Capítulo 29 — Amanhecer em Calztela
Depois do jantar, Cassel e Inês sentaram-se no pequeno terraço, ouvindo o som das ondas. O terraço mal tinha espaço para uma pequena mesa e duas cadeiras, como todos os outros cômodos da casa. Mas tinha uma vista bastante romântica. As lâmpadas de latão no jardim tremeluziam, e a luz das velas projetava sombras sobre as flores de verão.
O Tenente-Coronel Elba era responsável por todo esse esplendor. Ele plantara as flores e instalara as lâmpadas no jardim para criar uma bela vista para sua esposa, mesmo depois que o sol se pusesse.
Cassel lembrava-se desse detalhe das longas conversas com Elba. O homem se mostrava ansioso para descrever tudo o que havia construído — ou, mais precisamente, comissionado a um artesão para construir — para sua esposa. Quando Cassel o encarava com uma expressão indiferente, Elba continuava a falar sobre quanto esforço essas reformas haviam exigido.
O Tenente-Coronel Elba era bem diferente do homem que Cassel conhecera durante a academia militar. Elba costumava detestar cada minuto passado com a esposa, mas parecia quase eufórico ao descrever como sua mulher apreciava a nova casa.
De fato, Elba estava certo. As luzes no pequeno jardim eram encantadoras. Por um momento, Cassel imaginou-se no lugar de Elba, dedicando-se à própria esposa com seu bem-estar em mente. A possibilidade de se tornar tão apaixonado parecia improvável, como um medo irracional de cair do cavalo diante de toda a cidade ou de ficar feio por causa de uma doença. No entanto, ao imaginar esse cenário hipotético, Cassel percebeu que não era uma ideia tão ruim.
Elba parecia um idiota quando tagarelava sobre seus esforços intermináveis para fazer a esposa feliz, mas Elba não era exatamente atraente. Independentemente da aparência medíocre e da personalidade desprezível de Elba, ou de como ele projetou e instalou as lâmpadas de latão, tudo o que Cassel se importava era que aquela pequena casa agora pertencia a ele e a Inês. Eles tinham aquele lugar só para si.
— Não acredito que você pensou em voltar ao trabalho amanhã. Agenda apertada demais — disse Inês. Cassel havia lhe contado durante o jantar que suas férias haviam terminado.
Cassel respondeu com uma pergunta:
— Está desapontada?
Inês riu, afastando a ideia. Agora que estavam sozinhos, qualquer traço de gentileza que ela demonstrava diante de Arondra e dos outros funcionários desaparecera. Mas, pelo menos, ela parecia relaxada. Seus lábios não estavam tensos como de costume perto de Cassel. Seus olhos verdes estavam serenos enquanto contemplava o oceano após o pôr do sol. Inês rodopiou o vinho na taça com um leve movimento do pulso.
— Só estou surpresa com sua imprudência.
— Não sou imprudente — retrucou Cassel. — Preparei tudo com antecedência.
— Está se referindo ao plano que você fez há duas semanas, quando me pediu em casamento do nada?
— Considerando que estamos casados duas semanas depois, eu diria que tudo saiu conforme o planejado.
— Claro, porque sua única parte no plano foi aparecer na capela na hora certa e passar uma noite na mansão Valeztena. Eu que organizei o casamento — disse Inês.
Cassel não se abateu.
— De qualquer forma, nos casamos com sucesso e você está aqui. Não vejo nada que não tenha saído conforme o plano.
Inês riu brevemente e tomou um gole de água.
— Verdade. Fico feliz que tenha passado rápido. Não tenho interesse em prolongar a cerimônia.
— Minha mãe discorda — disse Cassel. — Ela disse que te fiz me odiar pelo resto da vida ao apressar seu único casamento.
— Confie em mim. Tive sorte que foi em tão curto prazo. Se minha mãe tivesse tempo, teria exigido que eu jejuasse por sessenta dias antes do casamento.
A testa de Cassel se franziu.
— Inês, sessenta dias de jejum certamente terminariam em morte.
Desta vez, Inês soltou uma risada genuína.
— Aposto que eu poderia durar cem dias.
— Você? — Cassel não podia acreditar.
— Há algum tempo, fiz algo parecido — sussurrou ela suavemente.
Cassel olhou para Inês incrédulo.
— Aposto que você não conseguiria duas semanas.
— Como você sabe disso? — perguntou ela.
— Quero dizer, olhe no espelho. Seu corpo frágil nunca poderia... — Cassel falou.
Inês franziu a testa, mas sua expressão não o convenceu do contrário.
— Frágil? Estou perfeitamente saudável. Embora quase não tenha comido por dez dias para caber no vestido de casamento da minha mãe, estava bem. No fim, acabamos ajustando o vestido para me servir, de qualquer forma.
O queixo de Cassel caiu.
— Você disse que passou os últimos dez dias se privando de comida?!
Inês explicou:
— Quando as mulheres Ortegan jejuam, não estamos tentando nos matar de sede ou fome.
— Então o que vocês estão tentando fazer? — perguntou Cassel.
— Comemos o suficiente para sobreviver, mas nem um grão a mais.
O nojo enrugou o rosto de Cassel.
— Isso soa… ainda pior que a fome completa.
— Bem, aposto que a maioria das mulheres com quem você esteve mantém a forma fazendo o mesmo.
Cassel gemeu interiormente ao lembrar de seu passado libertino.
— E por que estamos falando dessas mulheres agora?
— Só queria apontar que você viu mais corpos femininos nus do que eu. Só isso. — Inês deu de ombros. — Nossa cultura desencoraja as mulheres a se engajarem em qualquer atividade, mas promove figuras o mais magras possível. Assim, as mulheres Ortegan não têm escolha a não ser jejuar.
— Isso é absurdo — proclamou Cassel com tanta certeza que fez Inês rir.
— Não se preocupe. Eu não sigo esses padrões — esclareceu Inês.
— Você pode fazer o que quiser com seu corpo, mas acho que ele está perfeito como está agora — Cassel disse de repente, e então parou, surpreso consigo mesmo.
Por que estou comentando sobre o corpo dela? Estou tentando dar minha avaliação da nossa noite de núpcias ou o quê? Cassel se frustrou consigo mesmo. Esse era exatamente o tipo de comentário idiota que Elba faria sobre sua esposa.
Inês riu novamente.
— Que bom ouvir isso, já que não pretendo me esforçar para mudar.
Cassel não tinha interesse em fazer Inês passar fome ou torturá-la por uma cintura mais fina. Ele estava atraído por ela como ela era agora. Certamente, Inês tinha defeitos, com seu temperamento e comportamento egoísta. Mas ele não planejava mudá-la.
Inês vivia segundo suas próprias regras, ignorava conselhos que não se adequavam à sua vontade e nunca mudaria para se ajustar aos padrões de outras pessoas. Era assim que ela era.
Cassel acrescentou:
— Claro, espero que você recupere o peso que perdeu nos dez dias. Acho que ficaria melhor com um pouco a mais.
— Vou fazer o que eu quiser, Cassel.
Inês claramente não se importava com a opinião dele, e Cassel gostou disso nela.
Bem, ele não estava sugerindo que gostava dela romanticamente, apenas que apreciava essa característica específica. Cassel fez o possível para justificar seus próprios pensamentos a si mesmo.
Felizmente, Inês voltou o olhar para o oceano e não percebeu Cassel fazendo aquela expressão idiota de apaixonado que ele não queria que ninguém visse. Inês observou os últimos tons de vermelho desaparecerem por entre as nuvens sobre as ondas. Ela voltou o olhar para Cassel.
— Estou feliz que este lugar seja diferente do que eu imaginava.
— Como você imaginava?
— Imaginei algo mais próximo de um porto movimentado, com barulhos altos e pequenas embarcações de pesca atracadas...— Sua voz se perdeu no ar.
— A pesca é proibida na área naval—, explicou Cassel, preenchendo o silêncio. — Se você seguir a costa, pode chegar a um porto de pesca. As pessoas em Mendoza costumam chamar aquela cidade de Calztela, mas seu nome verdadeiro é El Tabeo.
— El Tabeo?— Inês perguntou.
— Sim, é o principal porto comercial. Cargas estrangeiras e embarcações de pesca maiores usam esse porto para acessar as rotas do continente. Alguns portos menores, como os que você mencionou, estão espalhados por aquela região, mas são mais distantes daqui. A maioria desses portos é pequena, mas bonita, embora possa ser barulhenta e cheirosa. Se você quiser, podemos ir...— Cassel percebeu que poderia ter entendido mal a intenção dela e se corrigiu. — Ou, talvez você quisesse dizer que não gosta desse tipo de porto?
—Não os desgosto particularmente. É só que... prefiro a tranquilidade desta cidade —. Inês deu de ombros e se levantou do assento.
Cassel a seguiu instintivamente e tentou ajudá-la.
Inês deu uma risada confusa e afastou suas mãos.
— Não estou bêbada.
— Eu sei disso—, insistiu Cassel, segurando seu braço.
— A esse ritmo, você vai me carregar pela casa amanhã de manhã — murmurou Inês.
— Na verdade, se você não se importar, eu faria isso com prazer.
— Eu me importo—, disse Inês firmemente.
— Suspeitei disso—, respondeu Cassel.
Com a ajuda desnecessária de Cassel, Inês caminhou até o corredor. Ela parou diante de uma pintura, e Cassel esperou que ela terminasse o que estava fazendo.
— Cassel, esta pintura é de El Tabeo?
— Esta? — Cassel nem tinha olhado para a pintura até agora. Agora, aproximou-se para observar melhor. —El Tabeo é o principal porto, então é muito maior. Este deve ser um dos portos menores...— Cassel remexeu em suas lembranças. Ele sabia que já havia ido ao porto da pintura a trabalho.
— Hmm... Talvez seja Sevilla?
— Sevilla...— A voz de Inês era quase um sussurro.
Cassel voltou o olhar para Inês.
— Então chamam este lugar de Sevilla—, acrescentou ela, com o rosto sereno.
De algum modo, Cassel sentiu vislumbres de sentimentos intensos em conflito dentro dela.
— Você gosta da pintura? Poderia pendurá-la na sua biblioteca —, ofereceu ele.
— Isso significa que a biblioteca é oficialmente minha? — Inês perguntou, arqueando a sobrancelha.
— Claro, já que aparentemente sou apenas um marinheiro analfabeto que nunca toca em um livro — disse Cassel em tom sarcástico.
Inês riu baixinho e balançou a cabeça.
— Não, eu não gosto nada desta pintura. Quero jogá-la fora. Só isso.
***
Meio adormecida, Inês sentiu um braço forte puxar seu corpo. Embora mal estivesse consciente, ela ainda lutava contra a restrição. Ela franziu a testa com os olhos fechados e rolou para longe do braço. Mas logo o braço a puxou de volta novamente com ainda mais pressão.
Firme como uma raiz de árvore, ele envolveu sua cintura com tanta força que ela não conseguia se mover nem uma fração de centímetro. Inês não estava acostumada a acordar assim. Sua carranca se aprofundou. Ela se debateu e se contorceu ainda mais para se soltar, mas tudo em vão. Ela murmurou em seu sono: "Sufocante... "
O braço se afrouxou por um momento, mas no momento em que ela tentou se livrar dele, outro braço passou ao redor de sua caixa torácica e a puxou para trás como uma videira. O outro braço voltou e cobriu seu abdômen inferior, pouco acima da virilha.
Por mais que ela se esforçasse, não havia como se libertar desse abraço tenaz. Por fim, Inês desistiu de se debater, com uma profunda carranca franzindo a testa. Uma risada baixa e satisfeita fez cócegas em seus cabelos.
Inês acabou adormecendo com a testa franzida. Ela não notou que a camisola de seda estava enrolada nos quadris ou que as pequenas alças estavam escorregando de seus ombros. Os lábios de Cassel traçaram a pele exposta em seus ombros e sugaram, depois morderam gentilmente a pele frágil. Uma mão grande acariciou suas coxas e outra levantou seus seios, esmagando-os contra suas costelas.
No entanto, Inês estava exausta demais para perceber o que estava acontecendo. Depois de uma quinzena lidando com sua mãe, uma noite de núpcias sem dormir e uma viagem de carruagem de sete horas até o litoral, ela não conseguia abrir os olhos. Mesmo que tivesse dormido durante metade da viagem no colo de Cassel, ela ainda estava tão exausta que mal se lembrava de ter se arrastado para a cama.
Finalmente, Inês abriu os olhos. Sua visão clareou lentamente e ela viu o quarto bem iluminado. Ainda um pouco atordoada, ela olhou para as cortinas esvoaçantes e tentou se lembrar de sua última memória.
A última coisa de que se lembrava era de estar sentada perto da janela, lendo.
A atitude superprotetora de Cassel era ridícula e irritante. Ele também havia sido muito mais persistente em relação à intimidade física do que ela havia imaginado, e ela não tinha certeza se tinha resistência para isso. Por isso, ela recusou seus avanços sexuais e manteve distância dele fingindo ler a Bíblia sentada perto da janela. A escritura sagrada era sua defesa contra a tensão sexual no quarto.
Por mais indiferente que Inês tentasse ficar perto dele, Cassel constantemente a tocava e flertava com ela. Seu rosto permanecia natural e impassível, mesmo quando suas mãos tocavam o corpo dela de maneira sugestiva. Ele tinha uma maneira de tornar a atmosfera íntima com os menores gestos ou uma única palavra.
É claro que isso era de se esperar do grande libertino. Cassel era tão habilidoso em seu ofício que as mulheres com quem dormia não se ressentiam dele depois.
Por trás de sua fisionomia séria de oficial da marinha, havia seu desejo sexual e técnicas diabólicas - ou assim Inês acreditava. Ao ler a Bíblia, ela se lembrou de como Cassel podia ser perigoso antes de sucumbir ao sono. Quanto mais ela pensava sobre a noite passada, mais ela era vencida pelo cansaço acumulado.
Espero que ele não nos considere recém-casados de verdade. ...
Inês tentou descobrir o que deu errado em seu plano.
Primeiro, Cassel já tinha tido seu quinhão de conquistas sexuais. Segundo, ele não poderia se sentir excitado por ela, tão simples como ela estava agora. Ela também manteve sua atitude não cooperativa. Terceiro, Inês não conseguia entender por que Cassel estava tão empenhado em cumprir seus deveres conjugais. Ele era muito viril, muito enérgico e muito fiel.
A única desculpa que ela conseguiu pensar foi colocar a culpa na fase de lua de mel.
Qualquer que fosse o esforço, era natural que um homem se sentisse motivado inicialmente. Assim como Inês havia planejado fervorosamente destruir esse casamento, Cassel devia estar se esforçando ao máximo para fazer algo positivo com esse casamento indesejável. Ela não achava que ele conseguiria reprimir seu desejo de procurar novas mulheres por muito tempo. Até mesmo o amor e a paixão desaparecem com o tempo.
Não há como o senso de dever resistir ao tempo. Então, logo ele deixará de estar tão motivado para ter intimidade comigo.
Naquele momento, Inês sentiu algo duro cutucando sua bunda. Ela virou o olhar para a janela e pensou, desconfortavelmente, que seria melhor ignorar o calor dele pressionado contra sua bunda. Era de conhecimento geral que os homens geralmente acordavam de manhã com uma ereção. Além disso, Cassel estava no auge de sua juventude, e os homens eram conhecidos por serem traídos por suas virilhas.
Aparentemente, ele era muito sensível durante o sono. Inês notou a protuberância no cobertor onde a mão de Cassel deslizava por suas coxas e subia até sua barriga. A camisola subiu mais pelas pernas dela com as mãos dele. A virilidade dele se aproximou da bunda exposta dela. A respiração calma dele lhe dizia que ele estava dormindo, apesar dos braços apertados ao redor dela.
Inês achou que era muito cedo para acordá-lo. De qualquer forma, ela não conseguiria escapar de seus braços de aço. Ela soltou um suspiro suave e voltou a olhar pela janela.
A luz do sol entrava pelas janelas. As cortinas se agitavam com a brisa fresca e as ondas que batiam nos penhascos ecoavam ao longe.
De repente, Inês se lembrou da pintura da noite passada. Embora tivesse passado apenas quatro dias lá, ela se lembrava de Sevilha como uma bela cidade. Os pequenos barcos de pesca balançavam com as ondas. Os pescadores idosos e as senhoras da vila trabalhavam no porto. Ela se lembrava do sorriso de Emiliano e do bebê em seus braços a cada detalhe que recordava.
As lembranças da cidade haviam pairado sobre Inês quando ela tinha seis anos de idade. Ela não conseguia deixar de odiar seu irmão, Luciano, ao vê-lo crescer e se tornar o homem que havia matado Emiliano.
Ela nunca havia escapado de suas lembranças de Sevilha, especialmente quando teve que reviver os momentos que passou com Emiliano em sua vida anterior. Entre os dezesseis e os vinte anos de idade, Inês foi assombrada por essas lembranças.
Felizmente, Cassel a deixou e foi para a escola militar, e ela não precisou lidar com o casamento quando já estava sobrecarregada pelas imagens do pequeno porto. Ela sentiu os aromas, ouviu os sons e sentiu o gosto do ar do dia em que Emiliano morreu. Ela ficou presa nessa memória durante suas horas de vigília e sono.
Por quatro anos, ela sofreu com o pesadelo recorrente do corpo de Emiliano, frio e endurecido, escapando de suas mãos. O filho deles sendo arrancado de suas mãos. Ela adormecia todas as noites, sabendo que veria seus entes queridos morrerem em seus pesadelos. As lembranças que ela havia tentado suprimir com tanto afinco na infância voltavam para assombrá-la.
Ela temia cruzar o caminho de Emiliano e levá-lo ao mesmo fim trágico.
Mas agora, aqui estava ela, ouvindo as ondas batendo sem pânico. Na noite passada, apesar de estar tão perto do oceano, ela não sonhou com Emiliano ou com o que havia acontecido em Sevilha. Embora sentisse uma pontada de culpa ao pensar em Emiliano nos braços de outro homem, a culpa desapareceu rapidamente e ela piscou os olhos com a impassibilidade de um observador distante.
Inês finalmente se sentiu totalmente acordada. Ela pensou nos desenhos a carvão que Emiliano costumava lhe dar. Nessa versão da realidade, nenhum desses desenhos jamais existiu. Ela ficou olhando pela janela por mais alguns minutos. Então, ela se virou no abraço de Cassel e disse:
— Cassel, acorde. Já é de manhã.
— Não quero mais ficar na cama — anunciou Inês. Ela se sentia desconfortável nessa posição e não se importava se a hora era muito cedo para Cassel.
Sua respiração ficou agitada. Seus olhos se abriram lentamente.
— Você ficou acordado todo esse tempo? perguntou Inês. Seus olhos se estreitaram em suspeita.
— Sim — confessou Cassel.
Ele não parecia perturbado ou envergonhado por ter sido pego fingindo dormir. Quando Cassel a puxou para mais perto, a ereção dele roçou em suas nádegas novamente.
Inês nem se incomodou em comentar a atitude descarada dele. Em vez disso, ela deu um tapa de leve no braço dele e o impediu.
— Eu não vou fazer isso.
— Inês, eu não disse uma palavra — respondeu Cassel.
— Sua parte inferior do corpo está comunicando claramente sua necessidade. — Irritada, Inês se afastou dele, mas a mão dele estava bem na curva de suas costas, impedindo-a de se afastar mais.
Cassel soltou uma risada.
Parecendo tão carinhoso quanto um pai com seu filho, ele disse:
— Estou orgulhoso de você por dizer isso. — Em seguida, ele a abraçou ainda mais, com o comprimento duro de sua ereção pressionado firmemente contra o abdômen dela.
A carranca de Inês se aprofundou. Será que ele acha que pode fazer o que quiser comigo só porque dormimos juntos uma ou duas vezes?
— Não tenho interesse em sexo a esta hora da manhã. Nem um pouco — disse ela.
— É claro que você não tem. — Embora a voz de Cassel soasse sincera, sua ereção não parecia concordar.
Inês olhou novamente com desconfiança.
Cassel deu outra risada.
— Inês, você pode fazer o que quiser.
— Há muito tempo não tenho tanta liberdade.
— Eu lhe prometo que não tentarei nada. — Cassel parecia um tanto sincero.
— É difícil de acreditar, já que você está empurrando algo tão vulgar contra o meu corpo logo de manhã.
Cassel sussurrou: — Eu realmente não tentarei nada desagradável. Então, vamos ficar assim por um tempo. — A voz calma dele soou tão doce e enjoativa que os dedos dos pés dela se mexeram. Ele então se inclinou gentilmente e beijou o topo da cabeça dela.
Inês decidiu que esses toques desnecessários eram prejudiciais ao seu plano.
Não é nem um pouco benéfico, pensou consigo mesma, e tentou se desvencilhar dos braços dele novamente.
No entanto, Cassel se inclinou mais e pressionou os lábios com mais força contra a cabeça dela.
— Se eu não cumprir minha palavra, você tem minha permissão para cortá-lo — disse ele. Ele parecia despreocupado demais para estar discutindo sua castração.
Inês franziu a testa.
— Não tenho interesse em castrar você.
— Ah, isso é lamentável.— Cassel quase pareceu contrito, como se ela tivesse recusado sua confissão de amor. Inês afastou seus lábios. — Pare de dizer bobagens. Você ainda deve estar meio dormindo.
— Já estou acordado há algum tempo. Devo ser mais diligente do que você pensa de mim.
— Se você tivesse acordado mais cedo, deveria ter saído da minha frente.
Como ele disse, Cassel parecia bonito demais para ter acabado de dormir. Inês achou que até o cabelo bagunçado dele estava perfeitamente desgrenhado. Ela achava a perfeição dele profundamente irritante.
Ao contrário dele, eu não devo ser nada atraente neste momento. Mas isso pode ser uma vantagem para mim. Minha aparência repugnante pode afastá-lo.
— Quer que eu saia de perto de você? Isso é cruel — , protestou Cassel.
Inês aproveitou a chance para afastá-lo com os dois pés. Ela não tinha obrigação de aceitar seus avanços. O sol já havia nascido.
Infelizmente, quando ela tentou empurrar fisicamente o corpo dele, percebeu como sua tentativa era inútil. Dormindo ou não, sua pouca força não era páreo para o corpo firme dele.
Cassel não se moveu nem um centímetro. Em vez disso, murmurou para o travesseiro:
— Não quero me levantar.
— Como você pode servir na marinha com essa atitude preguiçosa?— perguntou ela.
— Como se você fosse melhor — rebateu Cassel.
— Olhe para o tempo. Uma senhora realmente preguiçosa nem estaria acordada a esta hora.
— Então, por que está me chamando de preguiçoso por acordar a essa hora?
— Padrões diferentes se aplicam aos soldados. Você deveria ter saído da cama ao amanhecer e descoberto uma maneira de levar seu corpo ao limite.— Inês parecia em paz com seu duplo padrão.
Cassel deu uma risadinha. — Eu não lhe disse que me mudei para a equipe que fica no centro de comando?
— Não, isso não me diz nada.
— Eu disse, o que significa que não preciso levar meu corpo ao limite. Na verdade, nem preciso suar muito hoje.
— Que sorte a sua — disse Inês sem um pingo de sinceridade.
Cassel acrescentou, com um sorriso malicioso nos lábios:
— A única vez que vou suar é na cama com você.
Inês resmungou silenciosamente para si mesma.
Ele fala de mim como se sexo comigo fosse um hábito, quando só dormimos juntos duas vezes. Que arrogante e presunçoso. De fato, Cassel estava agindo de forma estranha. Talvez ele tivesse comido algo nojento, ficado doente e continuado a comer aquela coisa nojenta até perder todos os sentidos.
Inês não tinha outra explicação para o comportamento estranho dele desde a noite de núpcias.
Além de sua estranha obsessão por sexo com ela, Cassel tinha sido o mesmo de sempre. Durante os últimos dias de seu casamento, Cassel estava tão calmo e composto como sempre. Inês quase podia se enganar pensando que nada havia mudado e que os toques excitantes dele faziam parte da rotina diária do casal.
Para um homem tão taciturno como ele, Cassel sempre foi relativamente generoso e gentil com sua noiva. Ela sempre desconfiou que ele sabia como falar com as moças e, por isso, não achava surpreendente que ele pudesse ser carinhoso quando queria.
Diante de tudo isso, Inês não conseguia entender o que havia provocado tanta paixão em Cassel. Afinal de contas, não era como se ela tivesse tirado a virgindade dele. Ela só conseguia imaginar um homem tão luxurioso nos primeiros dias de contato com a intimidade física do sexo oposto. Para Cassel, isso teria acontecido há pelo menos sete anos. Por que ele estava tão obcecado por sexo agora?
Talvez ele tivesse muita energia sobrando depois de ser transferido para um trabalho de escritório. Ou ele pode ter esgotado todo o seu interesse pelas outras moças depois de muitos anos de mulherengo. Ou ele poderia ter simplesmente enlouquecido. Inês não tinha certeza de qual.
As mechas de Cassel se espalharam pelo travesseiro de linho. Seu cabelo loiro brilhava com a luz do sol que entrava pela janela. No entanto, Inês não teve coragem de apreciar a bela visão.
Ela esperou que ele se soltasse e se soltou dos lençóis, mas rapidamente caiu de volta nos braços dele. Naquela fração de segundo, ela se lembrou de que sair daquela cama e dos braços dele não importava no grande esquema. Ela conhecia sua tendência de se lançar de cabeça nas situações sem considerar o quadro geral. Ela não precisava ficar obcecada com pequenos detalhes, como o fato de seus planos matinais terem sido frustrados.
Cassel aproveitou a chance para puxá-la para mais perto e murmurar:
— Você vai me dar ideias se continuar a atacar meu corpo com o seu desse jeito. Talvez eu me sinta tentado a entrar em você. Afinal de contas, minha vara está pronta para entrar, como você sabe.
Ele agiu como se ela tivesse rasgado a camisola e atacado, quando apenas esbarrou em seu corpo por acidente.
— Seu primo Oscar lhe ensinou a tirar conclusões precipitadas?
— Não preciso de seus ensinamentos para dominar essa habilidade. — A mão de Cassel desceu pelas costas de Inês e passou por baixo da camisola.
Então, ele começou a acariciar sua pele nua. Inês estremeceu e depois franziu a testa.
— Isso é o suficiente.
— Você não me permitiu tudo, menos beijar seus lábios? — perguntou Cassel.
— Não use minhas palavras contra mim.
— Lembre-se, foi você quem se ofereceu para ajudar primeiro.
De fato, Inês se lembrou do tipo exato de ajuda que havia oferecido.
— Essa oferta só é válida à noite — ela rebateu, fazendo uma cara feia.
— Mas minha excitação não espera o pôr do sol.
— Esse é o seu problema.— Inês não se comoveu.
— Ah, isso é lamentável. Achei que isso funcionaria. — Uma pitada de decepção tomou conta da voz de Cassel.
Inês zombou. — Você não estava prestes a jurar pela sua vida que não teria relações sexuais comigo esta manhã?
— Bem, a oferta de me castrar se eu agir contra minha palavra ainda é válida.
— Cassel, suas palavras não correspondem às suas ações.
— Isso é porque meu cérebro sabe que não devo fazer sexo com você, mas meu corpo não sabe.
— Seu cérebro é uma parte do seu corpo, portanto, espero que você possa encontrar harmonia entre os dois — disse Inês com severidade.
Cassel gemeu e enterrou o rosto na nuca dela.
— Se ao menos você não cheirasse tão bem...
— Você está enganado. Eu não uso nada.
— Eu posso sentir seu cheiro.— Ele esfregou o nariz no pescoço dela. Um leve sorriso se formou nos cantos de sua boca.
— Por que outro motivo meu pau teria ficado duro na última hora?
Inês nunca entendeu como ele conseguia dizer coisas tão obscenas com uma cara séria. Ele deve ter um senso saudável de vergonha, pois geralmente corava ou ficava irritado com as zombarias de Oscar ou com as provocações dela.
Talvez isso venha de sua vasta experiência sexual, pensou ela.
Inês olhou para os lençóis que cobriam suas metades inferiores. Debaixo dos lençóis, a ereção dele se tornava ainda mais proeminente enquanto cutucava o baixo ventre dela. Ela mal podia acreditar que algo tão grande já havia entrado nela.
O pensamento a fez franzir a testa.
— É uma pena que você se excite tão facilmente.
Cassel assentiu com a cabeça.
— Eu sei, mas não há como evitar isso pela manhã.— Ele beijou-a abaixo da orelha e se levantou da cama. — Eu mesmo cuidarei disso.
Alguns segundos depois, Inês percebeu o que ele queria dizer. Ela entrou em pânico ao vê-lo se afastar da cama e disse apressadamente:
— Espero que você não esteja planejando se masturbar aqui mesmo.
Cassel arqueou uma sobrancelha.
— Bem, eu estou no quarto. Onde mais eu poderia fazer isso?
— Mas eu estou no quarto com você— , protestou ela.
— Por que isso importa?
— É claro que importa...! — Uma ponta de pânico coloriu sua voz.
Cassel começou a desabotoar as calças.
— Não me importo que você veja. Afinal de contas, somos casados. Na verdade, talvez eu fique excitado se você assistir.
— Até mesmo casais casados têm um nível mínimo de decência a ser mantido.
— Decência? Que adorável, vindo da pessoa que se ofereceu para me chupar primeiro.
Em um instante, Inês baixou a camisola sobre as nádegas e saiu da cama. Em seguida, ela saiu rapidamente do quarto antes de ter outro vislumbre do pênis dele.
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