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Capítulo 13 — A Posição de Inês Valeztena

Parte II

A Historia de Inês

A vida de Inês Valeztena de Perez terminou quando ela tinha vinte e seis anos.

De fato, geralmente só se pode contar os anos de vida de alguém depois que ela termina. Inés teve o raro privilégio de saber antecipadamente quando sua vida chegaria ao fim, porque ela escolheu morrer aos vinte e seis anos. Para ser mais precisa, ela própria havia encerrado sua primeira vida.

A maioria dos detalhes de sua primeira vida era confusa, e ela tinha apenas uma impressão vaga de quão conturbados aqueles primeiros vinte e seis anos haviam sido. Uma coisa que ela lembrava claramente era a profundidade do desespero que sentiu quando colocou sua espingarda contra a própria cabeça.

A única outra memória clara era de como o príncipe herdeiro parecia tolo quando ela deu seu último suspiro.

—Inês, por favor, abaixe a arma. Eu farei qualquer coisa por você, qualquer coisa para fazê-la feliz novamente. Eu sou seu marido... eu sou a única família que você tem — implorou ele, como se não se importasse com sua família no Ducado de Perez, que estava viva e bem.

Quando ela destravou o gatilho, ele caiu de joelhos. Aquela mesma espingarda era um presente dele para ela, porque ela dizia que gostava de caçar. Nunca imaginou que se tornaria a primeira presa que aquela arma apontaria.

—Fizemos um voto de ficarmos juntos pelo resto de nossas vidas. Você não se lembra? Você está destinada a ser a próxima imperatriz de Ortega. Você sempre será minha primeira... Você sabe disso. Então, por favor, por favor, abaixe a arma. Pense bem sobre isso.


—Eu já pensei o suficiente — disse ela calmamente.


—Claro que pensou. Você é uma mulher tão ponderada, deve ter dedicado muitas horas ao pensamento. Só quero lembrar você... Você também pensou no fato de que eu não sou apenas seu marido, mas também o príncipe herdeiro? Você está apontando uma arma para a própria Coroa.


Ela zombou.

—Sua Majestade, seu pai, é a Coroa.


Ele gaguejou em busca da próxima palavra.


—Bem, eu quis dizer que eu... serei entronado eventualmente. Você também se tornará imperatriz e—


Ela o interrompeu no meio da fala.

—Que bom saber que você está tão ansioso para destronar Sua Majestade. Uma maneira de provar sua lealdade à Coroa é acabar com sua vida agora mesmo e garantir que o reinado dele continue.


—Inês! Você não pode me matar. Me matar é como matar Ortega! Afinal, eu sou Ortega, e Ortega sou eu! — gritou ele.


—Sua Majestade representa Ortega. Não um homem imundo como você, Oscar — corrigiu ela.

O príncipe herdeiro continuou a divagar, com o suor escorrendo pela testa.


—Certo, certo. Absolutamente... exceto que estamos falando da mesma coisa. Ortega é Sua Majestade, e eu represento Ortega. Então, sou praticamente um só com meu pai.


Ela revirou os olhos diante de sua lógica ridícula.


—Três em um, como a Santíssima Trindade, suponho — cuspiu sarcasticamente.


—O que você está... Deixa pra lá. Você não está em sua plena razão, Inês. Por favor, acalme-se. Pense no que é melhor para você e para os Valeztena.


Depois de anos agindo com arrogância, o príncipe herdeiro Oscar Valenza implorava por sua misericórdia diante do cano de sua espingarda. A cena patética quase a fez esquecer o quanto ele a irritava.

Oscar amava a si mesmo. Na verdade, ele sempre se amou mais do que qualquer outra coisa. Se preocupava por dias com um pequeno arranhão e tratava seu corpo como se fosse uma delicada escultura de porcelana.


A única coisa que ele valorizava mais do que seu corpo era sua reputação.


Embora tivesse ficado completamente chocado no dia em que Inês o havia esbofeteado e chutado nas canelas, ele não contou a ninguém sobre o incidente. Para punir sua esposa, ele precisaria admitir aos outros que ela o havia agredido — e seu orgulho jamais permitiria isso.


Mesmo quando Inês implorou pelo divórcio, ele se recusou, pois não queria se tornar o primeiro príncipe herdeiro a ser divorciado. Foi por isso que Inês não teve escolha a não ser recorrer à violência. No início, ela apenas o esbofeteou. 

Quando isso não funcionou, tentou até acertá-lo na cabeça. Seu punho, adornado com o enorme anel de sua sogra, acertou seu rosto mais de uma vez. Ela jogou coisas em sua cara, mas ele ainda se recusava a aceitar o divórcio.

Oscar tolerou os abusos dela por bastante tempo. Não importava o que Inês lhe fizesse, ele permanecia irredutível. Se fosse se divorciar dela, carregaria para sempre a vergonha de ser o príncipe abusado por sua princesa.

Nada era mais importante para Oscar do que sua reputação. Ele havia criado uma reputação meticulosa para si mesmo, embora cultivasse muitos fetiches e organizasse orgias com seus inúmeros prostitutos e prostitutas. 

Ele carregava diversas doenças venéreas e nem conseguia identificar exatamente qual doença vinha de quem. No entanto, era muito bom em fingir, e a maioria das pessoas não suspeitava de nada sobre seus empreendimentos secretos. Sua charada era tão eficaz que, em certo momento, até enganou Inês.

Oscar havia proposto casamento a ela quando ela tinha apenas seis anos, e ela se casou com ele aos dezesseis, despertando a inveja de todas as mulheres de Ortega.

As pessoas admiravam sua atuação.

—Veja como Sua Alteza só tem olhos para você, Vossa Alteza! Seus olhos estão cheios de afeto por você — comentava uma.

Outra suspirava:

—Que glória deve ser receber sua afeição indivisa! Não consigo nem imaginar o quão encantador deve ser. Ele prometeu fazer o mundo seu!


—Casamentos sem amor abundam em Mendoza, mas o seu relacionamento exemplar inspira a todos.


—Não há ninguém tão deslumbrante quanto Sua Alteza. Seu primo, Lorde Cárcel, também é belo, mas infelizmente não é tão virtuoso...


—Cárcel Escalante é um libertino que não tem o casamento em seu futuro. Por outro lado, Sua Alteza é tão devotado ao seu primeiro amor!


Desde o nascimento, Inês desfrutou dos privilégios proporcionados por sua herança como única filha do Duque Valeztena. Sempre gostou de se vestir com os últimos modelos, e o duque tinha o maior prazer em providenciá-los para sua filha.


Ela era conhecida por ditar as últimas tendências em Mendoza. Todas as revistas da cidade elogiavam sua confiança, e as jovens senhoritas imitavam seu estilo. Quando suas frequentes viagens bronzearam sua pele, todas as mulheres, que antes desprezavam a pele mais escura como inadequada para senhoritas e se cobriam de pó para parecerem mais pálidas, mudaram de opinião. 


Após alguns anos, o bronzeado passou a ser visto como sinal de espírito aventureiro e evidência de verdadeira riqueza, reservado àqueles que podiam pagar por uma casa de veraneio em regiões mais quentes.


Quando ela vestiu suas primeiras calças tipo jodhpur, de repente as mulheres não eram mais consideradas incultas por usar calças. Se, numa manhã, ela decidisse andar de lado ou adotasse qualquer outro hábito ridículo, as socialites de Mendoza a imitariam. Tal era a extensão de sua influência.


Inês sempre viveu uma vida privilegiada. Não apenas era a única filha da poderosa família Valeztena, mas também era a noiva do príncipe herdeiro. Todos os dias, ela se vestia com os vestidos mais caros e se adornava com joias que até mesmo a família imperial cobiçaria. Embora seu rosto fosse pouco espetacular, ela se saía bem com maquiagem. Juntando isso à sua figura impecável e ao grande esforço que fazia para se enfeitar, sua beleza impressionava os outros.


Essa vida perfeita a satisfazia tanto que ela se esforçava para torná-la ainda mais perfeita. Ela pressionava seus alfaiates por vestidos exóticos e escolhia cuidadosamente os eventos sociais mais estratégicos para elevar ainda mais sua reputação. Ela se privava de comida para manter a cintura fina e caber nos belos vestidos, mas devorava os pratos nas festas para parecer que sua silhueta esguia era natural. À noite, discretamente regurgitava cada refeição no latril.


Será que a vida deveria ser assim? Ela queria se tornar uma mulher perfeita para seu marido? Ou havia usado o marido para alcançar uma vida perfeita para si mesma? Ela nunca encontrou resposta para essas perguntas. O que sabia com certeza era que já estava farta de tudo aquilo.


Ela mal podia acreditar que, em algum momento da vida, realmente amou seu marido. Não sabia se fora enganada pela farsa dele ou pelo próprio narcisismo, mas o amou por alguns bons anos. E esses anos foram, infelizmente, poucos demais.


—Inês, por favor, volte a si — implorou Oscar.


Inês saiu de seus pensamentos e retrucou:

—Meus sentidos estão perfeitamente bem.


Oscar balançou a cabeça.

—Isso não pode ser. Você não está pensando com clareza agora.


Como ele podia dizer que ela estava fora de si? Nos últimos dez anos, ela fora lentamente enlouquecida pelo casamento. Durante esse período, teve quatro abortos no total. Cada vez, a imperatriz e a corte pública a humilhavam e a culpavam pela perda. Oscar ignorava suas súplicas e nunca tomava seu lado. Mais tarde, chegou até a anunciar que ela não poderia levar uma gravidez até o fim porque seu útero estava amaldiçoado.

Quanto mais glamourosa sua vida parecia por fora, mais miserável ela se sentia por dentro.


Quando finalmente descobriu que as doenças venéreas em seu corpo haviam matado seus fetos... Quando se lembrou de tantas noites em que ele se lançou sobre ela, apesar de suas protestos... Ela não suportava mais pensar nisso.


Ela só conhecera um homem, seu marido, mas agora carregava toda a imundície de seus inúmeros desejos sexuais. Estava sendo punida pelos atos vergonhosos dele. Sua única culpa foi ter se casado com esse homem.


O mais repugnante de tudo era como ele se concentrava egoisticamente em uma luxúria insaciável. Ele a tomava noite após noite, sabendo que era contagioso. 

Mesmo quando ela estava grávida de seu filho, ela se colocava de quatro para ele. Mesmo com medo de que o ato durante a gravidez levasse a outro aborto, nenhuma súplica o detinha. Ele considerava seus próprios desejos momentâneos mais importantes do que a saúde da esposa ou de seu filho ainda não nascido. Na verdade, ele nunca se importou muito com nenhum dos dois.


E pensar que Oscar nunca planejou intencionalmente arruiná-la. Ele não era cruel, apenas inconsequente. Mesmo depois que todas essas verdades vieram à tona, ele continuava a repetir como não podia deixá-la ir por causa do amor que dizia sentir por ela.


Quando Inês compreendeu toda a verdade, mudou de ideia rapidamente. Quão sortuda era por nunca ter levado o sêmen daquele homem repugnante a termo. Seu filho seria uma maldição para o mundo. Qualquer vestígio dele precisava desaparecer da face da Terra. Essa era a razão pela qual ela não sentia mais remorso nem perdia o sono pelos filhos perdidos.


De fato, ser estéril era uma bênção disfarçada. Embora tivesse amado profundamente a criança, ela não a salvaria do inferno que era sua vida com Oscar. Mal podia acreditar que um dia desejara ter um filho com aquele homem. Qualquer resquício de esperança ou apego a Oscar foi esmagado repetidamente.


Antes de enfrentar a vergonha de ser a primeira princesa herdeira a morrer de sífilis, ela descobriu uma maneira menos vergonhosa e mais eficaz de morrer.


—Estou melhor agora do que nunca — declarou. — Acredito que você disse que nenhum membro da corte imperial de Ortega jamais se divorciou. E que não podemos estabelecer o precedente do primeiro casal fracassado?


Ela abaixou a espingarda. Na verdade, nunca planejou realmente matá-lo. Ele não valia que ela colocasse sua família em desgraça ao matar o príncipe herdeiro. Essa imundície repugnante nem deveria estar no esgoto...

Oscar ainda hesitava e continuava observando seus movimentos cuidadosamente.

Será que ele realmente achava que o divórcio era o pior resultado possível? Ela reprimiu um escárnio e continuou a se explicar:


—Não vou parar apenas no divórcio. Farei de você um completo fracasso, uma ruína total. Vou fazer de você o primeiro príncipe herdeiro a levar sua esposa ao suicídio.


Seus olhos se arregalaram em completo choque.


—Meu motivo para me matar é que odeio minha vida com você.


—Inês, você não pode estar falando sério—


—Oscar, não suporto mais um segundo de estar com você.


Quando o sol nascer esta manhã, todos os jornais de Mendoza trarão a notícia de sua morte e sua carta de suicídio na primeira página. Ela já havia comunicado os veículos. As manchetes dirão: “Princesa Herdeira Forçada a Abandonar Sua Vida”. O artigo exporá sua história vergonhosa para o mundo inteiro. Todos em Ortega saberão quão pervertido era o príncipe herdeiro, dormindo com prostitutas e prostitutos sem nome.

Ela apontou a espingarda para a própria cabeça. Pelo canto dos olhos, viu-o se levantar de joelhos. Que satisfação.


Oscar de Ortega, que um dia fora o marido perfeito do império, em breve se tornaria motivo de zombaria em todo o império.

E assim foi que ela acabou se matando, por impulso.


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