Capítulo 7 – “Cassel e Ines”
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Aos vinte e três anos de Cárcel Escalante estava sentado na cadeira, olhando ao redor do quarto de sua noiva. Não acredito que achei ela fofa. Depender de mim? Que nada. Ela nunca dependia de mim. Entrar no quarto de Inés ajudou-o a recordar vividamente suas memórias de infância.
Será que lembro quando foi a última vez que estive neste quarto...? Ah, certo.
Foi quando ele tinha vinte anos, recém-formado na academia militar e prestes a ser comissionado nas frotas costeiras da cidade portuária de Calztela. E ele se lembrou de ter pensado a mesma coisa que estava pensando agora: o tempo só para neste quarto?
O quarto de Inés realmente parecia preso no tempo. Seis, dez, quatorze, dezessete, vinte, e então vinte e três... O quarto não mudara nada depois de todo esse tempo, assim como a expressão rígida de Inés.
Era estranho. Como poderia uma duquesa de seis anos e uma duquesa de vinte e três anos, prestes a se casar, ter exatamente as mesmas preferências, até nos mínimos detalhes dos móveis e na cor das cortinas?
No entanto, esse não era o caso em que a Inés adulta mantinha suas preferências infantis de quando tinha seis anos. Ela já era “velha” quando tinha seis. Espera, não. Lembrando-se de que ela seria sua esposa, decidiu dar-lhe o benefício da dúvida e acreditar que ela sempre tivera gostos maduros.
Ela sempre fora estranha. No dia em que a conheceu pela primeira vez, no instante em que ela o escolheu e no momento em que lhe disse que gostava dele. Pensando bem, nenhuma parte de seu relacionamento fora jamais normal.
Cárcel olhou ao redor do quarto novamente, na esperança de notar algo diferente, mas nenhum canto havia mudado desde o passado. Isso não era totalmente inacreditável ao pensar que o quarto apenas refletia quão entediante era sua dona, mas Cárcel estava ativamente procurando por algo. Ele procurava por algo, qualquer coisa que pudesse indicar que ela havia mudado de ideia.
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