Capítulo 10 — Somente por ela
A Condessa Fiante apoiou o rosto contra o peito de Cássel.
— Lorde Cássel, você tem passado férias especialmente longas na cidade.
— E isso não lhe agrada? — ele perguntou, com a voz propositalmente baixa.
— Claro que me agrada vê-lo mais. Eu tenho observado você à distância, relembrando as memórias maravilhosas do último verão... Ah… — As palavras de Agnes se transformaram em um gemido sôfrego assim que seus lábios tocaram o pescoço dele.
Contrariando o significado sagrado de seu próprio nome, a reação de Agnes foi imediata e extremamente sensível. Na verdade, a mulher já estava tão excitada apenas por contemplar o rosto dele que passou a puxá-lo pela cintura, como se dispensasse qualquer preliminar. A investida daquela mulher agressiva, ousada e impetuosa não era nenhuma novidade para Cássel, mas, por alguma razão…
Ele afastou os lábios dela com firmeza.
— Condessa Fiante, me dê um momento.
— Eu já estou pronta. Completamente pronta…! Senhor Escalante, ah… ah…!
Cássel já havia afastado seus lábios dos dela, mas ela parecia se excitar ainda mais, esfregando o ventre contra o baixo-ventre dele. Era como se tentasse arrancar dele uma reação imediata. Agnes estava tão consumida pelo próprio desejo que sequer percebeu que ele, por outro lado, não demonstrava o menor sinal de excitação.
— Senhora, espere um instante. Afaste-se de mim.
— Uf, isso é um absurdo. Como você consegue ser assim? Ah… Esse seu uniforme realmente enlouquece uma mulher…… Só de olhar para você, eu já sinto meu corpo verter de desejo.
Apesar daqueles sussurros lascivos, capazes de despertar a virilidade de qualquer homem num piscar de olhos, o membro de Cássel permanecia tão inabalável e dormente quanto o de um monge enclausurado.
"Como posso estar impotente, justo nesta idade?"
— Como Deus pôde criar alguém tão perfeito? Justamente porque você é assim… Eu sinto uma inveja profunda da sua prometida.
A mera menção à palavra "prometida" — aquele termo curto e seco — agiu como um feitiço de pedra sobre o monge. Cássel agora sentia como se sua masculinidade fosse um pedaço de rocha que nada tinha a ver com ele. Uma pedra desprovida de vitalidade, de instinto ou de qualquer reação, pendendo inutilmente entre suas pernas.
Tomado por uma estranha sensação de pânico e crise, ele tentou empurrar Agnes para longe, mas a determinação de uma amante obstinada não seria aplacada facilmente.
A condessa se enroscava em seus braços de todos os ângulos, esquivando-se habilidosamente das mãos com que Cássel tentava afastá-la, e murmurou com um toque de amargura:
— Toda vez que vejo a Señorita Valeztena, sou tomada por uma inveja que mal consigo suportar… Tudo isso porque você é perfeito demais. Sei que o senhor não ama sua noiva, como é de conhecimento público, mas ainda assim… No final, você continuará sendo o homem dela. Pelo menos no papel.
Pelo menos no papel.
Aquelas palavras, que ele sempre considerara um jugo, uma rédea e uma corrente que seria obrigado a carregar pelo resto de seus dias, de repente já não soavam tão hostis aos seus ouvidos. Pela primeira vez, aquela verdade não o incomodava nem um pouco.
— Mas esta noite pertence a mim. Não é?
'Sem você, meu corpo não reage. É impossível. Qualquer outra mulher que não seja você…'
A lembrança do próprio sonho febril ecoou em sua mente como uma zombaria.
— Senti tanto a sua falta — continuou ela, alheia ao colapso interno do capitão. — Foi doloroso recordar apenas uma única noite ao seu lado e depois ter que ir para a cama com homens comuns…… Se eu nunca tivesse conhecido você, teria vivido sem perceber o quanto os homens comuns de Ortega são patéticos.
'Você é a única mulher que me deixa assim.'
— Só você me excita tanto. Seu rosto, sua força, seu corpo perfeito, ah……
'Só você me ergue.'
Ao se dar conta da verdadeira causa daquele fenômeno bizarro, Cássel enrijeceu a feição. E, apesar das carícias persistentes da Condessa, ele olhou para si mesmo, constatando que sua masculinidade permanecia irredutível e morta como uma rocha.
Será que aquilo não passava de uma maldita profecia do seu sonho? As palavras sem sentido que ele havia sussurrado estavam afetando-o. Quase quis rir alto da situação ridícula.
"Era apenas um sonho estúpido, um delírio sem nexo. Por acaso as pessoas sabiam o que estavam dizendo quando deliravam em seus sonhos? É claro que não. Como dar crédito a palavras proferidas por um alter ego que sequer reconheço...?"
Cássel sentiu uma vontade amarga de desatar a rir. Ele olhou para baixo, repetindo mentalmente uma e outra vez que não havia o menor significado naquilo, que palavras ditas em um sonho não tinham poder algum sobre a realidade. Contudo, seu próprio corpo parecia não ter a menor intenção de colaborar com seus argumentos.
— … Você sabe o quanto os outros são patéticos? Senhor Escalante... Verdadeiramente, o senhor é perfeito. Quando você retornar para a Costa de Calstera, Mendoza certamente ficará às escuras, como se o sol tivesse se posto. Você é a luz na escuridão, o Sol de Ortega. Ah, o seu retorno é uma grande desgraça para aquelas que eram felizes apenas por contemplá-lo……
A verdadeira desgraça ali era outra, completamente diferente.
Aquilo era uma maldição. Uma bruxaria legítima.
Cássel empurrou a Condessa Agnes Fiante abruptamente e começou a se afastar, ajeitando as vestes às pressas.
— Senhor Escalante?
— Sinto muito.
— Capitão Escalante!
— Peço desculpas, Lady Fiante. Agora devo me retirar. Adeus.
— Você está fazendo isso só para me deixar ainda mais desesperada! — gritou ela, os olhos brilhando de frustração e desejo. — No fim das contas, você é perfeito! Eu vou esperar! Bem aqui!
Ignorando o clamor desesperado da mulher que ecoava pelo corredor, Cássel apressou o passo e desapareceu na escuridão e não olhou para trás nem uma vez.
✽ ✽ ✽
"Pensando bem, eu não terei outra escolha após o casamento. Nenhuma outra mulher além de Inês Valeztena. Portanto, eu não sou um eunuco. Isso aqui não é a disfunção de um eunuco……"
Ele repetiu esse mantra para si mesmo inúmeras vezes, mas a vergonha sufocante não desapareceu. Cássel esfregou o rosto com crueza, tenso.
Haviam se passado três dias desde que suas tentativas de encontros secretos — que ele escolhera como uma contraofensiva desesperada diante da Inês que insistia em invadir seus sonhos — haviam resultado em fracassos retumbantes e sucessivos.
A única razão pela qual ele ainda não havia entrado em colapso total diante dessas falhas seguidas era o fato de que, ironicamente, seu corpo entrava em chamas com a maior facilidade do mundo diante de uma mera ilusão. Uma fantasia que sequer era real.
Ele sonhava com Inês Valeztena todas as noites. E, às vezes, bastava reviver aquele delírio em sua mente para que seu baixo-ventre ficasse instantaneamente quente.
Exatamente como agora.
Cássel olhou para baixo mais uma vez, tomado por uma súbita onda de calor, como um cão que responde a um comando silencioso. Definitivamente, aquela reação vigorosa não era algo que um eunuco seria capaz de ter.
Mas uma coisa era certa: havia algo de muito errado com ele.
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