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Capítulo 102 — Desperta para o Amor

 「Minha Inês,

Escrevo esta carta agora, desejando que você tenha uma boa tarde em Mendoza.

Hoje recebi sua primeira carta, enviada de Mendoza.」

— "Hoje...?" — murmurou Inês.

Inês enviou a carta ontem, e foi ontem à tarde que Cássel a recebeu ao chegar em Calztela... Esta era a resposta que ele escreveu ontem, logo após receber a carta dela. Não era algo que ele tinha escrito naquela manhã.

Sem perceber, Inês sentiu uma pontada de decepção, mas logo descobriu que havia mais uma carta dentro do envelope, e sentiu um alívio súbito, embora um pouco envergonhado. 

Pensei que ele tivesse escrito isso enquanto cavalgava para cá, mas a resposta é que... Que tipo de resposta ele traria cavalgando...?

Enquanto pensava nessas coisas absurdas, uma palavra de repente chamou sua atenção.

— "... Carta? Quando?"

Quando eu enviei uma carta? Inês franziu o cenho e murmurou. Suas orelhas ainda estavam quentes e vermelhas como brasas.

Com medo de sentir sede enquanto lia, antes mesmo de abrir o selo, ela bebeu toda a xícara de chá. Mas agora, sem olhar para o fundo vazio, levou a xícara aos lábios novamente e a largou bruscamente ao perceber que não havia nada para beber.

Aquele gesto brusco devia-se à compreensão tardia de que o copo estava vazio ou à compreensão tardia de que Cássel Escalante estava certo?

Carta... Certo... Eu disse que queria vê-lo. Eu pedi que ele viesse...

De repente, ela não tinha nada a dizer. Escrevi uma carta. Eu escrevi uma carta. Aquilo conta como uma?

O que era mesmo? Inês forçou os olhos, que pareciam endurecidos pelo choque, a continuar lendo.

「Você não imagina o quão importante será para mim a sua primeira carta de amor, o quão maravilhoso é saber que você só quer me ver, e por quanto tempo sua carta será lembrada como uma bela história para nossos descendientes, como um grande documento da família Escalante. Antes de qualquer notificação oficial...」

— "... Documento? Registros?" — murmurou Inês, incrédula com o exagero. Aquilo era praticamente um bilhete.

—  Vocês dois são realmente inacreditáveis. Veja só como a senhora está... É bastante impressionante...

Foi então que o murmúrio abafado de Juana foi ouvido, quebrando o transe de Inês.

Inês lançou um olhar para Juana, como se estivesse irritada por ser interrompida. Mesmo assim, era um olhar de quem sabia que a criada tinha visto todo o caos no quarto desde o momento em que abriu a porta.

— Bom dia! Minha nossa, Senhora, ouvi dizer que o Senhor a visitou ontem à noite... Mas o que... Um ladrão passou por aqui ontem à noite?! Será que ouvi um ladrão?

Juana ainda estava resmungando e arrumando as coisas, e Inês mal tinha conseguido ler a carta até agora. A verdade é que Juana estava observando a bagunça com um olhar malicioso e nem estava organizando as coisas direito.

Havia muito tempo que o casal não se via, então era natural que o reencontro fosse um pouco... barulhento. Inês, que encarava fixamente sua criada, tentou manter uma expressão descarada, muito diferente do rosto que queimava só de ler aquele apelido na carta.

Em primeiro lugar, tinha sido impossível para eles terminarem o "trabalho" no banheiro e voltarem para a cama pacificamente. Depois do banho, Cássel arrancara todo o negligé de Inês e a roupa íntima nova que ele mesmo a ajudara a vestir.

No caminho de volta para a cama, nos braços dele, ela o beijou, e de repente foi colocada sobre a mesa do aparador. Claro, ele queria fazer mais contato visual com Inês, mas...

Foi apenas um instante para traicionar as "boas intenções" de apenas dormir. Ele a sentou ali no caminho por um momento, e ela agarrou Cássel novamente, porque ambos sabiam que ele desmaiaria assim que encostasse a cabeça no travesseiro.

A consciência de que "não restava muito tempo" é uma lei que às vezes enlouquece as pessoas, sem que elas percebam.

— Minha travessa Senhorita cresceu tanto de repente... — murmurou Juana, com um sorriso malicioso. — É como dizem: ovelhas e cavalos criados no mesmo pasto acabam agindo igual.

— Hum.

— Sério, Senhorita Inês... Eu sabia que a senhora seria assim algum dia, mas isso é mais do que imaginei...

Juana se agachou perto do aparador e murmurou, recolhendo um a um os botões da camisa de Cássel que haviam saltado longe.

— A bagunça perto da cama e no banheiro é um espetáculo à parte, mas de alguma forma, até no caminho de volta vocês conseguiram destruir tudo...

Nos braços dele, o negligé de Inês e a camisa de Cássel tinham ficado embolados juntos no chão. Nenhum dos dois poderia ser usado novamente. Assim como as roupas de ontem que Juana já tinha recolhido sobre a mesa.

Se as criadas de Inês levassem aquilo e dessem para as costureiras "reformarem", a noite barulhenta do casal ducal se tornaria fofoca na residência inteira. Por isso, Juana estava recolhendo tudo discretamente.

— A senhora é tão linda e nobre da cabeça aos pés, mas vocês se ignoram e depois se devoram como cães...!

— Vamos ouvir o que você tem a dizer, Juana — retrucou Inês, tentando manter a postura, desviando o olhar das cartas.

— Não importa o quanto ele tente manter a classe, o Capitão Escalante não consegue resistir a ser influenciado pela própria esposa desse jeito... E pensar que a Senhora trataria um senhor tão bonito como um simples servo, sem piedade. Quão fria a senhora é...

— Quem está batendo e controlando quem aqui? — perguntou Inês, indignada com a insinuação de que ela era a única "selvagem".

— Minha travessa Senhorita se tornou uma mulher Pérez em toda a regra — concluiu Juana, triunfante. — Amar apaixonadamente como se não houvesse amanhã, expressar o desejo honestamente, como se quisesse devorar o próprio homem... É o sangue dos Pérez!

— Você...

— Pensar que a senhora, a mesma pessoa que jurava que jamais olharia na cara do marido pelo resto da vida, falava sério... Até a Duquesa estava cega para a verdade. Eu cheguei a pensar que estava errada sobre o futuro de vocês, mas depois de ver evidências como esta... Estou tão comovida agora! Mas, ao mesmo tempo, sinto um certo vazio ao ver que a minha menina cresceu tanto...

Para Juana, que até então só ouvira os rumores vindos de Calztela, mas nunca testemunhara nada com os próprios olhos, aquilo era um acontecimento memorável. Mesmo que ela não dissesse em voz alta, a combinação da personalidade afiada de Inês com a fama intensa de Cássel devia ser exatamente o tipo de mistura que alimentava suas fantasias e preocupações.

Mas Inês voltou a olhar para a carta com ar de tédio, ignorando completamente o turbilhão de emoções — uma mistura de devoção sagrada e curiosidade maliciosa — em que sua fiel criada estava imersa.

Agora, o problema era outro.

「Acima de tudo, expresso meu mais profundo pesar por você estar passando por um momento decepcionante em Mendoza, Inês. Se eu estivesse com você... se Calztela sem você fosse parecida com a sua entediante Mendoza, isso seria algum consolo?

Inês. Nem consigo lembrar do tempo em que você não estava em Calztela. Antes de me casar com você, eu nem sabia como vivia neste maldito porto naval.

E, para deixar de lado o que resta da minha pretensão: na verdade, até mesmo este mês sem você...」

— "... ..."

「Já se passou um mês. Não sei como esse tempo passou sem você.

Sempre penso em você como um louco. Inês Escalante. Quando acordo de manhã, estendo a mão como se pudesse te abraçar e te tirar da cama ao meu lado. Procuro seu cheiro antes mesmo de abrir os olhos. Sonho com o momento em que coloco o nariz na luz do sol e respiro fundo para acordar completamente... Sem você, tudo parece irreal. Acho que tudo é como um sonho.

Sempre sinto que estou preso num sonho do qual não consigo acordar. Inês. Como se eu só fosse acordar quando você voltar para cá... Sim, sem você, vivo num sonho muito entediante. Quando saio do quartel a cavalo, penso que posso voltar para a residência e te encontrar. Mesmo no momento em que entro pelo portão principal, pergunto onde está a minha Senhora, esperando que alguém me responda seu paradeiro.

Quando mal consigo segurar esse impulso estúpido e subo para o segundo andar, quando abro a porta da biblioteca, volto a pensar como se estivesse numa necessidade desesperada. Quando vou para o quarto, espero que você apareça meio adormecida junto à janela...

Inês, sou tão estúpido sem você.

E tenho certeza de que você sabe o que sua carta significou para este tolo faminto.」

— O que diabos a senhora está olhando por tanto tempo? — perguntou Juana.

— ...

— ... Senhora Inês?

「Então, estou indo ao seu encontro. Inês. Não importa o quanto você reclame, vou te abraçar com tanta força que você não conseguirá respirar nem por um segundo. Vou aspirar seu cheiro para o fundo dos meus pulmões e beijar seu rosto como se quisesse mordê-lo, pedaço por pedaço. Minha Inês. Minha maldita e preciosa Inês...

Porque você me deu uma desculpa de novo. Porque você disse que queria me ver.

Às vezes, tenho vontade de te engolir inteira para te esconder do mundo, Inês. Por mais que eu te possua na minha imaginação, nunca é suficiente...」

Dali em diante, a carta transbordava de todo tipo de obscenidades íntimas e detalhadas.

Sentindo-se insuportavelmente envergonhada ao ver atos que, na prática, ela realizava sem pudor, agora descritos de forma tão crua e contundente naquela caligrafia elegante e aristocrática, Inês lançou um olhar rápido e culpado para Juana e dobrou o papel às pressas.

Depois, olhou novamente para a criada e baixou os olhos para ver onde ele tinha assinado.

「Da casinha em Calztela, Cássel Escalante, seu marido.」

— Senhora Inês?

— ... Estranho.

— Por que de repente a senhora baixou a cabeça assim? O que houve? — A voz de Juana tremeu levemente, notando a súbita falta de movimento da patroa.

— Sinto que meu coração vai explodir... — murmurou Inês, com a mão no peito. — É desconfortável... é muito estranho.

— Meu Deus! Senhora!

Inês pôde sentir Juana se aproximando da mesa num rompante de ansiedade, pronta para gritar por um médico ou acudir um desmaio. Mas Inês, ignorando o pânico da criada, voltou a levantar a cabeça de má vontade e, com os dedos trêmulos, tirou a segunda carta do envelope.

「 Bom dia, minha Inês. Sol da minha vida.

Você é a luz que ilumina minha existência.

Quando você acordar, peço que perdoe a crueldade de seu marido por não estar ao seu lado.

Espero que você, vencida pela exaustão, tenha dormido bem e sem sonhos.

E que encontre prazer ao ler esta carta. 」

Juana, que estava prestes a segurar os ombros de Inês para ampará-la, parou no meio do caminho ao ver que não era um desmaio. Ela soltou o ar, levando a mão ao peito, o coração disparado de susto.

— Eu pensei que a Senhora estivesse doente... — murmurou Juana, com a voz fraca de alívio. — Quando a senhora disse que não conseguia respirar e que o coração ia explodir, eu fiquei apavorada... Pensei que fosse algo grave!

— Quieta, Juana.

— Mas... espere. — Juana estreitou os olhos, notando o papel na mão de Inês e a caligrafia inconfundível. — Aquilo ali... "Sol da minha vida, Inês"?

Os olhos da criada se arregalaram.

— Meu Deus... Isso é uma carta do Senhor Escalante? Ah, meu Deus, meu Deus...

Juana começou a tremer, mas agora não era de medo. Ela segurava o próprio rosto com uma mão e cobria a boca com a outra para abafar um gritinho histérico. Se fossem duas adolescentes e não patroa e criada, teriam gritado e pulado de mãos dadas.

A visão de Inês jogando a primeira carta para trás com desdém, perguntando "que tipo de papel era aquele", tinha sido engraçada; mas o que dizer agora? Ver sua patroa, sempre tão fria e composta, dizendo que o coração ia "explodir" por causa de uma carta de amor rasgada do marido...?

Era bom demais para ser verdade. O rosto de Inês, que lia a carta, tentava manter a severidade, mas os cantos dos lábios a traíam num sorriso involuntário.

— A sua expressão sempre foi difícil de ler, Senhora, então eu nem sabia se era uma boa ideia me aproximar... Achei que fosse um ataque do coração! — Juana riu de nervoso, com os olhos brilhando. — Mas, meu Deus, o que é isso?

— Você está tirando minha concentração, Juana.

— Sim, sim! A senhora deveria se concentrar na carta do seu marido, não em mim! — Juana se abanava com a mão, eufórica. — Ah, meu Deus... "Sol da Minha Vida"...

— ...

— Nossa Senhorita Inês... — Juana suspirou, olhando para a patroa com um carinho profundo e orgulhoso. — Quando foi que a senhora virou o "sol" de alguém...?

Inês, sentindo as orelhas queimarem, pegou o envelope vazio da mesa e, sem se virar, deu um tapinha nas costas de Juana para afastá-la dali.

No fim, Juana recuou respeitosamente, ficando parada num ângulo onde não podia ler o conteúdo da carta, mas continuou observando sua patroa com olhos brilhantes, silenciosos e cheios de felicidade cúmplice.

「Lamento ter te incomodado tanto ontem à noite.

Para ser honesto, eu deveria dizer que você foi a causa, mas se você não tivesse me provocado daquele jeito, eu não teria conseguido dormir nem um segundo ao seu lado a noite toda. Então, no final, sou grato pelo seu impulso travesso.

Afortunadamente, sou sempre impotente diante de você e você sempre vence.」

Com aquela força absurda, ele fala descaradamente sobre sua impotência... Mas nunca foi mentira.

Às vezes, os olhos dele a olhavam com uma sensação de derrota, como se ele nunca pudesse vencer. Eventualmente, sem poder fazer nada, ele perdia o controle, corria para ela com todas as suas forças e depois a olhava com o rosto torcido de vergonha.

Era apenas um momento fugaz até ele recobrar o juízo, mas Cássel às vezes via isso como um grande fracasso.

Claro, quanto mais ele falhava, mais ela gostava dele.

Inês apoiou o queixo na mão e engoliu em seco. Sentia sede dele novamente.

「Foi a primeira vez que dormi tão profundamente desde que deixei Calztela. Graças a você, sinto-me renascido. Minha travessa Inês.

Ele dizia isso, embora tivesse dormido apenas três ou quatro horas.

Obrigado por me permitir partir da maneira certa.

Obrigado por se preocupar comigo. Obrigado por se preocupar com a minha viagem e por me dar seu precioso coração.

E, tomando emprestada a sua expressão por um momento: porque eu gosto muito de você...」

Nas palavras de agradecimento que se seguiam, ela podia ver duas linhas que ele havia riscado às pressas. Parecia ter percebido que dizer "obrigado por gostar de mim" soava estranho.

Inês deixou escapar uma risada curta.

「... Sim, eu também gosto de você, Inês. Você não imagina o quanto.

Na verdade, eu te amo tanto que essas palavras não conseguem resolver nada. Inês. Não consigo te mostrar tudo, tenho sede de você. Nem consigo expressar isso em palavras. Não consigo nem escrever como me sinto ao te ver dormindo neste exato momento.

Não consigo te dizer o quão ridiculamente feliz você me faz agora...

Então, às vezes penso que nossa linguagem é incompleta. Mesmo quando sinto a necessidade urgente de te dizer algo, parece que metade do que eu queria dizer não pode ser expresso, e tenho vontade de bater a cabeça na parede. Porque pensar em qualquer palavra bonita que exista no mundo não é suficiente para você.

Graças a isso, assim como palavras não ditas flutuam no ar, minha cabeça sempre parece estar girando estupidamente no lugar.

A razão pela qual eu sempre te irrito é, provavelmente, porque no final eu nunca encontro as palavras certas.」

Esse Escalante fofo e estúpido. A verdade é que ele não era tão estúpido assim; estava claro que agir como um idiota apenas na frente dela era sua maneira de se aproximar sorrateiramente. No final, ela foi descuidada e baixou a guarda, e ele chegou tão longe.

Porque ele me fez pensar que seria bom ficar ao lado dele assim...

A menos que fosse o contrário.

「Se eu fosse como você, não teria que quebrar a cabeça com coisas assim. Sim, Inês. Talvez isso aconteça simplesmente porque sou estúpido. Porque sempre me torno um idiota quando estou na sua frente. Quem dera eu fosse tão inteligente quanto você.

Se eu fosse, teria terminado esta carta mais cedo e já estaria a caminho de Calztela...

Mas eu gosto da dificuldade que você me causa. Enquanto fico aqui pensando no que escrever, lutando até encontrar a palavra certa, sinto que tenho uma desculpa para continuar sentado aqui, te observando para sempre.」

Ela não pôde evitar rir de palavras tão estúpidas.

Não poderia ter sido mais irritante... e adorável.

「Sou bastante estúpido, mas tenho sorte. Fico feliz em pensar que posso te olhar um pouco mais, mesmo sendo tão tarde.

Bem. Talvez seja bom assim. Se você soubesse tudo o que se passa dentro de mim, talvez tivesse se cansado e quisesse fugir.

Então, sou muito afortunado por não ser tão esperto quanto você. Inês.」

Ela não podia acreditar que estava prestes a chorar por causa de uma única frase.

「Porque eu não me atrevo a saber tudo sobre você, e você não sabe tudo sobre mim.」

A verdade é, Cássel, que eu sou tão estúpida quanto você.

Talvez até mais estúpida. A ponto de nem conseguir prever a chuva. Como se estivesse vivendo a vida pela primeira vez, como se nunca tivesse falhado antes, estou tão emocionada e presa em mal-entendidos... Sei o quão ridículo isso é, mas não quero mudar. Quero viver isso... Com você.

Não quero mais perceber nada.

Não quero saber de nada, se o que eu souber for interferir no fato de estar ao seu lado.

Ainda assim, ela queria saber as palavras sem sentido que ele riscara acidentalmente...

「... Você disse que queria que eu te acordasse, nem que fosse por um momento, quando eu fosse embora. Mas é difícil obedecer a isso. São 4:50 da manhã e seu rosto está indefeso demais para que eu tenha coragem de te sacudir e te acordar.

Mesmo que não fosse por hoje, Inês, se você pudesse ver seu rosto dormindo uma única vez, me entenderia.

Queria que você visse o quão adorável você é. O quão desprevenido e encantador é o seu rosto pressionado contra o travesseiro, o quão ameaçador e fofo é o seu franzir de testa ao menor toque...」

Que ridícula e estúpida eu sou... querendo desvendar as entranhas que você escondia com suas cartas rabiscadas e a ansiedade que disfarçava com piadas. Cássel.

「Se você pudesse se ver assim, saberia automaticamente o quanto eu te amo. É realmente inevitável.」

Sobre um assunto no qual você nem consegue me mostrar tudo, eu quero saber tudo sobre você agora mesmo.

「Você nem imagina o quanto eu amei este momento.」

Embora eu saiba que você me ama, infantilmente quero saber o quanto me ama. E, egoisticamente, quero me sentir aliviada com a dimensão desse amor...

Eu nem quero ver meu próprio rosto. Só quero ver dentro de você.

「Em Calztela, eu sempre esperava você abrir os olhos nessa hora. Quando você abrisse os olhos, eu queria te dizer que um bom dia tinha chegado... Não é só isso; a verdade é que eu queria que a primeira coisa que você ouvisse ao acordar fosse a minha voz.

Embora eu saiba que é apenas um desejo infantil de exclusividade, tenho buscado em segredo ser o único no começo do seu dia... Tanto quanto desejo ser a última coisa que você vê antes de dormir.

Se não posso ocupar todo o seu dia, eu me contentaria com isso.

Você provavelmente acha que é uma ideia muito estúpida, mas foi um ritual muito importante para mim. Era como ter uma parte de você por um momento.

Te esperar uma ou duas horas antes de você acordar foi meu prazer secreto. Inês. Sempre.」

— ... Sim, está claro que ele gradualmente fez uma lavagem cerebral em mim com isso — murmurou Inês, com a voz embargada.

— Lavagem cerebral? — perguntou Juana, sem entender.

— Tudo foi uma armadilha desde o começo...

「No momento em que você abre os olhos rapidamente e espera que eu brilhe através deles. No momento em que espero sua voz ser ouvida... Às vezes a espera era longa demais e eu ficava nervoso. E às vezes, até a espera era tão doce que eu desejava que você não acordasse mais.

Quando você cai em meus braços sem saber, eu te seguro como se estivesse esperando por isso e nunca te solto, mesmo que você lute.

Quando te abraço assim, toda a minha estupidez e ansiedade desaparecem. Outro bom dia acabou de começar.

Penso em te abraçar de novo à noite assim.

E acredito que posso voltar a te ter em meus braços esta noite.」

Como você pode abraçar alguém que nem está em Calztela?

Era uma ilusão, porque ele nunca poderia segurá-la de verdade à distância. Será que basta encontrar paz e calma na imaginação?

Todas as manhãs, todas as noites, depois de fazer essa lavagem cerebral nela... Fazendo-a tomar a presença dele como garantida. Ele a fez se acostumar tanto a isso que, agora, ela não poderia escapar...

「Inês, então estou realmente bem agora.

Nós ficaremos bem. Você não precisa mais se preocupar comigo. Porque nada vai me acontecer.

Faça o que fizer, está tudo bem. Quando você me disse para ir dormir e partir... Inês, tenho estado perfeitamente bem desde então. Gostaria de não ter me atrevido a fazer nada com você a noite toda. Antes disso, na verdade, já estava bom o suficiente [só estar com você].」

Quando você fala assim, tudo o que você diz parece mentira.

Tudo o que você diz sobre estar bem é mentira. Então não está tudo bem. Depois de se afastar de mim, não importa o quanto eu pense, na verdade não importa.

Ao amanhecer, quando eu não pude nem acordar, o amor que você escreveu sozinho é maravilhoso... e fútil.

Por que você não me acordou? Quero ver seu rosto. Quero te beijar outra vez. Porque é bom que você nem precise respirar. Porque é bom apenas tocá-lo. Não voltarei a fazer perguntas tão difíceis... Entrelacei meu corpo ao seu até a exaustão, mas é engraçado, porque não estou cansada de você. Então me tire desta maldita Mendoza. Se não, fique aqui de novo. Volte a aparecer na minha frente...

「Inês, você se lembra de ter corrido em minha direção quando me viu pela primeira vez ontem à noite?」

Ela nem tinha pensado nisso. Inês virou a página, cheia de remorsos.

「Você me olhou, e seus olhos eram deslumbrantes.」

Mentira.

「Rindo enquanto me olhava... era como olhar diretamente para o sol do meio-dia refletido no mar.」

Dizer coisas assim para alguém que mal te olhou nos olhos... Eu tentei tanto parecer composta, mantendo uma expressão séria... E ainda assim, você enxergou doçura nisso.

「Você correu para mim daquele jeito, e senti que o mundo transbordava sobre a minha cabeça.

Porque te abracei, senti que tinha tudo. Inês.」

Ainda assim, o abismo em que ela caíra era profundo demais.

「 Por enquanto, isso basta. Não importa onde eu esteja ou o que eu venha a descobrir, confio que você sempre me protegerá. Qualquer coisa estará bem.

Você diz coisas que eu mal compreendo, mas eu só quero me convencer de que você tem razão...

Mas não sei como vou conseguir te deixar de novo. Agora tenho mesmo que me levantar. Assim que terminar de escrever esta carta, terei que partir sem te ver mais uma vez, e só de pensar nisso, meu raciocínio falha. 」

Então se esforce mais, pensou Inês, com um leve escárnio carinhoso.

「 Na próxima vez, definitivamente tirarei umas férias longas. Mantenha-se saudável em Mendoza. 」

Você está se saindo bem até agora...

Os olhos semicerrados de Inês percorreram a carta como se estivessem duelando com o papel, até que pararam bruscamente no final, onde o tom mudava para algo mais profundo.

「 E por último, Inês.

Você pode me contar tudo, quando quiser. Seja quando estivermos velhos ou em qualquer dia daqui a dez anos, está bem. Mesmo que esse 'algum dia' que você mencionou esteja num futuro muito distante. 」

— ...

「 Eu estar te esperando não significa que deixarei para te amar apenas 'depois de tudo'. Minha espera é como a própria manhã aguardando você acordar... 」

— Senhorita Inês? — chamou Juana, vendo a patroa paralisada.

Inês a ignorou completamente e continuou lendo, presa nas palavras dele.

「 ... Então, no final, serei feliz simplesmente por sua causa. Não importa o que você faça comigo, não importa o que me diga. Mesmo que a espera me deixe ansioso às vezes...

Porque eu amo a manhã em que você abre os olhos e me vê, tanto quanto amo a manhã em que fico apenas te observando dormir antes de você despertar. 」

— ...

「 Então, por favor, leve o tempo que precisar. Não sinta pena de mim, nem me tolere por obrigação. Apenas me perdoe quando eu reconhecer meus pecados e implorar.

Você já me deu muito, mas eu me esqueci disso por um tempo e te atormentei.

Perdoe-me, Inês. 」

Pedir perdão logo depois de me dar conselhos sobre como perdoar fácil...

No entanto, as palavras que ela queria dizer — que não havia nada a perdoar desde o princípio — faziam cócegas na ponta de sua língua.

O que é que você realmente sabe? O que diabos você sabe de mim? Como você se convence de tudo tão facilmente?

Como você consegue me fazer sentir tão confortável? Justo quando eu estava tão ansiosa. Quando eu estava assustada. Quando eu estava nervosa, como se tivesse sido encurralada num beco sem saída.

— ... Juana, traga-me papel e caneta.

— A senhora vai escrever uma resposta ao Senhor agora mesmo? O que houve? E o café da manhã?

— Depois. E segure Alfonso de alguma forma. Quero que a correspondência vá direto para Calztela.

Emocionada, Juana pegou rapidamente o papel e a pena e saiu do quarto para buscar a tinta. Inês agarrou a pena molhada na tinta e rapidamente escreveu a carta.

「Para Cássel Escalante, de sua esposa.

Sua longa carta foi bem recebida.

Isso é tudo por agora, então escreva uma carta dizendo que chegou bem.

Se você estiver doente e fingir que não está, não vou te perdoar.

De Mendoza, Inês Escalante de Pérez.」

Seu rosto, que se aquecera com um sorriso durante todo o tempo em que leu a carta dele, estava frio como uma mentira enquanto escrevia. Inês dobrou a carta, contendo apenas três linhas de texto seco, e a selou.

Depois, como se aquele fosse o ponto principal, agarrou outra folha em branco e escreveu rapidamente.

「Para o meu bastardo desleal.

Cássel tem uma cicatriz que eu não tinha visto. Assim que toquei na área, vi que ele estava desesperado para calar a minha boca, e soube que não conseguiria obter uma resposta adequada do meu marido.

Está tudo bem, porque eu não esperava nada dele de qualquer maneira. Mas devo dizer, Raúl, que estou profundamente decepcionada com sua lealdade barata.

Lembra da velha canção de Pérez? Você é um bastardo muito irritante com múltiplos donos, como a moeda da canção. As moedas se movem de mão em mão, e quando se desgastam e ficam planas, no final, todos pensam que são falsas e não as aceitam.

Então você se tornará uma moeda inútil para mim e para Cássel Escalante.

Explique-me a situação corretamente e volte a focar. Raúl.

Demonstre quem é o seu verdadeiro mestre.

Em Mendoza, Inês Escalante de Pérez.」

Perto do final da carta, o tom era abertamente ameaçador. Juana voltou a entrar no quarto, ainda animada. Inês selou a carta para Raúl e colocou as duas cartas na bandeja que Juana segurava.

— A senhora vai endereçar uma das cartas para o Raúl?

— Sim.

— Nossa. Ele vai ficar feliz e abanar o rabo como um cãozinho contente ao ver que a senhora escreveu para ele. Ele ficará sem palavras.

— De fato, não é mesmo?

"De fato. Não é mesmo?" era uma pergunta carregada de significado, mas Juana mal percebeu e assentiu com a cabeça.

— Sim, senhora. Aquele valete maluco guarda até os detalhes dos recados que a senhora mandava para o lado oeste, quando era jovem, no cofre do quarto dele...

Não estava claro se a ameaça teria o mesmo efeito de um prêmio para Raúl.

— A propósito, o Senhor Escalante é muito romântico. "Sol da Minha Vida". Sol da Minha Vida...!

— ... É um apelido comum.

Enquanto escrevia ameaças ao seu cão fiel de longa data, o calor voltara ao seu rosto frio. Coisas comuns são comuns, e coisas boas são coisas boas, então não dava para esconder.

— Não é muito comum, não. Chamar de "Sol"! Que tipo de homem sem vergonha na cara diria que gosta tanto assim de alguém? A menos que seja um amor de toda a vida... Sério, mesmo que digam que é um grande amor, na melhor das hipóteses chamam de "linda" ou "minha garota". Mas "Sol"? Isso é outro nível... O que é isso?

Naquele momento, senti vontade de morrer de vergonha. E pensar que nos separamos logo depois disso...

— Você quer dizer que o meu Escalante não tem vergonha na cara? 

— Isso significa que o senhor não demonstrará um orgulho inútil perante a Senhora Inés. Um rapaz realmente bonito não exibe seu orgulho na frente de uma mulher. Todos sabem que ele é bom, mesmo que ele não fique se exibindo.

— É verdade.

— E falando no marido da Senhora Inés, ele é a pessoa de maior destaque em Ortega.

Inés apoiou a cabeça inclinada na mão e revirou os olhos com o elogio.

— Agora, olhe para aquele maldito canalha do Pérez. Aquele pobre bastardo. De um a dez, cada atitude dele é cheia de um sentimento de inferioridade em relação a mim...

— Lembro que você costumava evitar brigar com seu belo amante, mas parece que não é mais assim..

— ..."...Naquela época, eu era teimosa e tinha confiança demais em mim mesma."

— Mas você dizia que ele era ardente.

— O que é realmente assustador é como um homem consome a vida de uma mulher, Senhora Inés.

— ...Por que você fica tão sanguinária quando fala dele?

— O que é realmente assustador é um homem que come, rói e desgasta a vida de uma mulher. Aquele homem é louco? Tenho vontade até de atear fogo nele.

Teria sido menos complicado se ela tivesse se casado no tempo certo. No entanto, era improvável que a Juana tolerasse o marido. Além disso, se mudarmos o destino desse jeito, a pessoa pode acabar morrendo e nunca mais voltar.

Na vida passada, como ela teria conseguido viver casada com aquele mesmo homem, tendo esse temperamento? Eu teria ficado do lado da criada com quem cresci, mas a Juana, na verdade, não estava próxima.

Mas, para mim, ela é como um anjo agora, então está tudo bem...

Inés sacudiu a cabeça, olhou para Juana e voltou a refletir sobre o que ela tinha dito.

Bom. Cassel Escalante é realmente bom. Não é necessário inflar a autoestima... 

Então, por que não estabelecer limites? Será que não consigo? Talvez seja porque eu o reprimi demais desde que era criança? Talvez o fato de ele não conseguir dizer uma palavra contra mim seja um legado daquela época, não é?

— ...A senhora não vai se levantar?

Juana suspirou, colocando a mão no peito de forma dramática, fingindo emoção.

— É só que... Ah, Inés, é tão comovente.

— ...

— Quando foi que a minha "menininha" cresceu desse jeito...?

— ...

— Com essas mãos tão delicadas e finas, a senhora arrancou até a roupa que o Senhor vestia... Virou o quarto inteiro de cabeça para baixo e fez amor como se fosse uma amazona...

Ela está apenas brincando, mas tem um fundo de verdade... 

O tom de Juana era similar ao de uma velha babá chorosa falando sobre a inocente senhorita que ela amamentara desde muito jovem. Ou de uma ama-de-leite orgulhosa vendo a criança virar adulta.

Claro, aquele não era o caso de jeito nenhum.

Pelo menos era o que elas diriam: "Quando foi que nossa linda senhorita, que era tão pequena, cresceu tanto e depois se casou...!"Nesse cenário, não haveria espaço para constrangimentos em uma conversa tão vergonhosa sobre a intimidade da noite anterior.

Inês de repente olhou para Juana, que segurava uma mecha de seu cabelo e a penteava com os dedos.

— Quando você vai entregar a carta que eu pedi?— disse tentando parecer brava  Você  está ocupada demais zombando de mim. Ficando aí parada, sem fazer nada.

— A Senhora Inés até que é muito sincera. Pelo menos em relação ao marido.  Continuou Juana se, prestar atenção.

— ...

— A senhora devia ter visto a cara que fez ao olhar para a carta do Senhor Cassel.

— Eu não quero ouvir nada disso.

— No começo, realmente... Pensei que a Duquesa de Valeztena tivesse mandado uma bronca logo de manhã. Um pedido de duelo ou uma carta de acusação anônima...

— ...

— Mas a senhora estava tão feliz que ficou com o rosto rígido.

— Não foi isso. Eu estava perplexa.

— Com aquela cara pálida e as orelhas vermelhas... Que linda a senhora estava...

— Ei, eu sou alguma palhaça para você? Juana.

Ela não gostava de ser olhada como se fosse uma massa mole e sentimental, mas não tinha energia para ficar brava. Parecia que Cassel tinha levado toda a sua energia de volta para Calztela. O desejo, a resistência. Até o ponto em que ela sentiria uma raiva normal, tudo foi levado.

— Não. É que parece que tudo está melhorando. Tudo sobre a Senhora Inés, aquelas coisas com as quais eu me preocupava.

— ...Cassel nem sequer está aqui agora.

Inés murmurou involuntariamente, como se a ausência dele fosse algo a se lamentar. Mais uma vez, ela tinha sido descuidada com as palavras.

Juana deu um sorrisinho secreto, como se soubesse exatamente o que se passava no coração da patroa. Inclinou-se perto do ouvido dela e sussurrou:

— O Luciano tem enviado gente para cá desde hoje cedo.

— ...Luciano?


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Comentários

  1. Ahhh, eles são lindos! O Cássel sabe muito mais do que demonstra

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  2. Espero verificar mais sobre o relacionamento de Inês e Luciano. No manhã não é tão aprofundado sobre a personalidade dele.

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  3. Aqui a segunda carta de Cássel. Parte 1 para o deleite de vocês:
    [Bom dia, minha Inês. Sol da minha vida.
    Você é a luz que ilumina minha existência.
    Quando você acordar, peço que perdoe a crueldade do seu marido por não estar ao seu lado. Espero que, vencida pela exaustão, você tenha dormido bem e sem sonhos. E que encontre prazer ao ler esta carta.
    Lamento ter incomodado tanto você ontem à noite. Para ser honesto, eu deveria dizer que você foi a causa; mas se você não tivesse me provocado daquele jeito, eu não teria conseguido dormir nem um segundo ao seu lado a noite toda. Então, no final, sou grato pelo seu impulso travesso. Felizmente, sou sempre impotente diante de você, e você sempre vence.
    Foi a primeira vez que dormi tão profundamente desde que deixei Calztela. Graças a você, sinto-me renascido. Minha Inês travessa. Obrigado por me permitir partir da maneira certa. Obrigado por se preocupar comigo, com a minha viagem, e por me entregar seu precioso coração.
    E, tomando emprestada a sua expressão por um momento: "porque eu gosto muito de você"...
    Sim, eu também gosto de você, Inês. Você não imagina o quanto.
    Na verdade, eu amo você tanto que essas palavras não conseguem resolver nada. Inês. Não consigo mostrar tudo a você, tenho sede de você. Nem consigo expressar isso em palavras. Não consigo nem escrever como me sinto ao ver você dormindo neste exato momento. Não consigo dizer o quão ridiculamente feliz você me faz agora...
    Então, às vezes penso que a nossa linguagem é incompleta. Mesmo quando sinto a necessidade urgente de lhe dizer algo, parece que metade do que eu queria dizer não pode ser expresso, e tenho vontade de bater a cabeça na parede. Porque pensar em qualquer palavra bonita que exista no mundo não é suficiente para você.
    Graças a isso, assim como palavras não ditas flutuam no ar, minha cabeça sempre parece estar girando estupidamente no lugar.

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    1. o Cassel é o sonho de qualquer pessoa... sou apaixonada demais por esse casal <3

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  4. Carta de Cassel Parte 2:
    A razão pela qual eu sempre irrito você é, provavelmente, porque no final eu nunca encontro as palavras certas.
    Se eu fosse como você, não teria que quebrar a cabeça com coisas assim. Sim, Inês. Talvez isso aconteça simplesmente porque sou estúpido. Porque sempre me torno um idiota quando estou na sua frente. Quem dera eu fosse tão inteligente quanto você.
    Se eu fosse, teria terminado esta carta mais cedo e já estaria a caminho de Calztela... Mas eu gosto da dificuldade que você me causa. Enquanto fico aqui pensando no que escrever, lutando até encontrar a palavra certa, sinto que tenho uma desculpa para continuar sentado aqui, observando você para sempre.
    Talvez eu seja estúpido. Sou bastante estúpido, mas tenho sorte. Fico feliz em pensar que posso olhar para você um pouco mais, mesmo sendo tão tarde. Bem. Talvez seja bom assim. Se você soubesse tudo o que se passa dentro de mim, talvez tivesse se cansado e quisesse fugir.
    Então, sou muito afortunado por não ser tão esperto quanto você, Inês. Porque eu não me atrevo a saber tudo sobre você, e você não sabe tudo sobre mim.
    Você disse que queria que eu a acordasse, nem que fosse por um momento, quando eu fosse embora. Mas é difícil obedecer a isso. São 4:50 da manhã e seu rosto está indefeso demais para que eu tenha coragem de sacudi-la e acordá-la.
    Mesmo que não fosse por hoje, Inês... se você pudesse ver seu rosto dormindo uma única vez, me entenderia. Queria que você visse o quão adorável você é. O quão desprevenido e encantador é o seu rosto pressionado contra o travesseiro, o quão ameaçador e fofo é o seu franzir de testa ao menor toque...
    Se você pudesse se ver assim, saberia automaticamente o quanto eu amo você. É realmente inevitável. Você nem imagina o quanto eu amei este momento.
    Em Calztela, eu sempre esperava você abrir os olhos nessa hora. Quando você abrisse os olhos, eu queria lhe dizer que um bom dia tinha chegado... Não é só isso; a verdade é que eu queria que a primeira coisa que você ouvisse ao acordar fosse a minha voz.
    Embora eu saiba que é apenas um desejo infantil de exclusividade, tenho buscado em segredo ser o único no começo do seu dia... Tanto quanto desejo ser a última coisa que você vê antes de dormir. Se não posso ocupar todo o seu dia, eu me contentaria com isso.
    Você provavelmente acha que é uma ideia muito estúpida, mas foi um ritual muito importante para mim. Era como ter uma parte de você por um momento. Esperar por você uma ou duas horas antes de você acordar foi meu prazer secreto. Inês. Sempre.
    No momento em que você abre os olhos rapidamente e espera que eu brilhe através deles. No momento em que espero sua voz ser ouvida... Às vezes a espera era longa demais e eu ficava nervoso. E às vezes, até a espera era tão doce que eu desejava que você não acordasse mais.
    Quando você cai em meus braços sem saber, eu a seguro como se estivesse esperando por isso e nunca a solto, mesmo que você lute. Quando a abraço assim, toda a minha estupidez e ansiedade desaparecem. Outro bom dia acabou de começar.
    Penso em abraçar você de novo à noite assim. E acredito que posso voltar a tê-la em meus braços esta noite.
    Inês, então estou realmente bem agora. Nós ficaremos bem. Você não precisa mais se preocupar comigo. Porque nada vai me acontecer.
    Faça o que fizer, está tudo bem. Quando você me disse para ir dormir e partir... Inês, tenho estado perfeitamente bem desde então. Gostaria de não ter me atrevido a fazer nada com você a noite toda. Antes disso, na verdade, já estava bom o suficiente só estar com você.

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  5. Carta de Cássel Parte 3:
    Inês, você se lembra de ter corrido em minha direção quando me viu pela primeira vez ontem à noite? Você me olhou, e seus olhos eram deslumbrantes. Rindo enquanto me olhava... era como olhar diretamente para o sol do meio-dia refletido no mar. Você correu para mim daquele jeito, e senti que o mundo transbordava sobre a minha cabeça.
    Porque abracei você, senti que tinha tudo. Inês.
    Por enquanto, isso basta. Não importa onde eu esteja ou o que eu venha a descobrir, confio que você sempre me protegerá. Qualquer coisa estará bem. Você diz coisas que eu mal compreendo, mas eu só quero me convencer de que você tem razão...
    Mas não sei como vou conseguir deixá-la de novo. Agora tenho mesmo que me levantar. Assim que terminar de escrever esta carta, terei que partir sem ver você mais uma vez, e só de pensar nisso, meu raciocínio falha.
    Na próxima vez, definitivamente tirarei umas férias longas. Mantenha-se saudável em Mendoza.
    E por último, Inês.
    Você pode me contar tudo, quando quiser. Seja quando estivermos velhos ou em qualquer dia daqui a dez anos, está bem. Mesmo que esse 'algum dia' que você mencionou esteja num futuro muito distante. Eu estar esperando por você não significa que deixarei para amá-la apenas "depois de tudo". Minha espera é como a própria manhã aguardando você acordar...
    Então, no final, serei feliz simplesmente por sua causa. Não importa o que você faça comigo, não importa o que me diga. Mesmo que a espera me deixe ansioso às vezes... Porque eu amo a manhã em que você abre os olhos e me vê, tanto quanto amo a manhã em que fico apenas observando você dormir antes de despertar.
    Então, por favor, leve o tempo que precisar. Não sinta pena de mim, nem me tolere por obrigação. Apenas me perdoe quando eu reconhecer meus pecados e implorar.
    Você já me deu muito, mas eu me esqueci disso por um tempo e a atormentei.
    Perdoe-me, Inês.]
    Para sempre seu, Cassel Escalante de Esposa.

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