Capítulo 85 — Um Motivo para Ter Esperança
A jornada até os campos de caça foi rápida, graças à impaciência de certa pessoa. O problema começou assim que entraram na área. À medida que subiam o desfiladeiro, seus cavalos ficavam inquietos.
Inês concordou em desmontar e se juntar a Cássel no cavalo dele, então ela chutou o cavalo dele para obedecer com chutes firmes nos flancos. Notavelmente, o problema se dissipou quando o cavalo se submeteu à vontade dela.
— Inês, você realmente é uma mestre em domar espíritos, sejam eles de homem ou de besta — comentou Cássel, sua admiração evidente.
Embora suas palavras nunca fossem consideradas elogiosas pelas mulheres de Ortega, Inês respondeu com um sorriso satisfeito.
— É melhor quebrar o espírito de outra pessoa do que ter o meu próprio quebrado — disse ela sabiamente.
— Quem ousaria quebrar seu espírito?
— Exatamente — respondeu Inês com afetação, seu tom tingido de arrogância enquanto acariciava a crina de ébano do cavalo. — Porque eu os aniquilaria antes que pudessem fazer isso.
Sem contexto, as palavras dela soariam arrepiantes — especialmente porque ela estava prestes a entrar em posse de um rifle de caça. Mas Cássel, enredado por seus encantos, estava ocupado demais concordando, pensando sonhadoramente que ela parecia uma soberana formidável.
Inês lançou-lhe um olhar seriamente preocupado e empurrou um galho que estava prestes a atingi-lo no rosto porque ele não estava prestando atenção em nada além dela.
A partir daí, a jornada deles recomeçou sem problemas. Por um breve trecho, eles atravessaram a floresta sem seguir um caminho, as folhas secas estalando sob os cascos dos cavalos. Depois de descerem uma encosta suave por entre as árvores, chegaram ao antigo pavilhão de caça do Almirante Calderon.
Aninhado em um vale ao lado de um prado tranquilo, o pavilhão exalava um charme rústico. Gramas altas balançavam de um lado para o outro na brisa, emprestando um ar de nostalgia à cena.
— É aquele pavilhão a cabana de que você falou? — perguntou Inês.
— É — afirmou Cássel.
A grama fora cortada ao redor do caminho que levava ao pavilhão, indicando que alguém fora enviado para lá antes do tempo para limpar o caminho. Parado no final do caminho, o casal olhou para a estrutura de pedra desgastada, adornada com um telhado desbotado e trepadeiras que cobriam a maior parte dela de verde.
Cássel sorriu timidamente.
— É um tanto pequeno.
— Parece maior que a nossa casa, se eu exagerar um pouco.
— Nossa casa pode ser pequena, mas não pode ser menor que aquilo... De qualquer forma, como pode ver, é muito antigo. Será desconfortável ficar lá.
— Mas envelheceu tão lindamente — ela apontou.
Inês gostou da maneira como as paredes externas foram tomadas pelas folhas, o que o fazia se integrar perfeitamente à floresta circundante. O pavilhão também trazia traços de sua antiga glória, evocando a imagem do almirante fumando seus charutos na varanda.
Ela olhou para o lugar onde ficariam pelos próximos quatro dias com um leve sorriso. Então ela esporeou seu cavalo, correu pelo caminho curto e saltou da sela sem se importar, quase dando um ataque cardíaco ao pobre marido.
Ela sorriu brilhantemente, gesticulando avidamente para que ele se juntasse a ela.
— Droga, Inês Valeztena! Isso foi tão perigoso! — exclamou Cássel com uma boa dose de preocupação na voz. O nome de solteira dela saíra de sua boca em sua pressa. Seu coração despencara mais cedo quando ela saltara descuidadamente de sua sela também. — Você poderia, por favor, esperar que eu a ajude a desmontar?!
O vento deve ter abafado as palavras dele, porque ela pareceu interpretá-las como um encorajamento para prosseguir. Sem amarrar o cavalo, Inês simplesmente virou as costas para ele e desapareceu pela porta da frente, deixando Cássel para cuidar de ambas as montarias.
Não era como se aquele fosse um cavalo que ela domara por anos que ficaria obedientemente por perto, mas ela tinha Cássel Escalante ali para fazer o papel de seu servo e cuidar dele.
Cássel saltou de seu próprio cavalo e rapidamente amarrou tanto o dele quanto o de Inês perto da cabana. Então, ao passar pela porta entreaberta, encontrou Inês estudando os troféus de caça que adornavam as paredes — variando de uma águia empalhada a uma cabeça de veado — o fascínio brilhando em seus olhos.
Ele instruíra seus servos a se livrarem dos troféus de caça temendo que pudessem perturbar Inês, mas eles pareciam ter falhado em fazê-lo. Felizmente, ela parecia não afetada pela taxidermia sombria, pois seu olhar interessado permanecia fixo nas datas registradas por seu avô nas pequenas placas sob cada animal empalhado.
Observando-a, ele sentiu seu breve surto de frustração com a imprudência dela desaparecer. Ele estava mais uma vez extasiado com o quão adorável sua esposa era enquanto franzia a testa para decifrar a escrita desbotada.
— Esta águia está aqui há trinta e cinco anos. O almirante empalhou esses animais ele mesmo?
— Sim. Era um passatempo dele. Eles não a perturbam? — ele perguntou.
Embora o antigo pavilhão de caça do almirante parecesse bastante agradável por fora, o interior não passava de um grande cômodo. Em outras palavras, se havia algo desagradável pendurado em uma parede, era visível de todos os cantos da casa.
Inês deu de ombros levemente.
— Prefiro algo mais prático, como usar as peles para couro, mas não vou julgar um homem falecido por seu passatempo.
Examinando o interior espaçoso, ela notou suas roupas penduradas em um canto, e um dos trajes de montaria de Cássel estava dobrado sobre a mesa no centro da sala ao lado de vários rifles de caça embrulhados em tecido.
Inês caminhou até o canto primeiro e vasculhou as roupas brevemente para garantir que tudo havia sido trazido antes de se dirigir à mesa. Enquanto isso, Cássel jogou alguns gravetos na lareira.
— Por que suas roupas de montaria estão dispostas separadamente, Cássel?
— Ah, essas foram alteradas — explicou ele.
— Eram grandes demais?
— Sim, muito grandes para você — respondeu ele, aproximando-se da mesa, limpando as mãos em um lenço. — Seu costureiro as ajustou especialmente para você. Foi um redesenho completo, na verdade.
Cássel estreitou os olhos ao pegar o par de calças e segurá-lo contra ela, inclinando a cabeça.
— Elas ainda podem precisar de alguns ajustes. Gostaria que você as experimentasse.
As calças eram feitas de um tecido azul-marinho resistente. Enquanto ele continuava a pegar as outras peças para segurar contra ela, Inês o encarava como se estivesse sem palavras.
Cássel levantou o olhar de volta para o rosto dela e estudou sua reação por um momento.
— Você não gostou? Talvez ache indigno usar calças? — perguntou ele com cuidado.
Ela simplesmente o encarou em silêncio.
— Pensei que seria perigoso para você usar um vestido enquanto caçamos, já que terá que desmontar com bastante frequência. Suas pernas podem ficar presas no tecido. Seria desconfortável também... Eu queria te dar isso antes para que você pudesse ficar mais confortável na viagem até aqui, mas não queria que você recebesse atenção indesejada de nenhum transeunte na saída de Calztela. Agora que não há ninguém além de nós aqui...
Inês, que parecera conflituosa esse tempo todo, ofereceu um sorriso um tanto forçado.
— Você não se importa que eu use isso?
— Contanto que você não se importe — ele a assegurou.
— Mesmo com minhas pernas em exibição tão claramente?
— Isso a incomoda?
A resposta de Cássel ecoou seu sentimento que era totalmente diferente do da Duquesa Valeztena. Ele só parecia se importar com o que ela pensava e se ela gostava ou não, como se nada mais importasse para ele.
Inês soltou uma risada leve.
— Não, eu gosto. Vou experimentá-las.
— Fico feliz que goste. Ah, e tem isto também — acrescentou Cássel, revelando os rifles de caça sob o tecido.
Ele escolheu a arma com o cano mais curto e a entregou a ela. Os olhos de Inês voaram rapidamente sobre as letras gravadas ao longo da empunhadura: Calderón Escalante de Esposa.
— Isto é para você. Meu avô me deixou dezenas de armas antes de falecer, mas disse que esta era sua favorita para caçar.
Inês encarou a velha arma do almirante sem palavras, maravilhada.
— Quando eu era mais jovem, achava que era preciosa demais para usar, e quando fiquei mais velho... como pode ver, é um pouco pequena para mim, mas eu também não suportava usá-la. Quando você me disse que gostava de caçar, eu soube que isso pertencia a você, então mandei trazê-la do Castelo de Esposa imediatamente. É por isso que precisei de mais dois dias.
Ela olhou lentamente para ele.
— É o melhor rifle que já possuí. Não sei quanta experiência você tem com caça, mas independentemente disso, a maioria dos rifles de caça é dura até mesmo para o corpo de um homem adulto por causa do recuo forte. Este não dá tanto coice, então... Inês? — chamou ele, notando o silêncio dela.
Inês o puxou para um abraço caloroso, sua gratidão palpável.
Assustado com a umidade repentina em seu ombro, Cássel instintivamente se afastou dela para verificar se ela estava bem. Mas antes que pudesse olhá-la direito, os lábios dela colidiram com os dele. As mãos delicadas dela tremiam levemente enquanto o puxavam para mais perto pela nuca.
O aperto dele nos pulsos dela, destinado a afastá-la, afrouxou quando ele percebeu que ela estava sendo teimosa enquanto era tão frágil.
Os lábios dela buscavam os dele fervorosamente, como se ela estivesse buscando ar após uma longa submersão. Se a situação fosse diferente, Cássel teria ficado tentado a se perder no momento, mas sua mente permanecia no olhar que ela usara antes de abraçá-lo.
Seus olhos fechados protegiam as emoções dela dele.
Cássel puxou cuidadosamente o rifle de caça do avô de entre eles e o colocou sobre a mesa. Não estava carregado, mas ele não queria que pressionasse contra Inês ou se intrometesse na proximidade deles. Com o frio do metal não mais entre eles, ele a puxou para mais perto, seu braço envolvendo a cintura dela com o mesmo fervor que ela mostrara antes.
Cássel permitiu que a língua de Inês explorasse sua boca e o sugasse enquanto ele se endireitava, tendo se inclinado em direção a ela. Inês foi tirada do chão, principalmente pelos braços dele. Seus dedos cravaram no cabelo dele, um apelo silencioso por uma conexão mais profunda.
Mas não importava o quão profundamente eles se beijassem, o quanto suas línguas se entrelaçassem e explorassem a boca um do outro desordenadamente... Ele simplesmente não conseguia tirar a expressão do rosto dela da cabeça.
Suas respirações irregulares se misturaram, e Cássel acariciou ternamente a bochecha molhada dela com a mão livre. Lágrimas continuavam a escorrer por sua palma; parecia que sangue estava derramando de uma ferida que ele sofrera sem saber.
Ele se perguntou se ela sabia o quão arrepiante era para ele não conhecê-la. O quão frustrante era o desconhecido, e o quanto se assemelhava ao medo abjeto. Inês Escalante não tinha ideia.
Eu fiz algo errado? Me diga. O que você está escondendo de mim agora? Me responda. Não fuja, não se esconda... Você pode esconder tudo dentro de você, só não esconda seu rosto de mim. Seu coração doía com palavras não ditas. Ele sabia que elas jorrariam infinitamente como água de uma bica quebrada se ele começasse.
Tais apelos miseráveis, patéticos e divagantes sempre pairavam na ponta de sua língua — um testemunho de seu amor insaciável.
Cássel sabia que não devia sucumbir a essas emoções. Elas não eram úteis para nenhum dos dois, afinal. Em vez disso, ele procurou identificar qualquer erro que tivesse cometido ao presenteá-la com o rifle.
Ainda assim, a expressão dela persistia em sua mente, uma adaga torcida em seu estômago. Ele se sentia à deriva em meio a um mar de incompreensão.
Sua garganta seca traía o tumulto interior. Quando sentiu as lágrimas dela alcançarem o canto de sua boca, Cássel percebeu que até o bater de seu coração parecia diferente naquele momento. O ritmo de seu coração parecia ecoar como tambores distantes, um aviso de perigo iminente.
Seus instintos aguçados lhe diziam que algo estava diferente desta vez. Que ele precisava segurá-la perto, gravar este momento na memória, para nunca esquecer seu significado.
— Você é um tolo, Escalante.
A voz dela estava encharcada de emoção enquanto ela buscava ar quando seus lábios finalmente se separaram, seus olhos verdes marejados se abrindo para revelar um olhar sereno. Um sorriso genuíno enfeitava seus lábios, como se ela tivesse terminado de chorar enquanto ele não podia vê-la e tivesse encontrado alguma aparência de paz.
Ele sabia que ela logo agiria como se não tivesse derramado lágrimas, mascarando seus sentimentos vulneráveis mais uma vez. Cássel estudou silenciosamente o rosto dela, enxugando os vestígios de suas lágrimas enquanto ela se acomodava na mesa.
Inês se inclinou ao toque dele e esfregou a bochecha contra a palma da mão dele. Ele sabia que isso deveria ser suficiente para satisfazê-lo, mas uma sensação de inquietação o incomodava no fundo da mente.
Ela não ficara simplesmente tocada ou emocionada com o presente dele. Ele se lembrava distintamente de ver o colapso momentâneo dela ao ver o velho rifle de caça do Almirante Calderon. Mas por quê? Como eles estão conectados? perguntou a si mesmo, tentando recordar suas próprias palavras e decifrar a maneira como os olhos dela pousaram rapidamente na gravação do nome de seu avô na arma.
Talvez tivesse sido uma coincidência, e a arma em si pudesse ter sido o problema. Talvez ela tivesse passado por algum incidente infeliz relacionado a rifles de caça durante os poucos anos de sua vida que eram desconhecidos para ele. Mas então ela estivera cercada por armas com frequência, desde que construíra um arsenal para ele enquanto consertava a residência deles, até eventos no quartel-general naval como o desfile militar.
Ele revirou o cérebro em busca de qualquer conexão entre seu avô e a Casa Valeztena, mas as lembranças de seu avô lhe foram passadas em sua juventude. Esta mesma arma nunca deixara Esposa por quase duas décadas.
Ainda assim, poderia tê-la lembrado de algo — algo ligado ao seu tempo em Perez, o capítulo da vida dela sobre o qual ele nada sabia. Ele queria saber o que era esse algo.
Cássel pressionou lentamente os lábios contra a testa, pálpebras e nariz de Inês enquanto controlava a ponta afiada de seu olhar. Ele descobriria eventualmente, e mesmo que não descobrisse, Inês permaneceria ao lado dele.
Nada mais poderia saciá-lo além da companhia de Inês.
Ele não podia diminuir essa alegria que Inês parecia estar sentindo ao tornar conhecidos seus pensamentos ansiosos. Oferecendo um sorriso gentil, ele retirou a mão da bochecha dela. Inês estava mexendo na arma, uma emoção indescritível evidente em seus olhos.
Cássel colocou gentilmente a mão sobre a dela e plantou um beijo terno perto de seus lábios. Independentemente da razão pela qual ela chorara, este rifle de caça era o melhor que ele possuía, e ele não queria dar a ela nada de qualidade inferior.
— Devo ter parecido estranha. Eu sei, mas...
— É por isso que você me silenciou com um beijo?
Inês desviou o olhar da arma para o rosto dele. O sorriso pitoresco pairava nos lábios de Cássel; oferecia a ela a desculpa para descartar seu desconforto com uma brincadeira, sugerindo que ela simplesmente buscara consolo nele.
O olhar dela deslizou lentamente dos olhos dele para a boca, depois para o pescoço. Ela abriu a boca como se fosse dizer algo antes de hesitar mais uma vez.
— Talvez... eu tenha feito isso para silenciar a mim mesma, não a você.
Ele a observou em silêncio.
— Tive medo de dizer algo que não deveria. De cometer um erro grave.
— Inês.
— Tive medo de arruinar tudo e me arrepender de novo. É por isso.
As palavras dela pairaram no ar, seu significado velado, deixando-o se perguntando se eram destinadas a ele. Cássel ergueu gentilmente o queixo dela com um aperto suave e encontrou seu olhar vacilante. Ele viu uma miríade de emoções girando nos olhos dela: deleite, preocupação, esperança, dúvida, desespero, repulsa, alegria... Cada sentimento tremeluzia dentro dela como sombras dançando na sala mal iluminada.
A fala lhe escapou, pois ele não conseguia captar nada com certeza. Parecia que qualquer turbilhão que ela abrigasse tinha pouco a ver com ele. Talvez o afeto dela e os olhares doces que ela às vezes trocava com ele não passassem de gestos vazios, desprovidos de um amor genuíno.
E se isso fosse tudo o que ele poderia esperar?
Cássel geralmente escondia bem sua ansiedade, mas quando ela se transformava em medo, ele se tornava indefeso como uma criança. Um toque de preocupação infiltrou-se na expressão conflituosa de Inês enquanto ela olhava para ele, um sinal simples, mas revelador, de que o medo dele não passara despercebido.
Certa vez, ele se convencera de que estava bem com o fato de ela nunca amá-lo de verdade. Mas agora, ele achava risível ter entretido tal noção.
O pensamento de ela não retribuir o amor dele, de nunca vê-lo verdadeiramente... Como ele poderia ficar bem com isso?
— Não vai demorar, tenho certeza. É por isso que estou assim. Agora, estou...
— Você não precisa se esforçar para explicar, Inês.
— Não estou. É você quem desperta essas emoções em mim.
Cássel prendeu a respiração, a antecipação aumentando.
Inês lhe deu um sorriso desajeitado, a ponta do dedo traçando levemente os lábios dele, um gesto atípico dela.
— Essa incerteza e confusão, são todas por sua causa. Então, por favor, Cássel, só mais um pouco... Assim que eu conseguir colocar tudo em palavras, então... — Ela parou, deixando-o em suspense, e depois prometeu: — Um dia, contarei tudo a você. Tudo o que eu sei...
O coração de Cássel palpitou de alegria com a mera perspectiva de que eles compartilhariam um vínculo genuíno um dia. Mas seu sorriso desapareceu, substituído por uma careta. A verdadeira felicidade, ele aprendeu, nem sempre se manifestava como um sorriso.
Ela precisava saber o quão desesperado ele estava. A simples promessa dela era suficiente para ele se iludir acreditando que ela o amava.
— Apenas suas palavras me dão um motivo para ter esperança. Você está ciente disso?
— Estou. Estou lhe dizendo para que você possa se agarrar à esperança.
Os lábios dele se abriram em reverência.
— Inês.
— Porque não quero que você se canse de esperar e me deixe, mas que fique ao meu lado...
Às vezes, ele desejava poder roubar amor de outro lugar e implantá-lo dentro dela. Em momentos de frustração, ele desejava poder abrir a própria cabeça para mostrar a ela como ele sempre a tinha em sua mente e como as lágrimas dela o dilaceravam. Ele temia que ela descobrisse seu verdadeiro eu, mas, ao mesmo tempo, temia o pensamento de ela nunca conhecê-lo verdadeiramente. Ele não queria sobrecarregá-la com a intensidade de seus sentimentos por ela.
— Porque quero que você continue me amando — confessou ela.
Ele ficou sem palavras.
— Você está certo. Estou lhe dando um motivo para ter esperança. É egoísmo da minha parte, eu sei. Sinto muito. Mas desta vez, eu reconheci você, então... — Ela parou novamente. — Por favor, me perdoe desta vez, Escalante.
Embora o resto do que ela disse parecesse estranho, o apelo dela por seu amor persistente ecoou mais alto em sua mente. Foi o mais perto que Inês já chegara de confessar seu amor por ele.
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