The Broken Ring
O Anel Quebrado: Um Casamento Fadado ao Fracasso
Ines Valeztena foi prometida a um príncipe desde criança, mas decide desafiar seu destino. Uma história intensa sobre orgulho, liberdade e segundas chances.
Ler mais
My Alter Ego’s Path to Greatness
My Alter Ego’s Path to Greatness
Um jovem descobre uma habilidade de clonagem incrível antes de se aventurar em mundos paralelos. Ele pode viver várias histórias em um corpo! Uma novel divertida com fantasia e reviravoltas!
Ler mais
Corporação Negra: Joseon
Um inventor obcecado por tecnologia reencarna na Dinastia Joseon como filho do Rei Sejong, o Grande. Determinado a transformar o reino com suas ideias modernas, ele inicia uma verdadeira revolução científica em pleno passado histórico — onde inovação, política e muitas horas extras mudam para sempre o destino de Joseon...
Ler mais
Diários de Uma Apotecária
Arrastada à força para o harém imperial, Maomao — uma apotecária genial, teimosa e perigosamente fascinada por venenos — só quer sobreviver quietinha até ser libertada. Mas seu cérebro afiado não sabe ficar parado. Quando começa a desvendar doenças, intrigas e mistérios que nem os médicos da corte conseguem explicar, ela chama a atenção do homem mais deslumbrante e enigmático do palácio: o eunuco Jinshi. Agora, cada passo que dá a puxa mais fundo para os segredos do império, onde uma análise errada pode matar… e uma descoberta certa pode mudar seu destino para sempre....
Ler mais
I Was The Trash - Aquele Lixo Fui Eu
Reencarnada como a vilã mais desprezada, Tullia Frazier começa do fundo do poço. Com reputação de lixo e estatísticas mínimas, ela precisa virar o jogo. Entre intrigas, aliados inesperados e rivalidades perigosas, cada decisão conta. Será que o “lixo” pode se tornar indispensável? Descubra nessa jornada estratégica e cheia de emoções.
Ler mais

Capítulo 3: Jinshi

"Elas estão fazendo isso de novo", murmurou Jinshi para si mesmo, cabisbaixo. Era indecoroso o jeito como as damas do palácio se comportavam às vezes. Cabia a Jinshi — uma entre suas muitas responsabilidades — acalmar os ânimos.

Ao se embrenhar na multidão, Jinshi viu uma pessoa caminhando como se o alvoroço não a incomodasse. Era uma garota franzina com sardas salpicando o nariz e as bochechas. Não havia nada mais de distintivo nela, exceto o fato de que ela não prestava a mínima atenção em Jinshi enquanto caminhava resmungando para si mesma.

E isso bem poderia ter sido o fim da história.

Nem um mês se passou quando se espalhou a notícia da morte do jovem príncipe. A consorte Lihua estava inconsolável, mais magra do que nunca; já não se parecia em nada com a mulher que outrora fora considerada a rosa da corte. Talvez sofresse da mesma doença que o filho, ou talvez fosse uma aflição espiritual que a afligia. De qualquer forma, dificilmente poderia ter outro filho em tal estado.

A princesa Lingli, meia-irmã do príncipe falecido, logo se recuperou de seu mal-estar, e ela e sua mãe se tornaram um grande consolo para o imperador enlutado. De fato, parecia provável que a consorte Gyokuyou logo desse à luz outro filho, dada a frequência com que Sua Majestade a visitava.

O príncipe e a princesa haviam sofrido da mesma doença misteriosa, mas um se recuperou enquanto o outro sucumbiu. Seria a diferença de idade entre eles? Tinham se passado apenas três meses, mas esse intervalo poderia fazer uma diferença significativa na resiliência de um bebê. E quanto a Lihua? Se a princesa havia se recuperado, então havia todos os motivos para que o consorte também conseguisse. A menos que ela estivesse sofrendo principalmente com o choque psicológico da perda do filho.

Jinshi ponderava esses pensamentos enquanto revisava alguns documentos e pressionava seu carimbo sobre eles. Se havia alguma diferença entre as duas crianças, talvez ela residisse na Consorte Gyokuyou.

"Vou sair por um tempo", disse Jinshi, carimbando a última página com seu selo, e saiu prontamente da sala.

A princesa, com as bochechas tão cheias e rosadas quanto pãezinhos cozidos no vapor, sorriu para ele com toda a inocência que uma criança poderia demonstrar. Sua mãozinha fechou-se em punho ao redor do dedo de Jinshi.

"Não, minha filha, deixe-o ir", repreendeu gentilmente sua mãe, uma bela ruiva. Ela enrolou a criança em panos e a colocou para dormir em seu berço. A princesa, aparentemente com calor, chutou os cobertores para longe e ficou observando o visitante, balbuciando alegremente.

"Presumo que queira me perguntar algo", disse a consorte, sempre uma mulher perspicaz.

Jinshi foi direto ao ponto. 

"Por que a princesa recuperou a saúde?"

A Consorte Gyokuyou permitiu-se um leve sorriso antes de retirar um pedaço de pano de uma bolsa. O pano havia sido rasgado de algo e estava adornado com caracteres desajeitados. Além da caligrafia irregular, a mensagem parecia ter sido escrita com manchas de grama, de modo que em alguns trechos estava desbotada e difícil de ler.

Seu pó facial é venenoso. Não deixe que entre em contato com o bebê.

Talvez a caligrafia trêmula fosse proposital. Jinshi inclinou a cabeça. 

"Seu pó facial?"

"Sim", disse Gyokuyou, confiando a criança no berço a uma ama de leite e abrindo uma gaveta. Ela tirou algo embrulhado em pano: um vaso de cerâmica. Ao abrir a tampa, deparou-se com uma nuvem de pó branco.

"Esse?"

"Exatamente a mesma."

Talvez, conjecturou Jinshi, houvesse algo no pó. Ele se lembrou de que Gyokuyou, já possuindo a pele pálida tão valorizada na corte, não precisava usar o pó para tentar se tornar mais bonita. A consorte Lihua, em contraste, tinha uma aparência tão pálida que usava cada vez mais pó para disfarçar sua condição.

"Minha princesinha é uma menina bem faminta", disse Gyokuyou. 

"Não consigo produzir leite suficiente para ela, então contratei uma babá para ajudar." 

Às vezes, mães cujos filhos morriam logo após o nascimento encontravam trabalho como amas de leite. 

"Este pó facial pertencia àquela mulher. Ela gostava dele porque achava que era mais branco do que outros pós."

"E onde está essa enfermeira agora?"

"Ela adoeceu, então eu a demiti. Com fundos suficientes para seu sustento, é claro."

Falava como uma mulher que era ao mesmo tempo intelectual e talvez bondosa demais para o seu próprio bem.

E se houvesse algum tipo de veneno no pó facial? Se a mãe o usasse, afetaria a criança; se o que quer que estivesse no pó passasse para o leite materno, poderia até acabar no corpo da criança. Nem Jinshi nem Gyokuyou sabiam que veneno seria esse. Mas, se a mensagem misteriosa fosse verdadeira, era assim que o jovem príncipe encontrara seu fim. Por causa de um simples pó facial, maquiagem usada por inúmeras pessoas no palácio interior.

"A ignorância é um pecado", disse Gyokuyou. "Eu deveria ter tido mais cuidado com o que meu filho levava à boca."

"Sou culpado do mesmo crime", disse Jinshi. Afinal, foi ele quem permitiu que o filho do Imperador se perdesse. E pode ter havido outros que morreram no útero.

"Contei à Consorte Lihua sobre o pó facial, mas tudo o que eu digo só a faz se recusar a aceitar", disse Gyokuyou. Lihua ainda tinha olheiras profundas e usava generosas porções da maquiagem branca para disfarçar a palidez do rosto, sem jamais acreditar que fosse venenosa.

Jinshi olhou fixamente para o simples tecido de algodão. Achou-o estranhamente familiar. A hesitação na caligrafia parecia um artifício, mas o traço tinha um ar inconfundivelmente feminino. 

"Quem te deu isso e quando?"

"Aconteceu no dia em que exigi que o médico examinasse minha filha. Receio que só tenha conseguido causar-lhe problemas, mas isto estava perto da janela depois. Estava amarrado a um ramo de rododendro."

Jinshi se lembrava da comoção daquele dia. Teria alguém na multidão notado algo, percebido algo, deixado um aviso? Mas quem? 

"Nenhum médico do palácio recorreria a métodos tão indiretos", disse ele.

“Concordo. E os nossos nunca pareceram saber como tratar o príncipe.”

Toda aquela confusão. Refletindo sobre o ocorrido, Jinshi se lembrou de uma criada que parecia distante dos outros curiosos. Ela estava falando sozinha. O que será que ela estava dizendo?

“Preciso de algo para escrever.”

Jinshi sentiu as peças se encaixarem. Ele começou a rir baixinho. 

"Consorte Gyokuyou, se eu encontrasse a autora desta mensagem, o que você faria com ela?"

“Eu lhe agradeceria profusamente. Devo a ela a vida da minha filha”, disse a consorte, com os olhos brilhando. Ah, então ela estava ansiosa para descobrir quem era sua benfeitora.

“Muito bem. Talvez me permita ficar com eles por um curto período de tempo.”

“Aguardo ansiosamente o que você descobrir.” Gyokuyou olhou para Jinshi com alegria. Ele retribuiu o sorriso e, em seguida, pegou o pote de pó facial e o tecido com a mensagem. Procurou em sua memória por qualquer tecido que tivesse uma textura semelhante.

"Longe de mim desapontar a dama favorita de Sua Majestade." O sorriso de Jinshi tinha toda a inocência de uma criança em uma caça ao tesouro.


🏠 Início

Comentários