Capítulo 67 — Eu amo você
Inês não conseguia organizar seus pensamentos desde que Cássel a ergueu do chão. Talvez fosse assim há algum tempo. Se Cássel soubesse que seu rosto aparentemente calmo era, na verdade, uma fachada escondendo extrema tensão e consternação pela ansiedade, ele poderia ter se sentido diferente.
Se ao menos ele soubesse que esse era um antigo hábito dela.
Mesmo que sua vida atual tomasse um rumo diferente, ela não conseguia apagar todos os vestígios de suas vidas anteriores — coisas que ela desejava que permanecessem inalteradas, erros que não podia desfazer e facetas que desprezava em si mesma.
A Imperatriz Cayetana havia lhe dado uma lição:
"— Até uma leoa se torna presa de outras feras quando está ferida."
A imperatriz havia ensinado Inês a revelar sua raiva e outras emoções dominantes, mas a esconder quaisquer sentimentos que pudessem torná-la vulnerável. Ignorar o primeiro lhe renderia a reputação de uma predadora generosa, enquanto negligenciar o segundo a tornaria mera presa. Em sua primeira vida, a Imperatriz Cayetana a havia predado, zombando dela na frente de toda a corte imperial.
Ironicamente, os ensinamentos da imperatriz ajudaram Inês a lidar com aqueles tempos difíceis. Naquela época, Inês prometera a si mesma que nunca desmoronaria, permitindo que a imperatriz tirasse vantagem de seu fracasso ou a tornasse o entretenimento da corte. Cada encontro com a imperatriz alimentava sua pura força de vontade. Quando sua mãe, a Duquesa Valeztena, a compeliu a ceder à vontade da imperatriz, tudo o que ela podia fazer era ficar ereta e recusar a rendição completa. Ela jurou nunca deixar a corte dar uma única facada nela ou lhes dar a satisfação de reivindicar um pedaço de sua vida.
Refletindo sobre sua primeira vida, Inês achou-a gravemente lamentável. Mesmo agora, ela talvez fosse mais influenciada por seu próprio rancor, os remanescentes de seu passado, do que pelas palavras da imperatriz.
De fato, seu esforço fútil para esconder seus verdadeiros sentimentos era lamentável. Ela se considerava mais lastimável do que nunca, esforçando-se para fingir indiferença e manter a compostura. Aqui estava ela, escondendo qualquer traço de vulnerabilidade e se escondendo atrás de uma máscara por medo de que os outros pudessem descobrir sua fraqueza. Ela sabia que estava sendo uma covarde.
— Aquela mulher realmente não sabe nada sobre você — observou Cássel.
Inês apenas soltou um gemido contido em resposta.
— Você sabia que ela sugeriu que eu a usasse em vez de você?
A palavra "em vez de" incomodou Inês mais do que o termo depreciativo "usar". Atingiu um nervo, e ela quase deixou escapar uma risada autodepreciativa de seus próprios sentimentos, por ter presumido que a outra mulher nunca poderia substituí-la.
Cássel continuou:
— Ela se ofereceu voluntariamente, alegando que eu poderia tratá-la como desejasse. Como você é muito piedosa e não está familiarizada com meus desejos implacáveis, ela se propôs a ser uma substituta de Inês Escalante — alguém com quem eu poderia ser sem restrições na cama.
Inês não conseguia entender por que se sentia irritada com a mulher cujas intenções estavam claras o tempo todo. Ela a conhecia a intenção da mulher o tempo todo e a deixara em paz. Então, por que ela os interrompera, para começo de conversa? A pergunta dominava sua mente; ela não conseguia compreender seu próprio comportamento.
Desde o momento em que Inês abriu aquela porta, ela se tornara profundamente lastimável. Era como se ela secretamente desejasse destruir o momento íntimo deles.
— Mas você não está ciente dos meus desejos insaciáveis? — perguntou Cássel.
De repente, suas estocadas empurraram fundo em sua fenda, pressionando contra sua parede mais interna. Um sorriso afetado brincando em seus lábios, o semblante de Cássel era bonito, como sempre, mas vazio de qualquer excitação ou paixão. Sua respiração estava calma, como se ele tivesse inserido não sua masculinidade, mas algum brinquedo inanimado nela. Ela se sentiu envergonhada por ser a única a sentir prazer.
— Eu pensei que essa era a única coisa que você entendia sobre mim.
Apesar de se sentir um pouco humilhada por ser a única excitada, Inês se agarrou à sua sanidade, mantendo o olhar fixo no rosto dele. O semblante de Cássel parecia perturbadoramente desconhecido, enviando uma pontada aguda em seu coração.
— Eu tenho a liberdade de fazer qualquer coisa com você na cama, não tenho?
— Cássel... — Seus gemidos persistiram.
— Afinal, você é notavelmente complacente na cama.
Ele abriu suas coxas mais e mergulhou ainda mais nela. Seus quadris foram levantados da cama e seus joelhos quase tocaram o colchão de cada lado. Colocando cada perna na dobra de seus braços, ele penetrou ainda mais fundo nela.
— Suas respostas vêm tão facilmente.
Seu coração ecoava em cada articulação de seu corpo, a ressonância trovejando através dela. Gemidos desenfreados, desconhecidos até para si mesma, escapavam de seus lábios.
Ela ansiava por seus lábios encontrarem os dela, um desejo desesperado de abafar os ruídos lascivos e a frieza gravada em seu rosto. Qualquer coisa para silenciar seus pensamentos, para escapar do tormento de seus olhos cheios de dor.
— Você abraça voluntariamente meu desejo inquietante de conceber a criança que você tanto deseja. Não estou certo? Aquela mulher a admirava tanto que aspirava roubar tudo de você... Inconsciente disso, ela se fez de boba.
Inês lutou contra uma onda de emoções, incapaz de afastar a constante consciência e preocupação que sentia por ele.
Na noite em que Cássel derramou lágrimas diante dela, ela ficou enredada em seus pensamentos, ponderando sobre seus erros. No entanto, o alívio a inundou quando ele voltou para o quarto. Agora, ela percebeu que estava esperando por aquela mesma sensação de alívio, por mais impossível que parecesse.
— Não é como se ela fosse carregar seu filho em seu lugar. Isso não é absurdo?
Sim, é absurdo. Eu gostaria que você pudesse estar com uma mulher melhor, não alguém tão irracional. Você merece coisa melhor... Pensamentos correram por sua mente antes que ela pudesse processá-los.
Ela o sentiu preenchê-la por dentro. Cada vez que ele se retirava até a ponta e socava profundamente, até a base de sua ereção, ondas de prazer a varriam. Suas entranhas tremiam e ele riu.
— Ela afirmou que uma mulher ingênua e viruosa como você, não poderia abrir as pernas para mim em plena luz do dia. O que você acha disso, Inês?
Seus gemidos lentos escalaram para gritos que ela soltava de dentro de si enquanto seus quadris encontravam o ritmo de suas estocadas.
— Ela acha que você nunca levaria meu pau à sua preciosa boca. Ou levantaria sua saia no meio do dia para apaziguar meus desejos.
Os dedos de Cássel traçaram seus lábios. Ele empurrou seu lábio inferior e cavou em sua boca. Quando ele pressionou sua língua, ela se lembrou da primeira noite deles.
Ele riu silenciosamente e empurrou Inês ainda mais para o clímax. Inserido até o fim, ele avançou ligeiramente para dentro. Ele mordeu o lóbulo da orelha dela, confiante de que ela acharia até a dor aguda prazerosa.
Ele chupou seus lóbulos vermelhos e sussurrou:
— Deve soar ridículo para você também. Ainda está claro lá fora, mas você me deixou entrar em sua saia e abriu suas pernas para mim. Você já me chupou meses atrás.
Ele suspirou em seus ouvidos, atingiu o clímax e liberou sua semente nela. Então, ele baixou as pernas trêmulas de Inês para a cama. Em vez de sair dela, ele se deitou em cima do corpo dela.
— Me disseram que você é indiferente à verdade do caso rumores, contanto que eu encontre prazer desta maneira.
Inês reconheceu a familiaridade em suas palavras, percebendo que a mulher de antes devia ter informado Cássel. A intenção dela nunca foi manter suas palavras em segredo; na verdade, ela havia expressado um sentimento semelhante a ele antes. No entanto, um pingo de constrangimento surgiu, como se ele tivesse descoberto algo que não deveria.
— Ela... disse isso para você? — Inês perguntou.
Cássel confirmou:
— Ela até me esclareceu sobre a suposta amante que eu tenho — Lady Montez. Apesar de sua audácia, ela provou ser uma grande informante.
— Era melhor não dignificar Lady Montez com uma resposta.
O que Inês pretendia com aquelas palavras era sinalizar para outras mulheres que buscavam a atenção de Cássel que ela não vigiava de perto seu marido. Enquanto algumas acreditavam ingenuamente nas alegações de Lady Montez, a maioria as descartava como uma mentira infundada. Inês entendia o delicado equilíbrio necessário; pressionar demais contra a fofoca poderia inadvertidamente escalar um assunto trivial para um sério.
— Esse foi o curso de ação mais prudente para nós dois — acrescentou Inês.
Cássel, com um toque de sarcasmo, observou:
— Eu não tinha ideia de que você se importava tanto comigo — estou exultante.
Ela esclareceu:
— Você deveria saber... eu não tive outra escolha a não ser responder com indiferença naquele contexto.
— Claro, eu teria acreditado que você fez o seu melhor se essa fosse a única coisa que aconteceu — ele retrucou. — Afinal, eu mereço o fardo de falsos rumores.
— De fato — Inês concedeu sem se dar ao trabalho de discordar.
Ele deu um sorriso afetado.
— Você acharia ridículo se eu protestasse minha inocência, não acharia? Você provavelmente não quer que eu a incomode pedindo para confiar em mim. Você está relutante em confiar em mim, e está claro que você não tem consideração por mim. Eu me pergunto, como você reagiria se eu lhe dissesse que você é a única mulher na minha vida agora...? Ah, talvez isso não lhe diga respeito algum, dado o seu aparente descaso por mim. Deixe-me fazer uma pergunta diferente, Inês — qual é o nome dela?
Inês se viu incapaz de responder.
Os lábios de Cássel se abriram em um largo sorriso, mas seus olhos traíam fúria.
— Você está... protegendo aquela mulher de mim?
— Por que eu faria isso?
— Se não está, então responda minha pergunta.
Inês balançou a cabeça.
— Você não precisa saber o nome dela. Não precisamos nos preocupar com ela, especialmente depois de como você a tratou mais cedo... Peço desculpas pelo que aconteceu hoje.
— Se eu lhe dissesse que desejava momentos íntimos com ela, você teria revelado o nome dela?
— Cássel.
Ele discerniu a verdade em sua resposta não dita.
— Você teria. Sem hesitação.
Ele se retirou dela, e ela estremeceu com a súbita perda de calor corporal. Diferente dela, desarrumada e suja por toda parte, ele parecia relativamente impecável. Cássel rapidamente arrumou sua roupa sem lhe oferecer ajuda, como normalmente faria. Ele não a ajudou a se vestir de volta ou a limpar os vários fluidos dela.
Inês puxou o cobertor para se cobrir.
Cássel caminhou em direção à mesa perto da janela, colocando um charuto na boca, apenas para franzir a testa e colocá-lo de volta no lugar. Um breve silêncio se seguiu.
Inês sentiu um aperto no estômago. Era o mesmo sentimento que ela tivera quando Cássel saiu do quarto, deixando-a ansiosa por seu retorno.
— Inês...
— Sim — ela respondeu.
— Você deveria escolher suas companhias com mais cuidado — para o seu bem, não para o meu. Não tenho certeza de seus pensamentos ou intenções, mas cercar-se de mulheres que se aproveitariam de você é imprudente.
Seu coração afundou lentamente, cada vez mais fundo.
— Não importa se você não liga para a traição dela. Não me importo se você se interessa ou não por mim — acrescentou Cássel, virando-se para encará-la com as costas para o pôr do sol. — O que importa é que eu amo você.
Inês não sabia como responder.
— É por isso que eu não quero que você seja tratada dessa forma.
Com essas palavras, Cássel saiu do quarto. Inês o observou sair, uma sensação de desânimo instalando-se dentro dela.
"— Não importa se você não se importa com a traição dela. Eu não me importo se você se importa comigo ou não — acrescentou Cássel, virando-se para encará-la com as costas para o pôr do sol. — O que importa é que eu amo você."
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