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Capítulo 96 — Oscar

 — Você não parecia bem lá dentro — comentou Isabella.

Pouco antes, Isabella havia se queixado de uma enxaqueca súbita e severa, o que fez com que ambas fossem dispensadas pela Imperatriz. Teoricamente, deveria ser Isabella quem não estava com boa aparência, mas era Inês quem recebia o olhar preocupado da sogra. A dor de estômago de Inês, no entanto, havia desaparecido por completo assim que saíram.

— Pelo contrário, foi a senhora quem me deu uma desculpa para sair, Isabella — respondeu Inês.

— Se ficássemos lá esperando quietas, o tédio não teria fim. Tenho que zelar pelo meu tempo. E pelo seu também.

Isabella disse isso com leveza, mas aquela era uma proteção que Inês nunca recebera de sua própria mãe, Olga. Nem mesmo nos momentos em que ela mais desesperadamente quisera ajuda.

Mesmo um pouco de ajuda teria sido bom, pensou Inês. Mesmo que não resolvesse nada, se minha mãe tivesse feito isso por mim apenas uma vez...

Ao recordar aqueles dias vividamente, seu coração bateu um pouco mais forte.

— Fiquei tonta por um momento. Estou bem agora.

— Fico feliz que esteja bem, mas da próxima vez, me diga imediatamente.

— Obrigada, Isabella.

— Por tão pouco? ... Se você está realmente grata, faça o favor de dizer a Cássel que eu não a repreendi ou maltratei. A desconfiança dele às vezes não tem fim, honestamente.

— ... Ele ousou fazer tal pedido à senhora?

Isabella mencionou isso como uma piada, mas Inês percebeu o fundo de verdade. A preocupação obsessiva dele com a palidez e a tontura dela se misturava com o medo irracional de que ela sofresse nas mãos da sogra.

— Quando perguntei a ele se eu parecia o tipo de pessoa que faria isso, filhos normais diriam: "Claro que não, mãe". Eu não me vejo assim... Mas, a julgar pela reação dele, parece que ele acredita que todas as sogras do mundo vêm do mesmo molde perverso e devem ser questionadas.

— ...

Aquele homem louco... pensou Inês. Isabella deveria tê-lo ensinado a controlar aquele temperamento superprotetor. O problema era que, na ânsia de proteger a esposa, ele perdia a noção e esquecia que a própria mãe não era nenhuma vilã. Por que ele tinha que ofendê-la tocando num assunto tão desagradável?

— Claro, ele pode ter seus motivos para essa paranoia — tentou justificar Isabella, escolhendo as palavras com cuidado. — Talvez ele tenha agido assim porque se lembrou do relacionamento entre a avó dele e eu — continuou Isabella, com um sorriso triste. — Ela sempre foi fria comigo, embora fosse muito gentil e generosa com os filhos e os netos.

— Ah.

— O Duque ainda não entende a diferença. Para ele, não existe ninguém mais gentil e generoso do que a própria mãe. Às vezes, ele até se ressente comigo por eu não ter tratado aquela "boa pessoa" melhor em vida...

— ...

— Então, a desconfiança e as suspeitas de Cássel são justificadas. Fico feliz que meu filho tenha crescido aprendendo a lição que o pai não aprendeu: a de proteger a esposa.

Ao contrário do pai, Isabella murmurou, sem sinal de desagrado.

— Eu queria que meu filho fosse um homem diferente do meu marido, tanto quanto eu queria ser diferente da minha antecessora.

— ...

— Um casal não pode viver para sempre apenas de amor. Mais do que ser fiéis um ao outro como homem e mulher, devemos estar sempre do lado um do outro como seres humanos. Para que marido e mulher não se sintam solitários no mundo. Para não sentir que se está sempre sozinho.

Embora ela estivesse falando de esperança, era como se ela não pudesse fazer isso com o duque, num tom solitário e cansado. Inês olhou para Isabella silenciosamente.

— Mesmo que os corpos estejam separados, as mentes devem permanecer unidas. Temos que guiar um ao outro. Não importa o que aconteça, não devemos abandonar um ao outro.

Aquelas palavras demonstravam como a visão de fidelidade conjugal estava profundamente enraizada na mente nobre de Isabella. Não era apenas fruto de sua personalidade natural, mas, acima de tudo, o resultado de ela ter seguido os ensinamentos justos de sua própria mãe... e consequentemente repassando a Cássel.

— ... Mas ele não vai acreditar se for eu a dizer, então, por favor, diga a ele mais tarde. Diga ao seu marido.

Isabella falava de Cássel como se ele fosse um estranho exigente, e não seu próprio filho, o que fez Inês rir involuntariamente. Inês engoliu o riso e assentiu com a cabeça.

— Isabella, direi a ele que a senhora é muito gentil comigo.

— Não exagere muito, no entanto. E se parecer que a forcei a contar uma mentira?

— Cássel sabe muito bem que não sou do tipo que se deixa coagir ou oprimir.

— Sim, mas...

— Além disso, não sou boa em dizer palavras vazias.

— Não importa o que você diga, você sempre diz de forma bonita.

— Na verdade, é a senhora quem está me fazendo um favor, Isabella.

Enquanto falava, Isabella curvou suavemente os olhos, parecendo um pouco tímida com o elogio.

— Eu não estava pescando elogios. Não fiz muito — disse Isabella, com um sorriso modesto. — Eu só queria que meu filho soubesse que não trato mal a esposa dele. Mas, mais do que apenas não a ignorar, quero ser realmente gentil com ela. Com você.

Isabella hesitou por um instante, observando a reação da nora.

— Isso a deixa envergonhada? Acha que devemos nos esforçar mais no futuro para sermos próximas?

— Apenas olhar para o meu rosto com bondade, como a senhora fazia antes, já é suficiente — respondeu Inês.

Porque houve momentos em que isso era tudo o que eu sempre quis, pensou ela.

— Obrigada por cuidar de mim e por contar aquela mentira para me proteger hoje.

— Inês...

Inês hesitou por um momento. A bondade de Isabella a fez pensar em como sua vida mudara e a quem ela devia essa mudança.

— Na verdade... foi ele quem me salvou, sabe. — disse Inês, referindo-se a Cássel e ao inferno que era sua vida em Perez.

Nas últimas palavras, uma profunda sinceridade vazou silenciosamente. Talvez, inicialmente, aquela confissão fosse apenas uma forma de ser gentil com Isabella, dando o crédito ao filho dela, porque Isabella era uma pessoa tão boa.

Mas a verdade era mais profunda. Lembrando-se de sua vida passada, de que adiantava o peso de seu coração naquela época? Em meio ao ódio e ciúmes sufocantes, e sob os olhos de uma família imperial que tentava esmagá-la dia após dia, tudo o que Inês sempre quis foi respirar, nem que fosse por um momento.

Teria bastado que fosse leve como uma pena; eu só queria o conforto de uma mãe. Ela passara aquela vida inteira esperando que alguém lhe desse isso em seus momentos de desolação.

No passado, ela teria se apegado a qualquer um que a tirasse daquele inferno, nem que fosse por um momento. E, até descobrir a infidelidade de seu marido naquela vida, ela desesperadamente não queria que ele a abandonasse.

Mas agora, com Isabella, ela não se sentia abandonada.

Meu Deus, não parece que fui deixada sozinha desta vez.

Tudo tinha sido tão fácil... ser a esposa de Cássel Escalante fora fácil até demais.

Ela soltou um suspiro suave, sentindo-se corroída por dentro. Se fosse em outra época — quando ela ainda era apenas um objeto quebrado nas mãos de Oscar —, ela jamais teria conseguido sentir nem um pingo de alívio, mesmo sentada à mesa com Cássel. Ela nem teria ousado levantar os olhos para o rosto de um homem tão bom; a vergonha e a dor a teriam impedido.

Aquela sensação de formigamento no peito que, às vezes, ela mal suportava encarar; a casa nostálgica em Calztela; a luz distante do terraço com vista para o mar; os pequenos momentos de silêncio no quarto onde ela desejava secretamente que ele olhasse para ela...

Se não tivesse isso, ela não teria nada. Ainda estaria vagando pelas margens da existência, sem rumo, sem saber o que é ser gente. Seria como se ela não pudesse viver como uma pessoa completa, de jeito nenhum.

— Fico feliz que tenha gostado tanto da minha mentira — disse Isabella. — Agora que chegamos a esse ponto, nós duas devemos combinar nossas histórias com antecedência para o futuro.

Mas agora as coisas eram diferentes. Ela tinha tudo de Cássel Escalante, e podia ver o rosto bondoso de Isabella bem ali. Inês sorriu ao encarar o sorriso de Isabella, que era elegante e estranhamente brincalhão.

— Gostei — respondeu Inês.

— De vez em quando, você também terá que decidir o menu dos jantares. Não é?

— Concordo.

— De qualquer forma, graças a você, salvamos as aparências. Algumas vezes pensei que você fosse surda [pela forma como ignorava os comentários], mas acho que a Imperatriz sentirá sua falta por causa disso. Quando o Duque ouvir a história, vai rir com gosto.

— Eu escolhi Cássel Escalante desde o início. Não o Príncipe Herdeiro. Então, não há razão para Sua Majestade sentir pena de mim por eu ter "perdido" a chance.

— Isso é porque, como a própria Imperatriz disse, você tem uma visão excelente.

— Será que posso dizer isso em voz alta, aqui no meio da corte?

Inês perguntou com um sorriso, insinuando o perigo de afirmar que Cássel era uma escolha superior ao Príncipe. Isabella apenas encolheu os ombros, despreocupada.

— Não que não seja verdade... Mas, como homem, meu filho é muito melhor. Não é? Tirando aquela única posição de futuro Imperador, o que sobra no outro?

— O Capitão Escalante me agrada mais do que o Príncipe Herdeiro.

Eu nem queria fazer uma comparação. Mesmo depois de cuspir isso daquela forma, não gostei do que disse. Parecia um insulto colocar Cássel na mesma frase que Oscar.

— Certo. Especialmente se você tem uma personalidade que acha o status da família imperial um tanto incômodo, não pode comparar os dois — concordou Isabella.

— Sim. É incomparável.

É uma ofensa comparar Cássel àquele pedaço de lixo.

Ao contrário de Isabella, que expressava seu orgulho materno de forma meio brincalhona, Inês deu uma resposta séria, sem o menor traço de riso. Isabella assentiu, com um sorriso satisfeito no rosto ao ouvir aquela defesa, e murmurou como se falasse consigo mesma:

— De qualquer forma, a situação é que "não havia outra resposta"... Tudo depende da Senhorita que foi escolhida agora, mas à medida que a cerimônia se aproxima, Cayetana deve estar cheia de dúvidas. Falta muita coisa naqueles olhos.

— Se eu estivesse nessa posição, teria sido a mesma coisa? — testou Inês. — Quando Alicia foi escolhida, a Imperatriz deve ter encontrado alguma vantagem na Senhorita Barca que eu não possuía.

— Claro que você precisa tentar ser modesta... Mas tem certeza de que acredita nisso?

Isabella inclinou a cabeça, como se realmente não conseguisse entender a comparação.

— Desde o início, ela nunca foi como você.

Ao contrário de sua postura de não culpar Alicia desnecessariamente na frente dos outros, Isabella foi decisiva e direta em sua avaliação privada. Foi surpreendente ver como ela analisava Alicia.

— A senhora realmente pensa assim?

— Mesmo se trocássemos os sobrenomes Valeztena e Barca, a essência seria a mesma. Deixando o resto de lado, tenho que dizer que há algo que... falte nela.

Isabella deixou a frase no ar e balançou a cabeça, como se desistisse de entender a lógica daquela garota.

— No entanto, o Príncipe Herdeiro e a Senhorita Barca formam um par que, estranhamente, funciona muito bem.

A perspicácia de Isabella era incrível. Fosse pela falta de intelecto de Alicia ou pelo seu comportamento fanático, Isabella tinha certeza de uma coisa: ela e Oscar se mereciam. Foi com esse pensamento que Inês ergueu os cantos dos lábios num leve sorriso e olhou para frente.

— ... Oh céus, falando no diabo.

Inês ouviu Isabella murmurar como um suspiro. Oscar, que as descobrira de longe, estava se aproximando. Ao seu lado estava Dante Ilhar, com um sorriso no rosto.

Como um reflexo automático àquele sorriso, os lábios de Inês caíram friamente.

— Tia!

— Majestade.

— É uma coincidência muito agradável. Ultimamente, devido ao meu casamento repentino, a senhora tem estado muito ocupada — disse Oscar.

— Tudo graças a você, meu precioso sobrinho. Você que negligenciou um dever tão importante por pura preguiça durante todo esse tempo — que agora estamos nessa correria! — repreendeu Isabella sorrindo.

— A senhora é severa até quando brinca, tia.

— Vejo que você está se esforçando na lisonja para se redimir. Está preocupado com a opinião de sua tia?... Senhor Ilhar, quanto tempo.

— Duquesa de Escalante. Senhora Escalante.

Dante Ilhar sorriu, depositando um beijo educado nas costas da mão de Isabella e, em seguida, na de Inês. Inês não sabia dizer se era por ele estar ao lado de Oscar ou se ela simplesmente não ia com a cara dele, mas aquele sorriso parecia sujo, escondendo algo vil por trás da cortesia.

Inês ofereceu-lhe um sorriso muito fraco. Ao lado dele, os olhos de Oscar brilhavam com uma intensidade quase intocável. E, infelizmente, aquele olhar apaixonado fixo nela não diminuiu nem por um segundo.

— ... Inês.

Foi uma saudação calorosa, fingindo que ele a estivera procurando de longe e só agora a encontrara, como uma feliz coincidência. Excetuando a missa de casamento, fazia muito tempo que não se viam cara a cara. No entanto, ele pronunciou o nome dela com uma familiaridade natural e pegajosa, como se nunca tivesse deixado de fazê-lo.

— Há quanto tempo não nos vemos.

— Vossa Alteza.

Como antes, com o cabelo ruivo impecavelmente penteado, seu rosto não parecia particularmente desgastado ou corrompido. Inês, que monitorava os movimentos de Oscar regularmente, sabia que ele ainda frequentava aquele tipo de submundo. Mas, olhando para ele agora, ele não parecia o mesmo homem de suas memórias. Era como se a luxúria pervertida e doentia, que em sua vida passada o fazia entrar e sair de bordéis diariamente até apodrecer, tivesse se dispersado no ar nesta vida, sem deixar marcas visíveis nele.

Para Oscar, a depravação não parece ter sentido — não atinge seu pico de excitação — a menos que envolva a transgressão de trair uma esposa. Talvez ele não consiga se tornar o verdadeiro monstro devasso que ela conheceu até ter uma esposa legítima em casa para profanar.

Mas aquela era a realidade aparente.

A expectativa de Inês de que ele logo "mudaria de rosto" e revelaria sua verdadeira natureza podre como na vida anterior, mesmo ele já tendo vinte e oito anos. Ele ainda não havia alcançado o auge daquela sujeira.

O fato de existirem algumas amantes nobres com quem ele se envolvia ocasionalmente desde os vinte e quatro ou vinte e cinco anos servia apenas como camuflagem. Para o mundo, ser um Príncipe solteiro, com uma noiva à espera e mantendo amantes, não é sequer considerado uma mancha na reputação; é o padrão.

Aos olhos de Inês, até mesmo essa normalidade parecia um mal necessário para que ele mantivesse sua máscara intacta por enquanto.

Como ele permanecera solteiro por tanto tempo, era óbvio que, para se livrar de quaisquer suposições desagradáveis a respeito de sua virilidade, ele precisava provar publicamente seu desejo por mulheres. Fosse para afastar rumores de impotência ou de desvio... De qualquer forma, tais boatos seriam fatais para o herdeiro do Imperador. No fim, ele precisava manter a fachada de qualquer maneira.

Inês observou o sorriso gentil dele, seus olhos afiados cheios de uma inteligência direta, e a mesma luz "limpa" e afável que fluía de seu rosto — uma máscara perfeita.

Ele deveria ter se casado jovem, tal como aconteceu quando nos conhecemos na primeira vida, em vez de arrastar as coisas de forma tão irracional até agora. Como ele ousa...

A voz de Oscar interrompeu os pensamentos dela, dirigindo-se a Isabella com falsa preocupação:

— ... Quanto a essa parte, os boatos sobre Cássel, a Duquesa deveria dissuadir a Imperatriz. Não deixe seu sobrinho sofrer mais constrangimento com esses exageros.

— Como se atreve? — retrucou Isabella, afiada. — Você não consegue controlar nem mesmo a sua própria mãe, quanto mais a mim.

Mesmo conversando com a tia, os olhos de Oscar estavam cravados em Inês. Eram olhos que ela sentia vontade de furar; preferia vê-los destruídos a vê-los ainda abertos, encarando-a.

Houve um tempo em que Inês acreditava que valeria a pena sacrificar a própria vida apenas para furar aqueles olhos diante de todos. Ela não fazia questão de matar Oscar; estaria disposta a apenas arrancar a luz dos olhos dele, deixando-o na escuridão eterna.

Como um espasmo violento, como um plano sangrento mal arquitetado, as emoções cruas que inundaram sua mente a noite toda permaneciam vívidas e letais.

A única diferença vital era que, naquela época, não importava o quanto ela nutrisse esses pensamentos assassinos, ela sentia que não tinha absolutamente nada a perder. Se fosse destruída no processo, que fosse. Agora, no entanto, o peso era diferente; ela sentia que tinha muito a perder.

... É apenas uma consideração.

Pensando em Cássel Escalante, que sofria de uma saudade lastimável em Calztela, apenas um sorriso irônico escapou dos lábios de Inês. Embora Oscar estivesse virado para Dante Ilhar, conversando sobre o tempo, o peso do olhar dele queimando o rosto dela era inconfundível.

Na melhor das hipóteses, o prazer sádico de Cayetana será usado para esmagar o coração e o ânimo de Alicia, mas e quanto ao novo interesse de Oscar?

Você está interessado?

Inês ergueu os olhos frios, por entre seus sorrisos fracos, para olhar para Oscar. O Oscar de vinte e oito anos e o Oscar de trinta anos ... A diferença era de apenas dois anos agora.

Restavam apenas dois anos.

Se ela fechasse os olhos e se concentrasse por um momento, poderia viajar instantaneamente para o seu pior momento com ele. Não precisava nem pensar nos eventos que precederam sua morte. Porque ela já odiava Oscar muito antes daquilo.

Teria sido diferente se eu tivesse sido enganada até o fim? pensou ela. Se Oscar tivesse mantido a farsa, será que eu o teria tratado daquela forma? Se ao menos eu tivesse vivido tranquilamente na ignorância para sempre...

A ideia de uma "família" a fazia rir até mesmo naquela época. Era uma ilusão fugaz, um assunto fadado a morrer em breve, de qualquer maneira.

De joelhos, subjugada pelo peso daquela mão em sua cabeça, ela sentia o pau imundo dele, exposto pela braguilha aberta, enfiado até o fundo de sua garganta. O som da respiração dele, vibrando de um prazer sádico, enquanto ele assassinava a alma dela, e aqueles olhos que brilhavam com uma alegria doentia.

— Inês, você é uma puta que precisa saber o seu lugar. Valeztena, a prostituta que fez a família imperial pagar um preço muito alto. No fim das contas, tudo se resume a mesma merda: abrir as pernas.

O som da risada dele ecoou, como se as súplicas que eu murmurava para mim mesma fossem uma grande piada.

— Como se atreve, Inês? Divórcio? Por favor, pare de falar merda sobre fugir de mim. Você precisa de adestramento para virar uma esposa de verdade. Pare de engasgar e dizer que não consegue. Você deveria lamber a merda e a porra dos garotos de programa como se estivesse esperando por mim o dia todo. Chupe toda a sujeira que eles deixaram no meu corpo...

A mão dele acariciava gentilmente o topo da cabeça dela, num gesto macabro, como se ela fosse uma criança.

— Ah, minha Inês... você não é melhor que uma prostituta de bordel. Pelo menos elas vendem o corpo para homens melhores do que eu, mas como explicar a "nobreza" de ter nascido homem e ainda assim chupar o cu daqueles bastardos imundos que rolam na sarjeta e se vendem por trocados? Hein? Minha Inês. Sorria bonito para mim de novo. Não me olhe com essa cara.

Como de costume, ele usava aquele tom gentil e condescendente de adulto.

— Sem mim você não é nada. Nem Valeztena, nem porra nenhuma. Então trate de sorrir bonito e aumentar seu valor de mercado novamente. Deixe seu pai e seu irmão orgulhosos...

Naquele dia, Inês cravou os dentes e dilacerou a genitália dele com uma mordida.

Antes mesmo que ela pudesse raciocinar e optar por furar os olhos dele, Oscar soltou um grito absurdo de dor, agarrou-a pelos cabelos e a arremessou para longe. Caída no chão, Inês sentiu um impulso implacável de cuspir o sangue e a carne que enchiam sua boca.

Teria sido bom se ela tivesse uma faca entre os dentes para cortá-lo de vez. Mas Inês apenas sorria enquanto o via desmaiar de dor. Enquanto cuspia a saliva sanguinolenta na direção da cabeça dele, como se marcasse o túmulo de um inimigo, ela desejou desesperadamente ter qualquer coisa na mão que pudesse matar uma pessoa, fosse uma faca ou uma arma.

Se a vingança é um hábito de todo o povo de Ortega, não seria de se admirar que o Príncipe Herdeiro morresse como resultado dela.

Tenho que matar. Preciso te matar agora...

Com as mãos trêmulas, ela tentou estrangular o pescoço grosso dele, mas logo correu para a cama e agarrou um travesseiro.

A porta trancada chacoalhava violentamente sob os golpes dos guardas enquanto ela cobria aquele rosto nojento com o travesseiro, pressionando com todo o peso para sufocá-lo. Mas ela logo foi contida pelos cavaleiros que arrombaram a porta.

Oscar, recobrando a consciência de forma absurdamente fraca, gritou desesperadamente para que não a machucassem.

— Ela não tentou me matar! Ela não deve ser enviada para a prisão, e ninguém deve ousar tocar no corpo precioso dela!

Enquanto isso, Inês implorava aos cavaleiros que a matassem. Se não pudessem fazer isso ali mesmo, ela gritava que preferia ser torturada na prisão; implorava que a levassem ao tribunal para ser sentenciada à morte...

Aos olhos de qualquer um que presenciasse a cena, ambos pareciam ter enlouquecido completamente.

No final, protegida pela vontade distorcida de Oscar, Inês não foi punida. Em vez disso, foi confinada em um palácio privado no sul.

O resto de sua vida lá poderia ter sido melhor do que o inferno que vivera até então.

Após a morte de Emiliano, cheguei a pensar que a dor que Oscar me infligira não tinha sentido algum. Porque aquilo já tinha passado. Porque a perda de Emiliano era maior.

Ele perdeu a vida antes que pudesse se cansar do nosso amor; aquele amor foi arruinado no auge, apenas porque ele teve a vida destruída por minha causa. Porque Oscar o fez morrer. Porque mataram nosso filho. Eu fiz aquilo...

Porque tive a coragem de matar aquela criança inocente com as mesmas mãos que falharam em matar Oscar...

Ela viveu uma vida longa apenas contemplando assassinatos e fracassos. Mesmo renascendo, os fatos gravados em sua mente não mudavam. Nesta vida, Emiliano nunca morreu e nenhuma criança nasceu, mas depois de tantas repetições de sua existência, ela nem ousaria olhar nos olhos dele. Mesmo que ele não se lembre de nada. Mesmo que, desta vez, ela não tenha arruinado nada.

Mas o que significa a dor passada?... Nem mesmo o ódio deveria dar significado a alguém como Oscar. Eu não deveria carregar esse peso em minha vida.

Fora um esquecimento cruel. Ela acreditara que tinha realmente esquecido, que as memórias vívidas haviam se tornado apenas registros frios e distantes, simplesmente por estar de volta ao ambiente da corte por um tempo.

Eu apenas me lembro dos fatos, como um registro num livro, mas não sinto mais nada. Nunca mais permitirei que nada meu seja ferido.

Mas agora, sentindo as pontas dos dedos tremerem, percebia que nada fora esquecido. Cássel Escalante, que em sua mente ainda estava preso na dor daquele tempo antigo, era uma ilusão que ocasionalmente flutuava em sua visão enquanto ela caminhava pelo palácio.

Às vezes, era como se ela tivesse perdido o efeito de sua anestesia e a sensibilidade voltasse com força total... No entanto, uma coisa era clara.

— É uma pena que Cássel ainda nem tenha chegado perto de Mendoza — disse Oscar.

A mera lembrança do rosto de Cássel fazia com que o rosto repugnante de Oscar fosse automaticamente reduzido a uma parte insignificante de sua vida novamente.

— Ainda mais depois do casamento. Ouvi dizer que o relacionamento entre marido e mulher é tão especial que ele levou a esposa até para aquele posto militar...

Inês olhou para Oscar sem hesitação, como se ele sempre tivesse estado ali. Os olhos dele, que pareciam distantes enquanto sua voz sumia sutilmente no final da frase, de repente mudaram o foco, fixando-se nela.

— Mesmo com a esposa vindo para Mendoza, ele continua lá? — perguntou Oscar, insatisfeito.

— Você sabe que ele é um homem de princípios e tenta segui-los à risca — defendeu Isabella.

— Escalante não é um simples soldado para ficar preso a regras militares rígidas. Ele deveria dar prioridade ao seu senhor acima da Marinha.

— Meu marido é um oficial da Marinha Real de Ortega, Vossa Alteza.

Mais rápido que a resposta de Isabella, veio a resposta determinada de Inês.

— ... Marido? — repetiu Oscar, surpreso pela interrupção.

— Portanto, não é o Príncipe Herdeiro nem a esposa dele quem o prende ou comanda. Ele obedece apenas à Ordem Imperial e à Lei Militar.

— ...

— O senhor dele [o Imperador] ainda reina, e a vontade dele é a lei sagrada; portanto, por favor, respeite isso. Pelo menos enquanto Cássel estiver alistado na marinha, seguindo as ordens de Sua Majestade.

Para um soldado, a palavra "Senhor"... Aquilo foi um lembrete silencioso do perigo que era Oscar referir-se a si mesmo daquela maneira. A menos que ele ousasse se rebelar contra o próprio pai, aquele era um título que ele ainda não podia reivindicar.

Oscar olhou para ela calmamente e sorriu. O "luxúria" do passado desapareceu de seus olhos sem deixar rastro, substituído por uma frieza calculista.

— Você tem um ponto. Inês.

— Peço perdão pela franqueza.

— Ao ver a senhora Inês proteger o marido na frente do Príncipe Herdeiro dessa forma, a Duquesa deve estar satisfeita — disse Oscar, virando-se para Isabella.

— Fiquei satisfeita desde o início. Mas, Vossa Alteza, este não era o caminho que o senhor estava fazendo para ver a Imperatriz? Não deveríamos tomar seu precioso tempo assim.

— Os Escalante são sempre bem-vindos. Da próxima vez, traga Inês até mim. Quero servir uma boa refeição as duas Escalantes.

— Graças ao sua Alteza, estou sempre ocupada, mas se tiver tempo, com certeza farei isso — respondeu Isabella, despachando-o.

Inês permaneceu ao lado de Isabella, dobrando os joelhos silenciosamente em uma reverência. Oscar fez menção de passar por ela, mas então, como se de repente se lembrasse de sua presença, agarrou Inês pelo pulso.

Foi um reflexo instintivo; ela tentou se livrar dele como se fosse um inseto nojento. Nesse instante, seus olhos encontraram os de Dante Ilhar. O olhar dele estava endurecido, sério como nunca antes.

Cuidado.

O braço de Inês congelou ao ler o aviso nos lábios de Dante, que se moveram rapidamente, sem som. Dante engoliu em seco, recuperando seu sorriso suave e inexpressivo logo em seguida.

— ... Inês.

Inês olhou para Oscar, que estava tão perto que ela podia sentir a respiração dele. Como se inalasse o perfume dela, ele ergueu a cabeça inclinada e fez uma expressão amigável, exatamente como na primeira vez em que se conheceram na vida passada.

Por um momento, ela ficou horrorizada. Como ele consegue agir assim?

— Amanhã à tarde, haverá uma partida de Formente nos campos anexos. Eu também vou jogar, então, por favor, venha assistir. Use uma coroa de flores.

— Não sei se terei tempo para isso, pois estarei servindo a Imperatriz Cayetana.

— Minha mãe permitirá com prazer.

— Aquele é o lugar onde a Senhorita Barca deve se sentar, usando a coroa de flores. Não quero estragar a pequena alegria dela, Vossa Alteza.

— Ela ainda não é minha esposa.

— Será em breve.

Ela puxou lentamente o braço, libertando-se do aperto dele. Oscar olhou para a mão dela, de onde o braço escapara, sorriu para Isabella como se nada tivesse acontecido e se retirou.

✽ ✽ ✽

— Afinal, não existe nenhuma lei que diga que não se pode apaixonar só porque se é casado.

Foi por volta do momento em que a carruagem do Duque de Escalante começou a ser vista ao longe que Isabella murmurou aquele monólogo significativo. Só mais tarde Inês percebeu que estivera caminhando em silêncio com Isabella durante todo o trajeto.

Os pensamentos que dominavam sua cabeça foram dissipados pelo som de Isabella estalando a língua baixinho ao seu lado. De fato, aos olhos de Isabella, Oscar e ela deviam ter parecido ter uma relação muito "especial". A voz que chamava o nome dela como se fosse natural, a mão que agarrava seu pulso, aqueles olhos... Qualquer um teria visto.

Caso contrário, não haveria como...

— Isabella, juro que nunca fiz nada para que o príncipe herdeiro se comporte dessa forma.

— Eu sei que não. Eu não estava falando de você, para começo de conversa.

— ...

— Estou falando do Oscar.

A carruagem, que se aproximava rapidamente, parou na frente delas. Inês entrou logo atrás de Isabella, com uma expressão vazia. Ela quis olhar pela janela, mas ao ver que Isabella observava algo lá fora que ela preferia não ver, Inês fechou todas as cortinas assim que a carruagem partiu.

— Se você pensar bem, ele é uma pessoa que a cobiça e a teme de forma especial desde a infância.

— ... Mesmo entre os Grandes de Ortega, as meninas eram uma raridade na nossa geração, então Sua Alteza não devia ter outra alternativa — argumentou Inês.

— No começo eu também pensava assim. Mas onde em Ortega, onde não há princesas, haveria uma Senhorita mais preciosa do que você...?

— Desde o início, era apenas uma questão de origem e linhagem. Agora que sou uma "Senhora" casada, essa lista não tem mais significado.

— Certo. "Aquilo" talvez seja verdade.

— ...

Inês virou a cabeça da janela fechada para olhar Isabella do outro lado. A duquesa batia levemente no joelho com o leque que segurava, soltando um riso misturado com suspiro.

— Sua Alteza achou que você foi roubada dele pelo meu filho, então ele atormentou muito o Cássel.

— ...

— Não faça essa cara. Vocês tinham apenas seis anos na época, e não estou falando de brigas infantis comuns de Mendoza. Sua Alteza Oscar era mais presunçoso do que posso imaginar agora, mas, no fim das contas, também era apenas uma criança [ainda que mais velho].

— Eu sabia.

— O quê?

— Quando éramos jovens... eu sabia que Sua Alteza o tratava mal...

— Oh, Inês. Você não sabe de nada.

— Sim?

— O que você via não era nem metade do bullying ou do que realmente acontecia.

— ...

— Devem ter restado algumas cicatrizes no corpo dele...

Num instante, um arrepio percorreu a espinha de Inês. Cicatrizes?

Ela queria acreditar que não, mas a dúvida girava incessantemente em sua mente... De repente, as cicatrizes grandes e pequenas que marcavam sutilmente aquele corpo sólido — marcas que ela sempre assumira serem apenas ferimentos menores do campo de batalha — tornaram-se suspeitas.

No entanto, Isabella ainda tentava minimizar, como se não quisesse preocupá-la.

— Era coisa de criança, de qualquer forma, e Cássel era tão estoico que não parecia sentir dor, não importava o quanto Sua Alteza o assediasse... Ele provavelmente nem se lembra mais.

— ... Não se trata apenas de crianças. Havia uma diferença de idade. Era uma época em que Sua Alteza era muito mais alto.

— Cássel ficou bem, Inês.

— Eu não sabia de nada. Isabella. De nada...Nesse nível.

Inês lutou para limpar o rosto contorcido com as mãos frias. Isabella continuou, com um suspiro de alívio, como se tivesse se arrependido de ter falado demais prematuramente.

— Não é culpa sua. Cássel era bom demais em esconder as coisas. Aquele menino era forte de um jeito absurdo. Ele simplesmente não demonstrava que estava sofrendo; mesmo sob o meu olhar, ele não ousava dizer nada.

— ...

— Não importava quão pequenas fossem as cicatrizes, ou quão leve fosse o dano... se ele me visse olhando para ele com um rosto de mãe feliz, ele fingia que nada tinha acontecido.

Com um simples apontar de dedo, Inês tornara difícil a vida de uma criança inocente desde a mais tenra idade. Tudo isso acontecera em um ponto cego, numa fresta da realidade que ela nem sabia que existia.

Mesmo nos dias em que sua vida era pautada por cálculos frios, ela se consolava pensando que ele era uma "aposta segura", alguém que lhe garantiria uma vida sem perdas, mesmo que fosse usado por ela. "Para Cássel Escalante, tanto faz", ela pensava. Ela dispôs da vida dele como bem entendeu, julgou seu valor levianamente e o moveu como uma peça num tabuleiro de xadrez... Portanto, no final, a culpa era toda dela.

Não importava se era destino ou acaso. O fato é: "Pelo menos desta vez, eu o trouxe para o meu lado."

— Mas, a partir daquele momento, o assédio desapareceu sem deixar rastros. Como se fosse apenas uma fase passageira da infância — disse Isabella.

— ...

— Mas agora vejo que não foi bem assim — completou Isabella.

E o que mais poderia ter sido? Anteriormente, para Inês, isso era apenas um palpite. Mas, depois de encontrar Cayetana inúmeras vezes e encarar o olhar obsessivo de Oscar, a verdade tornou-se clara.

Se ela tivesse escolhido qualquer outro homem que não fosse Cássel Escalante [alguém menos forte ou influente], aquela maldita dupla de mãe e filho teria atormentado o marido dela sem trégua, até destruí-lo por completo.

Pelo menos, Cássel contava com a proteção de ser sobrinho de Cayetana, o que era uma vantagem lastimável, mas útil.

Na melhor das hipóteses, ironicamente, ela tinha uma vida que contava com a proteção de Cayetana também. Mas qualquer vontade de zombar desapareceu quando Inês recordou seu encontro bizarro com Oscar mais cedo. Diante de Oscar, ela não podia se dar ao luxo de baixar a guarda nem por um segundo.

Havia algo de errado no comportamento dele. Uma sensação sinistra, um pressentimento de inquietação, permanecia como um espinho na garganta. O aviso silencioso de Dante Ilhar continuava gravado em sua visão.

— Quando jovem, ele sempre queria ter "o melhor", e manteve isso como um hábito, mas até agora, ele vinha aceitando a situação silenciosamente... — analisou Isabella. — Claro, o Príncipe Herdeiro tem um temperamento possessivo inato. Se ele a deixou em paz por tanto tempo, talvez fosse apenas porque a cobiça aumentou justamente por não poder tê-la...

— ... Ou talvez ele só queira me atormentar — sugeriu Inês.

— Atormentar você? Por quê?

Isabella esfregou as têmporas, como se não entendesse a lógica. Inês fingiu inocência, ergueu os cantos dos lábios e riu.

— Segundo a Senhorita Barca, ainda sou a única mulher que o rejeitou.

— ... Se uma criança de seis anos também contar como uma mulher, não é?

— Então, talvez, como um jogo pré-nupcial, ele queira apenas me provocar por um tempo. Assim como fez com Cássel, por puro despeito.

Em relação a Cássel... Havia um espinho nessas palavras. Era difícil, quase injusto, equiparar o bullying brutal que ele sofrera com uma palavra tão leve quanto "provocar".

— Mas, Inês... Aqueles olhos nunca foram os olhos de um homem que quer machucar uma mulher — alertou Isabella.

— ...

— É por isso que, em Mendoza, devemos ter mais medo da sedução do que da retaliação.


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Comentários

  1. A raiva que eu tenho desse príncipe herdeiro…. Afff deixa meu casal em paz!

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