Capítulo 36 — Grande Reforma
Cássel voltou para casa no início da noite.
Quando entrou na entrada, notou o quão diferente a casa parecia em relação à manhã. Na verdade, a mudança ainda estava em andamento. As empregadas e servos corriam pela casa com móveis ou bugigangas nos braços. Estavam tão concentrados no que faziam que nem perceberam a chegada do mestre.
Cássel viu um tecido amarelo pelo canto do olho. Quando estreitou os olhos e se virou para o corredor, percebeu que era Inês, movendo-se com uma velocidade que ele nunca tinha visto antes.
Ao ver Cássel ainda parado na porta, ela o recebeu com braços abertos e um sorriso no rosto.
— Cássel, você voltou! Entre. Você deve ter trabalhado duro hoje.
Cássel ficou estupefato por um momento. Como a teimosa e mal-educada Inês poderia recebê-lo assim? Mal podia acreditar nos próprios olhos.
— Por que você ainda está parado aí? — Inês fez sinal para que ele entrasse. — Entre.
Cássel ainda olhava para Inês com desconfiança. Seu gesto convidativo e sorriso amigável pareciam os de uma esposa comum. A voz dela era otimista demais, e o discurso, gentil demais. O olhar de Cássel percorreu suas mãos pálidas apoiadas em seu braço.
— Ah, você deve ter se assustado com o caos — disse Inês, assentindo como se entendesse o que ele estava pensando. — Eu estava querendo organizar a casa, meu querido.
— “Meu querido?” — repetiu Cássel em tom incrédulo.
Inês não deu atenção e continuou:
— Como você sabe, estou um pouco desmotivada desde que cheguei em Calztela.
Até onde Cássel se lembrava, Inês estava longe de estar deprimida ou desmotivada. Pelo contrário, ela sempre parecia perfeitamente contente em sua preguiça intencional.
Sempre imaginei que a vida com Inês seria devota e chata.
Em sua mente, ela parecia a mulher que acordava ao amanhecer para meditar nas escrituras e rezar. Mas, na realidade, Inês estava colada ao travesseiro — não à bíblia — todas as manhãs. Mesmo quando ele acariciava seus mamilos ou enterrava o rosto em seu pescoço, ela apenas franzia a testa e resmungava incoerentemente.
Cássel admitiu que achava Inês bastante adorável pela manhã. Por mais impossível que fosse igualar Inês Valeztena a tal palavra, Inês Escalante era adorável quando estava apenas semiconsciente.
Esta noite, Cássel sentiu algo estranho em Inês. Ele duvidou se ela estava em seu perfeito juízo agora — e não de uma forma cativante. Quanto mais Cássel ficava sem responder, mais Inês o instava, com a mão apoiada em seu braço.
— Você sabe disso, certo? — perguntou ela novamente.
Cássel sentiu a pressão de concordar, soubesse ou não. Então respondeu:
— Sim, eu sei.
— Mas veja, eu percebi uma coisa esta manhã.
— Percebeu o quê...?
— Percebi que preciso colocar tudo em seu devido lugar — disse Inês. Sua voz era tão inflexível que Cássel se perguntou se ela também planejava colocá-lo de volta em seu devido lugar.
Devido ao turbilhão de atividades em torno da reorganização dos móveis, a casa parecia ainda pior do que pela manhã. No entanto, Inês ainda parecia positivamente revigorada e calma.
Arondra interveio:
— De fato! A casa estava uma bagunça tão grande que os móveis praticamente empurraram os moradores para fora... Se não fosse pela Senhora Escalante, poderíamos ter vivido nessa bagunça por mais alguns anos.
Arondra parecia ter esquecido que Cássel nunca teria se mudado para essa casa menor se não fosse por Inês em primeiro lugar.
— Duvido — disse Inês com um sorriso envergonhado.
Arondra balançou a cabeça.
— Você conhece nosso Senhor. Ele nunca teria feito um esforço para resolver a situação.
Inês assentiu:
— Verdade... a casa já estava caótica quando cheguei.
Nenhuma das mulheres parecia se importar que Cássel pudesse ouvir a conversa delas. Arondra sempre gostou muito de Inês, como uma mãe superprotetora. Mesmo quando Inês cochilava no meio do dia, Arondra derramava elogios:
— A graça da Senhora Escalante não conhece paralelo. Ela é graciosa até quando respira.
A governanta estava parecento o duque Valeztena, que ficava irritado com Cássel e encontrava defeitos em tudo o que ele fazia, incluindo o som de sua respiração.
Cássel passou por Arondra e desceu o corredor. Inês o seguiu e colocou o braço dela em volta do dele. Ela então abraçou o braço dele e se inclinou. Imediatamente, o cérebro de Cássel parou de funcionar por um momento. O que diabos está acontecendo?
Cássel tinha dado o braço a Inês em inúmeras festas, mas nunca em um abraço caloroso como agora. Em vez disso, ela sempre mantinha as costas eretas e sutilmente se inclinava para longe dele. Ela nunca tinha sido tão cordial, mesmo quando nutria um amor não correspondido por ele.
Então por que ela agiria dessa forma de repente?
Um par de servos carregando um futon interrompeu sua linha de pensamento. Depois de cumprimentar o mestre, os dois bufaram alto e continuaram movendo o futon para fora do salão. Cássel imaginou que Inês deveria estar se livrando do futon completamente. Decidiu não pensar mais nisso.
Inês virou-se para Cássel e disse:
— Não estou tentando mudar muito. Sei que você deve ter tido motivos para organizar a casa desse jeito.
Cássel levantou uma sobrancelha.
— É mesmo?
Inês assentiu:
— Verdade... a casa já estava caótica quando cheguei. — Ela continuou — Eu queria te perguntar sobre algumas peças de mobília. Quero jogá-las fora, mas somente com sua permissão, é claro.
O olhar de Cássel viajou para o futon que já havia sido empurrado para fora da entrada. Então voltou seu olhar para Inês. Ela não demonstrou um pingo de constrangimento por sua mentira descarada.
Cássel olhou atentamente para Inês: seu vestido amarelo-sol, a leve rouge nos lábios, as tranças soltas emoldurando seu rosto e o sorriso falso estampado...
Tudo parecia fora do lugar. Quem ela está tentando impressionar nesta casa com esta roupa?
Inês sempre fora rápida em recusar. Em todos os dias em que Cássel a conheceu, ela fora igualmente indelicada com todos, incluindo o príncipe herdeiro. Ela raramente sorria, mesmo diante da corte imperial. Com base em seu caráter, seu comportamento atual era inimaginável.
Tinha que haver outra razão para seu comportamento estranho além de reorganizar a mobília.
Consciente de que poderia estar caindo numa armadilha, Cássel respondeu:
— Você pode fazer o que quiser com todos os móveis. Eles são todos seus tanto quanto meus.
***
Sentado no terraço, Cássel observava tudo o que acontecia, com desgosto na boca.
No salão, Inês estava no meio, apontando e dando ordens aos servos.
— Senhora, para onde devemos mover esta mesa de cabeceira? — perguntou um deles.
— Você pode levar para fora — respondeu Inês.
Inês sempre fora ótima em dar ordens. Como Oscar disse uma vez, "Inês nasceu para ser da classe dominante". Mesmo entre a aristocracia, Inês era excepcionalmente adequada para comandar pessoas. Em festas, ela não hesitava em dar ordens até mesmo àqueles de sangue nobre.
Agora que penso nisso, ela e Oscar podem fazer um bom par...
Cássel afastou o cenário frustrante da cabeça.
Então, olhou para o vestido amarelo-sol dela. Onde quer que Inês fosse, deixava um rastro de fragrância. Embora sempre cheirasse bem, esse cheiro era artificial demais para ser qualquer coisa além de um perfume. Que coisa de dama nobre... mas que coisa diferente de Inês.
Em Mendoza, borrifar perfume para mascarar o próprio odor era considerado mais na moda do que tomar banho. Cássel nunca gostou dos aromas artificiais dos perfumes. Ele era sensível a cheiros e, portanto, frequentemente ficava enojado com os odores misturados de suor e perfumes caros que tingiam o ar. Provavelmente era por isso que ele tinha ficado tão excitado pelo aroma fresco e natural de Inês em primeiro lugar.
De repente, suas calças ficaram apertadas quando sentiu outro cheiro da fragrância dela. Ele olhou feio para Inês se aproximando de um servo e franziu a testa ao perceber o quão ridículo estava sendo. Sua virilha aparentemente respondia a todos os cheiros dela, artificiais ou não.
Cássel havia desistido de tentar justificar seus desejos há muito tempo. Teve que rir de si mesmo pelo quanto costumava detestar o cheiro de perfumes. Ele imaginou Inês sentada orgulhosamente em frente à penteadeira, borrifando perfume em seu pescoço fino.
Por que estava visualizando tais cenas? Por que a imagem o excitava tanto? Ele mesmo não conseguia explicar.
Inês alguma vez se lembraria daquela noite em que se olhou naquele espelho? Ela coraria de vergonha, assim como quando estava seminua diante dele?
A mente de Cássel voltou ao dia: seu rosto corado, seus lábios entreabertos ofegantes e seus seios saltando de excitação. As imagens sensuais inundaram seu cérebro.
Cássel olhou para o céu e franziu a testa. O céu ainda estava tão azul, e as horas de luz do dia duravam até a noite em Calztela. Como Inês ainda exigia que eles só tivessem relações sexuais à noite, os dias eram realmente longos demais para mim, pensou.
Nesse ponto, a maior parte dos móveis da casa já estava saindo pela porta. Cada servo pedia confirmação a Inês, e ela assentia com aprovação, sorrindo encorajadoramente. Cássel duvidava que o desfile interminável de móveis acabasse antes do pôr do sol, de qualquer forma.
— Senhora, e esta cadeira de balanço? — perguntou um dos servos.
— Isso também pode sair pela porta — respondeu Inês, o rosto iluminado por uma luz brilhante. — Sorria enquanto instruía os criados a jogarem fora a maioria das coisas na casa de Cássel.
Ele continuou observando o comportamento estranho de Inês. Ele abaixou as sobrancelhas e se perguntou novamente: Por que ela está fazendo isso de repente?
Depois de semanas ignorando os funcionários masculinos da casa, como ela conseguia tratar cada um deles pelo primeiro nome ao longo de uma tarde? Quando Cássel foi trabalhar naquela manhã, ela não demonstrava nenhum traço dessa energia proativa.
Ele chegou a perguntar a Yolanda se Inês tinha comido algo incomum durante o dia, mas Yolanda confirmou que ela só tinha beliscado as mesmas coisas de sempre.
O foco de Inês parecia estar na reforma da casa. Ela não parava de falar com a equipe e de elogiá-los.
— Hugo, por favor, leve isso também. Sim, aquele. Você consegue carregar sozinho? Ou devemos chamar o José? Oh, meu Deus! Você consegue carregar tudo sozinho! — disse Inês, entusiasmada.
Hugo sorriu orgulhoso com o elogio de sua Senhora e tentou ao máximo esconder suas mãos trêmulas.
— Senhora, isso não é nada.
— Cássel, venha ver! Hugo pode carregar esta enorme penteadeira sozinho! — gritou Inês, dando até um passo de lado para que Cássel visse.
A testa de Cássel franziu.
— Não se preocupe, eu posso vê-lo.
— Que homem forte você é, Hugo! — exclamou Inês.
Cássel notou que as mãos de Hugo tremiam ainda mais. Hugo provavelmente queria terminar de mover a penteadeira antes que seus joelhos cedessem, mas agora ele estava preso na posição porque Inês o transformara em um espetáculo para Cássel.
Ele não tem outra escolha a não ser lutar pela sua preciosa vida enquanto Inês continuasse a elogiá-lo por sua força.
Da amargura de seu coração, Cássel sorriu e assentiu muito, muito lentamente.
— De fato. Ele pode ser o homem mais forte da casa...
— Não, eu nunca poderia... — respondeu Hugo de forma cortês, apesar dos braços trêmulos.
Cássel ergueu as sobrancelhas e silenciosamente fez sinal para que Inês notasse como Hugo tremia fortemente. Mas Inês não deu atenção às dicas de Cássel. Em vez disso, virou-se para Hugo e disse:
— Por que você ainda está parado aqui? Vá em frente!
Ela então acrescentou com um sorriso:
— Ficar aqui só vai aumentar seu fardo.
Por um segundo, Hugo pareceu ficar sem palavras, mas sua irritação rapidamente desapareceu quando viu o sorriso de Inês.
— Cássel, você vê como todos nesta casa são diligentes? Leve Hugo, por exemplo. Ele nos espera sem uma palavra de reclamação... — disse Inês, dando um suspiro dramático e balançando a cabeça em frustração fingida com a lealdade exagerada de sua equipe.
As criadas atrás de Inês sorriam silenciosamente enquanto moviam os vasos de flores.
É isso que Inês está tentando fazer? Ela está tentando elogiar a equipe sem elogiá-los diretamente...?
Cássel observou o comportamento estranho de Inês hoje sob essa nova perspectiva e engoliu um suspiro de angústia. Tudo, desde seu discurso gentil até a recepção calorosa na porta, devia ter sido motivado pelo mesmo impulso.
A equipe ingênua certamente ficaria radiante de orgulho com o reconhecimento de Inês. Hugo provavelmente se reviraria na cama à noite toda de excitação.
Olhe para ela com aquele sorriso atípico no rosto... Nem combina com ela.
Mas, mesmo enquanto Cássel pensava nisso, ele sabia que não era verdade — o sorriso, por mais falso que fosse, combinava perfeitamente com Inês.
Na verdade, a novidade de ver esse novo lado de Inês o estava excitando.
Cássel ignorou a pulsação em sua virilha enquanto sua mente revisitava os momentos que ele vivera antes. Nenhuma das mudanças dela deveria ser por mim. Infelizmente, era dezessete anos tarde demais para isso.
Ela deve estar agindo de forma tão estranha pelo bem da equipe. Quanto ao porquê de ela precisar agradar a equipe, não tenho ideia. O que ela poderia ganhar mostrando gentileza exagerada aos funcionários? Por que a mulher que zombava até do filho do imperador se importaria com a forma como meros servos a consideravam? Se ela tivesse se preocupado com o que os outros pensavam dela, não teria ganhado o apelido notório de Corvo de Valeztena.
Inês engasgou e se maravilhou:
— Olha como Hugo é forte. Vê? Vê? Ele está carregando aquela estrutura pesada sozinho...!
A linha de pensamento de Cássel foi interrompida por uma pontada de ciúmes.
Chega de falar sobre Hugo.
Como os homens costumam fazer, sua competitividade o distraiu de qualquer pensamento produtivo. Agora, ele precisava vencer essa competição trivial e infrutífera e provar que era mais forte que Hugo.
Sem saber o que se passava na mente de Cássel, Inês acrescentou combustível ao fogo:
— Hugo tem apenas metade do seu tamanho, Cássel.
— Inês... eu não sou tão grande assim — disse Cássel.
— É mesmo? Eu sempre pensei que você tivesse uma estrutura grande.
— O que Hugo levantou não foi nada.
Mesmo enquanto dizia isso, Cássel sabia que estava sendo mesquinho. Para um homem magricelo com uma constituição abaixo da média, Hugo estava puxando muito mais do que seu peso. Em comparação, Cássel era muito mais alto que a média, nasceu com ombros largos e tinha músculos de seus anos de treinamento.
Então, Inês não estava errada em sua avaliação.
Eu poderia levantar aquela penteadeira com uma mão... pensou Cássel.
Então, rapidamente se corrigiu: Preciso usar as duas mãos para me equilibrar, mas nunca tremeria como Hugo.
Inês não lhe lançou um olhar e perguntou:
— Ah, é mesmo?
— Hugo lutou bastante para levantar isso. Ele só se mostrou corajoso porque você o pressionou.
— Entendo — murmurou Inés, sem um pingo de interesse.
Cássel sabia que ela não estava prestando atenção nele. Tudo o que ela se importava era parecer gentil e generosa com os funcionários. Até mesmo a demonstração anterior de afeto era uma performance para a equipe ver. Seu ciúme distorceu sua percepção da pergunta neutra de Inés — “Ah, é mesmo?” — em um comentário cético e desdenhoso. Ele imaginou que Inês via através de seu ciúme infantil e duvidava que ele fosse tão forte quanto Hugo.
Logo, Cássel se juntou à multidão de homens que transportavam móveis. Mas, mesmo quando recuperou o título de homem mais forte da casa, ele não conseguiu evitar a sensação de ter sido enganado por Inês.
— Eu estava pensando — disse Inês — deveríamos reconstruir a cerca na ala oeste. O que você acha?
Cássel mastigou sua comida sem registrar nada do que ela acabara de dizer. Mas Inês não se importava se ele escutava ou não.
— Uma ponta é mais curta que a outra... a menos que a diferença seja intencional? Mas isso parece improvável. Mesmo que a cerca fosse mais alta, ainda teríamos a vista completa do Cerro Logorño... — Inês estava absorta em planejar e comer sua comida — Abaixar a cerca revelaria mais da bela vista. Hmm... E se demolissemos todos os três lados, exceto o lado oeste? Ah. Talvez fosse melhor demolir tudo e começar do zero.
Com apenas alguns pensamentos, o projeto de Inês cresceu de consertar um lado da cerca para reconstruir toda a cerca. Afinal, ela era conhecida por suas decisões impulsivas.
Inês assentiu.
— Sim, vamos fazer isso. Vamos derrubar todos os muros e cercas. Então, poderíamos construir a nova cerca de madeira e pintá-la de branco para combinar com a casa. Uma cerca de estacas brancas ficaria pastoral... — Ela inclinou a cabeça para um lado — Agora que penso nisso, um visual de casa de fazenda pode ser informal demais para a residência Escalante.
Até agora, Cássel não havia dito uma única palavra. Tudo o que fez foi empurrar mais carne para a boca enquanto olhava desconfiado para ela. Ela continuou a divagar sobre seus planos sem dar atenção à falta de resposta dele. Embora frequentemente acrescentasse frases como — O que você diz? — ou — Você acha que seria melhor? —, Inês não esperava que Cássel respondesse.
Inês parou por um momento para mastigar sua comida. Depois de engolir, voltou a falar:
— Uma cerca de aço pode parecer tão convidativa quanto uma cerca de estacas se a pintarmos com uma cor quente. O que você acha? Poderia combinar com as paredes brancas da casa também. Então, podemos construir uma parede externa de pedra clara e decorar a parte superior com adornos metálicos.
Virou-se para o mordomo e perguntou:
— O que isso lhe parece, Alfonso?
— Você tem um gosto excelente, senhora — respondeu Alfonso.
Inês sorriu calorosamente com a resposta cortês.
— Não diga apenas o que você acha que eu quero ouvir, Alfonso. Diga-me sua opinião honesta, como um cavalheiro educado.
O rosto de Alfonso ficou tomado pelo pânico por um breve segundo.
— Eu realmente quis dizer o que disse, madame... A cerca serve como base estética para a casa. Se você mudá-la de acordo com seu gosto, a casa parecerá mais refinada. Certo?
Alfonso assentiu.
— A cerca atual mostra sinais de idade e precisa de reparos, de qualquer forma.
— Você ouviu isso, Cássel? Alfonso concorda comigo.
Infelizmente, Cássel ainda não respondeu.
— Cássel? — perguntou Inés.
Alfonso sussurrou:
— Com todo o respeito, Sua Senhoria parece preocupado observando seu rosto, senhora.
Inês virou-se para Cássel e limpou a boca.
— Eu coloquei alguma coisa no rosto?
— Seu rosto está imaculado, Inês — Cássel sorriu. Ele não admitiu que a considerava suspeita.
— Então, qual é o problema?
— Eu só estava tentando descobrir por que você está agindo dessa maneira.
Embora tivesse entendido claramente o que Cássel queria dizer, ela inclinou-se a cabeça em uma demonstração de confusão.
— Oh, você é contra reconstruir a cerca?
—Não, não tenho problema com isso.
— Se você não se opõe, então — Inês virou a cabeça em direção ao mordomo — Alfonso, por favor, ligue para os empreiteiros amanhã.
— Sim, senhora.
— Eu pensei em repintar a casa também, mas a parede de tijolos brancos é bonita demais para cobrir. Acho que seria melhor deixar como está. Certo? — disse.
— Claro — concordou Cássel.
— E eu estava pensando em construir uma estufa no jardim —
À menção de mais um projeto, Cássel não se conteve.
— Por que você está fazendo isso? — deixou escapar.
Inês notou que as mãos de Alfonso pararam no meio do derramamento. Ela decidiu fingir ignorância para manter a pretensão.
— Você está perguntando por que precisamos de uma estufa?
— Não, eu—
Inês interrompeu antes que Cássel pudesse terminar.
— Quero criar um espaço para você brincar, já que passa o tempo todo jogando sinuca e xadrez sozinho.
— Você quer construir para mim...? — Por um momento, Cássel ficou profundamente comovido com a preocupação de Inês por ele. Mas rapidamente recuperou os sentidos. Ela estava falando dele como se fosse um menino de sete anos, sugerindo que precisava de um lugar para brincar.
— Não estou falando da estufa.
— Então, do que você está falando? — perguntou Inés.
— Não me importo com nenhuma das mudanças que você está planejando. Mas não entendo por que está mudando tudo de repente.
— Você não se importa, mas quer entender? Apenas escolha um lado — respondeu Inês, voltando repentinamente à voz desinteressada. O sorriso falso e agradável ainda permanecia no rosto.
Cássel conseguia ver através de sua pretensão, mas o vestido verde e modesto enganaria qualquer um a pensar que ela era piedosa e recatada. Seu vestido verde hoje era uma das cores mais brilhantes que possuía.
Não foi apenas a cor do vestido que mudou de forma repentina. Todo o comportamento de Inés estava mais amigável e convidativo. De repente, ela se importava mais com a equipe e com a casa. Acima de tudo, quem imaginaria que Inés, de todas as pessoas, iria querer construir uma estufa — ou um cercadinho — para o marido?
— Estou falando de como você está agindo de forma fora do comum — disse Cássel.
— Não consigo evitar. A casa me inspira a ser criativa — respondeu Inês.
— Você não trocou os móveis do seu próprio quarto desde que tinha seis anos.
Inês fez um show de olhar abatido.
— Você está certo. Eu tenho estado desatenta por um tempo. Tenho estado tão deprimida, vivendo em um lugar novo—
— Deixe-me poupá-la do trabalho — interrompeu Cássel — Alfonso já saiu da sala.
Quando Inês percebeu que estavam sozinhos, seu sorriso falso desapareceu. Em vez disso, respondeu simplesmente:
— Estou cuidando da casa para você e para mim.
Todo o seu fingimento desapareceu, e suas palavras pareciam genuínas, o que só intrigou Cássel ainda mais. Por que ela se incomodaria em enfeitar a casa a esse ponto?
— E para os convidados também — acrescentou. — A casa precisa ter um aspecto apresentável para receber convidados.
— Convidados...?
— Sua condição atual é aceitável, mas não está pronta para uma festa—
— De que convidados você está falando...? Você nunca tem convidados.
Cássel estava incrédulo. Começava a se perguntar se Inês havia ficado doente.
— Eu não, mas você sim. Então precisamos que a casa esteja apresentável para seus convidados.
Os olhos de Cássel se enrugaram ainda mais nos cantos, cheio de preocupação.
— Inês, você não deve estar se sentindo bem.
— Estou perfeitamente bem, obrigado. Na verdade, quero convidar José Almenara depois da missa no domingo.
Ele não conseguia acreditar no que ouvia.
— Convidar... quem? Para quê?
— Segundo Tenente José Almenara. Quero convidá-lo para um jantar em nosso lugar.
A boca de Cássel ficou aberta.
Kkkk fico lembrando das cenas no webtoon, coitado do José
ResponderExcluirObrigada pela Capítulo 😊
ResponderExcluiracho bem legar ver o ponto de vista do Cassel, no manhwa não fica claro que ele consegue sacar todos os esquemas da Inês. Aqui a gente percebe que ele não é nada bobo, mas as emoções atrapalham sua logica
ResponderExcluirObrigada pelo capítulo <3
ResponderExcluirKkkkk o Corcel é muito engraçado! Ver essa perspectiva é muito interessante! Obrigada pelo capítulo
ResponderExcluir