Capítulo 48 — O Pingente de Peridoto
— Cuidado, Inês. — Senhora Azevedo ofereceu seu braço para apoio.
— Ah... Obrigada. Eu estava distraída. — Inês rapidamente recuperou o equilíbrio, mas ainda não conseguiu recusar a ajuda da Senhora Azevedo. Inês entrelaçou os braços com ela desajeitadamente.
A Senhora Azevedo deu um tapinha na mão de Inês e sorriu.
— Você raramente sai para lugares assim e nos agracias com sua presença.
— Por favor, não diga isso. — Inês sabia que a Senhora Azevedo não estava zombando dela, mas apenas sendo humilde.
— Eu sei que El Tabeo e suas multidões podem ser opressoras... Embora eu ache que não se compare a Mendoza.
— É muito animado aqui — observou Inês.
De fato, Inês não podia comparar El Tabeo a Mendoza. Embora ela tivesse vivido três vidas em Mendoza, ela nunca teve a chance de vagar sozinha pelas ruas da cidade. Como noiva do príncipe herdeiro, ela era preciosa demais para vaguear pelas ruas e, após o casamento, estava restrita ao palácio imperial. Em sua segunda vida, ela não podia nem sequer ousar se aproximar de Mendoza. Nesta vida, ela se confinara em sua casa.
O distrito histórico de El Tabeo atendia a aristocratas ou plebeus abastados com lojas de roupas sofisticadas, joalherias, tabacarias caras, cafés elegantes e lojas que vendiam produtos importados. Embora o centro da cidade mais novo fosse conhecido por sua atmosfera agitada, ele ficava mais perto do mercado de peixe de cheiro forte e era pontuado por edifícios mais antigos.
Por outro lado, o distrito histórico era impecável, como uma cerâmica bem polida. Os edifícios na área eram elegantes, e os transeuntes eram perfumados. Senhoras e cavalheiros nobres ricos, jovens oficiais, senhoras bem vestidas e seus meninos de recados se misturavam na rua. Desde a missa, poucas pessoas começaram a reconhecer o rosto de Inês, mas nenhuma ousou se aproximar dela e cumprimentá-la formalmente. Graças a isso, ela podia passear pelas ruas com surpreendente facilidade.
Embora esta não fosse a primeira vez que visitava o local, ela sentiu que estava vendo a rua de novo. Recentemente, ela havia passado por esta rua a caminho da loja de bebidas com Raúl. Mais atrás em sua memória, ela havia ficado nesta cidade com Emiliano nos dias antes de sua morte. Ela só conseguia se lembrar das bordas do novo centro da cidade e da pousada degradada em uma rua lateral, mas Emiliano pode ter caminhado por essas mesmas ruas enquanto tentava vender suas pinturas por uma ninharia ou trocar seus objetos de valor em uma casa de penhores.
— Mesmo um Escalante e uma Valeztena não conseguem escapar de ser o novato ingênuo nesta cidade — disse a Senhora Azevedo com um suspiro brincalhão.
Inês imediatamente saiu de sua reminiscência. — Deixa para lá. Estou me divertindo.
— Já que as casas aqui são tão pequenas, na verdade é mais conveniente fazer as coisas você mesma do que contratar funcionários para fazer seus recados em uma cidade pequena como esta. Eu me sinto sufocada sempre que uma costureira aparece e enche demais a sala de estar com amostras de tecido.
A risada de Inês soou como um sino claro.
— Mas é verdade...! — acrescentou a Senhora Azevedo.
— Eu acredito em você — respondeu Inês com bom humor.
— De qualquer forma, estou feliz em passar tempo com você. Enquanto preciso pechinchar com a costureira dentro do meu orçamento limitado, você está em uma situação diferente. Ver outros vestidos é divertido quando você não precisa se preocupar com o preço ou sua figura... Estou muito ansiosa para fazer compras com você. Podemos passar o resto do nosso tempo discutindo os seus assim que eu escolher meu vestido. Vai levar apenas cinco minutos.
Inês balançou a cabeça. — Temos tempo. Podemos gastar mais de cinco minutos no seu vestido... Não estou interessada em nada extravagante para mim.
— Não diga isso! Com sua figura, você ficaria bem em qualquer vestido. É um pecado desperdiçar recursos tão maravilhosos. E o festival da colheita só acontece uma vez por ano...!
— Bem, isso é verdade, mas eu não gosto de chamar a atenção... — A voz de Inês sumiu.
— Seu nome, sua aparência e seu marido farão você se destacar, de qualquer forma. Já faz alguns meses desde que você chegou a Calztela, mas você ainda não compareceu a um evento tão grandioso. Você tem que estar no seu melhor!
Inês não queria levar sua escolha de vestido tão a sério, mas ela entendeu a preocupação genuína da Senhora Azevedo. Ela estava simplesmente preocupada com Inês. Mesmo após o casamento, inúmeras mulheres ainda desejavam Cássel Escalante, um homem tão bonito que sua beleza envergonhava muitas de suas admiradoras. Inês precisava estar preparada para se manter firme contra todo esse ciúme e crítica.
O festival da colheita estava se aproximando rapidamente, e as duas senhoras estavam fora para comprar novos vestidos para a ocasião. Se a Senhora Azevedo não tivesse sugerido, Inês nunca teria imaginado ir até El Tabeo para encontrar uma costureira. Fazer compras nas ruas era incomum para a nobreza, e Inês nunca achou vestidos muito fascinantes.
Mas Cássel havia concordado com a sugestão casual da Senhora Azevedo, então Inês não teve escolha a não ser aceitar a oferta. Cássel estava ansioso para pagar por qualquer e todos os vestidos caros, mesmo que El Tabeo não vendesse tais luxos.
— Você tem que mostrar a todas as outras senhoras o lugar delas — a Senhora Azevedo encorajou Inês, com excitação no tom. — Como elas podem abertamente se incomodar com um homem casado, especialmente em uma cidade conservadora como esta!
— Elas estavam apenas olhando, foi tudo. — Inês sentiu frustração com a falta de ação proativa delas. Se ela pudesse fazer as coisas à sua maneira, ela deixaria todas as jovens se atirarem em Cássel. Embora as mulheres casadas fossem ainda mais descaradas ao olhar para Cássel, todos pareciam tolerar o comportamento delas.
— Elas podem estar apenas olhando por enquanto. Isso é só porque o Tenente Escalante raramente fazia aparições públicas, ainda menos do que fazia antes de vocês dois se casarem. Elas estão esperando por este momento, Inês. Elas vão se vestir de forma impecável, pavoneando. A Senhorita Noriega é apenas a ponta do iceberg. É só o começo.
As palavras dela empolgaram Inês. "Só o começo." Inês não pôde evitar que um sorriso se espalhasse pelo seu rosto, e a Senhora Azevedo franziu a testa. Inês rapidamente disciplinou seus lábios sorridentes em uma linha reta e assentiu, parecendo quase séria.
— Cássel vai dar conta. Ele certamente dará conta da situação, com sorte para o benefício de nós dois.
— Isso é verdade, mas por que você colocaria seu marido em um teste como esse? Você precisa ser a senhora mais bonita no festival, Inês. Vamos mostrar o lugar das outras mulheres!
Inês não compartilhava do entusiasmo da Senhora Azevedo, mas a seguiu para a loja da costureira.
Meio dia depois, Inês foi finalmente liberada. Completamente exausta com a pressa de experimentar tantos vestidos, ela esperou pela carruagem dos Azevedo do lado de fora da loja. A cada minuto que passava e a carruagem atrasava, ela ficava exponencialmente mais esgotada.
A Senhora Azevedo batia o pé no chão, preocupada ao ver Inês tão cansada.
— Onde foi parar esse cocheiro bobo...? Eu disse a ele para esperar bem aqui!
— Não se preocupe, Senhora — disse Inês. — Vamos esperar mais alguns minutos. Podemos pegar um bonde puxado a cavalo ali se ele não aparecer logo.
— Como posso colocar alguém da sua estatura em um bonde a cavalo...? Eu sinto muito — disse a Senhora Azevedo com contrição genuína.
— Eu não me importo — Inês a tranquilizou. — Seu cocheiro pode ter voltado para casa depois de esperar tanto tempo. Por que não...?
— Ou aquele idiota pode ter confundido a esquina ali com nosso ponto de encontro.
Inês avaliou a vasta distância entre onde estava parada e o início do próximo quarteirão.
— Devo andar até lá e ver?
A Senhora Azevedo balançou a cabeça profusamente. — Já esgotamos sua energia. Você deve esperar aqui, e eu volto já. Se a carruagem estiver lá, eu volto nela.
Inês tentou interromper antes que ela pudesse sair. — Não, Senhora Azevedo, o que eu quis dizer é que eu vou e volto. A senhora pode esperar aqui, caso seu cocheiro chegue...
— Deixe isso de lado! É sua primeira vez neste bairro. Espere aqui, caso o cocheiro chegue.
— E diga a ele para se preparar para uma bronca quando eu o vir!
Infelizmente, a Senhora Azevedo estava determinada a impedir que Inês se movesse um centímetro. Ela agarrou a barra de seu vestido com as duas mãos e trotou para o próximo quarteirão antes que Inês tivesse tempo de pará-la.
Logo, Inês foi deixada sozinha e encarou a figura da Senhora Azevedo se afastando.
"Ela realmente não precisava ir tão longe por mim..."
Infelizmente, era verdade que Inês não conhecia muito bem aquela área. A Senhora Azevedo estava chateada o suficiente por ter feito Inês esperar por sua carruagem; ela nunca teria tolerado que Inês andasse para cima e para baixo no quarteirão enquanto esperavam. Da mesma forma, Inês sentiu-se desconfortável observando a Senhora Azevedo ofegar e bufar à distância. Inês considerou brevemente andar metade do quarteirão para encontrar a Senhora Azevedo no meio, mas concluiu que se afastar do local depois de ter sido instruída a ficar parada apenas causaria mais problemas. Elas eram mais propensas a se desencontrar na rua lotada.
Suprimindo a vontade de seguir a Senhora Azevedo, Inês verificou os arredores novamente. Não importa quantas vezes ela olhasse, não havia sinal da carruagem dos Azevedo.
Inês mudou seu olhar de volta para a figura em retirada da Senhora Azevedo, mas não conseguiu encontrar a Senhora Azevedo entre a multidão. De repente, Inês sentiu-se como uma criança perdida, parada em uma esquina movimentada em El Tabeo.
Um suspiro cansado escapou de seus lábios. "Se tivéssemos pegado o bonde puxado a cavalo com os plebeus, provavelmente já teríamos chegado onde precisávamos ir..." Naquele momento, seus olhos se fixaram na carruagem estacionada do outro lado da rua. Ao lado da carruagem, ela podia ver a porta lateral de uma loja.
Uma senhora nobre saiu da loja e entrou na carruagem. Quando a carruagem rolou para longe, Inês pôde ver a loja inteira.
Embora o exterior insinuasse dias melhores no passado, a tinta azul nas janelas e portas estava descascando, e a loja parecia muito velha para o bairro.
Inês murmurou as palavras escritas na placa da loja:
— Joias de Doña Angélica... — Letras menores abaixo do nome diziam "casa de penhores". Seu olhar caiu sobre os vários itens na vitrine atrás da janela. Embora a loja não parecesse notável, Inês sentiu-se atraída por ela por alguma força inexplicável. Seu olhar se fixou em um canto da vitrine. Antes que seu cérebro pudesse impedi-la, ela começou a atravessar a rua em direção à loja, sem sequer notar a barra de seu vestido arrastando na sujeira. Ela serpenteou pela multidão, evitando o tráfego que passava, com o olhar fixo na loja. Ela não se permitiu piscar, para que seu destino não desaparecesse como uma miragem.
A loja era metade casa de penhores e metade joalheria, com produtos novos e de segunda mão misturados, exibidos com expertise pelo proprietário. Embora as janelas parecessem não ter sido limpas por meses, as vitrines internas exibiam colares e anéis opulentos com brasões de família. Inês ignorou todos os ornamentos chamativos e foi direto para o canto direito da vitrine, perto da janela.
Um pingente em forma de diamante com delicadas gravuras de ouro e um grande peridoto estava sobre uma almofada de veludo desbotada pelo sol. Embora a corrente estivesse faltando e o pingente fosse grande o suficiente para parecer um broche, Inês sabia que o pingente pertenceu a um colar. Ela até sabia onde encontrar buracos escondidos para a corrente do colar.
A porta da frente se abriu, e o dono da loja — provavelmente neto de Doña Angélica — a convidou a entrar. Ele estava ansioso para receber uma senhora em tecidos luxuosos lá dentro, mas Inês estava muito concentrada no pingente para se importar com ele.
Então, ela avistou o amassado familiar na parte inferior do pingente. "Talvez o dono anterior tenha sido descuidado e o amassado. Não pode ser o mesmo colar que eu conheci antes. Isso é impossível. Eu devo estar ficando louca até por pensar nisso."
Afinal, era apenas um colar. Ela não podia ter certeza de que este colar era único, especialmente com base em memórias tênues do passado. "Aposto que o formato é ligeiramente diferente da minha memória. Ou pode ser uma réplica do que eu me lembro."
Qualquer que fosse a história por trás deste colar, não seria o mesmo colar que ela conhecia. De jeito nenhum. Ela considerou a possibilidade apenas porque avistou o colar em El Tabeo, de todos os lugares. "É impossível, então eu nem preciso verificar."
Mas o dono da loja acenou novamente.
— Senhorita, eu não sei o que a senhora está olhando, mas por favor, entre para examinar o item mais de perto. As pessoas estão passando... É perigoso.
Sem uma palavra, Inês passou pelo dono e entrou na loja. Sua boca estava seca.
"Isso é desnecessário. Não faz sentido de qualquer maneira."
No entanto, seus lábios traíram sua determinação. — Mostre-me o pingente de peridoto da janela.
"Assim que eu vir com meus próprios olhos, perceberei imediatamente o quão absurdas e ilusórias minhas suspeitas eram."
O dono parou antes de perguntar: — O pingente de peridoto? — Ele estava pronto para puxar os itens mais caros da vitrine dentro da loja.
— Sim — respondeu Inês.
Um breve silêncio se passou. Inês olhou para ele até que ele recuperasse a compostura e se virasse para a vitrine perto da janela. — A senhora tem um olhar aguçado. A maioria das pessoas imagina que seja um broche, mas a senhora sabia que era um pingente.
Ele trouxe o pingente na almofada de veludo. Agora que a janela de vidro empoeirada não estava mais no caminho, ela não conseguia mais rir de si mesma por ser ridícula. Ela não podia negar a sensação de familiaridade que a invadia à medida que ele se aproximava.
Inês estendeu a mão e virou o pingente. Ela conhecia as cruzes duplas e as letras gravadas no verso muito bem. Seus dedos traçaram as iniciais abaixo das cruzes.
V. O.
Velinda Olivares. Era o nome de solteira de sua avó.
Sua avó lhe havia dado o colar, que Inês mais tarde havia dado a Emiliano na primeira noite em que dormiu com ele.
***
Os olhos de Emiliano se arregalaram ao ver o colar de peridoto na mão de Inês.
— Por que você está me dando isso...?
— Pegue. Isso é tudo o que eu tenho agora — disse Inês.
— Mas eu... Senhorita, eu não posso aceitar algo assim de você.
— Por que não?
— Eu não posso... possivelmente...
— Possivelmente, o quê? — insistiu Inês.
— Eu não fui tão bom... Foi minha primeira vez, então eu estava confuso... E eu desejei descaradamente o seu corpo precioso... Eu não mereço isto... — Emiliano embaralhou as palavras com a cabeça curvada e o olhar fixo no chão, incapaz de olhar nos olhos dela.
Inês o achou adorável; ela quase sentiu pena dele ao mesmo tempo. Ela teve que admitir que ele havia sido desajeitado, mas não se podia esperar que um novato fosse um especialista na primeira tentativa. Inês era muito mais experiente do que o ingênuo Emiliano, então ele teve que morder a língua para suprimir seus gemidos enquanto tentava permanecer em sincronia com cada movimento dela. Na verdade, Emiliano estava tão preocupado em segurar seu clímax que não percebeu que Inês era tão fisicamente virgem quanto ele.
Mesmo quando ele notou a mancha de sangue depois, ele primeiro se preocupou se sua inaptidão a havia machucado e murmurou desculpas humildes a ela. Quando ela lhe disse que o sangue era porque era a primeira vez dela, ele empalideceu e implorou por seu perdão.
— Como ousei eu... Com a futura princesa herdeira de Ortega... Eu não posso... Eu sinto muito... É tudo culpa minha... Por favor, aceite minha vida como pagamento por este ato imperdoável... Eu arruinei tudo...
A única coisa que o faria calar a boca era outra rodada de sexo.
Quando Emiliano admitiu que estava de fato se sentindo tão em êxtase que não se importaria de morrer amanhã, Inês não pôde evitar deixar escapar uma pequena risada.
— Você é bonito e tem mais resistência do que eu esperava. Tudo o que você precisa fazer é manter a boca fechada, e você será perfeito.
Quando ela disse essas palavras, Emiliano selou os lábios de forma adorável e olhou para cima com os olhos marejados.
— Você está chorando? — perguntou Inês.
— N-não, eu não estou... — murmurou Emiliano.
— Por que você está chorando?
— Porque eu amei demais... Você é como um sonho...
Engraçado o suficiente, aquele momento também pareceu um sonho para Inês. Isso feriu um pouco o ego dela. Emiliano nunca havia visto o corpo nu de uma mulher, muito menos feito sexo com alguém. Mais tarde, ele lhe disse que nem sequer havia desenhado um corpo nu até então.
Baseado nos elogios excessivos e nas palavras doces que ele lhe proferiu, era evidente que ele havia lutado para conter seu desejo avassalador. Ele quase a tratou como um seguidor devoto aos pés de sua deusa. Assim, Inês não teria se surpreendido se ele tivesse se liberado após algumas estocadas. Felizmente, ele durou até o fim, o que era louvável para um virgem.
Em verdade, ela estava muito absorvida pelo ato para fazer tais avaliações racionais de seu desempenho no momento. Toda vez que ele tateava sem jeito, ela sentia uma sensação avassaladora de deleite, como se estivesse experimentando sexo pela primeira vez também.
Tudo era exaustivo. Sexo com Emiliano era bem diferente do que ela havia experimentado antes.
Mesmo antes de saber sobre a infidelidade de Oscar, sexo com Oscar nunca a fazia feliz. Durante os primeiros dias de casamento, ela não se importava com a cópula comum e obrigatória. Naquela época, ela não se sentia como uma ferramenta para a masturbação do marido. No entanto, com o passar do tempo, Oscar continuou fazendo pedidos bizarros, e Inês tentou o seu melhor para se proteger contra a luxúria dele. Ela reuniu apenas a libido mínima necessária para tolerar o ato. Eventualmente, Oscar cruzou a linha, e ela parou de desejá-lo completamente. Em vez disso, ela apenas esperava sair da cama assim que ele atingisse o clímax. Ela logo aprendeu a fazer um homem ejacular rapidamente e se sentia como uma prostituta todas as noites.
Depois que ela soube que ele vinha se entregando a sexo promíscuo com verdadeiras meretrizes, tanto femininas quanto os masculinos, ela desprezou o intercurso sexual com ele ainda mais. Forçada a aceitar o mesmo órgão que entrava em prostitutos masculinos e sabendo muito bem que sua infidelidade a havia feito perder suas gestações, ela tremia de fúria todas as noites. Sua única opção era satisfazê-lo, apenas para sair de debaixo dele.
Mesmo que ela revidasse, Oscar ainda se forçava sobre ela. Quando ela sugeriu que ele a batesse em vez de se enfiar nela, Oscar respondeu com um rosto ligeiramente envergonhado, dizendo que não queria estragar a beleza de sua adorável esposa deixando marcas.
— Você é meu orgulho, Inês — ele sussurrou enquanto enfiava aquela coisa imunda na boca dela.
Em verdade, Oscar tratava Inês não como uma princesa herdeira, mas como uma meretriz de boa criação. Para a imperatriz, Inês era uma porca inútil que não conseguia gerar herdeiros. Ninguém em sua vida via Inês como tendo algum valor. Um casamento tão miserável.
Assim, ela sempre odiou o sexo, até aquela noite fatídica com Emiliano, quando ele a cobriu de adoração. Talvez Inês tenha sido ingênua à sua maneira. Naquela noite, ela sentiu que o amor verdadeiro seria possível com um plebeu, e acreditou que poderia viver uma vida autêntica se não tivesse nada. Ela ingenuamente imaginou que poderia se aproveitar desse homem inocente. Ela ingenuamente pensou que não tinha mais nada a perder.
— Este colar... É muito caro e bom para mim, senhorita. Você não precisa me oferecer caridade...
— Emiliano — interrompeu Inês.
— Eu sou simplesmente grato por você saber meu nome, por mais insignificante que eu seja. Você me agraciou com seu olhar precioso, isso é tudo que eu preciso... Eu jamais ousaria... fazer qualquer coisa que diminuísse sua dignidade, senhorita. Eu sou um órfão sem nada além de algumas habilidades de desenho. Eu não tenho nada para lhe dar... Mas eu juro pelas minhas duas mãos que eu nunca...
Inês o cortou no meio da frase. — Eu não estou tentando comprar seu silêncio com isto.
— Oh...?
— Mesmo que você espalhasse rumores, ninguém acreditaria em você. Portanto, este colar é muito caro para selar seus lábios.
Os olhos de Emiliano caíram em um beicinho.
— Corte o beicinho. Não combina com você — disse Inês.
— Eu sinto muito...
— E chega de desculpas.
— Desculpe... Ah. — Percebendo seu erro, Emiliano parou de falar.
— Isto é apenas um pequeno sinal de gratidão. Porque eu realmente gostei da nossa... Não estou dizendo que isto é pagamento por serviços, mas mais como... — A voz de Inês sumiu.
— Senhorita... A senhora está corando. Eu nunca a vi tão tímida.
— Fique quieto.
Emiliano era o único homem no mundo que aceitava sua confiança inocente.
— Mas isto é demais para mim — disse Emiliano.
— Pegue. É tudo o que eu posso lhe dar agora...
— Mesmo que você tenha dito que gostou... Bem... Eu não... fiz isso direito...
— Eu disse, eu não estou lhe pagando por algum serviço. Tecnicamente, eu fui a melhor que você, então você deveria estar me pagando.
— Isso é verdade. Mas eu não tenho nada para lhe dar...
— Você pode me pintar um quadro mais tarde — ofereceu Inês.
— Mas eu já estou pintando seu retrato...
— Não meu retrato, eu não gosto de olhar para mim mesma. Em vez disso, pinte-me algo bonito. Pinte-me a coisa mais bonita que você conhece.
— Mas você é a coisa mais bonita que eu já pintei.
Inês fez uma careta. — Às vezes... você me envergonha.
— Mas você está corando de novo... Senhorita, você é tão adorável.
— Pegue. — Inês fechou a mão dele em torno do colar.
— Você disse que isto é um presente do seu coração, certo? Você quer me presentear porque gostou da nossa noite juntos...
— Eu estou... dando isto a você porque eu gosto de você, Emiliano. Então, pegue. Este colar é a prova dos meus sentimentos.
Emiliano parecia estar no topo do mundo. Ele finalmente aceitou o colar e exibiu um sorriso radiante.
— Este colar me lembra seus olhos.
A partir de então, Emiliano tratou o colar como o santo graal. Ele era um homem sensível e se importava profundamente com o primeiro presente de Inês e uma lembrança da primeira noite deles juntos.
No entanto, ambos eram inexperientes e pobres. Ela tinha dezesseis anos e ele dezoito. Eles vagaram pelo país na miséria por quatro anos e venderam tudo o que possuíam. A delicada corrente de ouro do pingente de peridoto não foi exceção. Emiliano tinha pouco desejo por coisas materiais, mas ele lamentou essa perda quando venderam a corrente de ouro e valorizou o pingente restante ainda mais. Cada vez que vendiam outra peça dos objetos de valor de Inês, ele refletia sobre o pingente de peridoto e fingia sorrir sempre que Inês entrava no quarto.
— Algum dia, eu me estabelecerei como artista e venderei pinturas o suficiente para comprar a corrente de volta.
— Você deveria me comprar um presente primeiro — respondeu Inês.
— Mas... Este colar é realmente importante, Inês.
— Preciso lembrá-lo de que você recusou pegá-lo naquela época?
— Apenas porque estava muito além do que eu mereço... assim como você, Inês.
Inês suspirou.
— Eu teria lhe dado algo melhor se soubesse que você valorizaria tanto o primeiro presente.
— Não há nada mais precioso do que este colar — disse Emiliano.
— Há muitas outras joias mais valiosas. Um rubi daquele tamanho compraria vários cavalos bem criados.
— Eu não gosto de rubis; eu gosto de peridotos.
— Por quê?
— Porque o verde me lembra seus olhos...
Finalmente, eles recorreram à venda do pingente em El Tabeo alguns dias antes da morte de Emiliano. A essa altura, eles haviam vendido todo o resto, e o pingente era a única posse de valor deles. Quando ele finalmente o vendeu, ele chorou como uma criança pela perda.
— Eu sou um homem inútil. Eu fiz você passar por tanto. Eu arruinei tudo. Foi seu primeiro presente para mim. Foi seu coração... Você me disse que gostava de mim, independentemente da minha origem humilde... Mas, no final, você está sofrendo por minha causa.
Soluços subiram em seu peito e suas palavras ficaram presas em sua garganta.
"Não, eu causei tudo isso. Eu arruinei você. Eu fiz você sofrer. Eu fui quem o levou à morte."
— Por favor, pare de chorar... Dói-me... ver você chorar... — Antes que ele pudesse terminar a frase, Emiliano engasgou com sangue.
Tudo o que Inês pôde fazer foi segurar firmemente o bebê com as mãos trêmulas. Ali estava ele, morrendo na frente de seus olhos novamente. E o choro de seu bebê ecoava em seus ouvidos.
— Por favor... Pare de chorar. Seu pai lhe diz para não chorar. Então, por favor... — Esqueça tudo sobre mim. Esqueça-me e viva sua vida em felicidade com nosso bebê. É meu único desejo...argh!
"Não há como eu fazer isso. Não há como eu te esquecer." No entanto, as palavras que escaparam de sua boca traíram seus verdadeiros sentimentos. Ela sussurrou em seus ouvidos moribundos:
— Se você morrer, eu morrerei também. — Ela o ameaçou com sua morte e prometeu ressentimento eterno.
Soldados próximos xingaram e a levantaram do corpo dele. Ela quase perdeu o controle de seu filho e lançou profanidades contra eles também. Em desespero, ela raciocinou consigo mesma: "Emiliano não vai morrer, então está tudo bem. Eu só preciso fazê-lo viver. Mesmo que sejamos separados, tudo ficará bem se nós três sobrevivermos."
O bebê deles continuou chorando. Luciano verificou se Emiliano havia parado de respirar e se levantou lentamente. — Seu acompanhante está morto agora, Inês.
— Emiliano não é meu acompanhante, ele é meu marido.
— Como Deus atesta, ele nunca foi seu marido.
Inês gritou: — Nós fizemos nossos votos de casamento perante Deus!
— Parece que você fez um falso juramento então — afirmou Luciano. — Embora você tenha cometido um crime grave ao trair o príncipe herdeiro, Sua Majestade a perdoará pela bondade de seu coração e escolherá um marido de verdade para você. Afinal, você não é mais virgem.
Inês proferiu as palavras através dos dentes cerrados: — Eu não preciso do perdão deles.
— Se você quiser salvar esta criança bastarda, é melhor implorar pelo perdão deles.
E assim, ela viveu um pouco mais. Ela buscou o perdão da família imperial e até aceitou se tornar a segunda esposa de um velho conde Almenara. Ela pensou que era a única maneira de manter seu filho vivo.
No entanto, tudo o que Luciano disse era uma mentira.
Emiliano... eles disseram que matariam nosso filho. Disseram que não sujariam as mãos por uma criança bastarda... Eles me enganaram. Eu não aguentava vê-los vencer. Meu amado pai, a família real que eu tanto ressentia, você, nosso filho, eles transformaram tudo em algo que nunca existiu... e, no final, eles queriam me exibir como se nada disso tivesse acontecido... Eu não aguentava ver isso. Eu não conseguia imaginar que nosso filhinho sofreria tanto e morreria... Então... — Suas lágrimas caíram sobre a joia verde-oliva que ela encontrou na residência Escalante.
Depois de voltar para casa, ela havia revirado tudo de cabeça para baixo para encontrar o colar de sua avó. Ela finalmente segurou o colar de verdade em sua mão. Este era o colar real; o outro deve ser um truque barato arquitetado por alguém malicioso o suficiente para brincar com seu destino.
Emiliano continuaria sendo um pintor feliz e beatamente ignorante, e ele viveria sua vida em paz sem nunca a conhecer. Assim, ela deveria estar aliviada.
Mas as palavras do lojista ecoaram em seus ouvidos. — O dono deste colar deixou este item aqui... cerca de três anos atrás.
Emiliano havia morrido três anos atrás. Inês viu um vislumbre fugaz do reflexo dele no colar. Ela passou toda a sua terceira vida sem olhar para este colar, mas agora sentia os sentimentos a oprimirem.
Sua cabeça estava girando novamente. Os gritos de seu bebê ecoavam em seus ouvidos como se aquela noite terrível tivesse sido ontem.
"Emiliano... Você realmente se lembra de mim? Então, você sabe que coisa terrível eu fiz? Emiliano... Eu tirei a vida do nosso bebê e a minha, a pessoa que você tanto amava. Eu não fiz nada do que você me pediu. Você ainda pode me perdoar...?"
Inês enterrou os lábios no peridoto frio. "Se eu fosse você, eu jamais me perdoaria."
— Então, por favor... Por favor, não se lembre de mim...
***
Don Rossano, a terceira geração de sua família a administrar a Joias de Doña Angélica, encarou o pingente de peridoto antes de colocá-lo de volta. Era, de fato, uma joia peculiar.
— Ela tinha... cabelo preto e olhos verdes? Certo?
Se fosse esse o caso, ela deveria ser a mulher que seu cliente mencionou há três anos. Embora seu cliente tivesse exagerado um pouco na beleza dela, Don Rossano teve que admitir que raramente encontrava uma mulher de beleza rara como ela. Além disso, ela imediatamente reconheceu o pingente como parte de um colar.
"Então, devo enviar uma carta conforme prometido? Mas o que um homem como aquele teria a ver com uma dama de linhagem nobre como ela?"
Don Rossano se lembrou da imagem da mulher vestida com tecido caro. Mesmo que parecesse modesta à primeira vista, ele havia conhecido pessoas ricas o suficiente para saber a diferença entre réplicas e itens de luxo autênticos.
Agora que o improvável havia acontecido, ele não sentia vontade de se envolver no assunto. Sentiu-se mais relutante ao se lembrar de como a senhora fugiu da loja em desespero. Se esse negócio tivesse algo a ver com infidelidade, não era uma escolha sábia por parte da senhora, e Don Rossano certamente queria evitar colocar qualquer um em risco de intimidação.
"Mas ele me pediu para entrar em contato se uma mulher que correspondesse à sua descrição perguntasse sobre o colar... O que devo fazer?" Enquanto Don Rossano ponderava, segurando o queixo na mão, a porta da loja rangeu atrás dele.
— Bem-vinda...
— Venda-o para mim — disse a mesma mulher que Don Rossano tinha visto há duas horas.
— Perdão?
— Venda o colar para mim. Quanto custa? — ela perguntou.
Confuso, Don Rossano olhou para o pingente antes de voltar a olhar para ela.
— Sinto muito, mas este item não está precificado. A senhora gostaria de ver um colar semelhante? Não é uma antiguidade como este; é novinho em folha e nunca pertenceu a ninguém...
— Eu gosto deste. Se o senhor está tentando pechinchar e aumentar o preço, é inútil.
— Não é isso, senhorita.
— Eu pagarei o que o senhor pedir, então vamos pular a incômoda pechincha — ela cuspiu.
De repente, ela parecia completamente alheia a este assunto. Pelo menos ela não parecia estar envolvida em um caso extraconjugal ou sofrendo ameaças de extorsão como ele havia imaginado. Don Rossano balançou a cabeça, sem ousar irritá-la. — Não, é... Veja bem, este item já tem um dono, e ele já pagou o preço por ele.
— Por que o senhor está exibindo um item que não pode vender e pertence a outra pessoa? — ela perguntou.
— Isso é...
— O senhor estava tentando atrair alguém que pudesse querê-lo?
— Não, não é assim. Eu jamais ousaria. — Don Rossano começou a soar como se estivesse implorando.
— Então por que alguém que já pagou o preço não o leva?
— Ele disse que não poderia vir por um tempo. Não tenho certeza das circunstâncias...
— É só isso? — interrompeu Inês.
— Eu também recebi uma pequena taxa de armazenamento. Quanto à exibição na vitrine... o cliente queria que ficasse em exibição, por qualquer motivo que só ele sabe...
— Talvez ele secretamente quisesse que o senhor o vendesse. Venda-o para mim.
— Eu não posso fazer isso! — exclamou Don Rossano. — Eu sou um empresário com princípios.
— O senhor não é do tipo que pega itens preciosos de outras pessoas como garantia por seu lucro?
Don Rossano ficou sem palavras. "Por que ela é tão hostil...? Olhe para aquela carranca no rosto dela..." Ela não se parecia em nada com a beleza inocente do lado de fora da vitrine mais cedo. Ela era praticamente uma mulher diferente.
— Eu lhe pagarei o dobro do preço para que o senhor possa pagar o dono e tirar sua comissão. Tenho certeza de que o dono desejará o mesmo.
— Não, não é assim... O dono implorou para que eu não o vendesse, nunca... É valioso para ele, mas ele não pode mantê-lo para si.
— Pelo amor de Deus, por quê?
— Como eu poderia saber os motivos pessoais dele...?
— Então, diga-me quem é o dono.
— Perdão?
— Diga-me o nome dele. — Seu olhar penetrante perfurou-o, instando-o a falar.
Don Rossano nunca havia sido intimidado por uma jovem assim antes. Ele sentiu a picada em seu orgulho, mas sabia que seu orgulho tinha pouca importância, dada a diferença entre seus status sociais. "Espere, pensando bem, eu nem sei a qual família ela pertence. O que a faz pensar que pode ser tão rude comigo?" Além do vestido caro, a mulher não estava usando joias para sinalizar seu status. Talvez sua linhagem não fosse tão refinada quanto parecia. Mesmo que ela fosse filha de uma família distinta aqui, El Tabeo era apenas uma cidade pequena. Não era uma desculpa boa o suficiente para sua grosseria.
No entanto, Don Rossano sentiu um arrepio percorrer sua espinha toda vez que seus olhos encontravam os dela, como se tivesse encontrado alguém da família imperial.
— Mas... Informações de clientes são estritamente confidenciais. Para pessoas de nascimento nobre, a notícia de que estão em situações financeiras tão terríveis a ponto de penhorar seus objetos de valor pode ser prejudicial à sua reputação. Portanto, nós mantemos estritamente o sigilo desde o início para evitar rumores prejudiciais. Tais princípios são a razão pela qual a Joias de Doña Angélica manteve nosso sucesso por três gerações.
— O senhor está me dizendo que aceita mercadorias roubadas e finge não saber.
Don Rossano ficou instantaneamente agitado.
— Não, senhorita, eu quis dizer...
Inês o interrompeu antes que ele pudesse continuar. — Eu entendo que vai me custar uma fortuna para tirar esse nome da sua boca, é o que o senhor quis dizer. Então, quanto o senhor está pedindo?
— Senhorita, a senhora continua ligando tudo a dinheiro...
— É Senhora — ela corrigiu.
— Senhora... A senhora não pode continuar insistindo assim. Posso lhe mostrar alguns itens semelhantes...
— O senhor não vai me dizer o nome dele nem que isso custe a sua vida?
— Quer dizer, eu não arriscaria minha vida por isso, mas... Isto é uma questão de credibilidade e reputação da loja.
— Quanto ele lhe pagou? Ele era rico? Ele parecia rico? Qual era a aparência dele?
— Eu estou lhe dizendo, eu não posso divulgar tais informações...
— Mesmo que eu oferecesse mais?
— Não — respondeu Don Rossano. Ele nunca deveria ter se envolvido neste assunto, para começar. Ele decidiu não enviar a carta nem contar à mulher sobre o dono do colar. "Eu apenas deixarei o item lá até que ele volte para buscá-lo."
Ela olhou para o colar em silêncio. Seus olhos não estavam duros ou frios como quando ela olhou para ele antes. Eles brilhavam com um anseio estranho e uma ponta de tristeza.
"O colar é assim tão importante para ela? Ou foi roubado dela?", Don Rossano se perguntou. Mas a mulher nunca alegou que o colar foi dela ou de sua família.
Após um breve silêncio, ela disse: — Então, por favor, transmita este nome ao dono.
— Perdão?
— Velinda Olivares — ela afirmou categoricamente.
— Olivares...? — Ele lutou para manter a compostura. A família Olivares era uma das mais prestigiadas entre as dezessete famílias honradas dos Grandes de Ortega.
— Ela é a dona original deste colar.
— Ah, V e O... — ele murmurou.
— Se o dono souber este nome, me diga. Se ele não souber, não se incomode.
— Eu não tenho certeza se poderei contatá-lo. Faz bastante tempo desde a última visita dele... — A voz dele sumiu em incerteza.
— Mesmo que o senhor não consiga contatá-lo, ele acabará vindo buscar este item — ela disse.
— Provavelmente, já que esta é a posse dele.
— Quando o dono vier, me avise.
— Devo perguntar por uma Olivares...?
— Não, eu não sou uma Olivares. Eu sou uma Escalante. Meu marido é o Tenente Cássel Escalante da Marinha de Calztela. Mande alguém à residência Escalante e peça para falar com o valete.
Don Rossano duvidou do que ouvia. Ele sentiu-se fraco só de ouvir o sobrenome dela. Assim como as famílias mais prestigiadas de El Tabeo não podiam se comparar aos Olivares, os Olivares não podiam se comparar aos muito estimados Escalantes. Como lar da maior base naval de Ortega, a costa de Calztela venerava o Almirante Calderon como o herói de guerra que trouxe décadas de paz à na nação. Assim, o nome Escalante era por vezes até mais reverenciado do que o nome do imperador nesta região. Quando a notícia se espalhou de que o neto do Almirante Calderon também servia na Marinha, a reputação deles disparou ainda mais.
Don Rossano era tão covarde quanto secretamente abastado. Sua boca caiu em choque quando ele viu a mulher se virar e sair.
"Aquela mulher agora... deve ser Inês Valeztena." Ele tinha certeza disso.
Ele esfregou a testa e mais uma vez encarou o pingente de peridoto. O conselho de sua avó ecoou em seus ouvidos.
— Mario, se você quiser permanecer no negócio por muito tempo, você deve ficar longe de famílias poderosas.
— Eu não consigo acreditar que a mulher que ele estava esperando finalmente apareceu... E a mulher em questão era Inês Escalante, nada menos.
Nossa, as desgraças estão chegando...daqui pra frente, só pra trás
ResponderExcluirAaaaaaaa estava tudo tão bom!!!! Agora começou a desgraceira! Obrigada pelo capítulo!!! Estarei aqui esperando pelos próximos <3
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