The Broken Ring
O Anel Quebrado: Um Casamento Fadado ao Fracasso
Ines Valeztena foi prometida a um príncipe desde criança, mas decide desafiar seu destino. Uma história intensa sobre orgulho, liberdade e segundas chances.
Ler mais
My Alter Ego’s Path to Greatness
My Alter Ego’s Path to Greatness
Um jovem descobre uma habilidade de clonagem incrível antes de se aventurar em mundos paralelos. Ele pode viver várias histórias em um corpo! Uma novel divertida com fantasia e reviravoltas!
Ler mais
Corporação Negra: Joseon
Um inventor obcecado por tecnologia reencarna na Dinastia Joseon como filho do Rei Sejong, o Grande. Determinado a transformar o reino com suas ideias modernas, ele inicia uma verdadeira revolução científica em pleno passado histórico — onde inovação, política e muitas horas extras mudam para sempre o destino de Joseon...
Ler mais
Diários de Uma Apotecária
Arrastada à força para o harém imperial, Maomao — uma apotecária genial, teimosa e perigosamente fascinada por venenos — só quer sobreviver quietinha até ser libertada. Mas seu cérebro afiado não sabe ficar parado. Quando começa a desvendar doenças, intrigas e mistérios que nem os médicos da corte conseguem explicar, ela chama a atenção do homem mais deslumbrante e enigmático do palácio: o eunuco Jinshi. Agora, cada passo que dá a puxa mais fundo para os segredos do império, onde uma análise errada pode matar… e uma descoberta certa pode mudar seu destino para sempre....
Ler mais
I Was The Trash - Aquele Lixo Fui Eu
Reencarnada como a vilã mais desprezada, Tullia Frazier começa do fundo do poço. Com reputação de lixo e estatísticas mínimas, ela precisa virar o jogo. Entre intrigas, aliados inesperados e rivalidades perigosas, cada decisão conta. Será que o “lixo” pode se tornar indispensável? Descubra nessa jornada estratégica e cheia de emoções.
Ler mais

Capítulo 99 — O Reencontro

A corte à noite era mais livre do que de dia.

Se tivesse pulado o jantar [ido embora sem comer], não teria sido arrastada para uma noite tão miserável. Entre as senhoritas que a rodeavam, Inês mantinha um sorriso fingido, culpando-se por não ter pegado a "deixa" que Isabella lhe dera discretamente para irem embora.

— Senhora Inês, não está entediada?

Diga que sim. Inês tinha acabado de se afastar de Oscar e voltado para o grupo. Quando a culpada perguntou em um sussurro, Inês respondeu com uma expressão que não confirmava nem negava.

— Obrigada, estou contente, Senhorita Barca.

Seu rosto não mostrava felicidade alguma, mas Alicia riu com emoção, como se acreditasse naquelas palavras ao pé da letra.

— Se eu não durmo o suficiente, ganho peso facilmente... Não deveria estar acordada tão tarde antes de uma cerimônia importante. Estou preocupada.

— É mesmo?

— Se eu tivesse um corpo tão maravilhosamente "natural" quanto o da Senhora Inês, seria capaz de desfrutar deste banquete sem me preocupar nem um pouco...

Inês, com a têmpora apoiada na mão e uma taça cheia de água na outra, olhou para Alicia como se ela fosse uma criatura estranha. Como qualquer um podia ver, Alicia era uma senhorita esbelta, quase nada além de ossos; agora estava um pouco mais saudável, mas ainda longe de ser gorda.

Ela está apenas fingindo ser ingênua para ser sarcástica?

Alicia estava exibindo sua falsa humildade, ostentando um corpo muito menor do que o de qualquer outra ali. O subtexto era claro: "Seu corpo é maior que o meu". Ela esperava que Inês, ao receber aquele "elogio" sem sentido, se sentisse obrigada a corrigi-la e elogiá-la de volta.

"Tenho inveja de que você possa comer sem nem pensar com um corpo tão robusto..." — era isso que o silêncio de Alicia implicava.

O olhar de Inês, fixo deliberadamente em Alicia, foi lento e analítico. Alicia sorriu, corando, como se estivesse um pouco bêbada de vinho. Ela interpretou o olhar de Inês como apreço, quando na verdade era apenas um julgamento frio.

Além da harmonia e do equilíbrio geral corporal, que corpo receberá um reconhecimento objetivo em Mendoza, que sustenta sagradamente a cintura esbelta de uma mulher?

Ao contrário de sua mãe, que era de baixa estatura, Inês puxara ao pai: era alta, bem proporcionada e tinha uma cintura estreita. Não havia comparação.

De acordo com os critérios patológicos de sua mãe, ser uma mulher alta era sinônimo de ser "grande demais" ou "inchada". No entanto, a maioria das pessoas — que não sofria dessa obsessão por mulheres doentiamente pequenas e magras — a considerava um exemplo ideal de mulher. Eram homens insidiosos: olhavam de soslaio para o busto farto primeiro, mediam as ancas sob o vestido, embora, da boca para fora, fingissem admirar a fragilidade.

Dizer que Inês era "melhor" ou "pior" era uma questão de preferência pessoal, longe da suposta objetividade de Mendoza. Claro, Inês preferia ser como era, mas se tivesse que julgar friamente...

— ... Se quiser me acompanhar, acho que terá que beber [ou comer] um pouco mais — provocou Inês, olhando para o corpo magro de Alicia.

— Estou me esforçando para manter a figura que tenho hoje. Se eu fizesse um lanche a esta hora como a Senhora Inês, minha cintura nem entraria neste vestido amanhã de manhã.

— Então mande soltar a cintura. Afinal, o vestido foi desenhado originalmente para a senhorita, não foi?

— ...

— Se não lhe servir mais, basta mandar ajustar para o seu tamanho novamente.

Inês olhou para o nada com indiferença, como se tivesse perdido o interesse no assunto enquanto falava. Alicia ficou parada, sem saber o que responder.

— Ah. Nunca tinha pensado dessa maneira...

— Por que não sai para dançar com seu noivo? — sugeriu Inês.

— Como?

— Se for uma música agitada, três ou quatro doces seriam digeridos rapidamente.

— ... Sua Majestade odeia dançar.

— É mesmo? — Inês conteve um sorriso cínico.

O único talento que aquele bastardo possuía, ou do qual se gabava, era a dança.

Inês estalou a língua na boca. 

Na vida passada, mesmo depois de se cansar de dançar com ela, ele continuava dançando frequentemente com suas meias-irmãs e amantes. Inês tinha uma lembrança clara de vê-lo agir da mesma maneira naquela época. Um canalha continua sendo um canalha.

A verdade é que ele simplesmente não gosta de dançar com Alicia.

De longe, como se tivesse acabado de ouvir a noiva dizer "Sua Majestade odeia dançar", Oscar podia ser visto rindo e implorando à sua meia-irmã, Dolores, para que dançasse com ele. Seria difícil ser mais cruel, mesmo se ele tivesse feito de propósito.

Alicia sentiu a vergonha queimar, mas Inês apenas observou enquanto Oscar pegava a mão de Dolores e olhava para a irmã enquanto a conduzia para a pista.

Aquele rosto já existia ali há muito tempo.

Para começar, tratava-se de uma noite organizada pela própria irmã do Príncipe Herdeiro, sob o pretexto de que ela acabara de voltar de uma viagem pelo leste. Foi o gosto pessoal de Dolores que ditou a decoração: dizendo que estava mais quente, ela colocou lanternas por todo o jardim exterior e dispôs cadeiras e mesas cobertas de tecido branco irregularmente sob as árvores baixas. Como sempre, fingindo ser um espírito excepcionalmente livre, fingindo ditar uma nova moda.

Dolores era uma filha ilegítima, fruto do breve romance do Imperador com a Condessa Fernández. Fora criada e educada "generosamente" por Cayetana, como se fosse sua própria filha, já que a menina fora abandonada pela mãe biológica ao nascer.

Assim como o Imperador, a Imperatriz também tinha amantes jovens e bonitos, por isso formavam um "casal perfeito"; a única diferença entre eles era que, ao contrário de sua esposa rigorosa, o Imperador às vezes se esquecia da contracepção.

De qualquer forma, a Imperatriz foi elogiada por sua generosidade ao aceitar Dolores. Contrariando as numerosas declarações públicas de que "ela é como uma filha real", foi a própria Cayetana quem pressionou a família imperial para evitar que outorgassem a Dolores o título de Princesa, alegando que um filho ilegítimo não poderia estar na mesma linha que Oscar...

Pelo menos, o vínculo entre elas não era falso, nem mesmo aos olhos de Inês, que as odiava.

Porque "mãe" e "filha" eram nojentamente parecidas.

Segundo Cayetana, "se tivesse nascido um menino sem saber o seu lugar, eu a teria matado no ato". Mas, felizmente, Dolores nasceu menina; assim, foi posicionada como uma peça de xadrez útil para futuros conflitos políticos e criada no palácio da Imperatriz.

Foi o filho ilegítimo do imperador quem consolidou a reputação da imperatriz, que fora abalada por um tempo por um escandaloso escândalo sexual com o Barão Haenada, o governo na época em que ela nasceu. Cayetana foi engenhosa e aproveitou a oportunidade. Por mais que parecesse um espinho cravado em meus olhos, tê-la-ia abraçado se fosse melhor tê-la ao meu lado. Trouxe uma criança de menos de um mês e a criou com esmero para que os outros pudessem vê-la, então depois de alguns anos, aquele coração de pedra deve ter tremido.

Dolores era uma criança que obedecia ao que lhe diziam. Uma criança que agia exatamente como era ensinada. Desde os dias em que ainda não entendia nada, ela já era uma menina que aprendera a admirar, adorar e amar apenas a si mesma [e à mãe adotiva].

Inês lembrou-se de que, sempre que Cayetana falava de Dolores, mesmo em seus momentos mais frios e calculistas, um calor humano aparecia de repente em seus olhos. Não era tanto quanto o amor que tinha por Oscar, mas certamente era muito mais do que se esperaria que ela sentisse pela filha ilegítima do marido.

— ... Afinal, a Senhorita Dolores é a anfitriã desta noite — disse Alicia, tentando justificar. — Sua Alteza Oscar se preocupa tanto com sua única irmã...

Inês deu um sorriso torto diante da desculpa hesitante de Alicia. Bem. Aquilo era terrivelmente comovente.

Houve um tempo, quando eram todos mais jovens, em que Inês observava Dolores correndo atrás de Oscar e via Cayetana cair na gargalhada com a cena. Naquelas ocasiões, Inês chegava a pensar que a Imperatriz fosse uma boa pessoa. Que, ao contrário da frieza externa, a verdade fosse que ela poderia ter algum calor por dentro...

Uma mulher que ficava genuinamente feliz ao ouvir uma humilde filha ilegítima chamar seu nobre filho legítimo de "irmão". Uma mãe que sabia mostrar o lado mais terno do carinho.

Julgar a essência de uma pessoa baseando-se apenas em uma faceta superficial costuma ser um atalho útil na vida. Mesmo que o julgamento esteja errado, não há grande mal em ser criticado por agir com base em uma primeira impressão honesta.

Mas, muito raramente, esse atalho distorce ainda mais os erros fatais da vida. Como nos dias em que Inês confiava em Cayetana.

Afinal, só porque alguém ama uma pessoa, só porque uma mãe age naturalmente ao amar sua filha... isso explica todo o resto?

Uma mulher cruel como Cayetana podia ser uma mãe devota para seus filhos e podia abrir uma exceção em sua vida para alguém como Dolores. O fato de ser perversa com uns não a impedia de ser tolerante com outros. A posição de alguém no tabuleiro podia mudar repentinamente, conforme a necessidade.

Alicia, a quem a Imperatriz fingia amar tanto, agora sentava-se no antigo "trono" de Inês — a posição que tanto cobiçara — e vivia sendo desprezada. As falhas que Cayetana antes apontava inúmeras vezes em Inês, agora parecia não encontrar nenhuma... ou talvez apenas as ignorasse em favor de sua nova vítima.

A aura nauseante de Oscar desapareceu sem deixar rastro quando ele passou na frente da irmã dele. Bem. Aquele bastardo era, afinal, apenas um "bom irmão" para a irmãzinha.

Oficialmente o único filho do Imperador, ele não desprezou Dolores nem por um momento; pelo contrário, cuidou dela como se fosse sua irmã de sangue legítima. Mantendo sua fama de "pessoa de grande caráter".

"Minha irmã Dolores. Minha irmãzinha."

Ela não recebera o título de Princesa, mas o nome Dolores na corte carregava o peso de uma. A ternura da família imperial, incluindo a do Príncipe Herdeiro, era monopolizada por ela, embora, ironicamente, ela nem sequer fosse um membro oficial da família imperial...

De vez em quando, os olhos cintilantes de Dolores voltavam-se na direção de Inês, do conforto dos braços de Oscar. Ao contrário de antigamente, não havia malícia evidente em seu olhar; era apenas a curiosidade de quem observava um rosto que não via há muito tempo, olhos que pareciam orbitar ao seu redor.

Assim como Cayetana e Oscar, Dolores possuía uma fachada impecável. Não era apenas uma questão de ter um rosto bonito, mas de parecer "perfeita" em todos os ângulos. Cabelos louros que lembravam os de Cayetana e um rosto delicado como o de uma boneca. Se a expressão dela fosse idêntica à da madrasta, ela jamais pareceria "boa"; no entanto, Dolores conseguia manter uma aparência angelical justamente porque a semelhança com a mãe adotiva era sutil, apenas uma leve impressão.

Mas era apenas isso: o que se via na superfície.

Dolores não herdara o sangue da Imperatriz, mas tudo o que existia naquela cabecinha fora plantado por ela.

Em sua essência, ela não passava de uma "pequena Cayetana". Por essa razão, seu desejo de monopolizar o irmão era tão grande que Inês inevitavelmente acabava perdendo espaço para ela. Se o Marquês de Algaba era os olhos da Imperatriz, Dolores era uma pequena imperatriz desfilando sua falsa inocência pela corte.

Inês podia quase ouvir os pensamentos de Dolores: "Eu odeio Inês, que faz meu precioso irmão e minha mãe entrarem em pânico. Não suporto a filha de um simples duque que se valoriza mais do que a própria filha do Imperador..."

No entanto, a opinião dos Grandes de Ortega era implacável: embora fosse filha biológica do Imperador, uma bastarda era, em última análise, apenas uma bastarda. O fato de ter nascido fora do casamento com a Condessa Fernández era a única coisa que ela realmente possuía. Uma pessoa que, pela lei, nem sequer podia ser chamada de nobre, muito menos membro da família imperial.

Embora todo tipo de infidelidade proliferasse e os homens exibissem amantes em público, essas mulheres não podiam dar filhos legítimos a eles. Apenas os filhos da própria esposa eram reconhecidos, já que a bigamia era terminantemente proibida em Ortega. A história seria diferente se a esposa concordasse em "emprestar" seu nome à criança, mas existiam leis que impediam um marido de forçar sua esposa a fazer isso.

Em casos de emergência, quando todos os filhos legítimos morriam e não restava nenhum herdeiro, um filho ilegítimo poderia, em teoria, ser adotado legalmente com o consentimento da família, mas isso era raro. Preferia-se adotar um sobrinho nascido legitimamente a legitimar um bastardo.

A vida costuma ser difícil para filhos ilegítimos, mas, quando se nasce fora do casamento em uma família poderosa, há momentos em que nascer mulher é uma bênção. Foi o caso de Dolores: o fato de ter nascido mulher foi o que salvou sua vida, pois um filho homem seria uma ameaça à sucessão. Além disso, ela teve a sorte de viver em um mundo luxuoso, cercada de toda a ternura, como se fosse uma verdadeira filha real.

No entanto, na condição de "princesa sem título", a inveja que ela despertava na corte era diferente daquela direcionada a Inês. No fim das contas, as coisas não terminaram bem para ela em relação aos filhos dos cinco grandes duques; ela não pôde se casar com nenhum deles.

De fato, Inês — a única filha legítima daquela geração entre as grandes famílias — teria condições de escolher qualquer um deles, se Cayetana não tivesse intervindo. O contraste tornava óbvio o tipo de privação que recaía sobre Dolores.

Mas a raiva fundamental de Dolores não vinha apenas disso.

Não era apenas contra Inês, ou contra Alicia — a sombra de seu irmão, a quem Dolores sempre tratou com desdém —, ou contra todas as outras senhoritas que a rodeavam. O problema era a percepção de que, sem a proteção da Imperatriz e sem os cálculos políticos das famílias que precisavam do poder de Cayetana, ela não tinha valor algum por si mesma.

O ponto de ruptura aconteceu quando Dolores percebeu que não conseguiria sustentar sua "personalidade de imperatriz" para sempre.

Não se tratava apenas de conseguir um marido, mas do momento em que ela entendeu que toda a inveja e adoração que recebera ao longo da vida não tinham valor real, pois não lhe garantiam nenhum direito no papel. A ferida se abriu de vez quando ela viu a filha mais velha do Conde de Olivares — alguém que Dolores considerava indigna — casar-se com o Marquês de Montoro, o homem por quem Dolores fora apaixonada em segredo por muito tempo.

Se houvesse alguém para culpar, seria a Imperatriz. Foi ela quem criou Dolores como uma princesa, mas nunca a reconheceu legalmente como tal. Ainda assim, mesmo aos olhos de Inês, Cayetana fora uma benfeitora absoluta para a menina.

Do início ao fim, Cayetana deu a ela tudo o que uma bastarda normalmente não poderia desfrutar, dispondo-se a oferecer um tratamento equivalente ao de uma princesa. Embora parecesse uma zombaria do destino ela não ser uma princesa de verdade, no final das contas, foi uma série de sortes.

A Imperatriz, que gostava muito de Dolores, nem sequer media o valor daquela "filha falsa"; buscava apenas pessoas preciosas para servi-la. Mas, mesmo que não fossem princesas, os filhos de famílias nobres já muito ilustres recusavam-se a casar com uma mulher que nem sequer era legalmente aristocrata. Eles se recusavam a ser rebaixados à posição de servos da favorita da Imperatriz.

Graças a isso, é impossível dizer que não houve vantagens. Os canalhas que só queriam aproveitar a proteção temporária da Imperatriz duvidavam de quão significativa seria aquela união a longo prazo.

No entanto, a fé de Dolores na mãe que a criou era forte. Ela ignorou o fato de que seu status valia metade do preço em comparação com o destino original da Imperatriz, e consolou seu coração escolhendo alvos que considerava "insignificantes" para assediar.

E um desses alvos fora a antiga Inês. Mas Inês foi a única que se defendeu de Dolores com o próprio poder e virou o jogo contra ela.

"Mesmo que uma vadia como você tenha um nome seguido de "Ortega"...! Você é uma Valeztena, não faz realmente parte da família imperial."

"Ora, sou a esposa do seu irmão."

"Você não tem uma única gota de sangue imperial! Nem sequer é filha do Imperador...!"

"Na melhor das hipóteses, seus argumentos são "fofos"; são sempre as coisinhas fofas e insignificantes que fazem coisas terríveis como esta. Se eu fosse filha de Sua Majestade, como poderia ser a esposa do filho dele?"

"Sou a única filha de Sua Majestade. A única filha da Imperatriz. A única irmã do Príncipe Herdeiro. Não você... Você não é nada..."

"Não desejo nascer com o sobrenome Ortega ou mesmo como filha de sua mãe; mesmo que fosse o lugar mais precioso do mundo, eu o rejeitaria, Dolores. Claro, sendo a irmã daquele seu nojento, você não entenderia."

"Isso não é razoável. É absurdo! É tão fácil para você dizer coisas assim... por que para mim..."

"Se você é tão gananciosa pela minha posição, pegue seu belo irmão e case-se com ele incestuosamente."

"Maldita garota Perez! Acha que vai sair impune de dizer algo assim?! Não se atreva a falar do meu irmão. Oscar... Ele não é o tipo de pessoa de quem se pode insinuar tal coisa. Como se atreve!"

"Se trata seu irmão com tanto respeito, então eu, a esposa dele, também devo ser tratada como tal. Não importa o quanto a família imperial a favoreça. Pare com essa atitude ridícula."

Sabendo que Oscar estava começando a olhar na direção delas, Inês continuava encarando sua "encantadora" irmãzinha, que estava ocupada gorjeando em seus braços. Ela se lembrava com calma da cena em que aquele rosto radiante perdeu a razão e desmoronou diante de seus olhos por um momento. Continuou a recordar sua antiga vida:

"Você parece gostar de atormentar aqueles que considera "insignificantes" perto de você. Mas sei muito bem que foi sua boca suja que espalhou os rumores desagradáveis sobre mim e o Marquês de Montoro, Dolores."

"Não me responsabilize por sua indulgência com seu primo, Valeztena. Você deveria se envergonhar de abrir as pernas com luxúria para alguém do seu próprio sangue."

"Meu primo será feliz com a esposa dele por muitos anos. Não importa o quanto você se esforce para arruiná-lo só porque não conseguiu possuí-lo."

"Ele é um senhor nobre, claro, rumores não o afetam. Mas e quanto a você?"

Foi o momento em que o habitual sorriso bondoso de Dolores — ou os lábios torcidos daquela que sempre sorrira — se sobrepuseram fracamente à visão de Inês.

Como se visse algo realmente terrível, o ódio fingido desapareceu do rosto de Inês, que estremeceu e disse: "Sua sem vergonha", como se arrancasse uma máscara.

"Você sabe muito bem que esse boato não é verdade."

" ..."

"Como você mesma disse, você é a "filha de Sua Majestade", Dolores. Então, o que tanto lhe falta para precisar atormentar os outros?... Talvez seja... porque você jamais terá um sobrenome de verdade? Até os comerciantes humildes têm um nome de família, mas para você, a suposta filha do Imperador... não há nada. Apenas "Signorelli"."

"..."

"'Signorelli.' Aquele nome nojento dado aos órfãos encontrados na rua. Significa que, já que nenhum pai humano o quis, você foi deixada para Deus. É o nome de uma bastarda."

"Inês Valeztena... eu sabia, você sempre me menosprezou."

"Pelo contrário, você está se dando valor demais. Eu nunca a reconheci como ameaça... Na verdade, sempre vivi sem me preocupar com você. Até você arrastar minha reputação para a lama."

" ... A vulgaridade desta Perez..."

Inês sorriu com frieza, lembrando-se da verdade cruel por trás daquele nome. Não fora permitido a Dolores usar "Valenza" ou "Ortega". O marido de sua mãe biológica, o Conde Fernández, recusara-se a dar-lhe seu sobrenome, e a própria mãe biológica negara o dela.

Em Ortega, um sobrenome legítimo é reservado para a união de pessoas reconhecidas. Para crianças rejeitadas por todos os lados no momento do nascimento, restava apenas o nome genérico dos sem-teto.

Inês continuou o ataque na memória:

"Por que você não tem um sobrenome, Dolores?"

"... O quê?"

"Dolores Signorelli... Em todos os documentos que escondem de você, seu nome está escrito dessa maneira. Todas as famílias que a rejeitaram para casamento alegaram a mesma desculpa: 'Não podemos ter alguém de nascimento tão baixo incluído na árvore genealógica da nossa linhagem.'"

" ..."

"E quanto à Imperatriz? Ela deu desculpas, dizendo que não sabia com quem casa-lá porque o "amor" dela por você era precioso demais para ser maculado por política... Mas, diga-me: se o amor de Cayetana por você é tão extremo quanto o mundo diz, como ela pôde decepcioná-la a ponto de deixá-la ser uma mera Signorelli?"

Mais do que a devolver o veneno para Dolores, a vingança contra Cayetana era a essência daquelas palavras. Assim como Cayetana havia separado Inês de sua família e de seu marido inúmeras vezes, Inês agora a separaria da única "filha" que a Imperatriz amava.

Aquelas palavras plantariam dúvidas, acenderiam brasas e abririam brechas irreparáveis.

Tempos depois, Inês soube que Dolores correra para o palácio da mãe e desmaiara de tanto chorar. Ela tinha vinte e quatro anos na época? Ou vinte e cinco?

No presente, Inês desviou o olhar de Dolores, que agora sorria alegremente para Oscar. Parecia que até as melhores memórias de vingança perdiam o sabor quando se deparava com o olhar sujo de Oscar repetidamente.

Inês não sabia como terminara o conflito feroz entre mãe e filha que ela iniciara naquele dia no passado. O que teria acontecido após a morte de Inês? Cayetana, profundamente decepcionada com Oscar, deve ter tido que suportar Dolores, que era o único consolo que lhe restava na vida...

No entanto, uma filha criada à imagem e semelhança de Cayetana certamente não teria tornado a vida da mãe fácil.

Era melhor deixar essas suposições no reino dos pequenos prazeres da imaginação.

Depois de um tempo, Inês viu Dolores, que terminara graciosamente a segunda dança, caminhando em sua direção, deixando Oscar para trás. Inês olhou para ela e sorriu suavemente.

— Inês Valeztena! Quanto tempo!

— Há quanto tempo, Dolores.

Embora não fosse a primeira vez que a via, Inês notou um brilho de interesse calculista nos olhos de Dolores ao perceber que Alicia estava ao seu lado. Ao contrário da estupidez ingênua de Alicia, o belo rosto de Dolores transbordava uma bondade e ternura cintilantes — uma atuação perfeita. Era como reencontrar uma velha "amiga".

Era como ver uma reprise de sua própria infância.

Dolores, três anos mais nova, sempre agira de forma diferente com a jovem Inês. No passado, Inês era chamada de "O Corvo de Valeztena" e causava medo e desconforto nas outras senhoritas de sua idade. Mas Dolores não.

Com seu rosto angelical, Dolores agia como se fosse cega para a atitude desagradável ou para o olhar hostil de Inês. Ela mantinha um tom amável e doce o tempo todo, jamais deixando a máscara cair, recusando-se a ser intimidada.

Quem confundisse aquilo com mera gentileza estaria sendo simplista demais. Era uma mensagem calculada: ela jamais se deixaria intimidar ou dominar pela filha dos Valeztena.

Afinal, em que cenário a bondade da "princesa" brilharia mais? pensou Inês.

Dolores sabia exatamente como usar a posição nobre de Inês a seu favor. Inês podia ser uma Valeztena legítima, mas tinha um comportamento frio e difícil; ao colocar-se ao lado dela, Dolores — com sua doçura fabricada — parecia ainda mais radiante e superior, elevando-se às custas da má fama da outra.

Haveria algum gesto que não tivesse sido calculado sob aquela linda tiara?

A única razão pela qual ela se tornara uma atriz tão exímia desde a infância era, provavelmente, seu desejo desesperado de ser como a Imperatriz. De fato, se ela fosse a filha biológica de Cayetana, talvez não precisasse ter se esforçado tanto para provar seu valor.

— Onde estou com a cabeça? Agora é Escalante — corrigiu-se Dolores, com um riso leve.

— Certo.

— Inês Escalante... Meu Deus, isso ainda soa tão estranho.

Como uma flor em pleno desabrochar, Dolores sorriu e inclinou a cabeça, irradiando inocência.

Com aquela aparência de eterna juventude, ela nunca precisava sujar as próprias mãos; agia nas sombras, criando o cenário perfeito para a queda de seus alvos. Mesmo depois de adulta, mantinha o jogo: fingia desconhecer o ciúme selvagem de Alicia, enquanto ria internamente, esperando ver a "Princesa Herdeira" em uma situação pior do que a atual...

A infância e a idade adulta de Dolores, sua vida passada e sua vida atual... não havia diferença alguma entre elas.

A única exceção era o rosto, que nesta vida ainda não conhecia o desespero.

Inês reconheceu nela uma certa consistência. Embora Dolores vivesse cercada de cortinas de fumaça e intrigas complexas, sua essência era muito simples e persistente em seus desejos: ela queria destruir quem estivesse acima dela.

— Bem, agora o nome não me soa nada estranho — disse Inês.

— Será apenas o nome? O que mais poderia torná-la tão bonita?

— Há alguma necessidade de tanta lisonja vinda de sua boca nobre?

— Não é lisonja, Inês. Você está realmente linda. Está radiante! Onde esteve escondendo essa beleza todo esse tempo?

— Devo começar avisando que não posso lhe dar nada do que você quer — cortou Inês, com um sorriso frio.

— Falo sério. Afinal, esta deveria ser apenas uma festa que meu irmão mais velho organizou para celebrar seu retorno a Mendoza... mas a protagonista é você, Inês Escalante. Você atraiu todos os olhares para cá, deixando todo mundo com ciúmes. Até o meu irmão, que costuma ter olhos apenas para mim.

— ...

Alicia, que estava ao lado, sentou-se em frente a Inês. Dolores a ignorou completamente, soltando um suspiro exagerado. Inês deu de ombros, com leveza.

— De jeito nenhum. A Senhorita Barca está bem aqui ao meu lado. Talvez você não tenha percebido, mas Sua Alteza olhava para ela de vez em quando...

— Você sabe a diferença, Inês — interrompeu Dolores, com uma doçura venenosa. — Durante todo o tempo que dancei com ele, meu irmão só tinha olhos para você. Não importava quantos passos eu desse, ele nem percebia que eu estava lá.

Pelo canto do olho, Inês viu a mão de Alicia agarrando o tecido do vestido com força, os nós dos dedos brancos. Contrariando a atmosfera amena da festa, Dolores parecia não saber — ou simplesmente não se importava — com o silêncio gélido e humilhado que se instalara à direita de Inês.

— Então, seu valor atual foi elevado pelo interesse do meu irmão — continuou Dolores, implacável. — Todo mundo sabe o quão indiferente ele costuma ser em relação às mulheres. Mas você... você é suficiente para atrair totalmente aqueles olhos que raramente se desviam... O que diabos aconteceu em Calztela, hein?

— É um lugar lindo. Diverti-me muito.

— Minha mãe disse que não era lugar para senhoritas bem-criadas ficarem. De qualquer forma, também fiquei surpresa na missa do casamento, mas pensei que fosse algo passageiro... Esse sorriso no seu rosto... foi um presente de casamento de Cássel Escalante?

Se eu não tivesse motivos para rir, viveria sem sorrir pelo resto da minha vida, pensou Inês.

Dolores murmurou algo em voz baixa, levando a taça de vinho à boca. Inês sorriu friamente ao mesmo tempo.

— Parece que o "Corvo" tem um pouco de coração, no fim das contas.

— Estar sentada aqui como uma flor num dia de verão e ser chamada de corvo... não é algo de que eu me orgulhe.

Deve ter sido aquela boca a primeira a chamá-la de Corvo no passado. Inês ergueu o queixo e deixou escapar um sorriso sem dizer mais nada.

— Deixemos as histórias ruins para trás, Inês. Estou tão contente que finalmente você tenha se tornado uma Escalante. Nós realmente nos tornamos uma família?

— Certo.

— Sou prima do seu marido... então isso faz de nós primas, certo?

— Não. Você é apenas a prima do meu marido.

Na verdade, nem isso, Inês completou em silêncio, encarando aqueles olhos.

Dolores sorriu e murmurou:

— Que fria.

— Quem está com frio? — interrompeu uma voz masculina.

— Vossa Alteza — disse Alicia, levantando-se rapidamente para cumprimentar Oscar.

Inês levantou-se com atraso, como se não o tivesse visto antes, prestou-lhe as devidas homenagens e voltou a sentar-se com indiferença, como se estivesse lidando com qualquer outro senhor que não fosse o Príncipe Herdeiro. Oscar sorriu suavemente e chamou o assistente para encher a mesa entre eles um pouco mais rápido.

— Foi Inês de Escalante. E quem é você para perguntar? — Dolores provocou, brincando com o irmão.

— Por favor, seja gentil com minha irmãzinha, Inês — disse Oscar, com um sorriso indulgente. — Essa garota já tem um temperamento difícil.

— Irmão!

— Não é verdade, Dolores? É por isso que você anda por aqui e por ali incomodando as pessoas dessa maneira.

— É porque eu abri isso como a minha festa — retrucou ela.

A irmã de Sua Alteza está à esquerda, e a noiva de Sua Alteza está à direita, observou Inês friamente. Não sei se houve, desde o início, alguém além de mim que pudesse ousar tratá-lo com tanta imprudência neste lugar.

Inês deu uma resposta seca em meio à conversa amigável dos irmãos e olhou para Alicia, agindo como se nem sequer sentisse o peso do olhar de Oscar queimando seu rosto novamente.

— Agora que penso nisso — disse Inês, voltando-se para Oscar —, a Senhorita Barca tem estado um pouco entediada desde cedo. Felizmente, eu estava ao lado dela, mas já lhe pedi desculpas, pois não tenho o talento necessário para conversar e agradar a Senhorita.

— Não, não. Senhora Inês. Eu... — tentou protestar Alicia.

— Mesmo com os pedidos de outros cavalheiros formando uma fila, ela rejeitou todos e suportou uma espera muito tediosa apenas por lealdade a Sua Alteza — continuou Inês, mentindo descaradamente para forçar Oscar a agir.

Os olhos de Oscar finalmente seguiram a indicação de Inês e pousaram em Alicia. Um olhar seco, insensível e abatido examinou o rosto de sua noiva com evidente incômodo. Então, um sorriso muito gentil surgiu, como uma máscara.

— Alicia, você pode dançar com os outros rapazes a qualquer momento — disse ele, dispensando-a.

— Não... Na verdade, não recebi muitos pedidos, Senhor Oscar — admitiu Alicia, destruindo a estratégia de Inês. — A Senhora Inês, a propósito, disse isso apenas para salvar a minha honra.

Oscar riu, ignorando o constrangimento da noiva.

— Não há razão para eu me tornar um homem de mente estreita com coisas boas. Como dançar em uma festa.

— Eu realmente... Na verdade, eu simplesmente não estava me sentindo bem. Aquela que tentou causar problemas a Sua Alteza de tal maneira... — gaguejou Alicia.

— "Minha noiva não se sente bem" — repetiu Oscar, encolhendo os ombros, mesmo que a desculpa fosse ridícula. Ele então se virou para Inês. — Como esperado, você está sem par, Inês. Pode se responsabilizar por mim?

— Ora, estou tão mal que estive sentada aqui o tempo todo — rejeitou Inês, usando a mesma desculpa de doença.

— ... Mas, Senhora Inês, a menos que esteja num estado impossível... Poderia dançar com Sua Alteza em meu nome?

Inês olhou para ela como se duvidasse de seus ouvidos. Alicia era, por natureza, uma humana cujas veias fluíam com ciúmes em vez de sangue.

Você ficou impaciente o suficiente para colocar outra mulher na mão dele apenas para ficar bem com Oscar?

Uma risada aguda escapou. Isso não queria dizer que Alicia Barca estivesse disposta a aceitar uma situação tão servil. Jogar a própria vida num poço imundo também não era algo que ela conhecesse.

Mas eu desafio você a me entregar a ele.

Na melhor das hipóteses, o sorriso brincalhão daquele mestiço nojento, e até mesmo um reconhecimento absurdo, só chegariam àquela coisa repugnante. Eu desafio você.

— ... É uma honra poder oferecer isso apenas a vocês dois, mas meu estado não pode ser comparado ao da Senhorita Barca, que já está aqui há bastante tempo. Então, é impossível.

— Senhora Inês, mas se Sua Alteza quer, que a senhora negue tão grosseiramente dessa maneira...

— Inês está doente, Alicia.

— ...

— Você não pode intimidar uma mulher doente.

Ironicamente, foi nesse momento que a expressão de Alicia se distorceu completamente.

O momento em que Inês o rejeitou "atrevidamente", em vez do momento em que Oscar rejeitou Alicia, e o momento em que Oscar aceitou a recusa de Inês como se fosse algo natural...

Como se tivesse esquecido de colocar a máscara suave, e como se Inês a tivesse envergonhado terrivelmente — como se não pudesse acreditar que Oscar tivesse tolerado essa vergonha —, uma raiva nua passou por seu rosto redondo. Ela nem percebeu o fato de que Inês a olhava fixamente.

— Amanhã é a partida de Formente. Já que não está bem, por que não entra e descansa para poder ir amanhã? — insistiu Oscar.

— Sinto muito, mas não poderei comparecer. Será uma preciosa lembrança pré-nupcial exclusiva para a Senhorita Barca.

— ... Sim, ficarei feliz — gaguejou Alicia, tentando agradar. — Mas seria ainda melhor se a Senhora Inês fosse conosco.

— Veja, Inês, minha noiva está implorando — disse Oscar, aproveitando a deixa. — Infelizmente, Cássel não está aqui, então eu mesmo lhe ofereço uma coroa de flores em nome do meu "querido primo". Alicia também não se importaria.

— Claro que não, Senhora Inês — concordou Alicia, submissa.

— Seria ainda melhor se as duas usassem a coroa do Príncipe Herdeiro juntas — completou Oscar, com um sorriso malicioso.

Assim será, pensou Inês. Se os rumores forem inflados um pouco mais com cenas como essa, Inês Escalante aparecerá como amante dele, ou até mesmo como uma "segunda noiva" do Príncipe.

Isso seria ótimo para ele. Serviria tanto para insultar Cássel Escalante, quanto para satisfazer aquele interesse repugnante e possessivo de Oscar.

Inês desviou o olhar do rosto pálido de Alicia. Assim que Oscar fez contato visual com ela, sorriu muito docemente, como alguém que acabara de dizer algo muito romântico, e não uma proposta indecente. Uma recusa grosseira e fria tremulou na língua de Inês.

Ela nem conseguia engolir de tanta vontade de vomitar. Não conseguia suportar o nojo, e sua cabeça estava tonta.

Em meio ao ruído que lhe roía os ouvidos, de repente, algo rompeu a irrealidade. Uma voz a chamou pelo nome.

— Inês.

Foi apenas um chamado. Todos os pensamentos saíram de sua cabeça como ondas que abandonam a praia. Inês encarou a voz de cinco ou seis passos atrás e virou-se lentamente.

Cássel sorriu e abriu os braços sob a árvore. Inês sorriu e correu em direção a ele.

No instante em que ela se lançou contra ele, os braços de Cássel se fecharam em torno de sua cintura como aço, travando-a contra si com uma força desesperada. O impacto foi visceral. O cheiro dele a invadiu imediatamente — uma mistura inebriante de pele quente, viagem e o vento salgado de Logorño que ainda se agarrava às fibras de seu uniforme militar. O som da respiração dele, pesada e irregular, dispersava-se em seus ouvidos, abafando todo o resto. Inês entrelaçou os braços ao redor do pescoço dele, aferrando-se com força, ancorando-se na realidade dele.

Ele a ergueu do chão sem o menor esforço, deixando os dedos dos pés dela balançando no ar, suspensos no vazio. Mas não havia vertigem, nem um traço de ansiedade; apenas uma sensação antiga e absoluta de segurança, como se ela sempre tivesse pertencido àquele lugar. Os dois corpos, entrelaçados, pareciam fundidos um ao outro, eliminando qualquer espaço, qualquer distância que o tempo ou a viagem pudessem ter criado.

Cássel não recuou sequer um milímetro sob o peso dela; ele permaneceu sólido como uma rocha. Ele a ajustou em seus braços, erguendo-a ainda mais, e pressionou os lábios com fervor na ponte do nariz dela, deslizando para a concha da orelha. 

Inês sorriu, um riso trêmulo provocado pelas cócegas e pelo alívio, e então afastou o rosto por um breve segundo. Ela precisava vê-lo. Seus olhos encontraram os dele na penumbra e, sem hesitar, ela o puxou de volta, capturando seus lábios em um beijo.

Cássel perguntou, com um sorriso baixo curvando os lábios:

— Como tem passado, Inês?

— Não ouvi nada sobre nenhuma licença... como você conseguiu vir aqui?

— Não consegui licença nenhuma.

— O quê?

— Você escreveu: "Tudo bem se for apenas por um momento, apenas venha".

— ...

— Então eu vim. Sinto muito pelo atraso.

Os olhos dele estavam febris, denunciando a pressa da viagem. Ele devia ter voltado muito antes do que seria humanamente possível, mas as palavras dele foram mais agradáveis do que decepcionantes. Ela nem sequer quis negar o desejo de vê-lo. Inês enterrou a cabeça na curva do braço que rodeava o pescoço dele.

Como se aquele toque não fosse suficiente, a mão grande de Cássel agarrou a nuca dela, empurrando-a mais fundo contra si.

— ... A carta foi enviada por Alfonso ontem à noite — murmurou ela.

— Por isso o atraso.

— O que quer dizer?

— Se eu soubesse que sua carta tinha chegado pela manhã, teria abandonado meu posto sem permissão na mesma hora.

— Isso seria um problema.

— Você disse que queria me ver. Pela primeira vez.

Ele deslizou os lábios para o ouvido dela e sussurrou suavemente, como se aquela frase fosse a única coisa que importasse no mundo.

E então, afastou-se ligeiramente para perguntar, hesitante:

— Mas... o que você escreveu é verdade?

— Você nem sequer reconhece minha letra?

— Reconheço. Sua letra é sempre perfeita... Mas quero dizer... seu pai ou sua mãe não a obrigaram a escrever aquilo?

— O quê?

— Como meu pai, que me mandava ditar cartas, ou sua mãe, que ficava vigiando enquanto você escrevia...

— Como você enxerga meus pais...?

— Sério, Inês. É verdade que você escreveu aquilo por vontade própria?

— Sim.

— Sério? Inês...

— Porque é a verdade.

Inês suspirou, fingindo irritação, e levantou a cabeça. Os lábios dela encontraram os dele novamente, como se estivessem esperando por aquele contato. Apenas provando levemente a superfície, soltando-os sem aprofundar muito o beijo; um gesto contido que demonstrava que, apesar da saudade, ela ainda mantinha uma clara consciência de onde estavam.

Foi só então que lhe ocorreu que todos os olhos da festa estavam fixos em suas costas. Era uma percepção tardia, algo que não condizia com a personalidade habitualmente alerta de Inês.

Cássel, ao contrário, parecia não ter esquecido onde estavam, mas simplesmente não se importava. Mesmo mergulhados na penumbra sob a árvore, ligeiramente afastados das luzes principais da festa, eles não estavam completamente escondidos.

Mas, em vez de escorregar dos braços dele e colocar os pés no chão, ela apenas desviou o olhar brevemente para a luz avermelhada das lanternas, que filtrava por entre os galhos e iluminava o rosto de Cássel.

Talvez as pessoas simplesmente não importem, pensou ela.

— ... Sinto sua falta, Cássel.

Ela disse isso porque ele estava ali, bem na sua frente. Porque ele sempre a salvava. Enquanto estivesse conectada à mão dele, ela sabia que, eventualmente, conseguiria sair daquele pântano novamente.

— Eu nunca fiz algo assim antes... — murmurou ela, referindo-se à impulsividade da carta e do encontro.

— Não foi você quem me disse para vir? — provocou ele, suavemente.

— Sabe por que eu disse?

Quero ouvir você falar.

Ele sorriu como um menino, como se acendesse uma luz suave na escuridão. Só depois que os lábios dele pousaram novamente em seu rosto como uma confirmação — beijando ambas as bochechas, a ponte do nariz, a ponta do nariz, o lábio superior e a ponta do queixo — foi que ela finalmente escorregou de seus braços até o chão.

Mesmo de costas para o baile, ela sentira o peso dos olhares sobre si do início ao fim. Por isso, contendo o temperamento que o instigava a empurrá-la imediatamente contra uma árvore e devorá-la ali mesmo, Cássel testou toda a sua paciência limitando-se a apenas alguns beijos leves e provocantes.

Claro, se ele tivesse dado a mínima importância a esses olhares, eles estariam sentados no meio do salão agora, comportados. Em vez disso, ele gastava o tempo casualmente com a esposa em sussurros e conversas frívolas, agindo como se, embora todos olhassem, ninguém realmente os visse.

— Não consigo ver nada porque você está contra a luz.

Cássel acariciou a bochecha de Inês como se tateasse o contorno vago de seu rosto na penumbra. Então, encostou os lábios na testa dela e murmurou num suspiro:

— Quero ver seu rosto na luz, Inês.

Não era que ele não visse as outras pessoas; ele via, mas não se importava. Era como se ele só conseguisse enxergá-la, imersa na escuridão contra a luz, ignorando todos os outros que estavam sob o brilho dos lustres... Foi assim que ele sussurrou.

Às vezes, ela queria ficar presa naquele olhar cego de devoção. Não num lugar onde ninguém pudesse vê-los, mas onde ninguém realmente existisse. Mesmo que olhasse em todas as direções, queria um lugar onde apenas o outro existisse. Ela só queria vê-lo novamente daquele jeito. Na terra de Calderon, naquela cabana, nos olhos dele... ela quis ver o único reflexo de si mesma, vasto como aquela floresta.

Assim como ele queria que a luz brilhasse no rosto dela em meio à escuridão, ela queria projetar o silêncio do mundo sobre o rosto dele.

Ela tinha muita vontade de vê-lo. Queria monopolizá-lo. Se ao menos ele pudesse vê-la, longe desta corte maldita, longe deste mundo atormentado. Se ao menos ele pudesse ouvir apenas a voz dela.

Se pudesse fazer isso, sentiu que o mundo poderia ruir às suas costas que não importaria.

Rindo de um capricho vaidoso e egoísta, Inês beijou as pontas dos dedos dele que acariciavam sua bochecha. Os olhos azuis de Cássel escureceram tanto que pareceram negros por um momento. Ele esfregou o polegar com força contra o lábio inferior dela.

E se eu abrir os lábios e chupar o dedo dele para dentro...? Ela queria provocá-lo, incitá-lo, mas ao olhar para os olhos ligeiramente cansados dele, conteve-se.

Inês mordeu levemente a ponta dos dedos dele, incapaz de afastar os lábios, e então abriu a boca primeiro, permitindo o toque.

— ... Eu queria sequestrar você assim — disse ele, a voz rouca.

— Pode, por favor?

Quando ela perguntou com um sorriso, ele soltou um suspiro doloroso.

— Droga, você também tem que estar em Mendoza amanhã... Como posso atrapalhá-la?

Inês estendeu a mão com graça, sorrindo. Era um pedido silencioso para que ele lhe oferecesse o braço. Cássel sorriu, levantou o braço e permitiu que ela o envolvesse.

— Então, terei que me contentar em apenas levá-la até lá.

No final, é como um sequestro. Ela soltou uma pequena risada.

A música da banda, que havia sido bloqueada de sua mente, recuperou o volume aos poucos. Oscar, Dolores, Alicia e os jovens que entravam e saíam do pátio olharam para eles.

Ao entrarem na luz plena, Inês recuou alguns passos. Ela olhou para Cássel o tempo todo, e seu rosto, que estivera sorrindo sem parar na escuridão, tornou-se descaradamente frio. O mesmo aconteceu com os olhos de Cássel, que até então a olhavam com doçura.

A expressão contundente e austera que agora cobria a bela aparência dele era dirigida ao seu nobre primo, como se ele fosse um soldado em serviço que viajou um longo caminho apenas para cumprir um dever.

Cássel curvou-se cortesmente diante de Oscar.

— Príncipe Herdeiro.

— ... Este é um prazer que eu não esperava. Cássel.

— Por favor, perdoe-me pela minha falta de cortesia por chegar sem avisar.

— Sim, o que traz seus pés, que raramente pisam em Mendoza, tão de repente aqui?

— Vim ver um rosto.

Oscar perguntou o motivo, mas a resposta que Cássel devolveu cortesmente era desprovida de qualquer lógica política. Era como se ele nem soubesse dar uma desculpa melhor. Oscar abriu um sorriso, mas seu rosto permaneceu inexpressivo.

— Veio ver um rosto? Faz tempo que não vejo seu rosto precioso também.

— Não vim para ser visto.

— Bem, no máximo, vi meu primo mais querido... Vou parar de aceitar desculpas que não têm sentido nem sinceridade. Vamos, sente-se conosco.

— Com licença, mas tenho que sair de Mendoza ainda esta noite.

— Já não é tarde da noite? Você acabou de chegar.

— ... O quê?

Inês virou a cabeça para Cássel, com uma expressão de incredulidade, sem perceber. Era uma falta de respeito tremenda que ele recusasse o convite do Príncipe, apenas baixando os olhos e mantendo-se num silêncio frio.

— Faz muito tempo que não a vejo, então meu tempo é curto — disse Cássel, firme. — Gostaria de voltar diretamente para minha residência oficial e passar o máximo de tempo possível com minha esposa, mesmo que isso seja uma falta de respeito com Vossa Alteza.

— ...

Ele respondeu a Oscar primeiro. E olhando de novo para Inês, relaxou suavemente os lábios firmes.

— Tenho que voltar para Calztela em duas horas. Tenho treinado desde o amanhecer... Mas por que seu rosto está tão magro?

Inês virou apenas a cabeça na direção de Cássel, arregalando os olhos em descrença, quase como se ele fosse louco.

— Por que você está dizendo isso agora?

— Eu disse que vim aqui apenas para ver o seu rosto, Inês — respondeu ele, simples.

— Então, por que ainda estamos perdendo tempo aqui?

Foi um comentário que esmagou, num só golpe, a anfitriã da festa, Dolores, e a suposta protagonista da noite, Alicia. Como se tivessem esquecido instantaneamente as pessoas à frente deles, Inês e Cássel começaram a trocar palavras rápidas, como numa briga íntima.

— Vamos direto para a residência oficial dos Escalante. Já basta o tempo que perdi longe de você — disse Cássel, ignorando os olhares. — Ficar um mês sem te ver já foi difícil o suficiente, Inês. É uma tortura perder mais um minuto aqui.

Os olhos dele estavam cheios de riso, embora suas palavras fossem sérias. Inês levou a mão à testa, exasperada.

— Agora você pede compreensão por uma coisa inútil dessas...

— Se você disse que queria me ver tanto assim, deveria ter ficado em um lugar fácil de encontrar, para que eu pudesse vê-la assim que chegasse, Inês.

— E quem imaginaria que você subiria num cavalo e viria correndo assim que recebesse a carta?

— Certo. Sou um tolo, por isso sempre preciso que você seja a inteligente da relação.

Cássel, num gesto involuntário, baixou os lábios e beijou a têmpora de Inês. Por mais que ele tivesse feito isso inconscientemente, Inês, que recebera o beijo sem nem perceber de tão acostumada, franziu a testa com irritação.

— Você acha que faz sentido ir e vir a noite toda, apenas para chegar à capital logo antes do treino da madrugada?

— Para mim, tudo o que envolve você faz sentido, Inês.

— Não me use como desculpa para sua autodestruição, Escalante. Você quer morrer? Ficou louco? Acha que ainda é um jovem invencível? A morte súbita é seu objetivo?

— Claro que não. Quero viver com você por muito tempo.

— Seu plano não se parece em nada com isso.

Dolores deu um sorriso amarelo e sussurrou algo para Oscar, que observava os dois em silêncio. A expressão de Inês, sempre mudando entre irritação e preocupação, parecia absurda para quem não conhecia a dinâmica deles.

Não só eles, mas todos os outros olhavam para os próximos Duque e a Duquesa de Escalante com os olhos arregalados, piscando em choque com aquela exibição de intimidade crua. Apenas Alicia olhava para seu noivo com a dureza de uma pedra, percebendo onde estava o foco dele.

🏠 Início

Comentários