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Capítulo 61 — Cem é Melhor que Um

As palavras de Inês ecoavam nos ouvidos de Cássel em momentos aleatórios durante os exercícios de tiro. 

"— Cássel, tenho pena de você porque me conheceu."

Ele fez uma pausa e encarou a arma que estava polindo. Por que ela teria pena dele? Por qual motivo? Porque ele a conheceu? Mas por quê? Perguntas intermináveis giravam em sua cabeça.

Vários homens passaram na ponta dos pés por Cássel. Tão imerso em pensamentos para notar o que os outros estavam fazendo, ele não tinha ideia de que já havia afuguentado todos os oficiais do campo de tiro com sua presença ameaçadora. O ar parado roçou em Cássel, que estava sozinho. Seu cabelo loiro foi despenteado pela brisa, mas ele não se deu ao trabalho de arrumá-lo como fazia habitualmente. A frustração vincou suas feições. Não importava o quanto tentasse, ele simplesmente não conseguia entender o que ela queria dizer.

Desde quando eram crianças, Inês sempre fora mais madura e mais esperta que ele. Ele frequentemente não conseguia entender o que ela dizia. Ele esperava alcançá-la mais tarde na vida, mas isso nunca aconteceu. Tendo praticado esgrima mais do que lido durante toda a sua vida, ele preferia o trabalho físico ao trabalho de escritório. 

Sim, Cássel havia alcançado Inês de certa forma, mas ela ainda estava vários passos à frente. Como resultado, Cássel desenvolveu o hábito de não pensar por muito tempo. Ele havia se acostumado a presumir que nunca entenderia sua inteligente então-noiva e agora-esposa.

No entanto, desta vez era diferente. 

Ele não conseguia parar de ruminar sobre as palavras dela. Quando ele perguntou por que ela aceitou o casaco de Iglesias, ela disse que o fez porque "tinha pena" dele. Ela não queria decepcioná-lo. Mesmo que Inês tivesse se acostumado com a perfeição de suas feições impecáveis a ponto de não se importar, ela ainda tinha uma fraqueza. 

Cássel frequentemente fazia olhos de cachorrinho para ela por causa de seus motivos ocultos. No começo, ele costumava contar tudo a ela, mas percebeu que a postura fria de Inês desmoronava sempre que ela via seus olhos de cachorrinho. Então, ele começou a tirar vantagem dessa nova descoberta e a usar seus olhos tristes de cachorrinho sempre que precisava. Certa vez, ele até praticou fazer olhos de cachorrinho na frente do espelho, tentando parecer mais digno de pena. Ele não tinha por que deixar isso se desperdiçar quando provou funcionar como mágica.

Pensativo, Cássel inclinou a cabeça para o lado. Talvez ele tivesse ido longe demais, e agora ela provavelmente pensava que ele era como um cão abandonado — alguém de quem ela deveria ter pena.

Seus motivos ocultos nunca foram sinistros. Tudo o que ele esperava era abraçá-la um pouco mais, tocá-la mais e plantar beijos ardentes em cada parte do corpo dela. Ele só queria se envolver em atos lascivos com ela e tratá-la com a máxima ternura. Tudo provinha de sua afeição e desejo gentil por ela.

Cássel largou a arma e cobriu o rosto com a palma da mão. Como ela poderia achar uma criação perfeita como ele digna de pena? Ele simplesmente não conseguia compreender. Uma carranca profunda marcou seu rosto, de outra forma, perfeito.

Fingir ser digno de pena o havia deixado em uma situação genuinamente lastimável. Ele era um idiota que trocou o ótimo pelo pequeno. Se sua tentativa de ganhar a simpatia dela havia saído pela culatra, tudo o que ele precisava fazer era agir como um jovem lorde arrogante. Mas Cássel sabia que essas eram, na melhor das hipóteses, medidas temporárias. Ele relembrava obsessivamente cada detalhe da expressão de Inês, sua respiração, ou qualquer outra coisa.

Não importa o quanto ele tentasse interrogá-la na carruagem, ela não respondia com respostas concretas. Ele continuou a testá-la na residência, despindo-a em um quarto claro, exceto por suas meias e luvas, mas ela não deixou escapar o menor indício de sua boca. Então, ele a fez ajoelhar-se sobre a mesa e afastar suas nádegas, dizendo-lhe para engatinhar de quatro... e ainda assim, nenhuma resposta. Mesmo em meio à sua confusão, ele sentiu a si mesmo ficar duro novamente apenas por revisitar as memórias da noite anterior. Ele fez Inês chorar o quanto quis, mas falhou em descobrir a única coisa que queria saber.

No final, Inês havia vencido. 

Aqui estava ele, prestes a ter uma ereção enquanto ela havia concordado com seus pedidos para apaziguá-lo.

Sendo a besta excitada que era, ele não tinha chance de vencer Inês Escalante. Ele encarou sua metade inferior com nojo e ergueu os olhos com um gemido interno. Enquanto estava parado no meio do campo de tiro, ele se lembrou vividamente da sensação do corpo macio dela pressionado contra seu braço. Em sua memória, o rosto recatado dela estava cheio de certeza. Ela sabia que podia fazê-lo esquecer tudo com um gesto ou um pequeno gemido.

Depois do sexo, ele disputava chances de pegá-la desprevenida e continuava perguntando, mas a expressão irritada dela o desencorajava. Sua reprovação silenciosa parecia dizer-lhe para calar a boca ou arriscar nunca mais ter sexo com ela. Então, Cássel calou a boca e foi dormir, apenas para acordar na manhã seguinte ainda se perguntando o que ela queria dizer com sua pena. Como um menino de quatro anos sobrecarregado de curiosidade, ele a importunou com perguntas, mas ela o expulsou do quarto, dizendo-lhe para parar de perturbar sua oração matinal silenciosa.

Ele duvidava que ela respondesse mais tarde esta noite. Ele sabia que precisava deixar sua curiosidade de lado se não quisesse que ela o expulsasse do quarto esta noite. Ele não conseguia entender sua própria obsessão. Ele deveria ter deixado isso passar, assim como fizera com seus outros comentários incompreensíveis, mas algo sobre isso continuava a incomodá-lo no fundo de sua mente.

Por que diabos ela teria pena de Cássel Escalante por conhecer Inês Valeztena?

Depois de todo esse tempo, ele não conseguia imaginar que suas reputações pré-matrimoniais ou a personalidade fria dela de repente se tornassem um problema. Se ela estivesse falando sobre sua doença de vários anos atrás, ele ficaria furioso além da conta.

Cássel passou a mão pelo rosto franzido. Ele finalmente entendeu por que o comentário dela o havia incomodado tanto, mas não conseguia chegar ao cerne da questão. 

A verdade é que o comentário dela o havia irritado. Ele queria gritar com qualquer um que falasse mal de Inês, mesmo que fosse ela mesma. Apesar de sua raiva, ele não conseguia ficar bravo com ela porque era tão estupidamente apaixonado.

Antes do nascer do sol, ele havia observado Inês dormir, querendo desesperadamente dizer a ela como ela era boa demais para ele. Ele não podia acreditar na sorte de o Duque Valeztena não ter cancelado o noivado quando soube com quantas mulheres ele estivera. Tecnicamente falando, era ela quem merecia a compaixão de qualquer um. 

Ela é que estava presa a um marido e seu passado promíscuo. 

Eu sei que o duque queria cancelar o noivado, mas você estava determinada demais... É por isso que sua obstinação é minha maior fortuna. Como você pode ter pena de mim quando posso estar ao seu lado? Isso não é algo a se considerar um infortúnio...

Como um idiota, ele queria desesperadamente dizer a ela todas essas coisas. Em vez de pena, ele queria cobri-la de elogios. Sempre que se sentia envergonhado por desejá-la com seu corpo imundo, ele desejava ter mais bases para estar ao lado dela. Se ele não tivesse tanta vergonha de seu passado, ele teria o direito de ser curioso sobre o passado dela. Então, em outras ocasiões, ele se sentia feliz por ter parado quando o fez. Ele não poderia explicar tudo sobre muitas noites sem dormir por causa disso com uma simples frase. 

Dizer "Você é quem está em pior situação" não seria suficiente. No entanto, ele ainda precisava dizer algo depois de acordá-la antes do nascer do sol.

— Então... O que eu queria dizer era que você vive com um homem imundo como eu — ele murmurou.

Inês deu uma risadinha. 

— Eu também não sou nenhuma virgem inocente. Você provavelmente já adivinhou desde a nossa primeira noite.

Esta foi a primeira vez que ela mencionou seu passado, que havia sido um completo mistério para ele até agora.

Ele se lembrava de quão experiente sua noiva parecia na noite de núpcias. Na verdade, ele estava feliz em falar sobre isso. Ele preferia resolver o mistério sobre os homens anteriores na vida dela e sentir o eventual alívio de saber, após o período inicial de ressentimento.

— Cássel, eu não era nenhuma jovem ingênua que só conheceu você.

Ele já sabia disso, mas não ficou exultante com a confirmação de sua suposição. Ele acalmou seu ressentimento interior e perguntou rigidamente:

— E daí?

Inês se virou em seus braços para encará-lo. Seus olhos verde-escuros encontraram os dele sem qualquer hesitação.

— Estou tentando dizer que você não deve ter pena de mim porque se divertiu com outras damas. Eu não tenho escrúpulos quanto a isso. Eu também tive outra pessoa.

De fato. Ela provavelmente nunca se importou com quem ele andava dormindo.


Às vezes, ele ficava mais incomodado pelo fato de ela não se importar com o passado dele do que com o misterioso passado dela. Nessas horas, ele sentia o quão unilateral o relacionamento deles havia se tornado. 

Como Inês não se importava com ele, ela não tinha motivos para ter ciúmes e desfrutava da liberdade dos sentimentos irritantes de inveja. Mas ele estava preso no lugar, andando de um lado para o outro como um cão na coleira. Ela tivera outra pessoa. A implicação de um único amante fez sua boca secar.

Cássel tentou lembrar a si mesmo que não tinha o direito de se irritar com o passado dela, mas não conseguia se livrar da pergunta insistente em sua mente. 

Ele era especial para você? 

Dado que ela e seu amante nunca foram até o fim, ele tentou dizer a si mesmo que o relacionamento deles não poderia ter sido tão profundo. Mas ele não pôde evitar sentir um nó na garganta com a possibilidade de que ela era tão especial para aquele homem que ele não conseguiu possuí-la.

Inês tivera uma pessoa especial.

O mero pensamento inundou Cássel com uma onda de repulsa. Ele não se importava se ele havia tirado a virgindade dela ou não. Ele não se importava com o tipo de sexo que eles tiveram. Se Inês tivesse dormido com cinquenta, cem ou inúmeros homens, ele poderia ter batido palmas de alegria.

Se os homens no passado dela não importassem para ela, então o passado dela não importaria para Cássel. Ele teria preferido muito mais isso a um relacionamento tão precioso que eles se guardaram para o casamento.

Assim, Cássel não fez a Inês a pergunta que ele realmente queria fazer e, em vez disso, repetiu a pergunta anterior:

— Então, por que você deveria ter pena de mim?

Ela não disse uma palavra por um bom tempo, então ela finalmente respondeu:

— Eu só acho que você é bom demais para mim. Quanto mais tempo fico com você, mais sinto que você merece coisa melhor... Seu passado não importa. Você também não se importa com o meu passado.

Na verdade, ele se importava muito; ela apenas não sabia que ele se importava.

— Eu mereço... melhor do que você? — Ele zombou, incrédulo.

Inês sorriu novamente.

— Sim.

O sorriso dela era o mesmo de sempre, mas ele sentiu uma pontada no coração. Ele queria dizer tanta coisa, mas não conseguia vocalizar as palavras de frustração.

Inês murmurou:

— Às vezes, eu queria que você não tivesse chamado minha atenção quando eu tinha seis anos. — Ela fechou os olhos. — Eu só sinto muito por você.

Ele não conseguiu dizer nada em resposta. Sentindo-se como se estivesse à beira de um penhasco, ele observou Inês voltar a dormir.


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