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Capítulo 103 — Formente

 — Sim. Se a senhora não se importar, ele pediu que fosse assistir à partida de Formente esta tarde, na Tribuna de Apoio. É esse o pedido do Senhor Luciano.

— ...

— O Senhor Luciano decidiu participar de repente de uma partida não programada, e disse que não conseguia encontrar nenhuma senhorita para quem pudesse entregar a coroa da vitória.

Era uma desculpa esfarrapada.

Mesmo que Luciano pegasse a coroa na hora e olhasse em volta fingindo estar em apuros, bastaria ele jogar a coroa que já estivesse segurando, e apareceria alguma senhorita disposta a recebê-la.

Será que ele não estava feliz pelo fato de sua irmã ter ido viver em Calztera? Ela nunca foi sociavél para sentir falta de Mendoza.

Mesmo quando era jovem, Luciano gostava de participar de vários jogos de bola com os filhos dos vassalos de Pérez, mas tenho poucas recordações de vê-lo desfrutar calmamente de tais jogos na corte.

Ao atingir a maioridade, Luciano — que foi transferido para o castelo de Pérez pelo Duque de Valeztena — ocupou-se dos assuntos da família, indo e vindo entre Pérez e Mendoza. Nosso pai sobrecarregou seu único filho com a maioria dos deveres que lhe permitiriam servir como vassalo; por isso, era difícil para ele participar desses eventos apenas por lazer, já que estava sempre agindo em nome do Duque.

Em qualquer outro momento, o Duque não hesitava em usar o filho, sob o pretexto de estar "ensinando-o", tratando-o como se fosse um mero vassalo.

O pai, assim como era consigo mesmo, era muito rigoroso com seu único filho, mas eventos como o Formente costumavam ser quase uma extensão das relações amorosas da corte.

Assim como os pavões machos abrem suas penas para se exibir na época de acasalamento, os jovens cortesãos se envolviam no calor do momento, mostrando às mulheres o quão bem conseguiam capturar e chutar aquelas bolas de couro.

Cada momento de sucesso era dedicado a uma mulher usando sua própria coroa, ou a uma mulher usando uma coroa já doada por outro homem, ou até mesmo a uma mulher casada...

"De repente, Luciano no Formente..."

Fazer com que sua irmã Inês se sentasse no lugar de sua "dama" não era nada menos do que uma vontade deliberada de se afastar, desde o princípio, desses amores mesquinhos.

Luciano, que nem sequer tinha noiva, era o homem mais cobiçado do mercado matrimonial de Mendoza. O medo de escândalos deve ter sido a razão pela qual ele se cuidou tanto no passado. Não sei como os rumores sobre seu casamento poderiam se espalhar no dia seguinte se ele fizesse o contato visual errado com qualquer senhorita...

De fato, uma vez ele recolheu o leque que a filha de um conde deixou cair em um banquete de Ano Novo e, depois disso, sofreu com rumores de um noivado secreto durante meio ano.

Ela sorriu como se tivesse acontecido ontem, lembrando-se da cara preocupada de Luciano. Mas, imediatamente, deu-se conta de que isso só havia acontecido em sua vida anterior.

Inês bateu suavemente com a ponta dos dedos no envelope da carta de Cassel.

Será que aquele bastardo do Óscar está por trás disso?

Mas ele não tinha nenhuma razão para usar Luciano.

Ultimamente, Inês tinha que entrar no palácio todos os dias por causa da Imperatriz Cayetana. Portanto, por mais que Inês rejeitasse os convites de Óscar, como ele poderia ser recusado se pedisse permissão à própria mãe?

Em primeiro lugar, ela já havia recusado com a desculpa de servir à Imperatriz, então se a Imperatriz concedesse a permissão, a vontade dela não faria sentido. "O Príncipe Herdeiro está me pedindo para fazer isso, então vou dispensá-la por hoje." — ela podia imaginar a cena, olhando para a cara de Alicia.

Fosse o que fosse, o convite repentino de Luciano vinha a calhar. Seria melhor do que ter que se sentar à tarde para ver aqueles homens inúteis e suados lutando. Além de o Formente ser uma perda de tempo horrorosa, o problema maior era que ela e Alicia estariam sentadas uma ao lado da outra, como uma boa esposa e uma amante.

Se fosse um erro e ela fosse forçada a aceitar a coroa de Óscar, tinha a intenção de deixá-la cair e esmagá-la com os pés diante de todos. Mas, se ela estivesse lá nominalmente por Luciano, não haveria necessidade de cometer nenhuma grosseria notória. Não haveria necessidade de sair correndo da quadra com náuseas no meio da partida, ou fingir um desmaio no palácio da Imperatriz.

— Senhora Inês, mesmo que seja um incômodo... É muito raro o Senhor Luciano pedir algo assim. Especialmente desde aquela época, a relação entre vocês dois é tão...

— Diga que eu vou.

— Sim?

— Diga ao Luciano... diga a ele que sua irmã vai se vestir muito bem e estar com ele.

Não havia sequer a necessidade de usar um luto chamativo ou roupas sombrias. Era como se aquele bastardo do princípe herdeiro merecesse ser atingido por uma pedra em vez de uma bola.

— E envie uma mensagem à Imperatriz. Faz tempo que meu irmão não joga em uma partida de Formente, então não poderei ir vê-la hoje porque estarei torcendo por ele.

Ela não precisaria ver a cara repugnante da Imperatriz logo no primeiro dia. Isso era ótimo.

Inês recolheu a carta de Cassel, colocou-a no envelope, voltou para a cama e se deitou.

— A senhora não tinha acordado?

— Apague todas as luzes.

Fazia bastante tempo que ela não dormia direito. Inês deixou suas cartas ordenadamente sobre o travesseiro onde Cassel costumava deitar e voltou a fechar os olhos.

✽ ✽ ✽

Era perto da hora do almoço quando Luciano chegou à residência dos Escalante.

Ele estava de pé no meio do enorme saguão de entrada, olhando para o retrato do Almirante Calderón e sua esposa, pendurado à direita. Ao ouvir Inês descendo as escadas, Luciano virou seu rosto austero, olhou para a irmã e se aproximou do pé da escada como se fosse cumprimentá-la.

— Inês.

Em vez de responder, ela segurou o braço estendido de Luciano e desceu o último degrau. O tenente de Luciano estendeu a coroa de flores de Inês, que ele vinha segurando o tempo todo, atrás dele.

— Ah, esqueci-me disto.

A expressão séria de Luciano vacilou levemente. Embora mantivesse a compostura, era evidente sua hesitação diante daquela irmã que agora lhe parecia uma estranha.

Inês parecia indiferente; tomou a coroa diretamente das mãos do tenente e tentou colocá-la na cabeça, mas Luciano foi mais rápido.

— Posso colocá-la?

— Eu mesma faço isso.

Inês respondeu de forma áspera e tentou se afastar sem sequer consultar o espelho ao lado, mas Luciano a segurou com cuidado.

— Ainda assim, não sei...

— ...

— Veja por si mesma, Inês.

Inês voltou-se em silêncio para o espelho. As imagens dos dois irmãos refletiram-se na grande superfície de vidro ao mesmo tempo.

— Você está linda, Inês.

Pelo reflexo, Luciano a observava com o mesmo rosto sorridente de antigamente. Por um instante, foi como uma onda em águas tranquilas. Inês baixou os olhos de imediato, evitando o olhar dele no espelho.

— Combinou bem. Mamãe disse que você ficaria especialmente bem com flores roxas, e é verdade. Acho que foi proposital.

— Eu costumo ficar bem com qualquer coisa.

A resposta sugeria que a opinião da mãe poderia não ser o motivo, mas Luciano arregalou os olhos por um momento, como se tivesse ouvido uma piada inesperadamente arrogante vinda dela. Logo depois, ele assentiu com um sorriso.

— É verdade. Porque você é bonita.

Inês o encarou pelo espelho com um olhar complexo antes de se virar.

— ... Está torta para a esquerda.

— Ah. Deixe-me baixar um pouco aqui.

Inês, que já havia começado a andar, recuou. Luciano ajustou a coroa, estreitou os olhos e inclinou a cabeça como se medisse o ângulo. Ele pareceu satisfeito ao se posicionar ao lado dela. Caminharam juntos e ele lhe ofereceu o braço; Inês o aceitou.

O vestido que ela usava hoje era roxo claro, então foi uma coincidência. Como Luciano disse, combinava bem... Ela sentiu como se ele tivesse descoberto um gosto que ela nunca havia revelado à mãe, e isso deixou um gosto amargo em sua boca.

Em silêncio, Inês foi escoltada por Luciano e entrou na carruagem. O rosto cansado de Luciano, que não era visível no saguão iluminado da residência, só se revelou dentro da carruagem em movimento.

— Você parece cansado, Luciano.

— Ah.

— Vai conseguir jogar?

— Como você sabia? Não consegui pregar o olho.

Os olhos de Luciano, que antes observavam pela janela, voltaram-se para ela com um sorriso amigável. Ironicamente, ele sorria mais e era deliberadamente mais carinhoso agora do que na vida passada, quando tinham mais intimidade. Era como se ele tentasse compensar a falta de proximidade sendo mais gentil com a irmã.

Considerando a infância de outrora, quando Inês o tratava como um irmão mais novo, a diferença era palpável. Nesta vida, embora o laço tivesse sido cortado aos seis anos, ela sabia que tipo de pessoa ele era, tornando a comparação inevitável.

De vez em quando, ela até deixava escapar um sorriso secreto. Pelo menos em um dia tão calmo, podia compará-lo às suas velhas memórias. Como qualquer lembrança que nunca fora vivida nesta vida, a maioria desbotava, deixando apenas um gosto amargo.

— Que história é essa de participar do Formente de repente, nesse estado? — perguntou Inês, sentando-se de pernas cruzadas com um tom cínico.

Houve uma leve rachadura no sorriso de Luciano, provavelmente desconfortável com a falta de formalidade dela.

— Não faço por diversão, nem mesmo gosto de me exibir diante das mulheres — disse ele.

— Sim, eu sei.

Embora ela falasse com clareza, como se fosse algo óbvio, ele franziu a testa por um momento, achando estranho Inês afirmar algo com tanta certeza sobre sua personalidade.

— É porque tem alguma senhorita de quem você gosta?

— ...

Naturalmente, perguntas sobre interesses românticos não eram comuns entre eles.

— Bem, se houvesse, eu já teria perguntado... Ou talvez você esteja tentando se aproximar de mim com cautela?

— Não. Não é nada disso.

Luciano soltou uma risada, como se estivesse chocado. Embora tentasse manter a postura gentil, seus olhos mostravam claramente que ele havia detectado algo diferente nela. Inês deu de ombros e continuou:

— Se não é isso, então essa participação não pode ter sido repentina. Quando o Príncipe Herdeiro me pediu para assistir ao jogo, não mencionou você em nenhum momento, Luciano.

— ... Ah. Foi por isso. O meu motivo.

— O quê?

— Cassel Escalante enviou um mensageiro ao amanhecer. Ele pediu: "Por favor, vá ao Formente no meu lugar".

— ...

— Ele disse que você precisava de um homem para lhe entregar a coroa, e que ele não poderia fazer isso por não estar em Mendoza.

Inês, que encarava Luciano com o queixo erguido, sentiu um calor repentino subir às orelhas e baixou a cabeça, desconcertada.

— Você disse que seu casamento ia muito bem, mas...

— ...

— Parece prestes a corar só de ouvir as palavras do seu marido.

Desta vez, foi Luciano quem murmurou enquanto se recostava na parede da carruagem. Seus olhos a fitavam fixamente, devolvendo o olhar perspicaz que Inês lhe dera instantes antes.

✽ ✽ ✽

Quando Oscar viu Inês surgindo ao longe, a cor das flores subiu ao seu rosto imediatamente. Mas, ao notar a coroa de flores sobre a cabeça dela, sua expressão endureceu friamente.

No passado, ele tinha ciúmes até de quem tinha meu próprio sangue, sem nem perceber o quão absurdo isso era.

Um riso quase escapou sem que ela percebesse, mas Inês voltou o olhar para frente, entrelaçando o braço mais firmemente ao de Luciano.

— Parece que a Senhorita Barca já está acomodada na plateia.

— Sim.

— Mas foi Sua Alteza quem a convidou?

Ele alegou que me daria uma coroa de flores em nome de Cassel — explicou Inês, citando a desculpa do Príncipe.

— E para a própria noiva, a Senhorita Barca?

— Naturalmente, ele daria uma para ela também.

Como se percebesse o quão absurda era a situação, Luciano parou de caminhar de repente, com a expressão contorcida.

— A cena seria, no mínimo, curiosa — comentou ele.

— Exato. Não sei quem pareceria mais ridículo.

— Aquela moça?

— Aquela mulher já é tratada como pouco mais que uma piada na corte. Agora, seria a minha vez. Ou talvez o alvo do ridículo fosse o próprio Cassel.

— ... Sua Alteza não se dá bem com o seu marido?

Luciano mencionou Cassel de imediato.

Se Cassel Escalante estivesse cercado de boatos de que é louco pela esposa, enquanto eu mantivesse uma relação ambígua com o primo dele... Sim, para os padrões "sofisticados" de Mendoza, um homem que "ama" a própria esposa era visto como mais patético e ridicularizado nos bastidores do que dois suspeitos de infidelidade.

Embora o adultério pudesse sofrer denúncia pública, no que tange à vida social, o amor conjugal era considerado ingênuo e estúpido. Se a "embalagem" fosse bem feita, uma traição era convertida em um "amor verdadeiro", algo que dificilmente seria alvo de deboche. Afinal, o casamento é realizado sob as ordens da família, mas o caso extraconjugal é fruto de uma escolha estritamente pessoal.

A menos, é claro, que fosse algo vulgar demais ou excessivamente desordenado.

Inês esboçou um sorriso amargo ao recordar o escândalo que a envolvera outrora com o Marquês de Montoro. Aquele fora o primeiro boato a atingi-la — logo ela, que sempre gerenciava sua reputação e tudo ao seu redor com uma precisão meticulosa.

Oscar perdera completamente o juízo ao ouvir alguém comentar, casualmente: "Se fosse verdade, formariam um belo par", referindo-se a ela e ao primo. Aquela frase vã o afetou mais do que a possibilidade do adultério em si.

Para ele, era como se qualquer outro homem fosse uma impureza que devesse ser varrida de sua casa.

"Um casal encantador... Que par adorável..."

A cena ainda era vívida em sua mente: Oscar murmurando aquelas palavras como um louco enquanto trancava a porta do quarto atrás de si. Inês fora obrigada a "aplacar" o humor daquele bastardo, permanecendo trancada nua naqueles aposentos por dias a fio.

Aquele incidente, como tantos outros, nascera de desculpas banais e ciúmes infundados que ele usava para justificar suas ações sórdidas.

Normalmente, após profaná-la o suficiente, o rosto dele se transformava; preenchia-se de uma satisfação cruel e ele voltava a usar a máscara luxuosa de "Príncipe Perfeito" ao cruzar a porta do quarto da Princesa Herdeira. No entanto, estranhamente, naquela noite o semblante de Oscar não mudou.

Externamente, ele permanecia o Príncipe impecável, incapaz de demonstrar qualquer humanidade, mesmo sendo o homem que atormentava Inês no segredo do quarto. Pelo que ela sabia, pelo menos até aquele dia, ele não agia como um simples marido ciumento; ele sequer era digno da pergunta patológica: "Você dormiu com outro?". Para Oscar, Inês não era uma esposa, mas uma propriedade que ninguém mais ousaria tocar.

"— Vou matar aquele bastardo, Inês. Vou matar você também, assim...Fique de quatro."

Oscar dizia que precisava de uma prova do coração dela, e não da atenção daqueles homens. Ele mudara drasticamente: de alguém que fingia ser amigável para um monstro que rasgava suas roupas.

"— Vou matá-lo para que ele nunca mais te toque. Oh, sim. talvez o Escalante também. Mas aquele maldito Montoro é ainda mais audacioso..."

"— Oscar, você disse claramente que acreditava na minha inocência — respondeu Inês. — Como você mesmo disse, isto foi uma armadilha desde o começo."

"— Certo. Como você poderia me trair, minha querida Inês...? Não há como uma mulher tão íntegra quanto você manchar sua honra preciosa. Você jamais abriria as pernas de forma tão barata."

— ...

"— Eu sempre acreditarei em você, minha Inês."

Eu já abri as pernas para você de tantas formas baratas... Uma vez pelos seus afetos falsos, a maior parte das vezes pela sua maldita autoridade; pela sobrevivência da minha família, pela vida dos meus pais e irmão. Para você, fui mais barata do que uma prostituta de bordel, sendo esmagada e pisoteada...

Mesmo naquele momento, Inês não tinha sequer um pedaço de tecido para cobrir o corpo. Ela suportava o toque de um objeto frio e desconhecido sendo forçado entre suas pernas abertas. Como "consolo", recebia apenas um carinho no rosto, como se fosse algo precioso.

Ironicamente, a sensação daquele objeto era preferível ao toque de Oscar. Pelo menos, aquilo não era o corpo dele.

"— Se você realmente acredita em mim dessa forma, por favor, não machuque o inocente Fernando" — implorou ela tentando segurar as lágrimas.

"— Mas será que aquele maldito é mesmo inocente? Hein?"

"— Por favor, Oscar."

"— Há quantos anos esse bastardo pensa em ter um caso você? Ou você não sabia, Inês? Mantendo-o por perto como se fosse apenas seu parente, trocando olhares afetuosos a uma distância de um braço... Você não deseja que, algum dia, o Marquês levante sua saia e a possua bem aqui?"

"— Por favor, pare com essas loucuras!"

"— Se você mostrar esse seu lado lascivo, sendo penetrada por um peso de papel como este da sua estante, onde aquele bastardo entra e sai com frequência... Talvez os olhos dele mudem. Que tipo de homem ele seria? Sim, se eu pudesse dar um fim nisso, eu mesmo me ofereceria para mutilar o membro dele."

"— Pare, por favor..."

"— Minha Inês. Minha perfeita Inês... Minha linda Inês fica lubrificada mesmo quando coloco apenas um peso de papel sob ela. Você é como uma maldita meretriz. Com que voracidade você aceitaria o pau dele? Preferia que fosse ele agora? Ah...Sua vadia."

"— Chega. Agora... solte o Fernando."

Como Fernando estava cativo, naquele dia ela se mostrou excepcionalmente dócil. Foi uma situação em que os rumores, que não eram tão confiáveis, se transformaram em "fatos" devido ao encarceramento de Fernando.

Custasse o que custasse, ela tinha que tirar Fernando de lá rápido.

Naquela época, ela acreditava que se caísse em um poço, teria que escalar para sair dele novamente.

"— Você faz tudo isso por mim apenas para salvá-lo? É diferente desta vez, Inês. Tão diferente das outras... Fernando Montoro é assim tão precioso para você? Hein?"

"— Eu me submeti até que você se desse por satisfeito. Eu provei minha lealdade. Fiz tudo o que me pediu para que você dissesse que acreditava em mim... e mesmo agora..."

"— Mas, Inês, se você implora por ele com tanto desespero, sua "inocência" se perde.

— ...

"— Se quisesse realmente provar que não há nada entre vocês, não teria feito nada do que exigi. Se ele não significasse nada, não importaria se aquele bastardo vivesse ou morresse. Por que você protege tanto Fernando Montoro?"

"— Ele é meu primo. Sobrinho da minha mãe. Fernando é como um irmão que cresceu ao lado de Luciano. Você realmente acredita que não há motivos para salvar a vida de um irmão, a menos que eu esteja deitada com ele?"

"— Inês, você mal pode ser considerada uma Valeztena agora. E ainda chama o sobrinho da sua mãe de "seu próprio sangue"?"

"— Eu ainda carrego o nome Pérez de Valeztena, Oscar. Ainda há traços de Montoro no nome de minha mãe, a senhora de Pérez. Somos, inegavelmente, do mesmo sangue."

"Inegavelmente." Oscar murmurou a palavra enquanto seus olhos brilhavam com um fervor doentio.

"— Ah, sim. Ele é um primo tão precioso que deveríamos libertá-lo. Vou tirá-lo da prisão agora mesmo e trazê-lo aqui. Mas, primeiro, você terá que mostrar a ele, "sem sombra de dúvidas", a quem você pertence. Você é tão boa em me convencer de qualquer coisa... Inês, não pare agora... Abra mais as pernas. Veja só como estou duro. Agora vou colocar aquilo que você estava realmente querendo."

"— Tudo bem... traga o Fernando. Faça o que quiser. Mas prefiro morrer agora mesmo, antes que ele cruze aquela porta. Se tudo o que você quer mostrar ao meu primo é você estuprando o cadáver da sua própria esposa, que assim seja."

"— Você morta, Inês? Quem haveria de te matar? Com o quanto eu te amo, como pode dizer coisas tão assustadoras? Hein?"

— Eu te amo, Inês. Eu te amo...

Aquelas palavras soavam como o pior dos insultos, mais cruéis do que qualquer ofensa que ele pudesse proferir. Aquilo era amor? Como ele ousava dizer que a amava?

Com as mãos trêmulas de puro ódio, ela esbofeteou o rosto dele, cravou as unhas em seu pescoço e golpeou seus ombros com toda a força que lhe restava. Oscar, no entanto, apenas sorria, devolvendo beijos à mão que o agredia.

— É isso mesmo. Esta é a verdadeira Inês. "Farei qualquer coisa que me pedir, contanto que meu primo viva"... Que sensação amarga. Finalmente, você aprendeu a resposta certa.

— ...

— Todos os homens deste mundo, exceto o seu marido, não importa como ou quando morram, não têm a menor importância para mim, meu amor.

Não importa como ou quando morra, o único homem cuja morte não me causaria a menor importância é a sua, Oscar.

— Ah... A verdade é que, não importa o que você diga, o que realmente me importa é ser o seu único homem. Isso me deixa excitado.

— Nojento. Sujo... Eu vou te matar! Eu quero te matar! Oscar, por favor, eu imploro que você morra! Por favor... Se eu puder tirar a sua vida e morrer logo em seguida... eu aceito de bom grado queimar no fogo do inferno.

— Tudo bem. Você pode dizer o que quiser sobre mim, Inês. Mas saiba de uma coisa: ninguém neste mundo se atreverá a tirar a sua vida.

— ...

— Nem mesmo você mesma.

Às vezes, eu me recordava daquela voz que me fizera aquela promessa absoluta: a de que ninguém seria capaz de me tirar a vida, nem mesmo eu. Quando eu me lembrava da arrogância e da firmeza contida naquela voz, um sorriso de escárnio me escapava.

Pois, embora o Oscar daquela época acreditasse ter vencido, a satisfação final foi inteiramente minha. Foi o meu triunfo pessoal, ao finalmente aparecer morta bem diante de seus olhos, provando que nem mesmo ele poderia me manter presa.

— ...Ou talvez, Inês, você seja o alvo.

Inês saiu de suas memórias ao escutar a voz de Luciano. Levou alguns segundos para se reorientar sobre o assunto.

Era ridículo ver Oscar com aquela expressão tão decepcionada enquanto segurava a coroa de flores destinada a ela. Aqueles olhos cheios de uma falsa piedade eram, para Inês, absolutamente repugnantes.

Eu já morri duas vezes apenas para fugir de você, Oscar. É ultrajante que tente colocar um laço de enforcamento em volta do meu pescoço disfarçado de ramo de flores. Mesmo que eu morra de novo, você jamais poderá me possuir.

— Alicia é o segundo plano dele. Eu sou o primeiro — respondeu Inês, mantendo o tom de voz baixo para Luciano.

Ela se inclinou levemente contra o pilar, ficando de frente para o irmão de modo que ninguém na plateia pudesse ler seus lábios. Por fora, para quem observasse de longe — incluindo o Príncipe —, veria apenas dois irmãos em uma conversa leve e afetuosa, pois Inês exibia um sorriso radiante e impecável. Mas suas palavras eram gélidas:

— Talvez sejam os dois motivos, Luciano. Oscar sente a necessidade de humilhar o Cassel publicamente apenas para projetar a própria sombra sobre mim.

— ... Por que ele faria isso com você? — sussurrou Luciano, visivelmente perturbado. — Você já é casada com o primo dele.

— No mundo perverso dele, chamam isso de "tornar-se amante".

Luciano empalideceu ao entender a gravidade da situação. Inês continuou, sem deixar que o sorriso em seu rosto vacilasse por um segundo sequer:

— Lembra-se de quando éramos crianças? Naquela época em que escolhi o Cassel e rejeitei o Príncipe pela primeira vez.

— Sim.

— Pois saiba que, naquela época, o Príncipe Herdeiro torturou o Cassel pelas costas durante muito tempo.

— Torturou...?

— Não foi uma briga infantil. Foi um abuso deliberado, sistêmico e cruel. E o Cassel, o meu Escalante, tinha apenas seis anos quando tudo isso começou.

Luciano esfregou o rosto, em choque com a revelação. Inês, observando a corte com sua máscara de perfeição e o sorriso brilhante de uma nobre exemplar, concluiu suavemente:

— Ele ainda carrega as cicatrizes físicas daquela época, Luciano.

 — ...

— E ontem, vi uma cicatriz nova nele — continuou Inês. — Tinha apenas algumas dezenas de dias.

— Ele é um soldado, Inês. Talvez tenha sido um treinamento ou...

— Ele passa a maior parte do tempo no escritório, na retaguarda, não no campo de batalha, Luciano.

— ...

— Foi um tiro. Tenho certeza absoluta. Eu vi de relance, mas eu sei reconhecer um.

— E como você saberia algo assim? — questionou Luciano, confuso.

Porque você mesmo me ensinou tudo o que sei sobre armas e feridas. > Uma confissão absurda que quase escapou de seus lábios, mas que ela engoliu como um suspiro silencioso.

— Eu apenas sei — respondeu ela com firmeza.

— ... Se você diz, então deve ser verdade.

— Luciano, como você mesmo pensou ao ouvir sobre a cicatriz: para o mundo, não há nada de estranho em um soldado se ferir ou morrer a qualquer momento em tempos de guerra. É uma narrativa conveniente.

— O que você quer dizer com isso?

— Quero dizer que o Príncipe Herdeiro quer dar ao meu marido algo muito pior do que simples insultos. Ele quer a vida dele.

— ...

Se a "afeição especial" que ele demonstrava pelo Cassel já era uma forma de tortura quando eram crianças, imagine agora. Há muito mais acontecendo nos bastidores do que podemos ver.

— Desde aquela época, antes mesmo de ele ficar noivo de Alicia Barca, ele visitava Pérez com frequência... Mas lembro-me de que ele nunca incomodou você, pelo menos não depois que o noivado dele foi anunciado.

— Sim. Publicamente, não houve nada.

— Então por que agora? Logo agora que você se casou e ele também está prestes a se casar? Por que depois de tanto tempo?

— O meu casamento com Cassel não era algo que ele pudesse impedir legalmente, para começo de conversa. Mas ele tem outros planos.

— Mas, mesmo que o seu marido morresse e você ficasse sozinha... — Luciano parou no meio da frase, o rosto empalidecendo conforme a lógica perversa de Oscar se revelava. — Ah...

Ele esfregou o rosto com as mãos, visivelmente perturbado.

— Uma viúva ou uma mulher divorciada nunca poderia se tornar a esposa legítima da família real — explicou Inês, com uma calma gélida.

— Sim — murmurou Luciano. — E um homem solteiro não pode ter uma amante oficial. Mas um homem casado...

Inês sorriu enquanto Luciano, em um gesto nervoso, ajeitava o cabelo dela como se tentasse protegê-la de um perigo invisível.

— Obrigada, Luciano. Eu realmente precisava ouvir você chegar a essa conclusão absurda comigo.

— ...

— Eu também me perguntava se ele tinha enlouquecido de vez.

Luciano, tomado por uma urgência repentina, agarrou o pulso de Inês e a puxou para perto, longe dos olhares curiosos da corte.

— ... Maldição, Inês! O que diabos você pretendia fazer hoje se eu não estivesse aqui? Por que não me contou nada disso antes?

— No momento em que recebesse a coroa do Príncipe Herdeiro, eu fingiria cometer um erro e a esmagaria sob os meus pés diante de todos.

— ...

— Ou talvez eu simulasse um desmaio por náuseas, alegando que estava grávida do filho de Cassel.

Luciano arregalou os olhos, em choque.

— Meu Deus... você já está grávida?

— Não — respondeu ela, com a mesma indiferença de sempre.

Diante da resposta calma de Inês, Luciano sorriu como se estivesse sufocando um suspiro de alívio. Os olhares em direção a eles, que haviam parado por um momento perto do pilar, aumentaram gradualmente. Inês deu um leve toque em Luciano, que raramente tomava a iniciativa, instigando-o a andar.

— Sir Valeztena também vai participar? Eu nunca soube que ele jogava! — exclamou uma delas.

— Lady Inês já recebeu uma coroa de flores do irmão? Que pena... — lamentou outra, sentindo a oportunidade perdida.

— Mesmo em Mendoza, não vemos Sir Valeztena com frequência. Eu adoraria que outras senhoritas tivessem a chance de apoiá-lo!

— E quanto ao Senhor Escalante? É verdade que ele chegou de Calztera ontem à noite, de surpresa? — O boato circulava entre sussurros excitados.

Inês olhou por cima dos ombros das damas e fixou o olhar no perfil sombrio de Alicia. A mulher, que antes a encarava como um cão que havia interpretado mal as ordens do dono, agora observava o estádio, fingindo não notar a presença de Inês.

A expressão de Alicia, antes apagada, parecia agora levemente aliviada. Para ela, era uma sorte que Inês tivesse encontrado um pretexto para rejeitar a "gentileza" de seu noivo, o Príncipe Oscar.

Talvez Dolores aceitasse passivamente a ideia de Oscar tratar a esposa de seu primo no mesmo nível que a própria noiva. Mas Alicia? Ela devia estar à beira de um colapso. 

Alicia sempre foi uma fanática, acreditando que os desejos de Oscar deveriam vir primeiro, mas ela certamente não queria dividir a honra da coroa com outra mulher.

A razão pela qual Inês desejou que Alicia fosse a esposa de Oscar, tanto nesta vida quanto na anterior, é porque ela é a única peça que se encaixa no mundo dele. Um homem pode ter várias amantes, mas só tem uma esposa legítima. Na hierarquia do poder, essa é uma existência insubstituível.

Se eu quisesse apenas o "amor" de Oscar, teria me escondido nua em seu quarto há muito tempo. Mesmo que não fosse amor verdadeiro, por que eu recusaria o favor de um homem que me deseja tão desesperadamente se o meu objetivo fosse apenas afeto?

Alicia queria ser a consorte oficial, mas seu verdadeiro desejo era ocupar o lugar de prestígio onde Inês estava sentada. Como ela nunca poderia ser a verdadeira Imperatriz por sua linhagem, esperava chegar o mais perto possível disso. Ela escalou a hierarquia da corte esperando apenas o momento em que Inês finalmente desaparecesse.

Por isso, Alicia agia com essa mistura de graça e hostilidade. Ela tentava ser mais "nora" para a Imperatriz Cayetana do que a própria nora legítima, governando a corte com um poder emprestado apenas para provar: "Sou uma mulher mais qualificada que Inês."

— "Como pode uma mulher como você ser a esposa de Oscar? Por que você, que nem o ama, ocupa esse lugar? Eu te odeio por me fazer sentir como uma órfã humilde..."

Agora, finalmente, Alicia estava ali, na corte, sem a sombra de Inês. Em um mundo que ela não compreendia totalmente, com tudo o que mais desejava bem diante dela.

Se é assim, pensou Inês, o quanto você realmente sabe sobre as intenções perversas de Oscar?

— ... Luciano veio a pedido do meu marido — explicou Inês em voz alta. — Cassel pediu que ele tivesse piedade da irmã, que teria que assistir ao Formente sozinha, sem o marido presente na corte.

Enquanto falava, Inês mantinha um tom de voz amigável, mas seus olhos estavam fixos em Alicia. Somente após um breve silêncio, ela voltou o olhar para as outras senhoritas ao redor.

— Se querem detalhes... sugiro que perguntem pessoalmente ao Capitão Escalante quando o virem. Foi por um pedido expresso dele que Luciano me presenteou com a coroa.

— Oh, meu Deus! Que maravilhoso! — exclamaram as damas.

— Como isso é romântico... Os boatos que vinham de Calztera sobre o casamento deles não eram tão ruins afinal, não é?

— Mas então... o que aconteceu com a Lady Alicia mais cedo? — perguntou uma das jovens, sem pensar.

— Ah...

O ambiente silenciou abruptamente diante da pergunta indiscreta. Inês apenas inclinou a cabeça de leve, com uma expressão de falsa inocência, como se não fizesse ideia do que estavam falando. Embora ela não tenha dito mais nada, as senhoritas começaram a trocar olhares cúmplices. Uma delas baixou a voz, tratando o assunto como um grande escândalo que Inês, em sua "pureza", supostamente não teria entendido.

— É verdade — começou uma das damas. — O Príncipe Herdeiro chegou acompanhado da Senhorita Barca, e alguém teve a audácia de perguntar por que ela não trazia uma coroa de flores na cabeça.

— Eu não quis ofender — justificou-se outra —, mas este é o dia pelo qual Lady Alicia tanto esperava...

— É um momento muito especial. Faz tempo que vocês dois ficaram noivos, mas, exceto por grandes eventos oficiais, Sua Majestade quase nunca aparece publicamente com Lady Alicia. Claro, Lady Inês não sabia disso, pois esta é a sua estreia na corte de Mendoza.

— De qualquer forma — continuou a primeira —, perguntaram à Senhorita Barca se o fato de ela não usar uma coroa antes da escolta significava que ela receberia a coroa principal, em nome de todas as mulheres, na cerimônia de abertura. E então, Sua Majestade...

As damas hesitaram. Suas expressões eram de puro constrangimento; parecia difícil até mesmo reproduzir as palavras de Oscar, tamanha a vergonha que sentiam por Alicia.

— O que Sua Majestade disse? — perguntou Inês, com uma calma imperturbável.

Ao pronunciar a pergunta, Inês sentiu que Alicia finalmente se virou na direção delas. Embora não tivessem intimidade, percebeu que seus olhos, habitualmente mansos, brilhavam agora com uma loucura sutil.

Há algo que eu preciso descobrir, pensou Inês, então terei que mergulhar nessa loucura dela até certo ponto.

— Senhorita, se o assunto for muito embaraçoso, não precisa me contar — provocou Inês, fingindo cortesia.

— ... Ele disse que era difícil oferecer a coroa de flores com antecedência porque os "protagonistas" ainda não haviam chegado — disparou uma das jovens.

— "Os protagonistas".

— Sim. O que significa, logicamente, que para ele, Lady Alicia não é a personagem principal deste evento... — sussurrou a dama, percebendo o peso da ofensa.

Em um jogo centrado no Príncipe Herdeiro, haveria alguma mulher que pudesse ser a protagonista mais óbvia do que sua própria noiva? Especialmente uma mulher que está a apenas dois meses de se casar com ele.

— A resposta pública foi que a Senhorita Barca já sabia de tudo e estava de acordo, mas, parando para pensar agora... acredito que tenha sido uma falta de respeito tremenda — comentou uma das senhoritas.

— É grosseiro! Foi terrivelmente desrespeitoso — enfatizou uma das "melhores amigas" de Alicia, cravando a faca social com precisão ao rotular o ato como um insulto público.

Inês limitou-se a sorrir levemente, confirmando com aquele gesto silencioso que não havia erro na interpretação acusadora daquelas mulheres.

Para que confirmar com palavras o que todos já viram? Se é algo que qualquer um pode deduzir apenas observando...

— De qualquer modo — continuou uma das damas —, ao ouvirem as palavras do Príncipe, os homens que ainda não haviam notado a sua presença, Lady Inês, começaram a especular. Se a noiva de Sua Majestade seria apenas "metade" do protagonismo, quem dividiria o resto da glória com ela? Todos assumiram que veríamos a Princesa Dolores no estádio.

— A propósito — comentou Inês, com um tom de indiferença estudada —, ainda não vi Lady Dolores por aqui.

Inês olhou ao redor, fingindo não entender a gravidade da situação. Poucos sabiam que o próprio Príncipe a havia convidado pessoalmente, um gesto totalmente impróprio. Oscar provavelmente evitou espalhar que ele mesmo era a fonte do convite para não ser descoberto tão cedo. O resultado foi que as damas ficaram em estado de choque ao somar os fatos.

— Lady Dolores partiu para a capela de Valência ao amanhecer, por ordens da Imperatriz Viúva — revelou Inês.

— Ah... — As senhoritas empalideceram. — Então Sua Majestade, o Príncipe, não sabia onde a própria irmã estava?

Os rostos das jovens nublaram-se imediatamente. Elas perceberam a mentira de Oscar.

— Veja, Lady Inês... Não é bem assim... — tentou dizer uma delas, sem jeito.

— Você pode se sentir um pouco envergonhada quando descobrir a verdade — sussurrou outra.

— O que há de errado? Não foi apenas um mal-entendido? — interveio uma defensora do Príncipe. — Sua Majestade só estava tentando ser gentil.

— Ainda assim...

— Dizem que Sua Majestade havia preparado duas coroas de flores desde o início. Uma para Lady Alicia e a outra para Lady Inês, já que o marido dela está ausente.

Houve um suspiro coletivo de choque entre as damas.

— Então... o plano dele era oferecer a coroa às duas mulheres ao mesmo tempo, durante a cerimônia de abertura?

Inês piscou com indiferença, observando Oscar à distância. Ele se aquecia levemente entre os jovens no campo. De repente, ela voltou sua atenção para as senhoritas com um sorriso enigmático nos lábios.

— Se esse for o caso, eu já recusei — declarou Inês.

— O quê? — as damas se entreolharam, surpresas. — Você recusou...?

— Sou grata pela intenção, mas é algo que rejeitei repetidamente... Nunca imaginei que o assunto ganharia tamanha proporção entre vocês.

— Bem, certamente... não é que fosse algo estranho — tentou justificar uma das damas, nervosa. — O Príncipe Herdeiro sempre teve uma relação próxima com o primo, Sir Escalante...

— É mesmo? — Inês fingiu preocupação. — Eu me preocupo justamente com esse tipo de interpretação.

— Não foi por esse motivo, para salvar a honra de Sir Escalante, que ele pensou em presenteá-la?

O assunto era vergonhoso demais para ser discutido abertamente; precisava ser sussurrado. Ao ouvirem que Inês havia recusado, as damas ficaram aterrorizadas com a possibilidade de Oscar parecer um "esquisito" ou um assediador, então apressaram-se em dar uma desculpa nobre para o Príncipe.

Inês, contudo, sabia a verdade: Ele é apenas um esquisito.

O Formente era o jogo mais tradicional da nobreza de Ortega. A coroa de flores era um símbolo sagrado para a acompanhante do jogador. Embora, com o passar dos séculos, o gesto tivesse se tornado um pretexto para encontros casuais noturnos, a base permanecia imutável: era um ritual para pares.

Irmãos e familiares poderiam substituir a vaga, como Luciano fizera por Inês, mas ser a "parceira" de um primo por tanto tempo? Era óbvio que havia algo errado. Inês pontuou isso com precisão, recusando-se a fazer parte daquela "estranheza".

— Pela honra do meu marido, aceitar estava fora de questão — afirmou ela categoricamente.

As senhoritas silenciaram.

— Pode nunca ter sido a intenção de Sua Majestade — continuou Inês —, mas Lady Alicia e eu não poderíamos ser colocadas no mesmo patamar, ou permitir tamanha desordem. A menos que o presente venha de nossos próprios companheiros.

Os rostos das jovens coraram de vergonha diante das palavras explícitas de Inês.

— Quem se atreveria a compará-las assim? — sussurrou uma delas. — Logo à filha de Valeztena.

A indignação delas era sincera. 

A ideia de que uma "simples" Alicia Barca pudesse sentar-se ao lado de Inês Escalante e, por um capricho de Oscar, colocá-la em uma posição inferior (como uma segunda noiva ou amante), era um insulto à linhagem de Inês.

Graças aos boatos de que Cassel havia corrido para Mendoza para ver a esposa, a imagem de Inês agora era a de uma mulher honrada e amada. Se ela tivesse aceitado a coroa de Oscar, o comentário em todas as festas de Mendoza seria um só: "Cassel Escalante casou-se apenas para dar um título de fachada à amante do Príncipe?". Afinal, ninguém acreditaria que um libertino como Cassel se prenderia a um casamento por amor, a menos que houvesse um esquema por trás.

— Alguém diria — disse Inês, referindo-se aos críticos. — O Príncipe não foi cuidadoso o suficiente; ele quase nos colocou em risco de cair em desgraça.

— O Príncipe Herdeiro também é um homem, afinal — concordou uma dama, mudando de lado rapidamente. — Os homens nem sempre pensam com delicadeza. A senhora agiu muito bem, Lady Inês. Precisamos desse tipo de rigor entre nós.

— Em vez de apenas se deixar levar pela gentileza real, a senhora teve a coragem de considerar a posição de Lady Alicia antecipadamente... — elogiou outra.

Inês encontrou o olhar feroz de Alicia — que estava por perto ouvindo tudo — e, com um sorriso amigável, disparou o golpe final:

— Talvez toda essa explicação seja apenas uma desculpa — disse Inês para o grupo.

— O quê?

— A verdade é que eu simplesmente não queria fazer nada por homem nenhum que não fosse o meu marido.

Inês estava disposta a suportar aquela conversa fútil e matar o tempo com lutas insignificantes, contanto que sua barreira contra Oscar permanecesse intacta.

— Na verdade, os rumores barulhentos que chegam de Calztera são tão exagerados quanto infundados — declarou Inês, com uma serenidade cortante. — Na maioria das vezes, as fofocas focam no quanto eu o "valorizo" como um título, mas sinto muito; aproveito esta oportunidade para exigir uma pequena correção.

— Uma correção? — sussurrou uma das damas, pendurada em cada palavra.

— Sim. O meu Escalante me ama tanto quanto dizem os boatos sobre a sua "loucura"... e eu o amo muito mais do que sugerem os boatos sobre a minha "frieza".

As damas ficaram em silêncio absoluto, absorvendo o impacto daquela confissão inesperada. Inês continuou, com o olhar firme e um sorriso sutil:

— É por essa razão que eu não poderia usar a coroa de nenhum outro homem. Nem mesmo por um breve momento.


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Comentários

  1. Que saudade que eu estava da Minha novela preferida!!! Inês com Luciano e humilhando o príncipe e a Alicia ao mesmo tempo, não tem preço ❤️

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