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Capítulo 22 — A Língua afiada da Duquesa

 —Sabe, Lorde Cárcel — disse a Duquesa Valeztena, arrastando as palavras pela décima primeira vez.

Tudo o que Cárcel havia feito foi oferecer a mão à duquesa quando percebeu que ela estava cambaleando, mas agora se via preso naquela conversa interminável. Ele acenava em concordância com o discurso dela, mas, ao longe, seus olhos foram capturados por Inês, que conversava com Miguel. Desde quando aqueles dois estavam tão próximos?

—Lorde Cárcel, você está ouvindo? — perguntou a duquesa.

Cárcel se virou para ela com um sorriso.

—Claro, Vossa Graça. Toda a minha atenção é sua.

Seu rosto não denunciava o resmungo interno sobre seu irmão e sua noiva estarem perto demais para o seu gosto.

A duquesa suspirou diante de sua expressão atraente.

—Diferente do meu marido, eu sempre gostei de você.

—Vossa Graça me lisonjeia.

—Sempre disse a Inês que você é bom demais para ela. Deve saber que ela não é a filha que eu queria. Ela nunca faz nada do que peço… Sempre me decepciona em tudo que faz.

Cárcel franziu o cenho e semicerrou os olhos. O que ele tinha descartado como o delírio de uma bêbada não era tão inofensivo assim.

—Já reparou como ela me olha? Não tem nenhum respeito ou carinho pela mãe que a gerou. É tão distante e fria comigo quanto é com você. Na verdade, trata você melhor do que a maioria das pessoas. Era uma criança doce, mas se tornou essa menina miserável depois de ter febre… —

Até então, Cárcel só havia trocado gentilezas com a Duquesa Valeztena. Tinha a impressão vaga de que ela era elegante e organizada, e supunha que fosse maternal com seus filhos, mesmo que não aparentasse esse tipo de comportamento diante de outros. Nos anos em que a conhecia, já a vira bêbada algumas vezes. 

Contudo, era a primeira vez que compartilhava uma conversa longa com ela, especialmente uma tão franca. Ao ouvi-la agora, rapidamente revisou sua opinião sobre ela como mãe.

—Desde aquela febre, ela só me decepcionou. Eu só queria uma filha bonita, como qualquer outra. Mas olhe para sua aparência sem graça! Quem consegue suportá-la? —

Cárcel não sabia o que dizer.

—Na verdade, sei que você também não a suporta. Por isso evitou se casar com ela por tanto tempo. Deitar com uma mulher assim deve ser repulsivo…!

Ortega estava cheio de hipócritas que chicoteavam cruelmente seus servos, mas sorriam para os filhos. Na cultura ortegana, a família vinha em primeiro lugar. 

Mesmo que o amor generalizado pela devassidão gerasse filhos demais para contar, cada pai ou mãe tinha ao menos um favorito pelo qual se importava profundamente. Os orteganos tendiam a extremos, tornando-se superprotetores ou possessivos com seus filhos. 

Até então, Cárcel sempre assumira que a Duquesa Valeztena era uma dessas mulheres. Mesmo que fosse fria e pouco acolhedora com o mundo, pensava que seria afetuosa com seus filhos.

—Então, já desistiu agora? Espero que não. Imploro que a conserte. Precisa impedi-la de continuar assim… Ver ela andando por aí desse jeito me sufoca! Ela envergonha meu nome e me condena a uma vida de miséria! —

Infelizmente, Cárcel não conseguiu enxergar uma ponta de amor maternal na Duquesa Valeztena. Em vez disso, seu rosto se marcava pelo desgosto ao falar da filha.

Para ser justo, Inês também não era a filha ideal. Tudo nela — sua personalidade fria, roupas monótonas, comportamento pouco cooperativo — faria qualquer pai ou mãe se preocupar. Até mesmo plebeus teriam dificuldade em compreender seus modos excêntricos, sem falar em uma família nobre como os Valeztena. 

Qualquer outro pai teria repreendido, implorado ou tentado de qualquer maneira mudá-la.

Ainda assim, Cárcel imaginava que o amor parental poderia superar tais aborrecimentos ou incompreensões a longo prazo. Ele sabia que pais frequentemente perdoavam filhos por atos muito mais graves do que se vestir de preto. Sabia até de pais que perdoaram filhos por assassinar irmãos.

Mas, ao contrário do esperado, a Duquesa Valeztena parecia não nutrir tal amor pela filha. Sua demonstração de desgosto era exagerada. Mal havia justificativa para culpá-la por “amaldiçoar” a mãe, quando tudo que Inês fizera era usar roupas que ela não gostava ou não sorrir com frequência suficiente.

—Às vezes penso que alguém deve ter trocado a alma de Inês naquela noite… Ou talvez ela esteja enfeitiçada por um demônio. Você deveria ter visto aquela menina de seis anos me ameaçando com sangue escorrendo do braço… —

O rosto de Cárcel denunciou choque.

—Ela ameaçou se machucar?

—Tudo que tentei foi vesti-la com roupas bonitas. Mas ela continuava recusando e agindo estranhamente de repente… Então, a mergulhei em um barril de água para fazê-la entender. Ah, e depois tirei suas roupas à força. Também a impeço de enfiar comida na boca. Foi só isso — disse a Duquesa Valeztena, segurando o braço de Cárcel como se implorasse por sua concordância. — Você não a viu na hora do jantar? Ela comeu quase tudo, mesmo que tenha apenas uma semana antes da cerimônia de casamento.

Claro, a duquesa estava equivocada. Inês só havia comido uma porção média.

—Ela não come como uma dama nobre. Come como um porco na manjedoura. Se não quer passar maquiagem e cobrir o rosto inútil, deveria ao menos cuidar do corpo, que é a única coisa atraente nela. É meu dever como mãe prevenir atrocidades assim. Preciso garantir que seu futuro marido a deseje! Mas depois daquela noite terrível… nunca mais poderia mandar nela. Desde então, ela sempre esteve feia desse jeito. Não acredito que seja minha filha. Preferia trancá-la em algum lugar onde ninguém a visse… —

Cárcel teve que intervir diante de uma ideia tão ridícula e cruel.

—Vossa Graça, a Senhorita Valeztena é bela, exatamente como está agora.

A Duquesa Valeztena zombou.

—Que tolice. O pai dela diz a mesma coisa, dizendo que devo respeitar a escolha dela, pois deve ter suas próprias razões. Ele ainda diz que a aparência é prova de sua fé. Completamente sem noção. Um vestido preto não a torna modesta ou piedosa de repente. Ela envergonha a mãe e me obriga a ficar em casa — disse a duquesa, fixando o olhar em Cárcel enquanto continuava. 

— Lorde Cárcel, você deve ter conhecido muitas garotas da idade dela. Sabe que ninguém se parece ou age como ela. Você precisa consertá-la!

Cárcel sentiu-se completamente esgotado. Tentando ignorar os pensamentos confusos, virou a cabeça em busca de alguém que o resgatasse daquela conversa. Mas Luciano e o duque não estavam à vista.

—Vossa Graça, não posso consertar sua filha. Não é minha prerrogativa — disse.

—Bem, você será seu marido, o que significa que a possuirá.

Ele corrigiu a duquesa:

—Não, vou me casar com ela. Não a possuirei.

A Duquesa Valeztena soltou um bufar de desprezo pelo nariz.

—Está dizendo isso porque se interessa tão pouco com sua futura esposa? Sei que tem muitas outras amantes… —

Cárcel a cortou firmemente.

—De agora em diante, só conhecerei sua filha.

A duquesa grasnou uma risada como um corvo diante daquele comentário. Inês e Miguel viraram a cabeça com a gargalhada estridente. Temendo que Inês ouvisse a mãe, Cárcel conduziu a duquesa até a janela, abrindo-a para que a brisa abafasse qualquer crueldade que ela dissesse.

Um leve sorriso curvou os lábios da duquesa.

—Veja, Inês conseguiu ao menos um feito que aprecio.

Honestamente, Cárcel não queria ouvir o restante das palavras. Ele olhou para fora da janela, esperando que ela entendesse a indireta.

A Duquesa Valeztena bateu duas vezes no rosto de Cárcel, seu sorriso crescendo a cada palavra.

—Minha filha foi astuta o suficiente para marcá-lo como dela antes que você percebesse. Que jogada genial — murmurou ela, satisfeita. — Imagine se estivesse noiva do príncipe herdeiro. Ele estaria careca em uma ou duas décadas… —

Cárcel franziu o cenho.

—Com licença, Vossa Graça. Gostaria de saber, se posso, o que quer dizer com “antes que eu percebesse”?

A duquesa insinuava que Inês o havia enganado com um plano ardiloso para conseguir o noivado. Na verdade, naquela época, ambos tinham apenas seis anos, e ela era apenas uma menina atraída por um rosto bonito.

—Não se lembra? Quando a imperatriz disse a vocês que deveriam se casar, você chorou o dia todo e a noite toda dizendo que Inês te assustava. —

Cárcel forçou um sorriso. Não havia esquecido aquele episódio, pois todos ao seu redor nunca deixaram de provocá-lo desde aquele dia.

—Lembro-me, mas ainda tinha toda a minha sanidade —

—Lorde Cárcel, você tinha apenas seis anos na época.

—De fato, Vossa Graça.

—Nenhuma criança de seis anos jamais teve juízo próprio tão cedo.

Os ombros de Cárcel caíram. E quanto a Inês? Ela não tinha apenas seis anos também?

—Exceto Inês — sussurrou a Duquesa Valeztena em um tom ominoso, como se tivesse lido sua mente. Sua respiração cheirava a álcool. 

— Ela tinha uma mente extraordinariamente aguçada para a idade. Não se comportava como uma criança. É por isso que disse que devia estar enfeitiçada ou possuída por algum espírito maligno.

Cárcel imaginou que ela estava apenas divagando bêbada. Assim como uma criança de seis anos não poderia ser confiável para tomar decisões sensatas na vida, um bêbado também não poderia ser levado a sério.

Justamente então, para seu alívio, Cárcel avistou o duque pelo canto do olho. Ele fez um sinal para o duque e ergueu a duquesa nos braços do marido para se livrar dela.

Ainda assim, por algum motivo, as palavras da duquesa ecoavam em sua mente:

—Às vezes penso que alguém deve ter trocado a alma de Inês naquela noite… Ou talvez ela esteja enfeitiçada por um demônio.

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