Capítulo 26 — Primeira Noite
Cássel, que fora o primeiro a entrar nos aposentos nupciais, soltou uma risada curta diante da refeição leve disposta sobre a mesa. Passando direto por ela, aproximou-se da cama e sentou-se.
— …… Se você sentir fome no meio da noite, serve para beliscar e comer.
Pensar em preocupações tolas só servia para aumentar o nervosismo.
Os aposentos nupciais não eram luxuosos nem excessivamente espaçosos. No entanto, antiguidades valiosas da família Valeztena, com uma longa história, e móveis antigos, mas ainda imponentes e belos, estavam espalhados por todo o cômodo. Aquela decoração transmitia muito mais elegância do que um quarto espalhafatoso e repleto de novidades modernas.
Era um tanto cômico ver algumas velas acesas lutando contra a escuridão e uma cama que parecia grande demais para as dimensões do quarto, mas a maioria dos aposentos nupciais era exatamente assim.
Se os noivos fossem colocados no centro de um quarto vasto e desproporcional, em uma noite tão desconfortável onde um homem e uma mulher quase estranhos estão prestes a se unir, começariam a suspeitar que alguém os vigiava escondido nas sombras que as velas não conseguiam iluminar. Exatamente como os lamentáveis casais jovens de outrora, há mais de cem anos, quando eram forçados a consumar o casamento tolamente sob o olhar atento de testemunhas da família.
Felizmente, os tempos mudaram e eles teriam a privacidade apropriada para selar a união. Sim, era como concluir um contrato... usando os corpos.
Ele cobriu o rosto com as mãos, esfregando-as com nervosismo para afastar a tensão.
"Quem eu estou enganando?"
Na verdade, ele estava ansioso por este momento.
Sim, a consumação poderia ser um processo muito doce. A cerimônia na capela e os banquetes celebrados para comemorar o sagrado matrimônio serviam, essencialmente, para exibição pública. O casamento real só se consolidava de madrugada.
O matrimônio entre nobres era algo que podia ser revogado como se não fosse nada no dia seguinte, sob o pretexto de não ter havido uma relação direta nas primeiras horas da noite. Quando as partes não chegavam a um acordo sobre os termos e condições do dote, às vezes até forçavam uma situação para que os noivos não se tocassem. Assim, uma mulher que não era virgem voltava a ser considerada pura perante a lei.
Na verdade, se a noiva era virgem ou não, era um detalhe que guardava pouco significado prático na alta sociedade de Mendoza, onde as tendências liberais e promiscuas predominavam. O novo costume dita que o marido apresente um pequeno corte na parte interna do pulso — invisível para os outros — para manchar o lençol, apenas para simular a velha tradição de cem anos atrás e poupar as aparências.
Mesmo assim, no instante em que o enredo de uma "anulação" entrava em pauta, as famílias aristocráticas subitamente iniciavam uma disputa provinciana e antiquada, alegando que sua filha ainda era um lírio puro ou que a jovem já havia perdido a inocência para o rapaz, como se as pessoas tivessem retrocedido séculos no tempo. Todos ficavam ocupados com as aparências.
É claro que isso raramente acontecia, desde que a noite de núpcias corresse sem incidentes.
Cássel ironizou mentalmente a ameaça do Duque de Valeztena, que dissera: 'Eu desfaço este casamento se você fizer qualquer besteira'. Enquanto Inês quisesse, seu pai não seria capaz de derrubar absolutamente nada…… Desde que Inês continuasse querendo este casamento.
Como uma compensação pelos sonhos cruéis que o atormentavam dia e noite, a cabeça de Cássel — que antes apenas contava as horas para a chegada da noite — agora estava cheia de pensamentos solenes sobre o "sagrado matrimônio". Enquanto isso, o desejo carnal parecia ter ficado contido em segundo plano.
Quando a noite acabasse, Inês seria realmente a esposa de Cássel Escalante. Ela seria registrada na família Escalante, e os dois poderiam desaparecer rumo à Costa Calztera, longe do duque Valeztena. Então, Cássel finalmente poderia ficar a sós com Inês.
“Quero… ficar sozinho com ela?” Cássel riu de seus próprios pensamentos.
Ele já decidira passar os primeiros meses de sua vida de casado como recém-casado em Calztera, onde sua divisão estava estacionada. Agora que pensava melhor, as reclamações de seus pais seriam outra fonte de estresse. Precisava estar o mais longe possível de ambos. Não estava tomando essa decisão por um desejo de passar todo o tempo a sós com Inês… certo?
“Devo estar ficando louco,” pensou consigo mesmo.
Jurava que suas decisões se baseavam na lógica e na praticidade, não em algum desejo por ela. Cássel rangeu os dentes. Sabia que jurar pela própria vida só provava sua determinação em negar a verdade, não que a declaração fosse verdadeira.
Apesar disso, estava determinado a negar que seu desejo de privacidade com Inês tivesse origem em algum afeto por ela.
Cássel suspirou.
Sabia que não desprezava mais a ideia de casar-se com Inês há algum tempo. Mesmo quando não gostava de casamento, sempre aceitara como um destino inevitável. Dois meses após chorar e se rebelar contra o noivado, aos seis anos, percebeu que não desagradava mais tanto assim a ideia. Pensava em seus cabelos de ônix sempre que via um corvo voando, e estalava a língua quando não conseguia encontrá-la na multidão durante um funeral.
Simplificando, acostumara-se com ela. Inês era um rosto familiar.
Quando eram mais jovens, Inês era quem perseguia na relação. Agora que estavam finalmente casados, ela tornou-se indiferente a Cássel. Nem se importava com o que ele fazia ou com quem. Ainda queria se casar com ele por algum motivo, mas não se importava se ele a traísse.
"Por que diabos eu deveria gostar de Inês Valeztena, dadas as circunstâncias?"
Era uma ideia ridícula.
Ele pensou que poderia eventualmente se importar com ela, já que não a desprezava. Depois de décadas juntos, imaginou que ela poderia se tornar importante para ele. Mas não conseguia entender por que já se sentia tão ligado a ela, mesmo antes de começar a conviver.
Cássel colocou o rosto nas mãos, com uma careta. Não podia acreditar. Depois de todas as fantasias lascivas e do estresse das últimas semanas, agora só queria que a noite terminasse logo.
Tudo aquilo era culpa de Enrique Osorno. Talvez dez por cento da culpa fosse do Duque de Valeztena, que mencionara o nome daquele sujeito primeiro; e outros dez por cento se devessem àqueles nobres que sempre orbitavam o salão como vermes, somados ao comportamento inesperado de Inês, que dançara com eles como se fosse uma noiva qualquer.
Contudo, quem de fato havia cruzado a linha fora Enrique Osorno.
Quando Cássel pensava no rosto de Enrique enquanto este dançava com Inês, mal conseguia conter a fúria. Mas ao lembrar dos homens que cercaram a pista logo em seguida, tentando induzi-la a dançar, até a sua irritação inicial com o neto do Duque parecia branda.
Todos eles eram como Dante Ihar. Inclusive, o próprio Dante estava no meio deles. Aquele futuro calvo perdera a sua vez para Enrique Osorno em um piscar de olhos e exibia uma expressão patética no rosto……
Cássel não estava em posição de criticar os hábitos libertinos de ninguém, mas ver aqueles sujeitos assistindo à recém-casada dançar e, em seus cérebros distorcidos, imaginarem que ela teria um caso com eles num futuro próximo era intragável. Os casados, os solteiros, os divorciados…… todos os olhos que vigiavam Inês estavam imersos no mesmo delírio insidioso que consumia o próprio Cássel.
Alguns murmuravam que seduzir a esposa de Cássel Escalante seria a prova definitiva de que eram superiores a ele. Outros sustentavam o olhar na direção dele, apostando que, por mais deslumbrante que Inês Valeztena fosse, ele jamais seria capaz de dominá-la. Havia ainda aqueles que buscavam a aprovação dos demais afirmando o quão fácil seria "consolar" uma mulher negligenciada, torcendo para que Cássel a abandonasse o quanto antes.
Cássel fez uma anotação mental de cada voz e, mais tarde, disse ao seu mordomo para registrá-las. Claro, não podia causar confusão enquanto estivesse na mansão Valeztena, sob o risco de irritar ainda mais seu sogro, mas planejava aplicar as devidas consequências a cada um daqueles homens depois.
Ele observou como os homens presentes em seu casamento desejavam os cabelos soltos de Inês, seus olhos verdes, a boca sorridente e o busto farto. Seus rostos refletiam descrença, como se ela os tivesse traído ao ser tão inesperadamente bela. Depois de devorá-la com os olhos, circulavam ao seu redor sempre que a música parava, em busca de uma chance de dançar com ela. Faziam apostas entre si e avaliavam a concorrência. Quando um conseguia tomar sua mão, seus olhares ficavam colados em seus ombros nus.
— Maldição… — Cássel resmungou. Ao se lembrar de como Inês estava mais cedo naquela noite, a sede queimava em sua garganta. Levantou-se e virou-se para pegar uma bebida na mesa.
Só então percebeu que a porta estava aberta. Inês entrou no quarto, vestindo apenas lingerie transparente.
O coração de Cássel disparou e sua respiração falhou por um instante. Ele reconheceu aquele sentimento de pânico e deslumbramento, porque já o sentira quando Inês entrou na capela com seu vestido de noiva.
Se ela não tivesse continuado a se mover, ele teria pensado, erroneamente, que o tempo havia parado, e não a sua própria respiração. Inês deteve-se à porta e o encarou por um momento; depois, caminhou em sua direção com passos tão fluidos que parecia deslizar.
O negligé, fino como a asa de uma libélula, colava-se às suas curvas voluptuosas a cada movimento, para logo cair de novo. Contrariando a elegância do passo, seus seios balançavam livres sob a seda, criando ondas contínuas no tecido delicado. Cássel tentou, em vão, ignorar o contorno dos mamilos que se destacavam sob a transparência alva, além do ventre esguio logo abaixo e da sombra do arbusto secreto que se desenhava na penumbra.
Tudo nela parecia perfeito demais, sem o menor esforço. "Ah, que maldição……"
Acometido por um súbito e estranho sentimento de culpa, ele desviou o olhar como se tentasse escapar daquela visão; porém, incapaz de vencer o próprio impulso, voltou a encará-la, rendido à impotência. Se não continuasse olhando, temia acordar e descobrir que tudo não passara de um delírio…… E talvez fosse. Ele nunca havia sonhado com uma Inês Valeztena tão ousada, e ele próprio não era nenhum tolo.
Envoltos em cetim azul, as sapatilhas elegantes de Inês produziam um ruído quase imperceptível ao roçar o tapete. Ainda assim, a cada passo silencioso que ela dava, um estrondo ecoava nos ouvidos dele — um som que Cássel, após alguns segundos de torpor, reconheceu como as batidas estúpidas do seu próprio coração.
Atrás dela, Juana fechou a porta sem fazer barulho. Cumprindo o protocolo rígido de certificar a privacidade do casal na noite de núpcias, a fiel criada só se retirou quando a sua senhora se deteve a apenas três passos do noivo.
Do lado de fora, os principais guardas e assistentes das Casas de Valeztena e Escalante, incluindo Juana, fariam a vigília. Originalmente, séculos atrás, aquela era uma tarefa que os próprios familiares faziam; mas os tempos eram outros. Na Mendoza atual, não existiam mais nobres dispostos a passar a noite em claro diante da porta alheia, contando os minutos para saber quando o herdeiro finalmente consumaria o ato.
Graças a essa evolução, os noivos eram poupados do constrangimento de encarar parentes fofoqueiros pela manhã. Em contrapartida, se abrissem a porta de súbito, encontrariam os servos perfilados, esperando a alvorada com rostos exaustos. Por mais espessa que fosse a madeira, era impossível impedir que os sons mais intensos escapassem pelas frestas.
Contudo, assim que a tranca fechou, Cássel foi tragado por um silêncio absoluto. Era como se ele e ela fossem os únicos sobreviventes no mundo. Como se todo o resto da humanidade estivesse exilado além daquela parede……
Mentalmente, ele mandou todos os que estavam no corredor para o inferno, eliminando de vez a distância de poucos passos que Inês havia deixado entre eles.
As velas sobre a mesa oscilaram quando Cássel se adiantou, fazendo com que as sombras dos dois se alongassem pela parede. Agora, podiam ver o rosto um do outro claramente.
— ……
— ……
O silêncio entre eles era denso e perfeito, mas ele não sabia quanto tempo conseguiria sustentá-lo. Inês, medindo a reação do marido, fitava-o com uma expressão sutil: não sorria, não franzia o cenho, mas também não demonstrava total indiferença. Vindo dela, aquilo já podia ser considerado um sinal de extrema boa vontade. E mais ainda em uma situação daquelas, na qual todo o seu corpo estava exposto de forma tão flagrante — ela, que costumava se cobrir rigidamente com vestidos escuros……
O olhar de Cássel desceu novamente para o colo descoberto. O ar seco arranhou a sua garganta ao engolir em seco. Sua fisionomia contraiu-se devagar.
— Você veio até aqui… assim? — Quando as palavras saíram, percebeu que soava mais irritado do que pretendia, então sorriu. Infelizmente, o sorriso parecia mais uma careta.
Inês apenas deu de ombros e respondeu calmamente:
— Sim, acho divertido exibir minha silhueta.
A boca de Cássel se abriu.
— O quê?
Como se não estivesse com paciência para digerir piadas daquela natureza, Inês pareceu ligeiramente ofendida. Ela balançou a cabeça e disse:
— Apenas uma brincadeira. Você não viu que Juana me ajudou a me vestir? Não se preocupe — não tenho intenção de expô-lo a qualquer coisa indevida. Fique tranquilo.
No entanto, os olhos de Cássel continuavam cravados nos seios dela, sem se mover um milímetro.
A princípio, o escrutínio dele parecia fruto de uma dúvida impaciente; agora, contudo, revelava uma tenacidade quase infantil, como a de um rapaz que contempla o corpo de uma mulher pela primeira vez. E ela sequer estava totalmente nua…… Cássel logo deu-se conta do que seus próprios olhos faziam. Soltando um suspiro exasperado, passou a mão pelo rosto para enxugar o suor frio que brotava em sua testa.
Por um breve instante, a sorte pareceu soprar a favor dele. Os olhos de Inês desviaram-se para a comida sobre a mesa com um vislumbre de puro remorso.
É claro que foi apenas momentâneo. Fosse como fosse, aquela precisava ser uma noite impecável para ela…… Afinal, o "trabalho" deveria ser rápido, e quando Cássel terminasse, ela finalmente poderia colocar algo na boca. Inês renunciou aos seus pequenos arrependimentos estomacais e instalou o sentido do dever em seu lugar.
Como quem segue um cronograma rigoroso, as pupilas verdes e frias de Inês buscaram o que estava além do bloqueio físico que o grande corpo de Cássel impunha à sua frente. Lá estava ela: a cama onde passariam a madrugada.
— Você não vai?
— …… Para onde?
— Para a cama.
Cássel sequer olhou para trás. Em vez de responder, limitou-se a suspirar. Ele se sentia como um sujeito anestesiado, sem saber por onde começar; sua mente havia se tornado uma folha de papel em branco. Mas bastou que a palavra "cama" ecoasse no ambiente para que o sangue corresse feroz pelas suas veias, fazendo-o se sentir em um plano completamente diferente.
Bastara ela pronunciar aquela única palavra…… Instantaneamente, dezenas de posições e cenários com Inês — os mesmos que ele já havia experimentado em seus sonhos mais profanos — desenrolaram-se sobre aquele colchão em sua mente. No entanto, enquanto sua imaginação voava, seus membros continuavam rígidos, como se estivessem travados.
Um contraste patético.
Ele pensou que aquela tensão o deixaria incapacitado, mas, no segundo seguinte, o calor concentrou-se abaixo de sua cintura de forma avassaladora. O fogo do cio o dominou, afastando qualquer temor de impotência perante a esposa.
Foi nesse exato momento.
De repente, Inês deixou o negligé escorregar pelo corpo, deixando-o cair aos seus pés, e deu um passo lento para fora do tecido. Fez isso com um desprendimento tão natural que parecia ter praticado aquele desnudamento inúmeras vezes.
— …… Você…… o que está fazendo?
— Você teria que tirá-lo de qualquer maneira.
— ……
— Quis apenas poupá-lo do trabalho.
Enquanto Cássel, incapaz de piscar, a devorava de pés a cabeça, Inês jogou os longos cabelos sobre o peito e para trás das costas, agindo como se o marido fosse invisível por um instante. Os fios, ainda ligeiramente úmidos e impregnados de perfume, reluziam sob a luz das velas, conferindo ao rosto pálido de Inês uma aura quase mística.
— E você? — perguntou ela, quebrando o transe.
— ……
— Vai continuar vestido?
— ……
— Quer que eu o ajude a tirar?
Inês continuava a ditar as perguntas com uma calma cirúrgica. Mas nada daquilo chegava de fato aos ouvidos de Cássel. Os seios magníficos dela, revelados em toda a sua plenitude, estavam parcialmente cobertos pelas mechas escuras, mas ele estava completamente obcecado.
Ironicamente, o que mais o enlouquecia não era o desconhecido, mas a constatação de que aquele corpo nu correspondia perfeitamente a cada detalhe que ele julgava conhecer apenas através de seus delírios noturnos. A luxúria surgiu como se ele tivesse engolido fogo puro; ele passou a língua pelos lábios secos, tentando recuperar a voz.
— Ah…… você prefere que eu continue de camisola? Ouvi dizer que existem homens com esse tipo de preferência.
— ……
— Eu posso vesti-la de novo se quiser.
Ela inclinou-se ligeiramente, agachando-se para apanhar o tecido do chão, exibindo a curva perfeita de suas costas. Cássel sentiu que estava prestes a perder a sanidade, mas, para Inês, aquilo era apenas o início do protocolo.
De repente, Cássel foi tomado por uma fúria avassaladora. "Como ela podia ser tão despreocupada?"
Mesmo que estivessem nas primeiras horas da madrugada e ele fosse o noivo, aquilo não justificava a atitude dela. Com uma única palavra, um único gesto, ela o fazia perder completamente o juízo para, logo em seguida, agir como se tanto fizesse o que ele estava vendo ou deixando de ver……
Não seria justo dizer que ela estava apenas brincando com ele? Mas, no instante em que pensou isso, Cássel foi forçado a admitir que Inês era a pessoa mais enigmática e fascinante que já conhecera. Sobretudo agora que era Inês Valeztena — não, que ela carregava o sobrenome Escalante, uma mudança que ela mesma arquitetara sob o seu total capricho.
Mas ele jamais se sentira tão vulnerável quanto hoje.
As mechas do cabelo dela deslizavam para os lados pelas costas ligeiramente curvadas, enquanto seus seios, livres do tecido que ela começara a puxar do chão, moviam-se diante dele, desafiando qualquer controle que lhe restasse.
Cássel já estava assombrado de novo.
"Quem, afinal, estava brincando com quem ali?"
Ele respondeu, engolindo um suspiro áspero e sibilante que queimou em sua boca:
— …… Não precisa se vestir de novo. E nunca mais ouse fazer algo assim na minha frente.
No exato momento em que Inês se preparava para obedecer mansamente, trazendo o negligé de volta ao corpo, Cássel a segurou firmemente pela parte superior do braço. Ele não tinha a menor intenção de permitir que ela se cobrisse com aquela falsa inocência.
E ele a puxou para si com uma força muito mais impetuosa do que Inês jamais previra.
— Porque você já está perfeita exatamente assim.
Por uma rara fração de segundo, os olhos verdes dela se arregalaram em surpresa. Aquela expressão era de uma beleza encantadora, mas Cássel não tinha tempo para uma apreciação pausada. A constatação de quão adorável ela ficava vulnerável fez com que o seu pau ficasse ainda mais rígido.
Ele inclinou a cabeça, pronto para tomar os lábios dela a qualquer momento. Inês, com o olhar ainda sobressaltado, tentou desviar o rosto para evitar o beijo, mas Cássel pressionou os lábios com firmeza na base de sua bochecha e, sem qualquer aviso prévio, espalmou a mão contra o seio dela.
Ela perdeu o fôlego em uma lufada rápida. Antes mesmo que se desse conta, a perna dele já havia se deslizado firmemente entre as coxas nuas dela.
— ……!
Inês viu-se com as pernas desalinhadas sem poder fazer nada para impedir, restando-lhe apenas humedecer os lábios em silêncio, tomada por um misto de desespero e resignação que se repetia internamente.
Agora, era a vez de Inês ficar sem palavras.
Ela sentiu a grande palma da mão dele envolver a curva inferior de suas nádegas. No segundo seguinte, o seu corpo foi elevado no ar com uma facilidade impressionante, parecendo tão leve que chegava a dar pena diante do vigor implacável de Cássel.
Tudo sustentado pela força de uma única mão masculina.
— Pode me deixar no chão — disse ela. — Posso caminhar até a cama sozinha…
Cássel não teve paciência para a reclamação.
— Não sei quanta resistência você tem, então sugiro que a economize ao máximo.
Ela, exasperada, retrucou:
— Quanto esforço se gasta caminhando alguns passos?
— Você deveria ter pensado nisso antes de desperdiçar sua energia e atenção com aqueles outros homens no baile.
— Escalante! — exclamou Inês, chocada com a demonstração aberta de ciúmes dele.
Suas pernas, forçadas a se abrir, prenderam-se contra as coxas firmes dele enquanto ela cambaleava sem controle no ar. O homem, cuja masculinidade já se destacava brutalmente por baixo do tecido fino da calça, pressionava e roçava contra o interior de suas coxas trêmulas.
"Em que momento as coisas saíram do controle?……"
Inês tentava recapitular as suas próprias ações. Mas não importava o quanto pensasse, ela não havia feito nada de mais. Ao entrar nos aposentos nupciais, apenas deixara a roupa cair há alguns instantes…… Fora só isso. Apenas caminhar e tirar a roupa.
Um homem com a estatura e a experiência de Cássel Escalante não deveria reagir de forma tão avassaladora e rápida apenas porque uma mulher se despira. Ele com certeza já vira todo tipo de corpos femininos deslumbrantes, e o corpo atual de Inês sequer era tão perfeito quanto o de sua primeira vida. Mesmo que fosse impecável, justificaria toda aquela urgência?
"Como ele está tão excitado agora? Será que se medicou para cumprir o dever da noite de núpcias?"
Mas bastou um olhar para seu queixo firme para descartar a hipótese. O orgulho de Cássel jamais dependeria de alguma poção. E ele parecia lúcido demais para ser influenciado por qualquer tônico do amor.
O peso da ereção roçou suas coxas novamente, e seu corpo se tensionou a cada toque. A essa altura, ela estava tão distraída que mal notava as mãos dele explorando seus seios.
Inês também sabia. Nesse caso, seria melhor para ambos que ela envolvesse a cintura em torno dele, e que Cássel — já rígido, inegavelmente ereto — buscasse descaradamente seus segredos e resolvesse o assunto mais depressa.
Mas, por mais que se esforçasse, mesmo que aceitasse de mente aberta a ideia de consentir com tudo, havia algo de excessivo em tentar se entregar de forma tão ativa… era ambicioso demais. Ela deveria agir com um pedaço de madeira sem vida.
Finalmente, o olhar de Inês desviou-se para o teto acima da cama. Um pedaço de madeira inanimado nunca faria aquilo…… Temendo que o seu próprio autocontrole vacilasse, ela cedeu quando Cássel abriu as pernas dela e se posicionou entre elas.
Inês até apreciava o fato de ele omitir preliminares desnecessárias para ser mais rápido, mas sabia que aquilo logo causaria dor. Esquecendo-se por um instante de racionalizar a situação, ela fechou os olhos como se buscasse uma rota de fuga.
"Pense na paz."
O mar calmo, a floresta iluminada pelo nascer do sol, a chama crepitante diante da cabana, o vento sussurrando entre as folhas, e então… O volume gigantesco, que já pressionava os músculos internos de suas coxas por baixo da roupa fina, surgiu na sua paz imaginada, obsceno e ameaçador.
Era um casamento arranjado, uma noite de núpcias planejada, parte de um roteiro que ela conhecia. Estava preparada mentalmente. Mas aquele tamanho imponente não fazia parte dos planos…
"Sim, é claro, ele tem físico para isso. Claro… Mas…"
Não importava o quanto tentasse se convencer, achava um absurdo que fosse tão ignorante e absurdamente grande…… Inês apertou as pálpebras já fechadas com ainda mais força.
Melhor que fosse de uma vez. Seria um problema acomodar algo daquele tamanho, mas, uma vez dentro, não importaria quão grande fosse…… Afinal, todos os homens eram iguais no final.
Ele ficaria ocupado tentando encaixar, movendo-se, despejando tudo e depois fingindo que havia realizado um grande feito. Então, aquilo não era nada.
Não era nada……
— …… Você não vai colocar de uma vez? — Inês finalmente perdeu a paciência e disparou.
Naquele momento, onde cada segundo parecia arrastar-se por um minuto, ela já estava exausta pela ilusão de que dezenas de minutos haviam se passado. Ficar ali com as pernas abertas dava-lhe a incômoda sensação de que suas partes mais íntimas estavam sendo expostas em uma vitrine. Aquilo fazia o seu sangue aristocrático ferver de pura irritação.
Por um instante, ela ouviu o som de uma risada baixa. Inês franziu levemente o cenho e abriu os olhos.
— A sua expressão……
— ……
— É como a de alguém que está marchando para a guerra.
Como se aquela fosse a única explicação para a demora, Cássel respondeu com simplicidade. Ainda assim, o olhar desdenhoso e impaciente de Inês continuava o mesmo, o que o levou a acrescentar:
— Não estou rindo de você.
Inês manteve as pernas abertas e sustentou o olhar com altivez. Cássel, que parecia um tanto impaciente quando a erguera nos braços, agora exibia um semblante relaxado, sem qualquer sinal de pressa. Ele ostentava uma expressão quase divertida e um olhar suave e atencioso, o que a irritava profundamente.
Não havia necessidade de diversão ou consideração naquele trabalho. A calmaria dele a incomodava sem motivo…… Ela forçou o próprio rosto, que havia se enrijecido involuntariamente, a relaxar um pouco.
— Se eu não sou engraçada, então faça logo o que tem que fazer.
— Você fala como se fosse a feitora de um escravo.
— Só quero lembrá-lo do seu dever, Escalante.
— Você ainda vai me chamar de "Escalante" na cama?
Cássel desabotoou a camisa lentamente e perguntou em tom baixo. Sua voz natural era grave e imponente, de modo que o tom por si só não soava muito suave; porém, seus lábios bonitos estavam relaxados, desenhando uma gentileza que normalmente não existia ali.
Ele era dono de uma beleza estonteante. Mas agora, novamente, Inês não sentia a menor emoção diante disso. Ela o encarou, adotando uma postura um pouco mais cautelosa.
— É só um hábito. Pare de se preocupar com os detalhes. Afinal, esse é o seu nome.
— Escalante é o meu nome, mas agora também é seu. Inês. Agora que compartilhamos o nome, você não pode usá-lo para se referir a mim, se quiser que eu saiba a quem se refere, terá que ser mais precisa. Se continuar tentando parecer distante de mim, terei que te lembrar do seu novo sobrenome toda vez.
Inês franziu a testa.
— Isso não faz sentido. Quando eu me chamaria por mim mesma?
— Mais importante, se você continuar me chamando de Escalante, não posso ter certeza se você está chamando Miguel ou a mim na cama.
— …… O quê?
A voz imponente dele misturou-se a palavras explícitas e provocantes, quebrando a atmosfera por um instante. Enquanto Inês ainda duvidava dos próprios ouvidos, Cássel desabotoou o último botão da camisa, despiu-a com um movimento fluido e a atirou para longe.
— Então, na cama, chame-me pelo nome.
— ……
— Deixe-me ouvir o meu nome sair da sua boca quando eu a levar ao êxtase, Inês. Que todos ouçam alto e claro — disse ele.
Ele subiu de quatro e rastejou para cima de Inês esparramada na cama. A luz da vela projetava uma sombra sobre seu corpo nu.
Não havia por que sentir vergonha. Afinal, já estava despida, de pernas abertas diante dele. Vergonha não fazia sentido. Na verdade, ela se sentiu dominada pela presença dele sobre ela. Seu corpo imponente e sua ereção igualmente avassaladora a intimidavam instintivamente.
Ela apenas buscou um palmo de espaço para o alto, mas a grande mão dele a segurou firmemente pela cintura, cortando qualquer chance de fuga. Inês suspirou e fitou o corpo que preenchia totalmente a sua visão.
O físico de Cássel era o de um homem perfeito, capaz de oprimir qualquer um, lembrando as estátuas dos guerreiros lendários erguidas ao longo da Estrada de Santa Laria. O corpo vasto e vigoroso, esculpido com a musculatura característica de um soldado, parecia tão sólido que nenhuma linha de seu contorno vacilava.
A luz fraca das velas oscilava aos poucos, acentuando a profundidade das sombras que se desenhavam entre os seus músculos de maneira distinta. Ombros largos e um abdômen perfeitamente definido davam a impressão de uma cintura esguia sob o uniforme, mas, agora que estava despido, aquela região revelava-se espessa, tomada por músculos oblíquos e proeminentes.
Uma linha anatômica impecável.
Inês fixou os olhos naqueles gomos abdominais como se contemplasse um objeto de arte. Mais precisamente, sua atenção acabou detida por aquilo que se projetava como uma arma oculta sob o tecido da calça preta.
Ela suspirou novamente.
— Esse suspiro…… não me parece um bom sinal.
O rosto dele estava logo acima do dela, a uma distância em que os lábios quase se tocavam. Enquanto Inês prendia a respiração, Cássel deslizou um dos dedos entre os lábios dela, pressionando o inferior delicadamente para obrigá-la a abrir a boca.
— …… Os meus lábios……
— Sim, eu me lembro de ter dito que não os beijaria.
Cássel soltou uma risada baixa. Ainda assim, não havia naquele som o mesmo tom de antes — algo leve que sugerisse mera diversão, ócio ou consideração protocolar.
Os olhos azuis, que pareciam negros por não receberem a luz direta da vela, brilharam com um fulgor cínico por um breve segundo antes de se acalmarem.
Ele abaixou a cabeça como se fosse tomar os lábios dela, mas acabou depositando um beijo leve e quase formal no canto de sua boca. No entanto, ao contrário das interações anteriores, seus lábios não se afastaram imediatamente. Ele roçou e mordeu de leve a bochecha macia dela, deslizando os lábios ao longo da linha do maxilar até alcançar a sua orelha.
— Foi você quem disse que tudo estaria bem, desde que não houvesse beijos na boca — murmurou ele, com a voz úmida, enquanto sugava o lóbulo da orelha dela.
Por alguma razão, aquele som e a proximidade eram mais constrangedores do que a própria nudez. Inês inclinou a cabeça para o lado, tentando esquivar-se daquela carícia. Separados apenas pelo tecido fino da calça dele, a pressão firme do quadril de Cássel a golpeou, como se ele estivesse prestes a desvendar os segredos dela a qualquer momento.
— N-não quis dizer que as coisas seriam desse jeito… — murmurou, sem forças.
Cássel riu baixo, a voz grave vibrando contra sua pele.
— Então, se não funciona desse jeito… devo lavar você de pés à cabeça?
— Hum… ah…
— Ou será que devo marcar seu corpo inteiro, como se fosse um mapa? Há quem goste. Outros, nem tanto.
— Cássel, não… não faça isso… — balbuciou, a voz entrecortada.
— Não?
— Não é que eu não goste, mas é que……
Uma recusa legítima não fazia parte do plano de Inês. Mas se a opção de dizer "não" estivesse realmente disponível…… ela certamente odiaria a situação pelo simples fato de ser difícil de suportar. Para ser precisa, a sensação era mais estranha do que propriamente desagradável. E, mais do que estranha, era pesada demais, de modo que aquilo a sufocava……
— Mas? — Cássel a incentivou a terminar a frase.
— Mas parece... estranho. — concluiu ela.
Cássel riu da resposta dela. Seus olhos se tornaram travessos, e ele a avisou:
— Nem começamos a falar das sensações estranhas.
Como se os lábios de Cássel, que trilhavam o seu pescoço e desciam até o seu colo, quisessem marcar a ferro a pele alva, ele mordeu com força várias vezes e sugou o mesmo lugar. Por onde quer que a boca dele passava, ficavam marcas avermelhadas, como pétalas de flores espalhadas pelo chão.
Em seguida, com uma das grandes mãos, ele envolveu um lado do seio dela, pressionando os lábios contra a carne voluptuosa que transbordava por entre os seus dedos. O impulso com que ele a erguia era tão vigoroso que, desde a curva inferior de suas nádegas até as pernas estendidas, Inês sentia-se flutuar no ar.
Entre o limiar do prazer e da dor, Inês franziu levemente o cenho e segurou a cabeça de Cássel. Era estimulante demais a forma como ele a empurrava para cima, quase esmagando os seus seios, torturando e beliscando os mamilos antes de abocanhá-los e sugá-los até a aréola.
Sua mente girou pelo simples impacto visual daquele homem de porte formidável devorando o seu corpo com tamanha voracidade.
Ele demonstrava uma obstinação e uma entrega desnecessárias em cada nuance daquela intimidade, e Inês finalmente deu-se conta de que seria impossível permanecer ali, imóvel e indiferente como um pedaço de madeira. Ela precisava conter aquele ímpeto de alguma forma.
— Cá… sel… oh, meu Deus… assim não……
— Se não quer no peito, onde prefere? — perguntou Cássel, fitando-a com uma seriedade desconcertante, ainda com o mamilo dela meio preso entre os lábios. — Entre as suas pernas?
A expressão no rosto dele era tão limpa, focada e direta quanto a que ele exibia quando vestia o uniforme militar, tornando quase absurdo o fato de estar com o seio dela na boca. Aquele semblante esculpido, os lábios úmidos e o mamilo dela brilhando de saliva pareciam saídos de um delírio.
O sonho mais ultrajante e avassalador do mundo……
Ao processar o teor da pergunta dele, Inês balançou a cabeça, atordoada.
— Não…… não……!
Enquanto ela protestava, os lábios de Cássel finalmente subiram, distribuindo beijos pelo seu queixo, bochechas, no dorso do nariz e na testa.
— E depois? — Provocou.
— Cássel, por sua causa…… ah, eu não consigo sequer falar por sua causa……
— Acaso acabou de receber um beijo que não lhe agradou?
— ...V-você vai realmente testar tudo? Não, quero dizer…… Cássel. Espere, ah, pare por um instante.
Cássel encostou os lábios na clavícula dela, umedecendo a pele. O quadril dele continuava a pressionar e a roçar com firmeza contra o entrepernas dela, mas, ao menos, o seu rosto indicava que ele a escutava.
Inês perdeu a voz por um momento ao encará-lo daquela distância. Ela precisou engolir o gemido que ameaçava escapar diante da pressão implacável do quadril dele, que voltou a se mover contra o dela.
— Isso…… você não pode fazer isso, Cássel.
— O que exatamente eu não posso fazer?
— Eu sei que você está tentando me dar prazer.
— Ora, você ainda não está sentindo prazer nenhum.
De repente, a mão que antes repousava sobre o seio dela voltou a rolar, com a ponta dos dedos, o mamilo que já se encontrava rigidamente ereto pela estimulação. Ele abriu um sorriso sutil.
— No entanto, não me parece que você esteja achando de todo ruim.
— Escute, é exatamente esse o ponto. Você está se esforçando para me fazer sentir bem.
— Eu não compreendo…… Está sugerindo que não quer se sentir bem?
Após aplicar uma breve pressão com a ponta dos dedos, Cássel espalmou o seio de Inês por completo, puxando-o levemente pelo ápice.
— Você não gosta da sensação?
— …… Eu não sou uma pervertida……
— Não é preciso ser pervertida para gostar que toquem os seus mamilos dessa forma, Inês.
— Não, não se trata disso. O que quero dizer é que, por não ser uma pervertida, não significa que eu odeie sentir prazer…… mas……
— Então, está tudo bem se eu puxar o seu mamilo?
— O-o quê?
— Isso dá uma sensação boa, certo?
Cássel perguntava com uma seriedade cirúrgica, beliscando o mamilo dela mais uma vez, como se estivesse conduzindo uma investigação de fatos. Ele agia sem o menor traço de deboche ou zombaria; era uma postura analítica, quase experimental.
Inês sentiu-se como se estivesse respondendo a um questionário impresso de alguma gazeta semanal. Diante do olhar perplexo dela, ele insistiu, franzindo levemente a testa perfeita:
— Está bem ou não?
— Como você pode……
— Lembre-se: se você disser que não gosta, eu jamais farei de novo.
— Está bem. É... Ok——
— Não é bom, nem ruim, é isso? Você é ótima em desviar das respostas.
— É que realmente tanto faz……
Pensando bem, ele acabara de pronunciar a palavra "mamilo" em voz alta…… Era difícil acreditar que ele repetisse termos tão explícitos com aquela naturalidade e tom de voz casual. Chamar mamilos de mamilos…… Eles eram o que eram, mas ainda assim…… Uma confusão aterradora tomou conta das feições de Inês.
Naturalmente, em sua primeira vida como Princesa Herdeira, nada do que estava acontecendo ali se comparava às atrocidades que Óscar fazia ou às palavras obscenas que ele despejava sobre ela. Mas aquilo acontecia porque aquele Óscar era um homem insano; por ser um monstro enlouquecido, ele agia, falava e pensava daquela forma deturpada.
Naquela primeira existência, Inês encarava todo aquele horror cotidiano como se pertencesse a um mundo distópico e isolado. Mesmo estando presa naquele abismo, sabia que tais coisas não ocorriam em um cenário comum. Eram os monstros que agiam e falavam daquela maneira……
Contudo, Cássel Escalante não era um louco, tampouco um homem de outro mundo. Mesmo que ele tivesse a sua cota de falhas, não se enquadrava em nenhuma categoria de perversão doentia. É claro que Cássel seria capaz de gritar obscenidades no meio da Estrada de Santa Laria se estivesse bêbado com seus soldados, mas ele não chegava aos pés da maldade de Óscar.
Ainda assim, a mente dela estava confusa……
Inês encontrava-se em um estado de vulnerabilidade psicológica, reflexo do longo tempo que passara isolada do mundo real nesta encarnação. Por um breve instante, com o semblante fragilizado, ela balançou a cabeça de um lado para o outro.
— Você…… por favor, não use esses termos……
— Inês, há regras demais nesse seu manual do que eu não posso fazer — murmurou Cássel, parecendo genuinamente intrigado.
— Você disse que pararia se eu não gostasse.
— Eu sei. Não se preocupe, de agora em diante usarei outros nomes para me referir a essas partes.
— …… Por acaso o meu corpo é o seu joguete? Por que você precisa dar nomes a tudo? Não, esqueça, está bem assim……
— Tenho a impressão de que você está prestes a se fechar para mim outra vez……
Cássel continuava a observar cada reação dela com atenção. Ele examinava o rosto de Inês de forma meticulosa, enquanto o seu próprio humor tornava-se complexo. Logo abaixo, a sua masculinidade continuava a pressionar rigidamente contra o tecido, prestes a romper qualquer barreira. Quando Inês moveu os quadris na tentativa de recuar e escapar por baixo dele, a mão grande de Cássel a envolveu pela cintura mais uma vez, puxando-a de volta para si.
— Já que estabelecemos que você não é uma pervertida, você admitiu que a sensação é boa.
— ……
— Mas eu não posso fazer você se sentir bem?
O resumo incomumente preciso de Cássel a deixou desconcertada novamente. Além disso, o olhar fixo e penetrante dele parecia encurralá-la em um beco sem saída, forçando-a a externalizar qualquer argumento.
Diante disso, Inês chegou à conclusão de que qualquer justificativa que desse acabaria soando ultrajante naquele contexto.
— …… Eu aceito apenas aquilo que tem qualquer relação direta com a geração de herdeiros.
Após ela ceder e responder, Cássel permaneceu em silêncio por alguns instantes. E aquele silêncio a encurralou mais uma vez.
— Cássel, eu agradeço a sua consideração. Sei perfeitamente que este casamento não era o que você desejava em primeiro lugar e……
— — Lá vem você com esse mesmo discurso outra vez.
Ao ter o seu repertório previsível interrompido, Inês imediatamente mudou de tática.
— Eu não possuo um temperamento fácil e——
— — Se essa é a sua forma de dourar a pílula, poupe-me.
Assim que ela tentou retomar a narrativa de autodepreciação, Cássel cortou a sua linha de raciocínio. Inês fixou os olhos no semblante agora sério dele.
Cássel disparou de súbito:
— Fui eu quem enviou a carta com o pedido de casamento. Também fui eu quem exigiu ao seu pai que a deixasse partir comigo após quinze dias, o que me rendeu insultos da parte dele o dia inteiro.
— ……
— No final das contas, eu também quis este matrimônio, Inês Valeztena.
— ……
— Se você gosta de mim ou não, pouco me importa. Você queria este casamento, e eu também o queria. É disso que se trata a nossa união.
Ela permanecia com a expressão impassível.
— E você simplesmente se recusa a admitir isso.
— Cássel, foi quem acabou cedendo e aceitando. Você não teve escolha……
— Certo. Exatamente assim.
— ……
— Você tem o hábito de me manipular como bem entende, usando como pretexto a ideia de que apenas você desejava este casamento.
Tomada pelo elemento surpresa, qualquer vestígio de um sorriso polido desapareceu do rosto dela. Cássel soltou uma risada curta, como se tivesse desmascarado o jogo dela.
— É claro que, sabendo de tudo isso, eu ainda a quis.
— ……
— Porque eu tenho uma clara preferência por mulheres de temperamento difícil.
Foi um sorriso extremamente fugaz. Cássel deslizou a mão que antes segurava a cintura de Inês diretamente para entre as pernas dela, tocando a intimidade por entre os pelos e desvendando a fenda secreta.
Sobressaltada pela ação repentina, Inês estremeceu por completo. Ele depositou um beijo suave no ombro dela como se tentasse acalmá-la, enquanto seus dedos encontravam o ponto mais proeminente e sensível da anatomia dela. Conforme ele pressionava e roçava ali, o corpo de Inês estremeceu novamente, mas de uma maneira totalmente diferente.
O clitóris, que já se encontrava desperto devido à fricção anterior contra a calça dele, reagiu instantaneamente ao menor toque direto. Cássel ergueu de leve uma das sobrancelhas e esboçou um sorriso satisfeito.
— Parece que você já está completamente úmida por dentro.
Quando Inês cerrou os lábios e virou o rosto para o lado, tentando esquivar-se daquela constatação, Cássel desceu os lábios até a bochecha dela que ficara exposta.
— Posso conferir?
— …… E se eu disser que não...? — respondeu ela, engolindo em seco.
— De qualquer forma, se você quiser ter um filho, terei que colocar — completou ele, com aquele tom firme que não deixava espaço para objeção.
Inês o olhou, sem dizer mais nada. Não era algo horrível, mas a autoridade de Cássel transmitia uma rudeza que a deixava sem reação.
No segundo seguinte, as pontas dos dedos que antes estimulavam o ponto central afundaram-se de uma vez na fenda logo abaixo, penetrando a carne macia.
— Cássel…! Pare, ah…! — exclamou ela, vermelha e excitada.
O interior, que de fato já estava lubrificado, pareceu ceder à invasão. O dedo dele, penetrando profundamente na abertura, massageou as paredes internas como se quisesse alargar o canal e prepará-la, introduzindo logo em seguida um segundo dedo. Ao contrário da facilidade com que o primeiro entrara, o segundo encontrou uma resistência considerável devido à estreiteza dela.
Cedendo milímetro por milímetro àquela expansão interna, Inês o fitou com o rosto completamente ruborizado.
— Inês, você não é uma pervertida — murmurou Cássel, mantendo o movimento ritmado dos dedos.
— Oh…… ah……
— Portanto, você não deveria lutar contra as reações do seu próprio corpo. Não acha?
Aqui está a tradução e adaptação literária deste capítulo de altíssima densidade psicológica e erótica, onde o choque de realidades e as feridas do passado culminam na consumação do casamento.
— Cassel… eh… eu quero dizer… algo assim… — tentou balbuciar.
— Quer que eu pare? — perguntou ele, firme.
No mesmo instante, os dedos de Cássel se abriram dentro dela, roçando firmemente contra as paredes internas. Inês pressionou os próprios lábios para impedir o gemido e assentiu com a cabeça.
— E o que faremos se eu não conseguir despejar a minha semente em você apenas com esse estímulo manual?
Desta vez, ela não conseguiu assentir. Cássel estalou a língua, recuperando aquela expressão fria e austera que costumava exibir em público.
— Sim, afinal, seria inútil se isso não a deixasse grávida.
— Para mim está bem……Apenas—
— Está bem? Então dispa-se, abra as pernas e aguente firme. É apenas isso o que se espera de uma esposa, certo?
—……
— Essa sua atitude me enlouquece, Inês.
— Eu não preciso sentir prazer. Simplesmente não vejo necessidade disso. Estamos casados sem amor, e temos apenas o dever de cumprir com essa obrigação periodicamente.
— ……
— Um dever não precisa ser agradável. É claro que esta é a minha posição unilateral, portanto, se você precisar da minha cooperação, eu o ajudarei até certo ponto……
— Cooperação?
— …… Em vez de deixar que você se toque sozinho, ou faça qualquer outra coisa.
Cássel soltou uma risada sombria. Seus traços se contraíram em pura irritação enquanto ele retirava os dedos que haviam permanecido imóveis por um momento, apertados pelo calor interno dela. Ele murmurou, com a voz carregada de ironia:
— Então você não quer sentir nenhum prazer comigo e, em vez disso, quer que eu a viole?
Os olhos de Inês se arregalaram.
— De forma alguma! Não é isso que eu...
A mente de Cássel girava em círculos.
— Tudo o que você está dizendo leva a essa conclusão. Você quer que eu ignore seus desejos. Que eu a penetre antes de estar pronta, ejacule e depois a abandone.
— Eu consinto com o ato. Portanto, isso não pode ser considerado uma violação — corrigiu Inês.
Cássel limpou o fluido de seus dedos no estômago dela e se afastou.
— Você é uma mulher doente e distorcida, Inês. Eu preferiria que fosse honesta e me dissesse que me acha repulsivo.
— Cássel... — as palavras de Inês se perderam.
— Apenas diga que não quer estar na cama com um devasso. Aposto que pensa que meu corpo é imundo e maculado em comparação com a sua castidade e pureza.
— Não é nada disso…… Eu apenas quero viver bem. Quero viver em paz com você. Portanto, para a sua conveniência——
— Cale a maldita boca, Inês.
Cássel subiu completamente sobre ela. Era irritante demais ter que se ajoelhar e abrir as calças naquela posição. Sem paciência para desatar todas as amarras e botões, ele apenas libertou a sua masculinidade rígida, expondo-a por completo.
Inês empalideceu levemente e congelou ao ver.
Ao notar o choque dela e a relutância em se mover, Cássel deixou escapar um sorriso amargo.
— Vou precisar da "ajuda" que você mencionou antes.
Inês o encarou, horrorizada. Ele já não estava duro? A ponta brilhava de lubrificação.
— Demoro um pouco para chegar ao clímax — explicou Cárcel.
— O quê...? — a incredulidade era evidente em seus olhos.
— Se eu a penetrar agora, não conseguirei terminar assim.
— Terminar...?
— Não vou conseguir gozar — esclareceu ele.
A dúvida ainda pairava nos olhos de Inês.
— Vamos ficar aqui a noite inteira se quiser que eu ejacule sem nenhum estímulo adicional. Nossa relação duraria pelo menos uma hora, e no fim você estaria dolorida......
—— Já chega, isso é suficiente — interrompeu Inês. Ela realmente não queria ouvir o resto daquela frase.
Mas Cássel não tinha intenção de se calar.
— ....... Se eu tiver a ajuda que mencionou antes, posso avançar mais no processo antes de chegarmos ao ato principal. Se você realmente deseja o mínimo de atividade sexual, então...
— Eu já disse. Isso é suficiente.
Inês se levantou lentamente e aproximou-se dele com cautela. Encarou, em silêncio, o volume entre suas pernas. Estava nua, os olhos verdes cheios de hesitação.
Cássel cerrou os maxilares. Às vezes, a realidade era mais fantástica que seus sonhos. Apesar de tudo, Inês ainda podia excitá-lo apenas com o olhar.
Eles permaneceram sentados em silêncio por um tempo, ambos hesitantes em romper a densa tensão no ar.
Cássel respirou fundo algumas vezes para se acalmar. Tentou encontrar um resquício de controle enquanto era empurrado ao seu limite psicológico.
"Ela deve estar apavorada com isso de qualquer forma. Por mais arrogante que seja, não há a menor chance de que ela toque meu membro diretamente. Ela vai acabar desistindo……"
E a intenção dele era tomá-la assim que ela se rendesse, atormentando-a a noite inteira. Ela teria que pagar o preço pelas suas palavras soberbas. Não era justo?
Contudo, imerso em seus próprios delírios de superioridade, ele perdeu o rito dos movimentos de Inês. Quando deu por si, a cabeça dela já havia se abaixado na direção dele... estava posicionando a boca — e não a mão — sobre sua ereção.
— …… Valeztena!
Pego de surpresa pelo choque e pelo constrangimento, Cássel chamou-a pelo sobrenome antigo. No entanto, Inês, cujos lábios já estavam umedecidos pelo fluido dele, abocanhou a extremidade brilhante. Ela abriu a boca o máximo que sua estrutura permitia, acomodando a espessura pesada e, pouco a pouco, engoliu mais daquela extensão.
Devagar, milímetro por milímetro, descendo ainda mais.
Uma de suas mãos esguias envolveu a base do membro, sustentando-o por baixo. Os longos cabelos escuros dela, que se espalhavam desalinhados sobre as coxas dele e os lençóis a cada movimento, pareceram incomodá-la por um instante. Mantendo a boca firme na extremidade, ela jogou as mechas para o lado com um movimento sutil da cabeça.
Cássel perdeu o fôlego; sentiu que ia sufocar. O sangue correu tão feroz para aquela região que parecia prestes a estourar as veias. Seus músculos da coxa se contraíram sob o toque da mão de Inês, que logo estendeu os dedos delgados para segurar o membro novamente.
A boca dela não conseguia acomodá-lo nem até a metade, e suas mãos pequenas mal podiam envolvê-lo por completo, mas a estimulação que aquilo causava era algo que Cássel jamais experimentara em toda a sua vida.
Ele, que sempre detestara o serviço unilateral, sentia-se agora completamente possuído. Sabia que deveria afastá-la dali o quanto antes, mas as suas próprias mãos pareciam paralisadas, incapazes de agir.
A cena com a qual ele tanto havia fantasiado revelava-se na real. Paralisado pelo choque e pelo prazer, Cássel se perguntou se Inês o havia amaldiçoado afinal.
— …… Uh……Ahh
Um gemido que ele não conseguiu conter escapou por entre seus lábios. O cabelo de ébano caindo sobre um dos ombros, a nuca pálida, os ombros semidivinos, a curva vertiginosa das costas e a linha dos quadris; os seios dela pressionados contra as coxas dele, e as pálpebras brancas com os cílios caídos, focadas na tarefa enquanto os lábios se esticavam ao máximo para tragá-lo……
Tudo em Inês o torturava.
"Maldita Valeztena…… " Cássel murmurou mentalmente com um profundo desprezo por si mesmo, exatamente como acontecia em seus sonhos mais trágicos com ela.
Ela o estava "ajudando" com um empenho implacável. E aquilo o fazia se sentir miserável. No entanto, o calor em seu corpo era tão devastador que nem mesmo a miséria conseguia conter o seu ápice.
Foi uma sorte que ele não estivesse segurando a cabeça dela com força. Se estivesse no controle, teria segurado os fios escuros e a empurrado até o fundo da garganta. Quando Inês desceu os lábios até a raiz e deslizou de volta para o topo, a mente dele foi invadida por um sadismo bizarro: quis despejar tudo no rosto dela. Quis manchar as feições aristocráticas dela com a sua semente.
Era um desejo sombrio e possessivo que ele nunca sentira antes. Como se aqueles rastros sujos fossem a marca definitiva de que ela lhe pertencia. Cássel ergueu uma das mãos, cobrindo o próprio rosto contorcido pelo prazer.
Mas não fora apenas a audácia inesperada dela que despertara aquele sadismo pervertido. O que mais o atormentava, queimando em sua boca desde o início, era a pergunta maldita:
"Quem diabos ensinou essas coisas a você?"
E essa dúvida era a fonte de metade do seu ódio próprio.
Aquela não era a primeira vez dela, ele podia jurar. Ela parecia acostumada demais com aquela dinâmica. Sem mencionar a destreza com que o fazia. Se esta for realmente a primeira vez dela, ela é um gênio que nasce uma vez a cada cem anos…… O que é impossível.
Portanto, o que aquilo significava? Ele sentiu vontade de rir da própria desgraça. Em Mendoza, a fidelidade feminina era tratada como um dogma absoluto, e embora existissem idiotas obcecados com a pureza de suas noivas, Cássel sempre fora o primeiro a zombar deles.
E agora, ironicamente, ele se via no mesmo lugar, torturado pelo passado dela. Você não pode exigir de alguém o que você mesmo não tem para oferecer. Contrariando toda a sua lógica racional, um ciúme doentio obscureceu a sua mente. Cássel fitou o topo da cabeça de Inês com uma impaciência selvagem e, segurando-a abruptamente pelos ombros, a deitou com violência sobre o colchão.
Sem perder um único segundo, ele separou as pernas dela e pressionou a sua masculinidade, completamente úmida e transparente, contra a fenda. Inês não demonstrou surpresa diante daquela ação repentina; em vez disso, tentou facilitar o processo o máximo possível, abrindo ainda mais as pernas e elevando levemente os quadris para cooperar com a investida.
O interior dela continuava lubrificado, mas nunca parecia o suficiente para o tamanho dele. Infelizmente, aquela era a primeira vez real dos dois. Ela desejara uma união exatamente assim: o pior tipo de intimidade.
Um ato despido de amor, afeto ou consideração. Uma cópula puramente animal, cujo único propósito era a perpetuação da linhagem.
Ainda assim, o desejo dele era uma força miserável. Cássel soltou um gemido semelhante ao de uma besta ferida quando se forçou para dentro daquele espaço estreito, que parecia prestes a se romper sob a pressão. Inês, estremecendo momentaneamente com o impacto da força dele, enlaçou o pescoço do marido com os braços e deixou escapar um gemido agudo. Ao contrário das reações anteriores, aquele era um som de puro choque fisiológico e da dor real do rompimento.
Cássel quis tapar os próprios ouvidos. Se não pudesse tapar os ouvidos, quis calar os lábios dela. Mas ele sabia que não tinha o direito de beijá-la.
Não tinha direito algum.
Não tinha o direito de estar irritado, tampouco o direito de exigir conhecer o passado que ela mantinha velado. Se ela quisesse saber sobre o passado dele, ele estaria disposto a contar cada detalhe de suas memórias. Mas ela jamais demonstraria interesse, nem sequer questionaria em segredo as suas antigas amantes.
Tudo o que ele sofria por causa dela seria solenemente ignorado por Inês.
No passado, existia uma menina isolada que não desejava conhecer ninguém no mundo, e existia um menino que era a única exceção ao seu lado. Pensando que era a única janela na vida fechada dela, a sua ponte e o seu único vínculo com o exterior, o menino às vezes simpatizava com a jovem e dedicava-lhe a sua atenção. Ele alimentava secretamente a satisfação distorcida de ser o universo inteiro daquela pequena jovem.
No entanto, tudo o que restava diante dos olhos do homem agora era o outro lado daquela moeda: uma ponte quebrada e a percepção de que ele próprio havia sido descartado e empurrado para escanteio, exatamente como o resto do mundo.
A satisfação deformada que outrora embriagara o menino desmoronava definitivamente sob os pés do homem.
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