Capítulo 101 — Sol da Minha Vida
— Cássel, o médico vai chegar logo...
Antes que ela pudesse terminar a frase, eles entraram no quarto. Encurralando-a contra a entrada, ele tomou os lábios dela e a empurrou. De repente, ela foi lançada para trás contra a porta que nem sequer estava fechada; a madeira pesada bateu atrás dela e se fechou completamente com um clique. Ao mesmo tempo, Inês ficou presa sem nem um milímetro de espaço entre o corpo dele e a porta.
Sua força avassaladora tornou tudo fácil para ele. Enquanto ele empurrava o corpo dela para cima, as pernas dela se abriram e os dedos dos pés ficaram suspensos no ar. Cássel se posicionou entre as pernas dela imediatamente, agarrou seus quadris e deslizou as mãos firmes para cima para sustentar suas coxas.
Como se fosse um hábito, ela seguiu o instinto e envolveu as pernas na cintura dele. Ainda assim, tudo foi repentino demais.
Num instante, a barra do vestido subiu até as nádegas e as pernas ficaram expostas para fora da roupa. Cássel arrancou a liga da coxa dela e deslizou as pontas dos dedos por dentro das meias de seda, descendo até os tornozelos, tateando a pele.
Como se não bastasse tê-la contra a porta com as pernas de fora, parecia que ele queria a pele nua, sem a barreira das meias.
Se estivessem na residência habitual em Calztela, tudo bem, mas esta era Mendoza. O Duque, sem saber do retorno do filho mais velho tarde da noite, estava no quarto andar, e Alfonso estava prestes a trazer um médico para o quarto.
E Inês, além de tudo isso, continuava preocupada com o estado dele. Nunca... Nunca tinha visto Cássel com aquela expressão.
Ela sabia que, no dia em que ele chegara do centro de comando, parecia tranquilo, como se estivesse apenas dormindo. Ainda assim, ela nunca imaginara que ele pudesse estar doente, então ouvir que ele "caiu" foi um choque, e a culpa do dia anterior a corroía...
Não, talvez isso fosse apenas uma desculpa dela para ceder.
— Ah, ah...
Como se podia notar, ele parecia saudável demais.
Ela, que não conseguira sair da cama o dia todo de preocupação, agora via que ele tinha energia de sobra. Mas ela não conseguia acreditar que ele não estivesse doente. Não conseguia confiar que ele estava bem, mesmo parecendo estar. Porque as pessoas adoecem e morrem com muita facilidade.
No fundo, ela sabia que murmurara ansiosamente que não acreditaria em nada até vê-lo com os próprios olhos. Ainda não podia ter certeza... Quão estúpida fora aquela preocupação?
Bem. Ela estivera realmente preocupada com Cássel Escalante a ponto de parecer uma tola.
A lembrança do rosto pálido de Cássel ainda a assombrava. Só de pensar na temperatura corporal gelada que sua mão tocara na carruagem, Inês ficou atônita de novo. A pele dele estava tão fria quanto a de alguém submerso em água gelada por muito tempo. A ponta do nariz parecia ter parado de respirar. Não eram necessárias outras desculpas. Agora ela só estava preocupada com ele. Naquele momento, parecia que sua única preocupação era ele.
De fato, não eram necessárias desculpas para a entrega.
— Cássel, eu...
Como se ele desse uma brecha para Inês respirar, cada vez que Cássel mudava o ângulo do beijo, uma voz chamando-o com urgência escapava dela. No entanto, assim que ela o chamava, o som desaparecia na boca dele; se tentasse chamar de novo, sua língua se enroscava na dele.
Inês bateu no ombro e nas costas de Cássel para chamar sua atenção. Mas Cássel se erguia sobre ela como uma fortaleza, como se nunca tivesse sido atingido. Em qualquer outro momento, ele teria recuado e olhado para ela, mas agora parecia...
— ... Espere um pouco, Cássel... Espere um momento.
Os lábios dele, que mal haviam se afastado quando o fôlego de Inês estava curtíssimo, colaram-se novamente à boca dela, depois à ponta do queixo, e se uniram tenazmente ao pescoço.
Parecia louco. Beijos desesperados brotavam de Cássel, como alguém numa caçada, como se uma grande desgraça fosse acontecer caso seus lábios se separassem do corpo dela, mesmo que por um instante.
Não era completamente incompreensível. Nunca tinham ficado tão separados depois do casamento, e Cássel sempre tinha um pouco de frenesi por ela quando estavam juntos.
Mas tinha sido um mês inteiro de separação para um homem como aquele. Inês não teria se surpreendido se Cássel tivesse escondido a cabeça na saia dela assim que entrou na carruagem. Mesmo que acabassem se escondendo num quarto qualquer antes de sair da corte, teria sido tarde demais para conter Cássel Escalante.
Foi muita paciência para ambos virem da corte até o quarto da residência oficial com as roupas perfeitamente arrumadas. Também foi paciência da parte dele. Uma tolice.
Ele sairia de Mendoza em apenas duas horas... O tempo gasto sem tocar em Cássel Escalante fora um desperdício.
No entanto, esse era um arrependimento sobre o qual valia a pena refletir enquanto se abraçavam apenas de maneira "mundana" na carruagem. Agora, a contenção havia acabado.
— Cássel, espere um minuto... — as palavras se espalharam entre lábios que mordiam.
Inês raramente ficava perplexa, mas ficou quando ele rasgou os laços firmemente amarrados nas costas dela e agarrou seus seios bruscamente por entre as roupas soltas.
Inês rapidamente segurou os pulsos de Cássel, que apertavam seus seios e os esmagavam. Cássel então pegou a mão dela e a mordeu. As pontas dos dedos, as palmas das mãos, o lugar onde o pulso bate no interior do punho fino... Ele mordiscou pouco a pouco, deixando marcas avermelhadas na pele pálida dela.
Então puxou o braço dela e o colocou sobre o ombro dele, forçando o abraço. Seus lábios pressionaram a garganta dela novamente. Enquanto ela inclinava o pescoço e se entregava, lançou um olhar irritado, tentando encontrar os olhos dele.
Ele ainda não fazia contato visual. Por outro lado, o rosto de Cássel, que parecia arder de desejo, não lhe era familiar na penumbra do quarto. A garganta dela ardia sem razão. Apressada e impaciente.
— Cássel.
Cássel engoliu os lábios dela novamente, como se não a ouvisse. Foi um beijo voraz, como se ela estivesse sendo devorada.
Cássel, que encaixou a perna mais fundo sob o quadril dela e a assentou em sua coxa, arrancou as costuras — não os cordões — até mesmo da roupa de baixo. A peça branca e transparente desceu junto com o vestido num instante.
As mangas, que mal se sustentavam nos ombros, deslizaram e prenderam os braços de Inês. Foi no mesmo instante em que seus seios ficaram expostos através da roupa desfeita.
Cássel ergueu os seios dela com as mãos e torceu os mamilos sensivelmente rígidos. Um hálito áspero e quente fez cócegas nos lábios úmidos dela, enquanto ele chupava a língua dela e mordia seu lábio inferior.
— Ah...
— Relaxe os ombros, Inês.
Uma voz suave e úmida ressoou em seus ouvidos. Um pequeno beijo caiu sobre seus lábios inchados, repetidas vezes. Parecia mais obra de uma estranha obsessão do que de qualquer gentileza.
— Cássel, o médico... O médico estará aqui em breve.
— Não preciso dele.
— Ele já... já está vindo, eu já chamei...
A mão dele, esfregando o peito dela e deliberadamente pressionando os mamilos entre os dedos de forma mais proeminente, criava um calor natural. As coxas dele, rígidas, pressionavam contra as dela com clara intenção, esfregando-se lentamente.
No entanto, Inês tentou enfrentá-lo, mantendo as costas o mais retas possível, prensada entre a porta e Cássel. Se não conseguia fazer contato visual de imediato, queria ao menos verificar a tez pálida dele novamente.
— Não tenho tempo para isso, Inês.
— Você tem tempo? Contanto que tire suas mãos do meu corpo...
— Pelo som da sua voz, parece que você já está molhada.
— Saia! O que está molhado ao toque? Você é, de verdade... — Inês gaguejou, indignada.
— Eu só estava cansado por um tempo. Então você não precisa chamar um médico. Inês.
— Precisa sim. Ainda... Seu corpo ainda está frio, Cássel.
— Depois de dormir com você, tudo ficará bem.
— Que merda de lógica é essa?
— Eu não preciso de mais nada, Inês.
— ...
— Eu não preciso de nada além de você.
Há apenas duas frases, era apenas sexo; agora, não parecia mais apenas sexo.
“Não preciso de nada além de você...”
Os olhos azuis, que pareciam devorados pela escuridão, a olharam diretamente pela primeira vez.
Pela primeira vez.
Inês meditou sobre aquelas palavras, que pareciam se desmanchar como grãos de areia. Os olhos dele encontraram os dela pela primeira vez desde que entraram naquele quarto.
Eram olhos que ela parecia ver pela primeira vez nesta vida.
Sua mente ficou em branco, sem saber o que dizer.
Por que... Por que você está me olhando assim?
Os lábios dela tremeram terrivelmente. Naquele exato momento, bateram na porta atrás dela.
Enquanto Inês tentava reflexivamente se afastar para cobrir o corpo seminu, Cássel a puxou para longe da porta e a fez tombar completamente em seus braços.
Ela ainda estava com a mente vazia, incapaz de encontrar algo para dizer. O peito nu dela foi pressionado contra o peito duro dele. Os mamilos, que já haviam sido enrijecidos pela carícia brusca, roçaram contra o boldrié (o cinto transversal decorativo do uniforme) de Cássel, provocando uma sensação arrepiante e áspera.
A mão que agarrava a coluna trêmula dela era firme. O peso dela, que antes estava distribuído entre a porta e ele, caiu totalmente sobre Cássel, mas ele a sustentou com tranquilidade, como se carregasse uma pluma.
Então suas testas se tocaram e seus olhos se encontraram novamente. Desta vez, muito perto.
— Senhora? Don Eduardo está aqui.
— ...
Alfonso, que esperava do lado de fora da porta pela resposta de Inês, informou com cautela. Mas ela olhava nos olhos de Cássel, ainda incapaz de formular uma palavra.
— Você tem que mandá-lo embora, Inês — sussurrou Cássel, com uma voz rouca e desconhecida.
— ...
— Nós temos muito a se fazer.
Inês ficou olhando para ele em silêncio, atordoada. Cássel se virou e caminhou em direção à cama, levando-a.
— Senhora, está aí dentro? — perguntou Alfonso novamente, do lado de fora.
Já deitada na cama, onde fora depositada, ela umedeceu os lábios como se tivesse algo a dizer, mas não conseguiu emitir nenhum som por um momento. Enquanto isso, Cássel se pôs de pé, com os joelhos na borda da cama, e arrancou o boldrié que cruzava seu peito na diagonal, jogando-o longe como se tivesse se rompido.
— Senhora, posso entrar? Se o estado do Jovem Lorde está tão grave quanto a senhora disse...
— Você é tão irritante — murmurou Cássel.
Depois de tirar o boldrié e jogá-lo no chão, ele soltou um a um os botões da túnica que estavam fechados até o pescoço. O olhar dele estava fixo apenas nos olhos dela.
Seus lábios bem desenhados se moviam na escuridão, enquanto a luz vinda de trás dele iluminava a forma de sua cabeça e rosto como uma moldura.
— Inês, posso deixá-los entrar assim? — provocou ele, referindo-se ao estado de nudez dela.
— ...
— Você pode até não se importar, mas eu não gosto.
— Foi você quem me deixou assim, o que esperava?
Quando Inês conseguiu responder com descaso, ele sorriu, mas era uma expressão que nem parecia um sorriso de verdade. De fato, nenhum deles pensou que o tímido Alfonso se atreveria a abrir a porta do quarto onde os patrões estavam juntos. Sem mencionar os bons modos, Alfonso já tinha visto o suficiente em Calztela para saber quando não interromper. O mordomo estava mais preocupado com o rosto sombrio da Senhora, que implorara por um médico naquela noite, do que com o mestre, que descera da carruagem aparentemente bem sob a luz fraca.
Alfonso, que perguntara se a Senhora estava doente ao ouvir sobre os sintomas de Cássel e ver a expressão dela, viu-se tentado a abrir a porta para verificar o estado do patrão.
Mas, como era de se esperar, Alfonso desistiu e se afastou da porta, murmurando que dispensaria o médico se percebesse que não era necessário. Assim, o silêncio voltou a reinar.
A parte superior do uniforme de Cássel caiu no chão com um som pesado.
— ...
Passou-se um momento que pareceu eterno, e o ar estava rígido com uma tensão estranha. A maneira como ele a olhava de cima era incomum. Ele não desviava o olhar; colocava toda a sua energia em encontrar os olhos dela, sem se preocupar com o resto.
Inês, de repente, tomou consciência de si mesma, de sua própria aparência, algo a que nunca dera muita atenção.
O vestido, que antes cobria modestamente até os tornozelos, fora levantado até a pélvis junto com a anágua, deixando sua roupa de baixo exposta; os laços estavam desfeitos e o corpete rasgado caíra até o estômago, revelando-a. Não havia sentido em estar vestida agora; seu peito nu subia e descia rapidamente com a respiração superficial.
Em qualquer outro momento, a sensação seria de que ela estava prestes a ser devorada.
No entanto, parecia que Cássel lutava contra o próprio impulso, com medo de que seu desejo a machucasse, mesmo que minimamente. Logo ele, um homem que costumava engolir o corpo dela inteiro com os olhos.
Inês notou que ele continuava olhando apenas em seus olhos. Sem lançar um único olhar para o corpo nu dela... Apenas com a tenacidade de extrair algo do fundo da alma dela. Cássel Escalante estava obviamente estranho.
Quando as dúvidas se transformaram em certeza, Cássel, que já havia tirado a camisa e a jogado no chão, caiu pesadamente sobre ela.
— ...
A sombra do corpo dele oscilou sobre a testa de Inês e depois a engoliu por completo. Cássel a encarou e cobriu o corpo dela inteiramente com o seu, tragando um fôlego seco, como se todo o resto — a festa, a viagem, o médico — fosse uma mentira.
Era estranho que ela sentisse uma sensação de segurança, em vez de incômodo pelo peso que esmagava seu corpo.
No entanto, Inês manteve os olhos abertos o tempo todo. Ele virou a cabeça, tomou os lábios dela num instante e agarrou seu seio com luxúria; e ela o viu novamente, mesmo com o rosto dele virado, perdido naquele desejo desesperado.
Por quê? Por que isso do nada?
Ele deve ter adivinhado as intenções do Príncipe Herdeiro.
Assim que Cássel entrou no salão da corte, ele saiu imediatamente. O fato de Inês estar evitando o primo dele já durava algum tempo, e a distância entre eles era grande demais para que Cássel não tivesse notado a atmosfera sutilmente nervosa.
Inês esperava que Cássel não soubesse de nada, nem agora e muito menos sobre os motivos tolos que Oscar tivera no passado. Afinal, a estadia em Mendoza seria curta. Eles voltariam logo para a casinha em Calztela.
Se Cássel mostrasse um pouco de animosidade em relação a Oscar e caísse no desagrado de seu futuro soberano...
— Ah, ah...
Seria o fim da casa deles. Não havia razão para acelerar as coisas e dar combustível ao complexo de inferioridade inerente de Oscar.
Enquanto ela continuava fazendo julgamentos sóbrios em sua cabeça, Cássel, que agarrara seus seios e os devorava como se estivesse morrendo de fome, deslizou a mão por dentro do tecido rasgado do corpete e acariciou seu ventre plano.
Ele mordia e chupava constantemente com os dentes seus mamilos, inchados pela estimulação, girando a cabeça para engolir avidamente as auréolas. A pele de seu peito já estava avermelhada com os rastros que ele deixara.
— Ah...!
A temperatura do corpo dele, que antes estava fria como gelo, agora estava quente, ardendo como se fosse devorar a carne dela. Cássel agarrou o outro seio, já brilhante e molhado pela saliva dele, torceu o bico e o atormentou com tenacidade.
Ela não sabia se ele não queria lhe dar um momento para pensar, ou se ele sentia que ela não deveria ter tempo para pensar nem por um segundo. Inês, sentindo sua mente se afastar cada vez mais da realidade, agarrou Cássel pelos ombros para se segurar.
Como se fosse um sinal, Cássel deslizou o corpo para baixo e deixou um beijo em seu estômago. Desceu ainda mais, passando a língua sobre a roupa íntima molhada, onde a sombra de seus pelos púbicos se refletia tenuemente, deixando rastros úmidos na pele nua de suas coxas.
Então, ele ergueu as pernas dela com as mãos, colocando os tornozelos sobre os ombros dele.
Cássel se ergueu novamente. Para baixo e para baixo... o toque suave se tornou áspero. Ele beijou os joelhos, a pele macia ao longo das canelas, os tornozelos... E então, num movimento brusco, ele baixou a cabeça e arrancou com os dentes as meias de seda que ainda restavam em seus pés.
— Aí não... não faça isso, Cássel...
Ele começou lambendo os dedos dos pés dela, mordendo a lateral do dedão e movendo os lábios até o peito do pé. O estômago dela se contraiu num nó. Os olhos escuros que a olhavam de baixo, como se a dominassem enquanto a serviam, despertaram uma estranha excitação.
Como se estivessem fazendo algo proibido, algo que não deveriam fazer nem mesmo como marido e mulher, emoções imorais se aglomeraram em sua garganta. Era como se estivessem profanando os corpos da nobre Herdeira Valeztena e do jovem Duque de Escalante. Como o prazer sujo e proibido de um momento de fornicação...
— ... Cássel, isso é sujo...
— O quê?
— Ah, ah...
— Não há nada de sujo no seu corpo, Inês.
Os lábios dele subiram pelo peito do pé, passaram pela parte interna dos tornozelos, joelhos e coxas, até se enterrarem nos pelos púbicos. As pernas dela se abriram, impotentes. Cássel lambeu a fenda úmida através do tecido da roupa de baixo, engoliu os fluidos que já transpassavam o tecido e mordeu a carne sensível.
Enquanto ele tragava o suco do amor dela, Inês podia sentir claramente o movimento da garganta dele contra sua pele.
Estou enlouquecendo.
Cássel, por favor, ah...
Os olhos dela, sem saber o que imploravam, buscavam desesperadamente o marido. O nariz reto dele pressionou o monte de Vênus, inalando profundamente o cheiro dela. Apesar de parecer extremamente devoto, a maneira bruta e descortês com que ele agia às vezes criava uma sensação avassaladora de felicidade. As pontas dos dedos dela arranharam o lençol apressadamente, agarrando o tecido e torcendo-o em longas dobras.
Ela tinha medo de perder a cabeça num instante. Parecia que enlouqueceria com facilidade. Ele a seduzia fácil demais.
— Uf, ah, ah...!
— Sabe de uma coisa, Inês? Aqui também cheira bem.
— Ah, ah... Cássel...
— Admita que está gostando. Acho que estou fazendo isso de propósito.
— Cássel, ah... Por favor...
— Se não fosse por isso, não haveria como você estar assim.
— Ah...!
— Sim? Inês.
Cássel apoiou a mão ao lado do ombro de Inês, que acabara de atingir o clímax, e subiu sobre o corpo dela imediatamente. Ele baixou os lábios, ainda úmidos com o sabor dela, e esfregou-os nos cantos da boca de Inês, como se a torturasse. Enquanto Inês soluçava em silêncio e jogava a cabeça para trás, os lábios deles se encontraram, fundindo-se como se fossem um só corpo desde o princípio. Peito contra peito, braços e ombros se esfregando, a pele finalmente se tocando com calor.
Respirações ásperas se entrelaçaram; ela mordeu o lábio superior dele, e ele retribuiu mordendo o inferior dela. Quando as línguas se enroscaram, um sabor almiscarado escapou da boca dele, que até agora a chupara lá embaixo.
Quando Inês franziu a testa, sentindo o gosto, ele beijou a testa franzida e separou os lábios.
— Por quê?
— ... Tem um gosto horrível.
— Eu gostei.
— Porque você é um pervertido que lambe até mesmo pé das pessoas e... É, deve ser isso.
— Inês Escalante excitada com isso? Você está negando?
Como de costume, conversas sem sentido fluíam entre eles. Mas Inês sabia que os olhos dele ainda estavam fixos nela, e que ele ainda tentava desesperadamente tocar cada centímetro do corpo dela. Como se levá-la ao clímax fosse apenas o pré-requisito para recuperar um pouco de liberdade, como agora.
No fundo, o que a fazia se sentir melhor sobre ser tratada assim?
Se ele precisasse apenas de uma confirmação de posse, poderia tê-la abraçado e possuído assim que entrou no quarto. Separaria as pernas dela, empurraria a ereção para dentro e gozaria como um animal no cio. Homens geralmente odeiam a palavra "confirmação" emocional.
Mas, mesmo que precisasse de uma confirmação tão básica, Inês agora...
Sim, se for assim, agora eu aceito.
Ela envolveu os braços nas costas dele, acariciando suavemente os músculos tensos.
Agora acho que está tudo bem, não importa o que você faça comigo... Era uma vaidade imaginar que ele não faria algo bruto, mas estava tudo bem se fizesse, já que Cássel Escalante era dela.
Se ele fosse o tipo de homem puritano que jamais faria tais coisas, talvez ela o tivesse beijado com tristeza. Mas estava tudo bem, porque ele parecia disposto a devorá-la de qualquer jeito.
Inês gostava de morder o pescoço dele como uma fera e montar nele. Porque, quando o devorava assim, sentia que o governava por completo. E seria bom ser devorada de volta assim. Se fosse ele quem a governasse.
Porque você é meu, de qualquer maneira.
Talvez seja por isso que me tornei sua.
— ... Cássel.
Ela levantou a cabeça dele com a mão, acariciando o queixo duro.
— ... Se você prometer ir para a cama dormir esta noite, farei o que você quiser.
No fim das contas, o que ele queria era o que ela queria, então ele era um parceiro fácil. Porque ele não conseguia querer o que ela não quisesse...
Ele estreitou os belos olhos sem dizer uma palavra. Curiosamente, em seus olhos sombrios, surgiu uma dúvida frívola, buscando a familiar luz da cortesia. Ele acrescentou, com a boca entreaberta, como se um sorriso estivesse prestes a escapar.
— No meu corpo? — perguntou ele referindo-se ao fato de que ele não faria nada no corpo dela, mas ela faria no dele, ou vice-versa, a negociação do desejo.
— ...
— O que você quiser fazer, eu farei por você.
— ...
— Então, não vá embora hoje.
— ...
— ... Isso é loucura?
No final, ele caiu na gargalhada, como se a resposta chocante dela fosse ridícula. O rosto sombrio de antes desapareceu, e o Cássel de sempre voltou num instante, só porque Inês dissera algo "assustadoramente" ousado.
Mas o que era ainda mais ridículo era que o rosto de Cássel Escalante, que tremera de ansiedade sem que ela soubesse exatamente quando, se acalmou rapidamente. Assim como ondas revoltas se acalmam num momento... Inês o puxou para mais perto e abraçou aquele homem que ainda a olhava com uma expressão de perplexidade.
Enquanto respirava fundo, o cheiro do vento das colinas de Logorño e o som pacífico das ondas batendo nos penhascos a invadiram.
Como eu poderia não gostar dessa sensação?
Como eu poderia não sentir sua falta de novo?
— Você pode ir embora pela manhã, assim que acordar. Se for muito tarde, apenas levante-se e vá.
— ...
— Então, por favor, não arrisque sua vida por ignorância ou teimosia. Prometa que dormirá aqui, Cássel.
— ... Inês.
— É inaceitável que você me mostre algo assim e depois queira voltar direto para Calztela depois de quatro ou cinco horas de cavalgada com esse corpo exausto. Ainda mais nesta noite escura.
— ...
— Até o momento em que você supostamente chegar a Calztela, escreva e envie uma carta confirmando que chegou bem. Até que essa carta chegue a Mendoza... terei que ficar acordada o tempo todo, imaginando se você adormeceu na estrada ou se caiu do cavalo. O que você quer que eu faça?
— Confie no seu marido.
Mesmo com uma expressão ainda perplexa, ele respondeu com firmeza. Inês sussurrou enquanto percorria as costas rígidas dele com as pontas dos dedos.
— Enquanto você estiver vivo, sim.
— ...
— Se você sabe disso, por favor, assuma a responsabilidade. Cássel Escalante.
— Inês, parece que de repente jogaram um balde de água fria na sua cabeça — brincou ele, surpreso com a súbita seriedade prática dela.
— Se você prometer isso...
As pontas dos dedos de Inês, que haviam subido pelas costas dele, contornando a curva dos músculos tensos, acariciaram suavemente a nuca dele.
— ... Contanto que você me prometa isso, qualquer coisa que fizer comigo está bem.
— ... Eu sei o que vou fazer com você.
— Prometa. Cássel.
As mãos dele, que de repente a apertaram abaixo da cintura, cruzaram-se e depois se afastaram. Sem que ele percebesse, uma força anormalmente forte tomou seus braços por um momento e depois, como se ele mesmo se surpreendesse com a própria intensidade, soltou-a à força.
— Eu não vou embora.
Inês deu um tapinha na nuca dele, elogiando a decisão, e Cássel enterrou o rosto profundamente no ombro magro dela, como um cão aliviado.
— ... Quando acordar de manhã, farei como você disse.
— Sim.
— Eu irei embora então.
— Certo.
— Não farei nada que você não goste — murmurou ele, enquanto esfregava o nariz afilado contra a pele dela.
Inês deu tapinhas silenciosos na parte de trás da cabeça de Cássel com a mão que estava entrelaçada em seus cabelos.
Desde o momento em que entraram no quarto e ela foi empurrada contra a porta, a ereção sob o uniforme dele ainda pressionava ameaçadoramente suas coxas, mas ele não fez nada além disso, contrariando a frase "Você sabe o que vou fazer com você?".
Era frustrante tê-lo ali, respirando pesadamente, sem agir. Então Inês o cutucou na lateral do corpo. Como resposta, ele abriu a boca.
— Inês.
Ela demorou a responder, perdida em pensamentos. Se ela não respondesse, o nome dela voltava a ressoar contra sua pele.
— Inês.
— ...
— Inês.
Ele continuou chamando-a pelo nome, como se nem quisesse uma resposta. Como uma fera que ruge e ruge sem se cansar, ele murmurava o nome dela inúmeras vezes. Como alguém que teme esquecer.
— ... Inês, você gosta de mim?
Foi a primeira coisa que ele perguntou. Inês sorriu, surpresa.
— Você sabe que sim.
— Eu não sei.
— Que tipo de jogo é esse?
— Você sempre se afasta quando acha que eu sei demais.
— ...
— Você ainda está cheia de coisas que eu não consigo ver, Inês. É como se tudo acontecesse além de uma névoa matinal...
— ...
— Às vezes, sinto que perco os sentidos mesmo quando você está na minha frente. Ainda há muito que não sei. Tudo o que sei é apenas a superfície...
— ...
— Então, eu não te conheço. Inês.
Era uma voz solitária, mas não desesperada; uma voz calma, mas carregada de significado, que deixava um rastro de dúvida desconhecida.
Inês segurou a cabeça dele para tentar levantá-la, mas ele não se importou e enterrou o rosto mais fundo. Os braços ao redor da cintura dela se apertaram novamente. Era como se ele tentasse dizer algo que não podia ser visto com os olhos.
— ... Eu continuo te vendo, mas parece que não consigo te alcançar. Inês. Como se você não estivesse em lugar nenhum.
— Acho que existo de uma forma muito clara. Agora.
— Você está realmente viva na minha frente?
— Você está sentindo minha respiração agora. Escalante.
— Esse fôlego na minha pele é realmente seu?
— Não sei de quem mais seria.
Murmurando com voz lúgubre, como se vagasse num sonho, Cássel parou de falar. Tão resoluto quanto a recusa dele em acreditar na realidade.
A expressão dele, olhando para o teto, não era nada boa; não havia nada de bom em deixá-lo lamentar que não a conhecia ou deixá-lo afundar em pensamentos.
Além disso, aquela atitude de insinuar "Eu sou o único que gosta de você e você não sente nada por mim" era como cavar um buraco e ficar esperando que ela caísse nele...
Inês não queria cair nessa armadilha, nem queria vê-lo cair num poço de autopiedade.
— Você é mesmo... é mesmo a minha esposa?
— O que foi? Você preferiria que eu fosse mais dócil e gentil.
— Se você ficar dócil, você morre, Valeztena.
O tom dele de repente se tornara grave, soando como uma ameaça. Mas, no fundo, era apenas um lamento patético: ele queria dizer que a Inês que ele amava deixaria de existir se mudasse... ou talvez que ele morreria se ela não fosse mais ela mesma.
Inês deu um tapa no ombro de Cássel.
Mesmo depois de levar o tapa, a voz dele continuou a murmurar, teimosa:
— ... Acho que sou eu que realmente morreria.
— Então eu bato em você de novo, Escalante. Fique quieto e trate de viver.
— Se eu morrer... vou me colar ao seu próximo marido e atormentá-lo. Vou assombrar o bastardo até que ele se esgote e morra também.
— Você se atreve a me fazer viúva...? — retrucou Inês, incrédula com o ciúme póstumo.
— Você nunca será uma viúva "livre". A menos que morra e volte a ser uma Escalante junto comigo.
Inês bufou.
— Por que eu faria algo tão cansativo quanto lidar com seu fantasma?
— Se você não quiser ter esse esforço cansativo depois que eu morrer... então trate de me aguentar agora. Hein? Inês.
— Ha.
— Eu gosto de você, Inês.
Prrefiro transar, que se dane.
Inês deu um tapa na nuca dele, como se estivesse repreendendo um cachorro gigante. Eu disse para você fazer o que quisesse, então não posso te impedir agora só porque você está ficando sentimental...
Além disso, Inês continuava preocupada com o estado físico dele. Mesmo que não fosse uma promessa formal, ela não conseguia ignorar a estranheza. A energia dele parecia estar bem, e a temperatura corporal parecia ter voltado ao normal... Então, não era estranho? Como uma pessoa que costumava ser tão saudável de repente ficava assim?
Inês lembrou-se do relatório absurdo de Raúl e pensou em perguntar de novo. Mas acabou respondendo quase ao mesmo tempo à declaração dele.
— ... Eu gosto de você também.
— De novo.
— Eu te amo.
— Mais uma vez. Inês.
— Eu te amo, Cássel. Mais do que você pensa.
— ...
Um calor subiu às orelhas dela enquanto o silêncio dele se prolongava. Quando ela disse, parecia não ser nada demais, mas depois de soltar as palavras no ar, sentiu-se um pouco envergonhada e baixou os olhos sem perceber. Cássel perguntou em voz baixa, soltando o ar como se tivesse prendido a respiração por muito tempo.
— ... Você tem noção do tamanho que isso ganha na minha cabeça quando você diz essas coisas?
— Você sempre espera muito pouco de mim.
Mesmo com o rosto levemente corado, Inês disse a verdade com calma. Na verdade, não é tão difícil assim gostar de você mais do que você imagina. Não há dificuldade nenhuma em te querer.
— É por isso que eu também me preocupo com você, Cássel.
— ...
— Tenho medo de que você entenda errado... ou que acabe se machucando.
— ...
— Se você continuar agindo imprudentemente como agiu hoje, então você...
O beijo dele caiu sobre ela, impedindo-a de terminar a frase. Um beijo muito comum, não tão feio quanto a primeira vez, nem tão desesperado quanto há pouco. Cercados pelo som imaginário das ondas, como um dia em que se sentaram lado a lado numa pequena mesa onde seus joelhos se tocavam e seus lábios se encontravam...
Foi a primeira vez que se beijaram assim desde que entraram naquele quarto. Só depois de deixarem inúmeros beijos fluírem para o território desconhecido um do outro.
— ... Então, você não vai transar afinal? — perguntou Inês, franzindo o cenho levemente enquanto os lábios dele se afastavam devagar.
Como se ela dissesse algo assim num ambiente tão romântico.
Mas era ele quem ainda estava horrivelmente deprimido, pela ereção dolorosa, lá embaixo. Inês olhou para baixo e continuou.
— Não há nada que você queira fazer?
— ...
— Então, posso me levantar e ir me lavar?
— ... Eu não ia fazer isso.
— Entendo. No entanto, assim... — Enquanto ela falava seca e com certo desdém, levantou as pernas e se esfregou nele; ele trincou os dentes por um momento e engoliu algo parecido com um xingamento.
— ... Eu não tinha intenção de fazer isso, do início ao fim.
— Depois de vir a Mendoza após um mês, você diz que não se atreveu a fazer isso.
Inês, sem perceber, avaliou o pensamento dele como "atrevimento", depois franziu a testa delicada. Como se repensasse por um momento o que acabara de dizer.
No entanto, se ela era sua esposa, era lei que ele tinha o direito de exigir o ato, e eles já tinham até planos para filhos. De onde vinha toda aquela hesitação sentimental...? Mesmo pensando bem, parecia que tudo o que ele fazia servia apenas para despertar a raiva dela... Inês o encarou agora, sem nenhum remorso.
Em qualquer outra ocasião, Cássel Escalante a teria provocado com todo tipo de insinuação lasciva — pedindo favores sexuais ou perguntando o quanto ela desejava dormir com ele. Mas o homem que costumava ser tão descarado agora estava quieto.
Foi após um breve silêncio carregado que ele finalmente respondeu.
— ... É porque eu não pude me lavar.
— O quê?
Era uma voz desprovida de qualquer confiança. Quando Inês fez a pergunta com um sorriso incrédulo, ele despejou a explicação de uma vez, com um tom amargo.
— Acordei de manhã, fui direto treinar, joguei uma água no corpo rapidamente e fui trabalhar. Eu deveria ter voltado à residência oficial para tomar um banho decente à noite, mas assim que recebi sua carta, vim correndo para Mendoza sem pensar...
— ...
— Então não tive tempo de me limpar antes de te ver. Mesmo se tivesse me lavado antes de sair, teria ficado sujo de poeira e terra no caminho para cá de qualquer jeito... De qualquer forma, quando cheguei à residência de Mendoza e você não estava, ver seu rosto era o mais urgente, então fui direto para a corte... Como eu poderia tocar em você nesse estado?
— ...
— Então, agarrei um assistente que passava no corredor, o obriguei a trazer uma bacia com água, peguei uma escova de dentes e lavei a boca... Inês, eu limpei apenas as partes que você poderia alcançar [rosto, boca, mãos].
Isso significava que, desde o momento em que se olhou no espelho, ele não tinha a menor intenção de levá-la para a cama, simplesmente por se sentir sujo demais para ela.
Inês recordou o momento na festa em que ele parecia simplesmente perfeito. O aroma fresco que a atingiu de repente quando correu para abraçá-lo, o cabelo loiro macio que se enrolou em seus dedos... Havia algo de sujo ali?
Inês olhou mais uma vez para o rosto dele, que a observava de cima. Talvez tudo aquilo fosse uma manipulação da saudade. O cabelo dele estava todo desarrumado pelas mãos dela, e o uniforme, antes impecável, estava meio aberto...
Eu também não sei onde está essa sujeira toda, pensou ela.
— Como posso entrar em você com um corpo sujo e sem lavar? Inês.
"Como eu me atreveria..." Parecia que essa frase tinha sido omitida, mas estava implícita no tom dele.
— Então, o que foi toda essa correria e o que você fez comigo até agora? — provocou Inês.
— Ah. Tudo o que tocou o seu corpo está limpo.
Foi a declaração mais confiante desde a confissão de que não tinha conseguido se lavar. Era surpreendente que, em meio a toda aquela pressa e esforço, ele tivesse calculado exatamente quais partes limpas poderiam tocar o corpo dela.
Deveríamos ter nos lavado juntos naquela hora... pensou ela.
Ela simplesmente esqueceu o mau humor causado pela situação. Inês o arrastou para o banheiro, tratando-o como se ele fosse um caso perdido e patético.
Era hora de atormentá-lo um pouco, depois de tanto tempo.
✽ ✽ ✽
Quando foi que voltei para a cama desse jeito?
Antes mesmo de conseguir abrir os olhos, sua consciência despertou primeiro, com um pensamento vago.
Como se quisesse se enterrar no colchão, Inês afundou o rosto e a cabeça pesada no travesseiro, levantando apenas as pálpebras, que mal se abriam. Sim, ela ainda estava com a cabeça enfiada no travesseiro, então não fazia muita diferença estar de olhos abertos ou fechados.
No entanto, era inegavelmente de manhã, vendo a luz do sol brilhar levemente sobre a seda branca da fronha.
Desde o almoço até a noite da festa, ela ficara na corte, até ser alcançada por Cássel, que voltara repentinamente a Mendoza. Seria estranho se tudo tivesse acontecido tão rápido.
Claro, estritamente falando... Foi ela quem o obrigou a ficar para dormir, para que ele não tropeçasse e quebrasse o pescoço no caminho de volta; foi ela quem o lavou e o arrastou para o banheiro para "comê-lo"; e foi ela quem ficou nervosa até o último segundo quando ele a despiu.
Então, para ser exata, Cássel estava envolvido com ela, mas Inês sentia que já tinha pagado o preço suficiente por persegui-lo. Como ele a avisara várias vezes, ela tinha ido longe demais e fora tenaz como nunca antes.
Agora, até os detalhes triviais pareciam irrelevantes. No final, Cássel Escalante devia ter saído daquele quarto com o rosto limpo e renovado. Como de costume no dia seguinte após ter feito sexo com ela.
Tudo começou com a respiração deles se entrelaçando, ardendo como fogo enquanto se lavavam. Assim que foi empurrada contra a parede fria, ele se precipitou sobre ela. Era engraçado pensar nisso agora: apoiada numa parede fria como amantes se encontrando em segredo, mesmo tendo um quarto tão espaçoso, sem conseguirem chegar a um lugar para se deitarem juntos.
Como se não houvesse amanhã, beijaram-se com avidez e sede; ele a engoliu, sustentando todo o peso dela no ar, com os pés dela suspensos sem nem tocarem o chão. Ela estremeceu com a sensação de ser atravessada por todo o corpo.
Mas, quando ela recuperou os sentidos pela primeira vez, já tinha caído de bruços e o recebia por trás; e quando recuperou os sentidos novamente, Cássel estava deitado sobre um tapete de pele que fora jogado aleatoriamente perto da banheira.
Então, ela apenas levantou os quadris dele e lhe deu um tapa.
Foi sexo bestial e selvagem. Ele a penetrava com força, gemendo como num grito, e ela conseguiu ficar de quatro, deixando o cabelo longo cair sobre a pele molhada dele, mordendo a nuca dele como se fosse uma presa. Quando a mão dele a tocou, ela inclinou a cabeça ainda mais violentamente, virando-se para morder os lábios de Cássel, surpreendendo-o.
Inês gostava do Cássel que estava profundamente enterrado nela naquele exato momento. Ela esqueceu até a mínima precaução por um instante e se deleitou com os olhos azuis ardendo em sua direção. O momento em que ele a estocava até o fundo, sem a menor consideração. A dor momentânea e a estranha alegria que a faziam se perder...
"Droga, minha Inês lasciva..."
Vozes sussurradas e obscenas se misturavam a gemidos entrecortados. Ele não apenas a beijava; ele a marcava, cravando os dentes na ponta do queixo dela, enquanto seu pau grosso e duro estocava impiedosamente contra a entrada encharcada, batendo fundo no útero a cada investida brutal.
O som da pele dele colidindo contra as nádegas dela estalava no quarto, úmido e ritmado.
Inês sussurrava como um demônio lascivo, virando o rosto para trás, exigindo mais violência. Ela queria que ele a dominasse completamente.
— Segure... segure o meu pescoço, Cássel. Ahh, assim...
Ela implorava para que ele a marcasse, para que deixasse o rastro de seus dentes por todas as suas costas. Ela queria que ele a profanasse, que a arrombasse e a deixasse transbordando dele, cheia de seu sêmen por dentro e suja dele por fora. Ela queria ser reduzida a isso: carne trêmula em volta do pau dele.
— Se for com você... ser tratada assim ainda é bom para mim.
— Inês...
— Porque eu gosto de você. Então foda-se o resto, está tudo bem, Cássel... Eu gosto de você... — Diante da confissão, expulsa como um suspiro ofegante entre gemidos, as mãos dele, que agarravam os quadris dela com força suficiente para deixar hematomas, se tensionaram ainda mais.
Ele aumentou o ritmo, perdendo qualquer resquício de controle, entrando e saindo com uma ferocidade que a fazia deslizar no tapete.
— Com este corpo nobre e tranquilo... — Inês riu, uma risada quebrada, sarcástica e cheia de êxtase. — Olha o que você faz... Você me faz ser comida como uma cadela no cio. É isso que você quer? Hein?
Uma emoção estranhamente pesada, uma mistura de adoração e luxúria, pousou no ouvido dele enquanto ele tentava recuperar o fôlego sem parar de possuí-lá.
— Sim, Cássel. Ainda assim, está bem porque é você. É bom fazer como cães com você... Eu gosto tanto de você, Cássel.
— Quanto...? O quanto você gosta de mim, Inês? — Ele perguntou, a voz rouca, soando como uma criança perdida em meio ao êxtase, buscando desesperadamente uma confirmação enquanto a possuía.
— Sim, muito... ah! — As palavras foram cortadas por uma estocada que a atingiu tão fundo que a fez arquear as costas. O gemido ressoou por sua garganta.
— Quanto, Inês? Diga-me. Por favor.
Ele puxou o cabelo dela, forçando-a a expor o pescoço, e estocou novamente, sem piedade.
— Muito... Eu gosto muito...
— Sim, porque eu gosto muito de você... Eu sou louco por você... Algum dia você vai me matar... desse jeito, Inês Escalante.
— Faça mais forte... Me foda mais forte... Cássel...
— Ahh assim, você vai me matar. Você vai acabar comigo.
— Eu não vou quebrar. Com força. Me tome completamente, Cássel.
— Você sempre... me tem na palma da sua mão. Nunca me deixe, jogue comigo até eu morrer... Está bem? Meu último suspiro seria sorrindo.
Naquele momento, envoltos em suor, fluidos e gemidos, eles deviam ter enlouquecido completamente.
Era impossível contar quantas vezes ela atingira o clímax na noite anterior, ou quantas vezes ele havia gozado. Como bestas que ignoram a cadeia alimentar, sempre que tinham a oportunidade, mordiam e subiam um em cima do outro, como se quisessem se devorar. A noite inteira passou assim.
Parecia que valera por seis ou sete noites juntas.
Eles simplesmente se sentiam vivos. Mesmo no momento em que ele a tomara de quatro no tapete como um animal; quando ela desmoronou e apenas se aninhou em seus braços; mesmo quando todo o corpo dela derreteu com a penetração calma e lenta, onde ele a invadia com tanta ternura... E mesmo quando ela o engoliu de novo...
Ironicamente, ela sentia que estava com ele verdadeiramente naquele ato tão rudimentar. Aquele foi o momento em que seu coração se partiu e se refez, uma e outra vez, ou o momento em que as sementes dele foram espalhadas sobre suas costas e nádegas.
Ele agarrou as nádegas esbeltas da esposa como se não pudesse suportar a luxúria que a contaminava, e pressionou a cabeça contra a entrada dela com um suspiro rouco. No final, restou a vergonha momentânea de estar deitada olhando para o teto com as pernas abertas...
Cássel se masturbou enquanto segurava Inês e acariciava o próprio membro, que voltara a ficar ereto. Enquanto contemplava o corpo sensível dela se contorcendo apenas com o toque de sua língua explorando a fenda úmida, ele bebia tudo o que fluía no momento em que o ventre dela se contraía.
Quando Cássel entrou nela de novo, parecia ter perdido a sanidade por um instante.
Ele a olhava de cima com uma tenacidade que parecia querer gravar a imagem na alma, enquanto ela tremia e gemia, erguida por ele, incapaz de suportar mais a emoção, contraindo os olhos avermelhados.
— Não feche os olhos, Inês.
— Ah, ah...!
Você deve ver seu marido.
— Por favor, Cássel...
— Sim, você deve abrir os olhos assim e me olhar com atenção.
— Ah! Cássel, eu...
— Minha Inês.
Fixando o rosto dela em sua direção, ele a penetrou um pouco mais devagar, como se esfregasse o interior convulsivo dela após o clímax.
— Você sempre deve me olhar assim, Inês.
— Uff, ahhh...!
Agora sou seu único homem.
— ...
Desta vez, você me escolheu. Então sou seu.
Deliberadamente, ele saiu de dentro de Inês no último momento e ejaculou longamente sobre o estômago dela. Como se pudesse fazer tudo o que quisesse. O sêmen perolado respingou em diagonal até os seios pálidos dela.
Inês, que mal sabia o que estava acontecendo, respirou fundo e o olhou. Seu corpo estava coberto de manchas peroladas por toda parte. Com os olhos vagamente extasiados, ele espalhou o sêmen, que escorria pelos seios dela, sobre a pele pálida.
Como se esperasse que ela sentisse o cheiro dele, a mão que esfregava com força sutil finalmente torceu os mamilos dela como se os beliscasse, deixando uma gota de sua semente na ponta.
— ... Parece que você está lactando.
— ...
Posso imaginar você tendo um filho meu algum dia, Inês.
Fazendo meu sêmen fluir como leite nos seios da minha esposa, que ainda nem está grávida... Por que havia uma alegria tão pura em fazer algo tão insidioso e promíscuo?
Ainda assim, as sombras permaneciam projetadas. Satisfação incompleta e medo...
Inês voltou a fechar os olhos, ainda incapaz de tirar o rosto do travesseiro na manhã seguinte.
Como era a vida antes de vir a Mendoza? Já se passara um mês, e ela não conseguia lembrar de nada além da aparição dele na corte.
De repente, veio à mente o momento em que se entrelaçaram como videiras numa banheira escura. A luz refletida na parede distante, o som da respiração quente, a sensação da superfície da água oscilando e batendo contra a pele enquanto ele a golpeava por dentro...
A sensação perfeita de ter as entranhas preenchidas por ele.
Inês tocou a fronha do travesseiro, sentindo-se um pouco sombria, sem levantar a cabeça. A razão pela qual nem olhara para fora do travesseiro, muito menos se levantara, provavelmente era porque não queria confirmar imediatamente o vazio deixado por Cássel. O fato de estar com ele quando adormeceu, mas não quando acordou...
Inês sorriu e cortou aqueles pensamentos, que pareciam lixo sentimental.
Como cheguei a este ponto?
Sabendo que isso aconteceria, ela pensara vagamente de antemão que Cássel Escalante não estaria ali quando ela acordasse. Porque ele foi bom o suficiente. Ficarei bem com isso por um tempo...
No entanto, assim que abriu os olhos...
— ... Eu deveria ter dito para ele não ir embora até o almoço.
Inês murmurou involuntariamente e se levantou, estalando a língua como se estivesse surpresa consigo mesma. Contrariando o desejo de se levantar rápido como se estivesse fugindo, o corpo exausto demorou a reagir.
De qualquer forma, Cássel Escalante tinha que sair de Mendoza rapidamente. Pelo menos até que ela tivesse uma imagem mais clara das intenções lamentáveis daquele bastardo do Oscar... Depois de avaliar a situação, não haveria mais problemas.
Inês sentou-se na cama e franziu o cenho.
Bem. Cássel tinha que ficar em Mendoza o mínimo possível. Originalmente, ele deveria retornar a Mendoza pelo menos duas semanas antes do casamento do Príncipe, mas... Era cedo demais.
Inês desejou que ele tivesse feito uma loucura no dia anterior e a levado de volta para casa com ele. Era frustrante viajar de carruagem todo o caminho; ela poderia ter voltado a cavalo com ele.
Foi no momento em que virou a cabeça para tocar a sineta na cabeceira da cama, pensando com indiferença, que ela viu.
— ...
Havia uma carta sobre o travesseiro onde Cássel dormira. Inês piscou em silêncio.
A cama era tão grande que ela tinha que se arrastar de um lado para o outro de vez em quando, mas o travesseiro dele, que estivera ao lado dela a noite toda, estava perto o suficiente para alcançar.
No entanto, Inês não pegou a carta imediatamente. Ela apenas ficou observando, hipnotizada, enquanto a luz do sol da manhã deslizava através da coluna da cama, iluminando lentamente a superfície do envelope até aquecer as palavras escritas ali.
「 Para o Sol da minha vida, Inês. 」
'Sol de mi vida'.
Era um dos dezenas de apelidos melosos que os amantes de Ortega usavam à exaustão. Uma frase tão comum quanto o próprio ato de amar naquele país, e tão desprezada por ela, que sempre achou a cultura de Ortega desesperada por um romance barato e teatral. Era o tipo de clichê que ela reviraria os olhos ao ouvir.
Mas, lendo agora...
「 Sol da minha vida, Inês. 」
(Para Inês, que é a luz que ilumina a minha existência.)
O raio de sol físico tocou o nome dela no papel, como se confirmasse a verdade daquelas palavras. Inês esfregou o rosto lentamente, que parecia ter endurecido, como se tivesse recebido um golpe inesperado. Um golpe de pura e descarada ternura.
Depois, cobriu o rosto com as duas mãos e, lentamente, curvou as costas, enterrando a cabeça nas cobertas.
Suas orelhas estavam vermelhas como brasas vivas.
Você deve estar louco.
Escalante, você está completamente louco.
— ... Como? Como você tem coragem de escrever uma coisa dessas? — sussurrou ela para o vazio, com a voz abafada.
Como uma pessoa pode não ter vergonha de ser tão... adorável?
Devo ter ficado louca também, talvez porque não dormi direito...
Ela pensou que soltaria um bufo de escárnio enquanto limpava o rosto, rindo da cafonice. Mas não conseguiu rir. Não havia graça nenhuma, apenas um calor avassalador. Parecia que alguém havia ateado fogo em seu rosto. Suas orelhas ardiam com a intensidade daquela confissão simples.
Inês levantou a vista e olhou para a carta novamente, incapaz de desviar o olhar daquele "Sol". Sem perceber, tapou a boca com as duas mãos, sentindo o coração bater descompassado.
Ali, sozinha na cama grande, ela se sentia como uma senhorita de doze anos que acabara de receber a primeira carta de amor do garoto de quem gosta.
Passada com esse capítulo!!!! Meu casal se ama muitooo!
ResponderExcluirEsse cap foi hot kk o próximo é mais romântico
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