Capítulo 26 — Primeira Noite
Cássel entrou no quarto e curvou os lábios em um sorriso de desprezo ao ver a comida sobre a mesa. Passou pelos pratos sem tocar em nada e se jogou na cama.
— Devo beliscar isso se me exaurir com sexo? — murmurou. Não conseguia entender a lógica de quem preparara aquilo.
A suíte da lua de mel era modesta em tamanho, mas ricamente decorada com tesouros da fortuna Valeztena. Nenhum móvel era novo, mas cada peça exibia uma elegância que só vem com o tempo. Algumas velas quebravam a escuridão. A enorme cama dominava todo o restante do quarto, deixando claro o propósito daquele espaço.
A primeira noite de casamento seria inevitavelmente constrangedora. A ansiedade era uma resposta natural quando um homem e uma mulher, que até então eram estranhos, de repente se encontravam nus em uma cama enorme como aquela. Quando a ansiedade se sobrepunha à tensão sexual, a excitação do casamento desaparecia, revelando a realidade desconfortável de dois corpos suados observando um ao outro no escuro. Assim como pobres casais haviam feito por séculos, Inés e Cássel teriam que consumar sua união pelo bem de suas famílias.
Cássel enxugou o suor ansioso do rosto.
Quem eu estou enganando?
Na verdade, ele estava ansioso por este momento.
A cerimônia e a recepção foram apenas para as aparências. O casamento de verdade estava prestes a começar naquela noite, no quarto deles.
Claro, Mendoza era uma cidade de devassidão, e ninguém realmente esperava que qualquer noiva fosse virgem. Hoje em dia, era costume que os maridos novos fizessem um pequeno corte em seus braços para provar a virgindade da esposa e satisfazer tradições ultrapassadas.
Casamentos entre aristocratas às vezes desmoronavam porque um dos cônjuges se recusava a manter relações sexuais. De repente, ambas as famílias se preocupavam com noções antiquadas de castidade quando esses casais se separavam. Alguns chegavam a combinar que nenhuma atividade sexual havia ocorrido entre eles e anunciavam que a mulher havia mantido sua virgindade.
Esperava-se que nada disso interferisse na vida sexual de Cássel e Inés, contanto que a lua de mel fosse bem-sucedida.
O duque Valeztena ameaçara anular o casamento se fosse necessário, mas Cássel não o levava a sério. Contanto que Inés seguisse seu curso, seu pai não teria chance.
Claro, isso significava que tudo dependia de Inés.
Depois de tantas noites desejando-a, Cássel agora estava muito ocupado em garantir que o casamento fosse bem-sucedido para se preocupar com luxúria. Tudo o que queria era que a noite transcorresse sem problemas.
Quando a noite acabasse, Inés seria realmente a esposa de Cássel Escalante. Ela seria registrada na família Escalante, e os dois poderiam desaparecer rumo à Costa Calztelana, longe do duque Valeztena. Então, Cássel finalmente poderia ficar a sós com Inés.
“Quero… ficar sozinho com ela?” Cássel riu de seus próprios pensamentos.
Era honesto demais para se enganar, mas sabia que soava louco—exceto que a ideia não era tão louca assim.
Ele já decidira passar os primeiros meses de sua vida de casado como recém-casado em Calztela, onde sua divisão estava estacionada. Agora que pensava melhor, as reclamações de seus pais seriam outra fonte de estresse. Precisava estar o mais longe possível de ambos. Não estava tomando essa decisão por um desejo de passar todo o tempo a sós com Inés… certo?
“Devo estar ficando louco,” pensou consigo mesmo. Jurava que suas decisões se baseavam na lógica e na praticidade, não em algum desejo por ela. Cássel rangeu os dentes. Sabia que jurar pela própria vida só provava sua determinação em negar a verdade, não que a declaração fosse verdadeira.
Apesar disso, estava determinado a negar que seu desejo de privacidade com Inés tivesse origem em algum afeto por ela.
Cássel suspirou.
Sabia que não desprezava mais a ideia de casar-se com Inés há algum tempo. Mesmo quando não gostava de casamento, sempre aceitara como um destino inevitável. Dois meses após chorar e se rebelar contra o noivado, percebeu que não desagradava mais Inés. Pensava em seus cabelos de ônix sempre que via um corvo voando, e estalava a língua quando não conseguia encontrá-la na multidão durante um funeral.
Simplificando, acostumara-se com ela. Inés era um rosto familiar.
Quando eram mais jovens, Inés era quem perseguia na relação. Agora que estavam finalmente casados, ela tornou-se indiferente a Cássel. Nem se importava com o que ele fazia ou com quem. Ainda queria se casar com ele por algum motivo, mas não se importava se ele a traísse.
Por que diabos eu deveria gostar de Inés Valeztena, dadas as circunstâncias? Era uma ideia ridícula. Ele pensou que poderia eventualmente se importar com ela, já que não a desprezava. Depois de décadas juntos, imaginou que ela poderia se tornar importante para ele. Mas não conseguia entender por que já se sentia tão ligado a ela, mesmo antes de começar a conviver.
Cássel colocou o rosto nas mãos, com uma careta. Não podia acreditar. Depois de todas as fantasias lascivas e do estresse das últimas semanas, agora só queria que a noite terminasse logo.
Queria culpar essa ansiedade em Enrique Osorno, no duque Valeztena ou até mesmo em Inés, por dançar com os homens que antes a menosprezavam. Quando Enrique dançava com Inés, a irritação borbulhava nas profundezas de sua alma.
Então, Inés aceitava mais uma dança com outro homem inútil, como Dante Ilhar.
Uma veia pulsava em sua mandíbula enquanto rangia os dentes. Como Dante poderia imaginar que minha recém-casada esposa cometeria uma traição com ele?
Enquanto permanecia quieto em seu assento de noivo, Cassel ouvira os cochichos pela sala. Cada homem naquele salão—casado, solteiro ou divorciado—falava sobre Inés. Alguns sussurravam que seduzir com sucesso a esposa de Cárcel provaria que seu charme era superior ao dele. Outros apostavam que Inés jamais manteria Cárcel entretido por muito tempo, não importando sua beleza inesperada.
Outros tramavam como tomar Inés depois que Cássel se cansasse dela e consolá-la com seus corpos.
Cássel fez uma anotação mental de cada voz e, mais tarde, disse ao seu mordomo para registrá-las. Claro, não podia causar confusão enquanto estivesse na mansão Valeztena, sob o risco de irritar ainda mais seu sogro, mas planejava aplicar as devidas consequências a cada um daqueles homens depois.
Ele observou como os homens presentes em seu casamento desejavam os cabelos soltos de Inés, seus olhos verdes, a boca sorridente e o busto farto. Seus rostos refletiam descrença, como se ela os tivesse traído ao ser tão inesperadamente bela. Depois de devorá-la com os olhos, circulavam ao seu redor sempre que a música parava, em busca de uma chance de dançar com ela. Faziam apostas entre si e avaliavam a concorrência. Quando um conseguia tomar sua mão, seus olhares ficavam colados em seus ombros nus.
— Maldição… — Cássel resmungou. Ao se lembrar de como Inés estava mais cedo naquela noite, a sede queimava em sua garganta. Levantou-se e virou-se para pegar uma bebida na mesa.
Só então percebeu que a porta estava aberta. Inés entrou no quarto, vestindo apenas lingerie transparente.
O coração de Cássel disparou e sua respiração falhou por um instante. Ele reconheceu aquele sentimento de pânico e deslumbramento, porque já o sentira quando Inés entrou na capela com seu vestido de noiva.
Inés se moveu, e Cassel tomou isso como prova de que o tempo não havia parado quando ela entrou no quarto. Ela o observou por um momento e, em seguida, aproximou-se. A cada passo, seu camisola delineava suas curvas como uma pluma. Seus seios, sem suporte, saltitavam sob o tecido translúcido a cada movimento.
Cássel lutou para desviar o olhar dos mamilos que se marcavam através da roupa e tentou ainda mais arduamente não olhar para o abdômen suave ou o fio de cabelo entre suas pernas. Contudo, por mais que tentasse, sua visão periférica captava tudo. Evitou o olhar de Inés, tomado por uma estranha sensação de culpa. Mas a atração era forte demais, e ele voltou a encará-la.
Quando seus olhos se fixaram no rosto de Inés, o desconforto diminuiu. Ao menos, isso não era mais um sonho.
Ela deu mais um passo à frente, e seus sapatinhos de veludo fizeram o menor ruído. Seu coração, por outro lado, batia como uma locomotiva em seus ouvidos.
Depois de verificar que o recém-casado realmente estava no quarto, Juana fechou a porta atrás de Inés. O clique lembrou Cássel de que estavam a sós no cômodo.
Tecnicamente, estavam sozinhos, mas não teriam total privacidade. Mesmo que ninguém estivesse ouvindo ativamente, ele sabia que os empregados Escalante e Valeztena se agitavam do lado de fora. As frestas da porta transmitiriam alguns sons e gemidos, por mais grossa que fosse. O sucesso — ou fracasso — da lua de mel seria de conhecimento público ao amanhecer.
Apesar disso, por um instante, Cássel acreditou estar verdadeiramente sozinho com aquela mulher. O resto do mundo parecia silenciado, como se tivessem sido transportados para outra dimensão.
Cássel deu um passo largo em direção a Inés, e a chama da vela vacilou. O rosto dela estava completamente à vista, assim como o dele.
Engoliu em seco e franziu a testa.
— Você veio até aqui… assim? — Quando as palavras saíram, percebeu que soava mais irritado do que pretendia, então sorriu. Infelizmente, o sorriso parecia mais uma careta.
Inés apenas deu de ombros e respondeu calmamente:
— Sim, acho divertido exibir minha silhueta.
A boca de Cássel se abriu. — O quê?
Inés balançou a cabeça e disse:
— Apenas uma brincadeira. Você não viu que Juana me ajudou a me vestir? Não se preocupe — não tenho intenção de expô-lo a qualquer coisa indevida. Fique tranquilo.
Ele não conseguia tirar os olhos de seu busto. Sentiu-se como um garoto novamente, porque o corpo quase nu de Inés era tão inédito para ele. Quando percebeu que estava encarando, suspirou e desviou o olhar.
Os olhos verdes, frios como jade, viram o campo de visão se estreitar diante da sombra imponente de Cassel.
À frente, a cama os aguardava para atravessarem juntos a madrugada.
— Não vai se deitar?
— … Onde?
— Na cama.
Cassel não olhou para o leito; apenas soltou um suspiro pesado.
Era como um caçador inexperiente diante da presa, perdido sem saber por onde começar. A mente em branco, o rosto imóvel — e, ainda assim, o coração batia forte, como se tivesse sido lançado a um lugar distante.
Uma única palavra: cama.
E de imediato, em sua cabeça, desfilaram dezenas de posições com Inés, todas já vividas em sonhos, agora projetadas naquela superfície macia. Mas, mesmo tomado por tais imagens, seus membros permaneceram rígidos, como se estivessem presos. Frustração amarga.
Por um instante pensou que seria incapaz, que seu corpo poderia traí-lo ali. Mas a excitação tomou conta tão rápido que temeu, ironicamente, que aquela intensidade o transformasse em nada mais que um eunuco...
Então aconteceu.
De repente, Inés deixou que o negligé escorregasse lentamente até os pés. Com calma, como quem repete um gesto ensaiado, afastou o tecido sem pressa.
— … Você está…? — murmurou ele, perplexo.
— De qualquer forma, vai ter que tirá-lo. — respondeu ela, firme.
Cássel mal piscou. Observou seu corpo nu em toda a glória. Inés passou os dedos pelos cabelos longos, deixando alguns fios caírem sobre os seios e outros para trás. O cabelo ainda estava ligeiramente úmido pelo óleo perfumado. Ela parecia ainda mais sedutora com o brilho suave das velas iluminando seu rosto pálido.
— Vai manter a roupa? Preciso tirá-la? — perguntou Inés.
O cérebro de Cássel quase não registrou a pergunta. Agora que o cabelo cobria seus seios fartos, finalmente conseguiu voltar o olhar para o rosto dela. A língua dela passou pelos lábios carnudos.
Por algum motivo, isso o excitou mais do que seu corpo nu. Embora já tivesse visto seu rosto milhares de vezes, ela parecia diferente agora.
— Ah, talvez você goste de fazer assim, vestida? Ouvi dizer que algumas pessoas preferem. Posso recolocar se quiser — Inés inclinou-se e alcançou o camisola.
De alguma forma, esse gesto enfureceu Cássel. Como ela podia ser tão despreocupada e calma? Não percebe que está me enlouquecendo?
Ela parecia completamente indiferente à situação. Tratava seu novo marido e a lua de mel com o mesmo desinteresse que teria em uma reunião com um contador.
Ao se inclinar, seus seios balançaram, e o cabelo escorregou pelas costas.
Cássel sentiu novamente a respiração falhar.
— Nem pense em recolocar a roupa. Nunca. Nunca na minha frente — disse com seriedade.
Confusa, Inés assentiu e estava prestes a soltar o tecido quando Cárcel agarrou seu braço.
— Você está perfeita assim — respirou ele.
Os olhos verdes de Inés se arregalaram em surpresa. Ele achou a surpresa encantadora, mas não podia perder tempo apreciando sua beleza. Sua excitação exigia atenção a outras partes do corpo dela.
Cássel inclinou-se para beijá-la, e Inés recuou. Ele não se moveu e, em vez disso, deu um beijo na bochecha. Sua mão segurou os seios dela, e ela ofegou. Ele se posicionou entre suas pernas e a ergueu com uma mão.
Agora, era a vez de Inés ficar sem palavras.
— Pode me deixar no chão — disse ela. — Posso caminhar até a cama sozinha…
Cássel não teve paciência para a reclamação.
— Não sei quanta resistência você tem, então sugiro que a economize ao máximo.
Ela, exasperada, retrucou:
— Quanto esforço se gasta caminhando alguns passos?
— Você deveria ter pensado nisso antes de gastar toda sua energia e atenção com aqueles outros homens no baile.
— Escalante! — exclamou Inés, chocada com a demonstração aberta de ciúmes dele.
As pernas dela pendiam ao lado dele, e sua ereção roçava suas coxas.
Ela não esperava que Cárcel Escalante, de todos os homens, reagisse com tanta intensidade ao corpo nu de uma mulher. Ele deveria ter visto inúmeras outras mulheres igualmente ou mais belas. Além disso, sua figura não estava tão refinada quanto na vida anterior.
Como ele está tão excitado agora? Será que se medicou para cumprir o dever da noite de núpcias? — pensou ela.
Mas bastou um olhar para seu queixo firme para descartar a hipótese. O orgulho de Cássel jamais dependeria de alguma poção. E ele parecia lúcido demais para ser influenciado por qualquer tônico do amor.
O peso da ereção roçou suas coxas novamente, e seu corpo se tensionou a cada toque. A essa altura, ela estava tão distraída que mal notava as mãos dele explorando seus seios.
Inés também sabia. Nesse caso, seria melhor para ambos que ela envolvesse a cintura em torno dele, e que Cassel — já rígido, inegavelmente ereto — buscasse descaradamente seus segredos e resolvesse o assunto mais depressa.
Mas, por mais que se esforçasse, mesmo que aceitasse de mente aberta a ideia de consentir com tudo, havia algo de excessivo em tentar se entregar de forma tão ativa… era ambição demais. E um tronco morto jamais faria aquilo.
Logo, o olhar de Inés se desviou para o teto sobre a cama. Seria como um pedaço de madeira, nunca faria aquilo… Temendo esquecer o que havia aprendido no seu condicionamento mental. Cassel afastou-lhe as pernas e se posicionou entre elas.
Ela apreciava o fato de ele evitar movimentos desnecessários, direto ao ponto, rápido — mas essa rapidez inevitavelmente traria dor. Inés fechou os olhos como se quisesse fugir, tentando apagar da mente a lembrança de todo aquele treinamento psicológico.
Pense na paz.
O mar calmo, a floresta iluminada pelo nascer do sol, a chama crepitante diante da cabana, o vento sussurrando entre as folhas, e então… O volume gigantesco, que já pressionava os músculos internos de suas coxas por baixo da roupa fina, surgiu na sua paz imaginada, obsceno e ameaçador.
Era um casamento arranjado, uma noite de núpcias planejada, parte de um roteiro que ela conhecia. Estava preparada mentalmente. Mas aquele tamanho imponente não fazia parte dos planos…
Sim, é claro, ele tem físico para isso. Claro… mas…
Ainda assim, nunca imaginou que seria tão grande, deifinitivamente não seria fácil levá-lo. Inés apertou os olhos já cerrados, ainda mais. Melhor que fosse de uma vez. Era um problema lidar com algo assim, mas, se fosse inserido, pouco importava o tamanho… No fim das contas, todos os homens eram iguais.
Estariam ocupados apenas em colocá-lo, agitá-lo, empurrá-lo e depois fingir que tinham feito algo grandioso. Portanto, aquilo não era nada. Nada…
— … Não vai colocar? —
Inés, finalmente, perdeu a paciência e falou. Cada segundo arrastava-se como um minuto. Já estava exausta da ilusão de que haviam passado dezenas de minutos, quando na verdade se limitava a abrir as pernas, exposta, com a sensação de que sua intimidade tinha sido exibida em demasia desde o princípio.
Afinal, o sangue quente do corpo era algo que surgia do nada.
Então, por um instante, ouviu uma risada.
Inés franziu o cenho e abriu os olhos.
— Sua expressão… —
“…”
— É como se fosse para a guerra.
Cassel disse isso de forma simples, como se fosse apenas uma constatação. No entanto, o olhar altivo de Inés não mudou, o que o fez acrescentar:
— Não estou rindo de você.
Inés continuou a encará-lo, com as pernas bem abertas. Cássel parecia ter recuperado a calma e até mesmo estar gostando da situação. Seus olhos estavam cheios de bondade, mas isso só irritava Inés ainda mais. Ela não tinha tempo para gentilezas em um momento como aquele.
— Se você não está rindo de mim, continue cumprindo seus deveres — disse ela, com a voz fria e calma.
— Você parece um feitor de escravos — observou Cárcel.
— Só estou lembrando dos seus deveres, Escalante.
Cássel arqueou uma sobrancelha.
— Você ainda vai me chamar pelo meu sobrenome na cama? — Com um sorriso ainda nos lábios, ele desabotoou lentamente a camisa.
Inés notou que ele era excepcionalmente bonito, mas isso não lhe atraía muito naquele momento. Ela cuspiu:
— É só um hábito. Pare de se preocupar com os detalhes. Afinal, esse é o seu nome.
— Escalante é o meu nome, mas agora também é seu. Inés. Agora que compartilhamos o nome, você não pode usá-lo para se referir a mim, se quiser que eu saiba a quem se refere, terá que ser mais precisa. Se continuar tentando parecer distante de mim, terei que te lembrar do seu novo sobrenome toda vez.
Inés franziu a testa.
— Isso não faz sentido. Quando eu me chamaria por mim mesma?
— Mais importante, se você continuar me chamando de Escalante, não posso ter certeza se você está chamando Miguel ou a mim na cama.
— O quê...? — Inés duvidou do que ouviu por um momento.
Cássel continuou a tirar a camisa. Assim que terminou o último botão, jogou-a para o lado. — É por isso que você deve chamar meu primeiro nome quando estiver em êxtase, Inés. Que todos ouçam alto e claro — disse ele.
Ele subiu de quatro e rastejou para cima de Inés esparramada na cama. A luz da vela projetava uma sombra sobre seu corpo nu.
Não havia por que sentir vergonha. Afinal, já estava despida, de pernas abertas diante dele. Vergonha não fazia sentido. Mas Cassel, com aquela presença monstruosa, tão imenso que cobria até seu abdômen, a fazia sentir-se exausta como se tudo já tivesse terminado. Como se uma estátua colossal despencasse sobre ela, Inés moveu as coxas involuntariamente.
Inés fixou o olhar no corpo dele que ocupava toda a sua visão.
Ela se sentiu dominada pela presença dele sobre ela. Seu corpo imponente e sua ereção igualmente avassaladora a intimidavam.
Ela tentou se afastar dele levemente, mas a mão dele a manteve firme no lugar.
O corpo masculino de Cássel era perfeitamente esculpido, como as estátuas que ladeavam a entrada do palácio. Como marinheiro, ele treinara durante anos, e seus músculos rijos eram a prova de seu treinamento rigoroso.
A luz bruxuleante das velas aprofundava as sombras nos sulcos de seus músculos.
Quando ele estava vestido, ela sempre pensara que Cassel era relativamente magro e tonificado para seu corpo, mas agora podia ver que seu torso era grosso em todos os aspectos. Seus olhos percorreram primeiro o abdômen dele, depois a protuberância que ameaçava estourar seus zíperes.
Ela não conseguiu conter um suspiro.
— Hmm, não gosto do som do seu suspiro. — Cássel se inclinou em sua direção, perto o suficiente para que seus lábios quase se tocassem. Quando Inés prendeu a respiração, ele enfiou o polegar entre seus lábios e abriu-lhe ligeiramente a boca.
Inés o lembrou:
— Não... meus lábios.
— Sim. Eu me lembro. — Cássel soltou uma risada baixa e silenciosa. Seus olhos estavam de repente vazios da gentileza de antes, mas cheios de cinismo.
Ele rapidamente recuperou a calma e lhe deu outro beijo casto, como se a estivesse cumprimentando.
Ele não parou por aí.
Os olhos azuis, tão escuros que à sombra pareciam negros, brilharam com um cinismo passageiro antes de se suavizarem. Cassel inclinou-se como se fosse tomar seus lábios, mas apenas deixou um beijo breve na comissura da boca dela, como uma saudação provocadora. Diferente das vezes anteriores, contudo, não se afastou de imediato.
Seus dentes deslizaram pela pele macia da bochecha, mordiscando-a com lentidão, e os lábios seguiram o traço do maxilar até alcançarem sua orelha. A respiração quente o acompanhava, carregada de desejo, e a voz grave murmurou contra o lóbulo sensível:
— Foi você quem disse que tudo estava permitido, contanto que não fossem beijos.
A forma como a palavra saiu, molhada, a fez corar de vergonha muito mais do que a nudez. Inés virou o rosto, como se assim pudesse escapar daquela carícia ardente.
Mas o corpo de Cassel não permitia espaço algum. A pressão firme em sua cintura a esmagava contra ele, como se estivesse pronta para abrir cada um de seus segredos a qualquer instante.
— N-não quis dizer que tudo era assim… — murmurou, sem forças.
Cassel riu baixo, a voz grave vibrando contra sua pele.
— Então, se não funciona desse jeito… devo lavar você de pés à cabeça?
— Hah… ah…
— Ou será que devo marcar seu corpo inteiro, como se fosse um mapa? Há quem goste. Outros, nem tanto.
— Cassel, não… não faça isso… — balbuciou, a voz entrecortada.
— Não?
— Não é que eu não goste… mas é que…
As palavras morriam em sua boca. Ela não planejava recusar, mas também não conseguia admitir. Não era exatamente incômodo — era algo mais raro, estranho demais para definir. Pesado. Intenso. E justamente por isso, insuportavelmente arrebatador.
— Mas? — Cássel a incentivou a terminar a frase.
— Mas parece... estranho. — concluiu ela.
Cássel riu da resposta dela. Seus olhos se tornaram travessos, e ele a avisou:
— Nem começamos a falar das sensações estranhas.
Os lábios de Cássel seguiram o decote de Inés e pairaram sobre seus seios. Ele mordeu sua pele algumas vezes com força suficiente para deixar uma marca e então sugou a marca. Em cada ponto em que seus lábios tocavam, novas mordidas de amor apareciam, parecendo como pétalas de rosa caindo sobre seu corpo.
Com a mão grande e firme, Cassel envolveu um dos seios dela, apertando-o de leve antes de cobrir a pele farta com seus lábios quentes. A cada sucção, a pressão aumentava, até que Inés se viu meio erguida no ar, sustentada desde as nádegas até as pernas abertas.
O prazer vinha acompanhado de uma dor fina que a fazia franzir o cenho, enquanto seus dedos se enredavam no cabelo dele. Cassel sugava com voracidade, esmagando-lhe o seio entre os dedos, torcendo o mamilo até fazê-la arfar, para depois abocanhar tudo — da ponta sensível até a auréola — sugando como se quisesse marcá-la por dentro.
Ver aquele corpo imenso, inteiramente dedicado a devorar seus peitos, a deixou tonta, sem chão. Ele não escondia sua obstinação nem sua seriedade — o mesmo rigor que demonstrava em qualquer outra situação. Agora, porém, ela percebia que seria impossível contê-lo sozinha. Era preciso suportar, até onde conseguisse.
— C-Cassel… assim não… — gemeu, a voz embargada.
Ele ergueu os olhos, ainda com o mamilo prisioneiro entre os lábios, e murmurou contra sua pele:
— Então… onde? Se não aqui, entre suas pernas?
A pergunta, feita com uma naturalidade absurda, a paralisou. Seu rosto continuava impecável, disciplinado como quando trajava o uniforme — mas os lábios molhados, grudados em seu peito, transformavam a cena num sonho indecente e impossível de ignorar.
— N-não… não! — respondeu, ofegante, sacudindo a cabeça.
Cassel apenas deslizou a boca, espalhando beijos pela curva do queixo, pelas bochechas, pelo nariz, até alcançar a testa.
— E depois? — provocou, com calma.
— Cassel… você me deixa… louca… eu não consigo nem falar direito…
— Está reclamando de um beijo que não gostou? — a voz dele, baixa, vibrava contra sua pele.
— Você… você vai mesmo querer confirmar isso agora? Cassel, por favor… espera… só um momento… ah…!
Enquanto umedecia a clavícula dela com beijos lentos, a mão grande não parava de pressionar entre suas pernas, roçando e friccionando até fazê-la tremer. O rosto parecia atento, como se escutasse cada súplica, mas o corpo não concedia trégua.
Inés tentou conter o gemido, mas falhou quando a fricção se intensificou, como se ele quisesse moldá-la à própria palma.
— Isso… não pode… Cassel…
Ele ergueu o olhar, a respiração quente contra seu peito.
— O que não posso?
— Sei que… você só quer me fazer sentir prazer…
Um sorriso breve curvou-lhe os lábios.
— E ainda não sente?
De repente, a mão que segurava seu peito voltou a brincar com os mamilos, agora eretos e sensíveis à menor pressão dos dedos dele. Cassel sorriu de repente.
— No entanto, não acho que seja tão ruim.
— Então é isso… você está tentando me fazer sentir bem, não é? — ela murmurou, um pouco confusa.
— Não entendo… quer dizer que não está gostando?
Depois de um instante, sentindo novamente a firmeza de seus dedos, Cassel envolveu todo o seio de Inés e puxou suavemente o ápice.
— Não gosta de se sentir bem?
— … Não sou uma pervertida… — balbuciou ela, a voz trêmula.
— Não é perversão gostar que toquem seus mamilos desse jeito, Inés.
— Não, não é isso… Então… não sou uma pervertida, mas também não odeio sentir prazer…
— Então… está tudo bem se eu puxar seus mamilos?
— O-ó… o quê?
— Está gostando?
A pergunta veio séria, quase científica, enquanto ele beliscava os mamilos novamente, observando cada reação dela como se estivesse investigando ou experimentando um fato. Não havia provocação, nem escárnio — apenas seriedade quase clínica.
Inés sentiu-se como se tivesse sido submetida a um questionário de revista semanal. Desconfortável, desviou o olhar, enquanto Cassel, franzindo ligeiramente o cenho sobre a testa perfeita, insistia:
— Está tudo bem ou não?
— C-como…? — ela gaguejou.
— Lembre-se: se não gostar, não vou repetir.
— Está… está bem… — respondeu, o coração acelerado.
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