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Capítulo 91 — Remorsos em Mendoza

Isabella guiou graciosamente Inês através da série de aposentos, revelando seus propósitos designados ao longo do caminho.

— Esta é a sala de estar que você pode usar para receber convidados. Se tiver um convidado, nossos servos diligentes os conduzirão até aqui.

— Este é o seu escritório. Ouvi dizer que você gosta de livros. Nenhum dos meus filhos jamais honrou este limiar, então está coberto de poeira há mais de uma década. Você pode usá-lo como quiser. E ali está sua sala de orações. Ouvi dizer o quão devota você é. Rezar diligentemente é de fato um esforço nobre.

Continuando o passeio, Isabella mostrou a Inês seu quarto de vestir, banheiro privativo e quartos designados para seus convidados além.

O passeio continuou, cada quarto exalando opulência e conforto. As cortinas exalavam uma fragrância agradável, as almofadas estavam envoltas na seda mais fina e os tapetes recém-colocados exalavam uma sensação de frescor. Cada peça de mobiliário trazia o cheiro de madeira polida, e as estatuetas religiosas brilhavam em ouro. Cada elemento se misturava perfeitamente em seus espaços designados — tudo meticulosamente arranjado para atender a Inês.

Em meio a esse esplendor luxuoso, apenas os livros antigos permaneciam intocados. A maioria dos quartos havia sido remobiliada e redecorada para atender aos gostos exigentes de Inês. Embora todo o terceiro andar fosse supostamente destinado a ela e ao marido, era evidente que apenas uma fração dele acomodava as necessidades de Cássel.

De fato, o andar inteiro parecia feito sob medida apenas para Inês.

— Foi difícil adivinhar seus gostos, então busquei conselho da Duquesa Valeztena. Eu poderia ter simplesmente perguntado a você, é claro, mas queria surpreendê-la.

— Não sei como agradecer, Isabella. A senhora preparou tanto para mim. Não precisava trazer tantas coisas novas.

— O filho que você tirou de mim não era novo. Eu queria que você tivesse algo novo, mesmo que fosse apenas a mobília.

Embora o tom de Isabella gotejasse bondade, Inês se viu surpresa com algumas das coisas que ela dizia casualmente. Inês simplesmente sorriu educadamente antes de seguir Isabella com uma inclinação confusa da cabeça.

A cada momento que passava no passeio, a consciência de Inês pesava mais. Ela nunca antes ficara na Mansão Escalante em Mendoza, nem por uma única noite.

— Ah, e este é o quarto de Cássel, em frente ao seu. São quartos gêmeos, indistinguíveis em forma e mobília.

Inês empurrou a porta entreaberta e entrou no quarto de Cássel. Ao contrário do tamanho impressionante do quarto, estava escassamente mobiliado. Uma cama larga, uma mesa com duas cadeiras, uma espreguiçadeira perto da janela e um par de armários contra as paredes. O resto estava vazio, acentuando a presença imponente da cama. Ainda assim, a janela ao lado da cama oferecia uma vista panorâmica bastante impressionante do jardim.

Enquanto examinava o quarto, Inês foi atingida pelo forte contraste entre a residência deles em Calztela e o quarto desolado de Cássel em Mendoza. Embora ele estivesse longe de Mendoza há muito tempo, seu quarto era incomumente simples e sem adornos. Enquanto a maioria das pessoas encontraria consolo em espaços entre esses dois extremos, Cássel parecia desafiar tais convenções.

— Quando vocês dois completaram dezesseis anos, mandei realocar o quarto de Cássel para este andar na expectativa de criar um espaço compartilhado para vocês dois. Se ele não tivesse partido para El Ledequilla, eu já teria netos correndo por esses corredores.

Isabella estalou a língua em leve irritação enquanto estava na porta. Mas seu comportamento rapidamente se animou, e ela gesticulou para Inês segui-la novamente.

— Há pouco interesse aqui. Tudo o que ele faz aqui é dormir antes de se aventurar direto para o campo de treinamento. Venha ver seu quarto.

— Tudo bem.

O quarto de Inês, supostamente um espelho do de Cássel, era tão diferente que ela não pôde deixar de arfar assim que abriu a porta. Até Inês, acostumada a todo tipo de luxo, se viu momentaneamente maravilhada.

As árvores altas dos jardins dos fundos formavam uma cena pitoresca além da grande janela. O sol da tarde lançava seu brilho dourado, iluminando o acabamento marfim tanto dos móveis quanto das molduras. Contra as paredes pintadas em um azul pálido relaxante, o quarto parecia mais calmo do que excessivamente extravagante.

Havia decorações caras suficientes ao redor do quarto para fazer o dono do quarto parecer digno em vez de cafona. Tudo se unia em perfeita harmonia, deixando claro que muito pensamento fora colocado na organização deste quarto. Estava claro que nenhuma despesa fora poupada.

— Isabella, isto é... requintado.

— As cores são do seu agrado?

— Sim, são positivamente radiantes.

— No passado, você parecia atraída por paletas mais escuras, mas quando a vi na missa nupcial, percebi que cores vivas combinam muito melhor com você. Arondra mencionou que você tem usado roupas mais claras em Calztela, então escolhi este esquema de cores, mas estava preocupada que você pudesse não gostar, afinal.

— Não havia necessidade de se preocupar. A senhora parece conhecer minhas preferências melhor do que eu mesma, Isabella.

— O que acha da vista? Os jardins dos fundos oferecem uma visão mais atraente, então escolhi este quarto para você. Cássel não expressou objeções de qualquer maneira.

Um traço característico de Cássel — sempre cedendo.

— Eu não me importaria também, mas gosto mais desta vista.

— Tive a sensação de que gostaria. Ah, Maria?

— Sim, minha senhora.

— Busque a garota.

Enquanto Isabella falava com sua dama de companhia, Inês passou a mão pelas cortinas, olhando para fora.

Seu quarto rivalizava com o esplendor daquele que ela ocupara uma vez como princesa herdeira.

Se a mera menção de Mendoza não a nauseasse às vezes, ela poderia ter gostado de viver aqui. Impressionada com o gosto impecável de Isabella na decoração de interiores, Inês entreteve pensamentos de transplantar cada elemento deste quarto para Esposa.

Agora que a aposentadoria de Cássel surgira, eles não ficariam em Calztela para sempre, então ela tinha que começar a descobrir uma alternativa.

Desde que a noção de ficar com Cássel criara raízes, Inês frequentemente imaginava como seria viver com ele em Esposa. Se tentassem o suficiente, talvez pudessem passar a maior parte do tempo no Castelo de Esposa em vez de em Mendoza.

A casa em Calztela poderia servir como seu retiro de verão, e talvez pudessem fazer visitas ocasionais. Embora pudesse ter sido um pouco ridículo da parte dela sentir falta do quarto modesto deles em Calztela depois de ver este quarto extravagante, Inês ainda se via ansiando por sua residência aconchegante.

Era inevitável, visto que ela nunca se apegara tanto a um lar quanto à pequena residência deles à beira-mar. Era como se ela nunca tivesse encontrado um lar antes, sempre vagando de lugar em lugar.

— Inês, veja quem está aqui.

Ela podia ouvir alguém entrando no quarto, então, em vez de responder, Inês simplesmente se virou. Ela se viu sem palavras por um momento enquanto encarava a pessoa na porta.

— Minha senhora.

— Juana! — exclamou Inês, o nome tão familiar em sua língua. Ela correu para Juana e a abraçou, fazendo a garota rir. — Como você chegou aqui, Juana?

— Cássel me disse que você tinha uma dama de companhia em Perez que cresceu com você — respondeu Isabella por ela.

— Oh...

— Ele disse que você precisaria dela ao seu lado quando viesse para Mendoza.

Não é à toa que Raúl parecia tão indiferente por ter sido deixado para trás.

O fato de Raúl e Cássel parecerem estar trocando mais informações do que ela pensava era um pouco suspeito, mas a alegria de se reunir com Juana eclipsou quaisquer dúvidas persistentes. Elas não se viam há tanto tempo.

— Vocês devem ter muito para contar uma à outra, se a última vez que se viram foi antes de você partir para Calztela. O duque retornará à noite, então não tenham pressa.

— Muito obrigada, Isabella.

Assim que Isabella e suas damas de companhia saíram, deixando as duas sozinhas, Juana posicionou-se atrás de Inês com facilidade treinada, ajudando-a a se trocar enquanto tagarelava.

— A senhora parece muito mais radiante do que antes. Calztela deve realmente combinar com a senhora. E este quarto é ainda mais radiante! O oposto daquele quarto caverna que a senhora tinha no Castelo de Perez.

— Você não pode chamar o quarto de sua senhora de caverna — apontou Inês, divertida.

— Estou tão feliz em ver o quanto a duquesa parece se importar com a senhora. Não só ela me chamou, mas também se esforçou muito para redecorar este espaço só para a senhora.

— Ela de fato pensou muito em tudo.

— Até o meu quarto é extravagante, sabe.

— Devo estender minha gratidão à duquesa por tratá-la tão bem também. Por que você veio até aqui, Juana? E Matteo?

Matteo era um comerciante que nutria afeto por Juana, mas como filho do jardineiro do castelo de Perez, seu status social estava abaixo do de uma dama de companhia. Apesar disso, Juana frequentemente se enchia de ciúmes pela atenção que ele atraía sempre que visitava o castelo, provavelmente devido à sua aparência encantadora e porte viril.

— Nem me fale. Quero matar aquele homem.

Ciente do temperamento impetuoso de Juana, Inês a deixara em Perez, esperando que ela se casasse e se estabelecesse. Embora Juana sempre tivesse sido um anjo para Inês, seus relacionamentos com homens sempre foram turbulentos.

— O que aconteceu agora?

— Aquele brutamontes tem mulheres demais atrás dele.

— Ele ousou buscar afeto em outro lugar, apesar do seu espírito feroz?

— Não há nada de assustador em mim — retrucou Juana suavemente, um toque de mágoa em seus olhos enquanto ajudava Inês a tirar o vestido. Ela então alcançou o roupão cuidadosamente disposto por perto. — Sou apenas uma donzela mansa e inofensiva. Só sou um pouco mais cautelosa que a maioria.

Incrivelmente ciumenta é como eu descreveria você, comentou Inês interiormente.

— Você deveria ter investido em Raúl. Você não pensaria, mas ele é, na verdade, bastante ingênuo.

— Raúl Balan é irritantemente esperto. Ele é mais jovem que eu, e ainda assim age como se sempre soubesse mais.

— Vocês dois formariam um belo par.

— Trabalho bem com Raúl, mas não sei... Não consigo tirar da cabeça a imagem do garotinho magricela que ele foi um dia.

Enquanto conversavam, Juana segurou o vestido para Inês entrar. Inês enfiou os braços nas mangas à espera.

Dando a volta para encarar sua senhora novamente, Juana murmurou enquanto abotoava os botões sobre o peito de Inês:

— Eu sabia. Eu sabia que vocês dois se entenderiam depois de casados.

— Sim, Juana. Você sempre tem razão.

— Por mais inteligente que a senhora seja, minha senhora, minha percepção sobre seus assuntos é igualmente perspicaz. A senhora deveria ouvir os conselhos de Raúl ou os meus em vez dos seus próprios.

— Muito bem. — Inês riu, lembrando-se de como Raúl expressara exatamente os mesmos sentimentos. Era como se tivessem bolado um roteiro juntos, uma noção que a divertia.

— Sua Senhoria é quem não ousaria se afastar da senhora, com medo de sua ira.

— Eu dificilmente sou assustadora.

— Ele tem medo da senhora desde a infância, querida. Oh, velhos hábitos custam a morrer — quis dizer, minha senhora.

— Eu lhe concedi liberdade. Isso foi generoso e benevolente da minha parte.

— Eu chamaria de indiferente em vez de generoso. A senhora simplesmente não tinha interesse nele.

— Você fala com o viés de suas próprias desventuras românticas. — Inês estalou a língua em leve exasperação enquanto se acomodava na espreguiçadeira perto da janela.

Juana se jogou ao lado dela, pegando a mão de Inês. Seu olhar se aguçou enquanto inspecionava as unhas de sua senhora antes de responder:

— A senhora se sentirá diferente agora que está interessada em Sua Senhoria, ao contrário do passado. A senhora é uma mulher impetuosa de Perez, minha senhora. Nós não perdoamos traição, e quando amamos, fazemos isso com compromisso inabalável.

— Por que estou subitamente incluída nisso? Não tenho desejo de ser contada entre o 'nós'. Você me intimida.

— Minha senhora, a senhora é tão feroz quanto eu.

— Vamos deixar por isso mesmo. Além disso, não tenho motivos para duvidar de Cássel.

— A senhora pode falar de maneira tão desapegada, mas na verdade...

— Não, quero dizer... ele nunca me deu motivos para duvidar dele.

Juana ficou em silêncio.

— Porque Cássel me ama agora.

— Você trocou de corpo com alguém? — perguntou Juana, incrédula. — Quem é você, e o que fez com a Lady Inês?

Inês estreitou os olhos para ela.

— Quanta impertinência.

— Oh, meu Deus... a senhora está genuinamente discutindo assuntos do coração?

A maioria teria corado com tal teatro, mas Inês simplesmente lhe lançou um olhar neutro.

— Cássel Escalante pode não ser totalmente racional, mas ele me ama.

— Oh, querida... Não acredito que a senhora está falando de amor! — Juana, dirigindo-se a ela tão afetuosamente quanto na infância, segurou as bochechas de Inês com as mãos. Embora apenas um ano mais velha, Juana frequentemente tratava Inês como uma filha amada, ou uma irmã muito mais nova, em vez de sua senhora.

— Eu quis dizer Cássel Escalante, não eu mesma. — Inês estreitou os olhos novamente. — Não sou uma criança. Você está me ouvindo?

— Estou. A senhora estava dizendo o nome de Sua Senhoria com tanto afeto na voz.

Inês ficou sem palavras.

— Posso dizer apenas pela sua expressão.

— Tudo bem, vamos dizer que você está certa.

Ninguém, nem o marido, nem a governanta, nem a dama de companhia pareciam levá-la a sério. Inês sacudiu a cabeça para se libertar, e Juana simplesmente moveu as mãos para o cabelo dela, preso em uma trança grossa e desajeitada.

— Então, Sua Senhoria confessou seu amor, e a senhora não sente mais repulsa por declarações de afeto?

— De fato.

— A propósito, quem massacrou seu cabelo, minha senhora? Isso tem me incomodado...

— Foi obra minha — respondeu Inês simplesmente.

— Minha querida, a senhora realmente está se tornando bastante habilidosa com as mãos. De qualquer forma, parece que vocês dois estão se dando esplendidamente, o que significa que não vai demorar muito para a senhora engravidar. — Juana cantarolou alegremente enquanto desfazia a trança e escovava o cabelo de Inês.

Inês começou a sentir sono sob a luz quente do sol entrando pela janela e o ritmo suave de seu cabelo sendo escovado a embalando ainda mais. Aparentemente, a viagem de carruagem a cansara mais do que ela esperava.

— Eu desejo filhos em breve, mas me sinto incerta — confessou ela.

— Por quê? Poderia ser que Sua Senhoria não esteja desempenhando bem o suficiente? — Juana sussurrou, como se temesse que alguém pudesse ouvi-las.

Inês não conseguiu suprimir uma risada antes de responder:

— Às vezes, ele tende a ser excessivamente gentil comigo... mas fora isso, o vigor dele parece bastante evidente.

— Então não há problemas no quarto?

— De forma alguma. Somos bastante... ativos.

Tecnicamente, eles se comportavam como animais no cio, mas Inês lutava para articular isso de maneira digna.

Cássel ficava excitado facilmente, até mesmo por um mero sussurro de respiração às vezes, e Inês se via igualmente excitada com a ideia de provocá-lo. A única diferença entre eles era que Cássel Escalante não satisfazia inteiramente todos os seus desejos lascivos, enquanto Inês Escalante estava largamente satisfeita.

— Mas estamos separados agora — acrescentou ela com melancolia.

— São apenas três meses — apontou Juana. — Vocês ficarão juntos constantemente depois disso. Alguns casais mal se veem uma vez por ano. Alguns ficam no mesmo castelo por apenas uma semana a cada semestre. No entanto, todos conseguem ter filhos, não é?

— Nossas circunstâncias diferem. Ainda não engravidei, apesar da regularidade de nossos encontros amorosos.

— Considere uma bênção. A senhora pôde desfrutar tranquilamente de sua felicidade conjugal em um lugar tão cênico.

— Isso é verdade, mas...

— A senhora não terá problemas — assegurou Juana com firmeza, mas gentilmente, com a mão no ombro de Inês. — Todos os médicos alegaram que pode ser desafiador, mas não impossível.

— Eu sei... — Inês reconheceu suavemente.

Ela estava ciente há muito tempo de seus próprios desafios com a concepção. Quando era princesa herdeira, a imperatriz chamara inúmeros médicos que lhe disseram o mesmo e, no final, ela fora marcada como estéril e humilhada.

Gravidez. A palavra em si evocava uma complexa gama de emoções.

Em sua vida passada, a maior parte da culpa recaía sobre Oscar, e embora o rótulo humilhante que ela recebera fosse injustificado, ela sempre soubera que seu corpo tinha dificuldade em engravidar em primeiro lugar. E como ela já sabia disso, pensou que ficaria tudo bem. Ela não alimentaria falsas esperanças. Tudo o que tinha a fazer era esperar o tempo suficiente para funcionar e, uma vez atendidas as condições, estaria um passo mais perto da liberdade.

No entanto, uma pontada de ansiedade criara raízes dentro dela. Talvez tivesse começado desde que ela desistira de fugir, ou no dia em que imaginara dar à luz um filho que seria a cara de Cássel.

O olhar de Inês derivou para a janela, seu sorriso forçado desaparecendo por um momento. Não surpreendentemente, retornar a Mendoza despertara uma ansiedade adormecida. Ela lembrou a si mesma que tudo estava diferente agora, afastando as sombras tristes de seu passado. Não havia nada mais tolo do que se preocupar em perder algo que ainda não existia.

Com uma respiração profunda, ela se virou para Juana com um sorriso, dissipando a tristeza que momentaneamente a nublara.

— Eu sei, mas... às vezes, não consigo evitar me sentir um pouco ansiosa. Só isso.

— A senhora ainda é jovem. Com o que se preocupar? Se alguém deveria estar ansiosa, sou eu. Sacrifiquei a chance de casamento para estar à sua disposição.

— Você escolheu não se casar por vontade própria, Juana — corrigiu Inês. — E talvez... eu esteja apenas sendo gananciosa.

A felicidade atual delas a incitava a desejar mais. Aqueles momentos idílicos nos campos de caça, um mundo apenas para os dois, acenderam a esperança de um futuro repleto de contentamento. Inês ansiava por sentir aquela sensação de plenitude novamente além do vale. Ela ansiava por uma vida inteira de tal realização. E ela queria um filho que se parecesse tanto com ele quanto com ela — um testemunho vivo do amor deles.

Aquele filho seria o primeiro a emergir de seu ventre frágil para florescer em meio à abundância e amor, alegria e paz, protegido de qualquer mal. Nem ela nem ninguém ousaria machucá-lo, e ele não teria que morrer em seu ventre. Ela estava determinada a que seu futuro filho crescesse no abraço caloroso de Inês e Cássel Escalante. Viver, caminhar sobre a terra, aprender línguas e crescer alto.

— É natural sentir-se ansiosa. Mas não vejo Sua Senhoria pressionando a senhora para ter filhos, ao contrário de muitos outros homens.

— Eu sou quem o pressiona.

— Isso não é surpreendente. Uma verdadeira mulher de Perez exigiria que o marido lhe desse um filho.

— É só que Cássel se preocupa que eu seja muito delicada.

— Sério? — Juana ergueu as sobrancelhas. — Mas a senhora nunca pareceu mais saudável.

— Ele permanece não convencido — murmurou Inês despreocupadamente, o queixo apoiado na mão, o cotovelo apoiado no parapeito da janela.

— Sua Senhoria é notavelmente robusto até mesmo entre os oficiais navais, então... ele pode perceber a senhora como pequena e delicada em comparação.

— A quem você está chamando de pequena e delicada? Você é mais baixa que eu — resmungou Inês.

— Quem mais senão o amor da vida de Lorde Escalante! — provocou Juana, beliscando as bochechas de Inês de brincadeira.

Inês afastou as mãos dela sem muito entusiasmo, o olhar fixo na vista além da janela.

— Descubra quando minha mãe estará fora da mansão em Mendoza. Chamarei um médico lá. Não posso fazer isso aqui, já que tudo será relatado ao duque.

— Tudo bem. Devo chamar aquela médica da última vez?

— Sim. Ah, e...

— Sim?

— As cartas que Cássel me enviou durante a expedição de guerra há alguns anos — você se lembra do paradeiro delas?

— Estão todas na Mansão Valeztena aqui em Mendoza.

— Quero recuperá-las.

— A senhora mal olhou para elas naquela época — observou Juana.

Inês já se sentia culpada o suficiente sem tal honestidade nua e crua. Ela lançou a Juana um olhar fugaz antes de fechar as pálpebras pesadas.


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Comentários

  1. Esse combo foi incrível!!! Muito obrigada!!! Li tudo tão rápido que agora estou sentido o vazio da espera ❤️❤️❤️❤️

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