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Capítulo 33 — Testando Limites

— O quê? — Inês não tinha certeza do que dizer.

Como não compreendeu o sentido da pergunta, ela apenas questionou. No entanto, em vez de responder, uma mão perfumada evolveu-lhe o seio.


Foi um movimento tão natural, como se ela estivesse oferecendo o próprio busto em troca, que Inês não conseguiu processar a situação por um instante; ela apenas piscou os olhos enquanto se fitava no espelho.


Os olhos azuis casuais de Cássel, sua expressão despretensiosa e seus lábios indiferentes prenderam sua atenção. A cena em que seu seio esquerdo era capturado pela imensa mão direita dele e massageado desenrolava-se diante dela. Mas ele agia como se não houvesse nada de errado naquilo.


Inês quase tinha se esquecido de sua longa e árdua noite de núpcias. A primeira relação deles foi tão intensa que ela mal podia acreditar que tinha acontecido. Na verdade, ela ficara tão exausta que as memórias pareciam tão realista quanto um sonho.

Desde que se mudaram, as noites em Calstera vinham sendo inteiramente tranquilas e saudáveis. Não havia qualquer sensação de perigo, já que os gracejos matinais sempre terminavam em uma piada leve, e a noite era seca e serena. As mãos de Cássel deslizavam para cima e para baixo em seu corpo todas as manhãs, mas ele nunca ia além disso.


Ela encontrou os olhos de Cássel escurecidos pelo desejo. No espelho ela notou uma pontada de embaraço, sem saber como responder ao gesto audacioso, no próprio rosto. Era diferente da manhã e diferente das outras noites. Soube instintivamente, com um aperto no estômago, que Cássel pretendia levá-la para a cama naquela noite.


Imaginando que seria esse o caso, Inês contou calmamente em pensamento o número de dias desde a madrugada até aquele momento... "Acho que já era hora, de qualquer forma", mas, como aquilo ainda lhe parecia um tanto absurdo, perguntou com leveza:


— Você geralmente fica excitado tão de repente? — ela perguntou.


— Você me chamou de ‘adorável’— disse Cássel, como se tudo isso fosse culpa dela por dizer algo inapropriado para um homem tão impressionante como ele. As pontas dos dedos dele, que antes acariciavam suavemente a pele, de repente pressionaram os mamilos erguidos, para logo em seguida envolver tudo e massagear com firmeza. Esperando que aquilo não fosse uma retaliação…… sem sequer franzir o cenho, ela olhou para o espelho e o questionou:


— Meu comentário te irritou?


— Não — respondeu Cássel.


— Então, por que isso importa?


— Isso importa porque, eu não fiquei irritado.


— ......Se você não ficou então— 

A pergunta dela foi interrompida pela mão dele deslizando para dentro de sua camisola. Suas mãos percorreram seu decote em um movimento fluido. Inês sentiu uma profunda ambivalência e fixou o olhar nos olhos azuis refletidos no espelho. Cássel já observava o rosto dela pelo reflexo, de modo que não foi difícil sustentar o contato visual, mesmo que ambos olhassem na mesma direção. 

Ela nem parou, nem encorajou as carícias dele.


Com a outra mão, ele acariciou suavemente a clavícula reta de Inês, subindo do pescoço até o queixo, fazendo-a erguer a cabeça um pouco mais. Os olhos de Cássel se dilataram ao notar que aquele movimento conferia a ela uma expressão extremamente altiva.


As pálpebras dela pesaram em direção ao espelho e, sob aquelas dobras delicadas, brilharam os olhos verde-oliva que nunca lhe pareceram familiares……


Sem desviar o olhar dos olhos de Inês no reflexo, ele jogou os longos cabelos dela para trás das costas. Com os fios afastados, o pescoço e os ombros ficaram completamente expostos. O cabelo que antes emoldurava o busto desapareceu, revelando no espelho a mão que Cássel havia enfiado por baixo do negligê e o formato do seio esmagado sob a barra fina de sua camisola.


Ela pensou que era evidente demais assisti-lo massagear o seio com a peça levemente suspensa, mas esse pensamento desvaneceu-se quando Cássel ergueu o busto dela com as pontas dos dedos cravando-se profundamente na pele. O decote afundou mais do que Inês esperava, e seus seios firmes e empinados ficaram expostos com extrema facilidade sobre o tecido. 

Agora a situação era flagrante demais. 

Os seios eram moldados suavemente pelos dedos que os sustentavam, com os mamilos projetando-se por entre as fendas das mãos; tudo estava à vista.


— Linda — sussurrou com a voz rouca ecoou bem rente ao ouvido dela. Eram palavras que soavam como pura admiração, ou como se o julgamento dele estivesse de alguma forma distorcido. No entanto, mesmo aquela voz parecia parte de um espetáculo que não se conectava inteiramente com ela.


Ela preferia mil vezes ficar despida à frente dele do que assistir ao próprio reflexo naquela pose. O negligê, sutil como asas de libélula, não escondia nada, servindo apenas de moldura para a mão imensa que exibia um de seus seios para o espelho……


Cada vez que Cássel afrouxava sutilmente o aperto para recapturar o seio sob um novo ângulo, a carne alva e farta de seu busto volumoso esparramava-se e espremia-se por entre as fendas de seus dedos compridos. Uma leve onda de constrangimento subiu-lhe pelo pescoço, ruborizando as bochechas de Inês; não que ela estivesse completamente superada pela timidez, mas toda aquela exibição teatral diante do reflexo lhe parecia friamente desnecessária.


— …… Por que nós não vamos para a cama? — sugeriu ela, tentando desviar a atenção dele do móvel.


— Eu gosto daqui.


— …… Não há a menor necessidade disso.


— Eu realmente gosto daqui, Inês.


A pressão com que ele pinçava e puxava o mamilo rígido entre as falanges que esmagavam seu seio era puramente provocativa. Era como se o "aqui" ao qual ele se referia com tanta insistência não fosse o espaço físico do quarto diante do espelho, mas sim a intimidade exposta do busto dela.


Por mais que as mãos imensas de Cássel continuassem a torturar e moldar aquela carne macia, o contorno dos mamilos — eretos, intumescidos e firmemente beliscados pelos dedos dele — destacava-se no reflexo com uma clareza ultrajante. Era evidente que ele agia de propósito, testando os limites dela. Seria aquilo um troféu que ele fazia questão de exibir com orgulho?


Ele cruzou o peito dela em uma linha diagonal, apertando a carne com força até o limite do suportável, para logo em seguida erguê-la com uma delicadeza quase cruel, forçando ambos a contemplar no espelho os seios que agora ostentavam marcas avermelhadas e nítidas, deixadas pela pressão dos dedos dele sobre a pele clara. A aréola cor-de-rosa pálida e o bico do seio brilhavam intensamente sob a iluminação tênue do aposento, ostentando um aspecto úmido, como se já tivessem sido exaustivamente sugados e manipulados. O óleo perfumado que ele trazia nas mãos misturava-se ao suor leve, reluzindo sobre os vestígios daquela tortura persistente.


Após apenas alguns minutos daquela manipulação incessante, Inês parecia completamente desarrumada, envolta em uma atmosfera lasciva que transformava o cenário em uma pintura vulgar. 

Na primeira noite deles, em meio à escuridão e ao torpor do bloqueio, ela jamais tivera a oportunidade de ver a imagem que projetava enquanto era possuída; agora, o espelho não lhe permitia ignorar nenhum detalhe.


Uma onda de tontura sutil a invadiu, como se tivesse tragado uma lufada de fumaça densa e inebriante, fazendo com que o ar, ao subir e descer por sua garganta, se transformasse em uma respiração ardente e descompassada. Era uma perda de controle que a desagradava profundamente; mesmo com a mente inquieta e fervilhando, Inês esforçou-se para manter o semblante plácido e imperturbável.


No entanto, a mão dele, que antes lhe acariciava o queixo, desceu com firmeza pelo seu ombro, puxando-a para trás até colar suas costas inteiramente contra o peito largo e quente de Cássel. A força daquele abraço era inabalável, prendendo-a ali.


Ela soltou o ar em um suspiro trêmulo e acrescentou:


— …… Eu não sou como você, Cássel. Não gosto daqui.


— Nós não nos deitamos juntos desde que chegamos a Calstera — murmurou ele, a voz roçando a nuca dela —, então você ainda não tem como saber o quão delicioso é perder o juízo e se entregar neste lugar…… Não acha?


— Eu não gosto de olhar para esse espelho.


— Uma pena. Porque parece que o espelho adora você.


Cássel soltou uma risada abafada, um som rouco que vibrou contra as costas dela, enquanto seus dedos capturavam e beliscavam os mamilos já rígidos de Inês. O rastro escorregadio do óleo perfumado tornava a pele ainda mais hipersensível, transformando o ato de torcer e puxar as pontas intumescidas em um tormento deliciosamente complexo.


Sim, sob o reflexo daquela luz tênue, tudo se tornava obsceno e pecaminosamente caótico.


Ele não havia avançado para nenhuma outra parte de seu corpo, e o negligê permanecia desalinhado exatamente da forma como a criada o deixara no quarto, expondo apenas a nudez de um de seus seios; e, no entanto, a atmosfera no aposento já se tornara promíscua, lasciva e vulgar além da conta.


— Isso é depravado demais, Cássel — Inês sussurrou, os dedos envolvendo o grande pulso dele em uma tentativa inútil de contê-lo.


Como sempre acontecia durante as manhãs, a força física dele era avassaladora, um domínio contra o qual ela simplesmente não conseguia lutar. Adotando uma postura mais firme, ela tentou denunciar a rigidez obstinada daquele braço que mais parecia uma rocha:


— Você não precisa agir dessa forma.


Cássel arqueou uma das sobrancelhas, o olhar carregado de uma ironia sombria.


— Você fez coisas muito mais depravadas do que isso em nossa primeira noite juntos.


— Bem, mas eu não fui obrigada a testemunhar essas obscenidades com meus próprios olhos. Você pode assistir o quanto quiser, se isso o agrada……


— Olhe para si mesma no reflexo. É fascinante demais.


— Eu, de verdade…… não quero ver……


A mão que antes sustentava seu queixo subiu sutilmente, espalhando-se pelo contorno de seu pescoço. Cássel arquejou, a respiração quente roçando a pele dela antes de capturar e chupar o lóbulo da orelha de Inês com insistência.


— Eu quero que você veja também, Inês.


— E-eu…… Ahh…… — As palavras perderam o sentido na garganta dela, desfazendo-se em um som sôfrego.


— Quero que veja o quão sedutora você fica assim.


Ao proferir as palavras, ele pressionou o mamilo intumescido dela com o dedo indicador, aplicando uma força firme e direta. Inês engoliu o gemido que subia por seus lábios e deixou o corpo pender para trás, colando-se contra o peito de Cássel, inteiramente rendida ao toque.


Os lábios dele abandonaram o lóbulo de sua orelha e subiram pelo rosto dela, distribuindo sôfregos beijos estalados desde a testa até as pálpebras fechadas. Ele percebeu o lampejo de irritação no olhar verde-oliva dela, mas limitou-se a mordiscar de leve a carne macia ao redor de seus olhos. Inês se perguntou se aquele aperto sutil de dentes seria uma espécie de vingança por parte dele, embora estivesse confusa demais para entender o motivo de tanta hostilidade.


— Você começou — sussurrou Cássel, a voz impregnada de uma intensidade sombria.


— Como eu…… — Um gemido sôfrego escapou por entre os lábios dela, cortando sua própria defesa.


— Eu estava me segurando no meu limite, mas você desencadeou tudo isso — declarou ele, os olhos fixos no reflexo. Raúl Balaan provavelmente havia sido o primeiro a atiçar seus instintos masculinos naquela noite, mas Cássel não dava a mínima para a origem daquela provocação; o foco agora era inteiramente ela.


— Você estava…… se segurando……? — Inês murmurou, a pura confusão permeando seu tom de voz.


— É claro. Por qual outro motivo você acha que foi deixada em paz para dormir sozinha todas as noites?


Inês tinha plena consciência da paciência que ele exercia durante as manhãs. No entanto, ele jamais havia demonstrado o menor vislumbre de interesse por ela no período noturno. Nas últimas semanas, Cássel limitava-se a sentar na varanda sob o sereno, observando as ondas quebrarem na praia, com uma postura tão diligente e limpa que parecia ter extinguido qualquer resquício de desejo sexual através da exaustão dos exercícios físicos da tarde.


Além do mais, sem uma dama de companhia para assisti-la, ela vinha se vestindo deliberadamente de forma sóbria, quase desleixada, com roupas que sabotavam qualquer atrativo. Ela raramente usava maquiagem para cumprimentar o marido e recusara firmemente trazer uma criada treinada de Mendoza para cuidar de sua estética. Se Cássel permanecia distante e sem apetite por ela à noite, aquilo era, sem dúvida, o reflexo direto de suas próprias escolhas estratégicas.

Inês sentia-se genuinamente vitoriosa e grata pela paz que havia cultivado até então.


— Eu mal consigo acreditar que você realmente não notou — Cássel suspirou, o hálito quente roçando a pele dela. E, como uma punição imediata por aquela falta de percepção, ele voltou a beliscar o mamilo intumescido com força.


Inês abafou outro gemido contra a garganta e, reunindo suas forças, moveu a cabeça para encará-lo de frente no reflexo do espelho.


— Cássel, eu compreendo perfeitamente que a intimidade física é o dever mais importante dentro de um matrimônio. Sei que já estamos no período de sermos íntimos novamente, mas……


— Então, o problema é que você simplesmente não gosta do espelho — Cássel a interrompeu, adotando uma fisionomia quase entediada, como um menino que ouve uma reprimenda repetitiva.


Mas Inês permaneceu irredutível em sua formalidade.


— Se essa visão serve para estimular os seus desejos de alguma forma, eu não vou impedi-lo…… Mas……


— Mas……? — ele instigou em voz baixa, sabendo exatamente o que ela tentava mascarar por trás daquela postura racional. Frases como "Isso é inútil" ou "Não serve para nada".


— Ao menos para mim, não ajuda em nada. Sendo assim……


— Ah, é?


Ela deveria ter previsto o perigo por trás daquele sorriso oblíquo. Antes que pudesse processar o movimento ou se assustar com o próprio corpo que de repente flutuou no ar, Inês viu-se sentada sobre a superfície fria da penteadeira, encarando-o de cima com as pernas suspensas.


— Posso conferir?


— O qu-……


— Vou verificar por mim mesmo se essa visão realmente não fez nada por você.


Sem dar espaço para qualquer reação, Cássel ergueu a barra fina de sua camisola de um golpe só, abrindo suas coxas e inclinando o rosto de forma impetuosa entre as pernas dela.

Seus lábios pegos de surpresa quase soltaram um grito, mas ela conseguiu manter a dignidade. Contudo, estando já sobre o móvel, com as pernas afastadas e Cássel com a cabeça abaixada entre elas, era pouco provável que conseguisse preservar muita altivez.


— Cássel... sim, Cássel... espera um momento...!


O sopro quente e impetuoso de sua respiração atingiu em cheio o tecido fino da roupa íntima, fazendo a seda colar contra a pele já febril.

Cássel não fez menção de remover a peça; em vez disso, deslizou os lábios úmidos com uma lentidão torturante através da fenda que protegia o contorno de sua intimidade, deixando ali um beijo leve, mas carregado de uma promessa perigosa. A boca dele mapeou cada centímetro daquela região, subindo desde a ondulação macia do monte de Vênus até alcançar as protuberâncias mais ocultas e sensíveis, pressionando as dobras da carne que pulsavam sob a barreira do tecido. 


Como ele já bem sabia àquela altura, e Inês também começava a compreender na pele, o corpo dela não conseguia ignorar aquela proximidade.

Com uma ousadia calculada, Cássel usou os dentes para morder o tecido úmido da calcinha, prendendo-o de leve antes de puxá-lo. 


A reação que Inês tentava desesperadamente reprimir enquanto sentia o calor e a pressão firme daquela boca jamais seria provocada por sua própria saliva; era o suco de seu próprio desejo que começava a ensopar a seda sob o comando dele.


Embora tentasse racionalizar que aquilo não passava de uma reação fisiológica perfeitamente natural do corpo feminino, causava-lhe uma profunda agonia aquela sensação de derrota escancarada no pior momento possível. Era como se, no silêncio do quarto, ela estivesse escutando cinquenta palavras de deboche e escárnio da parte dele, mesmo que Cássel não tivesse pronunciado uma única sílaba.


O embaraço de uma mulher que mal havia assimilado as sensações de sua primeira noite de núpcias não teve a menor chance de se assentar. Dominada por um ímpeto de orgulho ferido, Inês enterrou os dedos bruscamente nos fios dourados do cabelo de Cássel, aplicando força para obrigá-lo a erguer a cabeça e afastar-se de suas coxas.


No entanto, ao fitá-lo, não encontrou no rosto dele o vislumbre de um sorriso de zombaria ou triunfo que esperava encontrar. A fisionomia de Cássel era gélida, inexpressiva e de uma seriedade tão cortante que parecia quase uma promessa de punição para o momento seguinte. 


Percebendo o perigo iminente, ela rapidamente reprimiu a própria irritação e relaxou os dedos, afastando a mão da cabeça dele. Embora Inês possuísse uma natureza extremamente orgulhosa e soberba, também era uma criatura friamente realista, de modo que não foi difícil intuir que perderia muito mais do que ganharia se continuasse a provocá-lo daquela maneira.


Mas, quando se chega ao ponto de pensar que é tarde demais para recuar, na maioria dos casos já é realmente tarde.


Cássel inclinou o corpo musculoso para a frente, dominando o espaço entre as pernas dela, e capturou a mão que ela acabara de afastar. Ele colou os lábios nas pontas dos dedos de Inês, dando uma mordida sutil que a fez estremecer, para logo em seguida pressionar um beijo demorado e quente bem no centro de sua palma aberta. Sob o peso daquele olhar azul e fixo, Inês sentiu como se tivesse sido tonta o suficiente para enfiar a própria mão voluntariamente dentro da boca de um leão faminto.


— Cássel…… — ela sussurrou, a voz saindo tão fraca e sôfrega que ela mesma não saberia dizer se o intuito era dissuadi-lo de continuar ou incentivá-lo a ir mais fundo.


A visão dos lábios dele, ainda brilhando intensamente com o rastro dos sucos íntimos que ele colhera de entre suas pernas há poucos instantes, fez com que as pontas das orelhas de Inês queimassem em um tom vivo de vermelho. 

Perturbada com a crueza daquela imagem, ela tentou arrancar a mão do aperto dele com um puxão brusco, mas Cássel foi infinitamente mais rápido. Segurando os dedos dela com uma firmeza esmagadora que impossibilitava qualquer fuga, ele continuou a distribuir beijos vorazes e úmidos por toda a extensão de sua palma. Era como se as mãos de Inês tivessem se tornado o substituto perfeito para os lábios dela, compensando o fato de ele ainda não ter tido a permissão de beijá-la na boca naquela noite.


Inês contorceu-se sobre a superfície rígida do móvel, incomodada com a intensidade do toque, mas a reação dela só fez com que Cássel demonstrasse ainda mais determinação. Observá-lo, sob a claridade impiedosa do aposento, devorar suas mãos com os lábios era uma experiência que se provava ainda mais constrangedora e excitante do que ter a cabeça dele aninhada entre suas coxas.


— ……


Com o rosto posicionado estrategicamente entre as pernas escancaradas dela, sob a iluminação total que vinha do lustre, Inês sequer conseguia olhar diretamente para baixo por muito tempo; no entanto, o simples fato de saber que podia testemunhar cada detalhe daquela cena pelo reflexo do espelho tornava tudo pecaminosamente ultrajante.


"Que sem-vergonha……", pensou ela, ultrajada com a audácia do marido. Ela encarou o homem instalado entre suas coxas, assistindo-o acariciar suas palmas com uma devoção quase religiosa, agindo como se jamais tivessem trocado farpas e alfinetadas instantes atrás.


Cássel, que havia deslizado os lábios úmidos por cada um dos dedos esguios dela, subiu até as pontas e sugou a extremidade de suas falanges com força, arrancando um estalo lascivo. Por entre os fios desalinhados de seu cabelo loiro, ele ergueu os olhos azuis e encarou Inês diretamente. Eram olhos que queimavam com uma intensidade muito pior e mais faminta do que os da madrugada nupcial. Diante daquele olhar, um calor denso e sufocante subiu pela garganta de Inês, espalhando-se como fogo líquido diretamente para o fundo de seu ventre.

Cássel prendeu os braços dela e usou sua outra mão para puxar suas coxas para mais perto dele. Então, fixando seu joelho no banquinho da penteadeira, ele se inclinou ainda mais profundamente em direção ao seu torso. Inês tinha as costas contra o espelho, com seu seio exposto e suas pernas ainda abertas para ele. Seu corpo inteiro, incluindo suas partes íntimas, foi exposto diante dos olhos de Cássel.


— Viu? O espelho gosta de você — disse Cássel. Mesmo que suas palavras fossem provocadoras, sua voz não tinha um pingo de humor.


Inês estremeceu com a sensação sinistra e tentou se contorcer para fora de seu aperto, sem sucesso. Cássel apenas empurrou sua coxa para baixo, abrindo-a ainda mais.


Ele olhou atentamente para suas roupas de baixo, molhadas e com marcas de mordida. Seus olhos azuis queimavam de luxúria. 


— Na verdade, eu acho que você pode gostar do espelho também. Ele te excitou, como você pode ver. — Cássel falou não para o rosto dela, mas para suas roupas de baixo úmidas.


Inês se contorceu novamente com desconforto e balançou a cabeça.


— Não? — Cássel sorriu maliciosamente.


— O espelho não ajudou em nada.


— Bem, você gostou de ver seus mamilos sendo provocados no espelho.


Inês franziu a testa. 


— Você não precisa me dizer coisas assim...


Mas Cássel não tinha terminado de falar. — Você também gostou de ver seu seio balançar no reflexo. Ou você gostou de ter apenas um seio nu ao ar livre?


Inês calou a boca. Quanto mais ela falava, mais coisas vulgares Cássel provavelmente diria a ela em resposta. Ela sabia que seu estado atual apenas convidava a mais provocações. Mas, infelizmente, seu silêncio foi tarde demais novamente.


— Me responda, Inês — Cássel sussurrou enquanto ele puxava sua roupa de baixo para o lado para revelar sua entrada úmida. — Eu estou tentando descobrir o que você gosta.

Os olhos azuis brilharam de forma descarada e insidiosa.

O desejo brilhou em seus olhos, mais intenso. Ela não gostou nada desse fervor estranho. Seus dedos lentamente entraram nela o mais fundo que ele podia alcançar. Quando ele arrastou as pontas de seus dedos ao longo de suas paredes internas, Inês jogou a cabeça para trás e mordeu os lábios. O som obsceno e de esmagamento coçou seus tímpanos. 


"Não posso... acreditar que isso está realmente acontecendo."


— O que te deixou tão molhada? — Cássel murmurou em um tom baixo e sensual.


Inês só conseguia gemer em resposta.


— Inês, você já está tão molhada, mas eu mal fiz algo para você.


— Eu te disse, pare de dizer tais—


Cássel interrompeu seu protesto. — Se você é boa demais para palavras vulgares como esta, apenas me diga o que te deixou tão encharcada.


— Ah...! — Inês mal conseguia manter seus pensamentos em ordem.


— O que quebrou suas paredes? O que transformou uma dama tão refinada em uma fera desenfreada?


Um segundo e então um terceiro dedo entraram em Inês. A cada movimento de seus dedos grossos, ela estremeceu em resposta. As alças de sua camisola lentamente deslizaram para baixo, revelando mais de seu outro seio. O decote se prendeu em seu mamilo ereto, não deixando o tecido cair mais. 


Mas o material era tão transparente que o rosa maduro de seu mamilo espiou por entre ele. Cássel pegou a coisa toda em sua boca e sugou tanto o tecido quanto o mamilo por baixo com vigor. A leve mordida de seus dentes apenas adicionou ao prazer de sua língua em seus pontos sensíveis.


Inês franziu a testa quando ela percebeu o quanto de prazer ela estava sentindo. Cássel certamente fazia jus à sua reputação com suas habilidades na cama. Ela o empurrou para longe, e os ombros sólidos recuaram, sentindo sua genuína recusa.


— Isso não ajuda em nada? Não é do seu agrado? — perguntou Cássel com sinceridade.


Inês não sabia como responder. Ela não queria admitir que seu corpo encontrava prazer em suas ações, mas a verdade era óbvia demais para fingir o contrário.


Inês parecia quase consternada enquanto ela dizia: 


— …… É claro que ajuda. Mas……


Inês admitiu com uma expressão um tanto trágica no rosto. Assim que as palavras foram ditas, ela posicionou rapidamente as mãos para cobrir o rosto de Cássel, que estava prestes a colar-se ao seu peito novamente, e acrescentou em seguida:


— …… Eu não tenho aversão ao sexo, então é normal que eu sinta algo quando sou estimulada. Olhar para o espelho…… provavelmente é porque você é um pouco pervertido, mas sim. Talvez eu……


— Eu sei. Você também é um pouco pervertida, e é por isso que me assistiu e sentiu prazer enquanto eu massageava os seus seios pelo espelho. E, talvez, mesmo que não seja uma pervertida, você responde aos meus toques.


Ele escutou o desabafo de Inês atentamente e organizou as ideias à sua própria maneira. Não era nada agradável para ela.


— Então, no fim das contas, você está dizendo que eu fui útil.


— Mas eu não quero sentir prazer sem necessidade……


Cássel franziu a testa. — Você percebe o quão bagunçado isso soa?


— …… O quê?


— Parece que você gosta de ser forçada.


Aquilo foi um salto em direção à feroz crítica da noite de núpcias, quando ele questionara: «Você está me dizendo para estuprar você agora?». A verdade era que ela preferia ceder pela força do que por mero senso de dever.


Inês balançou a cabeça apressadamente em negação.


— Você sabe muito bem que não foi isso o que eu quis dizer……


— Não sei, não. Que tal testarmos isso também para registrarmos os resultados?


— Registrar? Onde diabos você pensa que……!


— Não vai doer, já que você está molhada demais…… O seu lado masoquista vai ficar decepcionado hoje.


Ele exibia uma arrogância tremenda. 

Cássel, que havia apenas aberto a braguilha da calça — já que vestia suas roupas habituais, incluindo a camisa e os suspensórios —, roçou o membro ereto contra a parte interna da coxa dela, de modo que a extremidade já se encontrava úmida.

Sua masculinidade era impressionante em circunferência e comprimento, fazendo Inês inalar nervosamente. Ele deslizou o corpo dela para baixo da penteadeira com uma mão e puxou sua camisola para cima com a outra. Ele puxou suas calcinhas para baixo e disse com a voz rouca: 


— Pare de usar isso à noite.


— Cássel...!


— A roupa apenas atrapalha, especialmente se nós formos fazer sexo da maneira que você gosta. — Com isso, Cássel virou Inês, dobrando-a sobre a penteadeira com suas nádegas de frente para ele.

Cássel colocou seu membro de uma vez e começou a estocar freneticamente, ditando um ritmo impetuoso e sem tréguas. A força avassaladora e o tamanho massivo dele aplicavam uma pressão tão profunda que ela era capaz de sentir o impacto direto no colo de seu útero, fazendo seu corpo inteiro estremecer a cada investida.


— …… Ah…… Cássel……! — choramingou Inês, as mãos agarrando as bordas do móvel enquanto tentava encontrar apoio. Mas ele parecia completamente transtornado pelo prazer, a voz saindo rouca e cortante enquanto falava junto ao ouvido dela:


— Você não está apenas cumprindo com seu dever? Então por que diabos está tão molhada……? Olha só para o espelho, veja como você está pingando e melando o meu pau a cada golpe.


Inês, incapaz de desviar os olhos, encarou o próprio reflexo na penteadeira. No vidro, sua imagem exibia um rosto intensamente corado, os cabelos desalinhados e os olhos obscurecidos pelo torpor da carne.


— Inês…… é melhor se preparar. Se eu derramar toda a minha semente dentro de você desse jeito, a melhor coisa que já comi na vida vai ficar ainda mais escorregadia……


— ……!


— Você deveria carregar os nossos filhos, não é? Eu meto com força, e você aceita, já que diz que este é o seu dever de boa esposa.


— C-Cássel……!


— Estou cumprindo o meu papel com toda a diligência do mundo, mas se você não acolher tudo assim, o seu precioso dever será arruinado.


— É demais…… Muito duro, Cássel…… Devagar……! — suplicou ela, sentindo o impacto implacável que a empurrava contra a madeira.


— Você não gostou quando foi forte? Então, toma assim…… ha…… Droga, eu não consigo mais me segurar……


— Isso é muito……


— É muito vulgar? Olhe bem para a expressão no seu rosto agora, Inês. Olhe e me diga se este é o nobre dever que você tanto insistia em cobrar……


— Aha…… sim……!


— Nós só estamos fazendo exatamente o que precisamos fazer……


O som do gemido grave e sôfrego dele ecoando colado em seu ouvido, as estocadas que saíam completamente descontroladas e o seu próprio busto que balançava luxuriosamente no espelho toda vez que ele a tomava por trás, a mão dele que a agarrou avidamente pela cintura mais uma vez, e aqueles lábios selvagens que sugavam e mordiscavam a sua nuca, deixando ali marcas avermelhadas e definitivas de sua posse.

Naquele momento, eles eram um só.


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