Capítulo 66 — A Intrusa
Apesar de seus sentimentos no corredor, quando entrou no closet, Cássel não estava com humor para lidar com sua ereção errante. A visão dos vestidos de Inês e seu cheiro pairando no tecido o lembraram dela, o que na verdade neutralizou sua excitação. Isso não acontecia com muita frequência.
Sua masculinidade não havia se acalmado nem um pouco, mas em momentos como este, ele sabia muito bem que não conseguiria terminar sem provar o pescoço dela, seus dedos ou seus seios. Sua imaginação não era suficiente.
Ele vagou pelo closet por um momento enquanto respirava os vestígios do perfume de Inês. Ele estava fazendo isso para se acalmar, mas a vontade de enterrar o nariz na curva do pescoço dela tornou-se insuportável.
Ocorreu-lhe que tudo ficaria bem se ele pudesse apenas enfiar o rosto no decote dela e inalar o aroma sutil de flores silvestres de sua pele. Mais sangue correu para sua virilha com o pensamento, mas isso só o fez se sentir pior. Eu sou um bastardo pervertido, pensou ele consigo mesmo.
Ele estava cheio de um sentimento estranhamente sinistro que era tão desconhecido para alguém que geralmente era tão despreocupado que o tornava incapaz de fazer qualquer coisa.
Talvez fosse pela expressão que ele vira em Inês naquela manhã. Ou era porque ela lhe dissera que iria para Esposa na primavera? Já fazia dez dias desde que ela fizera aquele anúncio. Ele não conseguia compreender por que estava se sentindo assim de repente, quando não tinha pensado muito sobre isso no início.
Cássel mexeu na saia de um dos vestidos de Inês que estava pendurado no alto e estreitou os olhos.
De uma perspectiva otimista, tudo estava maravilhoso, mas de um ponto de vista pessimista, havia várias coisas que o incomodavam com o passar dos dias, estranhamente, sem muitos incidentes.
Cássel achou que seria melhor eles se mudarem. Nesse ritmo, seu nível de desconforto logo atingiria um ponto de ruptura. Pensar em como ele deveria discutir isso com Inês assim que suas convidadas fossem embora foi pelo menos um pouco de distração, e ainda assim ele tinha um estranho pressentimento de que algo estava errado. Ele tirou o casaco, o rosto completamente desprovido de expressão, como se tivesse se transformado em uma pessoa totalmente diferente. Ele ignorou o volume em suas calças como se fosse problema de outra pessoa.
Naquele exato momento, ele ouviu a porta do quarto lá fora se abrir silenciosamente e depois fechar novamente.
A criadagem da casa sempre deixava a porta aberta atrás de si quando entrava em um cômodo, e anunciava sua presença se soubesse que um de seus mestres já estava lá dentro. Isso significava que havia apenas duas pessoas em toda a casa que entrariam em um cômodo sem dizer uma palavra e fechariam a porta atrás de si: o próprio Cássel ou sua amada esposa.
Seu rosto se iluminou imediatamente com um sorriso aveludado.
Ele levou seu tempo para tirar calmamente a parte de cima do uniforme antes de abrir bruscamente a porta do closet e dar de cara com as costas de sua esposa. Ele honestamente não estava pensando direito, mas Inês era a única outra pessoa que estaria no quarto deles, então mal importava.
Seu cabelo preto estava preso em um coque elegante, e ela parecia deslumbrante em seu modesto vestido branco. Apenas o pensamento dela se virando para olhá-lo fazia seu coração disparar descontroladamente, apesar de ela não estar mais adornada do que o habitual. Era assim que ele se sentia sempre que a olhava por trás.
Cássel deu alguns passos rápidos, diminuindo a distância entre eles com impaciência marcada, e a agarrou pela cintura antes que ela pudesse sequer se virar. No exato momento em que a ergueu do chão, um braço em volta da cintura e o outro sob os joelhos, ele percebeu que algo estava errado. O corpo que ele estava segurando não era o corpo de sua esposa que ele desejava tão desesperadamente.
A percepção o atingiu como um raio.
Se ele tivesse pensado mais, poderia ter percebido a possibilidade de que a mulher não era Inês, e talvez tirar um momento para verificar a identidade da mulher. Mas este era o quarto deles — um lugar privado onde até Arondra devia pedir permissão para entrar.
Na cultura de Ortega, era o cúmulo da grosseria colocar os pés no quarto de outra pessoa, a menos que expressamente convidado. Mesmo após a morte, apenas parentes próximos podiam entrar no quarto. Portanto, o bom senso ditava que Inês, e somente Inês, estaria em seu quarto. No entanto, Cássel não deu tempo para o bom senso entrar em ação antes de ter a mulher em seus braços.
Um momento depois, um grito agudo preencheu o quarto. Cássel havia atirado a estranha para longe como se ela o tivesse queimado.
Inês frequentemente o aconselhava a pensar duas vezes e a usar o bom senso. Mas ele estava certo em agir por instinto desta vez. A orgulhosa Inês Escalante que ele conhecia nunca faria tal barulho. De fato, esta mulher não poderia ser sua esposa. Se ele não a tivesse arremessado antes, teria que sofrer seu toque por mais tempo. Sim, ele sem dúvida fizera a coisa certa, mesmo pensando melhor.
Ele encarou a mulher caída a seus pés.
No início, ele quis se esbofetear por confundi-la com Inês, mas então notou uma estranha familiaridade. Caída no chão como a heroína trágica de uma peça, ela o lembrou de outras mulheres que ele vira antes. Ele zombou silenciosamente e pensou: Ela deve ter passado algum tempo em Mendoza.
Ele conhecera outras mulheres em Mendoza que desmaiavam de forma tão exagerada. Ele sabia exatamente o que estava acontecendo. Esta mulher tinha feito isso intencionalmente — vestir-se como Inês e esperá-lo de costas não era um erro inocente.
Os olhos suplicantes da mulher se voltaram para ele.
— Lorde Cássel, o que há de errado?
Ele a abraçara por trás e depois a jogara no chão assim que percebeu que não era quem ele esperava. Ele não era o errado, neste caso.
Cássel continuou a encarar a mulher. Ela tinha a altura e a constituição de Inês, tinha cabelos pretos e usava uma camisola branca... Ele ignorou a tentativa óbvia de confundi-lo. Esse não era o problema.
— Pensei que o senhor finalmente tivesse aceitado meus sentimentos...? — Sua voz estava magoada, mas Cássel não teve pena dela.
Como ele poderia aceitar os sentimentos dela se nunca a tinha visto antes? Seus olhos pousaram no penteado dela. Estava preso exatamente no ângulo e forma que Inês costumava usar o dela. Ele questionou se as mulheres poderiam arrumar o cabelo de forma tão precisa, especialmente porque os coques de Inês diferiam dos coques trançados apertados que as criadas de Calztela costumavam escolher, ou os coques altos que pareciam competir por altura que estavam na moda em Mendoza.
Desde que chegara a Calztela, Inês costumava pentear o próprio cabelo; assim, seu cabelo era arrumado, mas não tão preciso quanto antes. Em vez de um coque alto da moda, seus coques eram baixos, mas convenientes. Ela não usava óleos perfumados para arrumar os fios soltos. Como uma ninfa da floresta ou uma santa em uma pintura, ela sempre brilhava com uma beleza modesta e discreta.
O olhar de Cássel se desviou da mulher e ficou vidrado por um momento. A modéstia de Inês apenas aumentava sua perfeição, como uma obra-prima...
Seu olhar tornou-se frio assim que ele olhou para a mulher.
O cabelo dela era idêntico ao estilo usual de Inês, até os poucos fios de cabelo soltos. Assim como seu vestido. Os olhos azuis de Cássel escureceram de fúria.
Sua última lembrança de Inês era de beijar o topo de sua cabeça adormecida antes de ir para o treino matinal. Desde então, tudo o que ele vira de Inês fora parte de seu vestido na biblioteca. Cássel estudou o vestido da estranha mais de perto. A silhueta esguia era perfeitamente comum, mas a renda delicada em camadas sobre a saia não era. Parecia idêntica em largura, forma e design à renda do vestido que Inês usava na biblioteca mais cedo. Esta mulher devia ter copiado Inês intencionalmente. Até mesmo a metade superior de seu vestido se assemelhava a outro de Inês, agora que Cássel olhava mais de perto, como se ela tivesse costurado dois vestidos de Inês juntos para copiar seu estilo.
— Onde você conseguiu esse vestido? — ele perguntou.
— O alfaiate de Calztela que veste a família Escalante ganhou renome. Todo mundo copia o estilo de Lady Inês hoje em dia. Acontece que comprei um vestido semelhante...
Quão provável era o alfaiate produzir um vestido idêntico? Especialmente de um vestido pertencente a Inês Escalante de Perez?
— Pensei que o senhor gostaria... É tão censurável para o senhor? Lady Inês me disse que eu estava adorável... Mas se não combina comigo...
Cássel perguntou onde ela conseguiu o vestido, mas a mulher só começou a falar em círculos, evitando dar qualquer resposta real.
Ele zombou.
— Ah. Pensei que você tivesse roubado o vestido da minha esposa.
Um cavalheiro adequado nunca apontaria as falhas de uma mulher, mesmo que a visse roubar um vestido bem na frente de seus olhos. A intrusa corou em escarlate com a impropriedade do comentário de Cássel.
— Eu nunca...! — ela exclamou.
— Mas como eu saberia o que você faria ou nunca faria? Eu não a conheço de forma alguma.
— Como... como pode dizer que não me conhece?
Ele podia jurar que nunca a tinha visto antes. Cássel franziu a testa.
— Eu deveria conhecê-la?
— Mas o senhor esteve me olhando esse tempo todo — ela respondeu.
— Estive? — Toda pretensão de cortesia desapareceu de sua voz.
Do outro lado do corredor, Inês e suas convidadas estavam na biblioteca. Cássel estava tentado a empurrar essa cobra pela janela, mas não podia tratar uma das convidadas de Inês daquela maneira. Por respeito à sua esposa, ele resolveria esse problema da forma mais silenciosa possível, mesmo que fosse mais problemático.
— O senhor continuou espiando na biblioteca. Ninguém mais sequer imaginou que o senhor estaria lá, mas eu notei. Nem mesmo Lady Inês notou, mas eu notei... Eu notei o senhor me observando... Nossos olhos se encontraram duas vezes. O senhor deve se lembrar de como aquele momento foi mágico — disse a mulher sem nome.
Cássel suspirou.
— Odeio ser o portador de más notícias, mas eu nunca a vi antes de alguns minutos atrás. O que você pensou que viu... — Ele provavelmente estava simplesmente seguindo o olhar de Inês; ele estava muito preocupado com sua excitação, imaginando as coisas que faria com sua esposa, para notar qualquer outra pessoa. — Não foi intencional da minha parte. Não significou nada.
— Como pode dizer isso...? O que compartilhamos hoje foi genuíno.
Ele não tinha dúvidas de que seus olhares haviam se encontrado (independentemente de ele estar ciente disso na época), mas isso não vinha ao caso.
Mesmo depois de seu casamento, Cássel ainda era cercado por investidas indesejadas. Sua beleza era a culpada. Muitas mulheres — e alguns homens — acreditavam que as coisas mais inocentes significavam algo e tentavam persegui-lo. Quando era solteiro, Cássel encontrava um fluxo interminável de tais pessoas e se acostumara a dispensá-las. E em qualquer outro dia, ele teria zombado e ignorado essa mulher completamente, como sempre fizera. Mas esta mulher estava em sua casa, em seu quarto.
— Confundir um olhar ou dois, eu posso perdoar — Cássel disse a ela severamente — mas não consigo entender o que a impeliria a entrar furtivamente no quarto de um homem casado. Só posso concluir que você está aflita com alguma forma de loucura.
Os olhos dela se arregalaram.
— O senhor está dizendo que sou louca?
Cássel apenas olhou para ela. Os olhos âmbar desta mulher nunca poderiam se comparar aos esmeralda de Inês. Nada nela chegava perto. Mesmo agora, ele sabia que a esqueceria inteiramente assim que ela saísse de sua vista.
— Você planejou isso? — ele perguntou.
— Planejei?! Eu apenas esperei pelo senhor. Não precisamos fazer planos. Eu estava esperando o destino nos unir e o senhor me chamar...
Cássel ergueu uma sobrancelha.
— E há quanto tempo você está esperando?
— Já nos encontramos três vezes em Mendoza.
— Você terá que me perdoar, mas não tenho lembrança de tê-la encontrado.
— Porque nunca fomos apresentados.
— Acredito que você esteja confundindo me ver de longe com realmente me encontrar.
— Claro. Não precisávamos de apresentações. No momento em que nossos olhos se encontraram, foi como se nos conhecêssemos por toda a vida.
— Certo... — O rosto da mulher congelou com o tom sarcástico de Cássel. — Então, você veio à casa da minha esposa, a convite dela, e olhou nos olhos dela, mas ainda teve a audácia de rastejar para dentro do quarto dela. — Ele agarrou o ombro da mulher e ela gemeu de dor ao ser forçada a se levantar. — Pior, você vem vestida da cabeça aos pés com roupas que roubou dela, e então tentou roubar o marido dela.
Como ela ousa!
Cássel olhou a mulher de cima a baixo, hostilidade e escárnio claros em seus olhos. Ela tentou se esconder inclinando-se contra o peito dele. Em vez de empurrá-la imediatamente, ele fez uma careta com a cena, como se ela fosse um inseto em sua pele.
— Infelizmente, não tenho interesse em mulheres nojentas como você.
— Lorde Cássel... O senhor chamaria o amor de uma mulher inocente de nojento?
— Não, apenas o seu, especificamente.
As mãos da mulher tremeram enquanto agarravam a frente da camisa dele. Antes que Cássel pudesse empurrá-la para longe, ela exclamou:
— Mas o senhor dormiu com Lady Montez! Com aquela mulher repugnante...!
— Quem lhe disse isso...?
— Ela disse. Ela mesma disse.
— Ela mentiu. Eu nem sei quem ela é.
— É mesmo? — a mulher retrucou, desafiadora. — Lady Montez parecia muito confiante, mesmo na frente de Lady Inês.
Os olhos de Cássel, ardendo em desprezo desenfreado, escureceram.
— Inês conhece essa mulher? — ele perguntou.
— Pelo que sei, Lady Inês Escalante esteve na mesma sala com ela apenas uma vez, bem recentemente, então elas podem não se conhecer bem — disse a mulher. — Mas Lady Montez não se esquivou de lançar indiretas sobre seu relacionamento íntimo com o senhor durante o encontro...
Suas palavras pairaram enquanto Cássel praguejava baixinho, e uma sutil satisfação curvou os cantos dos lábios dela, deleitando-se com a animosidade dele contra Lady Montez.
— Naquele dia em particular, ela ganhou o desprezo silencioso de todos — ela continuou ansiosamente. — Na presença de Lady Inês, ela bancou a amiga querida. No entanto, sempre que Lady Inês não estava por perto, ela se gabava de numerosos encontros secretos que afirmava ter tido com o senhor. E ela insistia que mantivéssemos tudo em segredo, 'pelo bem de Lady Inês'. Bastante desprezível, não é?
Cássel manteve um silêncio estóico.
— As senhoras mais velhas dispensaram as alegações dela — a mulher continuou, alheia ao seu crescente desdém. — Elas disseram que era evidente que seu coração pertencia unicamente a Lady Inês. Elas zombaram da ideia de o senhor trair sua esposa, afirmando que todos sabiam que isso era verdade.
— E, no entanto, aqui está você, mesmo depois de ouvir tudo isso — comentou Cássel friamente. Rumores de um suposto caso, espalhados por uma mulher que ele nunca vira, não conseguiram perturbá-lo. Especialmente quando confrontado por uma pessoa muito mais delirante bem na frente dele, tratando-o com total desrespeito.
No entanto, a jovem permaneceu felizmente inconsciente de seu desdém, consumida por sua ansiedade em divulgar mais sobre os delitos de Lady Montez.
— Claro, elas diriam tais coisas por afeição e respeito a Lady Inês, e eu mesma acreditei nisso também — ela tagarelou. — Mas alguém sugeriu que todos estavam apenas fingindo não acreditar por causa de Lady Inês. Essa pessoa disse que sempre houve escândalos sobre o senhor em Mendoza, mesmo antes de se casar, e a única razão pela qual o senhor não estava tão ativo à noite agora era porque nunca teve a chance de conhecer mulheres de Calztela, não porque estava profundamente apaixonado por Lady Inês.
Cássel permaneceu em silêncio, seus olhos cheios de desdém.
— Ela sugeriu que o senhor deve ter aceitado a oferta de Lady Montez porque estava se cansando da monogamia — ela continuou, sem se deixar abater por seu silêncio. — A pessoa que disse isso era uma das amigas de Lady Montez, e Lady Montez aproveitou a oportunidade para fazer um nome para si mesma, acrescentando que ela era a única amante que o senhor tivera depois de se casar...
— Há quanto tempo? — ele finalmente perguntou.
Ela piscou.
— Perdão?
— Essa mulher deve ter especificado há quanto tempo ela está dormindo comigo — disse ele.
A jovem corou como se ele tivesse acabado de usar uma linguagem muito explícita. Ela lançou um olhar tímido para a cama, seus olhos arregalados com falsa inocência. Ela fingira ser amiga de Inês apenas para apunhalá-la pelas costas, mas estava agindo como se não tivesse feito nada de errado, o que encheu Cássel de nojo.
— Foi no dia do banquete em homenagem ao novo almirante. Ela disse que teve seu primeiro encontro com o senhor depois que o senhor desapareceu de repente no banquete, meu senhor — ela respondeu.
Cássel soltou uma gargalhada.
— Ah, aquele dia.
— Então é verdade? — a jovem perguntou, parecendo ansiosa.
Era como se ela tivesse ficado aliviada ao vê-lo dispensar o boato, como se nunca tivesse realmente acreditado nas mentiras de Lady Montez.
Como se eu me importasse com a sua opinião, Cássel pensou consigo mesmo enquanto encontrava os olhos dela e torcia os lábios em um sorriso afetado.
— Por que você não pergunta a Inês onde eu estava naquele dia?
— Ah... então o senhor estava com Lady Inês. Eu sabia. Sempre pensei que Lady Montez estava mentindo. Nunca duvidei do senhor, meu senhor, não importa o quanto as outras zombassem de mim por isso. O senhor entende como me sinto, não é? — ela disse com um sorriso afetado, olhando para ele com olhos arregalados.
Cássel sentiu um desejo irresistível de estrangulá-las — a mulher audaciosa diante dele, bem como a mulher que fingia amizade com Inês enquanto tentava humilhá-la espalhando boatos infundados sobre um caso com seu marido, que nem sabia que ela existia. Era repulsivo o quão inconscientes elas pareciam ser de sua audácia. Sua própria reputação significava pouco para ele, mas a ofensa que sentia em nome de Inês alimentava sua raiva.
Se não fosse por Inês e suas convidadas do outro lado do corredor, Cássel ficaria tentado a jogar essa mulher dos penhascos de Logorño ou no caminho de uma carruagem em movimento. Uma onda de auto-aversão o consumiu com a mera contemplação de tal crueldade para com uma mulher aparentemente indefesa que parecia não ser páreo para ninguém.
Ela tinha uma estatura semelhante à de sua delicada esposa, que, aos seus olhos, era tão pequena e frágil. Mas sua impressão dessa mulher era a de uma besta selvagem pronta para cravar as presas em Inês. Talvez isso explicasse sua reação visceral — essa coisa diante dele simplesmente não parecia humana para ele. Seu olhar sombrio mudou para a mão que ainda agarrava sua camisa.
— Da próxima vez que Lady Inês e Lady Montez estiverem na mesma sala, tentarei revelar a verdade e restaurar sua honra...
Cássel a interrompeu com um movimento decisivo, afastando a mão dela.
— Duvido que você encontre a ocasião de falar com Inês novamente.
Ela piscou rapidamente, ainda alheia ao seu evidente desprezo. Então, ela empalideceu, o desespero infiltrando-se em sua voz.
— E-Eu não tenho má vontade contra Lady Inês — na verdade, tenho grande respeito e admiração por ela! Ela é a dama mais nobre e maravilhosa que já tive o privilégio de conhecer. — Havia uma sinceridade perturbadora em seus olhos enquanto ela elogiava Inês. Apesar de copiar o estilo de Inês e entrar furtivamente em seu quarto para seduzir seu marido, essa mulher tinha a audácia de expressar admiração por Inês. Era nauseante.
A mulher parecia reconhecer que Inês Escalante estava muito além de seu alcance; assim, ela redirecionou sua inveja para Lady Montez e o suposto caso apaixonado, em vez da amada esposa de Cássel.
De certa forma, a mulher era surpreendentemente ciente de seu lugar. Mas mesmo enquanto denunciava Lady Montez como uma mentirosa imunda, ela nutria o desejo de se tornar precisamente o que a outra mulher alegava ser — a amante ilícita de Cássel. Não importava o quanto ela admirasse Inês, no final, essa mulher espelhava Lady Montez em seus desejos.
— Você não estaria disposta a enfiar uma faca nas costas dela se respeitasse Inês mais do que supostamente respeita — disse Cássel após uma breve pausa.
— Uma faca? Céus, eu nunca! Por favor, me escute, meu senhor — ela sussurrou suplicante, aproximando-se dele.
Ele se viu incapaz de empurrá-la para longe como queria, porque ela poderia ser facilmente confundida com Inês com aquele penteado e vestido. Se ela se machucasse por causa dele, ele temia sentir como se tivesse de alguma forma machucado Inês. Por um breve momento, seus olhos poderiam enganá-lo e fazê-lo acreditar que havia ferido sua esposa.
Mas ela se agarrou ao braço que a estava empurrando.
— Alguém com tão má reputação como Lady Montez não suportaria ser comparada a Lady Inês. Ela se sentiria muito grosseira e deselegante perto dela. Mas eu respeito...
Cássel a interrompeu bruscamente.
— Não tenho interesse no que você tem a dizer. Não quero alguém como você perto da minha esposa, então cale a boca e saia da minha frente.
— Meu senhor... — ela choramingou.
— Nenhum marido permitiria que uma sanguessuga como você se agarrasse à esposa dele — disse ele, seus olhos estreitados transmitindo seu desdém.
Ela pareceu ficar sem palavras.
— Pensando bem, como é o seu marido? — Cássel perguntou de repente.
— Perdão?
— Ele é o tipo de homem que ficaria com a esposa mesmo que ela o arraste para o fundo? Nesse caso, talvez eu deva arruinar aquele homem sem noção primeiro — ele murmurou.
Seus lábios se formaram em volta de palavras não ditas enquanto ela o encarava estupidamente.
Ocorreu-lhe então que ele ainda não sabia o nome dessa mulher. E a mulher que afirmava ser sua única amante depois que ele se casou era conhecida por ele apenas pelo nome — ele não tinha ideia de como ela era. A vida realmente era ridícula às vezes, pensou ele.
— Meu marido, ele é... — ela começou, mas ele não a deixou terminar.
— Não ponha os pés nesta casa nunca mais, e não ouse aparecer onde quer que Inês vá — ele avisou com um tom ameaçador.
— Mas se eu ficasse longe dela, eu teria que evitar todo o círculo social de Calztela! — ela guinchou, claramente horrorizada com a perspectiva.
— Se você deseja preservar pelo menos um pingo de dignidade e manter o título de 'senhora' em sua própria casa, você obedecerá às minhas palavras — ele acrescentou friamente, caminhando em direção à porta.
Ela correu atrás dele.
— Eu... eu nunca prejudicaria Lady Inês de forma alguma.
— Você diz isso, e no entanto aqui está, tendo entrado furtivamente no quarto dela como um rato enquanto Inês e suas amigas estão do outro lado do corredor. — Ele a encarou de cima a baixo mais uma vez.
— Você é uma praga desprezível.
— O que mais eu deveria fazer? — ela explodiu. — Lá em Mendoza, eu ansiava por encontrá-lo, meu senhor, mas o senhor mal passava uma estação lá a cada ano antes de voltar para Calztela! Ainda assim, continuei esperando, esperando ser notada pelo senhor. Pensei que o senhor nunca se casaria, mas então, de repente, o senhor se casou...
Cássel, exasperado, congelou por um momento. Ela soava como se tivesse sido injustiçada, sua mão trêmula agarrando a manga dele.
— Meu senhor, eu devo ser melhor do que aquela enganadora Lady Montez. Eu tenho que ser — ela implorou.
— Você não é melhor do que ninguém. Se você me conhecia em Mendoza, saberia que eu nunca me envolvi com uma mulher casada — ele lhe disse com firmeza, deixando-a momentaneamente sem palavras. — E você está bem ciente de que eu tenho uma esposa agora — ele acrescentou.
— Mas o senhor também não procurava mulheres inexperientes, meu senhor. Pensei que o senhor não se importaria com mulheres casadas agora que tem uma esposa — ela argumentou.
— Seu absurdo não tem limites — ele murmurou em descrença.
— A única maneira de eu vir para Calztela, onde o senhor mora, era me casar com um oficial, entende — ela murmurou. — Meu casamento foi só por sua causa, meu senhor. Eu sei que não posso me comparar a Lady Inês, mas... Uma esposa e uma amante são diferentes...
— Cale a boca — ele rosnou.
— O senhor pode me tratar como quiser — ela persistiu. — O senhor ama Lady Inês, não é? Ela é uma mulher de fé, incapaz de compreender suas necessidades. Por favor, pense em mim como uma Lady Inês que o senhor pode tratar como quiser. Use meu corpo para todos os desejos que ela não pode satisfazer.
— Por favor, cale a boca e saia antes que minha esposa a veja — ele sibilou.
No entanto, ela se recusou a parar.
— Eu testemunhei sua excitação, meu senhor. Ela nunca responderia às suas necessidades em plena luz do dia. A boca dela é nobre demais para envolver seus desejos. A virtude dela é nobre demais para seus suportar seu vigor. O senhor acha que ela levantaria a saia para o senhor no meio do dia? — Seus olhos brilharam, dando-lhe uma aparência verdadeiramente delirante.
Cássel se sentiu sem ar; ele não podia gritar ou fazer um estardalhaço. A julgar pelas palavras dela e sua insistência, não havia como dizer o que essa mulher poderia fazer se ele a empurrasse para fora da porta agora.
— Seria tolice da sua parte se preocupar com ela. Ela não deixaria assuntos tão triviais a incomodarem. Ela até disse que não se importava se as alegações de Lady Montez fossem verdadeiras — ela insistiu.
Os olhos de Cássel se estreitaram enquanto ele pausava, uma mão sobre os dois pulsos dela enquanto tentava afastá-la.
— O quê?
— Claro, Lady Inês Escalante riria se soubesse que Lady Montez espalhou rumores de um caso com o senhor no banquete quando, na verdade, o senhor estava com sua esposa...
Ele a interrompeu novamente.
— Não, antes disso.
— Perdão?
— Diga essa última parte novamente — ele exigiu.
— Ela... ela disse que não se importava — ela vacilou. — Desde que o senhor se divertisse, meu senhor.
A expressão de Cássel escureceu.
Naquele exato momento, a porta do quarto ao lado deles se abriu com um timing impressionante.
— Oh. Perdoe-me — veio uma voz.
O tempo pareceu desacelerar enquanto ele observava Inês se virando e saindo do quarto como se a cena diante dela não tivesse relevância. As palavras da mulher ecoaram em sua mente.
"Ela disse que não se importava."
O sangue subiu ao seu rosto antes de descer todo até seus pés, deixando-o frígido, como um homem sucumbindo a uma febre fatal. Seus pensamentos dispararam. Onde você pensa que vai? Como ousa me deixar, Inês Valeztena! Foram necessários apenas alguns passos rápidos para alcançá-la e puxá-la até parar abruptamente.
— Cássel! — Seu protesto foi abafado, mal mais que um sussurro, como se ela temesse que suas convidadas na sala de estar pudessem ouvir. Pela primeira vez, a confusão marcou sua tez clara enquanto ela olhava para ele.
No corredor, as criadas observavam o casal em silêncio atônito enquanto Inês tentava empurrá-lo em vão. Ele apenas a puxou para mais perto. Era como uma cena de uma peça de rua muda — totalmente ridícula.
A pequena briga deles era inteiramente sem sentido. Inês não tinha chance de dominar um homem cujo físico superava até mesmo os cadetes mais robustos de El Ledequilla e cuja proeza física permanecia inigualável. Cássel sempre usava sua força apenas para evitar causar-lhe qualquer dano, garantindo que seu aperto fosse o mais gentil possível.
Mesmo no auge do que parecia loucura, ele permaneceu cuidadoso para não segurá-la com muita força.
— Me solte — ela sibilou.
— Não.
Cássel sentiu uma pontada de irritação enquanto sua esposa tentava escapar de seu aperto. Apesar de sua amargura, ele a segurou com a máxima gentileza, cuidadoso para não deixar marcas em seus pulsos delicados. Parecia, no entanto, que a principal preocupação dela era preservar sua dignidade.
Incomodava-o que ela estivesse aparentemente mais preocupada com o que as criadas poderiam pensar do que com a situação que se desenrolava entre os dois. Sua expressão impassível ao encontrá-lo com outra mulher em seu quarto, seus olhos desprovidos de qualquer traço de raiva... Tudo isso o deixava com a sensação perturbadora de que não havia, para começar, nenhum senso de "eles como um casal" na mente dela.
Tudo isso o perturbava. Ele quase quis voltar àquele momento horrível em que a porta se abriu pela primeira vez, porque naquela época ele pelo menos sentira a necessidade de se explicar a ela.
O fato de sua esposa parecer mais preocupada com sua dignidade do que com a presença de outra mulher em seu quarto, cuja aparência espelhava estranhamente a dela, pareceu-lhe risível. A dignidade deles estava prestes a desmoronar assim que essa mulher saísse do quarto. Comparada a esse momento iminente, a cena atual do mestre e da mestra tendo uma briga diante de suas criadas parecia inteiramente inconsequente.
Cássel antecipou o ridículo que se desenrolaria assim que as convidadas de Inês na sala de estar testemunhassem o espetáculo. Uma bufada frustrada de riso escapou dele ao perceber o quão distorcido ele pareceria aos olhos delas. Para elas, poderia parecer que Cássel Escalante havia levado uma mulher, vestida exatamente como sua esposa, para seu quarto em plena luz do dia — um prato cheio para fofocas.
Indubitavelmente, elas se envolveriam em especulações sobre os casos escandalosos que aconteciam a portas fechadas e, talvez mais tarde, apreciariam o puro absurdo da cena ao perceberem que Inês também estava presente.
Embora as criadas soubessem que nada havia acontecido, era incerto se o testemunho delas seria aceito ou ouvido. As pessoas muitas vezes enfeitavam histórias para entretenimento, e a falta de adultério ou qualquer caso escandaloso tornava a história monótona. As inclinações peculiares de nobres de alto escalão só eram discutidas em Mendoza, e meramente aludir a tais assuntos proporcionava um sabor emocionante da fofoca da alta sociedade de Mendoza. Mesmo uma história verdadeira tendia a sofrer distorção após ser recontada uma ou duas vezes, houvesse ou não intenção maliciosa.
Inês torceu o pulso em uma tentativa fraca de se libertar, sua indignação sussurrada sobre o comportamento inesperado dele caindo em ouvidos surdos. Cássel, sentindo como se sua boca estivesse cheia de pedras, permaneceu em silêncio e imóvel. Ele não tinha nada a dizer, nem desejava.
Abruptamente, ele soltou o pulso dela e, em vez disso, passou um braço em volta da cintura dela. Ao mesmo tempo, a outra mão deslizou habilmente pela nuca dela e em seu cabelo. Dedos longos procuraram o grampo que prendia seu coque elegantemente arrumado.
Após um breve momento de busca, sua mão se retirou, e o cabelo dela caiu em cascata além dos ombros.
— Cássel! O que diabos?! — ela bufou.
Ele havia soltado o cabelo dela com sucesso, deixando-o fluir livremente por suas costas. O cheiro distinto de seu óleo perfumado, reminiscente de vinhedos em plena floração, imediatamente flutuou para seu nariz. Normalmente, o cheiro dela provocaria borboletas em seu estômago, mas agora, tudo o que ele antes achava encantador nela não lhe trazia alegria. Até a excitação que o cheiro dela induzia parecia mais um incômodo.
Os lábios de Cássel se curvaram em um sorriso afetado.
— Kara, parece que sua senhora precisa arrumar o cabelo.
Embora soubesse que Kara nunca penteava o cabelo de Inês, Cássel a chamou com confiança, os olhos fixos na esposa. Ele agiu como se não tivesse nada a ver com o cabelo dela desarrumado, como se tivesse acabado de notar o cabelo dela se soltar e comentasse casualmente sobre isso. Então, com um movimento rápido, ele pegou sua esposa nos braços e marchou em direção ao quarto, deixando as criadas maravilhadas.
Ele não olhou para trás, mesmo depois de chamar Kara, nem colocou Inês no chão na frente da penteadeira dela dentro do quarto. Ao passarem pela mulher, que ainda estava parada ali como um móvel, eles continuaram sua briga, aparentemente alheios à presença dela.
— Você enlouqueceu? O que pensa que está fazendo? — ela sibilou para ele.
— Eu tenho várias perguntas — ele retorquiu simplesmente.
— Pergunte-me quantas quiser mais tarde. Temos convidadas agora, e não há razão para você agir como...
Ele a interrompeu.
— Acho que não fará muito sentido mais tarde.
— Não é como se isso fizesse algum... — Suas objeções, ditas em tons abafados destinados apenas aos ouvidos de Cássel, cessaram abruptamente. Talvez fosse porque ela de repente se viu em um ângulo diferente, ou porque ele agora se inclinava sobre ela, mas a percepção de que ele a estava deitando na cama a silenciou.
Posicionando-se entre as pernas dela, Cássel deslizou as mãos por baixo do vestido dela, segurando seus tornozelos com um aperto terno.
— Você tem prazer em observar os casos íntimos dos outros? — ele zombou, direcionando seu desdém para a convidada indesejada que permanecia em seu quarto.
Inês estava mais preocupada com a menção de intimidade do que com a presença da intrusa.
Rapidamente, Cássel ergueu as pernas dela pelos tornozelos e traçou suas mãos pelas panturrilhas finas dela, agarrando suas coxas por baixo do tecido de seu vestido.
Um farfalhar de um vestido sendo apressadamente pisado e arrastado pelo chão ecoou, sinalizando a partida apressada da mulher do quarto. Ela parecia ter entrado em pânico com a perspectiva de testemunhar o momento íntimo deles. Antes que a mulher fechasse a porta atrás de si, Cássel notou o corredor silencioso, confirmando que, pelo menos, as convidadas na sala de estar permaneciam inconscientes da situação.
Ele rangeu os dentes, pensando que a ignorância das convidadas era mais do que Inês merecia. Ele não sentia obrigação de ser generoso por mais tempo. Mas após um momento de contemplação, ele conteve um palavrão e se endireitou.
— Espere aqui e não mova um músculo.
Em silêncio, Inês o encarou enquanto ele chamava Arondra e Raúl, caminhando em direção à porta do quarto e abrindo-a prontamente.
A mulher havia voltado descaradamente para a sala de estar. Cássel informou a governanta e o valete sobre os delitos da mulher. Ele então os instruiu a acusá-la de roubo na frente das outras convidadas, alegando que ela havia se infiltrado no quarto deles durante sua ausência e roubado as joias queridas de Inês. Enquanto falava, ele caminhou até a penteadeira de sua esposa, pegou um par de brincos de rubi que ele lhe dera e os colocou nas mãos de Raúl.
Depois de entregar as joias que a mulher nunca sequer tocara, Cássel enfatizou a necessidade de ameaçá-la para manter sua boca maldita fechada, garantindo que sua humilhação a impediria de encarar Inês novamente. Na mente de Cássel, a tentativa da mulher de roubar a aparência de Inês a tornava, em essência, uma ladra.
O esquema encontrou aprovação tanto de Arondra, uma defensora fervorosa da santidade conjugal, quanto de Raúl, um seguidor devotado de Inês. O engenhoso Raúl Ballan sugeriu que informassem às convidadas que Inês, devastada pela traição de uma suposta amiga, precisava de repouso na cama. Desta forma, tanto Cássel quanto Inês poderiam graciosamente evitar se despedir das convidadas. O plano prometia uma resolução rápida para a situação.
Cássel assentiu com indiferença antes de fechar a porta novamente. Seus passos reverberaram pesadamente no silêncio enquanto ele voltava para a cama.
Pelo bem de uma mulher que não lhe dava a menor importância, aqui estava ele, limpando as consequências. Uma risada autodepreciativa escapou de seus lábios enquanto seu olhar se desviava para onde Inês estava deitada em repouso. Certamente, ela ouvira cada palavra que ele trocara com os criados, compreendendo as complexidades dos eventos que haviam se desenrolado antes. Mas ocorreu-lhe que ela provavelmente não nutria curiosidade sobre a verdade desde o início.
— Eu esperava que você se levantasse — ele observou.
Inês simplesmente o encarou em silêncio.
— Estou surpreso que você esteja sendo tão passiva — ele acrescentou.
— Você me disse para não me mover — ela respondeu uniformemente.
— Você genuinamente desejava intimidade? — ele provocou, seu rosto ainda impassível.
Inês parecia externamente calma enquanto o encarava, mas um vislumbre fugaz de pânico dançou em seus olhos. Parecia mais que ela o estava observando, o que era muito provavelmente a razão pela qual ela estava tão atipicamente quieta. parecia externamente calma enquanto o encarava, mas um vislumbre fugaz de pânico dançou em seus olhos. Parecia mais uma observação cuidadosa, uma quietude atípica que o intrigava.
Ele não sabia dizer se ela estava avaliando sua sinceridade ou algo mais enquanto seus olhos se fixavam nos dele. A leve perplexidade em seu olhar trouxe uma gratificante sensação de satisfação. No entanto, ele sabia que não podia parar por aí; havia muito mais a desvendar. Ele estalou a língua internamente.
Em todo caso, a atenção dela permanecia fixa em seu semblante. Ele sabia que o que quer que ocupasse os pensamentos dela não podia se comparar ao turbilhão em seu coração e ao desejo ardente de mergulhar na mente dela.
Ainda assim, pela primeira vez, ela se concentrou unicamente nele — seus olhos presos em seu rosto. Enquanto suas mãos deslizavam sob o vestido dela mais uma vez, apoiando a parte de trás de suas coxas e descendo até suas nádegas, seus dedos cravaram na carne macia, amassando e separando suas nádegas. Mesmo enquanto ele explorava essas ações íntimas, o único foco dela era desvendar o quebra-cabeça de sua expressão.
— Eu quero que você seja mais seletiva sobre as companhias que mantém de agora em diante, Inês — ele disse a ela.
Inês respondeu às palavras dele com um olhar silencioso.
— Ela é mesmo sua amiga? — ele perguntou.
— Não — ela respondeu após uma pausa momentânea.
— Eu suspeitava. Ela sabia pouco sobre você — ele ponderou.
— Eu também não sei nada sobre ela — ela afirmou.
— Ela tentou imitar você da cabeça aos pés, mas sabia muito pouco sobre sua verdadeira essência — comparado ao seu conhecimento sobre ela.
Inês o encarou sem palavras.
Cássel apertou seu aperto nas nádegas dela, puxando-a para mais perto e pressionando seu corpo contra o dela.
— Você a conhece muito bem, o suficiente para que nada disso pudesse tê-la surpreendido. A maneira como ela olhava para mim deve ter sido óbvia para você.
— Olhe para você mesmo, Cássel. Ela não é a única. Se eu evitasse toda mulher que lança olhares para você, mal sobrariam mulheres com quem eu pudesse socializar — ela insistiu calmamente.
— Não estou me referindo a olhares inofensivos. Você devia saber o quão desequilibrada aquela mulher é, não sabia?
— Como eu poderia prever que ela recorreria a tais extremos?
— Você não antecipou isso? — Cássel pressionou, recusando-se a recuar.
— Por que eu iria querer isso? — Inês perguntou uniformemente.
— Como eu saberia? Talvez você se deleite com o espetáculo de ver seu marido entrelaçado com outra mulher — ele sugeriu.
— Isso é ridículo...
— Ou talvez você me veja como um incômodo por ficar excitado sempre que estou perto de você. Ou talvez você se importe tão pouco comigo que não houve necessidade de nos livrar daquela louca.
— Cássel...
— Ou talvez você precisasse que ela estivesse aqui.
O ar se adensou com um silêncio envolvente. Inês não concordou nem discordou; em vez disso, ela fixou o olhar em Cássel, exalando um suspiro profundo que parecia carregar o peso de seus pensamentos não ditos.
Cássel, por sua vez, encarou o olhar dela com um desafio mais pronunciado do que seu comportamento habitual.
— Cássel — disse ela, seu tom reminiscente daquele usado para repreender gentilmente um cachorro travesso antes que ele crie o caos.
A voz dela invocou memórias de sua infância compartilhada, quando tinham mais de seis ou sete anos; o jovem Cássel fora treinado para se adaptar aos humores dela como um animal de estimação devotado. Ele aprendera a responder a esse tom específico aguardando pacientemente pelos caprichos dela, voluntariamente deixando de lado quaisquer perguntas que persistissem em sua mente curiosa.
Inês continuou:
— Sinto muito se minha convidada o assustou, mas você não está fazendo sentido algum.
— Eu é que não estou fazendo sentido?
— Você está se entregando a especulações absurdas. É desnecessário que eu deseje isso.
Embora Cássel tivesse superado seu treinamento, ele persistia como um hábito. O rosto da jovem Inês Valeztena não era a memória mais apropriada para se demorar enquanto ele esfregava sua ereção contra o corpo dela e abria suas nádegas, mas ele se viu enredado pela rotina formada em sua esteira. A mulher diante dele tinha a culpa por esse hábito persistente dele.
De fato, tornara-se seu hábito.
Cássel encarou Inês, incapaz de decifrar sua expressão, com amargor na ponta da língua. Ele se esforçou para manter a boca fechada, temendo que uma profanidade pudesse escapar. Embora sua raiva não fosse dirigida unicamente a ela, ele temia perder o pouco respeito que ela ainda tinha por ele, quando ela parecia se importar tão pouco.
Em vez de abrir a boca, ele enfiou as mãos sob a calcinha dela e agarrou suas nádegas nuas. Ele traçou sua feminilidade e a encontrou brilhando de umidade, como de costume. Este era um hábito que ele consideraria costumeiro. Sempre que ele sinalizava o início da intimidade, as partes inferiores dela respondiam imediatamente com desejo. Assim como ele ostentava uma ereção ao menor vislumbre dela, ela também respondia instintivamente ao seu toque, antes que as complexidades do pensamento consciente pudessem intervir. Ele havia treinado suas partes mais íntimas com novos hábitos, assim como seus próprios desejos eram despertados pelos sutis indícios de sua fragrância.
Sempre que Inês olhava para ele com os cabelos caindo ao seu redor como uma cachoeira de seda, Cássel sentia um arrepio percorrer sua espinha, seus músculos se contraindo em resposta. Suprimindo o desejo de ser dominado pela paixão, ele refreava os desejos que agitavam dentro dele, consciente para não avançar nela com abandono ou empurrá-la além dos limites de seu conforto. Sua preocupação com o bem-estar dela permanecia na vanguarda de seus pensamentos.
Não apenas ele havia desenvolvido o hábito de se excitar, mas ele se via habitualmente tenso na presença dela, continuamente consumido pela preocupação com o bem-estar dela. Seu corpo parecia finamente sintonizado com ela, reconhecendo-a mesmo sem esforço consciente, apesar da falta de tentativas dela de capturar sua atenção ou retribuir tal cuidado. Ao longo do tempo, ela o havia sutilmente moldado nesses padrões de comportamento.
Cássel lembrou-se das palavras da intrusa que havia perturbado seu quarto.
"— Seria tolice da sua parte se preocupar com Lady Inês Escalante, meu senhor. Ela não deixaria assuntos tão triviais a incomodarem. Ela até disse que não se importava se as alegações de Lady Montez fossem verdadeiras."
— Então, você não se importa com nada que não seja absolutamente necessário — observou Cássel.
— Mulheres apaixonadas por você são uma visão comum em Calztela. Como eu disse antes, não posso me dar ao luxo de me incomodar com cada uma delas — respondeu Inês.
— É mesmo?
Ele apertou seu agarro e girou a carne dela, abrindo-a. Ele espalhou os fluidos dela ao redor de sua entrada e empurrou seus outros dedos para dentro dela. Ele podia senti-la enrijecer contra a intrusão.
— Isso soa como se você não pudesse me dar nenhuma atenção.
— Cássel — Inês suspirou, seu tom implicando que ele deveria largar o assunto.
Cássel repuxou os lábios em um sorriso afetado. Inês Escalante não tinha mais autoridade para repreendê-lo. Como podia uma mulher que tolera a presença do marido com outra mulher em seu espaço compartilhado alegar instruir sobre modos?
Ela era quem poderia usar uma lição ou duas. Embora ele não tivesse realmente se envolvido em um caso com a mulher, e a cena em que Inês entrou não a levasse a acreditar nisso, ela o encontrou em suas roupas de casa com outra mulher em seu quarto. Ele estava até segurando o braço dela para contê-la. Se Cássel tivesse encontrado outro homem em uma situação igualmente comprometedora com Inês, ele teria pegado sua pistola.
O rancor surgiu em Cássel.
Ele sabia que a estranha o havia abordado por conta própria. Ele não podia culpar Inês ou fingir que ela orquestrou o incidente inteiro. Ele só tinha seu próprio comportamento passado para culpar. Dado seu histórico, ninguém mais no mundo acreditava que ele seria devotado à sua esposa, e eles tinham razões válidas para pensar assim. Ele não tinha o direito de se sentir desapontado com sua reputação de homem promíscuo. Ele não tinha o direito de estar com raiva dela, e ele reconhecia esse fato.
No entanto, sua lógica não conseguia reprimir sua raiva.
— Inês, não é com aquelas mulheres que você não se importa; é comigo — disse ele.
— Hng...humm
— Não é verdade?
Seu sarcasmo apenas feria a si mesmo.
Sua própria língua queimava com as palavras. A fúria crescia dentro dele. Saber que ele não merecia estar furioso apenas o fazia odiar a si mesmo ainda mais. Ele direcionou sua fúria para seu toque. Ele pressionou o ponto que a fazia se contorcer e provocou a carne macia ao redor de sua entrada. Cravando os dedos nela, ele forçou seus lábios a se abrirem para ouvir seus gemidos. Ele puxou o vestido longo dela para cima e arrebentou as fitas que amarravam suas roupas íntimas para revelar sua feminilidade úmida. Ele queria que ela ouvisse os sons úmidos.
— Hnn... Ah...
Mas ele não conseguia esquecer suas palavras anteriores sobre como ela preferia a dor ao prazer se fosse ele quem a desse a ela. Ele queria rasgar esta mulher que preferia sexo violento a carícias ternas. De todas as suas memórias dela, ele era mais torturado pela vez em que ela o levou à boca porque preferia isso a ele tocá-la. Ela recusou qualquer prazer em troca da mais ínfima excitação. Na prática, ela se recusou a estar conectada a ele, apesar de estarem fisicamente entrelaçados. Ela não queria ser íntima dele. De repente, Cássel se sentiu apunhalado pelas costas.
Ele colocou os lábios no queixo trêmulo dela enquanto ela atingia o clímax. Seu olhar frio pousou nela.
Inês era tudo o que ele queria, mas ela nunca quisera nada disso.
A noite em que ela se preocupou com a mão ferida dele parecia distante demais, como uma memória distante ou um sonho. Ele ficara tão feliz que ela se importou com ele e o aceitou, mesmo que minimamente. Ele nunca ousou pedir o amor dela, mas apenas sua atenção mínima.
— Não consigo imaginar o quanto devo tê-la irritado. Ou o quão pouco você deve se importar comigo.
Ela não respondeu.
— Ou o quanto você deve me desprezar — ele acrescentou.
— Eu... não odeio você — ela sussurrou.
— Certo. — Ele riu com escárnio, sua mão acariciando o estômago plano dela antes de parar lentamente. Ele a encarou, imóvel, como se todos os seus pensamentos tivessem evaporado no ar, e então, de repente, sorriu. O relacionamento deles não havia progredido. Apesar do tempo que passara, eles estavam presos na mesma distância emocional.
— Parece que voltamos à estaca zero, Inês. Exatamente onde começamos.
Talvez ele devesse tê-la ouvido desde o início. Ele deveria tê-la deixado servi-lo, dormido com ela por dever e forçado a barra da maneira que ela alegava não ser estupro. Ele deveria ter vivido com ela, mas nunca a amado. Ele deveria ter aceitado seu ódio e desejado pelo dia em que nunca mais tivessem que se ver...
Ele cobriu sua careta com as mãos.
— Inês... Por que você escolheu viver comigo?
— Cássel — ela sussurrou.
— Por que ficar com um homem como eu, mesmo quando o amor não nos une?
Que ela o amasse — fora uma esperança em vão.
Acho impossível não me importar com você, Inês. Meu amor e afeição por você estão além do meu controle. Já estou apaixonado por você. O que posso fazer agora para desfazer esse sentimento...? Ele ansiava por perguntar, mas nenhuma palavra escapou de seus lábios.
Ele quase quis rir de sua própria situação.
Eu já me apaixonei por você, mas você não nutre nenhuma afeição em troca. Se você me odiasse, eu me despedaçaria em um milhão de pedaços, mas você parece totalmente indiferente. Eu nunca nutri tanto ressentimento e rancor por você como agora.
Ele ansiava por expelir sua dor, mas a engoliu com toda a sua força.
Por que você me escolheu se não ia me amar? Por que não se casou com Oscar em vez disso? Você é tão distante... Mal consigo respirar. Por que você me fez apaixonar por você...?
Suas súplicas não ditas permaneceram presas em sua mente. Ele não conseguia se forçar a expressar seus verdadeiros sentimentos. O pensamento dela odiando-o era insuportável. Se ele confessasse suas emoções e ela lhe desse as costas, ele não desejaria nada além de cair morto.
Sem ela, nada disso importaria. Ele não se sentiria assim se não fosse por ela.
De fato, ele a amava.
— Inês, às vezes me pergunto se você nasceu para me fazer de tolo — disse ele.
Seu amor bobo e tolo.
Esse capitulo foi um dos mais difíceis de ler. A dor do Cassel em constatar que não é amado, que ela sequer se importa com ele. a Ines também não facilitando em nada.... afffeeeeeee que vontade de gritar
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