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Capítulo 65 — Um Marido Apaixonado

Ao voltar para casa, Cássel passou apressado pela sala de jantar e se dirigiu ao quarto do mordomo no fim do corredor. A porta, entreaberta, revelou Alfonso lá dentro. Ao vê-lo, Cássel perguntou:

— Onde está Inês?

Sem resposta imediata, Cássel franziu o cenho e chamou novamente:

— Alfonso.

Assustado com a voz de seu mestre, Alfonso finalmente notou Cássel.

— Oh, meu senhor, o senhor voltou extraordinariamente cedo hoje.

Cássel estudou o rosto do mordomo, estreitando os olhos.

— O que o tem deixado tão preocupado, Alfonso? Alguém pensaria que você roubou algumas peças de prataria, vendo-o tão distraído.

Alfonso se assustou novamente, e Cássel teve que se perguntar o que deixava seu mordomo tão nervoso recentemente.

A integridade de Alfonso era renomada entre o povo de Escalante; ele preferiria cortar o próprio dedo a se envolver em roubo — daí a piada de Cássel. Mas sua reação levou Cássel a acreditar que algo estava realmente errado.

Ultimamente, o comportamento de Alfonso vinha sendo bastante peculiar. Cássel repassou os últimos dias, tentando identificar quando o comportamento de Alfonso havia mudado, mas — com toda a sua atenção dedicada a Inês — não conseguiu pensar em nenhuma razão em particular.

— Nunca, meu senhor — disse Alfonso, mas sem muito vigor por trás disso. — O senhor sabe muito bem que eu nunca ousaria tal coisa.

— Eu sei, Alfonso. Se você fosse roubar algo, seria mais astuto.

— Exato, meu se... — Percebendo a piada de Cássel com um segundo de atraso, Alfonso pausou e piscou.

Preocupado, Cássel perguntou sinceramente:

— Aconteceu algo com sua família em casa, talvez?

A expressão de Alfonso estava distante mais uma vez, como se ele não tivesse ouvido a pergunta.

— Alfonso. Parece que você não está totalmente presente de novo.

— E-Eu estou ouvindo, meu senhor.

— Não, não está.

— Eu... Na verdade... o senhor está certo. Minha irmã mais nova...

— Maria?

— Não acredito que o senhor se lembra do nome da minha irmã — Alfonso murmurou e mordeu o lábio, os olhos subitamente marejados.

Gratidão? Culpa? Compaixão? Uma emoção indescritível transpareceu em seu rosto. Fosse o que fosse, Cássel achou os sentimentos do mordomo bastante avassaladores.

Alfonso, um cavalheiro cujo semblante carregava o peso de anos além de sua idade real, exibia uma vulnerabilidade que parecia deslocada. Aqueles olhos marejados e emoções desprotegidas eram um forte contraste com sua compostura usual. Eles não eram emocionalmente próximos o suficiente para expor sentimentos tão crus.

Cássel recuou um passo.

— Algo está errado com sua irmã, então? Ou os filhos dela?

— Sim — confessou Alfonso. — Um dos meus sobrinhos pegou tísica...

— É grave?

— Não, felizmente, ele está a caminho da recuperação.

— Independentemente disso, enviarei um cartão e uma pequena quantia.

— Não há necessidade, meu senhor.

— Maria tem oito filhos, não é? Os invernos nas montanhas de Esposa são implacáveis. Não é apenas seu sobrinho — a família inteira dela deve atravessar a estação com boa saúde.

— Já sou compensado além do devido, meu senhor. Seria impróprio eu buscar mais assistência.

— Você está talvez buscando um aumento em seu salário?

— Não, de forma alguma, meu senhor. Meu salário atual equivale ao de seis criados juntos. É mais que suficiente...

Ciente da disparidade no pagamento, Alfonso parecia lutar com sua consciência, mas Cássel dispensou qualquer culpa que o mordomo pudesse abrigar. Segurando o queixo em contemplação, ele observou:

— Eu não sabia que sua compensação equivale à de seis indivíduos. Independentemente disso, estenda o valor de duas semanas de seus ganhos para a residência de sua irmã em meu nome. Dessa forma, você não precisa inventar nenhuma desculpa.

— Verdadeiramente, meu senhor...

— E quanto a Inês? Onde ela está?

À mera menção do nome dela, o semblante de Alfonso mudou, como se ele tivesse envelhecido cinco anos em um instante.

Cássel lançou um olhar perspicaz sobre o rosto do mordomo, questionando brevemente se havia interpretado mal a expressão do homem.

Alfonso, no entanto, recompôs-se rapidamente e respondeu:

— Ela está atualmente no escritório do segundo andar, atendendo às convidadas.

— Isso esclarece a ausência de alguém para me receber mais cedo.

— A maior parte da criadagem está ocupada no andar de cima, atendendo aos pedidos das senhoras. As convidadas chegaram sem avisar. No entanto, os criados deveriam ter descido e preparado uma recepção adequada quando o senhor chegou. Minhas desculpas por qualquer lapso de supervisão da minha parte.

Cássel estalou a língua em leve desaprovação, mas um sorriso reminiscente do sorriso orgulhoso do Duque Valeztena adornou suas feições. Era o mesmo sorriso que o duque usaria — uma década atrás — ao pensar em sua preciosa filha.

De qualquer forma, agora ele sabia onde Inês estava e podia ir vê-la. E ele fez menção de fazer exatamente isso, antes de pausar e se virar. Se ele se aventurasse escada acima agora, ela estaria preocupada com suas convidadas, com a atenção não voltada exclusivamente para ele.

Ele coçou o queixo, pensativo.

— Fui pego de surpresa porque as carruagens estão esperando no campo além da colina.

Um toque de irritação cruzou o rosto de Alfonso — uma reprovação silenciosa por Cássel reclamar de algo que ele mesmo causou.

Cássel, no entanto, acreditava que o mordomo estava simplesmente chateado por causa de seu sobrinho e não deu atenção.

— Como pode uma mansão não acomodar uma carruagem de convidados? — ele perguntou.

Porque a casa era pequena demais, Alfonso retrucou silenciosamente. E era pequena demais porque o próprio Cássel queria dividir um quarto com sua esposa, então ele abandonou a casa espaçosa e perfeitamente bem localizada e escolheu vir para cá...

Desta vez, Cássel estava muito preocupado, olhando para o vazio, para notar tudo o que se passava no rosto de seu mordomo.

— Talvez devêssemos voltar para a residência perto do quartel-general — ele ponderou consigo mesmo. — O que acha disso, Alfonso?

Alfonso reprimiu um suspiro.

— O que o senhor disser, meu senhor.

— Eu quero sua opinião, não uma concordância cega.

— Arondra ficaria...

— Prefiro não ter que ouvir a choradeira dela.

Arondra ainda estava lutando com o quebra-cabeça de onde guardar todos os pertences de seu mestre em uma casa tão pequena, apesar de metade deles ter sido enviada para Esposa — sem mencionar tudo o que Inês havia mandado de volta para Perez. Cássel estava bem ciente de que a mera menção de mudança provavelmente resultaria em uma bronca dela.

Alfonso ergueu uma sobrancelha.

— No entanto, o senhor ainda pensaria em se mudar depois de tudo o que a fez passar?

— Eu não esperava que Inês fosse receber tantas convidadas. É difícil entretê-las nesta pequena morada.

Alfonso o encarou silenciosamente, com reprovação no olhar, mas Cássel apenas olhou de volta para seu mordomo, nem um pouco arrependido. Ele não podia saber o quão popular Inês se tornaria, podia? Ele escolhera esta casa para que pudessem desfrutar da companhia um do outro. Ele imaginara que ela ficaria feliz apenas com os dois, especialmente dada a sua adorável propensão para a solidão. Nunca pensou que ela passaria todo o seu tempo em sua minúscula sala de estar recebendo um fluxo interminável de convidadas como a mulher mais admirada de Calztela.

Cássel franziu a testa, imaginando sua esposa confinada o dia todo em sua apertada sala de estar.

— Não, isto simplesmente não serve. O que devem pensar de nós?

Elas achavam maravilhoso, é claro. Apesar das preocupações dele, a casa ficava na parte mais bonita da Colina Logorño.

— Sua Senhora conhece a mansão melhor do que o senhor, meu senhor. Ela está bem ciente de seus limites para convidadas.

— Apenas porque minha adorável esposa é muito organizada e meticulosa.

Os lábios de Alfonso se contraíram levemente.

— Não posso discordar, mas...

— Mas seria muito menos desgastante viver em um lugar onde ela não precise se preocupar com essas coisas.

— Talvez — tentou Alfonso — ser um pouco menos obsessivo e permitir que ela visite suas conhecidas fosse mais simples do que contemplar outra mudança de residência. Isso diminuiria o fardo de receber as convidadas dela aqui.

Cássel imediatamente balançou a cabeça.

— Não. Seria muito esforço para ela. Ela não estava bem naquela época.

— Sua Senhora está com boa saúde agora.

— Ela ainda está frágil demais para sair com frequência. Mesmo pegar a carruagem seria desgastante demais para ela...

Frágil? Alfonso ecoou interiormente, incrédulo.

— Veja como ela ainda pesa pouco, apesar de todos os nossos esforços em contrário desde o outono. Isso deveria persuadi-lo, se nada mais o fizer.

— Se me permite a franqueza, meu senhor, Sua Senhora parece muito mais saudável do que quando chegou no verão.

Cássel acenou com a mão no ar.

— Ela simplesmente não deseja preocupar a todos vocês. Pode não parecer, mas ela é uma alma muito bondosa.

Com isso, ele se distraiu com preocupações sobre o que dar a Inês para o jantar, até que pausou e olhou para o mordomo com uma carranca.

— O que você quis dizer com obsessivo?

— Nada, meu senhor — respondeu Alfonso rapidamente. — Eu só quis dizer que impedi-la de sair totalmente parece um pouco...

— Alfonso. — Cássel o interrompeu. — Eu estou forçando a ficar porque sofrerei de crises de nervos caso contrário. Não sou um homem desequilibrado que tem prazer em trancar sua esposa para sua diversão.

— Claro que não, meu senhor.

— Estou simplesmente preocupado com a saúde dela. Tenho certeza de que você entende isso.

— Certamente entendo, meu senhor.

— Não me importo se Inês encontrar cem pessoas todos os dias, contanto que ela não se esforce demais. Ela tem uma constituição delicada.

— Exato, meu senhor.

— Eu me preocupo que ela desmaie em um lugar quando eu não estiver com ela, ou quando Ballan não estiver lá, ou quando não houver carruagem ou médico...

— Muito certo.

— Não é nada mais do que isso.

Cássel estava cheio de uma sinceridade que parecia raspar o fundo de seu coração. Alfonso não tinha dúvidas de que seu mestre falava sério em cada palavra.

— Claro — acrescentou Cássel, por fim — seria mentira dizer que não encontro alguma sensação louca de satisfação na ideia de que ela está sempre aqui neste lugar minúsculo, só para mim. Mas apenas um degenerado permitiria que algo surgisse de tais pensamentos... não é?

E aí estava o problema. Ele sabia que era errado e não tinha intenção de realmente fazer tais coisas, mas o pensamento disso... Não era sua intenção, mas, no fim das contas, era uma confissão de que ele estava satisfeito como um pervertido.

Cássel fez uma careta.

— Alfonso, isso parece algo doente?

— Suspeito que sim, meu senhor.

— Ah, então eu definitivamente preciso me mudar para uma nova residência antes que piore... — Cássel concluiu e se afastou.

Observando as costas de seu mestre, Alfonso pensou: 

Provavelmente não é a hora certa...

***

O rosto de Kara se iluminou quando ela notou Cássel aparecer no corredor do segundo andar. Quando ela se virou em direção à porta para anunciar a presença dele sem nem mesmo cumprimentá-lo primeiro, ele rapidamente colocou o indicador sobre os lábios, sinalizando para a criada não interromper Inês. Ele tinha subido para trocar de roupa, não para perturbar ninguém.

Mas ele se viu passando pelo quarto deles e parando ao lado das criadas que esperavam por ordens do lado de fora da sala de estar. A porta estava entreaberta e ele espiou pela pequena fresta, seus olhos procurando ansiosamente por Inês.

Algumas das jovens na sala deviam ter visitado com tanta frequência que pareciam familiares até para Cássel, enquanto as outras duas pareciam ser novas. As quatro estavam sentadas em um semicírculo perto da janela, resultando em uma cena bastante aconchegante.

E Inês estava no centro de tudo.

Ela estava segurando um livro, sentada na beira do parapeito da janela, seu rosto obscurecido por uma estante de modo que Cássel mal podia vê-la. E, no entanto, ele manteve o olhar fixo na direção dela como se ela estivesse claramente visível.

A essa altura, ele era capaz de imaginar Inês sem nem mesmo vê-la. Não era porque ele tinha finalmente enlouquecido ou porque tinha uma imaginação vívida. Não, tudo o que ele precisava era de um olho perspicaz, um pouco de imaginação e uma memória detalhada dos maneirismos da pessoa, montada por um interesse obsessivo em cada movimento dela.

Percebendo que essa lista o fazia parecer um pouco louco, ele rapidamente tentou abafar a voz em sua cabeça que queria lhe dizer o contrário. 

Esse tipo de coisa é normal quando você está apaixonado por alguém, dizia-lhe. Você pode agir um pouco estranho e ficar um pouco manhoso — até mesmo enlouquecer de repente.

Mas aquela vozinha era esperta. Ela enfatizava a paixão em vez da insanidade. Suas orelhas avermelharam com o pensamento, mas não porque ele se sentisse envergonhado. Era mais como se ele estivesse intoxicado pela ideia de gostar tanto de Inês que sua cabeça inteira esquentava.

Isso mesmo. A vozinha falou novamente. Você a ama. Você está completamente enfeitiçado. Era satisfatório admitir isso quantas vezes quisesse, embora apenas em particular. Reconhecer seus sentimentos por Inês parecia torná-la ainda mais fácil de visualizar.

As outras mulheres olhavam para ela com olhos arregalados que brilhavam com admiração, e ele podia, por exemplo, ver o rosto de sua esposa refletido neles. A brisa que roçava a barra do vestido branco dela o fazia pensar nas mechas de cabelo que emolduravam seu rosto. Ele podia até ver seus dedos finos prendendo uma mecha rebelde de cabelo atrás da orelha.

Cássel também podia dizer exatamente em qual rosto os olhos verde-oliva de Inês estavam pousados. As figuras das outras jovens tornavam-se cada vez mais indistintas em seu campo de visão, mas sempre que Inês olhava para uma delas, seus rostos se iluminavam instantaneamente. Era somente quando seus rostos brilhavam dessa maneira, quase exatamente como vaga-lumes, que ele também as vislumbrava brevemente.

Seus olhos azuis brilhavam, dominados pela emoção enquanto ele estava ali, espiando pela fresta da porta, imaginando todas as partes dela obscurecidas da vista — como se ele nunca mais fosse ter a chance de vê-la adequadamente. Pelo menos, era assim que parecia por fora.

Mas Cássel tinha suas razões. Em sua mente, ele nunca se cansava de sua esposa, não importava quantas vezes ele mordesse, chupasse e lambesse cada centímetro de seu corpo, porque havia tantos lados nela: Inês revirando os olhos para ele, ela sendo compassiva com os criados, ela sendo solene dentro da capela, Inês vestida extravagantemente em um baile, agindo como se estivesse se divertindo em um encontro chato, Inês em uma sala cheia apenas de mulheres, Inês olhando melancolicamente para o mar, Inês concentrada em sua escrita, Inês iluminada pela luz do sol entrando por um vitral, Inês parada na escuridão. Assim como não havia limite para sua loucura, ele não podia contar as vezes que se viu maravilhado com ela.

A profundidade e o ardor dos sentimentos de Cássel Escalante não lidavam simplesmente com informações tangíveis. Se fosse esse o caso, ele não seria tão perversamente apaixonado por ela.

Às vezes, ele sentia como se todos os seus sentidos estivessem focados unicamente em Inês Escalante — seus olhos, ouvidos, mãos, nariz e até a ponta de sua língua. Por que mais haveria um gosto doce em sua língua sempre que ele a via sorrir? Mesmo agora, a voz delicada dela evocava em sua mente o olhar inteligente que devia estar em seu rosto, e sempre que ela pausava, ele podia visualizar a maneira como seus lindos lábios vermelhos se entreabriam ligeiramente.

Ah. Ele baixou o olhar de onde estava espiando melancolicamente pela fresta da porta quando sentiu suas calças apertarem.

Foi uma resposta muito fria e calma para um homem que de repente se viu ereto em plena luz do dia apenas por observar sua esposa. Especialmente considerando o fato de que havia várias criadas paradas bem ali. Depois que se casaram, esse tipo de coisa acontecia constantemente sem qualquer aviso. Sua masculinidade respondia avidamente quando Inês estava na frente dele, ou quando ela dizia algo, ou mesmo quando ela não estava lá e ele estava apenas pensando nela.

Isso era algo com que ele simplesmente tinha que lidar, visto que não conseguia parar de vê-la ou pensar nela. Era assim que ele se isentava de culpa, sem cerimônia. Nenhum deles tinha culpa aqui. Talvez ele tivesse, mas na verdade não. A excitação que Inês despertava nele era incontrolável, especialmente agora que ele estava se abstendo de relações conjugais frequentes após o desmaio dela no outono.

Cássel já havia se acostumado com sua região inferior agindo como um animal no cio, independentemente de seus desejos. Isso era evidenciado pelo fato de seu rosto esculpido não mostrar o menor sinal de excitação. Mesmo Inês, que estava familiarizada com a expressão lasciva de Cássel Escalante, não teria sido capaz de discernir que ele estava excitado naquele momento. E como estava frio o suficiente para ele usar um casaco sobre o uniforme, ele também não tinha necessidade de esconder nada.

Suponho que é a estação perfeita para ereções fora do quarto, pensou ele consigo mesmo. A expressão estóica em seu rosto desmentia a indecência da observação, mas isso não era nada comparado à cena detalhada que ele havia imaginado no espaço de um minuto de como ele iria devorá-la na biblioteca esta noite.

Desejo inquietante, um suspiro impaciente, sede amotinada, anseio, irritação. Ele havia usado o tempo como uma desculpa esfarrapada para sair do treinamento mais cedo hoje, mas não importava. Ele esperava pelo menos uma tarde aconchegante com sua esposa, mesmo que não fizessem nada lascivo. Contanto que Inês estivesse se divertindo e essas mulheres estivessem aproveitando o tempo com ela, ele não tinha motivos para perturbá-las.

Na opinião de Cássel, sua esposa merecia ainda mais popularidade do que tinha. Não que ele quisesse que ela fosse admirada por mais homens, é claro. Mesmo agora, enquanto observava Inês dar uma palestra sobre um livro do qual ele nunca tinha ouvido falar, ele se viu mais uma vez imensamente orgulhoso dela.

Brilhante. Perfeita. Sempre tão inteligente e radiante. Tanta sabedoria para compartilhar com o mundo.

Ele começou a se concentrar naquele sentimento avassalador de orgulho que sentia por ela. Ele precisava se concentrar em algo saudável para suprimir os pensamentos sombrios e repreensíveis que ameaçavam aparecer. O deleite que sentia — semelhante ao de um pai torcendo entusiasticamente por seu filho — tinha que ficar na vanguarda. O fato de que a visão de sua esposa o excitava como um animal no cio a qualquer hora do dia era o suficiente para lembrá-lo do quão perto ele estava de cruzar uma linha que ele nunca deveria cruzar.

A essa altura, Cássel estava acostumado a reprimir aquela vil pequena veia obsessiva que levantava sua cabeça feia sempre que ele observava Inês sendo tão sociável. Ele não tinha nada a temer quando se tratava da fidelidade dela — ela era muito distante e exigente para ser infiel. Não, este era o tipo de ciúme de um marido delirante. Era mais como a fixação egocêntrica de uma criança pequena. Mesmo que Inês estivesse cercada apenas por mulheres disputando sua atenção, ainda havia aquela vozinha lhe dizendo que ela deveria estar passando tempo com ele, e apenas com ele.

Quando ele era realmente jovem o suficiente para tais pensamentos infantis, ele nunca fora atormentado por eles. Então, agora que estava, isso o deixava se sentindo vazio às vezes. De vez em quando, ele até se sentia ansioso quando ela se afastava um pouco demais dele. E embora seu coração ansiasse por mais, mais rápido, em sua cabeça ele sabia que havia tempo, e que ele tinha que abordar as coisas o mais devagar possível.

Implorar a Inês nunca a faria se apaixonar por ele.

Mas as menores coisas tendiam a pará-lo em seu caminho e dar origem aos seus instintos superprotetores. Especialmente nos dias de hoje, por algum motivo.

Cássel lançou outro olhar rápido e frio para sua virilha. Isso terá que ser resolvido, ele concluiu com naturalidade, como se fosse uma tarefa a ser cuidada. Ele então pediu a Kara mais uma vez para não deixar sua esposa saber que ele esteve ali antes de se virar para ir embora.

Naquele exato momento, Inês chamou suas criadas para dentro da sala de estar, então, quando Cássel fechou a porta do quarto deles, não havia mais ninguém parado no corredor.


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