Capítulo 05 — Implorar ou morrer
Mesmo com todas as memórias de Tulia em minha mente, comecei, de alguma forma, a me distanciar dela. O Marquês de Frazier não era meu pai — ele era o pai de Tulia. A infâmia acumulada no passado pertencia à vilã de um jogo, não a mim. Era um mecanismo de defesa eficaz para proteger minha sanidade, pelo menos.
"Jovem Mestre Tedric."
O assistente direto do Grão-Duque exibia a mesma postura fria e experiente de seu mestre. "Preste seus respeitos a Sua Graça."
Tedric levantou-se de um salto.
"Q-Que... que o Gão-Duque possa sempre se manter saudável..." Sua voz tremia, fraca como o balido de um cabrito choroso. O pensamento de que a antiga Tulia se deixava intimidar por alguém tão patético me fez soltar um suspiro audível.
"Tulia?" O Visconde Lilius, sentado ao meu lado, sussurrou com urgência. "Faça exatamente como seu primo. Cumprimente o Vovô e encerre por aí, entendeu? Se disser qualquer coisa desnecessária, Sua Graça pode causar uma cena."
Assenti levemente, e a tensão no rosto de Lilius diminuiu um pouco.
'Pelas memórias que herdei, a antiga Tulia passava todos os anos tremendo de medo... ela nunca conseguia se expressar melhor do que o Tedric.'
Bem, para ser justa, o mesmo valia para a maioria dos nobres.
"Lady Tulia, por favor, cumprimente Sua Graça."
Assim que meu nome foi chamado, levantei-me. Todos os olhos da sala convergiram para mim. E lá, na cabeceira da mesa, estava o Grão-Duque Frazier, encarando-me diretamente. Seu olhar era desprovido de qualquer calor — gélido e opressor. Carregava uma intensidade sufocante. Até os nobres mais experientes seriam consumidos pelo medo naquela atmosfera. Não era de se espantar que seus próprios netos apenas gaguejassem cumprimentos vazios e fugissem em pânico.
“Lady Tulia?”
Quando fiquei ali parada em silêncio, a voz confusa do assistente chegou até mim.
Engoli em seco e abri a boca.
“Vovô.”
Eu estava preparada. Havia ensaiado meu discurso para o Grão-Duque Asis Frazier mil vezes em minha mente: "O orçamento que recebo é ínfimo. Mesmo sob confinamento, vivo em condições piores que as de um prisioneiro. Se eu continuar a definhar assim, o nome dos Frazier será manchado. Portanto, pela honra da família, peço humildemente que suspenda o confinamento e restaure as verbas da propriedade..."
Respirei fundo, pronta para pronunciar essas palavras exatas, quando—
"Contanto que o senhor viva no luxo sozinho, o resto que se dane, não é?!"
O ambiente, que já era silencioso, congelou instantaneamente, como se um balde de água gélida tivesse sido despejado sobre o salão. Ouvi engasgos ao redor, como se as pessoas estivessem sufocando com o próprio ar. Mas, na verdade, quem estava prestes a desmaiar era eu.
'O-O que diabos eu acabei de dizer?!'
Por que minha boca se moveu sozinha? Será que estou sonhando acordada? Dei um tapa na minha própria bochecha por reflexo e a dor foi real.
'Por quê? Por que isso está acontecendo?!' As palavras que saíram não estavam sob meu controle. Era a minha boca, mas ela agia como um robô pré-programado, cuspindo frases que eu jamais pensaria em dizer.
E, para piorar, eram as coisas mais ofensivas possíveis. Nesse exato momento, a janela de status, que flutuava discretamente ao meu lado, piscou com uma nova mensagem.
[⚠ Aviso: Devido à Penalidade de Personalidade, você só pode dizer coisas que provoquem máxima hostilidade.]
‘O quê?!’
[⚠ Aviso: Reputação está caindo para níveis perigosos.]
‘Reputação?’
Ao mesmo tempo, um medidor apareceu acima da cabeça de Asis Frazier.
Meus olhos se arregalaram de choque.
O medidor acima de sua cabeça estava ficando vermelho sangue.
Mesmo sem ninguém me avisar, tive um pressentimento:
Se esse medidor se encher completamente, eu morrerei.
Eu precisava remover a Penalidade de Personalidade. E, para isso, precisava aumentar meu status de personalidade—agora!
‘Como faço para aumentá-lo? O que eu—’
[Sistema: Você pode aumentar status com as moedas disponíveis.]
A frase apareceu como uma tabua de salvação.
‘Moedas?’
Meus olhos brilharam.
Graças a obsessivamente checar minha janela de status, lembrei instantaneamente.
Nunca havia visto essas moedas mesmo jogando o jogo.
Mas 1.000 delas? Era mais que suficiente.
Tentei imediatamente usar as moedas para aumentar meu status de personalidade—
‘…O quê?’
Mesmo os mais ousados congelariam com uma mensagem assim.
‘Mais cautelosa que ao co-assinar emprestimo para o namorado?’
“Nem para a família deve-se co-assinar.”
As sábias palavras de uma celebridade ecoaram em minha mente.
Meus pensamentos começaram a girar loucamente.
‘Devo apenas fingir desmaiar agora?’
Se eu colocar todas as moedas no status de riqueza, não ficaria instantaneamente rica?
E então poderia escapar deste lugar ainda hoje à noite…
Esse pensamento esperançoso durou apenas um momento.
“Tulia Frazier.”
O Grão-Duque, que vinha me olhando como se fosse me despedaçar, finalmente falou.
"Então... desde que eu viva no luxo sozinho, nada mais importa?" Se uma nevasca tivesse olhos, seriam iguais aos dele — verde-azulados, profundos e tempestuosos. "É isso que você está me dizendo?" Eu precisava aumentar meu atributo de Personalidade. Era hora de ir com tudo!
[Sistema] Moeda consumida: 1.
[Sistema] Personalidade -9 alcançada!
Se 1 moeda podia aumentar tanto, ainda poderia investir na riqueza depois de aumentar a personalidade o suficiente—
Enquanto isso, via a paciência do Grão-Duque se esgotando a cada segundo.
Dizia-se que o anel que ele usava, o sinete da casa, era envenenado com toxina suficiente para matar um elefante.
Dizia-se que ele poderia despedaçar alguém com as próprias mãos—
[Sistema] Moedas consumidas: 5.
[Sistema] Personalidade -8 alcançada!
[Sistema] Moedas consumidas: 50.
[Sistema] Personalidade -7 alcançada!
[Sistema] Moedas consumidas: 150.
[Sistema] Personalidade -6 alcançada!
[Sistema] Personalidade +1 alcançada!
[Sistema] Moedas Restantes: 0
[Sistema] Penalidade de Personalidade removida.
Clink!
O som das moedas rolando ecoou, e as letras brilharam.
"Vovô!" Sem pensar duas vezes, desabei de joelhos e curvei minha cabeça até o chão.
Thud!
"Eu sei que essa ideia de 'viver no luxo sozinho' pode parecer a mentalidade egoísta dos jovens de hoje, mas eu juro que não acredito nisso!"
O impacto dos meus joelhos contra o mármore frio foi agonizante — o suficiente para trazer lágrimas aos meus olhos. Mas a dor era preferível à morte. E, mais importante: eu finalmente conseguira recuperar o controle da minha fala.
"O orçamento destinado a mim é tão ínfimo que até os servos do meu castelo estão morrendo de fome e frio!"
Era por isso que todos buscavam qualquer oportunidade para fugir de volta para a propriedade principal! E eu tive que fingir que não percebia esse tempo todo!
"Se eu prometer que jamais me casarei, o senhor poderia me conceder meu dote adiantado? Usarei o dinheiro para quitar a dívida com o Tio Lilius—"
"T-Tulia!" Num piscar de olhos, Lilius correu até mim e tapou minha boca com a mão, desesperado.
"Como você ousa se comportar dessa maneira diante de Sua Graça?!" Lilius forçou um sorriso nervoso e curvou-se profundamente para o Grão-Duque.
"Pai, por favor, releve. O comportamento selvagem da Tulia não é nenhuma novidade..."
“Deixe-a.”
“Hum?”
“Não me ouviu, Lilius?”
“S-Sim, Sua Graça!”
Lilius rapidamente me soltou.
Respirei fundo e encontrei os olhos do Grão-Duque.
Seu olhar ainda era gélido.
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