um acabamento tão delicado quanto a moldura de um quadro. No topo de uma escada que levava ao teto, havia uma pequena plataforma de trabalho, alta o suficiente para comportar vários artesãos ao mesmo tempo.
Ele observou a pintura terminada em cores vibrantes, começando de onde ficava a mesa de trabalho de Emiliano, como se uma chama se espalhasse pela parede: era parte de uma enorme "Tocha" que subia ainda mais alto.
— Excelente.
— ... Obrigado — respondeu Emiliano.
— Ficará ainda melhor daqui a cinco anos.
— Sim. Talvez por essa época.
A voz de Emiliano era suave, porém rígida. Como dissera seu amigo, talvez ele estivesse exausto pela magnitude do trabalho ou nervoso por estar diante de um membro da alta aristocracia pela primeira vez. Mas nada disso era a resposta correta. Aquela não era a primeira vez que se encontravam.
— Existem outros pigmentos em Calstera? — perguntou Cássel.
— ...
— Há três anos... não, devem ser quatro anos agora. Alguém veio de Oli García e deixou um medalhão que nem estava à venda.
Não houve resposta. Cássel girou à direita diante do altar e deu a volta para encarar o rival.
Emiliano vestia uma camisa de linho azul folgada, manchada de óleo e tinta, com a franja castanha desgrenhada cobrindo a testa e o avental sujo apertado entre as mãos. Sob as mangas dobradas até os cotovelos, era possível ver a força nos braços de músculos magros; ele apertava as mãos com tanta força que os nós dos dedos estavam brancos.
"Você ainda tem esse rosto sujo e solitário", pensou Cássel, sentindo uma vontade amarga de rir.
— Você também esteve em Pérez?
— ...
— Antes de vir para Calstera. Por exemplo...
— Não. Só ouvi falar, nunca estive lá.
Cássel fixou seu olhar indiferente nos olhos de Emiliano.
— Oito anos atrás, quatro anos atrás... nesse intervalo.
Mesmo ouvindo a negação, Cássel insistia no "agora". Ele pensava nos anos em que Inês completou 16 anos até os seus 20. O tempo em que ela "desapareceu" do mundo dele. A solidão de Inês em Pérez não tinha causa ou explicação aparente para ninguém... exceto, talvez, para o homem à sua frente.
Afinal, a história deles era muito mais antiga do que isso.
"Você esteve em Pérez?", a pergunta de Cássel soava como um punhal cravado no chão.
Ele se referia a tempos remotos, aos "contos de velhos loucos". Ao Castelo de Pérez, quando a filha dos Valeztena, prometida ao Príncipe Herdeiro, tinha apenas cem dias para se casar. O assistente de um pintor que ousou retratá-la por ordem imperial. Apenas um rapaz humilde.
"Você se lembra dessa vida?"
Cássel viu o homem imóvel, com uma expressão exausta, como um mural costeiro corroído pelo vento. Ele sabia o que não podia perguntar em voz alta: "Vocês se encontraram de novo desta vez? Dedicando todo esse tempo e essa vida um ao outro?"
— ... Em nenhum outro momento além de agora, eu jamais estive lá — repetiu Emiliano.
"Vocês se amam novamente?"
Cássel lembrou-se das palavras de Lourdes: "O patrocínio no passado foi longo... queremos pertencer a esse patrão novamente".
"Então, Inês, você me escolheu agora apenas porque eu era um caminho mais fácil de descartar do que o Príncipe? Porque precisava de um marido que apenas desse o nome e depois pudesse ser deixado de lado? Alguém que te afastasse dos seus pais apenas para você voltar para o seu verdadeiro amor?"
Cássel olhou para Emiliano, mas sua mente via o rosto sereno de Inês dormindo em seus braços nas madrugadas em Mendoza.
"Inês, minha pobre Inês... Se era assim, você não deveria ter escolhido alguém como eu. Deveria ter me mantido alheio a tudo. Eu não deveria ter conhecido a plenitude de quando você me abraça, a emoção do seu beijo ou o brilho do seu sorriso para mim."
Ele sentiu o peso do que era tê-la. O que era ser dela. E a maldita benção de, finalmente, ser amado por ela — ou assim ele acreditara.
"Eu não deveria saber de tudo isso. Inês, não permita que eu a ame novamente... Você deveria ter mantido alguém como eu bem longe."
Cássel soltou uma risada baixa. Seus lábios bonitos se contraíram em um gesto de autodesprezo, mas logo se tornaram frios. Durante os quatro anos em Pérez, aquele homem nunca mais pôs os pés lá.
— Se não fosse por você durante esses quatro anos, significaria que Inês amava apenas a você — disse Cássel. — Ou que ela estava apenas homenageando você, que está vivo e não mais morto.
— Senhor Escalante...
— Você se lembra de mim?
A situação já beirava o absurdo. Cássel sentia-se na beira de um abismo. O homem que o guiara até ali sequer sabia sua identidade, mas chamava o cavaleiro apresentado como um mensageiro nobre de "Senhor Escalante". No entanto, Emiliano o chamou como se soubesse sua verdadeira identidade. Cássel fez a pergunta como se estivesse se sufocando, mas a resposta não era nada comparada ao que já ouvira.
Os olhos castanhos, obedientes e gentis, olharam para ele com um silêncio que parecia uma resistência leve. Como se nada pudesse ser dito. Estaria ele preocupado em dificultar a situação de Inês? Cássel suspirou e riu novamente.
Sentia uma dor surda na cabeça, lembrando-se de memórias que pararam na escuridão onde ele não podia ver nada. Era uma sensação infantil e nada engraçada. Um homem tão fraco e humilde estava resistindo a ele para proteger Inês. Ele ousava protegê-la dele... como se Cássel pudesse feri-la, como se nenhum outro homem pensasse nela mais do que ele mesmo.
Cássel encurtou a distância.
— Emiliano. Como você se lembra de mim?
O amor de Inês — um amor que era a sua própria vida — e as coisas terríveis que eles nunca superaram. Ele não sabe que todo este casamento começou com uma mentira. Ele não sabe que, na verdade, ela ainda não o ama — ou, pelo menos, era disso que ele tentava se convencer.
— Senhor Escalante… eu… — murmurou Emiliano.
Se Cassel estendesse a mão naquele instante e o estrangulasse, o antigo amor de Inés morreria como um verme esmagado sob seus pés.
Ele tentou medir o quão fácil seria matar Emiliano ali mesmo.
Era tentador.
O mais irônico era que Emiliano já teria torcido o próprio pescoço se não tivesse fingido compreender a posição de Inés de forma tão grosseira.
Quem dera o homem que Inés amou, arriscando a própria juventude, fosse apenas isso.
Ainda assim, se Inés não fosse a coisa mais preciosa para esse homem…
Cassel sabia que jamais conseguiria perdoá-lo.
Mas eles não eram assim... Não, é?
Um bastardo que não conseguiu salvar nem a própria vida.
Um homem fraco, incapaz até mesmo de proteger a própria esposa.
Oh.
— Do que você se lembra?
Esposa.
A esposa de Emiliano.
Inés.
A falsa Juana.
De repente, Cassel se lembrou dela — de que já não era mais sua mulher.
Da “Juana” sevillana, que aguardava o Emiliano em um pequeno porto, com um bebê recém-nascido nos braços.
Juana.
Juana…
Um sorriso triste passou por seus lábios, leve como o vento.
O bebê, pequeno, aninhado em seus braços.
A criança que se parecia tanto com Emiliano quanto com Inés.
A criança que riu ao vê-lo, sem conhecer as dores e misérias dos próprios pais.
Como estaria o filho de Inés agora…?
A névoa se dissipou por um instante — e logo voltou a se fechar.
— Infelizmente, eu me lembro de tudo o que me aconteceu, Cassel.
— ...
— E isso geralmente é chamado de castigo. Porque a maior recompensa da morte é o esquecimento.
Emiliano falou em voz baixa e ergueu o olhar para a enorme estátua do apóstolo, logo atrás do ombro de Cassel.
Anastasia — o apóstolo dos deuses, de olhos fechados — permanecia de pé, com os braços cruzados sobre o peito, como um sarcófago numa catacumba, observando-os.
Assim como sua primeira morte está registrada na Bíblia: aquele que permanece de pé e está morto, aquele que se deita e retorna à vida.
A figura do apóstolo fora esculpida com extremo cuidado — desde as dobras do longo manto que cobria os pés até o desenho preciso das pálpebras e dos cílios baixos.
Tinha a imponência de um grande homem… e, por isso mesmo, parecia um deus.
Os olhos castanho-claros, que vagavam como se buscassem vestígios naquele rosto polido e talhado, desceram lentamente até Cassel.
— Eu não fui castigado, mas... ao morrer renunciei voluntariamente essa dádiva, sem compensação, e não fui libertado desse ciclo.
Cassel se lembrou do sol de Sevilha iluminando os passos de Emiliano ao entardecer. Das ondas quebrando sob a luz dourada. Do som distante dos cascos dos cavalos ecoando pelo chão. Do cheiro de sal que o vento do oeste trazia.
Era tudo memória.
Apenas lembranças.
— Às vezes eu me pergunto — continuou Emiliano — se você teria coragem de suportar o mesmo castigo.
Cassel soltou uma risada curta.
— … Tolo.
Emiliano então ergueu o olhar.
— Você já reparou no apóstolo atrás de você?
Cassel não respondeu.
— Você se lembra da última vez que morreu?
O silêncio se estendeu.
Então, um olhar claro cruzou o espaço entre eles, mais firme do que nunca.
— Só me resta uma lembrança. Tudo está fragmentado. — disse Cassel.
Emiliano assentiu.
Cássel ainda estava tentando processar os flashes que o atormentam.
— Porque você desejou, se lembra de tudo? Desde quando?
— Desde o princípio. Desde então, nada mais me aconteceu além de "renascer" neste mundo.
Cássel sentia o vento intenso que parecia soprar sobre o rosto frágil de Emiliano, uma sensação vinda de outro tempo. Os olhos do artesão ardiam de expectativa, quase suplicando para que Cássel fosse como ele — alguém que lembra de tudo. Foi um instante de egoísmo desesperado, um desejo de que o outro também estivesse condenado, apenas para não se sentir tão só.
— Você não estava lá — sentenciou Cássel.
— ...
— Então, tudo o que recebi foi a misericórdia dos meus sonhos.
Havia algo de amargo e irônico na expressão de Cássel ao confirmar que ele não era como Emiliano. Ele não era um "regressor" que viveu cada dia com o peso do passado; ele era apenas um homem assombrado por sonhos.
Ao ouvir isso, um alívio profundo e inesperado tomou conta do rosto de Emiliano.
— Porque você não foi tão estúpido quanto alguém como eu — murmurou Emiliano. — Porque você nunca tomou a decisão errada.
Por um momento, uma urgência estranha turvou os olhos de Emiliano, como se algo o tivesse possuído. Era o olhar de alguém que passou décadas preso em uma ilha deserta, sem vivalma para conversar. Ele passara a vida esperando que um navio surgisse no horizonte.
Ele desejou que o navio se aproximasse. E, em seu desespero, desejou que o navio naufragasse ali mesmo. Ele queria que aparecesse alguém capaz de compreender aquela solidão horrível; alguém que, assim como ele, estivesse trancado naquela prisão de memórias para que ele não estivesse mais sozinho. Desejou isso mesmo que esse alguém fosse o marido da mulher que ele ama, ou o homem que deseja matá-lo.
Era uma fome terrível. Uma solidão que dói como a fome, um puro instinto de sobrevivência. Mas, ao ver que Cássel estava livre desse fardo, Emiliano recuperou a lucidez. O egoísmo sumiu, dando lugar a uma resignação bondosa.
— No fim das contas, Sir Escalante sempre foi uma boa pessoa. Deus deve amá-lo.
Cássel soltou um sorriso triste.
— Eu nem sei do que você está falando ao certo. Ainda assim... tudo isso me vem à mente.
— Se você não sabe que nasceu de novo, é uma benção de oportunidade. Seria uma benção mais perfeita se não tivesse nascido de novo. Se você tem um sonho ou memória que vaza em sua cabeça... Deus está aqui para ajudá-lo.
O fôlego que se detivera em sua boca se fora. Era assombroso ver os olhos de Emiliano brilharem com tamanha convicção sobre algo que, até então, soava como delírio pagão. Aqueles olhos que falavam de "ajuda"... Emiliano sabia que Cássel queria matá-lo? Sabia que ele desejava enterrar aquela resposta para sempre, apenas para apagar o lugar para onde Inês sempre acabaria voltando?
— Sinto muito, mas isso soa como loucura — disse Cássel.
— Eu sei.
— E acho que estou mais louco do que você.
Cássel apertou os dentes e encarou o altar. Como uma única flor florescendo em um arbusto espesso, o "Deus" de Emiliano, pintado na parede de pedra nua, era o único ponto de cor ali. Cássel olhou para aquela imagem. Era uma blasfêmia que ele nunca cometera em sua vida, mas ali estava ele, confessando o impossível.
— Eu tenho memórias que me surgem de forma fragmentada — confessou Cássel. — É estranho chamar de "memória" algo que nunca experimentei, mas é vívido. Posso sentir o ar, os cheiros e até o som distante do vento, como se estivesse lá. Então, tudo se corta... como uma chama que se apaga.
Emiliano permaneceu em silêncio.
— Quando alguém tentou me matar recentemente, eu soube que "naquela época" algo assim já havia acontecido. As pinturas de Sevilha... elas abriram uma fenda na minha mente. Sevilha, sim...
Cássel soltou um suspiro sufocado, como se as palavras lhe custassem a alma.
— Você estava em Sevilha naquele dia. O dia em que você morreu.
Emiliano assentiu silenciosamente.
— É um porto pequeno onde já estive muitas vezes nesta vida — continuou Cássel. — Não havia nada de novo lá. Mas, estranhamente, o "eu" daquele momento parecia estar em um lugar desconhecido. Não era a Sevilha que eu conheço hoje. Eu disse coisas que nunca diria. Ouvi coisas de que nunca ouvira falar. Inês era a noiva de Oscar. E Oscar me falava sobre a "esposa" dele...
Cássel virou-se lentamente para olhar Emiliano. Em vez do olhar perturbador de antes, ele agora dirigia ao artesão um olhar carregado de um respeito amargo.
— Curiosamente, eu descobri naquele momento que a "esposa" de quem ele falava era Inês. Você não se lembra disso? Ou será que é algo que você nunca ouviu em suas memórias?
— Tudo o que sei — respondeu Emiliano — é que aquela vida durou pouco mais de vinte e dois anos. Quando conheci Lady Inês, ela estava prestes a se tornar a Princesa Herdeira...
— Sim. Eu também vi esse momento. Vi o dia em que ela falava de seu "noivo". O que é realmente estranho é que, embora agora eu seja o marido dela... meu cérebro parece estar invertido. Olho para Oscar, que na memória aparentava ter apenas 17 ou 18 anos, e ouço Inês dizer que logo se casaria com ele. Agora, olho para o Oscar atual, que é mais alto que eu, e sou atingido por um pessimismo terrível que dificulta minha respiração. Eu me torno aquela criança estranha de novo...
Cássel sentia as emoções daquela versão mais jovem de si mesmo como raios atingindo sua cabeça. Aos quatorze anos, ele não entendia por que caía naquele desespero por algo que já sabia.
— Tudo é fragmentado. Pensei que fosse loucura... até ver o seu rosto na pintura de Sevilha. Você era um estranho que eu nunca vira, mas assim que o reconheci, pensei: "Maldito seja, eu quero matar esse bastardo".
Ele deu um passo à frente, a voz tremendo de intensidade.
— Eu juro que nunca tinha visto você, seu cabelo, seu olhar... mas o rosto que vi naquele delírio irritante está aqui. Em Bilbao. Você, Emiliano, é a prova de que eu não estou louco.
O que Cássel não conseguia entender finalmente começava a fazer sentido. Ele via Inês sufocando como alguém submerso, via aqueles quatro anos de agonia, e agora via a verdade.
Ele o conheceu em um pequeno porto rural. Inês segurando uma criança. O fôlego de Cássel falhou. Inês segurando o filho de outro homem, não o dele. Inês olhando para o seu "marido"...
As lágrimas começaram a rolar silenciosamente pelo rosto de Cássel. Seu rosto estava molhado, e ele sentia o olhar confuso de Emiliano sobre si. Mas a imagem de Inês era mais clara do que o homem à sua frente.
"Escalante, você está aqui para me matar? Como o cão de Oscar?"
Na memória, Inês escondia o filho nos braços e olhava para Cássel com um ódio assassino. Ela o chamara de "cão". Alguém capaz de matar uma criança. O filho dela. Um bebê nascido do sangue e da carne de Inês Valeztena.
"Se Oscar ainda precisa de mim, não toque no meu marido nem no meu filho. Eu também posso matar você. É claro, você poderia me matar mais facilmente..."
Cássel soltou um sorriso triste e doloroso. Como ele pôde pensar que ela o amava? Se ele não fosse uma ameaça tão grande naquela vida, ele não teria deixado um único arranhão naquele "bastardo". Porque Emiliano era o homem que ela amava. O homem por quem ela dera a vida.
Ele, Cássel, fora quem salvara o rival. Encontrara o casal antes do Príncipe, antes do irmão de Inês. Ele salvara aquele "idiota" e o fizera fugir. A hostilidade nos olhos de Inês, mesmo vestida com roupas andrajosas, era terrivelmente bela. Ele não suportara o ciúme, a inveja daquele homem humilde. Por isso, não ousara feri-lo.
"Sinto muito, Cássel. Estou com os nervos à flor da pele. O nome deste menino é Luca."
No momento em que o nome da criança foi pronunciado na memória, uma luz divina apareceu no rosto ressequido de Inês.
Aquilo... aquilo era amor.
que saudades da minha novela preferida! venho aqui todos os dias pra ver se lançou mais capitulos.
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