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Capítulo 81 — Pequenas Verdades

— Devemos fazer um passeio depois do Dia de São Federico?

Seus corpos nus e entrelaçados haviam esfriado do calor do pós-coito enquanto eles se olhavam. O rosto de Cássel estava completamente neutro agora, enquanto sua mão habitualmente massageava o seio dela.

De repente, ele puxou o cobertor sobre a metade superior exposta dela e atraiu Inês para seu abraço sob os lençóis. Seus corpos se pressionaram firmemente um contra o outro, encaixando-se perfeitamente como duas peças de quebra-cabeça.

Inês não pôde deixar de rir da inocência do gesto. Era estranho, visto que a maneira como seus seios estavam esmagados contra o peito firme dele e a maneira como seu membro longo e considerável pressionava contra o estômago dela não pareciam nada inocentes.

— Um passeio? Para onde?

— Há uma cabana que meu avô costumava frequentar não muito longe daqui.

— Uma cabana?

— Espere, talvez seja um pouco longe... — Cássel franziu o nariz, tentando se lembrar.

Inês achou a expressão intrigada dele cativante. O fato de não se repreender por tais pensamentos sugeria sua crescente aceitação de seus próprios sentimentos. Enquanto esperava que ele se lembrasse da localização da cabana, ela traçou distraidamente os dedos pela lateral dele.

Quando seu toque se aventurou até os músculos tensos do peito dele e começou a acariciar seu mamilo, ele agarrou a mão dela.

— Essa é uma mão travessa que você tem aí, Inês.

— Então? É longe? — ela perguntou com indiferença, continuando sua exploração brincalhona apesar da intervenção dele.

— É uma viagem um pouco longa de carruagem — respondeu ele com igual indiferença, aparentemente não afetado pela provocação dela. — Levei um momento para avaliar a distância porque sempre íamos lá a cavalo. Suponho que podemos pegar a carruagem até perto da montanha, então... sim, podemos montar meu cavalo juntos. Deve levar apenas mais meia hora.

— Por que não fazer o caminho todo a cavalo? — ela perguntou.

— Será difícil galopar a toda velocidade com duas pessoas em um cavalo. Não será muito mais rápido do que ir de carruagem.

— Não, quero dizer você e eu montando cavalos separadamente — ela especificou.

— Ah, você monta, não é? — disse ele, tendo acabado de se lembrar.

— Monto.

— Mas você disse que só montou algumas vezes. Consegue lidar com a viagem pelo vale?

— Acredito que será emocionante.

— O caminho é perigoso para novatos — apontou Cássel.

— Você estará lá para me guiar. Você prometeu me ensinar — lembrou Inês.

— Sim, mas eu pretendia te ensinar em um caminho mais suave, não em uma trilha na montanha — disse ele. — Além disso, você não vai ficar entediada no caminho?

Ele parecia levemente preocupado. Era porque ele sabia o quão fechada tinha sido a criação dela. Ela sempre fora avessa à atividade física e não gostava de qualquer atividade que exigisse movimentação ao ar livre. Ela sempre preferira ficar dentro de casa e ler livros, mal socializando.

E, no entanto, estranhamente, Inês exibia uma destreza e reflexos surpreendentes. Sua estrutura pequena e delicada desmentia seus movimentos hábeis.

Ele podia dizer pela dança praticada, elegante e perfeita dela, bem como pelas sutilezas em seu amor, e até mesmo pela precisão de seus tapas durante aquele incidente. Ela certamente não era forte, mas se movia com a postura de um indivíduo bem treinado.

— Eu realmente acho que você se destacará quando tiver aprendido.

Como Inês parecia imersa em pensamentos, Cássel estreitou os olhos e se convenceu. Voltando ao assunto em questão, ele suspirou.

— Mas ainda assim, como posso deixar você se aventurar na montanha? É muito perigoso, Inês.

— O que eu sou, um animal? — ela retrucou.

— Inês, você poderia perder a vida se cair de um cavalo mesmo em terreno plano.

— Para ser honesta... — ela começou, ligeiramente hesitante. — Não sou tão inexperiente quanto disse.

— Não é?

— Eu... tive aulas por um tempo.

Ela achou difícil confessar esse fato. De alguma forma, seus hábitos reais, hobbies e coisas assim eram sempre tão difíceis de admitir, como se estivessem cobertos pela casca de seu eu atual. Ela não sabia dizer se era porque estivera muito estressada ou porque conscientemente desprezava seu verdadeiro eu.

Esses hábitos e hobbies não eram dela nesta vida, afinal.

Ela nunca fizera nenhum deles. E nunca aprendera.

Mas ela se viu imaginando se não haveria problema em admitir coisas tão pequenas e insignificantes agora. Ninguém ia desmembrar a história dela por causa disso.

Nenhuma pessoa sabia sobre cada vida dela, cada hora que passara em Perez, Mendoza, Calztela. Até sua própria família mal a conhecia nesta vida.

Então, qual era o problema? Nada de ruim aconteceria ao admitir uma única coisa que ela costumava gostar para Cássel Escalante. Mesmo que ela lhe dissesse duas ou três coisas, ela sentia que não seria grande coisa.

— Quando você aprendeu?

— Há muito tempo. Quando eu era muito jovem. Por alguns anos.

— Vários anos, até? Isso é incrível.

Quando eram apenas os dois, pelo menos.

— Talvez você seja melhor montando a cavalo do que eu.

Contanto que Cássel Escalante estivesse sorrindo para ela assim, sem um pingo de intenção oculta.

Esconder seus verdadeiros sentimentos e ser calculista parecia sem sentido enquanto ela olhava para o rosto dele. Este homem nunca a culparia por esconder algo dele. Ela não sentia mais vontade de pensar muito na presença dele. Ela também não queria mais tirar conclusões.

Ela desejava que o tempo simplesmente parasse. Que ela pudesse ficar neste momento no tempo, em sua vida em Calztela, sem ter que pensar em Mendoza novamente.

— Eu só sei montar.

Ela nunca imaginara que admitir uma pequena verdade sobre si mesma pudesse ser tão calmante. A ponta de sua língua parecia quase dormente de tão fácil que fora dizer aquelas palavras.

Parecia que sua vida estava em um espaço seguro, cercado por limites que impediam que qualquer coisa ruim acontecesse. Ela não se lembrava da última vez que se sentira assim. Sua segunda vida começara com uma fuga e terminara em morte. Sua primeira vida fora gasta descendo ao desespero no topo da alta sociedade. Memórias de se sentir segura estavam tão distantes agora que ela não conseguia pensar em nenhuma.

Era como se ela nunca tivesse vivido assim. Como se suas vidas nunca tivessem sido completas, apesar de colocar o amor em um pedestal e cercar-se de poder.

— Do que estamos falando aqui? Você consegue montar por várias horas seguidas? Você nunca deve ter tido a chance de tentar.

— Não tive, mas acho que vai ficar tudo bem — disse ela a ele.

— Então você está confiante.

— Se eu ficar muito cansada no meio do caminho, você pode simplesmente me deixar montar com você — ela apontou.

— Ah. Certo.

Talvez nos bons velhos tempos, com os quais ela acabara de sonhar... Sim, pensou ela. Seus dias deviam ter sido semelhantes a isso naquela época. Muito, muito tempo atrás.

No passado distante, quando eu costumava ver seu eu jovem.

Ela se perguntou se as memórias com as quais sonhara eram realmente dela.

A direção de sua memória distante era paralela à realidade, não igual a ela. Pelo menos esse era o caso para Inês, que nunca experimentara envelhecer.

Ela nunca passara pelos estágios de mudança da vida com a idade. O máximo que vivera fora até os vinte e seis anos. Agora parecia haver uma queda acentuada além desse tempo, como a beira de um penhasco.

O tempo passava por ela enquanto ela permanecia no lugar, os restos de sua vida cobrindo-a como um lençol fino junto com seu desespero e seu espírito quebrado. Como um fantasma vagando por aí, nunca envelhecendo.

Tanto a vida quanto o tempo pareciam um desperdício, se ela acabaria no mesmo lugar não importasse que tipo de vida vivesse. Já era difícil o suficiente fingir que não era louca.

Ela não podia acreditar que tudo o que esperava era morrer adequadamente. Ela estava em sua terceira chance de vida, mas quando todos esperavam ir para o céu, tudo o que ela queria era permanecer morta. Era um desejo terrivelmente chato.

Inês de repente percebeu que estava extremamente exausta de vagar fora desses limites. De caminhar ou rastejar através de toda a ansiedade.

E ela também percebeu que não queria mais viver assim.

— Tem certeza? Não será muito cansativo para você? — ele perguntou.

— Tenho certeza.

— É o que você diz agora.

— Cássel, quantas vezes tenho que explicar que estou perfeitamente saudável agora?

Eu não quero mais fazer isso. Não quero continuar vagando assim, não sendo eu mesma e tremendo de medo...

— Quantas vezes tenho que explicar a você o quanto estou preocupado com você? — ele respondeu suavemente.

Seus olhos arderam com lágrimas não derramadas. Como ele era capaz de fazer tudo ficar bem sem saber de nada?

Agora que ela pensava sobre isso, não tinha ideia de por que considerava estar ao lado dele, dentro de seus limites. Ela sempre tomara a paz deste espaço seguro como garantida. Ela também não sabia dizer por que o considerava separado do exterior.

Por que continuo esquecendo as coisas quando estou com você? Por que continuo relaxando tanto?

Por que minhas ansiedades desaparecem?

— Vá em frente, então. Eu sei o quão preguiçosa você pode ser, apesar de sua postura. Assim como sou bastante diligente, ao contrário da minha aparência.

— Isso mesmo — ela murmurou.

— E no final, minhas preocupações sempre superarão sua teimosia, Inês.

Deve ser, pensou ela, porque ele fez de todas as preocupações dela as dele. Porque ele estava tão preocupado com ela, a ponto de ter febre de tanto pensar. Porque você se importa mais comigo do que eu.

Porque sou preguiçosa, exatamente como você disse. Odeio ser incomodada, e tenho dificuldade em levantar de manhã, e...

— Ainda assim, não quero ir de carruagem. Quero montar a cavalo. Eu mesma.

— Tudo bem. Faça como quiser — disse ele. — Mandarei a carruagem nos seguir caso precisemos. Ah, e sobre aquela cabana...

— Sim?

— Na verdade, é um chalé nos campos de caça do meu avô. Não é bem uma cabana, mas um pouco melhor do que apenas um chalé. De qualquer forma, você pode ficar desapontada quando chegarmos lá, mas como esta casa já a decepcionou, você deve estar acostumada a esse tipo de decepção, certo?

— Eu disse a você, não fiquei decepcionada com esta casa — ela o lembrou.

— A cabana é agradável por dentro. A vista também não é ruim, e como é cercada por todos os lados por quilômetros de propriedade dos Escalante, você vai gostar de como é silenciosa.

— Parece bom — disse ela.

— Não vamos levar mais ninguém conosco.

— Tudo bem.

— Levaremos pilhas dos livros que você gosta e leremos, e à noite, trarei algo que cacei, e se for bom o suficiente, podemos grelhar, e...

Ela o interrompeu no meio de seu devaneio sonhador.

— Na verdade, eu gosto de andar a cavalo, Cássel.

Ele piscou por um momento, surpreso com o anúncio repentino dela que não tinha nada a ver com o que ele estava falando, mas então seus lábios se abriram em um sorriso.

— Gosta? Queria ter sabido antes. Há um lugar legal para galopar aqui perto.

— Eu gosto de caçar também — ela lhe disse seriamente.

— Caçar? — ele repetiu.

— Aprendi a atirar há muito tempo também. Eu realmente sei como fazer e... eu gosto.

— Inês, você está tentando me surpreender hoje?

— Então faça comigo. Tudo isso.

Lágrimas bobas ameaçaram cair quando ela falou aquelas palavras bobas. Inês levantou a mão e pressionou as pálpebras por um momento antes de dar um beijo em Cássel para impedi-lo de olhá-la com surpresa. Seus lábios pressionaram desajeitadamente o canto da boca dele, então ele inclinou a cabeça ligeiramente para beijá-la adequadamente.

Quero fazer isso com você de novo, como antes. Quero cavalgar e caçar junto com você. Quero ver o jovem Cássel Escalante das minhas memórias todo crescido.

Quero viver assim de novo...

Ela de repente se sentiu completamente exposta depois de confessar coisas tão triviais a ele. A vergonha parecia ainda pior por causa dos pensamentos que preencheram sua cabeça depois.

Mas ela já estava nua diante dele, tanto figurativa quanto literalmente, então o que importava? Seu coração se acalmou com aquele pensamento bobo, mas claro. O calor que envolvia seu corpo nu, a grande estrutura dele abraçando-a parecia tão reconfortante. Era como se ela estivesse no lugar mais seguro do mundo. Nos braços dele.

— Tudo bem. Vamos caçar juntos, Inês.

Ele se afastou por um momento para lhe dizer isso antes de pressionar os lábios contra os dela novamente. Ela sentiu que era incrivelmente contraditório da parte dela querer que este momento durasse para sempre quando ela sempre desejara que o tempo passasse rapidamente por ela.

Cássel, para ela, era a maior contradição de todas.


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