Capítulo 10 — Somente por ela
A Condessa Fiante apoiou o rosto contra o peito de Cárcel.
—Lord Cárcel, você tem passado férias especialmente longas na cidade.
—E isso não lhe agrada? —ele perguntou.
—Claro que me agrada vê-lo mais. Eu tenho observado à distância, relembrando as memórias maravilhosas do último verão. Ah... — Suas palavras se transformaram em um gemido assim que seus lábios tocaram seu pescoço.
Ela parecia quase não precisar de preliminares. Estava molhada apenas de olhar para o belo rosto dele. A Condessa Fiante puxou Cárcel agressivamente para seu corpo. Apesar de seu nome santificado, ela estava extremamente desesperada por seu toque.
Cárcel estava acostumado a esse tipo de atenção das mulheres, mas hoje sua mente estava em outro lugar.
Ele afastou os lábios dela.
—Lady Fiante, me dê um momento.
—Não quero esperar mais! Estou pronta! Lord Cárcel, por favor...! — Ela começou a esfregar o abdômen contra ele, se excitando ainda mais.
—Ah! Ah! —Em seu fervor, ela mal percebeu que ele ainda estava flácido, desinteressado.
—Lady Fiante, pode me dar um pouco de espaço por um instante?
—Haa... Como posso colocar espaço entre nós? Seu uniforme realmente faz milagres para excitar uma mulher. Só de olhar para você já me deixa molhada —sussurrou.
As palavras dela deveriam tê-lo excitado mil vezes. Mas Cárcel estava tão flácido quanto um monge, apesar da sedução. Como isso poderia estar acontecendo?
—Como Deus pôde criar um ser tão perfeito? Invejo sua noiva, Lord Cárcel. —
Ao ouvir sua noiva ser mencionada, Cárcel sentiu-se ainda mais distante de seu desejo. Olhou para seu membro e sentiu-se deslocado, como se seu espírito tivesse se desligado do corpo.
Como posso estar impotente, nesta idade? Cárcel a afastou em pânico, mas a condessa estava determinada a conseguir seu prazer. Ela se enroscava em seus braços de todos os ângulos, não importava o quanto ele a empurrasse.
—Toda vez que vejo Lady Inés, sou tomada por inveja. Tudo isso porque você é perfeito demais. Sei que não ama sua noiva, como é de conhecimento público, mas ainda assim... Ela terá direito sobre você. Pelo menos no papel — ela suspirou.
Isso era verdade, e essa verdade não incomodava Cárcel nem um pouco, pela primeira vez.
—Ainda assim, esta noite eu tenho você só para mim, não é? — perguntou ela, a voz carregada de esperança e luxúria.
Enquanto Cárcel ouvia a condessa implorar por seu carinho, as palavras de seu sonho ecoavam em sua mente: Você é a única que me faz assim.
—Ah, como senti falta do seu toque. Não suporto mais estar com homens comuns depois daquela noite com você. Depois de ver sua beleza, não consigo deixar de perceber como os outros homens Ortegan são feios —reclamou a Condessa Fiante. —Lord Cárcel, só você me excita assim. Mesmo quando tento imaginar o toque de outro homem como se fosse seu, não funciona. Só seu rosto, sua força, seu toque...
Desprezando seus elogios, a mente de Cárcel continuava reproduzindo as palavras que saíram de sua boca no sonho:
Nenhuma outra mulher... Só você. Você é a única mulher que me excita assim.
Ahá. Finalmente entendeu por que não conseguia se excitar.
As palavras sem sentido que ele havia sussurrado em seus sonhos estavam afetando-o. Quase quis rir alto da situação ridícula. Essas palavras não são verdadeiras, e não têm poder sobre mim, disse a si mesmo. Ele só diria tais palavras para Inés em seus sonhos, e apenas porque aquela Inés era imaginária. Infelizmente, seu membro parecia não convencido com sua autoafirmação.
—Você tem ideia de como esses homens são feios? Lorde Cárcel, você os supera mil vezes. Quando voltar à costa de Calztela para o seu escritório, Mendoza perderá novamente sua vida. Você é a luz e o sal desta cidade. Traz fortuna a todos que olham para o seu rosto —continuou tagarelando a Condessa Fiante.
Infelizmente, Cárcel tinha sua própria desgraça para lidar. Ele precisava quebrar a maldição inquietante dos Valeztena. Abotoou a camisa e ajustou o paletó.
—Peço desculpas, Lady Fiante. Agora devo me retirar. Adeus.
Os olhos dela se arregalaram, incrédulos.
—Lord Cárcel! Você pretende me fazer desejar você ainda mais? Eu esperarei por você aqui, de verdade! —Sua voz ecoou pelo corredor.
Ele deixou a condessa para trás e não olhou para trás nem uma vez.
✽ ✽ ✽
Pelo lado positivo, ele poderia considerar sua situação atual um golpe de sorte. Depois do casamento, Inés Valeztena seria a única mulher para ele de qualquer forma.
Então, isso era, de certa forma, boa sorte.
Embora Cárcel tentasse se convencer disso, não conseguia deixar de se sentir atrapalhado por sua incapacidade de se deitar com outras mulheres. Lady Fiante era a quarta mulher que ele havia seduzido para se distrair dos pensamentos sobre Inés, mas sem sucesso. Apesar de tudo, ele não entrou em pânico, pois certamente não era impotente.
Não tinha problema em ficar duro toda noite, assim que os sonhos com Inés começavam. Até durante suas horas de vigília, às vezes percebia suas calças ficando apertadas após uma breve lembrança do sonho.
Na verdade, suas calças estavam ficando apertadas neste exato momento. Ele olhou para o volume considerável em sua roupa. Nenhum homem impotente carregaria tal volume, então ele obviamente não era impotente. Pelo menos, isso ele tinha.
Cárcel se sentia amaldiçoado. No entanto, ninguém havia realmente lançado uma maldição sobre ele, então não tinha ninguém para culpar enquanto passava o resto de suas férias em agonia. Se tivesse alguém para culpar, só poderia culpar a si mesmo por dizer tais absurdos em seus sonhos e provocar esse ciclo de luxúria por Inés.
Ele já havia desistido das tentativas fúteis de se deitar com outras mulheres. As quatro falhas anteriores já haviam prejudicado bastante sua reputação. Aos quatro, ainda poderia justificar como “não estar no clima”, mas uma quinta falha poderia ser o prego no caixão.
Esperançosamente, colocar distância física entre ele e Inés ajudaria a fazer tudo isso desaparecer. Ele contava os dias para voltar ao seu posto na costa de Calztela. Preciso estar o mais longe possível de Mendoza.
Se não fizesse algo a respeito, poderia acabar de joelhos na mansão Valeztena, implorando a Inés por sexo pré-marital. Ele balançou a cabeça. A própria ideia de se rebaixar assim o enojava. Ainda assim, uma pequena voz em sua cabeça se perguntava se ela concordaria se ele implorasse com força suficiente.
Ele suspirou, exasperado, e olhou para o assento vazio ao seu lado. A família Vicente o havia convidado, junto com sua noiva, para o concerto, mas, como de costume, apenas ele compareceu.
Ninguém realmente esperava que Inés aparecesse quando a convidaram. Todos os anfitriões consideravam sua ausência como certa, mesmo quando Cárcel compareceu. Inés sempre fazia apenas o mínimo indispensável em eventos sociais. Raramente aceitava convites, a menos que fosse um convite real, e ocasionalmente recusava até um ou dois convites reais.
Apesar de todo o boato sobre sua insolência, os socialites de Mendoza continuavam a convidá-la, na esperança remota de que ela comparecesse, já que sua rara presença elevava o status do evento. Desta vez, Inés havia desapontado a Marquesa Vicente. E agora Cárcel tinha a desagradável tarefa de inventar uma desculpa aceitável para sua ausência.
Ao menos, ele não precisava ver o rosto dela pessoalmente. Cárcel já se sentia suficientemente torturado sem o estímulo adicional. Seu cérebro lhe avisava para não fazer nada tão estúpido quanto implorar por sexo, pois Inés jamais aceitaria sua oferta, mas seu corpo estava constantemente paralisado pelo desejo de arrancar-lhe o vestido e devorá-la.
Se ao menos pudesse ver seu rosto severo se desfazendo em êxtase. Se ao menos pudesse devorar os lábios que uma vez lhe disseram que não tinham sentimentos por ele. Se ao menos pudesse ver seu corpo nu para comparar sua imaginação com a realidade. Isso... está se tornando perigoso, pensou.
Se não fosse por seus deveres familiares, ele já estaria no primeiro navio para Calztela. Na verdade, nunca deveria ter vindo a esta festa em primeiro lugar. Apenas ver o assento vazio de Inés já era suficiente para irritá-lo.
Ele mal conseguia prestar atenção na filha do Marquês Vicente ou nos dois músicos que a acompanhavam ao piano. Em vez disso, sua mente estava ocupada com fantasias de se ajoelhar aos pés de Inés. Ele levantaria delicadamente seu vestido e percorreria com a língua a sua perna até terminar entre suas coxas. Naquele lugar úmido, quente e macio ele imploraria como um mendigo por uma única chance de possuí-la.
Cárcel se enojava de sua própria fantasia. Levou a cabeça às mãos e suspirou levemente. Por que estou implorando por ela, afinal?
Ele podia olhar para isso de outro ângulo. Em um futuro próximo, acabaria deitando-se com ela. Assim como fizeram os passados Duques e Duquesas da família Escalante. Ele não tinha motivo para implorar quando já possuía a garantia de sua companhia na cama.
Começou a listar mentalmente por que não deveria ser tão desesperado.
Primeiro, implorar seria um ultraje ao seu orgulho.
Segundo, ele não pertencia a Inés; eles não combinavam.
Terceiro, Inés Valeztena acabaria dormindo com ele de qualquer maneira. Independentemente de como ela se sentisse em relação a ele, ele já tinha assegurado uma vida inteira compartilhando a cama com ela.
Quanto mais pensava nisso, esse arranjo matrimonial não parecia tão ruim.
Um longo suspiro escapou dos lábios de Cárcel. O fato de sua luxúria por Inés estar fazendo-o duvidar de suas crenças de longa data o incomodava. Por mais que tentasse conter-se com a razão, não conseguia parar seu desejo por ela.
O que está acontecendo comigo?
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