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CapĂ­tulo 43 — A Sereia e o Soldado

Cåssel Escalante estava em pé diante do espelho, sorrindo como um tolo. Apenas um dia atrås, sua esposa decidiu que ele não podia ser um tolo, mas ele estava provando que ela estava errada agora.

Sua mente estava muito ocupada com a voz de InĂȘs dizendo: "Eu nunca vou te deixar primeiro." TĂŁo direta como sempre, tudo o que ela disse foi que nĂŁo o deixaria se ele se tornasse menos atraente do que Ă© agora. Mas o cĂ©rebro de CĂĄssel reescreveu a narrativa para interpretar suas palavras como uma promessa de que ela nunca o deixaria.

Para um homem como CĂĄssel, uma redução de um por cento na atratividade ainda significaria que ele era superior Ă s fantasias mais selvagens de qualquer um. Portanto, logicamente se seguiu que InĂȘs nĂŁo o deixaria por uma ligeira discrepĂąncia em sua aparĂȘncia. CĂĄssel assentiu para si mesmo. "Afinal, InĂȘs sĂł se importa com o rosto de um homem..."

RaĂșl bateu na porta entreaberta. 

— O Tenente Salvatore enviou um mensageiro. Aparentemente, ele deixou algo para trĂĄs, mas nĂŁo consegui localizar. O que devemos fazer?

— Se ao menos Salvatore se divorciasse... — murmurou CĂĄssel.

— Com licença, senhor?

— NĂŁo se preocupe comigo. Apenas encontre o item e envie de volta. — CĂĄssel tirou a camisa e a passou para RaĂșl em vez de seu mordomo, que estava bem mais perto. RaĂșl se aproximou e rapidamente agarrou a camisa.

— Mas como posso encontrar algo que nĂŁo estĂĄ lĂĄ...? — RaĂșl parecia perdido. Alfonso, por outro lado, assentiu como se soubesse exatamente o que fazer.

— Vou mandĂĄ-lo embora com algo apropriado.

Quando CĂĄssel balançou a cabeça em aprovação, Alfonso fez sinal para RaĂșl continuar com as outras tarefas de cuidar de CĂĄssel e saiu da sala.

— EntĂŁo, na verdade que o Tenente Salvatore nĂŁo deixou nada para trĂĄs? — perguntou RaĂșl.

— Bem, foi vocĂȘ quem procurou o item em todos os lugares — respondeu CĂĄssel.

— Sim, senhor, eu fiz. 

— E vocĂȘ nĂŁo Ă© um homem estĂșpido. 

— NĂŁo, nĂŁo sou, senhor. 

— EntĂŁo, isso deve significar que nĂŁo temos o item aqui.

RaĂșl franziu a testa. — EntĂŁo, o Tenente Salvatore estĂĄ nos pedindo para devolver algo que nĂŁo temos?

CĂĄssel explicou: — Pense nisso. Ele geralmente fica bĂȘbado o dia todo. Ele raramente precisa de outra bebida porque jĂĄ estĂĄ bĂȘbado.

— Se ele Ă© apenas um bĂȘbado indisciplinado... Por que vocĂȘ estĂĄ dando algo a ele?

— SĂł enviar algo de graça para ele Ă© mais fĂĄcil do que explicar a verdade para um homem bĂȘbado. E eu nĂŁo quero que o mensageiro seja açoitado. — CĂĄssel deu de ombros e pegou a camisa nova de RaĂșl.

RaĂșl nĂŁo sabia como responder. 

Mesmo que CĂĄssel nĂŁo se importe muito, a verdade era que o Tenente Salvatore o estava roubando inadvertidamente. "Talvez ele seja muito leniente com o Tenente Salvatore... Talvez ele nĂŁo se importe o suficiente ou se importe demais com o mensageiro..." RaĂșl decidiu nĂŁo se alongar muito no assunto e mudou de assunto. — Ainda nĂŁo contei Ă  Senhora InĂȘs.

— Sobre o quĂȘ? — perguntou CĂĄssel.

— Sobre o fato de vocĂȘ estar espionando ela.

As suspeitas de RaĂșl começaram quando ele notou Hugo parado em um lugar, encarando InĂȘs. EntĂŁo, ele notou Kara se demorando em InĂȘs por muito mais tempo do que o necessĂĄrio. Ele tambĂ©m viu o olhar culpado no rosto do cocheiro e vislumbrou Alfonso soltando um suspiro profundo ao ver InĂȘs.

Assim que RaĂșl percebeu o que estava acontecendo, ele nĂŁo pĂŽde deixar de notar mais sinais. No entanto, ele nĂŁo conseguiu encontrar nenhuma evidĂȘncia material para provar que eles estavam espionando InĂȘs. Nos Ășltimos dias, RaĂșl pensou muito sobre suas observaçÔes. NĂŁo havia como esses funcionĂĄrios desajeitados serem tĂŁo discretos sem um supervisor para orquestrar suas operaçÔes. Nesta casa, RaĂșl sĂł conseguia pensar em alguns funcionĂĄrios com tal inteligĂȘncia. Como Arondra era fiel demais para espionar InĂȘs, o Ășnico candidato era Alfonso, e CĂĄssel tinha controle total sobre Alfonso.

— NĂŁo sei do que vocĂȘ estĂĄ falando — respondeu CĂĄssel, sem um pingo de vergonha.

— EntĂŁo... deverĂ­amos chamar isso de outra coisa que nĂŁo espionagem? VigilĂąncia? Verificação de antecedentes?

CĂĄssel se virou, seu rosto calmo. — VocĂȘ estĂĄ dizendo o que quer que venha Ă  mente.

RaĂșl baixou os olhos para esconder sua surpresa. Se suas suspeitas estivessem erradas, CĂĄssel deveria ter ficado furioso com a acusação. Se ele tivesse adivinhado corretamente, CĂĄssel deveria ter sido mais sinistro e ameaçador. RaĂșl nunca esperou que CĂĄssel fosse tĂŁo calmo.

— E entĂŁo? — perguntou CĂĄssel.

— Eu... sĂł queria que vocĂȘ soubesse que agora sei seu segredo.

CĂĄssel riu e repetiu sua pergunta. — E entĂŁo?

RaĂșl nunca tinha visto CĂĄssel tĂŁo composto e frio. Na frente de InĂȘs, CĂĄssel tinha sido tĂŁo manso e fĂĄcil de ler.

— Se a senhora InĂȘs descobrir, ela ficarĂĄ furiosa. Ela considerarĂĄ isso um insulto. VocĂȘ sabe disso.

— Por que ela faria isso? — perguntou CĂĄssel. 

— PerdĂŁo?

— RaĂșl, eu estou espionando vocĂȘ, nĂŁo InĂȘs. — O sorriso sereno de CĂĄssel sugeria que ele sabia exatamente o quanto sua resposta calma estava confundindo RaĂșl.

RaĂșl olhou para trĂĄs, sem palavras. EntĂŁo, seu olhar vagou pela sala nervosamente e caiu de volta em CĂĄssel em choque.

— VocĂȘ nĂŁo poderia ter ciĂșmes de mim...NĂŁo Ă©...? — Os lĂĄbios de RaĂșl se separaram e um suspiro de pĂąnico escapou dele.

CĂĄssel finalmente admitiu pela primeira vez que sim, ele estava com ciĂșmes. SĂł o ciĂșme poderia explicar suas açÔes e por que ele caiu tĂŁo baixo a ponto de ter um garoto como RaĂșl descobrindo seu "segredo". Dito isso, nem todo ciĂșme derivava de emoçÔes complicadas. Uma simples estreiteza de espĂ­rito ou possessividade tambĂ©m serviria.

— Como poderia, possivelmente... algo tĂŁo ridĂ­culo... alguĂ©m tĂŁo humilde como eu...?

— NĂŁo hĂĄ nada de ridĂ­culo nisso. VocĂȘ Ă© um homem, e InĂȘs Ă© uma mulher. Qualquer coisa pode acontecer entre vocĂȘs dois.

— NĂŁo sei o que dizer. NĂŁo tenho certeza se vocĂȘ Ă© extremamente mesquinho ou mente aberta agora...

CĂĄssel deu de ombros e sorriu. 

— Eu sei que vocĂȘ nunca satisfaria InĂȘs.

RaĂșl estava completamente confuso. — Se vocĂȘ acha que ela nĂŁo estaria interessada em mim... EntĂŁo, por que vocĂȘ desconfia de mim?

— Eu apenas sinto ciĂșmes. Acabei de admitir isso.

RaĂșl balançou a cabeça, tentando organizar seu cĂ©rebro embaralhado. 

— Pergunto de novo porque vocĂȘ continua se contradizendo. VocĂȘ Ă© complicado demais para eu entender.

— Ou talvez eu seja movido mais pela antipatia do que pela suspeita. — CĂĄssel sentiu que era um belo dia para admitir sua antipatia irracional por RaĂșl.

RaĂșl murmurou: — Sei que vocĂȘ nĂŁo gosta de mim... Embora eu nĂŁo sabia que seu desgosto por mim era tanto assim.

CĂĄssel decidiu admitir tudo. 

— Na verdade, sinto que nĂŁo gosto de vocĂȘ ainda mais porque vocĂȘ sabe que eu nĂŁo gosto de vocĂȘ.

RaĂșl mordeu o lĂĄbio inferior e perguntou com voz frustrada: — Como posso provar minha inocĂȘncia para vocĂȘ? Devo bater minha cabeça contra o peitoril da janela?

— NĂŁo vai te matar. As pessoas tendem a ser lenientes quando se trata de autopunição.

— Eu quis dizer que continuaria batendo a cabeça atĂ© vocĂȘ me dizer para parar.

CĂĄssel fez um tsk. — VocĂȘ estĂĄ completamente fora de si.

— NĂŁo, eu sou apenas um servo comum com uma quantidade padrĂŁo de fidelidade. — Claro, RaĂșl nĂŁo era um servo comum, e sua devoção ao seu empregador beirava o extremo, entĂŁo sua resposta delirante sĂł o fez parecer mais fora de si.

CĂĄssel abotoou lentamente sua camisa de linho e sentou-se em uma cadeira com as pernas cruzadas. — O que vocĂȘ estava planejando fazer com o conhecimento do meu segredo?

— Eu nĂŁo estava planejando fazer nada. Tudo o que eu queria era lhe implorar, como um servo fiel, que nĂŁo machucasse a senhora InĂȘs...

— VocĂȘ quer dizer que queria me ameaçar — interrompeu CĂĄssel. — EntĂŁo, o que vocĂȘ Ă© para InĂȘs?

— VocĂȘ jĂĄ me chama de cachorro de estimação dela.

— VocĂȘ deve ter uma Ăłtima audição. Como esperado de um cachorro.

RaĂșl balançou a cabeça novamente. — Eu sou apenas um cachorro comum que morde quando alguĂ©m machuca seu dono. Se eu sinto que meu dono estĂĄ ameaçado...

CĂĄssel interrompeu RaĂșl novamente. — Por quĂȘ? Porque vocĂȘ ama InĂȘs?

Um rubor repentino explodiu no rosto de RaĂșl.

— Por favor, nĂŁo diminua minha afeição por ela com uma palavra inferior como amor. Minha lealdade a ela Ă© mais devota do que isso.

CĂĄssel observou calmamente a reação de RaĂșl, tentando discernir o que RaĂșl realmente era, mas nĂŁo parecia muito curioso sobre a resposta.

— NĂŁo me importo o que vocĂȘ diz sobre mim. Eu permaneço firme na minha convicção — RaĂșl disse. Seu rosto, no entanto, jĂĄ estava queimando vermelho vivo de indignação.

CĂĄssel considerava qualquer um que se desviasse do modo mĂ©dio de pensar um excĂȘntrico, mesmo que seus desejos fossem puros e elevados. Assim, RaĂșl Ballan era um verdadeiro excĂȘntrico. Tanto os aristocratas como os plebeus concordavam que a coisa mais rara e preciosa no casamento Ă© o amor. Por quĂȘ? Porque amor e casamento nunca podem coexistir.

RaĂșl Ballan acabava de elucidar por que o amor era inferior Ă  lealdade. Mesmo que CĂĄssel Escalante conseguisse conquistar o amor de InĂȘs, RaĂșl consideraria essa emoção sem valor comparada ao que ele compartilhou com InĂȘs. Segundo a lĂłgica de RaĂșl, ele nunca teve motivo para ter ciĂșmes do papel de CĂĄssel na vida de InĂȘs.

Uma vez que CĂĄssel descobriu a extensĂŁo total do raciocĂ­nio ridĂ­culo de RaĂșl, ele viu RaĂșl sob uma nova luz. Por um momento, CĂĄssel esqueceu sua irritação e antipatia por RaĂșl para avaliĂĄ-lo por quem ele era. Ter um excĂȘntrico tĂŁo devotado por perto seria benĂ©fico para InĂȘs? Mas ele nĂŁo conseguia imaginar RaĂșl prejudicando InĂȘs de forma alguma. Talvez ele devesse deixĂĄ-lo em paz. Afinal, RaĂșl estava louco de uma forma lamentĂĄvel. Ele provavelmente tambĂ©m nĂŁo interferiria nos planos de CĂĄssel.

Vendo em primeira mĂŁo o quĂŁo determinado e devotado RaĂșl era para InĂȘs, a presença de RaĂșl nĂŁo incomodava mais CĂĄssel tanto. Na verdade, ele nĂŁo conseguia acreditar que deixou RaĂșl irritĂĄ-lo tanto. Ao mesmo tempo, ele queria dar um tapa na nuca de RaĂșl por alegar que sua lealdade era superior ao amor de um marido. "Se ele fosse o amante dela, eu sĂł teria que esperar que ela se cansasse dele, mas um animal de estimação Ă© muito mais difĂ­cil de se livrar..."

Tentando se conter, RaĂșl acrescentou: 

— NĂŁo ouso nutrir tais sentimentos pela Senhora InĂȘs. Ela Ă©... a Senhora InĂȘs Ă©...

— O quĂȘ? Continue falando. 

— Deixa para lĂĄ.

CĂĄssel exigiu: 

— Termine o que vocĂȘ estava dizendo. 

— NĂŁo posso dizer isso na sua frente.

— Porque vocĂȘ Ă© um servo leal, mas eu sou um marido movido pela luxĂșria? 

RaĂșl balançou a cabeça. — Por favor, esqueça.

— Se vocĂȘ estĂĄ tentando obter uma recompensa maior pela informação, Ă© sĂł me dizer. Eu odeio pechinchar, Ballan. — Eu nunca usaria a Senhora InĂȘs para ganho pessoal — disse RaĂșl, bufando e resfolegando de indignação.

— Por que nĂŁo? — CĂĄssel estava sondando RaĂșl se ele trairia InĂȘs, sabendo muito bem que o servo fiel jamais faria isso. O assĂ©dio de CĂĄssel estava dando enxaqueca em RaĂșl.

"Talvez a Senhora InĂȘs nĂŁo conheça esse homem?", RaĂșl pensou. "Ela disse que sabia tudo sobre ele... Que ele pode ser promĂ­scuo, mas Ă© gentil... Talvez ela tenha sido enganada por seu rosto distraidamente bonito que parece que ele nĂŁo pode fazer nada errado?"

RaĂșl finalmente abriu a boca apĂłs reunir seus pensamentos. — NĂŁo mencionarei isso na frente da Senhora InĂȘs no futuro.

— VocĂȘ pode dizer a ela o que quiser. Eu adoraria me explicar a ela.

— Mas eu nĂŁo vou contar a ela... 

— VĂĄ e diga a ela. — CĂĄssel era desavergonhado. RaĂșl franziu o nariz, como um terrier antes de uma briga de cĂŁes. — Eu nĂŁo quero.

— Por que nĂŁo? 

— NĂŁo quero magoĂĄ-la nem um pouco... EntĂŁo, nĂŁo vou contar a ela.

CĂĄssel sorriu com a escolha de palavras de RaĂșl. Ele acreditava que nĂŁo poderia machucar os sentimentos de InĂȘs, mesmo que ele tentasse. Ele gesticulou para a porta com o queixo. Mas RaĂșl nĂŁo seguiu imediatamente a ordem de sair. Ele demorou um pouco mais tempo na frente de CĂĄssel e repetiu: — É sĂ©rio. VocĂȘ nĂŁo pode ferir os sentimentos dela.

— Farei o que eu quiser — respondeu CĂĄssel.

— Por favor... seja gentil com ela. — RaĂșl curvou-se profundamente num gesto que nĂŁo nasceu de sua etiqueta habitual, mas de um pedido sincero.

Depois que RaĂșl saiu, CĂĄssel apoiou o queixo na palma da mĂŁo e olhou ferozmente para o local onde o servo leal estivera momentos antes. O pensamento dos sentimentos feridos de InĂȘs permaneceu em sua lĂ­ngua como um gosto amargo.

***

— Senhora? VocĂȘ estĂĄ me ouvindo? — perguntou RaĂșl.

— Hum?

— Sei que nĂŁo Ă© um assunto agradĂĄvel, mas... esta pode ser uma boa oportunidade para vocĂȘ. A vigilĂąncia dele Ă© prova do interesse dele em vocĂȘ, por mais desagradĂĄvel que seja. É por isso que vocĂȘ deve fazĂȘ-lo se apaixonar mais por vocĂȘ e amarrĂĄ-lo.

Embora RaĂșl tivesse prometido nĂŁo contar a InĂȘs no futuro, ele nunca especificou o prazo exato. EntĂŁo, ele decidiu que o “futuro” começaria depois dessa conversa com InĂȘs.

CĂĄssel era muito bem-educado para antecipar a astĂșcia de RaĂșl. Se CĂĄssel o subestimou, melhor para RaĂșl. Quando RaĂșl jurou sua lealdade total a InĂȘs, ele provavelmente conseguiu conquistar CĂĄssel, apesar da antipatia aberta.

"Como ele pode considerar minha lealdade pura e inocente como perversĂŁo? Ele Ă© tĂŁo pouco sofisticado quanto qualquer outro soldado", pensou RaĂșl. "Agora que penso nisso, acho que ele pode ser tĂŁo simples quanto eu pensava inicialmente. Mesmo que ele possa ser sinistro e distorcido Ă s vezes, ele Ă© um simplĂłrio no final do dia."

Mas InĂȘs mal registrou as palavras de RaĂșl. De repente, ela se virou para ele e perguntou: — RaĂșl, o que vocĂȘ acha de Escalante?

RaĂșl respondeu imediatamente: 

— Os Escalantes sĂŁo uma das poucas famĂ­lias prestigiosas que podem rivalizar com os Valeztenas, com uma histĂłria ilustre...

— NĂŁo, nĂŁo, nĂŁo estou falando da famĂ­lia dele.

— EntĂŁo, vocĂȘ estĂĄ falando do Tenente Escalante...? — RaĂșl nĂŁo conseguia entender a pergunta. InĂȘs parecia atordoada e sonhadora.

— Eu acredito que ele Ă© o parceiro mais adequado para vocĂȘ. Como Ășnica herdeira do nome Valeztena, vocĂȘ merece apenas o melhor. O Tenente Escalante tem o melhor prestĂ­gio, melhor rosto e melhor posição social. Quando o prĂ­ncipe herdeiro assumir o trono, ele se tornarĂĄ o cĂ­rculo interno do rei. EntĂŁo, ele nĂŁo estarĂĄ mais na Marinha, entĂŁo vocĂȘ nĂŁo terĂĄ que viver em uma casa de bonecas como esta.

InĂȘs considerou cuidadosamente as palavras de RaĂșl. Ele estava certo. Em alguns anos, tudo mudaria. Quando chegasse a hora e CĂĄssel tivesse que servir Oscar, ela deixaria os Escalantes.

— Meu Ășnico descontentamento Ă© que eu queria que ele pudesse ter sido mais contido com suas partes inferiores. Mas eu sei que sua promiscuidade foi toda antes do seu casamento e vocĂȘs nĂŁo eram muito prĂłximos como noivos. Se eu tentar ver por essa lente...

— VocĂȘ nĂŁo gosta dele, nĂŁo Ă©? — perguntou InĂȘs.

RaĂșl rapidamente admitiu: 

— Eu nĂŁo. Como ele ousa, depois de ficar noivo de alguĂ©m tĂŁo incrĂ­vel quanto vocĂȘ... Mas quem se importa com a minha opiniĂŁo? Ele Ă© gentil o suficiente.

InĂȘs riu. — AlguĂ©m tĂŁo incrĂ­vel quanto eu... NinguĂ©m mais diria isso sobre mim.

RaĂșl franziu a testa e disse com voz severa: 

— Qualquer um que a conheça bem concordaria comigo.

InĂȘs balançou a cabeça. — RaĂșl, todo mundo mente. As pessoas traem suas esposas, seus maridos, seus filhos e atĂ© a si mesmas. Todo mundo faz isso, e CĂĄssel nĂŁo Ă© o Ășnico a mentir para mim.

— Mas vocĂȘ nĂŁo o traiu quando estava noiva!

Ela riu novamente. — Eu nĂŁo estava em meu juĂ­zo perfeito naquela Ă©poca.

RaĂșl disse: — VocĂȘ esteve... simplesmente doente por alguns anos.

— Claro — admitiu InĂȘs.

— Gostaria que Juana estivesse aqui. NĂŁo posso cuidar de vocĂȘ como cuidei em Perez...

— NĂŁo se preocupe. Estou bem, RaĂșl.

Mas os olhos dele estavam cheios de preocupação enquanto olhava para ela sem dizer uma palavra. 

— É sĂ©rio — enfatizou InĂȘs. Ela sabia que a Ășnica maneira de deixĂĄ-lo animado novamente era dar-lhe uma tarefa, como um dono que joga um pedaço de pau para seu cachorro buscar. — Preciso que vocĂȘ faça algo para mim, RaĂșl.

— Qualquer coisa para vocĂȘ, senhora.

— Espie CĂĄssel para mim.

— PerdĂŁo? — RaĂșl franziu a testa novamente, preocupado.

— Pensei no que vocĂȘ disse antes. VocĂȘ disse que essa poderia ser minha chance.

De fato, InĂȘs decidiu usar esta oportunidade para sua prĂłpria agenda, mesmo que fossem diferentes das intençÔes de RaĂșl. VĂĄrios anos poderiam passar num piscar de olhos. Agora que CĂĄssel começou a espionĂĄ-la primeiro, ela tinha a desculpa perfeita para começar sua prĂłpria missĂŁo de inteligĂȘncia.

***

ApĂłs dez dias de vigilĂąncia, RaĂșl Ballan nĂŁo encontrou nenhuma revelação surpreendente, chegando atĂ© a se infiltrar no quartel-general da Marinha. Tudo o que conseguiu foi confirmar que a vida de CĂĄssel era exatamente como parecia do lado de fora. InĂȘs esperava isso. Ela sabia que seus esforços de espionagem eram prematuros e, portanto, um desperdĂ­cio de tempo e recursos.

Como suas expectativas eram baixas no começo, ela não ficou desapontada. Por enquanto, ela estava bem com o progresso atual.

Enquanto RaĂșl falava sem parar sobre seu relatĂłrio, InĂȘs ficava cada vez mais entediada. AtĂ© RaĂșl parecia entediado, mas ele ainda terminou de recitar seu relatĂłrio. 

— Ele saiu do escritĂłrio do Comandante Mendez Ă s 16h50. Seu trabalho terminou Ă s 17h30, e ele saiu do escritĂłrio Ă s 17h35. EntĂŁo, ele foi direto para o campo de treinamento. Seu treinamento terminou Ă s 19h, e ele retornou alguns minutos depois para a residĂȘncia, entĂŁo nĂŁo se desviou para lugar nenhum. Agora, ele estĂĄ no chuveiro.

Em suma, CĂĄssel Escalante passava a maior parte do dia em apenas dois lugares: A residĂȘncia e o quartel-general da Marinha. Ele vivia o estilo de vida previsivelmente monĂłtono de um oficial da Marinha diligente. AtĂ© InĂȘs levava uma vida mais emocionante quando raramente saĂ­a de casa e tirava uma soneca o dia todo. Pelo menos ela ia a lugares em seus sonhos.

Alguns considerariam a vida de CĂĄssel um resultado natural de estar na Marinha. Mas Calztela estava cheia de entretenimento para oficiais, como casas de jogo, pubs, clubes masculinos e o distrito da luz vermelha. Embora um estilo de vida contido fosse considerado uma virtude, nĂŁo era a norma para oficiais. Muitos ocupavam suas noites de semana com devassidĂŁo e, para aliviar suas consciĂȘncias, iam Ă  missa todo fim de semana. No geral, os oficiais tendiam a viver vidas contidas, e ela conhecia um punhado de oficiais que recebiam renome por seus estilos de vida exemplares. Mas, em Mendoza, qualquer um em um uniforme militar certamente seria do tipo pretensioso. Sempre que InĂȘs via um grupo de homens uniformizados reunidos, ela sempre pensava que eles deviam estar pavoneando.

Acontece que a maioria dos oficiais passava o tempo em casas de jogo ou bares, e os mais baixos dos baixos passavam mais tempo no distrito da luz vermelha do que em sua prĂłpria cama. Apenas alguns poucos selecionados, incluindo CĂĄssel, viviam vidas entediantes e diligentes compostas de exercĂ­cios fĂ­sicos e treinamento.

Mesmo antes de vir para Calztela, InĂȘs imaginou que CĂĄssel nĂŁo frequentaria o distrito da luz vermelha. Embora ele possa ser um libertino, ela acreditava que ele era um tipo melhor. InĂȘs ainda achava difĂ­cil ser tĂŁo cĂ­nica sobre CĂĄssel, mesmo depois que seu primeiro casamento com Oscar havia destruĂ­do qualquer ingenuidade.

InĂȘs tinha certeza de que CĂĄssel estava se contendo agora. Ele continuaria a fazer isso enquanto ela permanecesse em Calztela, ou enquanto ele permanecesse estranhamente fascinado com o casamento deles.

CĂĄssel parecia ter perdido um pouco de sua sanidade quando se casou com ela. Ela supĂŽs que esse era seu mecanismo de enfrentamento para lidar com a realidade de um casamento que ele nĂŁo queria. Por enquanto, ela nĂŁo precisava apressar nada.

InĂȘs pensou sobre seu casamento estranhamente pacĂ­fico e concluiu que CĂĄssel deve estar ficando louco. Muitas vezes, ela se via envolvida no casamento de mentira deles tambĂ©m. O ninho de esquilos da casa deles era o culpado.

Depois da festa do vinho, Senhora Salvatore foi atĂ© InĂȘs para se desculpar por seu comportamento. Elas acabaram tendo uma longa conversa, e Senhora Salvatore contou a InĂȘs sobre os Elbas que viveram na casa por anos e como Senhora Elba sentia tanta falta da antiga casa deles que foi embora para Mendoza.

Aparentemente, os Elbas estavam constantemente em desacordo um com o outro em Mendoza, mas se tornaram repugnantemente apegados depois que a Senhora Elba se mudou para Calztela porque ela estava tão apaixonada pela vista. De acordo com a Senhora Salvatore, os dois mudaram suas atitudes da noite para o dia e ficaram tão apaixonados um pelo outro que ela pensou que eles poderiam ter sido enfeitiçados.

A Senhora Salvatore tendia a ser pessimista, por isso InĂȘs recebeu a notĂ­cia com um grĂŁo de sal. Mas InĂȘs concordou que os Elbas devem ter passado por uma mudança dramĂĄtica em seu relacionamento.

"Talvez esta bela casa nos penhascos possa ter um estranho poder sobre seus moradores."

Ela nĂŁo tinha ideia do porquĂȘ CĂĄssel havia escolhido esta casa. Ela nĂŁo sabia dizer se ele sabia sobre a histĂłria de Elbas ou se estava simplesmente apaixonado pela vista. Independentemente do motivo, ele estava enganado ao supor que um casal precisava de maior proximidade para ser uma famĂ­lia feliz. Na verdade, a maioria dos aristocratas orteganos tendia a pensar mais favoravelmente sobre seus cĂŽnjuges quando raramente se viam.

Para um casal, viver em espaços prĂłximos significava conflito em um futuro prĂłximo. Ela duvidava que CĂĄssel tivesse pensado nessa decisĂŁo atĂ© agora em primeiro lugar. Ele lidarĂĄ com as consequĂȘncias de suas escolhas quando ver o rosto dela toda manhĂŁ se tornar um incĂŽmodo insuportĂĄvel. Em qualquer cenĂĄrio, InĂȘs seria a vencedora.

— Ele vai cair em si em breve — InĂȘs murmurou para si mesma.

— Com licença? — perguntou RaĂșl.

— NĂŁo importa. Continue o relatĂłrio sobre o Primeiro Tenente Muñoz.

— Sim, sobre aquele lixo humano...

Os esforços de espionagem de RaĂșl inadvertidamente proporcionaram a InĂȘs um benefĂ­cio colateral. Por exemplo, ele descobriu inĂșmeros segredos sobre as pessoas ao redor de CĂĄssel, mesmo que nĂŁo conseguisse encontrar nada sobre CĂĄssel. Tudo o que RaĂșl esperava era demonstrar o quanto ele trabalhava duro contando a ela algo, qualquer coisa, incluindo tudo sobre os colegas de trabalho de CĂĄssel, oficiais superiores e ex-alunos de seus dias de escola. Em um sentido mais amplo, seus relatĂłrios poderiam ser considerados uma parte natural de uma verificação de antecedentes sobre CĂĄssel.

Mas InĂȘs tinha segundas intençÔes. Ela sabia o quĂŁo poderosos os segredos podem ser. Mesmo que a gentileza parecesse motivar as pessoas na superfĂ­cie, ela sabia que o medo era o verdadeiro motivador. Quando alguĂ©m tinha algo a perder, estaria disposto a lhe fazer favores ou atĂ© mesmo se tornar sua ferramenta.

Segundo relatos de RaĂșl, metade das pessoas que compareciam Ă  sua festa de vinho passavam o tempo jogando, bĂȘbadas ou com outra mulher, assim como a maioria dos outros oficiais de Calztela.

InĂȘs nĂŁo estava interessada em infidelidade — casos extraconjugais eram muito comuns em Ortega. Ela sabia que todos em Mendoza estavam envolvidos em algum escĂąndalo sexual ou outro. Contanto que o casal chegasse a um acordo mĂștuo ou mantivesse os casos discretos, nĂŁo importava. Mas ela desaprovava aqueles que compravam sexo ou enganavam um plebeu inocente para se tornar sua amante. Essas amantes acreditavam que estavam aceitando uma proposta de casamento legĂ­timo. Ao chamar essas mulheres de "esposa Calztela", os homens insultavam suas esposas verdadeiras em casa em Mendoza.

A lei ortegana não permitia a poligamia. A este respeito, o marido que tinha mais de uma esposa desrespeitou cada esposa em cada cidade. Depois de degradar irresponsavelmente ambas as mulheres, ele frequentemente deixava a segunda esposa quando se mudava para outro posto ou ficava entediado com ela. Somente depois que ele ia embora a segunda esposa percebia que seu casamento era ilegítimo e que as pessoas a chamavam de prostituta pelas costas. Como a maioria dos oficiais só tinha títulos, mas pouca riqueza, essas mulheres raramente recebiam qualquer compensação por sua dor.

Mas o mundo era cruel e tendia a acreditar no pior cenĂĄrio possĂ­vel. Tudo o que essas mulheres fizeram foi se casar com um homem que elas achavam que era genuĂ­no, mas acabaram sendo tratadas como prostitutas.

Em suas vidas passadas, InĂȘs nĂŁo teria pestanejado diante desses segredos sujos. Ela nĂŁo se importava o suficiente com esses oficiais insignificantes para lembrar-se do que ela poderia usar contra eles. Agora, ela nĂŁo tinha escolha, jĂĄ que tinha que viver aqui por causa do posto de CĂĄssel. A vida reservava muitas surpresas, e ela nunca sabia qual desses viciados em jogo ou golpistas ela precisaria usar no futuro. Se ela tivesse sorte, ela poderia atĂ© mesmo salvar algumas mulheres de serem vĂ­timas de um destino miserĂĄvel semelhante ao dela no passado.

RaĂșl continuou repassando as informaçÔes que havia reunido. — AlĂ©m disso, seu sogro pagou a dĂ­vida de jogo de Muñoz hĂĄ dois anos. Seu sogro ficou infeliz, mas ainda ofereceu suas economias de vida para o marido de sua Ășnica filha. EntĂŁo, a verdadeira esposa de Muñoz apareceu seis meses depois... Senhora InĂȘs? VocĂȘ estĂĄ escrevendo minhas palavras?

— Os detalhes eram confusos, entĂŁo eu sĂł queria deixar notas entre cada item — respondeu InĂȘs.

RaĂșl franziu a testa. 

— Quer dizer, ele pode ser um pedaço de lixo... Mas ele ainda Ă© um humano. Talvez vocĂȘ possa chamĂĄ-lo de sujeito em vez de item?

— Mesma diferença. — InĂȘs descartou a sugestĂŁo.

— NĂŁo podemos deixar um registro escrito de nossa espionagem sobre seu marido. DĂȘ-me o caderno, senhora. — RaĂșl estendeu a mĂŁo.

— NĂŁo se preocupe. Ainda nĂŁo escrevi nada sobre CĂĄssel.

— Esse nĂŁo Ă© o problema. Todos os nomes no caderno sĂŁo relacionados a ele.

— RaĂșl, olhe minhas anotaçÔes. — InĂȘs deixou a pĂĄgina aberta para ele ver.

Os olhos de RaĂșl se arregalaram por um segundo antes de se estreitarem em fendas. — O que vocĂȘ estĂĄ escrevendo?

InĂȘs deu de ombros. — Bem, pelo menos nĂŁo estou escrevendo em Ortegan. EntĂŁo, nĂŁo se preocupe em ser descoberto.

— Isto Ă© Talaniano...? O que vem depois desta palavra? — perguntou RaĂșl.

— É uma mistura de Belongan, Harnaban, o dialeto da GalĂĄcia, AllanchĂ©...

RaĂșl perguntou hesitantemente: — Por favor, perdoe-me por perguntar... Mas vocĂȘ tem certeza que isso nĂŁo Ă© sĂł um disparate?

Ele se moveu para perto dela e espiou por cima do ombro dela para ler as notas corretamente. Depois que ele inspecionou as notas, ele nĂŁo falou mais nada. InĂȘs tinha usado vĂĄrias lĂ­nguas, incluindo algumas que RaĂșl conseguia reconhecer e outras que ele nĂŁo conseguia. Sua caligrafia intencionalmente desleixada aumentava o disfarce.

— Isso significa que... VocĂȘ fala cada uma dessas lĂ­nguas? — RaĂșl perguntou, espantado.

— Mais ou menos — respondeu InĂȘs.

— Bem, vocĂȘ parece fluente. VocĂȘ estĂĄ usando-os como cĂłdigo...

— NĂŁo Ă© um cĂłdigo. SĂŁo apenas notas. — InĂȘs rabiscou mais algumas palavras e terminou sua frase com um ponto final.

— Quando vocĂȘ aprendeu tudas essas lĂ­nguas...? Antes de vocĂȘ me pegar nas ruas?

— Eu acho. — Ela estava tecnicamente dizendo a verdade.

— NĂŁo Ă© uma questĂŁo trivial... É uma conquista excepcional. VocĂȘ Ă© um gĂȘnio — afirmou RaĂșl.

InĂȘs suspirou. — NĂŁo Ă© tĂŁo diferente de como vocĂȘ fala Herrnian.

— Isso estĂĄ longe de ser capaz de perguntar 'como vai vocĂȘ' em Herrnian. Qualquer um com meio cĂ©rebro pode dizer isso.

— RaĂșl, tudo o que vocĂȘ precisa saber Ă© que eu mesmo vou cuidar do segredo dessas notas. NĂŁo preciso da sua bajulação.

InĂȘs estava confiante na segurança de sua linguagem descompassada. Ela olhou para as vidas pessoais repugnantes detalhadas na pĂĄgina em vĂĄrios idiomas e se perguntou se os segredos inĂșteis dos homens de Calztela valiam o esforço de escondĂȘ-los. EntĂŁo, ela voltou sua atenção para Kara, que olhou para o ombro de InĂȘs, tocando RaĂșl.

— É isso... o que eu acho que Ă©?

RaĂșl nem olhou para Kara quando respondeu: — Se vocĂȘ estĂĄ perguntando sobre ela, sim.

InĂȘs apoiou o queixo na mĂŁo e sorriu para Kara. A empregada visivelmente entrou em pĂąnico quando InĂȘs a notou. InĂȘs se perguntou o que aconteceria se ela abraçasse RaĂșl agora ou lhe desse um beijo na bochecha para agradecer. Ela estava ansiosa para saber quando o relato de Kara chegaria aos ouvidos de CĂĄssel.

InĂȘs podia fingir que sua curiosidade era sobre a eficiĂȘncia da coleta de informaçÔes de CĂĄssel, mas, francamente, ela estava mais intrigada pela possibilidade de provocĂĄ-lo. Por um momento, ela foi tentada pela ideia de CĂĄssel torcendo o rosto em uma carranca, mas incapaz de expressar suas frustraçÔes.

— Devo estar ficando louca... Como posso sorrir pensando em CĂĄssel? Casamento nĂŁo Ă© uma brincadeira boba... — InĂȘs foi contra sua vontade de provocar CĂĄssel e empurrou a testa de RaĂșl para longe de si.


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ComentĂĄrios

  1. Eu amo esse casal!!!! Obrigada pelos capĂ­tulos ❤️

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  2. A InĂȘs aos poucos se apaixonando por ele! *-* esquece isso de arrumar outra pro Cassel plmds

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