Capítulo 73 — A Preocupação de uma Esposa
Ao contrário das expectativas de seu criado leal, que havia afirmado que ela não ficaria surpresa ao ver o marido voltar para casa doente, Inês ficou tão chocada que empalideceu. Foi o suficiente para abalar Raúl, por sua vez. No entanto, sua reação foi tão sutil que passou completamente despercebida por todos os outros.
José Almenara, que havia ajudado um dos servos a carregar Cássel para a cama, observou admirado enquanto Inês dirigia os funcionários atarefadamente.
— A senhora Escalante é tão composta, mesmo com o marido tendo desmaiado tão de repente no trabalho...
Inês de fato parecia a imagem perfeita da dama nobre ideal aos olhos da rígida sociedade militar. Apenas Raúl reconheceu que seu rosto severo, que a fazia parecer insensível e desapaixonada, era uma expressão reservada para quando ela estava abalada até o âmago.
A condição de Cássel havia piorado na carruagem, de modo que ele mal conseguia andar sem duas pessoas o apoiando de cada lado quando chegaram. Em outras palavras, tudo era muito crível porque ele nem precisava fingir — ele estava realmente doente, quaisquer que fossem suas intenções na carruagem. Foi a ponto de Raúl não acreditar muito na afirmação de seu mestre sobre se recuperar em duas horas.
Ocorreu-lhe que não era que Cássel Escalante nunca ficasse doente. Ele apenas se recuperava antes que alguém notasse.
— Mudei de ideia. Isso é humilhante demais, então não deixe Inês entrar aqui — instruiu Cássel.
— Um mero servo como eu não poderia impedir sua senhora de entrar em seu próprio quarto, meu senhor — lembrou Raúl.
— Então eu ficarei no escritório — insistiu Cássel.
— O sofá-cama no escritório mal cabe para Minha Senhora se deitar. As pernas do senhor não caberiam nele, meu senhor.
— E se eu infectá-la? Ela é tão frágil... — murmurou Cássel.
— Suponho que até o senhor foi infectado com esse corpo robusto — comentou Raúl.
— Não fale comigo assim.
— Fiquei muito feliz ao vê-la se recuperar tão rapidamente, mas parece ser uma febre bastante desagradável — murmurou Raúl. — Mas como o senhor pegou? Minha Senhora passa por isso todo inverno, e eu cuidei dela o suficiente para saber que não é muito contagioso, então...
— Como você acha que eu peguei? Somos casados — interrompeu Cássel, a boca se curvando em um sorriso sardônico, e a humilhação que sentia deixando brevemente seu rosto. O olhar em seus olhos lembrou Raúl da felicidade excessiva de seu mestre mais cedo.
Ele desviou o olhar com uma leve carranca, como se tivesse visto o suficiente.
— Entendo. Então esta é a penalidade por sua luxúria.
— Não quero que Inês fique doente... e apenas demonstrei o afeto natural de um marido.
Cássel estava dizendo que não fizera isso por luxúria. Mas estava claro que ele estava satisfeito com o resultado, visto que não negou que isso era algum tipo de penalidade.
— Se o senhor estava tentando pegar de propósito, por que está surpreso por ter pego? — perguntou Raúl.
— Eu sabia que tinha pego. Só pensei que não passaria de algumas horas de tontura — explicou Cássel.
— Então, o senhor está se sentindo mal desde a manhã, e ainda assim continuou com seu treinamento até o meio-dia?
— Terminei mais rápido para poder descansar à tarde — disse Cássel.
Que brutamontes, Raúl quase disse em voz alta.
Segundo José, o treinamento daquela manhã fora tão intenso que poderia praticamente ser chamado de tortura. Não admira que o Alferes Almenara esteja sentado ali atordoado, quando geralmente é tão enérgico, pensou Raúl.
— Se o senhor tivesse pulado o treinamento, já teria se recuperado. Ou poderia apenas ter contido sua luxúria ou autossacrifício de madrugada, o que quer que tenha sido — apontou ele.
— Nunca é tão ruim, mesmo se eu for infectado — foi a desculpa de Cássel.
Obviamente, isso não é verdade, pensou Raúl, incapaz de expressar sua opinião desleal e suspirando em vez disso.
— Inês definitivamente se recuperou, certo?
— Sim, meu senhor.
— Então diga a ela para não entrar, para que não fique doente de novo — instruiu Cássel.
Desaparecera a confiança alegre que Cássel exibira na carruagem com o pensamento de fazer sua esposa se preocupar por nada. Agora que ele estava realmente doente de novo, mudara de ideia completamente e exigira ser colocado em quarentena.
— Ela terá que vir aqui para dormir à noite de qualquer maneira — disse Raúl.
— Tenho uma residência antiga perto do quartel-general da marinha. Ainda pertence a mim, então faça Inês ficar lá esta noite — disse Cássel.
Raúl olhou para seu mestre sem palavras.
— Pode parecer que estou expulsando-a, mas já contaminei esta cama, então... diga a ela para não se preocupar, estou bem... — ele parou melancolicamente.
Ele está fazendo parecer que está morrendo, pensou Raúl exasperado enquanto as pálpebras de Cássel se fechavam.
Foi então que Inês irrompeu no quarto com o Tenente Maso a reboque.
— Cássel!
Em total contraste com o que os funcionários haviam dito antes sobre a resposta digna e graciosa de Inês, sua voz carregava um tom agudo e estridente. Deixando o Tenente Maso na porta, ela correu para a cabeceira de Cássel e a porta giratória quase atingiu o nariz de Maso. Infelizmente, ninguém lhe poupou um olhar. Arondra e Alfonso passaram por ele, distraídos pela reação de Inês, e a porta se fechou na cara de Maso mais uma vez.
Maso resmungou:
— O que há de errado com esta casa...? — Se eles estão tão preocupados com a suposta doença grave do paciente, deveriam se preocupar também com o médico assistente. Claramente, Cássel Escalante não está no leito de morte, e todos estão exagerando, tratando-o como se fosse uma escultura frágil em casa... Maso suspirou, apertando o aperto em sua maleta médica.
Enquanto isso, Inês começara a esbofetear o rosto do marido para a esquerda e para a direita.
— Acorde, Cássel! Abra os olhos.
— Minha senhora, ele é um paciente... Se continuar batendo nele, ele pode permanecer inconsciente mesmo depois que a febre passar — disse Raúl.
— Senhora, por favor, acalme-se — acrescentou Alfonso.
Arondra interveio:
— Minha senhora, por favor, fique aqui comigo.
Embora todos os três tentassem dissuadir Inês, nenhum ousou contê-la fisicamente. Ela ignorou seus funcionários, persistindo em desferir tapas retumbantes no rosto de Cássel.
— Acorde, por favor! — Apesar da violência em suas ações, sua voz continha um apelo suave e sussurrado. O contraste irônico combinava com a paz que Cássel aparentava em seu sono em meio aos tapas implacáveis.
Alfonso arriscou com cuidado:
— Acredito que Sua Senhoria esteja apenas dormindo...
Inês retrucou:
— Você não sabe de nada.
Raúl e Alfonso não eram estranhos ao temperamento afiado de Inês, mas Arondra sempre considerou sua senhora um anjo. A explosão inesperada de Inês deixou Arondra incrédula, pensando consigo mesma que sua senhora devia estar em profundo choque para atacar daquele jeito. Ela não prestou atenção ao seu mestre inconsciente e lançou um olhar saudoso para Inês, murmurando para si mesma:
— A generosidade dela não tem limites, mesmo quando ela não precisa se preocupar com ele.
— Arondra, há algo errado com Cássel! — disse Inês.
Raúl olhou para o mordomo antes de dizer:
— Como Don Alfonso mencionou, eu arriscaria dizer que Lorde Escalante está apenas dormindo.
Angustiada, Inês abriu as pálpebras de Cássel como um médico faria. Arondra estendeu a mão, puxando gentilmente a mão de Inês de volta.
— Não há nada com que se preocupar. A senhora o conhece melhor do que isso, não é?
— Conheço...? — Inês colocou o dedo sob o nariz de Cássel.
Alfonso boquiabriu-se.
— A senhora está talvez verificando se ele está respirando...?
Raúl lançou a Alfonso um olhar de reprovação para silenciá-lo.
Inês permaneceu alheia a qualquer coisa que os outros diziam. Seus olhos estavam fixos em Cássel, transbordando de preocupação como se ele fosse tão delicado quanto vidro.
Raúl queria perguntar a ela como podia bater em alguém com quem estava tão preocupada com toda a sua força, mas a sabedoria prevaleceu, e ele escolheu não expressar a pergunta. Em vez disso, ele guiou o Tenente Maso para mais perto da cama.
— Permita que o Tenente Maso cuide de seus deveres.
Arondra e Raúl trocaram um olhar. Arondra colocou os braços em volta de Inês, guiando-a gentilmente em direção à porta, mas Inês resistiu, declarando:
— Eu vou ficar.
Escapando dos braços de Arondra, Inês voltou para o lado de Cássel.
Raúl comentou:
— Lorde Escalante temia que a senhora sofresse uma recaída quando tinha acabado de se recuperar.
— Ridículo. Ele deveria estar mais preocupado consigo mesmo — zombou Inês.
— Verdade... Mas ainda devemos sair. Ele desejou que a senhora ficasse longe dele.
— Você está fazendo parecer que ele está no leito de morte.
— Tudo o que eu quis dizer é que a senhora não precisa se preocupar com ele...
— Quem disse que estou preocupada com ele?
— Então, do que mais a senhora chamaria isso...? — Raúl não conseguia compreender Inês. Ela acabara de desferir uma série de tapas crus em seu marido, como se estivesse reanimando uma vítima de afogamento. Mesmo agora, ela parecia visivelmente desorientada.
— Estou simplesmente irritada por ser a culpada pela doença dele. Se ele acabar sofrendo por minha causa, vou me sentir inquieta e culpada, é por isso. — Mesmo com o Tenente Maso por perto, ela parecia afobada demais para manter sua atuação de esposa atenciosa.
— Entendo. — Raúl estalou a língua silenciosamente. — Mas esta febre mal afetou uma constituição frágil como a da senhora, minha senhora. Não poderia possivelmente prejudicá-lo.
Ele queria acrescentar: Aparentemente, ele estará melhor em algumas horas...
Mais cedo, Raúl havia se sentido mal com a reação inesperada de sua senhora e repensado sobre prosseguir com seu plano de exagerar a doença de Cássel. No entanto, uma nova perspectiva surgiu — deixar Inês em paz poderia levá-la a reavaliar o valor de seu marido. Talvez ela percebesse que, embora ele pudesse parecer sólido como uma rocha, poderia ser tão frágil quanto uma escultura de areia...
Nada estava saindo conforme o plano de Raúl. Originalmente, ele pretendia pedir secretamente ao Tenente Maso para exagerar a doença de Cássel — um plano agora tornado irrelevante.
Inês perguntou:
— Como você pode me dizer para não me preocupar quando ele perdeu a consciência? Não é um problema maior exatamente porque isso nunca aconteceu com ele antes?
— A senhora... tem razão — admitiu Raúl. Refletindo em voz alta, Arondra observou: — Bem, Lorde Escalante já pegou resfriados antes, mas ele simplesmente ignorava os sintomas.
Raúl redirecionou sua atenção para o Tenente Maso, cuidando silenciosamente do paciente.
— Suponho que ele não pôde mais ignorar os sintomas. — Maso sorriu e acrescentou: — Senhora Escalante, não há necessidade de se preocupar. Na verdade, ele nem precisa de tratamento. Ele simplesmente precisa de descanso para se recuperar. Uma febre como essa não é nada para um homem que voltou ao serviço no mesmo dia de seu ferimento por arma de fogo. Em algumas horas, ele acordará e será ele mesmo novamente.
Inês estreitou os olhos com suspeita.
— Mesmo depois de desmaiar com febre alta?
O Tenente Maso assentiu.
— Sim, suponho. — Desconhecendo a suspeita amarga de Inês, ele parou de vasculhar sua bolsa em busca de qualquer equipamento. — Uma das doenças comuns aqui geralmente começa com febre alta, mas ele está em Calztela há tempo demais para pegar isso agora. Estou surpreso que ele tenha desmaiado com uma febre tão insignificante. Ah, isso me lembra...
Inês o interrompeu.
— De que serve um médico que simplesmente comenta sobre sintomas surpreendentes e não faz nada a respeito? Na sua pressa para chegar aqui, o senhor não deve ter ouvido a história completa ainda. Veja bem, eu pego um resfriado todo inverno. Ontem à noite, minha febre começou a subir, e Cássel se esforçou para cuidar de mim. Ele passou várias horas no ar frio da manhã, depois teve que sair para o trabalho sem pregar o olho.
Arondra, Raúl e Alfonso trocaram olhares. Eles não tinham percebido que Cássel havia dispensado o sono para cuidar de Inês na noite passada.
Inês continuou.
— Depois de tudo isso, ele foi para o treino matinal. Segundo Almenara, o treinamento foi intenso.
Maso assentiu.
— A rotina regular de treinamento realmente coloca bastante pressão no corpo de um soldado.
— E como o senhor saberia, sendo apenas um médico? — disparou Inês.
Então, Raúl percebeu que nunca precisou subornar o médico em primeiro lugar. Inês não precisava de ninguém para incentivá-la a exagerar a doença do marido.
Inês acrescentou:
— Ele deve estar doente depois de se esforçar tanto. Ele é saudável demais para pegar qualquer doença, então deve ter ficado exausto para acabar assim. Basta olhar a palidez no rosto dele. — Na verdade, o rosto dele estava corado por causa dos tapas dela mais cedo, não da febre, mas ela escolheu ignorar esse fato.
Maso respondeu:
— Bem... Deixe-me ouvir mais sobre os sintomas da senhora.
Depois de reclamar sobre os sintomas de Cássel por tanto tempo, ela parecia pouco interessada em proferir uma palavra sobre si mesma. Ela simplesmente gesticulou para Raúl, que resumiu todos os detalhes relevantes.
Maso estudou o rosto pacífico e adormecido de Cássel e disse:
— Tenho certeza de que a febre da senhora deve ter tido alguma influência, mas não pode ser o único problema.
— Então, qual é o outro problema?
— O Tenente Escalante tem estado sob muita pressão recentemente?
Antes que Raúl pudesse responder negativamente, Inês assentiu.
— Além disso, ele experimentou estresse indevido?
Inês assentiu novamente. Raúl a observou de perto, incerto se ela estava prestando atenção às perguntas ou assentindo por hábito. Mas Inês parecia confiante em suas respostas.
— Então, ele deve ter usado o cérebro demais — concluiu Maso.
— Perdão...?
— Em Calztela, a maioria dos homens não usa muito o cérebro. Dos oficiais aqui, Escalante é um dos mais cultos, mas ainda não tem muita ocasião para usar o cérebro. É por isso que alguns homens acabam doentes se pensam demais...
Inês encarou Raúl com total confusão, questionando sem palavras se aquele médico era um charlatão.
Maso continuou:
— Depois de todas as camadas de estresse, o corpo dele provavelmente não aguentou o alívio repentino da tensão. Até esta noite, ele estará tão saudável quanto sempre.
Um silêncio caiu sobre o quarto. Inês voltou o olhar para Alfonso e silenciosamente desejou que ele se livrasse daquele médico charlatão. Alfonso leu rapidamente suas ordens não ditas, fechou a bolsa de Maso e o conduziu para fora da porta.
✽ ✽ ✽
— Aquele homem deve ser um charlatão. Consiga-me um médico diferente — insistiu Inês, sua preocupação aumentando ao olhar para a forma imóvel de Cássel. — Ele deve estar gravemente doente se não consegue nem acordar.
A expressão dela havia escurecido consideravelmente após o diagnóstico do Tenente Maso. Ela parecia ter esquecido completamente o que ela mesma dissera, momentos antes, que aquela era uma febre que o marido contraíra dela.
Arondra e Raúl trocaram um olhar rápido e cúmplice.
— Buscar outro médico apenas espalhará pânico desnecessário — apontou Raúl. — Amanhã, toda Calztela estará inundada de rumores de que Lorde Escalante está à beira da morte.
Ele suspeitava que a fofoca se espalharia ainda mais rápido, e não via razão para atiçar ainda mais as chamas.
— Por enquanto, vamos confiar no julgamento do Tenente Maso — sugeriu Raúl. — Lorde Escalante parece tranquilo, afinal.
Inês permaneceu não convencida.
— Muitas vezes são aqueles que você pensa que são perfeitamente saudáveis que de repente encontram seu fim.
— Santos céus!!! — gritou Arondra, fazendo apressadamente o sinal da cruz sobre o peito. Raúl massageou as têmporas enquanto a governanta lamentava: — Minha senhora! Por que diria algo tão terrível!
Um olhar de cálculo frio surgiu nas feições de Inês enquanto ela continuava:
— Homens de constituição robusta, como Cássel Escalante de Esposa, podem ser derrubados por doenças súbitas e desconhecidas, perecendo sem nunca perceber sua doença.
Raúl se viu sem saber o que fazer e decidiu trair Cássel no final. Sentindo-se derrotado, ele revelou relutantemente:
— Ele disse que passaria em duas horas.
— O que você quer dizer? — ela retrucou.
— O próprio Lorde Escalante me disse que ele realmente sofreu de resfriados e febres às vezes, e afirmou que esta febre diminuiria dentro de duas horas então não se importou. — confessou Raúl.
— Ele sempre foi assim — acrescentou Arondra.
— Então, ele está plenamente ciente de seus limites, e ainda assim trabalhou demais até desmaiar? — As palavras de Inês cortaram afiadas.
— A senhora está... chateada? — indagou Raúl cautelosamente.
— Enfurece-me ver tamanha tolice.
Raúl tentou transmitir um lembrete silencioso a ela de que Arondra ainda estava bem ao lado dela, mas Inês parecia ter perdido qualquer tipo de discernimento sobre tais assuntos assim que entrara no quarto.
Ela amassou o lenço que Arondra lhe entregara mais cedo para enxugar as lágrimas como se estivesse tentando rasgá-lo. Em vez de lágrimas, seus olhos ardiam com uma fúria silenciosa enquanto ela olhava para o marido dormindo pacificamente.
Inês estava agindo de forma atipicamente impaciente e abrasiva, mas Arondra apenas a olhava com cuidado maternal, oferecendo palavras tranquilizadoras:
— Ele é realmente um tolo, não é? É como se acreditasse que seu corpo é feito de ferro. Ele pode ser grande e forte agora, mas mesmo quando tinha metade do tamanho da senhora, minha lady, ele era tão imprudente quanto hoje.
O olhar conflituoso de Raúl alternava entre sua estranha senhora e a leal governanta.
— Mas o médico disse que ele ficaria bem — Rául lembrou Inês novamente.
— Aquele charlatão? Ele abandonou os estudos na metade para se alistar e confiou no status mediano de sua família para alcançar uma patente mediana na marinha. Isso é tudo o que ele realizou em seus quarenta anos. — A resposta de Inês foi cortante, sua voz desprovida de simpatia; ela não hesitou em arredondar a idade de Maso para cima. — Ah, e ele perdeu sua herança no jogo há muito tempo, de modo que tem que implorar dinheiro aos pais a cada poucos meses para sustentar tanto a esposa quanto as outras mulheres. Ele não tem talento ou habilidades, mas enlouquece por mulheres jovens. Como devo confiar no julgamento dele?
Suas palavras doíam com uma verdade amarga que teria deixado o Tenente Maso humilhado, se ele estivesse presente. Seus olhos teriam ficado vermelhos de segurar as lágrimas. Provavelmente teria sido a primeira vez que alguém fora tão cruel, porém precisamente crítico com ele. Raúl se perguntou como ela descobrira todas essas informações.
— Ele pode ter suas deficiências... mas certamente ele tem algum senso de perspicácia médica? — sugeriu ele hesitantemente. — E Lorde Escalante parece perfeitamente bem agora, não parece?
— Mas nunca é óbvio quando ele está doente — rebateu Inês, sua dúvida ainda evidente.
Raúl balançou a cabeça.
— Além disso, ele insistiu que a senhora passasse a noite em outro lugar...
— Este é o meu quarto também — disse ela.
— De fato, minha senhora, mas Lorde Escalante achou prudente que a senhora buscasse descanso em outro lugar esta noite.
Embora Raúl fosse superprotetor com Inês, isso empalidecia em comparação com as preocupações incomuns de Cássel sobre a saúde de Inês. Em outras palavras, ele não compartilhava da apreensão de Cássel sobre ela potencialmente pegar a febre novamente através de germes no ar. No entanto, sentiu-se obrigado a entrar no jogo de seu mestre.
— Por quê? — perguntou Inês, intrigada.
— Ele temia que a senhora pudesse pegar dele novamente — respondeu Raúl.
— Ah, sim. Se alguém tão robusto quanto ele pode ser afetado, a senhora deve ter cautela, minha senhora — interveio Arondra. Ela ainda parecia totalmente despreocupada com seu mestre deitado em seu leito de doente e, em vez disso, permanecia preocupada em estudar Inês em busca de quaisquer sinais de doença.
Inês obedeceu enquanto Arondra media seu pulso e pressionava a mão em sua testa para verificar sua temperatura. As duas pareciam nada menos que uma enfermeira devotada cuidando de sua jovem senhora.
— Ele deveria se preocupar consigo mesmo — observou Inês, soltando uma risada exasperada dirigida ao marido.
No entanto, um traço de amargura permaneceu. A emoção frágil que ela tanto odiava nublou seu olhar que atirara adagas em seu marido momentos atrás.
— Seu tolo... — ela murmurou baixinho.
Inês sentiu uma pontada de irritação. Toda vez que ele se preocupava com ela às custas do próprio bem-estar como um tolo, isso a incomodava.
Isso Inês, é desespero de ver quem vc ama dodói! ❤️❤️❤️❤️🤭
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