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Capítulo 62 — Teorias Malucas

Depois de se despedir dos convidados do almoço, Inês se viu sozinha na sala de estar, mais uma vez absorta na leitura do Calztela Daily.

Ao rangido repentino da porta, ela virou a cabeça. Cássel estava parado na entrada. Seu olhar demorou-se nele por um tempo antes que o brilho do lado de fora chamasse sua atenção. O sol do início da tarde pintava a cena, e era incomum ele voltar para casa àquela hora. Inês dobrou o jornal e o colocou no colo, escondendo da vista o artigo que detalhava o processo de divórcio do Primeiro-Tenente Muñoz.

— O que você está fazendo aqui? Esqueceu alguma coisa? E por que está parado aí...

— Inês. Foi por causa dele que você quis se casar comigo?

— O que você quer dizer? — Semicerrando os olhos, Inês discerniu as nuances da expressão dele só então.

Era a mesma expressão que ela vira em seu rosto antes de adormecer na madrugada. A sombra desconhecida caída sobre seu rosto que a fez se arrepender... e pensar que teria sido melhor se o Cássel de seis anos não tivesse chamado sua atenção.

— Você me escolheu por causa daquele homem de Perez?

A suposição dele errou o alvo. Ainda assim, o coração de Inês acelerou por uma fração de segundo.

Ela nunca tivera um homem de Perez antes, e poderia facilmente inventar uma desculpa adequada. Na verdade, independentemente do que havia acontecido em suas vidas anteriores, ela agora estava levando uma existência tranquila, fazendo o possível para evitar quaisquer encontros com o homem de seu passado. Portanto, ela não tinha motivos para se sentir ansiosa ou envergonhada. Mas ver aquele olhar no rosto de Cássel pesou em seu coração.

Inês falou após um breve silêncio.

— Preciso lembrá-lo que tínhamos apenas seis anos quando ficamos noivos? E foi quando eu escolhi você para ser aquele com quem eu me casaria.

— Você não está respondendo à minha pergunta.

Embora a conversa tivesse um tom gentil, os olhos de Inês permaneciam fixos no rosto dele. Ele havia exposto todas as suas vulnerabilidades, indefeso, com cada grama de sua atenção voltada exclusivamente para ela.

Cássel não se abalou com o vislumbre de desaprovação chocada nos olhos dela; ele agia como se quisesse irritá-la apenas desta vez. Ele parecia indiferente à perspectiva de se machucar se isso significasse alcançar aquela única coisa. Parecia que sua única esperança era que seus próprios pensamentos e sentimentos sombrios desaparecessem.

Inadvertidamente, Inês havia evitado a pergunta dele, mas se consolou com o fato de ele ter notado algo errado. Cássel era sintonizado com a sensibilidade, então ele havia captado a mudança sutil em seu tom.

No entanto, ela não esperava se sentir tão sobrecarregada de desconforto e culpa com a mera visão daquele olhar em seu rosto.

O silêncio reinou ao redor deles.

Cássel fechou a porta atrás de si e entrou na sala.

— Só por curiosidade, você teve sentimentos por ele desde então?

— Repito, tínhamos apenas seis anos de idade.

— Eu não quero excluir a possibilidade, não importa a sua idade.

Inês bufou um riso com as palavras dele, e Cássel parou, a apenas um passo de distância dela.

— Isso é verdade?

— Não.

Seus olhos estavam ainda mais tranquilos que o habitual. Seus olhos nunca eram inquietos; ele parecia distante e indiferente quando mantinha sua expressão neutra. Mas agora, ele parecia ter suprimido à força alguma emoção selvagem sob sua fachada calma, seus olhos sem riso.

Cássel ergueu o canto dos lábios, o olhar ainda firme e desprovido de sorriso.

— Parece que eu te conheço há mais tempo, então.

Inês ficou surpresa ao ouvi-lo proferir palavras de triunfo tão sem sentido com um olhar mortalmente sério.

— O que você está comparando?

— Então, o dia em que você me escolheu pela primeira vez foi apenas uma coincidência, e eu tive sorte.

Deve ter sido seu azar — as palavras ficaram presas na garganta dela.

— Sua Majestade estava de olho em você, então eu entendo que você não tinha muitas escolhas. Mas ainda assim, você arrogantemente apontou para mim com seu dedinho naquela época. Suponho que a sorte esteve do meu lado até aquele ponto.

— Cássel...

— Mas o Duque Valeztena queria registrar nosso casamento como algo que nunca aconteceu, o que significa que você teve oportunidades de fazer outras escolhas.

— Isso é apenas algo que meu pai disse para fazer você se sentir mal.

— Mesmo uma semana antes do casamento, você tinha o direito de escolher. Nosso casamento esteve por um fio por anos. A maior parte foi minha culpa, e se é sua culpa, eu secretamente esperava por isso... Não foi até aquela noite que eu percebi que o Duque Valeztena preferia ver esse casamento desmoronar, e foi apenas por causa da sua teimosia que nosso noivado durou anos.

— Não foi isso que eu quis dizer...

— Naquela época, você nem me queria de verdade.

Algumas palavras pairavam em seus lábios. Mas ela de repente se sentiu impotente porque não conseguia encontrar uma única palavra que pudesse dizer com confiança. Enquanto lutava para escolher suas palavras, Inês falou com um tom levemente hesitante.

— Se estamos falando de um parceiro de casamento, eu sempre quis você.

Cássel franziu seus belos olhos.

Inês sentiu uma leve pontada de autorreprovação com as meras palavras que proferira, tão desconhecidas como eram. Ao mesmo tempo, ela friamente acreditava que não havia nada de errado com o que ela havia dito.

Ainda assim, ela ainda estava incerta sobre si mesma.

— Não é que eu fosse teimosa. Fui eu quem implorou ao meu pai para me casar com você, e meu julgamento nunca mudou. Depois de todos esses anos, não vejo nenhuma boa razão para ceder aos caprichos dele.

— Não havia nenhuma boa razão...

— Isso é tudo.

— Entendo.

Cássel não tinha uma expressão completamente convencida, mas não estava sendo sarcástico nem reclamou e aceitou silenciosamente. Ele não mostrou nenhum sinal de estar ligeiramente irritado ou tentando interrogar ameaçadoramente.

A leve sensação de inquietação que pairava dentro de Inês se dissipou.

Oscar era um homem que não suportava ouvir a palavra homem ligada a ela, nem por um momento. Ele riria como um louco com a palavra divórcio e aceitaria cada tapa que ela desse nele. No entanto, seus olhos mudavam com a menção da palavra homem como se ele fosse machucá-la a qualquer momento. 

Ele ainda tinha o hábito de dizer a ela como deixaria marcas em seu lindo corpo, mas suas ameaças eram mais propensas a levar a sexo violento. Inês se sentira tão infeliz que pensou que preferiria ser espancada até a morte a ser tratada daquela maneira... usada daquela forma...

Ela encarou Cássel. 

O homem não se parecia em nada com Oscar, apesar de serem primos. Ele ainda tinha um olhar reprimido, mas não havia nenhum indício de uma emoção que pudesse machucá-la.

"— Eu nunca machucaria você ou deixaria que você se machucasse. Você estará segura enquanto eu estiver de olho em você, Inês. — Eu não me importo se você nunca me amar ou mesmo gostar de mim."

As palavras que ele disse a ela no passado vieram à sua mente, e um sentimento de culpa a dominou. O sentimento que ela teve naquela época. De repente, ela se sentiu como se tivesse se tornado uma ladra que não conseguia nem encará-lo. No entanto, pelo menos na frente dele, neste lugar, havia uma sensação de segurança e uma estranha crença.

Inês pareceu querer rir de si mesma por pensar brevemente em Oscar, aquele lixo, quando viu o rosto inocente e sincero de Cássel, que não tinha comparação.

Se foi a primeira vida dela, agora é uma memória distante e irreal que não parece mais real. No entanto, às vezes, apenas ocasionalmente, ela pensava nisso como se tivesse acontecido apenas alguns anos atrás. Nessa sensação de desconexão, sua mente pausava momentaneamente. Inês lamentou quando percebeu que sua condição não era muito diferente de antes. Ela esperava que um dia pudesse dizer a ele o quão precioso ele era para ela.

Se alguém pudesse machucar outra pessoa com palavras, o único a se machucar aqui seria o resistente Cássel Escalante. Não ela.

— Então, a ideia de que me casei com você por causa de alguém é uma história que não faz sentido desde o início.

— E se esse alguém não fosse bom o suficiente para você?

— Cássel...

— Se ele fosse tão insignificante que nem ousaria interromper a noite de núpcias da Srta. Valeztena. Se ele fosse esse tipo de pessoa, você teria que protegê-lo.

Suas últimas palavras foram como uma lâmina afiada. Os olhos azuis escuros giravam como o céu pouco antes de um temporal.

A especulação dele estranhamente se desviava da realidade e inesperadamente se aproximava da essência. E se desviava de uma forma assustadora à medida que se aproximava.

— Nunca existiu uma pessoa tão especial para começo de conversa.

— Você achou que estava tudo bem, alguém como eu sair por aí, enquanto você sentia pena de mim... preparando tudo para o seu coração ficar tranquilo? Você achou que, se seu marido se divertisse com outras mulheres, você poderia esconder aquele seu homem? Você achou que era por isso que poderia continuar a encontrá-lo mesmo depois de casada?

— Cássel...

— Eu estive pensando sobre isso como um louco. Que você ainda pode ter sentimentos por ele ou que me escolheu com essa intenção desde o início.

— Isso é ridículo. — Nenhuma das duas coisas era verdade. Inês não tinha intenção de ver Emiliano nunca mais. Se fosse Oscar, ela só queria matar o homem. Então — ela poderia enterrar a verdade, que ela o escolhera com a intenção de um divórcio fácil em alguns anos, bem no fundo de sua mente, parecer incrédula com as palavras dele e balançar a cabeça com o insulto. Mas ela não conseguia encontrar as palavras certas e apenas engoliu um suspiro pesado.

— De qualquer forma, você não é uma pessoa tão romântica. Talvez você só precisasse de mais tempo para ter um caso com aquele homem. O tempo que eu desperdicei antes de procura-lá você deve ter sido doce.

— Cássel. — O nome dele deslizou por seus lábios como um suspiro pesado.

— Passei o dia todo pensando como um louco.

Diante de seu auto-desprezo, que era abertamente evidente em sua confissão cândida, ela ficou sem palavras.

— Talvez aquele bastardo, quer dizer, aquele homem seja a razão pela qual você... Eu não pude suportar assim que o pensamento cruzou minha mente. Depois de puxar as rédeas do meu cavalo como um louco, eu já estava na sua frente. Eu sei que não deveria falar muito assim... e eu sei que posso cruzar a linha se for mais longe, mas eu quero saber... Agora eu quero esmagar meu crânio com seu peso de papel.

— Por favor, não. Eu não sei por que você divagaria tanto absurdo, mas...

— Eu não estou perguntando sobre o seu passado. Não é que eu ousaria esperar algo assim...

Pelo olhar em seus olhos, era óbvio para Inês que ele estava obcecado em saber o passado dela, mas que não podia, em sã consciência, negá-lo. Sua respiração ficou presa na garganta pela enésima vez, e um riso oco escapou de seus lábios.

— Então?

— Se isso não for apenas o passado... E se... você tivesse algum plano...

— Que plano? — ela perguntou, interrompendo-o. Ele hesitou, e ela zombou. 

— Você está imaginando alguma trama mirabolante de eu fugir com um antigo amor? — A palavra "plano" ficou presa em sua garganta como um espinho, mas, por outro lado, ela a achou um tanto insignificante e quis ignorar a pergunta absurda dele.

A fachada de calma se dissipou dos olhos de Cássel, substituída por um tremor enquanto ele perguntava:

— Você... faria isso?

Embora ele tivesse levantado a ideia de adultério premeditado primeiro, ele pareceu nervoso com a menção de fuga, como se Inês pudesse decidir fazê-lo a qualquer momento imprevisto.

Inês soltou um riso seco.

— Por que eu me daria ao trabalho de fugir?

— Então, o que você faria?

— Se eu realmente quisesse deixar você, eu pediria o divórcio.

— Divórcio...? — Cássel parecia incrédulo, como se nunca tivesse ouvido essa palavra até agora. Para ser justo, ele fora criado como o herdeiro da estimada família Escalante e membro dos Grandes de Ortega, então provavelmente nunca havia considerado a possibilidade. Inês não sabia se havia introduzido a noção de divórcio para perturbar seus próprios desígnios ou para servir como um gesto de advertência. Talvez sua leve consciência a tenha levado a abordar o assunto na esperança de que ele desenvolvesse algum conforto em torno da ideia.

Considerando essa possibilidade, Cássel murmurou:

— Certo... Se nos divorciarmos, o que acontece depois?

— Você está me perguntando se vou morar com ele depois do nosso divórcio? É isso que você está perguntando? — Inês desviou o assunto habilmente e respondeu à pergunta com outra pergunta incisiva.

Como se ela estivesse falando uma blasfêmia, Cássel respondeu rapidamente:

— Não. — No entanto, a dúvida ainda nublava seu olhar.

Suspirando silenciosamente para si mesma, Inês notou sua suspeita persistente. Mesmo agora, ele se agarrava à noção de que outro amante poderia existir.

— Se esse fosse o caso, você me ajudaria a fugir com ele?

O desespero tomou conta de sua expressão no momento em que a pergunta dela alcançou seus ouvidos.

Inês estreitou os olhos, olhando para ele.

— Você realmente acha que eu me rebaixaria a ponto de fazer isso?

Embora seu rosto estivesse abatido, ele respondeu logicamente:

— Não, eu não acho que você faria isso nem em um milhão de anos.

— Ou você acha que sou tola o suficiente para cometer tal erro?

— Não, eu não acho.

Em suas lembranças distantes, Inês recordou uma época em que era uma garota imprudente. No entanto, ela agora estava agudamente ciente de que tal imprudência pertencia ao passado.

— Ótimo. Então, seu julgamento é sólido — ela afirmou.

— Então... O que você vai fazer com aquele homem?

— Cássel, não importa o quanto você se esforce para me emparelhar com esse produto da sua imaginação, eu não posso fazer nada com um pretendente inexistente. E você...

— Eu devo parecer um marido lunático e cético, não é?

Não era o que ela pretendia dizer, mas Inês assentiu, mesmo assim.

As belas sobrancelhas dele se franziram em desespero.

Ela contemplou por quanto tempo ele lutou contra seus demônios interiores para resistir a sucumbir à sua obsessão por ela. Talvez um quarto de dia?

Seus olhos se encontraram em um silêncio desconfortável. Olhando nos olhos desesperados de Cássel, ela experimentou um sentimento desconhecido de culpa. Ela desviou o olhar para o queixo dele.

— Eu... sinto muito — disse Cássel.

— Tudo bem. — Ela se sentiu péssima por aceitar suas desculpas quando ele não tinha feito nada de errado. Erguendo o olhar, ela encontrou Cássel agora olhando além dela, para a parede. — Eu nunca pretendi duvidar de você ou deixar que suspeitas bizarras contra você ocupassem minha mente.

— No entanto, você o fez — afirmou Inês. — Você teceu narrativas peculiares sobre mim em sua mente e as recontou para mim.

Cássel ficou rígido em sua postura.

Ela continuou:

— Você imaginou que eu tinha um pretendente clandestino em Perez e me perguntou se eu me casei com você por causa dele.

— Mas... você confessou ter tido um amante — ele rebateu, um toque desafiador.

Ela deu um sorriso irônico.

— Sim, mas você perguntou se eu estava em um relacionamento com ele desde os seis anos de idade.

— Eu não acredito que insinuei algo tão indecente... — murmurou Cássel.

— Então, você me acusou de estar com ele além do meu casamento...

— Pare, Inês. Não diga mais nada. Eu sinto muito, então...

— Você me acusou de planejar enganar você e, em seguida, fugir com ele.

— Inês, foi você quem trouxe a ideia de fugir.

Ela o encarou de volta com desafio em seus olhos.

— Você praticamente tinha isso na ponta da língua, com base em suas insinuações.

Inês o encarou diretamente como um mecanismo de defesa de último recurso. Cássel evitou o olhar dela e olhou para baixo. Suas orelhas queimavam em vermelho escarlate, como se as palavras dela trouxessem vergonha para ele, não para ela. Quando o último traço de seu orgulho desapareceu, ele franziu as sobrancelhas e suspirou.

— Pelo menos... eu não pensei em você de uma forma tão imprópria.

— O que você quer dizer?

— Quero dizer que eu não estava tentando apontar suas falhas, questionar sua honestidade ou alimentar suspeitas sobre sua fidelidade... Eu não estava tentando irritar ou atormentar você. Eu realmente não pretendia me envolver em tal loucura — confessou Cássel.

Claro, tudo isso era bobagem, pois ele havia duvidado dela e suspeitado que ela tivesse casos secretos. Mas Inês sabia que Cássel nunca teve a intenção de lhe causar mal, e de fato, ele nunca o fez. O único em angústia era ele mesmo.

Cássel disse:

— Eu estava... meramente curioso. Eu buscava garantias de que você não o está vendo agora. Se você não está, então isso é tudo que eu preciso saber. — Inês sabia que as emoções dele eram mais parecidas com desespero do que curiosidade; com um olhar para o rosto dele, ela também discerniu que ele não transmitia suas palavras sinceramente.

— Então, me dê alguns tapas retumbantes e deixe tudo o que eu disse escapar da sua mente — ele sugeriu.

Ela sabia que essa era a maneira dele de tentar salvar o que restava depois de um interrogatório impulsivo. Mesmo agora, ele continuava a priorizar os sentimentos dela acima dos dele. A profundidade de sua preocupação com as emoções dela permanecia um mistério para ela.

Inês hesitou antes de dizer:

— Não.

— Por quê?

— Eu simplesmente não quero — ela insistiu.

Cássel depositou um beijo casto no nariz dela, instando-a suavemente a lhe dar um tapa retumbante. Ele havia desempenhado o papel de um marido desconfiado momentos atrás, expondo seu completo ciúme e obsessão. No entanto, em uma reviravolta surpreendente, ele agora implorava para que ela liberasse sua frustração sobre ele.

Embora ela achasse sua abordagem geral estranha e distorcida, ela não pôde deixar de sentir uma pontada de simpatia por ele. Ele havia murchado assim que despejou todas as suas frustrações.

Quando ele se afastou, ela o seguiu e deu um beijo rápido e impulsivo em seus lábios. Os olhos dele se arregalaram em uma surpresa virginal, um forte contraste com os encontros íntimos que eles compartilharam no quarto na noite anterior. Antes que ela pudesse saborear sua resposta, ele avançou, abraçando seus lábios com um fervor que ecoava o ardor de um garoto inexperiente, apesar de sua vasta experiência sexual. Sentada em repouso, Inês aquiesceu ao seu beijo terno. Sem suspiros apaixonados ou entrelaçamento de línguas, seus lábios se encontraram em uma série de toques delicados. O olhar de Cássel sobre ela não continha resquícios de raiva ou desespero; em vez disso, irradiava consolo.

— Inês, você deveria estar me punindo, não me recompensando.

— Podemos considerar sua mão machucada como sua punição. — Ela bateu levemente nas bandagens da mão dele.

Cássel balançou a cabeça.

— Isso é punição por outra coisa.

— Você quer dizer, uma punição por não cuidar da sua mão?

Ele sorriu com a pergunta dela.

— Eu estava me punindo quando fiz o que você me disse para não fazer.

— O que eu disse para você não fazer? — ela perguntou.

— Quando eu te beijei no banquete ontem à noite, eu tinha planejado me machucar.

— O quê...? — Inês franziu a testa, certa de que devia ter ouvido errado.

— Regras devem vir com consequências. — Cássel deu de ombros. — Eu perdi o foco quando você me beijou de volta, então eu exagerei, mas ainda assim alcancei o resultado que pretendia.

— Você quer dizer... Você não machucou sua mão porque estava excitado demais para notar...?

— Bem, eu estava excitado, mas eu pretendia fazer isso de qualquer maneira.

— Por que você faria algo assim?

— Eu deveria pagar o preço por quebrar uma regra importante — ele respondeu.

Em momentos como este, Inês não conseguia acompanhar sua lógica. A punição dele excedia em muito o crime. Ele parecia pensar na automutilação como uma penitência adequada, como uma multa autoimposta.

Ele explicou:

— Eu queria mostrar a você que não quebrei sua regra por desrespeito a você. Então, foi uma forma de pedido de desculpas.

A carranca de Inês se aprofundou. Ela não conseguia compreender por que ele tinha que pagar tal preço por beijar sua própria esposa, a quem via todos os dias.

— Pedido de desculpas? Deformar sua mão é sua maneira de se desculpar?

— Eu sei que foi um pouco medonho. Eu não pretendia me machucar tanto e mostrar a você tal cena.

Qualquer outra pessoa teria se arrependido de esmagar a mão contra o corrimão. A cabeça dela doía de tanto tentar entendê-lo.

— Inês, é por isso que você deveria me dar uma punição diferente.

Então, ele continuou a sugerir outras formas masoquistas de se punir, como bater e chutar.

Sentada no salão bem iluminado, Inês se perguntou se essa era a maneira sofisticada dele de provocá-la ou outra expressão de sua excitação. Infelizmente, Cássel parecia tão sincero e ansioso como sempre. Inês observou sua mão ferida e depois o resto de seu corpo. Ela se sentiu nervosa de que ele pudesse cair novamente na automutilação para se punir.

Embora ela soubesse que Cássel era inofensivo, ele via um maníaco automutilador.


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Comentários

  1. Ele só quer o amor dela, calma Cassel, vai dar certo ❤️❤️❤️

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