Capítulo 75 — Isso Tinha que Ser Amor
O Capitão de Corveta Elba, antigo proprietário da mansão, declarou certa vez a Cássel que não havia alegria maior para um homem do que o amor de sua esposa.
Cássel se lembrou do capitão tagarelando sobre se jogar do topo da Colina Logorño ou pular do porto um dia antes de sua esposa, Julietta Elba, chegar a Calztela. Pareceu incrível a Cássel que o mesmo homem que detestara a ideia de passar um tempo com a esposa pudesse proferir sentimentos tão ternos meras semanas depois. No entanto, observando sua própria amada Inês absorta em um livro, Cássel se viu concordando com as palavras do homem.
Já fazia um tempo que ele estava sentado com o queixo apoiado nas mãos e seus olhos azuis claros fixos intensamente no rosto da esposa, sorrindo de orelha a orelha.
— Inês — chamou ele, buscando a atenção dela.
Ela o ignorou, o foco nas páginas diante dela.
— Olhe para cá, Inês.
— Por quê? — ela perguntou.
— Só porque sim. — respondeu ele, um tom brincalhão na voz.
A maneira como ele estava sentado ali, o queixo apoiado nas mãos, teria parecido indecorosa em qualquer outro homem de sua estatura, mas suas feições bonitas conferiam um ar de charme à cena. Inês, no entanto, não tinha paciência para pedidos tão bobos e desnecessários; ela indiferentemente voltou o olhar para o livro.
O sorriso brilhante de Cássel não diminuiu nem mesmo quando o olhar dela se desviou dele. Olhe para minha querida Inês, dedicada à leitura quando já é tão brilhante, ponderou Cássel intimamente. A tolerância dela às interrupções dele era claramente um sinal de afeto. Ela não fizera uma única observação negativa e apenas desviara o olhar dele. Cássel estava quase certo de que era a maneira dela de expressar afeto.
Alguns poderiam questionar seu raciocínio, dizendo-lhe que ser ignorado não era exatamente uma coisa boa. Mas Cássel tinha provas inegáveis.
No passado, Inês teria reagido com um olhar fulminante ou um longo olhar depreciativo, repreendido-o com claro desprezo ou até mesmo o expulsado do escritório. Mas desta vez, ela não fizera nenhuma dessas coisas e apenas o ignorara. Quando estavam sozinhos, ela costumava mal se dar ao trabalho de olhar para ele quando ele a chamava, mas hoje, ela se virara para encará-lo depois que ele a chamara pelo nome algumas vezes, apesar de ninguém mais estar por perto para testemunhar a troca.
Inês de fato mudara. Receber até mesmo esse pedaço de afeto dela enchia Cássel com uma profunda sensação de alegria. Ele mal podia imaginar o quão celestial seria ser amado por sua esposa.
O pensamento por si só era suficiente para fazer Cássel sentir que estava andando nas nuvens. Sua mente corria como um louco, procurando por minúsculos grãos de prova de que sua esposa havia mudado. Eram difíceis de ver, mas se ele se dedicasse a isso, poderia encontrar quantos quisesse.
Cássel se perguntou se realmente havia algo em viver nesta mansão, assim como o Capitão Elba e sua esposa haviam alegado. Desde aquela noite romântica e extática de paixão inesperada — quando Inês o surpreendera com um beijo fervoroso — Cássel começara a acreditar firmemente na mística da mansão. Cada detalhe, incluindo a lanterna de latão no jardim, uma folha de grama, a escada de madeira ligeiramente rangente, cada tijolo que compunha a parede externa, parecia parte de alguma conexão sagrada.
O sintoma clássico de ver o mundo através de uma lente de encantamento, encontrando alegria no mundano e beleza no comum. Cássel Escalante nunca estivera tão exultante e emocionado, afinal.
A residência deles parecia especialmente bonita para ele agora. E o escritório, onde ele estava sentado com Inês, ainda mais, quase como um lugar sagrado que a iluminava mesmo após o desvanecimento da luz do dia. Por mais bonito que o mundo fosse, nada poderia superar a beleza da casa que ele compartilhava com Inês, e nada poderia ser mais bonito do que a própria Inês.
Comparado a toda essa adoração exagerada se desenrolando em sua mente, Cássel sentado ali calmamente com o queixo nas mãos era quase digno.
Seria realmente uma coincidência que casais que tinham um relacionamento terrível em Mendoza encontrassem paz depois de se mudarem para cá? O Tenente Jomar e sua esposa, que viveram aqui antes do Capitão Elba, e o Tenente Domingo, bem como o Capitão Amenabar antes deles, todos melhoraram seus relacionamentos.
Embora a própria jornada deles tivesse demorado mais para se desenrolar, Cássel atribuiu isso ao ritmo único do relacionamento de cada casal. Além disso, até Inês gostava deste lugar. Cássel sabia que ela estivera satisfeita com ele desde o início, mas não esperava que ela dissesse que preferia esta residência modesta a uma mansão grandiosa, mesmo depois de saber de seu esquema embaraçoso. Que ela ficaria feliz vivendo com ele em aposentos próximos... Que ela gostaria dele o suficiente para pular em cima dele... Que ela meio que gostaria dele, mesmo que apenas um pouco... Ele não esperava nada disso.
Cássel se banhava em alegria pura, deixando de lado quaisquer dúvidas ou reservas persistentes. Pois naquele espaço sagrado, em meio à tranquilidade de seu escritório, uma verdade brilhava intensamente: Inês Valeztena gostava dele.
— Você está me deixando desconfortável, Escalante — ela lhe disse.
— Desconfortável? — ele ecoou, a testa franzida. — Suas costas doem por ficar sentada muito tempo? Ou talvez seu pescoço doa por olhar para baixo em um livro por tanto tempo?
— Eu disse que você está me deixando desconfortável — ela reiterou.
Notando o uso do sobrenome dele, Cássel sentiu a irritação dela. Ele baixou solenemente as mãos, a preocupação estampada em suas feições:
— Por quê? O jantar não caiu bem no seu estômago? Você comeu carne demais? Está infeliz com o que está acontecendo naquele livro? Quer que eu lhe traga um diferente? Que tipo...
Ela o interrompeu.
— Você está apenas sentado aí, olhando para mim. É um pouco inquietante, como se estivesse me cobiçando.
— Mas só de olhar para você me traz alegria — murmurou Cássel desanimado.
Inês colocou firmemente o livro na mesa e enterrou o rosto nas mãos. Suas orelhas ficaram vermelhas.
— Você poderia, por favor, não dizer coisas assim?
Se fosse o Cássel Escalante de sempre — aquele de quando Inês não estava presente — ele teria ignorado as observações dela. Ele estivera no lado receptor da adoração de tantas mulheres durante toda a sua vida que podia facilmente discernir quando uma mulher gostava dele. Ele deveria ter sido capaz de dizer que Inês estava sendo atipicamente tímida antes mesmo de proferir uma palavra, entendendo que ela não estava desconfortável por causa do próprio Cássel, mas por causa de suas emoções.
Mas para ele, Inês ainda era a Inês Valeztena, mesmo que gostasse dele. Ele não podia presumir arrogantemente que o desconforto dela provinha do afeto que sentia por ele.
— Deixa você desconfortável quando digo que você me traz alegria? Devo parar de dizer isso? — perguntou Cássel, seu tom traindo sua disposição de nunca mais mencionar isso pelo resto da vida se ela dissesse sim.
Ela soltou um suspiro cansado, o rosto ainda enterrado nas mãos.
— O que motivou essa mudança em você nos últimos dias?
O que mudou? Apenas o mundo inteiro. Mas por enquanto, a satisfação dela era prioridade, então ele a pressionou para responder à pergunta dele primeiro.
— Você pode continuar dizendo isso. E pare de buscar minha aprovação para tais assuntos. É estranho — Inês lhe disse.
— Não é nem um pouco estranho.
— Não posso ditar o que você diz — ela apontou.
— Por que não? Vá em frente — Cássel incitou.
Inês levantou o rosto levemente avermelhado e fez uma careta, afirmando firmemente:
— Não. Eu me recuso.
Ela parecia cativante mesmo quando mostrava tamanha aversão flagrante às palavras dele. Tanto que ele sentiu a onda selvagem de sangue para sua virilha.
— Acho estimulante quando você me dá ordens — confessou Cássel.
— Então é apenas para o seu benefício — disse ela com um bufo. — Não vou satisfazer.
— Por favor, Inês, comande-me.
— Não. Vá embora e pare de me incomodar — ela respondeu secamente.
Cássel prontamente puxou sua cadeira para trás, criando alguma distância entre eles.
Inês soltou uma bufada exasperada de riso antes de murmurar em uma longa expiração:
— Você poderia muito bem sair da sala.
— Não posso apenas sentar aqui e observá-la sem fazer mais nada? Não vou incomodá-la — ele murmurou, parecendo um cachorrinho desapontado. Sua intenção era clara.
— Esse era o problema em primeiro lugar — observou Inês, seu tom mais suave desta vez. Embora ela pudesse não parecer o tipo de simpatizar prontamente com os outros, esse era o tipo de coisa que tocava seu coração.
Cássel não precisava olhar no espelho para saber como estava agora. Sua expressão automaticamente se tornava frágil e desolada quando pensava nas palavras que giravam não ditas: Só de olhar para você me traz alegria, mas você não sente o mesmo? Isso te deixa desconfortável? Você acha inquietante?
O rosto de Inês parecia o de quem acabara de encontrar um cachorrinho abandonado na chuva, mas teve que passar por ele antes que mudasse para o rosto de alguém que reconsiderou e voltou.
— Se vai ficar, chegue mais perto. Não se sente tão longe.
Ele se perguntou se ela tinha ideia de quão exposta e adorável era aquela fraqueza dela.
— Cássel.
Ela até o chamou pelo nome quando ele continuou sentado ali, imóvel. Soou um pouco como se estivesse chamando um cachorro, mas seu tom era gentil. Inês era, de fato, muito mais doce com os animais de estimação das pessoas, mesmo que já estivesse colocando uma fachada falsa e amigável para as próprias pessoas. Ele imaginou que essa diferença era a lacuna entre a sinceridade e o fingimento.
Este era, portanto, um bom sinal para ele se infiltrar no coração dela. Ele tinha que aproveitar esta oportunidade quando as cordas do coração dela tinham sido um pouco puxadas, ela estava com a guarda baixa e olhava para ele como se ele fosse um animal pequeno e inofensivo. Não parecia importar para ela que ele tivesse praticamente o dobro do tamanho dela.
— Posso continuar a admirá-la de perto? — ele perguntou.
— Claro — ela respondeu friamente.
Agora não era hora de se preocupar com as consequências. Assim que ela deu permissão, Cássel aproximou seu assento, deslizando os braços pelas costas dela e por baixo para erguê-la rapidamente para o colo dele.
Após uma breve pausa, ela disse:
— Não me lembro de ter convidado você para tão perto.
— Foi você quem se aproximou. Como pode ver, meu assento está a uma distância respeitável do seu.
— Você me pegou e me colocou no seu colo — ela corrigiu secamente.
Cássel a achava cativante mesmo quando ela o encarava com uma expressão tão severa.
— Por que você está tão... excitado? — ela perguntou, intrigada e irritada.
Até o olhar claro de desaprovação pelas constantes ereções dele era adorável.
Em vez de respondê-la, Cássel cobriu as bochechas dela com beijos inocentes e gentis — um forte contraste com sua virilha saliente.
Inês o empurrou sem entusiasmo como faria com um cachorro excessivamente excitado, mas acabou cedendo, deixando-o pressionar os lábios contra os dela. As mãos dela pousaram no peito dele; nem uma vez ela o golpeou.
A falta de resistência dela falava volumes. Como isso poderia ser outra coisa senão uma declaração silenciosa de seu afeto?
— Beije-me, Inês.
Ela olhou para ele com um toque de irritação e se inclinou para beijá-lo.
O universo inteiro estava lhe dizendo uma coisa: isso tinha que ser amor.
Apaixonada demais pelos meus bebês!! Obrigada pelos capítulos traduzidos!!!! Estarei aqui esperando os próximos ❤️😍🥰
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