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Capítulo 82 — Um Segredo Vital

— Você precisa pegar algo para mim, Balan.

— Perdão?

Raúl mal havia passado pela porta aberta do closet quando seu mestre falou, sem se dar ao trabalho de se virar. Ele jogou de lado a bolsa de couro que estivera vasculhando, como se não fosse mais necessária.

— Esgotei meu suprimento de remédios — explicou Cássel.

— Remédios? De que tipo? — Os olhos de Raúl se arregalaram ao perceber o que isso poderia significar. — Não me diga...

— Não te diga o quê?

— Meu senhor, pode ser que seu recente colapso não tenha sido simplesmente devido a pensar demais? — perguntou Raúl, visivelmente chocado.

— Aquilo foi meramente resultado de excesso de trabalho e febre. Entenda direito, Balan, ou vou te jogar dos penhascos de Logorño.

— Vejo que o senhor foi além de ameaçar me transformar em uma roda de carruagem — murmurou Raúl antes de retornar ao assunto em questão. — Quero dizer, o senhor estava dizendo algo sobre ficar sem remédios?

— Precisamente. Saia e cavalgue rapidamente para El Tabeo — ordenou Cássel, espantando-o sem especificar mais. Ele nem sequer disse ao seu valete o destino.

Quando Raúl olhou para ele questionadoramente, Cássel suspirou, como se esperasse que ele soubesse para onde ir sem perguntar.

Ele presume que agora posso ler sua mente? pensou Raúl consigo mesmo. Mas ele sabia que sua própria competência era a culpada.

Ele se perguntou como Cássel havia se virado sem um servo tão leal ao seu lado. Raúl obedientemente puxou um caderno, pronto para anotar as instruções de seu mestre.

— El Tabeo, em direção ao novo distrito, não ao antigo. Siga a rua em frente a partir da fonte no centro da praça no novo distrito, e... por que você está balançando a cabeça assim?

— Minhas tarefas habituais me levam ao antigo distrito. No entanto, acredito que peguei a ideia geral.

— Não vou perdoá-lo se voltar de mãos vazias porque meramente pegou a ideia geral, Balan.

— Se o senhor tivesse me dito antes, meu senhor, eu poderia ter passado lá no meu caminho de volta de El Tabeo hoje...

— Obviamente — Cássel o interrompeu em um tom de repreensão. — Poupe-me de tais comentários.

— De qualquer forma, continue em frente a partir daí e você verá uma placa laranja à esquerda, escrito Rivera, projetando-se para a rua. Depois de passar por aquele grande pub, é o terceiro prédio no próximo beco. Encontre a porta azul. Abra-a e desça as escadas. Um médico chamado Pablo mora lá.

— Terceiro prédio... Porta azul... Descer... — murmurou Raúl enquanto anotava as direções.

Assim que ele olhou para cima, Cássel removeu uma abotoadura e a jogou em sua direção. Raúl conseguiu pegá-la com seu caderno aberto, lançando um olhar intrigado para seu mestre.

— O pagamento pelo remédio — afirmou Cássel.

Raúl engasgou internamente. Era uma quantia considerável para remédios.

— Vá.

Cássel gesticulou em direção à porta com o queixo, como se dispensasse um cavalo com um tapa nos quartos traseiros. Ele parecia estar com pressa, mas Raúl sabia que era seu dever como valete entender a gravidade das condições médicas de seu mestre.

Era obviamente algo sério, a julgar pelo custo do remédio.

— Então, que tipo de remédio é esse?

— Não é da sua conta — respondeu Cássel com indiferença.

— O senhor precisa de uma dose diária? — persistiu Raúl.

— Por acaso, preciso sim. — Um sorriso sutil repuxou o rosto de outra forma inexpressivo de Cássel.

Raúl imaginou que não era a doença grave de seu mestre que o fazia sorrir daquele jeito. Ele já vira aquele sorriso antes. Com a testa franzida, Raúl ponderou consigo mesmo.

— Vá logo — Cássel o apressou.

— Quantas vezes por dia o senhor precisa? Depois do café da manhã e do jantar? Ou depois do almoço, até? O que é exatamente? — Raúl continuou a perguntar.

— Inês não é quem precisa. Por que você está de repente tão interessado nos meus assuntos? — Cássel rebateu.

— Meu senhor, o senhor realmente não está com boa saúde?

O sorriso de Cássel desapareceu, suas sobrancelhas franzindo em aborrecimento.

— Você parece pronto para fazer as malas de Inês se eu disser que estou realmente doente.

— Estou simplesmente preocupado, meu senhor.

— Tilidad — disse Cássel.

— Perdão?

— É um remédio que serve para prevenir a gravidez.

O queixo de Raúl caiu no chão.

— O senhor está me dizendo que tem alimentado secretamente Sua Senhora com tal coisa?

— Não seja absurdo — disparou Cássel.

— Mas o senhor sabe muito bem que ela deseja ter filhos!

— Ela deseja, mas não posso submetê-la aos riscos da gravidez. Além disso, eu não confiaria naquele médico para fazer nada para Inês. Ela é delicada demais... Tilidad é para homens.

A careta horrorizada de Raúl suavizou rapidamente.

— Eu... nunca ouvi falar de tal remédio, meu senhor.

— Homens não se importam com as consequências após o sexo, então você provavelmente nunca ouviu falar. Os médicos colocam um preço nele conforme desejam.

— Isso significa que torna o usuário estéril? — perguntou Raúl.

— Cuidado com a língua. Não sou estéril.

— Minhas desculpas. Quero dizer... temporariamente?

— Sim — confirmou Cássel.

— O uso prolongado poderia levar à esterilidade permanente...? — arriscou Raúl cautelosamente.

A quantidade de respeito que ele nutria por seu mestre diminuiu visivelmente na maneira como ele olhou para Cássel.

— Tilidad é o remédio mais eficaz para homens no momento, mas não garante prevenção perfeita.

Raúl estreitou os olhos em confusão.

— Ouvi dizer que é muito mais eficaz para a mulher tomar uma erva medicinal diferente. É muito mais potente e imediata.

— Então por que...

— Inês deseja engravidar, então ela não tomaria o remédio de qualquer maneira, mas eu não gostaria que ela tomasse mesmo se quisesse. Quem sabe que efeitos colaterais teria? No caso do Tilidad, que nos deixa a menor possibilidade de ainda engravidar... se engravidarmos dessa maneira, então é o destino, e eu aceitarei. Inês queria isso em primeiro lugar. Eu não, mas ainda assim seria aceito.

Raúl ainda estava confuso.

— De qualquer forma, não posso deixar Inês tomar nenhum medicamento assim.

— Mas... e quanto aos efeitos colaterais que o senhor pode sofrer com o Tilidad, meu senhor?

— O pior que pode fazer é me matar — respondeu Cássel com indiferença.

Raúl ficou sem palavras.

— Não se preocupe. Conheço alguns homens que o tomam há décadas e ainda estão vivos e bem.

A resposta dele, que era claramente para tranquilizar Raúl, foi tão descuidada que de alguma forma o fez se sentir pior. Raúl fez uma careta. Eu entendo que é seguro o suficiente, mas...

— O que a minha Senhora fez para merecer ser viúva? — perguntou ele.

— Ela me quis, foi isso que ela fez.

Oh. Raúl de repente se lembrou de onde vira aquele sorriso estranho em Cássel. Era uma sensação de alegria estranhamente lasciva e, no entanto, inocente... Ele sempre sorria assim quando tinha pensamentos impuros sobre sua esposa.

— Realmente, a melhor maneira de garantir que não engravidemos é evitar fazer sexo — continuou Cássel, contra a vontade de Raúl.

Raúl permaneceu calado.

— Eu adoraria me abster de fazer amor, mas infelizmente, sua senhora é insaciável como uma leoa.

Raúl duvidava que seu mestre quisesse se abster de tal coisa, mas escolheu não dizer nada e cobriu os ouvidos, bloqueando o que quer que Cássel tivesse a dizer sobre o assunto. Raúl não tinha desejo de ouvir sua sagrada senhora sendo falada de tal maneira.

— Ela rasgou minha camisa no escritório ontem, sabe.

Assim que Raúl baixou as mãos dos ouvidos, imaginando que Cássel já devia ter terminado, foi forçado a ouvir essa frase. Cássel sorria timidamente para si mesmo, nem olhando mais para Raúl. Timidez não combina nada com ele, pensou Raúl consigo mesmo antes de soltar um suspiro.

Seu mestre e sua senhora vinham fazendo tanto barulho ultimamente que a pobre Arondra subira as escadas outro dia apenas para descer correndo, o rosto vermelho, e proibir todos de sequer chegarem perto das escadas.

Ele não deu um passo sequer atrás em sua adoração inquestionável por sua esposa, Raúl se perguntava como alguém poderia chamar uma mulher de frágil quando ela aparentemente rasgara a camisa de um homem com as próprias mãos. Os olhos de Raúl ficaram turvos enquanto perguntas demais inundavam sua mente.

— Como devo resistir quando Inês me quer tanto? Uma vez que sou pego nisso, não há como voltar atrás.

— Por favor... meu senhor, por favor, pare. Eu lhe suplico — disse Raúl, com a voz estrangulada.

— Antes de começarmos a fazer todos os dias, eu não estava preocupado o suficiente para pensar em tomar remédios — explicou Cássel.

Era como se ele não tivesse quase expulsado Raúl da sala mais cedo porque estava com tanta pressa. Cássel agora estava expondo seu dilema sem se conter. Raúl sentiu como se tivesse cutucado uma colmeia e ficou ali, cheio de arrependimento.

— Antes disso, eu costumava ficar de olho na frequência com que fazíamos. Eu sentia que o sexo em si cobrava um preço do corpo dela, e engravidar... bem, já que Inês deseja, eu não podia simplesmente tornar impossível.

Raúl o encarou em silêncio.

— É por isso que fiz o meu melhor para não fazer com muita frequência e não ir até o fim se fizéssemos, mas... droga. Como devo resistir a Inês subindo no meu colo? Como devo resistir a ela me tocando? Como posso não fazer com ela quando ela diz que quer? Ela me quer, então como eu poderia não dar a ela? Como desvio o olhar quando ela tira as próprias roupas? O que devo fazer, fugir quando ela vem para cima de mim? Empurrá-la quando ela me beija? Gritar como uma virgem e dizer a ela 'Não, você não deve!' quando ela tira minhas roupas? Como ouso desobedecê-la quando ela me ordena ir até o fim? Não posso simplesmente ignorar as necessidades sexuais da minha esposa!

Raúl lhe deu um olhar de empatia sem alma e sem voz. Entendo, então o senhor tem passado por um momento tão difícil quando parece perfeitamente feliz.

Cássel apertou a ponte do nariz como se estivesse genuinamente perturbado.

— Antes de saber que Inês tinha passado mal no passado, eu estava ansioso para montá-la todos os dias como um cachorro no cio, mas... as coisas mudaram.

O sorriso tímido de Cássel de antes se transformara em um olhar sério de profunda angústia. Mas, apesar de suas expressões teatrais, ele estava apenas falando sobre fazer sexo com a esposa. Raúl levou a mão à cabeça dolorida e falou com cautela.

— Em primeiro lugar, a doença dela está toda no passado, e a Senhora Inês realmente está perfeitamente saudável agora. Entendo que o senhor esteja preocupado, meu senhor, mas...

— A gravidez pode matar até a mais saudável das mulheres. Quem sabe quando ela pode cair dura de repente quando parecia perfeitamente bem antes?

— Bem, sim, mas... essa possibilidade é muito baixa. Mais importante, ela deseja isso, não é?

— Eu sei.

— Se ela descobrisse sobre isso, ela não ficaria simplesmente chateada. Entendo que o senhor esteja fazendo isso por preocupação com a saúde dela, mas este é um assunto muito sério, e o fato de o senhor não ter discutido com ela e ter escondido dela iria...

— Se você mantiver a boca fechada, Balan, será como se eu nunca tivesse escondido nada de Inês — interrompeu Cássel, lançando-lhe um olhar frio.

Raúl calou a boca como se tivesse acabado de ser ameaçado.

— Eu não desejo que Inês nunca engravide. Só não é a hora certa ainda. Eu gostaria de ver o filho de Inês também. Muito mais do que ela deseja simplesmente terminar o serviço.

Raúl estremeceu como se tivesse sido pego contando uma mentira. Parecia que Cássel de alguma forma sabia sobre o plano de Inês de acabar com aquele casamento. Raúl simplesmente ouviu, escolhendo não comentar.

— Mas eu também quero que Inês continue viva depois que a criança nascer. Então me recuso a considerar o lado dela, já que ela fala como se seu próprio bem-estar não importasse. É por isso que não posso discutir isso com ela, o que torna inevitável que eu esconda isso dela.

— E se eu mantiver a boca fechada...

— Então será como se eu nunca tivesse escondido nada de Inês.

De alguma forma, o número de segredos que Raúl guardava de sua senhora aumentava a cada dia. O sofrimento de seu servo leal também piorava a cada dia.

Ele não podia acreditar que seu mestre o transformaria em cúmplice desse jeito.

— Claro, só precisamos esconder esse segredo de Inês até podermos encontrar o médico Peraline. Quando eu o encontrar, perguntarei sobre o impacto potencial da gravidez na saúde dela e então decidirei — disse Cássel.

— Sim, meu senhor, entendido... — respondeu Raúl, embora com relutância.

— Alguma notícia de Peral?

— A busca continua, mas até agora, sem sucesso.

— Entendo — assentiu Cássel. — Dada sua dedicação a Inês, confio que você esteja exercendo seu máximo esforço nisso.

Na verdade, Raúl vinha seguindo as ordens de Inês para despistar os outros que procuravam o médico, tudo isso enquanto fingia cumprir as ordens de Cássel. Mas, talvez fosse hora de amarrar as pontas soltas. Raúl assentiu, contando mentalmente a lista de homens de confiança para despachar para Peral.

— Vou me retirar, meu senhor — disse Raúl com um aceno educado de cabeça.

— Ah, a caminho de El Tabeo, faça um desvio para o antigo distrito e visite a joalheria de Doña Angelica.

— O senhor está considerando outro presente para Sua Senhora?

— Sim, eles disseram que entrariam em contato comigo, mas não tenho notícias deles há um tempo.

Raúl franziu a testa. Como um mero joalheiro de El Tabeo poderia desconsiderar o pedido de Escalante?

Vendo a descrença no rosto de Raúl, Cássel acrescentou:

— Dê meu nome ao dono da loja e ele saberá. Pergunte se ele teve notícias do dono original do pingente.

— E o que direi se ele ainda não tiver recebido notícias?

— Nesse caso, há pouco a ser feito. — A voz de Cássel soou quase indiferente.

Às vezes, Cássel agia como um aristocrata egocêntrico e cheio de direitos, tomando a assistência de seu valete como garantida. Mas em outras ocasiões, ele exibia tamanha generosidade e graça que respeitava a autoridade de um humilde joalheiro acima de seus próprios desejos.

— Eu poderia pressionar o joalheiro até que ele contate o dono original — sugeriu Raúl.

Ou até que o homem desista e finja ter obtido a confirmação do dono do pingente, acrescentou Raúl interiormente. Se conseguisse isso, seu mestre pararia de esperar em vão por notícias do joalheiro.

Cássel balançou a cabeça, discernindo as implicações do curso de ação proposto por Raúl.

— A posse pertence legitimamente a outro. Não posso obrigar o dono da loja a abandonar sua integridade voltando atrás em sua palavra.

— Mas se o dono o penhorou devido a restrições financeiras, eles não estariam cientes do risco de ser vendido antes que pudessem recuperá-lo?

— Evidentemente, esse não foi o caso com este pingente em questão.

— Então, por que o dono o confiaria a um joalheiro?

— Talvez para custódia — sugeriu Cássel. — O dono pode não ter endereço fixo.

— O que implica que o pingente pode ser um item roubado. Um ladrão deve tê-lo escondido longe de sua origem, planejando recuperá-lo mais tarde.

Cássel deu de ombros em concordância parcial.

Raúl pensou mais sobre esse cenário e franziu o nariz ligeiramente.

— Não, não... Se eu fosse o ladrão, venderia o pingente o mais rápido possível para me livrar dele... Mas, por outro lado, vendê-lo rápido demais pode levantar suspeitas...

Antes que Raúl pudesse se aprofundar mais, Cássel interrompeu:

— Ou talvez o pingente fosse valioso demais para ele carregar.

— O senhor é excessivamente otimista, meu senhor. Minha aposta é que ele seja um ladrão comum.

— O pingente estava em exibição na vitrine da loja — o que é um péssimo esconderijo para mercadorias roubadas.

— Claro, mas... — Raúl vacilou.

— Se o dono simplesmente se sentiu desconfortável em mantê-lo por perto, a decisão dele parece sensata — raciocinou Cássel.

— Então... ele só queria se distanciar dele...?

— Essa é uma possibilidade, mais plausível do que roubo. Independentemente disso, ainda acho o assunto todo estranho. Talvez o dono simplesmente quisesse exibi-lo?

— Que maneira estranha de se exibir... — murmurou Raúl.

— Ou ele esperava que alguém nesta cidade o notasse? — ponderou Cássel.

Raúl apenas deu de ombros.

— Tem certeza de que não é roubado?

— Tenho a sensação de que não é — respondeu Cássel.

Que conhecimento de joias finas seu mestre tinha para discernir se era roubado ou não apenas pelo instinto? Tudo o que ele fizera foi comprá-las em grandes quantidades... Raúl escondeu com tato seus verdadeiros pensamentos e aborrecimento.

— Muito bem. Mas por que o joalheiro exibiria algo que não está à venda?

— Fiz a mesma pergunta, mas não recebi resposta satisfatória.

— Que absurdo... — resmungou Raúl.

Cássel riu da frustração no rosto de Raúl.

— Duvido que tenha sido por brincadeira ou para me irritar. O pingente parece pertencer a alguma senhora idosa e devota.

— Meu senhor, por que o senhor iria querer presentear algo assim a Sua Senhora...? — Raúl não pôde deixar de se perguntar em voz alta.

— Porque é o que ela queria — respondeu Cássel simplesmente.

Ela queria comprar algo que combinaria com uma senhora idosa e devota? pensou Raúl.

Cássel lembrou-se do antigo pingente e murmurou:

— E a cor dele estranhamente me lembra os olhos dela.

✽ ✽ ✽

Raúl ficou ereto, braços cruzados, fixando o balconista com um olhar impaciente.

— Quanto tempo mais meu mestre deve esperar por isso?

Não havia nada como uma postura severa para agilizar as coisas. Raúl sabia que precisava se impor desde o início para obter resultados rápidos.

O balconista gaguejou:

— Bem, veja bem... Eu ofereci a Lorde Escalante a chance de colocar as mãos nele imediatamente, ao custo de pagar ao dono original o dobro do valor.

Lamentavelmente, esse era precisamente o plano de Raúl.

— E ele recusou a oferta?

— Ele insistiu que deseja comprá-lo como presente, não roubá-lo...

Raúl revirou os olhos internamente. Seu mestre era um homem de princípios inabaláveis quase beirando a teimosia.

A princípio, Raúl pensara que o dono e o balconista desta pequena joalheria e casa de penhores eram os teimosos, como seu exterior antiquado sugeria. No entanto, mesmo aqueles que administravam uma loja tão antiquada estavam dispostos a abrir exceções. Por que seu mestre priorizava os sentimentos de um estranho que havia abandonado seus objetos de valor em um lugar como este?

— Aparentemente, Lorde Escalante parecia pronto para esperar o tempo que fosse necessário, até anos, se necessário. Ele me disse para contatá-lo assim que eu tivesse notícias do dono original e que pagaria qualquer preço que eu nomeasse. Ele até deixou um depósito no valor maior do que o próprio item... Então, presumi que ele não se importaria em esperar... Eu não esperava que o senhor, Sr. Balan, aparecesse exigindo o pingente agora...

— Você acha que meu mestre não tem nada melhor para ocupar seu tempo?

O balconista olhou sem noção, tendo tido pouca interação com Cássel para saber se ele era ocupado ou não.

— Esqueça. — Raúl mudou de assunto. — Então, e se aceitarmos sua oferta e pagarmos o dobro do valor agora?

— Meu patrão não concordaria com isso... — disse o balconista.

— Mas você não propôs o mesmo acordo ao meu mestre antes? — exclamou Raúl, ficando frustrado.

— Fiz essa oferta por capricho... Meu patrão não estava lá na hora. Mais tarde, ele me repreendeu por dizer tal coisa.

— Então, essa não é a maneira usual de vocês fazerem negócios?

— Ocasionalmente... mas ele disse que este pingente é especial demais para se livrar assim.

Raúl olhou ao redor.

— Onde ele está?

— Perdão?

— O pingente especial que você mencionou? — A frustração invadiu a voz de Raúl. Ele detestava deixar tarefas inacabadas. Independentemente das expectativas de seu empregador, Raúl só ficava satisfeito quando as superava.

Infelizmente, ele agora tinha pouca escolha a não ser admitir a derrota e voltar de mãos vazias.

Ele examinou a loja, mas não conseguiu avistar o pingente de peridoto. Como tanto seu mestre quanto sua mestra poderiam falhar em conseguir algo que desejavam? Talvez o dono da loja soubesse pouco sobre como o mundo funcionava? Mas como ele poderia operar um negócio em El Tabeo sem conhecer os Escalantes?

— Não está mais em exibição. — O balconista disse, alcançando a gaveta sob o balcão. — Aqui... — Ele recuperou uma pequena caixa e abriu cuidadosamente a tampa. — Removemos da exibição desde que os Escalantes pediram por ele.

Raúl encarou o pingente dentro da caixa; de alguma forma, sentiu uma estranha sensação de familiaridade.


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