Capítulo 60 — Confissões
A carruagem sacudia Cássel e Inês, que estavam entrelaçados como um só corpo. Ele expressou claramente que tinha muitas perguntas, planejava explicar o que ela tinha feito de errado e pretendia puni-la pelos seus erros. Mas, dada a ocasião importante do seu segundo beijo, ele disse que seria um pouco mais indulgente com ela.
Sempre que ele fazia uma pergunta, Inês franzia a testa para os detalhes mesquinhos sobre os quais ele se questionava. Talvez ela tivesse sido mais cooperativa com a sua investigação se soubesse que Cássel originalmente planejava atacá-la na carruagem.
Cássel afastou-se alguns centímetros do corpo dela. — Você não está me respondendo a uma única pergunta corretamente. Então, voltemos ao início.
— Voltar onde? Você não pode estar falando sério...
— Quem você estava procurando tão desesperadamente mais cedo?
— Eu não...
O aperto dele aumentou em volta da sua coxa. As pernas dela separaram-se instintivamente, e ele encaixou-se entre elas. Apesar do seu volume furioso, a sua voz soava calma.
— Eu vi. Eu vi os seus olhos a vaguear por todo o lado, enquanto arrastava Lady Almenara consigo.
— Eu estava apenas à procura de Lady Conde...
Cássel interrompeu.
— Eu também a vi passar por Lady Conde. Você continuou à procura de alguém.
Inês decidiu não se incomodar em dar mais desculpas. Ela olhou para Cássel com uma expressão ambivalente.
— Quem era? — ele perguntou novamente.
— Eu estava um pouco desorientada pela multidão.
— Você estava à procura de Vervik desde o início?
Cássel tentou controlar o seu rosto para não parecer mesquinho ou perturbado. Ele puxou o tronco dela para si e inclinou-se perto o suficiente para os rostos deles quase se tocarem. Embora ele já não estivesse zangado com ela, ainda estava curioso.
Se Inês admitisse que estava à procura de Vervik, ele poderia ter problemas em entender os seus motivos. Se ele não conseguisse entender as razões dela, ele poderia acabar por ficar furioso novamente, mas pelo menos ele se sentiria melhor do que quando teve de se sentar ao lado do almirante, impotente para impedi-la de falar com Vervik. Cássel disse a si mesmo que ela provavelmente só precisava falar com Vervik como parte da sua obrigação de socializar.
— Por que eu procuraria por ele? — perguntou Inês.
— Certo, então. E os outros homens para quem você olhava mais cedo?
Inês suspirou.
— Você realmente designou alguém para me espionar? Ou você está lendo algum relatório atrás da minha cabeça?
— Eu apenas tenho uma boa memória, é tudo. — Cássel encolheu os ombros.
— Eu nem consegui encontrá-lo na multidão.
— Mas eu a avistei de imediato e a observei o tempo todo. — Cássel estava tão fixado em seguir cada movimento dela que, o que quer que o almirante tivesse dito, entrava por um ouvido e saía pelo outro. Se ele não fosse o seu marido diabolicamente bonito, o Duque Valeztena tê-lo-ia processado por perseguição. Inês explicou:
— Eu apenas ouvi os homens falando.
— Sobre o que eles estavam a falando?
— Nada importante. Eu já me esqueci. — O seu rosto de porcelana parecia calmo, mas Cássel podia dizer que ela estava mentindo. — Por que você olharia para eles tão intensamente se a conversa deles não fosse assim tão importante? Você até deixou Lady Almenara para trás.
— Eu não estava olhando para ninguém em particular.
— Você estava intrigada pelos rostos feios deles? — perguntou Cássel.
— Deixemos por isso...
Cássel ainda sentia que ela tentava esconder algo dele. Embora os dois homens para quem ela olhou mais cedo parecessem mesmo peculiares juntos, homens feios eram o que não faltava. No banquete, ele viu-a procurar ansiosamente por alguém, olhar fixamente para algo por um tempo, e depois evitar o seu olhar quando os olhos deles se encontraram. Então, ela estendeu a mão para o braço imundo de Vervik primeiro. Pensar no sorriso astuto e desagradável no rosto de Vervik distraiu Cássel de José Iglesias por um momento.
Quando Inês e Vervik se cumprimentaram com um sorriso, ele cerrou os dentes. Eles sorriram novamente um para o outro, e Vervik até esfregou os seus lábios repugnantes na mão dela... Em vez de o chutar nas canelas, Inês apenas tratou Vervik com elegância e conversou com ele por tempo demais. Então, ela segurou o pulso dele novamente, olhou para cima com os seus lindos olhos e sorriu para ele mais uma vez... Quanto mais Cássel recordava a sua memória, mais ele se fixava em cada gesto dela — nem se dando ao trabalho de pensar sobre as características do rosto de Vervik.
— Inês, nós não podemos deixar por isso. — Sentindo a sua raiva aumentar novamente, Cássel alcançou por baixo do vestido dela e agarrou as suas nádegas com um aperto forte.
O rosto de Inês não mostrou surpresa com os avanços de Cássel sob a sua saia. — Como é suposto eu me lembrar de cada ação inócua que fiz naquele lugar caótico? — ela perguntou, como se não tivesse nada a ver com ela. As suas feições não denunciavam qualquer indício dos pensamentos que poderiam estar por baixo da superfície.
— Então, por que você agarrou Vervik? — perguntou Cássel.
— Ele era um rosto familiar, e eu estava entediada.
— Sobre o que vocês falaram?
Inês encolheu os ombros com desinteresse. — Talvez algo sobre o clima.
Se fosse qualquer outra pessoa, Cássel tê-la-ia olhado com desaprovação e amaldiçoado em voz baixa. Mas ele estava de demasiado bom humor para se zangar com algo tão insignificante como isso.
— Eu não consigo me lembrar porque a nossa conversa girou em torno de assuntos inconsequentes. Não muito diferente das que tive com todos os outros — ela acrescentou.
— Então, você também falou sobre o clima com aqueles outros canalhas audaciosos?
Cássel recordou o rosto bonito e a pele bronzeada de José Iglesias. Então, ele recordou a multidão de outros homens pervertidos que espreitavam por uma chance de dormir com uma mulher casada famosa. A imagem reavivou a sua irritação.
— Provavelmente...? O clima é um tópico fácil de conversa.
— Parece-me que a única coisa que você acha fácil é o seu marido. Se não, você não estaria me contando uma história tão ridícula.
Cássel agarrou as nádegas dela com mais força e puxou-as para os lados. O seu dedo traçou-a sobre o tecido da sua roupa interior. Inês rapidamente torceu o braço atrás das suas costas para dar um tapa decisivo no pulso dele, mas ela hesitou a meio quando percebeu que era a mão ferida dele.
Inês Escalante não era nada parecida com a mulher fria e determinada que ela prometeu ser. Apesar da sua fachada fria, o seu coração bondoso preocupava-se com ele e afligia-se com a dor dele. Pelo menos, Cássel tinha agora se tornado alguém com quem Inês se preocupava. Se ele sangrasse profusamente na frente dela, ele podia distraí-la. Este já era um feito notável do seu ponto de vista.
Isso significava que ele era agora tão querido para ela quanto Raúl Ballan era? Não, Inês nunca permitiria que Raúl tivesse intimidade com ela, mesmo que aquele cão leal sangrasse galões de sangue.
Cássel sentiu o seu orgulho aumentar por um momento, apenas para rapidamente murchar quando percebeu que a sua competição era o animal de estimação leal dela. Mas isto era certamente uma grande melhoria desde quando ele não era mais importante para ela do que um mero lacaio.
Ainda assim, Cássel não conseguia esquecer os rostos daqueles homens tarados a pavonear na frente dela, a competir por qualquer atenção. Pior de tudo, ele não podia fazer nada sobre aquelas hienas por causa do novo almirante ao lado dele. De longe, ele gravou cada um dos seus rostos na memória para que pudesse reconhecê-los do outro lado de um corredor.
— Vervik é um ímã de sujeira. Assim que ele está perto de você, ele atrairá outra sujeira para você — disse Cássel.
— Eu ouvi. — Inês assentiu. — Ele tem uma reputação.
— Se você sabia disso, então por que você...?
— Bem, você também tinha uma grande reputação, mas acabou por ser gentil. — Inês deu um toque suave no seu queixo, como alguém faria a uma criança.
Por um lado, Cássel sentiu-se irritado por ser agrupado com homens inferiores. Por outro lado, ele sentiu-se excitado pelo toque dela no seu queixo.
— Ele é... diferente de mim — ele afirmou.
— Eu sei. Às vezes, eu consigo cheirar a sua luxúria imunda.
— E eu...?
— Você só cheira sempre a perfume. — O sorriso dela era superior e malicioso. Com uma única frase ou um pequeno gesto, Inês podia desequilibrar Cássel completamente.
Frustrado com a diferença de poder, ele desfez o laço dela e mais alguns botões. O seu seio macio, firmemente embrulhado pelas suas roupas íntimas, ameaçava irromper sobre o seu vestido.
— Se você tirar mais alguma peça de roupa...
— Eu não tiro, contanto que você me responda corretamente.
Inês suspirou.
— Não está na hora de você desistir?
Incapaz de tirar os olhos dos seios dela, que balançavam a cada solavanco que a carruagem dava, Cássel respondeu: — Você não me deu uma única resposta correta.
— Cássel, outros chamariam isso de dominador ou obsessivo. Eu não vou tirar conclusões precipitadas, mas outros podem.
— O que me importa o que os outros pensam?
— Se você quer evitar mal-entendidos...
— Eu confio em você, Inês. Eu só não confio nos homens nojentos de Calztela.
— Mas alguns deles são bastante ingénuos...
Cássel interrompeu novamente.
— Alguns desses chamados virgens ingénuos ainda querem ficar com mulheres casadas, como Marica Iglesias.
— Você sabe que ele o idolatra. Por que você continua a insultá-lo?
— Se ele não é um marica, então ele deve ser um louco que sonha em dormir com a esposa do seu superior.
Cássel nunca teve qualquer tolerância por outros homens que demonstrassem interesse nele, mas ele tinha ainda menos tolerância por qualquer um que fizesse uma investida em Inês. Em vez de os erradicar, ela apenas recuava e sorria educadamente aos seus avanços. Então, Cássel tinha de assumir a responsabilidade de os matar.
Inês suspirou.
— Iglesias só me acompanhou ao terraço.
— Você não sabe o que significa para um homem e uma mulher desaparecerem para o terraço e se esconderem atrás das cortinas?
Talvez Inês não soubesse da implicação por trás de tal ação. Ela não tinha interesse em escândalos ou conversa de adultos. Se fosse esse o caso, Cássel precisava enfatizar o que significava para impedi-la de repetir o erro.
Mas Inês apenas zombou. — Talvez isso tivesse mais significado há cem anos.
Cássel puxou-a para mais perto dele pelas coxas. As pernas dela circularam a sua cintura, e as virilhas deles pressionaram-se uma contra a outra.
Apesar do calor a aumentar entre as suas pernas, Cássel não tirou os olhos dos dela.
— Por que você pegou o casaco dele...?
— Talvez... porque eu tive pena dele?
Cássel mal conseguia entendê-la. Por que ela teria pena de um corpulento oficial da marinha, de todas as coisas? Ele esperou que ela elaborasse.
— Ele olhou para mim como um cão triste... Então, eu pensei que eu poderia desapontá-lo se recusasse.
Cássel gemeu em silêncio, pensando que o homem não parecia nada com um cão, mas mais com uma fera selvagem. Ele não conseguia acreditar que ela falasse sobre o Marica com a mesma ternura que teria por um pássaro ferido a tremer na sua mão.
Ele agarrou o seio dela e resmungou:
— Ele é todo músculo; ele ficaria bem mesmo que você o empurrasse por cima do parapeito.
— Qualquer um morreria se você o empurrasse por cima do parapeito naquele terraço.
— Mas você acabou de o conhecer. Quem se importa com o que lhe acontece? Você não devia se importar se ele vive ou morre...
— Ele apenas me lembrou você. — As palavras de Inês pararam Cássel a meio do seu discurso. — Foi por isso que eu não consegui mandá-lo embora. — Ela olhou para cima e perguntou: — Agora, você está satisfeito com a minha resposta?
— Ele lembrou você... de mim?
Ela assentiu. — Se não, eu nem lhe teria dado o meu tempo.
Para alguém que geralmente se importava tão pouco com os seus semelhantes, ela estava perigosamente perto de ser gentil por causa de Cássel. No entanto, em vez de se deleitar com esta notícia positiva, pensamentos carregados de ansiedade começaram a invadir a sua mente enquanto ele ouvia as suas palavras. Cássel viu-se imaginando como a pena dela poderia transformar-se em José acompanhando-a ao terraço, em ela a aceitar o casaco dele e, em seguida, em ela segurar a mão dele. Então, ela poderia estar aberta a abraçá-lo, beijá-lo e mais.
De fato, Cássel estava possessivo com sua esposa.
Esta perceção chocou-o. As suas mãos pararam de apalpar a bunda dela, e os seus lábios pararam de mordiscar o seio dela através do tecido.
Alheia, Inês continuou: — Embora os seus pontos de vista sobre encontros parecessem estranhos, ele realmente o idolatra. Ele disse muitas coisas maravilhosas sobre você também...
— Tipo o quê?
— Histórias que o fizeram parecer impressionante — ela suspirou. A sua voz soava exausta, mas verdadeira. Cássel duvidou dos seus ouvidos, mas rapidamente afastou a sua suspeita. — Não pense em mim na frente de outros tipos. Por que você desperdiçaria a sua atenção nele quando tem-me ao seu lado?
— Eu gostei das histórias dele sobre você.
— Inês, eu posso contar-lhe tudo o que você quer saber sobre mim.
— Mas você nunca me conta nada importante sobre si.
Ele lutou para entender a noção de que Inês poderia estar curiosa sobre ele.
— Você realmente quer... ouvir mais sobre mim?
Há já algum tempo que ela usava uma expressão intrigante no rosto. Ela admitiu:
— Eu... acho que sim. Às vezes.
— Então, por onde eu devo começar? Você quer ouvir sobre o meu primeiro ano no cargo? Ou a minha primeira batalha?
O seu cérebro estava ocupado a lembrar-se do seu passado enquanto a sua língua estava ocupada a provocar o mamilo dela através do tecido molhado do vestido.
Ela se contorceu para se afastar e sorriu de forma presunçosa. — Escalante, eu quero ouvir o ponto de vista objetivo.
— Então, eu posso dizer a Almenara para resumir a minha vida por ano.
— Eu não preciso de tantos detalhes.
Cássel procurou os lábios dela no escuro. Ela fingiu afastar-se, mas os seus lábios na verdade não fugiram dos dele. Então, ele abraçou-a com mais força, e o seu seio pressionou-se contra o seu peito duro.
Ele percebeu tardiamente e parou. — Espere. Você tem pena de mim? Eu não consigo evitar pensar que você me vê como um cão lamentável...
Inês beijou-o primeiro. Embora ela estivesse claramente a evitar a sua pergunta, ele nunca tinha experimentado ela beijá-lo primeiro. Então, ele se deixou levar e sugou a língua dela com desejo. Ela parecia adorável, ao recuperar o fôlego. A sensação do corpo macio dela contra o seu deu-lhe uma profunda satisfação.
Cássel ainda não conseguia entender por que aquele Marica Iglesias a lembrava dele. Mas, contanto que ela pensasse que ele era digno da sua pena e não fosse apenas Iglesias a quem ela estenderia a rara bondade, ele não se importava de ser comparado a um cão indefeso.
Inês admitiu:
— Eu tenho... Às vezes.
— Por quê?
— Cássel, eu tenho pena de você porque você me conheceu.
Obrigada pelo capítulo!!!!! Não esperava mais pra essa semana kkkk assim fico mal acostumada 😍 amo o meu casal mais lindo
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