The Broken Ring
O Anel Quebrado: Um Casamento Fadado ao Fracasso
Ines Valeztena foi prometida a um príncipe desde criança, mas decide desafiar seu destino. Uma história intensa sobre orgulho, liberdade e segundas chances.
Ler mais
My Alter Ego’s Path to Greatness
My Alter Ego’s Path to Greatness
Um jovem descobre uma habilidade de clonagem incrível antes de se aventurar em mundos paralelos. Ele pode viver várias histórias em um corpo! Uma novel divertida com fantasia e reviravoltas!
Ler mais
Corporação Negra: Joseon
Um inventor obcecado por tecnologia reencarna na Dinastia Joseon como filho do Rei Sejong, o Grande. Determinado a transformar o reino com suas ideias modernas, ele inicia uma verdadeira revolução científica em pleno passado histórico — onde inovação, política e muitas horas extras mudam para sempre o destino de Joseon...
Ler mais
Diários de Uma Apotecária
Arrastada à força para o harém imperial, Maomao — uma apotecária genial, teimosa e perigosamente fascinada por venenos — só quer sobreviver quietinha até ser libertada. Mas seu cérebro afiado não sabe ficar parado. Quando começa a desvendar doenças, intrigas e mistérios que nem os médicos da corte conseguem explicar, ela chama a atenção do homem mais deslumbrante e enigmático do palácio: o eunuco Jinshi. Agora, cada passo que dá a puxa mais fundo para os segredos do império, onde uma análise errada pode matar… e uma descoberta certa pode mudar seu destino para sempre....
Ler mais
I Was The Trash - Aquele Lixo Fui Eu
Reencarnada como a vilã mais desprezada, Tullia Frazier começa do fundo do poço. Com reputação de lixo e estatísticas mínimas, ela precisa virar o jogo. Entre intrigas, aliados inesperados e rivalidades perigosas, cada decisão conta. Será que o “lixo” pode se tornar indispensável? Descubra nessa jornada estratégica e cheia de emoções.
Ler mais

Capítulo 14 — Segunda Vida

A decisão de Inês de encerrar sua primeira vida era lógica, mas ao mesmo tempo completamente ilógica. Os Orteganos eram conhecidos por sua impulsividade. O país tinha uma longa história de mortes e assassinatos vingativos.

Vários imperadores Orteganos haviam estabelecido um rigoroso código de conduta para controlar essa cultura impulsiva, mas o cidadão comum não possuía autocontrole suficiente para pensar nas consequências de suas ações no calor do momento. Quando queriam vingança, conseguiam sua vingança. Quando os Orteganos queriam matar, assim o faziam.
As consequências importavam pouco para eles. Consideravam uma vida sem uma vingança satisfatória como uma vida que não valia a pena ser vivida.

Como muitos Orteganos, Inês também tinha um traço impulsivo. Para dizer de forma mais delicada, ela era uma típica Ortegan “impetuosa” e de "sangue quente". Apesar dessa tendência inata, era suficientemente educada para refletir sobre as consequências de seus atos. Mesmo ao escolher entre terminar sua própria vida ou a de seu marido, ela ponderou as consequências de cada ação. Embora seu marido merecesse morrer, ela não queria enviar toda sua família à forca por sua vingança. 

Sua amada família era inocente. Por isso, decidiu trazer vergonha apenas a Oscar. Isso parecia uma conclusão perfeitamente lógica e ética, dadas suas circunstâncias.
Talvez sua decisão de se matar tenha sido um tanto impulsiva. Mas ela não tinha muitas outras opções. Sua morte não prejudicaria mais ninguém. 

Até mesmo o rato de esgoto que era seu marido não sofreria fisicamente — embora sua reputação e seu orgulho estivessem em pedaços. Uma decisão generosa, de fato.

Ela não esperava nada em troca de sua generosidade. Quando finalmente fechou os olhos, tudo o que queria era uma vida após a morte pacífica. Não lhe restava muito tempo para pensar em outra coisa além do olhar de consternação no rosto do príncipe herdeiro covarde.


✽ ✽ ✽


Seu cérebro deveria ter sido explodido pouco depois do disparo.

Portanto, nunca esperou se ver no meio do campo de caça com a espingarda em mãos. O peso da arma parecia exatamente o mesmo de antes de morrer. Por um momento, pensou que talvez ainda estivesse morrendo. Talvez seu cérebro ainda estivesse no processo de ser explodido.

No entanto, podia sentir claramente seus dois pés sobre o chão sólido. Aquilo não se parecia em nada com a sensação do cano da arma pressionando sua cabeça.

Olhou ao redor e percebeu que reconhecia o local. Era um terreno de caça privado que costumava visitar com seu irmão mais velho, Luciano Valeztena, no Ducado de Perez.

—Isso... não pode ser — sussurrou para si mesma.

Não visitava o lugar desde seu noivado. Sob a vigilância cuidadosa da corte imperial, nunca teve liberdade para fazer muita coisa, muito menos caçar com o irmão ou visitar o Ducado de Perez.

Ela se dirigiu ao lago guiada pelas memórias do local. O lago parecia mais pantanoso do que ela lembrava, mas estava calmo o suficiente para mostrar um reflexo claro. Ela colocou a espingarda ao lado do corpo e se inclinou sobre a superfície da água.

Nas águas calmas, Inês de dezesseis anos olhava para cima, encarando a si mesma.

—Não, isso deve ser um sonho. Um sonho realmente longo... — Inês pediu ao irmão que lhe desse um tapa para fazê-la voltar ao juízo, mas ele apenas sorriu e disse que ela devia estar empolgada demais com sua cerimônia de casamento.

Em vez de continuar implorando ao irmão, ela tentou golpear seu próprio braço com a espingarda.

Quando Luciano viu isso, a derrubou contra a árvore mais próxima para impedi-la.

Ela sentiu dor. A sensação era clara demais, e o momento durou tempo demais para ser apenas uma lembrança antes da morte. Isso significava que ela não estava sonhando agora.

Nesse ponto, Luciano a olhava como se fosse uma louca, mas ela não se importava.

Se seu momento atual não era um sonho, como poderia ter todas aquelas memórias vívidas de sua vida aos vinte e seis anos? Ela lembrava-se de como passou o último ano de sua vida, fervendo de raiva contra Oscar. Também se lembrava de cada zombaria e sarcasmo da corte imperial. Podia recordar cada um dos dez anos que passou com Oscar. Os primeiros anos eram um pouco confusos, mas as memórias recentes eram claras.

Como lembranças tão dolorosas poderiam ser apenas um sonho? Não, ela não podia negar que havia vivido mais dez anos a partir da idade que tinha agora.

Ela continuava tocando o rosto de Luciano para sentir a juventude de sua pele de dezenove anos. Ele ainda estava em seu auge quando ela morreu, mas seu eu de dezenove anos era outra coisa. 

—Não posso acreditar... Luciano tem dezenove anos?

—O que há com você, Inês? Tomou o remédio da mãe por engano? — perguntou ele.

Após o retorno ao castelo de Perez, ela continuou a se comportar de forma errática.
Ela tocava suas criadas e ficava olhando para seus rostos jovens. Chutou um banco finamente esculpido e até bateu na própria mão com um pesado frasco de tinta.

No fim, Luciano a arrastou de volta para o quarto e a enrolou em um cobertor para protegê-la de si mesma. Ela se deitou ali, olhando para o teto por um tempo.

De repente, chamou o irmão:

—Luciano, venha aqui.

—Por quê...? —

—Apenas cale a boca e venha aqui — insistiu ela.

Ele olhou para a irmã com cautela. Ela se contorceu e conseguiu tirar o braço debaixo do cobertor.

—Inês Valeztena, você vai—

Ela segurou as bochechas dele com as mãos e murmurou para si mesma:

—Você é... tão jovem. Tão fresco, Luciano.

Ele se assustou e puxou o rosto para trás. Sua irmã certamente estava agindo de forma estranha.

Juana, a dama de companhia de Inês, inclinou-se para frente e perguntou:

—Meu senhor, acha que a Srta. Valeztena está tomada pela empolgação com sua cerimônia de casamento?

—Não vejo outra razão — respondeu ele. — Há apenas algumas semanas, ela mal podia esperar para se casar, mas agora está agindo assim...

Inês fez um gesto para que sua criada se aproximasse.

—Juana, você venha também.

—Você já tocou meu rosto antes, minha senhora — Juana resmungou.

—Alguma vez te disse como você é bonita?

—Bem, você me disse muitas vezes nesta tarde.

Inês continuava encantada com a juventude de Juana.

—Tão bonita e tão jovem... Olhe para sua pele fresca e firme. Você vai fazer dezessete anos este ano?

Luciano puxou a mão dela no ar e a empurrou de volta para debaixo do cobertor.

—Pare de dizer essas coisas, Inês. Você está parecendo um velho com fetiche por meninas jovens.

Ainda assim, Inês não conseguia desviar os olhos do rosto de Juana.

Em seu sonho, ela teve que deixar o Ducado de Perez ao completar dezesseis anos, para morrer sem nunca mais ver os terrenos de sua família. Quando Oscar levantou seu véu de noiva, ela perdeu seu povo amado, seu belo jardim familiar e sua vista favorita das torres do castelo. Nunca chegou a ver o que aconteceu com Juana ou com as criadas na última década.

No momento, os Valeztenas e todos de Perez pareciam exatamente os mesmos. Como se a última primavera que ela passara ali tivesse sido congelada no tempo.

—Certo, era primavera... — murmurou para si mesma.

—O quê? — perguntou Luciano.

—A primavera ainda não passou — respondeu ela, quase para si.

Luciano a encarou, achando que ela realmente estava enlouquecendo.

—Claro que ainda é primavera, Inês — suspirou. — Você vai se casar com o príncipe herdeiro em quatro meses. Vai partir para Mendoza em quinze dias. Não pode estar se comportando assim—

—Não, eu não vou — interrompeu ela.

—Mãe sempre dizia que os Mendozanos fariam tudo ao seu alcance para encontrar defeitos em você. Sei que você deve sentir que não merece Oscar. Entendo a pressão que deve sentir... —

Ela mordeu o lábio e franziu a testa.

Luciano percebeu a resistência em seu rosto.


—Talvez devêssemos chamar o médico da família, Juana. Olhe para ela. Obviamente não está me ouvindo.

Juana sentiu a raiva de Inês aumentando.

—Hum, eu... advertiria que tenha cuidado, meu senhor... —

—Quem não merece quem?! — gritou Inês. Ela se lançou sobre o irmão e o empurrou para a cama.

Luciano nem teve tempo de protestar antes de ser atingido pela irmã.

—Ai, Inês!

Ela apertou sua garganta e gritou em seu rosto:

—Oscar é quem não me merece! Diga isso. Fale com sua própria boca!

Mal conseguindo respirar, Luciano não conseguiu responder. Como punição por não obedecer, ela o socou ainda mais. Inês sentia claramente a sensação de seu punho atingindo a pele dele. Isso... devia ser real. Ela não tinha dúvidas. De repente, um sorriso travesso se espalhou pelo rosto de Inês enquanto ela se levantava de cima de Luciano. Seu sorriso era assustador.

Ele se esqueceu do que ia dizer por um momento e apenas a encarou.

—Você... realmente está enlouquecendo, Inês? Tomou mesmo o remédio da mãe?

A sensação de socar Luciano era a mesma de socar Oscar, assim como o peso da espingarda no campo de caça lembrava o peso da arma no local de seu suicídio.

Ambas as versões de suas memórias deviam ser reais. Os vinte e seis anos de desespero com Oscar eram tão reais quanto os tolos dezesseis anos em que ela desejava ser sua esposa. Após inúmeras experiências, ela agora tinha certeza desse fato.

De alguma forma, ela havia retornado ao momento antes de sua vida começar a desmoronar, quatro meses antes de sua cerimônia de casamento. Essa devia ser sua recompensa por engolir seu ódio e escolher não ferir mais ninguém.

Essa oportunidade de refazer sua vida era a recompensa por sua paciência. Uma bênção concedida por Deus... ou assim ela pensava.

Ela perceberia o quão enganada estava apenas quando morresse pela segunda vez.


✽ ✽ ✽

Naquele ponto, ela tinha quatro meses até seu noivado, mas apenas duas semanas até sua viagem para Mendoza.
Todos desconsideravam sua declaração de cancelar o noivado com o príncipe herdeiro como uma caprichosa birra de adolescente. Seu pai estava visitando as minas na fronteira de seu território. Se ela escrevesse para ele agora, só receberia resposta depois de chegar a Mendoza.

Infelizmente, aqueles eram dias em que a histeria da Duquesa Valeztena estava em seu auge. Ela raramente queria ver seus próprios filhos, e Inês não era exceção. Quando Inês tentava se aproximar da mãe sobre o noivado, a duquesa atirava pelo menos dez objetos na filha.

Inês decidiu tentar uma tática diferente. Ela já estava noiva de Oscar há dez anos de forma feliz. Não era de se admirar que os outros não levassem a sério sua súbita mudança de opinião. Se Luciano tivesse feito o mesmo com seu noivado, ela mesma não lhe daria a mínima atenção.

Ela sentia a fúria, o ódio e o nojo de Oscar tão vividamente como se fosse ontem. Bem, esses acontecimentos realmente ocorreram apenas no dia anterior, na mente de Inês. Infelizmente, o Oscar de vinte anos ainda não era um libertino irrecuperável. Ele precisaria de mais dois anos antes de começar sua promíscua busca por prostitutas, orgias e devassidão sexual.

Por enquanto, ele protegia sua virgindade pelo bem de sua futura esposa e vivia como um monge. Oscar era a única pessoa na corte imperial que não tinha nada a esconder, e ela ainda não podia arruinar sua reputação. 
Mesmo que anunciasse que ele se tornaria um pervertido lascivo e cheio de doenças em dois anos, ninguém acreditaria nela.

Em dois anos, alguns poucos informados poderiam se surpreender ao ver sua profecia se concretizar, mas a maioria do mundo jamais conheceria seu comportamento repugnante até a morte de Inês. Ela acabaria trancada em uma torre por difamar a família imperial, e os Valeztenas perderiam seu ducado.

Ela não queria desperdiçar essa preciosa chance de reviver sua vida em uma luta tão inútil. Não via sentido em cortar o próprio pescoço em um esforço vão de cortar o dedo dele. Ela já havia se matado uma vez para se vingar dele. Não estava prestes a fazer isso novamente.

—Não posso tolerar morrer duas vezes por causa desse homem inútil — disse a si mesma. 

Porém, também não toleraria se casar com ele.

Sua imaginação disparou. Quando finalmente encontrasse o inocente Oscar de vinte anos em Mendoza, certamente se lançaria sobre ele para estrangulá-lo. Ou vomitaria ao vê-lo nu em sua primeira noite juntos.

No mínimo, acabaria castrando-o no meio da noite. De uma forma ou de outra, sua fúria avassaladora a levaria à forca.

Portanto, Inês precisava se tornar mais astuta.

🏠 Início

Comentários