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Capítulo 84 — Uma Nova Faceta

 — O que acha deste vestido, Arondra? — perguntou Inês.

— É leve o suficiente para que a senhora se mova livremente, mas o frio da montanha pode penetrar. É mais adequado para o outono. E se a senhora pegar um resfriado, minha senhora? — Arondra expressou preocupação.

— Você fez este manto para mim, Arondra. Ele me manterá aquecida — lembrou Inês, erguendo o manto de veludo azul-escuro estendido sobre o braço do sofá.

Enquanto Inês o segurava contra os ombros, seus movimentos carregavam um ar extravagante, como se exibisse o quão bem ele ficava nela, amparada pela adoração inabalável de Arondra. Elas pareciam uma jovem mimada e sua babá indulgente, exatamente como Raúl pensara uma vez.

Enquanto isso, atrás delas, Kara estava ocupada separando as roupas de Inês, procurando algo adequado para andar a cavalo.

— Ainda assim, haverá muita corrente de ar — insistiu Arondra.

— Se você diz — aquiesceu Inês com um encolher de ombros.

— Que tal este vestido, minha senhora? — sugeriu Kara. — A barra cai acima dos tornozelos, então será fácil de se mover. A senhora pode usar meias de lã e botas por baixo para se manter aquecida.

— Complementa este manto esplendidamente. Eu gosto. Que seja o primeiro traje que empacotaremos.

— Se eu soubesse disso, teria encomendado alguns vestidos de montaria ao alfaiate com antecedência. — Arondra colocou a mão na testa, aparentemente sobrecarregada pela falta de preparação.

Inês deu de ombros novamente.

— De qualquer forma, terei que prender a saia sob as pernas enquanto monto.

— Não seria perigoso? É um caminho tão longo... só de pensar me deixa ansiosa — disse Arondra.

— Não há necessidade de se preocupar. Sou adepta da equitação — tranquilizou Inês.

— Claro que a senhora é, minha querida senhora. Não há nada que não possa fazer. Mas ainda assim, é uma jornada tão longa. E se o cavalo enlouquecer e tentar derrubá-la?

— Por que um corcel bem treinado faria tal coisa de repente? Você disse que eles são do Castelo de Esposa.

A preocupação de Arondra persistiu.

— É perigoso, frio e tão longe... Por que Sua Senhoria escolheu esta época do ano? E tão de repente, também. A senhora ficará fora por quatro dias inteiros. Poderiam ter nos avisado, para que pudéssemos fazer preparativos melhores. E por que ele quer levá-la para as montanhas quando temos lagos serenos e praias por perto? Homens, honestamente...

— Posso ver o oceano daqui todos os dias. Quero ver a floresta — explicou Inês, sorrindo brilhantemente enquanto estudava o vestido que Kara apresentara sem dizer nada. — E eu também queria fazer essa viagem — acrescentou.

— A senhora parece bastante alegre, minha senhora.

— Não há razão para não estar — respondeu Inês.

— Não, quero dizer... a senhora parece genuinamente feliz — esclareceu a governanta.

— Você acha?

— É tão bom ver a senhora sorrir assim. Não concorda, Kara?

— Sua Senhoria e Sua Senhora certamente compartilham um vínculo especial — comentou Kara com um sorriso atrevido.

Inês permaneceu imperturbável com a observação da criada. Ela entregou a Kara outro traje que acabara de escolher para empacotar.

Arondra de repente parou de sorrir, e sua ansiedade recomeçou.

— A senhora ficará realmente bem sem nenhum criado? Como pôde não levar nenhum de nós?

— Ele disse que queria que fôssemos apenas nós dois lá — explicou Inês.

— Isso pode soar bom, mas não é apenas um dia ou dois... Há tantas coisas que precisam ser feitas! Quem vai pegar a lenha e manter o fogo aceso, aquecer a água do banho, acomodar e alimentar os cavalos, cozinhar e...

— Eu posso fazer tudo isso, Arondra.

— Santo Deus! Meu senhor!

Assustada com Cássel aparecendo de repente atrás dela, Arondra fez o sinal da cruz sobre o coração enquanto respirava fundo para se acalmar. Parecia que ela tinha acabado de evitar usar linguagem chula pelo susto.

Assim que a governanta começou a lamentar novamente, Inês, que já havia avistado Cássel parado na porta, imitou brincando borrifar água benta no topo da cabeça de Arondra.

Cássel pegou a mão dela como se a arrebatasse, beijou cada ponta do dedo afetuosamente e, finalmente, pressionou os lábios firmemente contra a palma da mão dela. Exatamente como fazia todos os dias ao voltar para casa.

✽ ✽ ✽

Quando ele acordou, era de manhã cedo, como costumava ser quando ele se levantava. Ele estava apenas meio acordado a princípio, olhos ainda fechados enquanto sua mão instintivamente buscava Inês ao seu lado. Era um gesto subconsciente, mas muito intencional, que ele repetia a cada amanhecer.

Sua mão continuou a vagar. Levou apenas alguns segundos para ele perceber que sua mão não tocava nada além do ar da manhã em vez de sua esposa.

Com um solavanco repentino, os olhos de Cássel se abriram, sua mão tateando os lençóis frios e vazios ao lado dele. Sentando-se ereto na cama, ele examinou o quarto mal iluminado pela chama tremeluzente da vela.

— Qual é o problema?

— Oh...

Seus olhos já haviam encontrado Inês, sentada à mesa com as pernas cruzadas, antes mesmo que ela o notasse. Era como se ela fosse o sol, e ele fosse um girassol instintivamente atraído pelo calor dela.

— O que você está procurando tão cedo de manhã?

— Você sumiu, então...

— Você estava me procurando? — perguntou Inês com um sorriso brincalhão e conhecedor, pousando sua xícara de chá.

Inês lhe deu um sorriso levemente brincalhão enquanto se sentava à mesa com as pernas cruzadas e pousava a xícara de chá que estava segurando. Era óbvio que ela sabia o que acabara de acontecer, já que o vira, e ainda assim escolheu questioná-lo de qualquer maneira.

Ele se sentiu como se tivesse acabado de perder um degrau na escada e tropeçado como um tolo na frente dela, visto que acabara de procurar sua esposa em um breve momento de pânico quando ela estava bem na sua frente.

Cássel esfregou o rosto algumas vezes, tentando afastar os resquícios de constrangimento antes de se levantar da cama.

— Quem mais eu estaria procurando? — disse ele.

Inês recostou-se na cadeira, um brilho malicioso nos olhos.

— Não sei. Eu estava aqui o tempo todo, então... talvez uma antiga paixão do seu passado com quem você sonhou?

— Você sabe que não tenho tal histórico — ele respondeu seriamente.

— Suponho que você sempre desprezou colocar um rótulo tão sério nas coisas. Nesse caso, talvez um encontro particularmente memorável? — ela continuou, imperturbável.

— Também não tenho ninguém assim... Espere, Inês. Por que você está me intimidando logo de manhã? — Ele estreitou os olhos para ela, percebendo a brincadeira dela.

Inês soltou uma risada.

— Porque é divertido ver você afobado — ela respondeu alegremente.

Ele a encarou sem palavras.

— Então? Você sonhou que estava dormindo com essa mulher? — ela perguntou.

— Eu não tenho sonhos assim, droga.

Embora ela estivesse obviamente provocando-o e desfrutando de uma brincadeira leve, Cássel deixou claro que não sonhava com outras mulheres. Ele estava precisamente ciente de onde se situava em seu relacionamento. Só porque sua esposa estava rindo não significava que ele tinha permissão para trivializar tal acusação, mesmo que feita por brincadeira. Ele se sentiu compelido a afirmar sua devoção.

Mas quando Inês simplesmente deu de ombros como se isso não importasse muito para ela, ele continuou, sua expressão ainda mais solene agora.

— Eu tenho sonhos assim, mas apenas com você.

— E o que você faz comigo nesses sonhos? — ela perguntou, levantando uma sobrancelha.

— Como eu disse, 'sonhos assim'. Não é óbvio sobre o que são?

— Apenas para alguém como você. Meus sonhos são bem diferentes dos de um homem com uma mente lasciva — ela retrucou com indiferença.

— Você já sabe muito bem que tenho uma mente lasciva, e como você é a única pessoa com quem sonho, obviamente...

Ela o interrompeu.

— Então, você ousou me despir e me assediar até nos seus sonhos, como se emaranhar os lençóis comigo à noite não fosse suficiente?

— Você simplesmente tem esse efeito em mim. Como eu poderia resistir? — ele respondeu alegremente enquanto se aproximava da mesa.

Inês sorriu brilhantemente, erguendo a xícara de chá em direção a Cássel. Em vez de pegá-la, ele se inclinou e tomou um pequeno gole da xícara dela em um movimento suave.

O tom de Inês soou afetuoso quando ela murmurou:

— Isso mesmo, Escalante. Caso contrário, eu poderia envenená-lo com este chá.

Era um testemunho da intimidade deles que tais ameaças divertidamente exageradas fossem trocadas casualmente. As palavras dela ressaltavam sua expectativa de que ele permanecesse fiel a ela, mesmo no reino dos sonhos. Embora velada em brincadeira, a afeição dela por ele parecia se expandir em linha com o relacionamento em evolução deles.

A única maneira que ele poderia interpretar o comentário dela era que ela gostava profundamente dele. Certamente, devia ser mais uma forma de expressão de afeto de Inês Escalante por ele.

Sua mente vagou para a ameaça brincalhona, saboreando a intensidade do afeto dela. Ele não podia acreditar que ela gostaria de envenená-lo até a morte com o mero pensamento de ele fazer amor com outra mulher em seu sonho — ele achou a ideia estranhamente cativante e eletrizante.

Cássel tomou outro gole feliz do chá e gentilmente baixou a mão dela segurando a xícara sobre a mesa, preocupado que ela pudesse forçar seu pulso delicado. Ele não parou de cobrir o topo da cabeça dela com beijos o tempo todo.

Ele tomara apenas dois goles, mas o amargor do chá persistia na ponta da língua. Como ele não gostava particularmente de beber chá, não sabia o nome, mas sabia que era o que Inês bebia para acordar sempre que se levantava tarde.

— Isso tem o gosto dos seus lábios ontem — ele comentou.

— Oh?

— Quando nos beijamos na porta da frente... — Cássel parou e se inclinou para outro beijo, buscando confirmação de sua lembrança.

O beijo foi repentino, mas Inês retribuiu como se o tivesse antecipado. Num flash, suas línguas se entrelaçaram em uma troca apaixonada, aprofundando o beijo sem hesitação antes de se separarem com indiferença.

Cássel passou a língua pelo lábio inferior.

— É o mesmo chá — confirmou ele.

— Você realmente precisava verificar isso? Parecia que você já sabia — apontou Inês.

— Pensei que fosse uma boa desculpa para te beijar. Talvez eu devesse ter dito: 'Isso tem um gosto familiar', para parecer mais inocente — ele ponderou, exibindo um sorriso brincalhão.

Ele estava incrível, vestido apenas com um par de calças brancas de casa abaixo de seu torso nu, mas sua aparência estava longe de ser inocente para os padrões de qualquer um. Inês soltou uma bufada de diversão seca, empurrando a xícara em direção a ele.

— Beba isso e recobre o juízo, Cássel.

— Tem um gosto horrível.

— Você estava sugando muito bem há um segundo — ela retrucou.

— Se estivesse espalhado pelo seu corpo, eu lamberia até veneno.

Ele tentou contornar a ordem dela com um sorriso lascivo, mas Inês o ignorou e gesticulou em direção à xícara com um aceno de cabeça.

Resignado, Cássel pegou a xícara, seus lábios formando um pequeno bico enquanto se sentava na beira da mesa.

— Já estou bem acordado, Inês.

— Eu sei. Vamos sair assim que você terminar isso.

— Tão cedo?

— Sim.

Quando ele esvaziou a xícara e girou a cabeça, viu-a sorrindo para ele, o queixo apoiado na mão. Ele podia dizer que ela estava de bom humor, em parte porque gostava de provocá-lo.

Não é de admirar que ela tenha acordado tão cedo, pensou ele consigo mesmo.

— Que horas são? — ele perguntou.

— Cinco da manhã — ela respondeu.

— Isso soa como a hora perfeita para você ainda estar na cama, Inês.

Mesmo se fossem seis da manhã, era cedo demais para Inês estar acordada. Mesmo se algo acontecesse que precisasse da atenção dela de manhã cedo, Inês simplesmente enterraria o rosto no travesseiro como se tentasse se esconder do mundo e murmuraria algo incoerente.

Ao contrário de sua imagem afiada que ele observava desde que ela era criança, Inês era particularmente ruim em acordar de manhã. Em Calztela, ela gradualmente se acostumara a acordar mais cedo para acomodar a agenda de Cássel, mas mesmo assim, ela tinha dificuldade em sair da cama de manhã.

Não importava quão tarde fosse de manhã, ela lutava por um bom tempo para recobrar os sentidos, e ela nunca acordara antes dele também. Se deixada por conta própria, ela provavelmente poderia dormir o dia inteiro como um gato sem nada para fazer.

Mas vê-la olhar para ele com olhos ridiculamente brilhantes, tendo levantado mais cedo do que ele...

— Combinamos sair cedo hoje — ela o lembrou.

— Não tão cedo.

— Já separei suas roupas para você.

Só então lhe ocorreu que ela estava usando uma camisola, com sua roupa e acessórios arrumados por perto. Ele não pôde deixar de achá-la adorável.

— Quanto mais longe o destino, mais cedo você deve sair, Cássel — ela insistiu.

— É mesmo? Posso morrer de tão adorável que você está sendo — ele comentou.

— Vá em frente e morra, então. Vamos indo. Apresse-se. — A resposta fria dela veio quase imediatamente.

Imperturbável, ele se aproximou e segurou as bochechas dela em suas mãos. Ela lançou-lhe um olhar de aviso, mas ele acreditava que a culpa era dela por ser tão cativante.

— Mais um beijo antes de eu morrer.

Ele cobriu o rosto dela de beijos, recusando-se a soltá-la até que Inês lhe deu um tapa na cabeça.

✽ ✽ ✽

— E quanto aos nossos pertences, Cássel?

— Mandei enviá-los para a cabana. Tudo o que precisamos levar agora somos nós mesmos.

Quando saíram de casa após um café da manhã simples, o sol já tinha nascido. Embora seu brilho estivesse suavizado pelas nuvens, o tempo parecia bom o suficiente para partirem.

Mario buscou dois cavalos nos estábulos. Enquanto o casal se preparava para partir, Arondra os seguia, expressando suas preocupações.

Ela pareceu se acalmar um pouco ao pegar Inês pela mão, mas retomou sua aflição ao erguer o olhar para o céu.

— Parece nublado. E se chover?

— Está tudo bem, Arondra. A chuva não nos incomodará durante nossa cavalgada até o destino — Inês a tranquilizou, dando tapinhas nas mãos rechonchudas da governanta com a sua mão livre.

— Se a senhora adoecer, minha senhora, responsabilizarei Lorde Escalante.

Sua lealdade estava agora tão tendenciosa que qualquer um que não os conhecesse a confundiria com uma serva da família de Inês, a Casa de Valeztena. Até Raúl Balan olhava para ela derrotado às vezes.

— Ele até a tirou da cama tão cedo, quando a senhora tem problemas para acordar de manhã... — resmungou Arondra.

— Inês já estava acordada quando me levantei — apontou Cássel.

— Seria um desastre se ela fosse pega pela chuva durante a longa jornada, meu senhor. Por favor, não a apresse, faça muitas pausas e fique de olho no bem-estar dela enquanto vão!

— Entendido.

Cássel rapidamente desistiu de tentar corrigi-la, e Inês apenas assentiu em concordância, não vendo necessidade de falar em defesa do marido também.

Logo depois, Cássel ergueu Inês para a sela de seu cavalo e montou no dele. Eles estavam cercados pelos funcionários da casa, com Arondra ainda parecendo preocupada e Raúl parecendo surpreendentemente despreocupado.

Alfonso se despediu deles de uma maneira incomumente solícita.

— Alfonso parece bastante apreensivo perto de você, Inês.

— Você deve estar imaginando coisas — respondeu ela casualmente.

— De fato. Você é adorável demais para instilar medo.

Inês lançou-lhe uma carranca sutil, o nariz franzido em leve desaprovação. Cássel mandou um beijo audível para ela, como se estivesse esperando que ela olhasse para ele antes de lhe lançar um sorriso charmoso.

Gesto tão indecoroso e travesso. Inês estreitou os olhos, balançando a cabeça.

— Suponho que você pensaria assim, já que fica duro a qualquer hora do dia.

Ela estalou a língua e chutou os flancos do cavalo. Todos olharam para ela perplexos enquanto ela disparava sem aviso, galopando colina abaixo.

— Ela nem sabe o caminho...

Inês disparou na frente como se soubesse para onde estavam indo. Depois de observá-la por um momento, Cássel se apressou em fazer o mesmo, diminuindo facilmente a distância. Logo ele chegou a um cruzamento no sopé da Colina Logorño, onde a estrada se bifurcava e Inês o esperava.

Ela havia esporeado com tanta determinação apenas enquanto sabia para onde ir. Era evidente que ela sabia que lhe faltava uma direção clara. Ela estava simplesmente sendo um pouco impaciente.

— Apresse-se, Cássel!

O chamado dela o interrompeu justo quando ele refletia sobre a impaciência dela. A visão de Inês na estrada, parada na bifurcação, banhada pela pálida luz do sol da manhã parecia uma obra de arte. Ele desejava ter mais tempo para saboreá-la.

Infelizmente, o humor dela tinha prioridade. Cássel continuou a galopar, passando rapidamente por ela e seguindo pelo caminho correto. Ele não parou o cavalo para lhe dar a direção, já que ela parecia pronta para chutar o flanco do cavalo dele se ele o fizesse.

Enquanto outros poderiam ter se ressentido por serem deixados para trás sem uma palavra, Inês não era como a maioria. Ela sorriu radiante e rapidamente esporeou o cavalo, ansiosa para alcançá-lo.

Agora que ele os havia guiado na direção certa, ela galopou um pouco mais à frente dele, parecendo familiarizada com a estrada que saía de Calztela. Cássel não estava muito preocupado desta vez, pois sabia que ela pararia o cavalo assim que encontrasse um caminho desconhecido. Embora ela parecesse consumida pela necessidade de velocidade no momento, sua Inês continuava sendo uma criatura de razão.

Observando-a cavalgar, ele se maravilhou com sua precisão. A maneira como ela comandava um cavalo que nunca havia montado antes em uma velocidade tão alucinante e ainda assim tinha um controle tão preciso das rédeas, guiando o cavalo para longe até do menor obstáculo e baixando a postura conforme necessário — isso o deixou perplexo. Como ela dominara isso tão rapidamente?

Apesar de seu ritmo aparentemente imprudente, seu domínio da equitação era inegável. Era como se ela tivesse passado anos na sela.

E seus reflexos — impecáveis.

Observando-a cavalgar com surpreendente habilidade e facilidade, Cássel de repente ficou preocupado. Embora seus olhos estivessem fixos nela, todo tipo de cenário horrível passava por sua mente.

Ele sabia muito bem que ela ficaria bem, mas nunca a tinha visto andar a cavalo, então não conseguia evitar a preocupação. Era como se ele precisasse se preocupar porque ela claramente não estava. Ele até escolhera a montaria mais gentil para ela, mas a maneira como galopava traía sua impaciência latente, espelhando Inês de uma forma curiosa.

Puxar carruagens deve ter sido monótono, pensou Cássel, encarando o cavalo preto que era tão parecido com sua esposa espirituosa, e estalou a língua.

Uma onda de espanto varreu os espectadores enquanto o casal passava em alta velocidade pelo quartel-general naval, parecendo correr por um prêmio. Mas nem Inês nem Cássel pouparam um olhar para os olhares curiosos que os seguiam, seu foco fixo firmemente na estrada à frente. Felizmente, o barulho trovejante dos cascos avisou a todos, concedendo-lhes tempo suficiente para limpar o caminho.

Inês continuou cavalgando o mais rápido que podia, enquanto Cássel igualava o ritmo de seu cavalo para seguir logo atrás dela, mantendo um olho vigilante em suas costas, a jornada os levando além do porto militar que se estendia ao longo da costa. Gradualmente, o ritmo diminuiu à medida que se aproximavam de outra bifurcação na estrada. Exatamente como Cássel esperava, Inês virou a cabeça em direção a ele, seus cabelos dançando na brisa do oceano. Banhado pela luz do sol, seu manto escuro a emoldurava, acentuando suas feições marcantes.

Cássel diminuiu o ritmo, cativado pela presença dela. Só então ele finalmente a viu de verdade.

Inês sentava-se regiamente em seu cavalo, seus olhos de peridoto brilhando à luz do sol enquanto encontravam o olhar dele. As apreensões e preocupações que ele abrigava — nenhum sentimento desse tipo parecia incomodá-la.

A compreensão o invadiu de que suas preocupações eram infundadas. Inês era mais do que capaz; ela ficaria bem.

— O que foi? — ela perguntou.

— Você é de tirar o fôlego — disse ele, sinceridade gravada em cada palavra, seu olhar inabalável enquanto aproximava seu cavalo do dela.

Ela riu suavemente.

— Você é um sem-vergonha, Escalante.

Em vez de responder, ele estendeu a mão, entrelaçando gentilmente seus dedos nos dela. Ela apertou a mão dele antes de soltar.

Uma sensação de formigamento permaneceu em seus dedos, como se tivessem roçado a superfície do afeto dela.


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